PT e Dilma: você ainda se surpreende?

Resoluções do 3º Congresso do PT / Reprodução

O chamado ‘pacto da reforma política’ proposto ao País pela presidente DIlma Rousseff não passou de vigarice oportunista do PT para impor um velho projeto político ao País: o de isolar o Congresso para levar a uma reforma política nos moldes das pretensões do partido.

De acordo com uma ‘insuspeita’ fonte da ala golpista do PT, o jornalista Paulo Henrique Amorim, foi o ex-ministro da Comunicação Social Franklin Martins quem levou a ideia da dobradinha pacto-constituinte à presidente.

Endossada por Dilma, a proposta acabou se transformando no maior vexame político da década, obrigando a primeira-mandatária a um recuo vergonhoso menos de 24 horas depois de apresentá-la à sociedade.

O projeto está descrito de maneira pormenorizada no documento “O Brasil que queremos”, produzido ao final do Terceiro Encontro Nacional do PT, em 2007.

Na página 45 desse documento lê-se que “a reforma política não pode ser um debate restrito ao Congresso Nacional, que já demonstrou [ser] incapaz de aprovar medidas que prejudiquem os interesses estabelecidos dos seus integrantes. Ademais, setores conservadores do Congresso pretendem introduzir medidas como o voto distrital e o voto facultativo, de sentido claramente conservador”.

Ainda que não se possa afirmar que o PT está na origem dos movimentos de protesto que eclodiram no País, é lícito concluir que o partido tentou tirar proveito das manifestações a partir da leitura do seguinte parágrafo de “O Brasil que Queremos”:

“(…) a reforma política deve assumir um estatuto de movimento e luta social, ganhando as ruas com um sentido de conquista e a ampliação de direitos políticos e democráticos”.

A tática e a estratégia estão descritas no parágrafo seguinte. “A reforma política (…) só virá se for conquistada pela soberania popular. O caminho para isto é o desencadear de uma campanha pela convocação de uma Assembléia Nacional Constituinte exclusiva, com mandatos eleitos especificamente para promover a reforma das instituições políticas do Estado nacional”.

Se havia alguma dúvida sobre o sentido da expressão “constituinte exclusiva”, objeto de uma controvérsia semântica para justificar o erro e o recuo da Presidente, ela já não existe mais. O conceito de constituinte exclusiva está muito bem descrito, sem licenças polissêmicas, no documento petista.

Toda agremiação política tem programa, metas, doutrina, táticas e estratégias. É lícito que o PT tenhas as suas.

O que não é possível é admitir que a Presidente Dilma Rousseff tenha se valido do momento mais conturbado da história recente para impor o projeto partidário como “pacto”, desgastando ainda mais essa palavra, cujo sentido foi esvaziado ao longo da lenta agonia do governo Sarney. Ou que tenha sido induzida a esse erro colossal pelos fundamentalistas de sua legenda — e não tenha se importando de passar adiante a empulhação.

Com conselheiros desse naipe, é bem provável que Dilma Rousseff não precise de inimigos externos. Oportunistas e soberbos, mas sobretudo burros a ponto de não entender sequer o que se passa do outro lado da janela da institucionalidade, esses petistas antidemocráticos conseguiram levar o governo de todos os brasileiros a mergulhar na sua própria inconsistência.

Não admira, portanto, que o Palácio do Planalto apareça aos olhos da Nação tão perdido, lerdo e errático num momento tão grave e importante da história.

É o que o universo da política reserva aos espertos que são regidos pelo oportunismo dessa universal Lei de Gerson, que parece ser o norte de quase toda ação petista.

O documento “O Brasil que Queremos” pode ser lido em formato PDF no site do PT. O link para acessá-lo está aqui: http://www.pt.org.br/arquivos/Resolucoesdo3oCongressoPT.pdf .

O trecho ao qual me refiro está entre as páginas 44 e 47.

Fábio Pannunzio (Facebook)

P.S. 1: Alguém reparou no silêncio de Lula desde que a bagunça começou? No melhor estilo “o silêncio que precede o esporro”, é bom abrir os olhos.

P.S. 2: Alguém realmente acredita que voto em lista e obrigatório são instrumentos realmente democráticos?

Apaguem a luz

Pibão da Dilma / Imagem: kibeloco.com.brDei-me ao trabalho, ontem, de assistir ao pronunciamento de nossa excelentíssima presidenta (sic) da República. E tive a exata sensação de que estava assistindo ao um programa de propaganda eleitoral. “Surpreende que, desde o mês passado, algumas pessoas, por precipitação, desinformação ou algum outro motivo…” Nesse momento, Dilma atacava aqueles – especialistas, imprensa e até críticos – que se deram ao trabalho de ver e analisar como estavam as coisas. E a expressão ‘algum outro motivo’, com um meio sorriso no rosto, foi simbólica.

