Nos trilhos

Estrada de FerroSabem por que ando entediado? Porque no final das contas, todas essas confusões políticas apontam para a mesma direção. E no final das contas, ficamos (a massa que ainda depende da mídia tradicional e ainda é maioria no país) à mercê de como as coisas são noticiadas.

Por exemplo, a história da Siemens e do cartel em São Paulo, em que tentam arrastar até os mortos para o pântano.

Agora, vejam que curioso: o mesmo problema aconteceu no Distrito Federal, e isso – definitivamente – não anda sendo explorado.

Em mais uma obra com problemas, dessa vez em Fortaleza. O metrô com superfaturamento comprovado, que custou o triplo do estimado no projeto e que foi pago com dinheiro federal, foi realizado por um consórcio formado pelas seguintes empresas: Siemens, Alstom, Bombardier e Balfour Beatty. Reconhecem?

E ainda há o estranho caso do consórcio formado por Alstom e CAF. Em Belo Horizonte, numa licitação da CBTU (federal), a primeira ficou com 90% do negócio e a outra com 10%. Já em Porto Alegre, em licitação da Trensurb (federal), as proporções do negócio foram invertidas. Em ambos os casos, não houve concorrentes nas licitações e as compras de trens não foram canceladas. Estranho?

Pra mim, estranho de verdade é não ver essas histórias maciçamente noticiadas. Mas tenho certeza que isso não é de propósito, é apenas porque não cabe tudo nos telejornais.

Bom, mas eu falava de tédio e mais do mesmo. Então, hoje haverá manifestação em São Paulo, convocada pelo MPL, aquele Movimento Passe Livre. Afinal, o último escândalo é sobre trens e metrô, imaginem se perderiam a chance. Pois é bom não esquecer que o MPL é parceiro histórico do PT. E se há manifestação, estarão lá o Black Block (é assim que escreve?), para provocar e se bater com a polícia, e a Mídia Ninja, aquela turma independente que anda de braços dados com o Capilé.

Em compensação, nos outros lugares em que o governo federal ou suas estatais pagaram pelas obras com os mesmos problemas de São Paulo, ninguém fala nada, ninguém faz nada.

E tudo isso é mesmo um tédio, porque continuamos (e continuaremos, pelo visto) falando de manutenção (no caso do governo federal e alguns de seus aliados) e conquista de poder (o estado de São Paulo sempre foi a jóia da coroa dos sonhos do PT).

Só um detalhe: o contrato de Porto Alegre foi assinado pela própria Dilma. Mas quem se importa, né não?

Horizonte, cenário, contexto…

Metrô

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O que virá e pelo fim da hipocrisia

Cinelândia / Foto: Fabio Motta/Futura Press/Estadão ConteúdoFicou evidente, pelo menos pra mim, que o que turbinou as manifestações de ontem foram os confrontos ocorridos nas primeiras manifestações, especialmente em São Paulo, e a cobertura torta da maior parte da imprensa jogando nos ombros das polícias a culpa de tudo o que aconteceu de errado.

Mas essa percepção não esconde o fato de que quase tudo o que aconteceu ontem foi maravilhoso. Porque pro bem e pro mal, com o estopim certo ou errado, ver que a população é capaz de se mobilizar e de se expressar – quando há muito tempo se acreditava que cada um de nós tratava de olhar apenas para o próprio umbigo – é maravilhoso.

Outra coisa fabulosa que houve ontem foi a capacidade, consciente ou não, da massa isolar aqueles que foram às ruas pra fazer cagada.

Violência, segurança e combate

Não consegui acompanhar a cobertura detalhada de cada uma das grandes cidades, mas o que houve no Rio foi muito grave. Pelo que vi e ouvi, ficou claro que a PM tinha ordens diretas para não entrar em confronto, em qualquer situação. Isso explica o cerco aos policiais na Alerj e a demora para a chegada à ação do Batalhão de Choque.

Coquetel molotov na Alerj / Foto: Nicolas Taner/APNo entanto, nem Cabral nem Beltrame deram as caras. O que será feito contra essa turma? “Ah, não podemos fazer nada, era uma multidão e muitos estavam mascarados”. Uma pinóia!

