A ciranda da vida…

…Que gira e faz girar a roda da vida que gira.

É, eu poderia pegar trechos das canções do cara, escrever, reescrever, talvez até transmutar em algo razoável, mas que nunca chegaria a ficar bom. Porque se você reparar, ouvir com cuidado, tudo o que precisa ser dito já está.

Feliz 2015!

Pinto no lixo

Tam Tum / Foto: Lúcia FerreiraComecei a velejar em 2006. Sempre como tripulante. Manza. Mas nesses poucos anos, já houve muitas boas histórias, em terra e mar, e muitos momentos especiais, especialíssimos. Como a primeira vitória, no Picareta. Ainda estava em recuperação da última cirurgia joelho e levei um tombo na cabine no meio de uma manobra. Como eu tinha aprontado na regata anterior e desperdiçado a vitória, caí com o cabo do balão na mão e não soltei nem por decreto. No final deu tudo certo, e apesar do susto, o joelho ficou bom.

Em 2007 não foi um dia, mas um fim de semana inteiro: a conquista do Circuito Rio. A tripulação estava azeitadíssima, velejamos demais e não erramos nada. E ganhamos o campeonato com uma regata de antecedência.

A Santos-Rio de 2008 também teve seus momentos, pro bem e por mal. Primeiro, a levada do Fandango de Ilhabela pra Santos, uma velejada maravilhosa num dia lindo. Eu e Armando fizemos a armação em trisail que usávamos no Picareta e surpreendemos até o Sergio, dono do barco e que já cansou de velejar nesse mundão de meu Deus. Minha primeira travessia em dia de gala.

Já na regata, o sábado à noite foi marcante. Íamos nos arrastando sem vento praticamente desde a largada e àquela altura já surgia a discussão sobre abandonar ou não, por conta dos compromissos da segunda-feira. E íamos nos revezando em turnos e no leme. E calhou do vento entrar, já noite fechada, com nuvens negras e um bom tantinho de chuva. Batismo dos infernos e eu no leme (eu que não tocava nem o Picareta dentro da baía de Guanabara). E toda aquela teoria na cabeça e bota o barco pra andar no escuro só tentando sentir o balando das ondas, e a velocidade aumentando e a turma ficando animada e… Depois de alcançar a velocidade máxima do fim de semana, o céu abriu e o vento foi embora. Meia hora depois do auge da adrenalina e excitação, o cúmulo da frustração. Fui voto vencido e abandonamos.

No ano seguinte, nossa segunda e última Santos-Rio, não foi fácil deixar Helena recém nascida, com menos de uma semana de vida, pra matar uma frustração tão grande. Mas valeu muito muito a pena, pela velejada e pelo resultado.

Esses foram só alguns e ontem eu tive outro dia especial. Finalmente, e depois de muitos meses, voltei a velejar. Minha estréia no Tam Tum, o barco mais novo da família Boteco 1. E eu estava ancorado há tanto tempo que o barco já está quase fazendo aniversário e ainda não tinha experimentado.

Não era dia de regata, houve uma revoada em protesto contra a poluição da baía. Basicamente um passeio. E lá fomos nós, eu, Oscar e (oh, captain, my captain) Morcegão. E nem lembro como, acho que estavam testando alguma coisa no motor que acabou de ser revisado, mas logo depois de sair do clube alguém gritou “Gustavo, fica aqui”. E lá fui eu pro leme. E depois que resolveram tudo, panos pra cima e vamos velejar. E eu lá, tocando o bicho como se tivesse feito isso a vida inteira.

Que barco gostoso da porra, que dia maravilhoso. Um tantinho de vento, um pouquinho de swell, mais ou menos 80 barcos juntos, e a gente se divertindo. Primeira vez que tocava um barco com roda, ao invés da cana de leme. E fora um episódio ou outro, tudo em casa e adaptação perfeita. E com aquele tantinho de vento, 10 nós no máximo, fizemos o bichinho andar no máximo de seu rendimento (pelo que os dois falaram): 6,5 a 7 no popa com asa de pombo, 4,5 a 5 no contravento. E ele lá, soltinho, confortável. E eu ali, pagando de almirante, todo pimpão, quatro horas felizes como há muito não vivia. Difícil vai ser alguém me tirar do leme na próxima velejada.