Será que a turma acredita, realmente, que todos aqueles que mostram os problemas do governo ou simplesmente discordam de suas ações o fazem apenas por birra? Desculpe presidenta, mas as térmicas estão ligadas há muito mais tempo que o habitual e com sua capacidade máxima, também incomum. Porque nossos reservatórios estão (ou estavam, não sei quanto a chuva das últimas semanas melhoraram a situação) no limite, porque nosso parque eólico é insipiente, porque não temos parque solar, porque não temos linhas de transmissão suficientes nem eficientes. E só não entramos em racionamento porque nosso crescimento em 2012 foi pífio, 1%, com boa parte de nossa capacidade produtiva está parada.

E tudo isso segue numa espiral sem fim, com os níveis de investimento do país cada vez menores.

Então, presidenta (chega de sic), seria excelente se a senhora – ao invés de proselitismo barato – fosse à TV dar satisfações sobre o porque dessa situação muito grave sem a tentativa de respostas fáceis, discursos messiânicos ou revanchismos rasos e infrutíferos.

O que vimos ontem na TV foi o início da campanha à reeleição, com um discurso cheio de furos. Só mais um sinal de que não existe um projeto de país, mas de perpetuação no poder. Mas como nossa oposição está esfacelada, nada disso – o pouco crescimento, a falta de infraestrutura etc etc etc, a verdade enfim – será utilizado na busca por votos em 2014.

E a moçada vai pedir bis

Já vi por aí as análises mais complexas, além dos aplausos de praxe, além da simples publicação dos resultados sem qualquer análise (também habitual). Mas, afinal de contas, o que é tão difícil entender sobre o nível de aprovação do primeiro ano de mandato de Dilma?

É fato que os 59% que a moça recebeu não são de se esquecer. Mas será que é tão surpreendente assim?

É preciso lembrar que Lula deixou o governo com aprovação superior a 80% e que Dilma foi vendida e continua se portando como a continuação do sujeito. Afinal, ele segue dando conselhos, indicando pessoas etc etc etc.

Também estamos cansados de saber que a comunicação do governo é muito melhor do que os feitos do próprio. e não podemos nos esquecer que o número de pessoas beneficiadas pelos programas sociais aumenta a cada dia.

De quebra, muitas promessas de trocentos mil isso e aquilo e centenas de lançamentos de grandes projetos, sempre em benefício do povo, da massa, o que não deveria ser ruim. O problema é a real capacidade de entendimento dessa massa que, ignara, prefere acreditar que Dilma é linha dura, honesta e competente porque demitiu seis ministros acusados de corrupção a lembrar que quem colocou/aceitou os sujeitos foi ela mesma e que, além dos donos das cadeiras, a estrutura não mudou nadica de nada.

E aí fica fácil entender que a aprovação recorde do primeiro ano do mandato de Dilma Roussef não tem nada a ver com a qualidade de seu governo. E lembrei de Gilberto Gil.

“Chacrinha continua
Balançando a pança
E buzinando a moça
E comandando a massa”

Mosca sem asas

Vamos bem né? Seis meses e 20 dias depois da posse, Dilma já enfrentou dois escândalos. Daí nada, não é mesmo? Ou você acredita que alguém será investigado de verdade, indiciado, processado, julgado e punido. Alou, você está no Brasil, meu amigo.

Brasil é aquele país que até depôs um presidente por corrupção, vocês lembram? Pois hoje o cara é senador e aliado do governo que é comandado pelo partido que foi um dos líderes dos movimentos que ajudaram a derrubá-lo.

Então, o cara que assumiu em 2003 deu muito mais motivos para ser deposto, com provas e mais provas, e nem aí… Claro, como é que os caras que receberam mesada vão brigar com quem deu a mesada? Ou vocês não lembram do mensalão?

E aí, chegamos à moça que ocupa a cadeira mais importante do país. Como disse lá em cima, seis meses e 20 dias. E um dos caras que havia sido defenestrado do governo anterior ocupa a segunda cadeira mais importante do governo. E cai graças ao tráfico de influência que praticou largamente a título de consultoria. E depois, um outro ministério cheio de verbas e moedas de troca é inteiro desfeito, do ministro ao sub do sub, por corrupção, e ninguém a coloca contra a parede.

