E depois?

Anderson Silva / Reprodução - RenaultAssisto lutas na TV desde Tim Witherspoon. Sempre acompanhei, quando transmitidos, os torneios olímpicos e mundiais de judô. E perdi a paciência com o boxe depois que John Ruiz bateu Evander Holyfield na revanche, não lembro se em 2000 ou 2001.

Depois descobri o Pride e o MMA e, dentro do possível, acompanhei bastante, até o hoje onipresente UFC. E, como todo mundo, conheci o Anderson Silva e vi que ele é foda. Ponto.

Tem gente que torce o nariz, “é metido”, “marrento demais” e coisas assim. Pois gosto da marra dele, ele tem direito a ela, conquistou esse direito.

Amanhã o sujeito tenta recuperar o cinturão na revanche contra o Weidman. E desde o meio da semana, além das notícias, entrevistas etc., venho assistindo os filmetes que a Renault produziu para veiculação no Facebook. Muito legais, diga-se.

Mas há cheiro de merda no ar…

Não há dúvidas que ele é muito mais completo, muito melhor mesmo que o sujeito que lhe nocateou na última luta. Não é considerado o melhor de todos os tempos por acaso. Mas como menosprezar o cara que foi capaz de nocauteá-lo?

Pois bem, todo mundo dá como certa a vitória de Anderson. Mas estou sinceramente desconfiado, não sei por quê.

E aí fico pensando o que é que ele vai fazer, quase 40, se perder de novo amanhã? Vai lutar contra quem na sua categoria, se já bateu todo mundo que importa? E qual seria o apelo para a realização de eventuais superlutas? E aí, vai se aposentar? Virar ator? Hummm…

O certo é que a luta é imperdível. E o que vai acontecer depois também. E eu, que torço pro cara matar a luta logo no primeiro assalto, pro bagulho ser incontestável. E torço também pro meu palpite estar tão errado quanto todos os meus palpites habituais.

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Bocas

Tagliatelle Foto: Ange KritsasHá quanto tempo não falo de F1 por aqui? Nem lembro mais. Ainda gosto da bagaça, muito. Ainda acordo domingo de manhã só pra ver corrida. Mas as corridas e o campeonato têm sido tão previsíveis que nem dá vontade de gastar tempo pra escrever a respeito.

Mas eis que Massa foi saído da Ferrari, Raikkonen largou a Lotus e voltou para Maranello, Felipe Nasr nem vai tão bem assim na GP2 e, depois de 40 anos, corre-se o risco de ficar sem pilotos brasileiros na categoria.

Sim, o risco existe mesmo, e já foi tema de conversas preocupadas entre Galvão Bueno e Bernie Ecclestone. E isso não tem nada de novidade. Porque o Brasil é sim um mercado importante. E porque, com o jeito ufanista que a Globo nos acostumou a seguir qualquer esporte, se nenhum piloto tupiniquim estiver na categoria o negócio (estimado hoje em R$ 40 milhões em cotas anuais) vai para o brejo.

No entanto, reza a lenda, o futuro não dá pinta de ser tão negro quanto parecia.

Bocas nem tão pequenas dizem que a Renault vai retomar a Lotus. Bocas enormes, além do número de carros vendidos nos últimos anos, garantem que o Brasil é um mercado fundamental para a montadora francesa. Bocas muito pequenas dizem que uma certa grande e inspiradora empresa brasileira vai entrar no negócio (já andam até testando produtos em conjunto em um grande laboratório de motores no sul do país).

Boatos indicam que haverá um grande jantar de comemoração. Além de representantes das empresas francesa e brasileira, haverá dois convidados especiais: Galvão Bueno e Bernie Ecclestone. Não consegui descobrir a data e o endereço do banquete, mas parece que o prato principal será massa.

Cala a boca, Galvão

Ah, aquele capacete amarelo no carro preto e dourado… Se você gosta de F1 e só consegue assistir às corridas pela emissora oficial, prepare-se para ouvir frases parecidas muitas e muitas vezes até, pelo menos, o fim deste ano. Um oferecimento de Galvão Bueno, claro.

O problema é que Bruno Senna nem é tão bom quanto foi seu tio nem ruim como tentam fazer parecer seus detratores. O lado bom é que o próprio piloto sabe e – dentro do possível – consegue esquivar-se dessas tolas comparações. E se você é daqueles que só sentido em acompanhar as corridas porque há brasileiros por quem se pode vibrar, torça muito por ele, pois é – sem dúvidas – nossa maior chance nos próximos anos.