Nas imagens, há muitos de cara limpa no meio da turba. Então o trabalho é Identificar, encontrar, prender e processar. E os crimes são vários. E sim, são bandidos.

A outra coisa é deixar a polícia pronta pra reagir, devidamente orientada sobre como e porquê. É só não inventar nada, sigam as leis e os baderneiros serão detidos.

Mas, acima de tudo, é preciso ter claro que essa violência não é gratuita, por acaso. Vivemos um momento grave, em que a manutenção ou não do poder dá o tom das ações desse governo que está aí. E não vai parar. Nas próximas manifestações, corre-se o grande risco de que eles tentem e consigam não se isolar, fazendo suas cagadas misturados à massa. E aí, será o terror.

Ir e vir

Outro absurdo de ontem no Rio foi a incapacidade da cidade em se preparar. É fato que ninguém esperava a quantidade de gente que apareceu e muito mais gente do que os 100 mil fugiram do centro com muito medo. Mas por que, sem qualquer comunicação ampla, sem avisos prévios, fecharam as duas maiores estações de metrô do Centro às 17h30? Quem tomou a decisão e quem permitiu?

Com 5, 20 ou 100 mil pessoas na rua, o trânsito dá nó. Na outra semana, deu nó por causa de um caminhão acidentado. Então, como é que as pessoas se locomovem, voltam pra casa, se os ônibus não rodam (porque não conseguem) e o metrô está fechado?

O que virá?

Ocupação da marquise do Congresso Nacional / Foto: Ueslei Marcelino/ReutersParece que está mesmo provado que o problema não são os 20 ou 40 (ida e volta) centavos. Há muitas questões reprimidas há muito tempo. Mas e o que vem agora? Já há outra manifestação marcada para a quinta-feira. No Rio, a turma quer colocar um milhão na rua. Os ‘realistas’ falam que 200 mil é algo factível. Talvez seja mesmo, não há dúvidas que o dia de ontem foi especial (em todas as suas conotações) e o pouco tempo entre uma e outra passeata pode ajudar a inchar ainda mais o movimento.

Mas há questões práticas em que se pensar. Não há uma liderança ‘formal’, não há uma pauta organizada. Além disso, Cuiabá, João Pessoa, Manaus, Natal, Porto Alegre, Recife e Vitória já anunciaram redução (graças a uma isenção de impostos) no valor das passagens, ponto inicial das manifestações. Outras capitais e grandes cidades também devem fazer o mesmo. E ssse cenário, a médio prazo, talvez faça com que o barulho se dilua, minguando os eventos, até voltarmos ao silêncio sepulcral de duas ou três semanas atrás.

A falta desses pontos bem definidos também facilita a vida dos nossos ilustríssimos representantes, pois não os obrigam a ‘entender’ o movimento e dar respostas práticas aos quereres da população.

No entanto, também pode acontecer o contrário, o que seria fantástico. Seria uma quebra gigantesca de paradigmas. E, sem dúvida, benéfica para o país.

Até agosto, por exemplo, será decidido o futuro da turma do mensalão. E já há dois novos ministros que foram indicados para reverter, se não as condenações, boa parte das penas. Um deles (Barroso) já declarou em entrevista que o Supremo foi muito duro na ação penal 470. Por aí, vê-se onde podemos chegar. E ainda haverá mobilização até lá?

Cada um com seu cada qual

Acorda Brasil / Foto: Caio Kenji/G1Pra terminar, agora que estamos “todos” na rua ou comemorando o sucesso das manifestações de ontem, deixo as perguntas que o Rica Perrone fez em seu blog. Porque ao contrário do que pensa boa parte, os problemas não são apenas dos outros. E é de bom tom não ser hipócrita.

Agora que estamos na rua por um país melhor, vamos jogar fora a carteirinha de estudante (pra quem não estuda) que usamos e lesamos os não estudantes honestos que pagam mais pra compensar?

Vamos pensar melhor na hora de fumar um baseado e sustentar um traficante que amanhã pode estuprar sua filha?

Vamos pagar a multa e não o guarda que amanhã vai liberar um bêbado que vai acertar seu carro e matar um parente seu?

Vamos pedir pro amigo que tem o GatoNet assinar honestamente o produto pra que não fique mais caro pra você?