Porque no ponto que já chegou, em tão pouco tempo, é claro que é tão corrupta quanto os que estão caindo (e os outros que ainda estão por lá) ou é inapta para o cargo ou – como acredito – as duas coisas.

Há alguns dias, o corresponde do El País no Brasil, escreveu um artigo tentando entender a razão dos brasileiros estarem tão apáticos, por que ninguém se movimenta, onde estão os indignados. Segue um trecho:

El hecho de que en solo seis meses de gobierno la presidenta Dilma Rousseff haya visto dimitir a dos de sus principales ministros, heredados del gobierno de su antecesor, Lula da Silva (el dela Casa Civilo Presidencia, Antonio Palocci, una especie de primer ministro, y el de Transportes, Alfredo Nascimento) caídos bajo los escombros de la corrupción política, ha hecho preguntarse a los sociólogos por qué en este país, donde la impunidad a los políticos corruptos ha llegado a hacer extensiva la idea de que “todos son unos ladrones” y que “nadie va a la cárcel”, no exista el fenómeno, hoy en voga en todo el mundo, del movimiento de los indignados.

¿Es que los brasileños no saben reaccionar frente a la hipocresía y falta de ética de muchos de los que les gobiernan? ¿Es que no les importa que los políticos que les representan, en el Gobierno, en el Congreso, en los estados o en los municipios, sean descarados saboteadores del dinero público? Se preguntan no pocos analistas y blogueros políticos.

Ni siquiera los jóvenes, trabajadores o estudiantes han presentado hasta ahora la más mínima reacción ante la corrupción de los que les gobiernan.

Por que ninguém faz nada? Porque não existem movimentos sociais sem a mobilização de instituições ou organizações, não existe a hipóteses de eu ligar para um amigo e chamá-lo para uma passeata (se estou errado, realizem um flash mob e provem o contrário). E quem deveria fazer isso está vendida ao governo. Só um exemplo: a UNE, que deveria ser o ponto de convergência e mobilização de estudantes, é patrocinada pelo governo federal (direta ou indiretamente), assim como sua diretoria é completamente ligada ao PC do B, país da base do governo. Acho que não precisa desenhar, né.

Infelizmente, parece que Samuel Rosa e Chico Amaral acertaram quando escreveram que e “a nossa indignação é uma mosca sem asas, não atravessa a janela da nossa casa”.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Indignado, posted with vodpod

Violência característica

Não gostaria de usar a tragédia de hoje, em Realengo, como pretexto para qualquer coisa. Mas é impressionante como, às vezes, é inevitável.

Entre todas as cenas do pós-tiroteio, entrevistas coletivas de nosso governador e prefeito nitidamente compungidos, o ministro da educação idem e nossa presidenta chegou a chorar em um evento em que devia fazer um discurso. Na verdade, de muito bom tom, todo o cerimonial foi cancelado e substituído por um pronunciamento breve de nossa mandatária, encerrado com um minuto de silêncio. Parabéns.

Mas sabe aquela história de que “se não tem o que falar o melhor é ficar calado”? Dilma bobeou e disse o crime de hoje “não é característica do país”. Certamente, se referiu às várias edições de tiroteios escolares que aconteceram nos EUA nas últimas décadas. E ela tem razão. Porque a violência característica do Brasil pode ser traduzida por alguns números e pela falta de atuação de todas as instâncias de governo para dar fim ao problema.

Apenas como exemplo: 46 mil pessoas são vítimas de homicídio todo ano do Brasil, média de 126 por dia. Em um triste ranking mundial, estamos na sexta posição entre 91 países, com 25 assassinatos para cada 100 mil habitantes. Que tal? Mais: nos últimos cinco anos, temos uma média de 160 mortes diárias no trânsito. Números muito, muito piores do que qualquer guerra.

Então, presidenta, governadores, prefeitos, ministros e secretários de segurança, o que vamos fazer para mudar a nossa característica?

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Sobre o que aconteceu, propriamente dito, tenho a impressão de que o sujeito – louco, sem dúvidas – decidiu se matar e resolveu chamar atenção. É impossível não ligar o caso, não vê-lo como uma imitação das trocentas chacinas escolares estadunidenses que sempre viram notícia e chocam o mundo. Pois ele conseguiu, o Brasil está parado e a notícia correu o mundo.

Mesmo o fato de trechos divulgados da tal carta de despedida do assassino fazer alusões à pureza e à castidade, dando um certo ar religioso ao fato, não me convence. E alguém lembrará que entre mortos e feridos, são 20 meninas e quatro meninos. Uma disfunção, um trauma, uma questão religiosa ou só uma cena construída? Sei lá, não sou ninguém, não fiz qualquer estudo sobre o tema, mas acredito na última hipótese.