Bruno fez uma corrida corretíssima ontem. Teve a sorte de não ser acertado pelo quiprocó da largada, foi consistente e marcou seus primeiros pontos na categoria. E por enquanto é só. Porque, vale lembrar, ficou seis meses parado e seu  ano de estréia, a bordo da Hispania, não foi bem ao volante de um F1.

Sobre a Renault, para 2012, paira a sombra de um possível retorno de Kubica. E mesmo que o polonês não volte, Bruno teria que garantir uma boa grana com seus patrocinadores (Gillete, Embratel e OGX – leia-se Eike Batista) para fazer a temporada completa.

No mais, é andar bem para mostrar que é sim excelente piloto. Na comparação Petrov, seu companheiro de equipe, ele tem boa vantagem. Sempre o bateu nas categorias em que se encontraram e, nesse ano e apesar do tempo parado, já está prestes a colocar o russo no bolso. Voltamos, então, à questão financeira.

Monza

Há duas semanas, dei loas a quem teve a brilhante idéia de voltar das fériasem Spa. Poisa despedida da Europa também é uma bela idéia. Monza é pista daquelas de verdade. E se não há curvas desafiadoras, se não tem um traçado seletivo como o autódromo belga, é pura história a toda velocidade.

E se a corrida em si não foi muito movimentada, além da excelente briga de várias voltas entre Schumacher e Hamilton, não ache que foi por acaso que os cinco primeiros lugares tenham sido conquistados pelos cinco campeões mundiaisem atividade. Porquetambém não foi por acaso que isso aconteceu pela primeira vez na história.

Bicampeão

Estamos, então, contando os dias para ver a farra oficialmente decidida, o que deve acontecer no Japão. Pode acabar em Cingapura, próxima prova? Até pode, mas é muito pouco provável. Pista de rua comum, não deve causar maiores problemas a ninguém. Então, mesmo que Vettel vença de novo, não deve abrir os tais 125 pontos de vantagem que precisa. Faltam 12.

A vitória de ontem mostrou, mais uma vez, que o alemão não é mais aquele garoto que se perde por bobagens que chegaram até a colocar em risco o título do ano passado. Perdeu a posição na largada, mas reconquistou a liderança sem sustos logo depois que o safety car saiu da frente. E não deu chances a ninguém, confirmando – também – que a Red Bull é o melhor carro em qualquer condição.

Button

Fodástico. Precisa dizer mais alguma coisa?

O que falta

Cingapura, Japão, Coréia do Sul, Índia, Abu Dhabi e Brasil. Fora Susuka e Interlagos, só corridinhas insossas. Vai ser duro acompanhar o final da temporada…

Fun-förmigen autorennen

Ando um tanto preguiçoso para escrever. Triste ironia, justamente o que gosto mais tem me dado mais preguiça. Enquanto isso não passa, lembro que domingo teve corrida. Um corridaço na Alemanha.

A Fórmula 1 voltou a ter na Alemanha uma daquelas corridas com um nível alto de emoção e incerteza que duram do início até a bandeira quadriculada. A corrida em Nürburgring trouxe um verdadeiro jogo de gato-e-rato entre três pilotos de equipes diferentes: Lewis Hamilton da McLaren, Fernando Alonso da Ferrari e Mark Webber da Red Bull.

Este aí é o trecho de abertura do post do Ico sobre o GPem Nurburgring. Vale ler inteiro, belo comentário.

E no próximo domingo já tem corrida de novo, agora na Hungria. Traçado apertado e travado, mais um cenário em que a Red Bull deve ter dificuldades de novo. Sinceramente, pela diferença que já tem, pelas vitórias conquistadas e pelo carro excelente, acredito que os títulos de piloto e contrutores já têm dono. Pode até mudar, mas acho improvável.

Ou seja, a partir de agora, vale assistir as provas apenas para se divertir. Porque tenho certeza que serão muito divertidas.

Enquanto isso…

…Massa foi combativo e tal, mas nunca teve a chance real de brigar por nada além do quarto lugar que perdeu na última volta. Foi um erro da Ferrari, um problema de porca. Mas ele não estaria naquela situação se não tivesse perdido tanto tempo atrás de Rosberg, se não tivesse chegado quase 50 segundos atrás de Alonso. De quebra, se Vettel não tivesse cometido um erro no início da prova, o brasileiro já estaria em quinto desde o início. E o locutor oficial ainda fica naquela de Brasil-il-il, tentando enganar a audiência no “limite extremo” (sic).

…Webber renovou com a Red Bull.

…Senna andará no primeiro treino livre da Hungria, mas se Heidfeld for substituído definitivamente, o escolhido é Grosjean.