Vamos não renovar CNH por fora pra que um bêbado com 100pts não renove e cause um acidente amanhã?

Vamos até o lixo na praia e não deixar na areia nossos restos?

Vamos mudar o Brasil começando por nós?

Os sinais e a resposta vazia

Sou morador da Tijuca. Especificamente, da Usina. Pra quem não conhece, um sub-bairro que o Alto da Boa Vista e a Muda (outro sub-bairro). Um pedaço de terra que virou sinônimo de horror por conta das favelas nos morros do Borel, Formiga e Casa Branca.

Farra do boi

As favelas estão pacificadas (Deus sabe até quando) e o bairro é bem aprazível, com temperatura amena (para os padrões cariocas, claro). Aos pouquinhos, vai voltando a ter vida, comércio reabrindo etc. Mas ainda é uma espécie de farra do boi.

O povo é mal educado e não é raro termos problemas com barulho de festas, muitos edifícios estão mal tratados por puro desleixo, há casas antigas abandonadas e andar nas calçadas é como uma espécie de gincana fugindo de cocos de cachorro que muitas vezes parecem bombas (até hoje não entendo qual a dificuldade das pessoas em levar um saco plástico para recolher sua sujeira e jogar no lixo).

O trânsito não é diferente e os sinais, na maior parte do tempo, são meros ornamentos. Quase tratados como luzes de Natal que piscam o ano inteiro. E como na maior parte da cidade, motoristas de carros fazem cagada. Mas vans e ônibus capricham, se superam dia a dia.

Os sinais

UsinaNa imagem acima, há três sinais marcados. O número 1 fica na esquina de Conde de Bonfim e Santa Carolina. Durante o dia, ainda há algum (pouco) respeito, mas à noite é o caos. Quem circula pela via principal, só para se for obrigado. Com sorte, diminuem a marcha. Pela transversal, os carros ainda param. Mas os ônibus avançam insistentemente. E ainda ficam ofendidos quando um pedestre atravessa à sua frente.

O número 2 é um sinal de pedestres que fica em frente a uma escola. Se não há alguém na beirada da rua pra atravessar, ninguém (ninguém mesmo!) para. De dia e de noite.

O número 3, esquina de São Miguel com São Rafael, também fica em frente a uma escola e a 40 metros de uma creche. E sofre do mesmo problema do segundo. Não há diferença entre carros, vans e ônibus.

Quase atropelamento

Tive um probleminha no número 2, na segunda-feira à noite. Depois do trabalho, saí a passear com Adriça e Joana. Como faço diariamente, parei na beirada da rua (se parar na calçada, ninguém te vê) e fiquei esperando o sinal fechar. E na hora certa, comecei a atravessar. E quando estava no meio da rua, lá veio o ônibus. Nem aí. Se eu estivesse distraído, teríamos ido os três pro beleléu.

Só pra constar, já vi a cena acontecer outras vezes, inclusive com crianças, e a única solução real é instalar radares em cada um dos sinais.

Resposta vazia

Como o ponto final era perto, fui até lá e reclamei com o fiscal que prometeu tomar alguma providência. Não sei se algo aconteceu. Também tratei de ligar para o 1746 (Central de Atendimento ao Cidadão) e fiz o registro. Ônibus da linha 604 (integração Usina – Metrô Saes Pena), numeral A50131, Auto Viação Tijuca, às 19h11 do dia 1º de abril de 2013, na rua Conde de Bonfim, em frente ao Colégio Regina Coeli.

Cinco dias esperando a resposta que chegou hoje. Resposta vazia como vocês podem ver abaixo, sem qualquer tipo de definição sobre o assunto, nenhuma providência específica.

Resposta 1746Como vivo em uma área da cidade que não será afetada diretamente por nada relativo à Copa ou Olimpíada, nada vai acontecer. Como não morri atropelado, como a história não foi noticiada em grandes sites, jornais ou TVs, nada vai acontecer. Como a agência reguladora não faz seu trabalho (tai o metrô e as barcas que não me deixam mentir), nada vai acontecer. Como a CET-Rio é ineficiente, como vemos diariamente nos engarrafamentos da cidade, Porque o Rio – fora dos canteiros de obras para os grandes eventos – está abandonado. E continuará assim.