Se, por acaso, estiver certo, provavelmente não teremos mais casos como o de hoje. Pelo menos, não em breve. A não ser que algum outro maluco resolva se inspirar pela cobertura massacrante que enfrentaremos nos próximos dias em todos os meios de comunicação.

Luxemburgo de saia

Não, não estou de luto pelo resultado da eleição. Não adianta nada, e não é sofrendo parado que as coisas se resolvem. No final das contas, aconteceu o previsto. A moça está eleita e agora é necessário que cada um vista um pouco do espírito de Pollyanna e torça, pelo menos, para que dê certo.

Para mim, e para muitos que conheço, essa foi a eleição do não quero contra o que não gostaria. E pelo baixo nível de campanha de parte a parte no segundo turno, se transformou no que não quero de jeito nenhum contra o que não quero. Fiquei sinceramente decepcionado. Mas aí vem aquela frase que um dia deixaram aqui nos comentários: “o povo não tem o governo que merece, tem o governo que consegue alcançar”.

Não acredito que Dilma seja capaz de fazer um bom governo. Aliás, acho que lá pelo meio do ano que vem é que vamos descobrir o que é herança maldita de verdade, quando os buracos começarem a aparecer e as bombas começarem a estourar. No fundo, torço para que esteja profundamente errado, para queimar não só a língua. Torço para queimar o corpo inteiro.

Durante toda a campanha, oficial ou não, ouvi, vi, li de tudo um pouco. Das previsões mais otimistas às mais catastróficas, que incluem a possibilidade da moça sequer terminar seu mandato, num acordão que lhe permita tirar uma licença médica lá pelo segundo ano de mandato ao invés de ser derrubada da carreira. Sinceramente, não acredito nisso.

O problema da turma que está aí, pelo menos foi uma das coisas que mais me incomodou durante toda a campanha (sem contar a tendência ao totalitarismo e a alma revanchista naturais dos ‘revolucionários’), foi a postura e o velho discurso da mídia golpista, da elite golpista, de qualquer etc. golpista com o qual se nomeia qualquer um ou qualquer coisa que vá contra o que eles pensam.

Infelizmente, parecem que não entenderam que disputar eleições não é golpe, não entenderam que mostrar erros não é golpe, apontar problemas não é golpe, discordar não é golpe. Felizmente, tudo isso faz parte do que eles adoram chamar de processo democrático. Desde que a favor deles. Pois é bom que aprendam que o contrário também é democrático. E infelizmente, contar mentiras como as duas campanhas fizeram também é democrático.

Meu problema com Dilma é que não acredito que será bom para o Brasil. Da mesma maneira que não consigo ver um bom futuro, a médio e longo prazo, para o Flamengo sob tutela de Luxemburgo. E quem entende de bola sabe do que estou falando.

Mas o que importa é que a moça está eleita. E vai governar. Então, cabe a nós – a essa altura -, além de torcer para que dê certo, tentar nos tornar cidadãos um tanto melhores. Para, quem sabe um dia, podermos ter governantes melhores. Aliás, mais do que isso, mais opções de governantes melhores. Boa sorte pra todo mundo.

Medo

Trecho de texto em que Luiz fala sobre o episódio Serra X bolinha de papel X fita adesiva, o significado de qualquer (QUALQUER) forma de agressão e o hábito da truculência característica da turma que está prestes a seguir no poder. Se está aqui, é porque acho que a vale a pena clicar no link, ler o texto inteiro e pensar.

Eu sou a Regina Duarte da vez!!!

Bem, a certo ponto, o pau roncou na casa de Noca. Impossível atribuir a confusão a desavenças entre militantes do PSDB. Coincidência ou não, a militância petista entrou em cena, truculenta. Se a careca do Serra arranhou ou ele teve traumatismo craniano, é irrelevante. Trata-se de agressão a um candidato num estado democrático. Isso é inconcebível. Patrulhar campanha, provocar distúrbios e afins me parece um método chavista de praticar democracia, uma contradição em termos, óbvio.

Essa truculência denota medo. medo justifica muita coisa. A militância petista deve estar preocupada com uma derrota da Dilma. Como se sabe. O governo democrático do PT não passou de loteamento político de tudo. De empresas estatais, a ONGS, a escolha de fornecedores do Governo. Para os amigos, tudo. Para os inimigos, porrada.

Luiz Octavio Bernardes