…Para encaixar todas os circuitos no calendário gigante mas ainda apertado de 20 corridas por ano, Valência e Barcelona podem passar a se revezar como GP da Espanha como já acontece na Alemanha. E para voltar ao calendário, a França propõe solução semelhante, em alternância com a Bélgica. Enquanto isso, Coréia do Sul, Bahrein, Abu Dhabi e China (além da Índia, que estréia nesse ano) seguem firmes e fortes. E a Turkia, um dos únicos Tilkódromos que prestam (ao lado da Malásia), ameaça deixar o campeonato.

Chili com vodka

Juntem uma corrida que terminou às quatro e meia da manhã, uma boa dose de decepção, um domingo de muito calor com a família e pronto. Sinceramente, não deu vontade de parar em frente ao computador para escrever sobre Fórmula 1. Acho que, como todo mundo que gosta do negócio, esperava muito da corrida de Melbourne. Afinal, um monte de novidades e uma pista que geralmente nos oferece bons espetáculos. Mas não foi o caso. Vou por partes.

– Asa móvel: o que prometia transformar as corridas em um festival desmedido de ultrapassagens acabou não fazendo nem farofa. Entre carros com desempenho semelhantes, a geringonça acabou não influindo em nada e quem defendia posição levava sempre vantagem. Para se livrar mais rápido de retardatários, talvez seja útil. Mas aí é preciso dar sorte de encostar no carro mais lento na área que o uso da asa é permitido. Talvez, em pistas com retas colossais, como o GP da Malásia que acontecerá em duas semanas, o dispositivo faça alguma diferença real na briga por posições.

– Pneus: o asfalto liso das ruas de Melbourne acabaram não surtindo o efeito esperado. A maioria dos pilotos fez duas paradas (o que já era habitual), alguns fizeram três e um conseguiu chegar ao fim da prova com apenas um pit stop. O rendimento dos pneus têm, realmente, quedas bruscas – principalmente os mais macios – mas as disputas de posição acabaram não acontecendo. Quando alguém se aproximava, o da frente logo jogava seu carro no box para a troca, sabendo que o outro sujeito também teria que parar e tudo voltaria ao normal. Resta saber se também haverá uma espécie de comportamento padrão em Sepang, onde o calor promete ser altíssimo e o asfalto é muito mais poroso.

– Massa: parece que o piloto que lutou pelo título de 2008 se aposentou. Sua classificação foi ruim, prejudicada por uma rodada bisonha quando saía dos boxes com aquele que deveria ser seu melhor jogo de pneus na briga pela pole. Na corrida, começou com uma largada brilhante, em que ganhou quatro posições, mas logo perdeu rendimento e acabou sumindo depois da boa briga com Button. Foi engolido por Alonso. Apesar do mesmo número de paradas, nunca conseguiu andar no mesmo ritmo do espanhol e terminou em uma melancólica nona posição. Se mantiver o padrão durante o ano, teremos mais um brasileiro desempregado em dezembro.

– Ferrari: para o que prometeu durante a pré-temporada, desempenho abaixo da crítica. Mesmo Alonso, que terminou em quarto, nunca teve condições de brigar pelo pódio. Alonso largou muito mal, enquanto Vettel e Hamilton dispararam desde o início. Apesar de uma boa recuperação, o espanhol chegou à quarta posição sem qualquer chance de atacar o russo Petrov, que levou sua Renault (ou Lotus Renault, já não sei mais) ao pódio.

– McLaren: impressionante a virada que a equipe deu em tão pouco tempo e sem a possibilidade de testar. Saiu da Austrália como a grande rival da Red Bull para o ano. Se outros times vão entrar na briga, ainda não se sabe. Mas o time de Woking, especialmente Lewis Hamilton, será a pedra no sapato dos touros vermelhos.

– Red Bull: falar o quê? Que foi estranho o tamanho da diferença entre Vettel e Webber? Tá foi, mas isso não deve ser tão comum, acho que foi uma circunstância. Que Adrian Newey é fodástico? Todo mundo já sabe. Pois é tanto que até o boato sobre ele é duca. A equipe não confirmou (nem vai), mas o projetista desdenhou do KERS e, dizendo que só faz diferença mesmo na largada, teria criado um ‘mini-KERS’ que só funcionaria quando as luzes se apagam. Se é verdade, além de não gerar tanto calor durante toda uma corrida, ainda permite que a diferença de peso entre o aparelho tradicional e a tal invenção sirva como lastro distribuído para melhorar o equilíbrio do carro. Será que isso é verdade?