O metrô e a virtude

Não é todo domingo que consigo ler jornal. Na verdade, é algo cada vez mais raro hoje, infelizmente. Ontem, por sorte, foi um dia de leitura. E no Globo, há duas colunas que merecem degustação e multiplicação.

A primeira é bem carioca. O texto de Artur Xexéo sobre o nosso metrô, o que e como era, o que se tornou.

Artur Xexéo / DivulgaçãoQuem está chegando agora pode pensar que foi sempre assim. Não é verdade. Durante quase 20 anos, a extensão de nosso metrô cresceu e a limpeza e eficiência continuaram funcionando. O caos se implantou a partir da concessão para uma empresa privada em 1998. O carioca nunca foi conhecido por cuidar de sua cidade. O metrô era uma exceção. Tornou-se exemplo de civilidade. Ninguém tinha coragem de jogar um papel de bala no chão. Com ele, aprendemos que, quando o serviço é bom, o usuário cuida e respeita. Hoje, o usuário trata mal o metrô. A culpa é do serviço. Ninguém gosta de pagar caro — e o metrô é caro à beça — por um produto medíocre.

O segundo é de João Ubaldo, o Ribeiro. Com a ironia que lhe é peculiar, disserta sobre o espírito público de nossos eleitos. Enfim, leitura obrigatória nesse começo de semana.

João Ubaldo Ribeiro / DivulgaçãoNo Brasil, os políticos são virtuosos, ou procuram ser virtuosos? Engabelados pelo noticiário leviano, venal, deturpador, difamador, caluniador, injurioso e irresponsável de praticamente todos os veículos de comunicação, muitos de nós diriam que não. Afinal, todos os dias mais um capadócio público é exposto, mais uma quadrilha é desmantelada, mais um ladrão se revela e um incompetente se evidencia. Solerte imprensa, antro de patifes, súcia de mentirosos. Pois basta livrar nossa visão dessa fumaça maledicente para logo vermos que a realidade desmente os detratores. Que a política e o poder demandam extraordinários sacrifícios é afirmação universal, postulado nunca discutido. Entretanto, nossos políticos jamais querem deixar o poder ou abandonar cargos de influência, estão dispostos a arrostar indefinidamente esses sacrifícios penosíssimos. Negar que isso é virtude, só com muita má vontade.

Nessa data querida

Sabe aquele papo de purgatório da beleza e do caos? Pois é, a beleza está no post anterior, uma pequena galeria de 12 fotos sobre a cidade. Os 40 graus deram um tempo e a temperatura tem estado bem amena nos últimos dias. Sobrou o caos.

Greve  de ônibus deixa Rio confuso / Foto: Reynaldo Vasconcelos/Futura Press/Estadão ConteúdoO Rio amanheceu com greve de ônibus. Aí, já viu né. Trens e metrô mais que lotados, naturalmente. Parece que os caras prepararam uma operação especial pra dar conta do aumento de passageiros, mas no negócio não tá fácil não. No caso do metrô, é claro que se os trens novos tivessem chegado no prazo, não seria tão difícil. Mas… Só pra ter uma idéia de como a coisa anda frouxa, só no dia 31 de janeiro é que uma multa pelo tal atraso aplicada em 2011 foi ratificada pela agência reguladora. Sabem como é, recurso daqui, recurso dali, empurra com a barriga, aplica o dinheiro e deixa render…

E é engraçado porque, se na zona norte os trens estão cheios, na zona sul o metrô está vazio. Com duas estações fechadas por conta das obras de expansão e dependendo de ônibus para cobrir o buraco, deu zica. As pessoas simplesmente não conseguem chegar ao metrô. O mesmo acontece com quem vem da Barra. Afinal, o Rio é tão especial que tem o único metrô do mundo que para em sinal de trânsito.

Mudando de assunto, a outra notícia do dia é que está rolando uma baita queima de estoque no Caju. Pra quem não sabe, é um dos bairros do complexo portuário do Rio, abriga um dos maiores (se não o maior) cemitério do país e um complexo de 13 favelas que serão ocupadas no próximo domingo. Claro que sem disparar um tiro (podem esperar os discursos festivos do governador e do secretário de segurança). Nem prender ninguém.