E o melhor é que, depois de chegar no clube, dava até pra ver o sorriso do barco. Duvida? Então tira a bunda da cadeira e vai velejar. Você vai entender…

Merdelê

Picareta no Campeonato Estadual de 2011 / Foto: Fred HoffmanSe você não conhece a palavra, não se aflija. Merdelê não é nada além de um simples sinônimo de cagalhopança. E não termos melhores para definir o fim de semana esportivo. Pelo menos no que me diz respeito. E não, não estou nem aí para o título mundial de curling feminino conquistado pela Escócia.

Começando pelo mar, o sábado foi uma bosta. Mas que não deveria surpreender pelo menos três quartos da brava tripulação do Picareta. Sempre que os campeonatos da querida classe Velamar22 são disputados no belo e mavioso, porém viciado (falo da raia, claro) Saco de São Francisco, temos a certeza de pelo menos uma confusão certa.

Sempre no mesmo lugar. Não sei porquê, se é karma ou outra coisa, mas é infalível. Uma bendita bóia colocada nas proximidades do Clube Naval Charitas. Ali já atravessamos, já batemos na dita cuja, já colidimos com outro barco… Desta vez, entre orças e arribas e o indefectível “bota no vento Morcegão!”, arrumamos um fuzuê tal que o barco chegou a andar pra trás.

Começamos o dia em terceiro no campeonato e, nesse momento, estávamos em quarto na única regata do dia, justamente atrás do nosso adversário direto pela medalhinha estadual. O resultado do nosso merdelê na hora de montar a última bóia do dia foi que perdemos três ou quatro posições e o campeonato foi para o vinagre.

A última regata da contenda (que bonito) aconteceu no domingo. Dia bom, vento bom, percurso bom. Duas voltas em um X com bóias colocadas em frente a alguns dos clubes da enseada. Divertido, andamos em quinto, depois lideramos, fomos pra quarto, lideramos de novo e terminamos em terceiro. À frente do Marokau e Regatinha, adversários pela terceira posição no campeonato. Se não deu pra beliscar, foi suficiente para nos fazer esquecer do dia anterior.

Nem sei, no final das contas, em que posição terminamos. Mas depois de sete regatas, acredito que em quinto. Focus (ex-Dona Zezé) foi o campeão, Smooth o vice e Marokau o terceiro. Parabéns.

A melhor parte é que deu pinta de que – com Morcegão, Capitão Trocado, Ted Boy e este manza que vos escreve – encontramos uma tripulação que deu liga. E o Brasileiro vem aí. Vai que…

F1

A coletiva sorridente dos vencedores de Sepang / Mark Thompson/Getty ImagesA corrida em si nem foi essa coca-cola toda. Mas a turma caprichou. Um merdelê generalizado que terminou com um pódio absolutamente sem sorrisos. E olha que ninguém morreu. Briga na Red Bull, incômodos na Mercedes, reclamações na Force India, cagada de Alonso… A parte boa, engraçada mesmo, foi ver o Hamilton errar de boxe e entrar na McLaren com sua Mercedes. No mais, nada demais.

Fla

Jorginho em coletiva no Flamengo / Foto: LancenetAcho que o jogo de sábado foi suficiente para Jorginho entender o tamanho da roubada em que entrou. Se é verdade que não houve nenhum evento específico, nada de anormal aconteceu, nenhum merdelê, é fato que o jogo foi uma bosta (apenas para não fugir à escatologia).

Para o carioqueta, nosso tradicional ‘me engana que eu gosto’, nenhum pânico. Vamos nos classificar e até podemos ganhar. Mas teremos um ano sofrido pela frente. A ver.