– Barrichelo: fim de semana para esquecer, desde a rodada infantil na classificação até o acidente que provocou em uma tentativa de ultrapassagem otimista demais (para ser educado). Foi possível confirmar que a Williams é um bom carro, que pode incomodar. Mas a falta de grana crônica do time não permitirá um ritmo de evolução como de outras equipes e deve acabar ficando um pouco pra trás.

– Chili com vodka: os grandes destaques da corrida foram o mexicano Sergio Pérez e o russo Vitaly Petrov. O primeiro, estreante com a pecha de piloto pagante, mostrou que não tem nada de bobo. Fez andar o bom carro da Sauber e, com apenas uma troca de pneus, terminou em sétimo, à frente do companheiro Kamui Kobayashi. Uma pena a desclassificação da Sauber por medidas erradas na asa traseira. Petrov é outro que chegou à F1 como pagante. É verdade que foi discreto (ou pior) no ano passado, mas andou bem desde o início do final de semana. Engoliu o experiente Heidfeld e chegou ao pódio. Talvez, o bom desempenho seja reflexo da ausência de Kubica, de sua sombra de grande piloto e líder da equipe. Enfim, olhando para o resultado de ontem, impossível não imaginar o que o polonês não seria capaz de fazer com o mesmo carro.

Agora resta esperar por Sepang, por saber do que a Ferrari é capaz de fazer para melhorar, por saber quanto tempo a Hispania irá existir, pela desculpa de Massa por não conseguir andar sequer em ritmo parecido ao de Alonso, por saber qual o tamanho da surra que a Red Bull aplicará nos outros no próximo GP.

Resta 1

Novidades na F1, com a confirmação da Hispania de que o indiano Narain Karthikevan será um de seus pilotos no próximo campeonato. Apoiado pela Tata, montadora indiana, o piloto voltará a pilotar um carro de fórmula 1 justamente no ano em que seu país entra no calendário. Afinal, não se pode perder uma oportunidade de marketing como essa, mesmo que seu carro ande pouco mais rápido que um fusquinha 1973. Pra completar, o chefe da equipe Colin Kolles também avisou aquilo que todo mundo já sabia, que “Bruno Senna não vai correr pela Hispania. 100% não”.

Ou seja, como era previsto, dos quatro brazucas que correram no ano passado, apenas dois seguem no grid. Caíram justamente os dois estreantes. Se vão continuar por ali, como terceiro, quarto ou quinto piloto, ainda não se sabe. Lucas Di Grassi e Bruno estão em silêncio há tempos.

O que achei curioso sobre a F1 é que o dinheiro que move o negócio é todo de patrocinadores. No entanto, a comunicação dos caras é furada em alguns pontos. Por exemplo, a Virgin que será Marussia não mudou nada no seu site, a não ser o anúncio de Jerome D’Ambrosio como novo piloto, notícia que já é velha.

No site da Hispania, os patrocinadores de Senna ainda estão lá. E na Williams, Pastor Maldonado já foi anunciado, mas patrocinadores que deram no pé no final do ano ainda aparecem enquanto os novos (PDVSA à frente) ainda não.

Além disso, a lista oficial de pilotos no site da categoria ainda apresenta cinco cockpits vazios apesar de, na verdade só existir uma vaga indefinida e outra aberta de verdade. Vejam abaixo.

Esquentou a briga

Na verdade, a discussão já havia começado e já está na justiça há algum tempo. A briga entre Lotus (Proton) X Lotus (1Malaysia).

Esse carro que vocês estão vendo aí na foto é o Renault pilotado por Kubica e Petrov em 2010 com a programação visual que será usada em 2011. A história está muito bem contada pelo Ico no texto que republico abaixo e vocês vão entender que desde a apresentação do carro até a presença do logotipo, tudo é pensado para esticar a corda, fazer pressão.

Além da confusão propriamente dita, há alguns detalhes na imagem, muito bem observados pelo Flavio Gomes. O logotipo da Lada não está no carro, o que pode significar a saída de Petrov da equipe. Outro detalhe é que foi confirmado pelo próprio site Grande Prêmio há algumas semanas que Bruno Senna estava fechado para correr pela Lotus em 2011 e, automaticamente, todo mundo achou que seria a estreante deste ano. Será que o primeiro sobrinho será o companheiro de Kubica na próxima temporada?

Socorro

É bastante complicado, mas vamos lá:

– O Lotus Group, fabricante de carros de rua, anunciou hoje um acordo de patrocínio com a equipe Renault pelas próximas sete temporadas. Os franceses venderam a parte que ainda tinham da equipe para a turma da Genii Capital (a de Gerard Lopez) e vão continuar atuando, de acordo com o release, como “fornecedora de motores e de know-how tecnológico e de engenharia”. A segunda parte da frase é uma maneira de manter o status de mesma construtora do time que disputou esse Mundial de 2010, para que eles possam ganhar o prêmio em dinheiro pela quinta colocação entre as equipes.