Rio se preparar para instalação de nova UPP / Foto: Pablo Jacob/GloboPorque a turma que manda na boca já deu no pé. E os vapores foram incumbidos de vender tudo o que podem, da maneira que der, pra diminuir o prejuízo. O resultado é que a pedra de crack sai por R$ 0,50 e a maconha, pra quem é local, sai de graça. Isso mesmo, de graça.

Agora, se todo mundo sabe disso, se está publicado nos maiores jornais da cidade, é claro que a polícia sabe, o que nos leva ao óbvio ululante de que ninguém é preso porque ninguém quer prender. E você, surpreso com essa revelação, faz um ‘ohhhhh!’ e depois canta assim: “parabéns pra você, nessa data querida…”

Questão de berço

Just watching / Foto: Alfeu MoraisA bela foto acima, do amigo Alfeu Morais, além de fofinha, engraçadinha, espirituosa e coisas do gênero é – se compararmos com essa gente bronzeada que mostra seu valor – de uma ironia finíssima.

Como tenho viajado muito pouco, vou falar de algumas das mais fantásticas experiências que tive na inigualável cidade maravilhosa.

Quando eu era criança pequena lá em Vila Isabel, aprendi coisas simples com meus pais, avós, pais de amigos etc. Regrinhas básicas como respeite os mais velhos ou não empurre nem bata em ninguém. Resumindo, ser honesto, honrado e sempre lembrar que o seu direito termina onde começa o do outro.

Há alguns dias, por exemplo, estava parado no sinal vermelho e o sujeito que estava parado atrás de mim ficou buzinando para que eu avançasse. Eu sei e até a Adriana Calcanhoto já cantou que cariocas não gostam de sinal fechado, mas há limites né não? Ou não?

Voltando à convivência básica, que tal entrar no metrô ou trem na hora do rush? Sempre lotado, os mal educados estão dentro e fora dos vagões na mesma proporção. Dentro, tem aquela turma que fica parada na porta impedindo você de entrar. Há duas teorias a respeito: diz uma amiga que é a síndrome da Caverna do Dragão, todo mundo com medo de nunca mais sair e acabar encontrando o Vingador; eu já acho que é tara, a turma morre de tesão e goza horrores quando a massa na estação passa por cima pra entrar.

Ainda no metrô, tem o pessoal da plataforma que, quando as portas se abrem, avançam como autêntica manada, passando por cima de tudo e de todos, do jeito que dá, não se importando com quem está na frente.

Daí pra frente, tudo é pinto na má educação geral que assola a cidade. Lixo no chão, latas pelas janelas de automóveis, a música alta no celular, o sujeito que finge dormir (esse é um clássico) em ônibus e vagões para não dar o lugar a grávidas e idosos, a bicicleta pela calçada, o coco do cachorro, o cruzamento fechado, o pinga-pinga do ar condicionado. Exemplos não faltam.

Então, quando até uma gaivota resolve seguir uma regra simples, fico mesmo muito emocionado. Chego até a pensar que a humanidade tem futuro…

Piada de muito mau gosto

Pane elétrica no Metrô do Rio / Foto: O DiaPouco mais de 24 horas depois de uma tragédia daquelas, em que a falta de procedimentos de segurança adequados ajudou a matar mais de 230 pessoas, a concessionária que opera o metrô do Rio de Janeiro contou a sua triste piada.

Imaginem vocês que por causa de uma pane elétrica, quase todas as estações da zona sul do da cidade ficaram cerca de duas horas sem operar, entre 8 e 10 da manhã. Por conta do problema, alguns trens ficaram parados nos trilhos, entre as estações.

O tempo de evacuação dos passageiros dessas composições que estacionaram a meio caminho foi de cerca de 50 minutos. Isso mesmo, 50 minutos. E os caras tiveram a cara de pau de dizer que todo o procedimento foi normal.

Como ontem falei da omissão habitual das esferas de governo, gostaria de que alguém me respondesse o que será feito nesse caso. Que atitudes a agência reguladora, Agetransp, tomará? Pelo horário, é possível imaginar como estavam cheios os trens.

Agora, pensem o que teria acontecido se um incêndio tivesse acontecido.

Pois é…