2ª edição (12h)

Medalhas do campeonato estadual de Velamar22Acabei de ser informado que o Picareta terminou o campeonato em quarto. Ainda não vi o resultado oficial, não sei se foi no desempate ou se foi direto, não sei quem ficou em quinto. Mas fiz conta errada, é o que importa. Um merdelezinho, bem no espírito do post. Não sei por quê, nem lembro de ter acontecido antes, a Feverj resolveu premiar os quatro primeiros. Então e no fim das contas, os quatro supracitados e a corajosa Lúcia (que compôs a tripulação no primeiro fim de semana de disputa), levamos uma medalhinha pra casa. Como não pude ir à premiação, a minha ainda não está comigo. Mas as mocinhas vão ficar felizes quando chegar com ela em casa.

Esportivas

Na água

Barla-sotaDói! Dói tudo e muito. O corpo moído, dos pés à cabeça. Sabe aquele dia seguinte da sua primeira ida à academia, depois de 20 anos sem fazer nem um polichinelo? È a sensação que tenho.

Quase um ano sem ir a bordo e lá fui eu correr o campeonato estadual de Velamar22 a bordo do Picareta. Três regatas barla-sota de seis pernas de cerca de uma milha cada, com vento médio de 15 nós e rajadas que variavam de 18 a 20. Intensidade total em três provas de mais ou menos 40 minutos.

Não lembro quantos barcos havia na água, se 9, 10 ou 11. O que importa é que num dia em que “o vento da verdade”, como diz o comandante Ricardo Timotheo, apareceu, a tripulação que variava entre o inexperiente e o enferrujado fez o foguetinho azul andar. Sempre brigando com o Smooth e o Focus (ex-Dona Zezé), fizemos 3º-2º-3º.

Então, apesar da dor, foi mesmo um dia muito bom.

Na Austrália

Kimi venceu a primeira corrida de 2013 / Foto: Getty ImageNão consegui ficar acordado de madrugada pra ver a corrida ao vivo nem pude assistir no horário alternativo, às 9h, pois estava a caminho do clube. Pra finalizar, as mais de três horas sem luz ontem à noite também me impediram de ver compactos ou matérias por aí.

Pelo que entendi, Kimi deu o pulo do gato com os pneus e levou a corrida na estratégia. Alonso em segundo e Vettel, apesar da pole e da pista seca, em terceiro. E fico pensando em alguns especialistas que depois dos dois treinos livres da primeira corrida já decidiram que o campeonato tinha dono e até data pra acabar. Gato mestre é isso aí né?

Na Gávea

Jorginho / Foto: Carlos Costa/LancenetDorival caiu e lá vem Jorginho. Juro que não sei o que é pior… A verdade é que o agora ex-técnico nunca foi o queridinho da nova diretoria, mas a grana da rescisão era alta demais. Também é verdade que, apesar da boa taça Guanabara, o índice de aproveitamento do time sob seu comando é muito ruim e só superou os 50% depois de um turno inteiro enfrentando os mágicos esquadrões de quissamãs, bambalas e arimatéias.

No fim das contas, contou-se a história para boi dormir do não-acordo pela diminuição dos salários e o clube se livrou de um técnico de médio pra ruim e uma conta entre o fabuloso e o escalafobético. O problema é que vem aí o Jorginho.

Não lembro de nada realmente relevante que tenha feito na sua ainda curta vida de técnico. E, pra completar, ainda arrumou uma confusão desnecessária ao tentar trocar o mascote do América. Tomara, tomara mesmo que eu queime a língua e o sujeito dê certo. Mas não acredito.

Mas espero, sinceramente, que ele não tenha diarréias mentais, que não tente trocar o Urubu Rei pelo periquito lilás de Aruanda.

ponton / Foto: José Fangueiro

Foto do dia: José Fangueiro

Ancorado

Quem disse que filmes e canções de amor não são legais? Aí está a bela animação de Lindsey Olivares ancorado (com trocadilho, claro) na boa canção de Mika.

Morena do mar

Odociaba, Iemanjá. Odoiá!