– Na prática, o time ficaria oficialmente registrado na FIA tendo a Renault como construtora, mas mudaria o nome para “Lotus Renault GP” ao invés do “Renault F1 Team”. Assim, mesmo com a montadora francesa deixando o barco, poderia alegar “interesses comerciais para atender a um novo patrocinador” para solicitar a mudança do nome sem a necessidade das outras equipes aprová-la. Até porque a outra Lotus, a de Tony Fernandes, certamente votaria contra. O fato da Renault ter vendido sua parte à Lopez para que ele a revenda depois ao Lotus Group é mais um mecanismo para legitimar perante a FIA que o time de 2010 é o mesmo que vai entrar na pista em 2011.

– O que surpreende é o fato do Lotus Group ter colocado o logotipo tradicional usado por Colin Chapman no bico do carro cuja imagem foi distribuída para a imprensa (abaixo). Há pouco mais de dois meses estive numa coletiva de imprensa em Cingapura na qual Tony Fernandes (o da outra Lotus) anunciava a compra dos direitos de usá-lo em 2011. Neste ano, o time dele usou um logotipo, digamos, híbrido. Aí que vem o lado interessante da história: quando Fernandes decidiu reviver o nome Lotus na F-1, conseguiu a licença para usá-lo do próprio Lotus Group (antes que batessem cabeças). Mas não usou o logotipo, provavelmente porque até os diretores do Group sabiam que ele pertencia a David Hunt e teria de ser negociado à parte.

– Fica a clara impressão de que o Group Lotus está forçando uma situação para clamar o direito de ser o “herdeiro” da equipe de Colin Chapman na F-1. Eles fazem os carros de rua, mas o dono dos direitos do nome da equipe de F-1 (sem falar no filho e na viúva de Chapman) se alinham com Fernandes.

– Para mim, tanto faz se um lado ou se outro sai ganhador. Tenho mais simpatia pela causa de Fernandes por conta do apoio que ele tem da família do fundador da Lotus, mas sempre foi claro para mim que a equipe dele é outra, assim como sempre soube que a Brabham de Bernie Ecclestone não era a Brabham de Jack Brabham.

– O certo é que dificilmente essa história vai terminar no estágio que estamos hoje, com duas Lotus-Renault de carros preto e dourado e usando o mesmo logotipo. Ninguém pode fazer um xarope preto e usar o logotipo da Coca-Cola, afinal. Há um processo em curso na justiça inglesa. E apostaria que Bernie Ecclestone vai entrar em ação para costurar alguma solução, já que o episódio só serve para confundir os fãs Fórmula 1 e isto é ruim para o show que ele administra.

– O único lado que saiu ganhando com isso foi a Renault. Já faz tempo que Carlos Ghosn queria se livrar do que considera um abacaxi e, não fosse o mal-estar causado pelo “Crashgate”, ele já teria puxado o carro no final de 2009. Agora, fabricando os motores campeões da Fórmula 1, a existência de um time próprio ficou completamente obsoleta e ele passou a bola prá frente.

Não se preocupe se não tiver entendido. Além de complicado, o assunto é chato. A Fórmula 1 é um ambiente comercial riquíssimo povoado por espertalhões. A maioria sabe preservar o que resta de DNA do esporte nela, mas sempre aparece gente que só pensa no lucro a qualquer custo.

Ico (Luis Fernando Ramos)

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Está na coluna do Ancelmo Gois de hoje, no Globo: “A Petrobras voltará a patrocinar uma equipe de Fórmula 1 no ano que vem”. Antes é preciso ter certeza, confirmar a informação. Mas partindo do princípio que a fonte é boa e que Ancelmo não é dado a barrigas, assumamos que é verdade.

Se ainda não é possível apontar em que equipe estará a estatal brasileira, não é tão difícil dizer para onde não vai.

Por contrato, qualquer motor Mercedes só usa Mobil (exclua a própria, a McLaren e a Force India), qualquer motor Ferrari só usa Shell (exclua a própria, a Sauber e a Toro Rosso). A Renault (equipe) e a Red Bull têm contrato com a Total. Sobram as novatas e a Williams. E das novatas, mercadologicamente, só faria sentido fazer uma parceria de desenvolvimento com a Lotus (que pode virar 1Malaysia ou Air Asia F1) ou voltar à Williams (pela tradição do time e por Barrichelo). Qual seria a eleita?