Cara a cara

Então 2015 começou pra valer e é hora de trabalhar, tentar fazer desse ano novo um muito melhor do que o último.

E a Elephas já está a todo vapor, em busca de novos clientes, desenvolvendo projetos, prestando consultoria e promovendo cursos. O primeiro do ano será Conceitos de comunicação para profissionais de RH e segue com inscrições abertas

Um dos temas que será abordado será abordado é a comunicação face a face. E sobre isso, o portal Comunicação Integrada publicou o artigo abaixo, deste que vos bloga.

Face a face e a comunicação de recursos humanos

Conceitos de comunicação para profissionais de RHDepois de cerca de 30 anos de evolução contínua dos processos de comunicação interna e do surgimento e adaptação das novas mídias e tecnologias às necessidades corporativas, chegamos ao ponto de onde – na verdade – o processo, como um todo, deveria ter começado: a comunicação face a face.

Não há grande novidade no que está dito neste texto, há pelo menos 10 anos o tema virou foco de discussão no ambiente corporativo, seja em equipes de Recursos Humanos, seja em equipes de Comunicação. Mesmo assim, o processo face a face continua relegado como algo menor ou sofreu tentativa de mecanização ou processualização, quando deveria ser algo orgânico, natural.

“A principal responsabilidade do profissional de Recursos Humanos é cuidar de gente (…) pois desde o momento da seleção de um candidato até o instante da entrevista de saída, são as pessoas de Recursos Humanos que acompanham, controlam, pagam e desenvolvem esse funcionário. Junto com essa responsabilidade, é necessário se comunicar com ele.” (Passadori, 2006)

Quando apontamos nosso olhar para a área de Recursos Humanos, a comunicação clara e com credibilidade é uma necessidade facilmente identificada. A razão para isso é simples, pois – como diz Reinaldo Passadori – o RH é o elo de ligação entre o colaborador e a organização.

É necessário perceber que toda a comunicação de Recursos Humanos é crítica, pois todas as ações e processos de RH influem, direta ou indiretamente, na carreira de cada um dos empregados da organização. É nesse momento que a credibilidade é fator fundamental e onde se torna necessária a presença do líder.

“Na Era do Conhecimento, o sucesso não depende apenas de quem é mais esforçado, esperto ou experiente. Mesmo os caminhos convencionais como talento, experiência, motivação e conhecimento não são mais suficientes. Hoje, cada um também deve dominar a arte de usar a palavra e seus efeitos. Nada mais justo, já que somos instrumentos e produtos da nossa comunicação com o próprio potencial. Uma vez que os funcionários banalizaram esse tipo de comunicação, os líderes têm a missão de levar cada um a resgata-la, porque ela resulta na comunicação ideal nas empresas. Acima de tudo, portanto, a liderança está ligada ao conceito de comunicação.” (Mendana, 2004)

Pois é, há cerca de 10 anos vivíamos o que era chamado de era do conhecimento, com a explosão desenfreada de mecanismos de comunicação, acelerando a circulação das informações. Hoje, com a “estabilização” das redes e mídias sociais – inclusive com sua utilização no ambiente corporativo -, vivemos o que se pode chamar de era do relacionamento. Ainda assim, um modelo de relacionamento que não suporta a comunicação face a face, pois baseado em ferramentas tecnológicas.

Quando se fala em mudanças nos processos de RH, é a força de trabalho que ‘exige’ que a comunicação seja feita de maneira direta e, preferencialmente, pelo líder. Pesquisas realizadas durante mais de 20 anos por Larkin e Larkin, sobre comunicação nas empresas, em diversos países, sugerem que os empregados preferem a comunicação face a face ao vídeo, por exemplo, na proporção de 2 por 1.

As mesmas pesquisas indicam que publicações e impressos devem servir para orientar as discussões face a face, mas nunca substituí-la. Assim, os gestores precisam perceber que os empregados só mudarão o modo de executar seu trabalho se forem informados do que se espera deles por uma fonte familiar e digna de crédito. Segundo T.J. Larkin, essa ‘necessidade’ da força de trabalho da comunicação pelo líder ocorre pela simples proximidade nas relações de trabalho.

“O contato deve ser direto do comunicador com o gestor para, aí sim, ocorrer a comunicação com os funcionários. Esse é o primeiro ponto importante. O segundo ponto é a comunicação face a face, o contato direto. E a terceira coisa é comunicar os fatos, o que acontece na empresa. O principal é ter o chefe comunicando as coisas. Isso ocorre porque os empregados confiam no chefe ou diretor porque eles o veem todo dia, sabem da sua vida, até conhecem a família. Isso não ocorre com o comunicador que, às vezes, entra para dar um recado num dia e quase não mantém contato. Eles não conhecem a pessoa do comunicador e, assim, não conseguem estabelecer um laço de confiança.” (Larkin, 2006)

Em resumo, mesmo correndo o risco de parecer simplório devido à evolução tecnológica e possibilidade de utilização de novas mídias, a forma mais eficiente de comunicação corporativa – especialmente em temas de Recursos Humanos e mudanças em seus processos – está exatamente na base de toda a teoria da comunicação e na identificação correta de seus componentes (emissor, receptor, mensagem, canal de propagação, meio de comunicação, resposta e ambiente), onde o líder é o emissor ideal para a comunicação efetiva.

Ah, os detalhes… (2)

Depois de alguns dias de molho e doses cavalares de omeprazol, cetorolaco trometamol, lisinato de cetoprofeno e cloridrato de ciclobenzaprina, além de uma infiltração de dipropionato de betametasona e fosfato dissódico de metametasona, cá estou outra vez. A baiúca ficou bem abandonada, mas tudo voltará ao normal. Inclusive minha ranzinzice.

Tenho o bom hábito (pelo menos acredito) de torcer e – na maioria das vezes – rezar para que as pessoas doentes melhorem, se curem. Se possível, rápido. E o sentimento não difere se o doente é o Zezinho ou o Lula.

E também já era mais do que esperado que o câncer do ex-presidente em exercício seria espetacularizado, carnavalizado até. Mas, sinceramente, já tivemos publicitários/marketeiros melhores por essas plagas.

Reparem na foto abaixo que tudo foi pensado. Desde a camiseta de D. Marisa, com a conhecida marca da campanha contra o câncer de mama, até a posição da foto e tudo o mais. Notem que a cabeça de Lula já está raspada e seca, e mesmo a barba que sua esposa finge raspar já está cuidadosamente feita e escanhoada. Inclusive no queixo, onde há espuma.

Ok, ok, eu sei que a massa nem repara nisso, sei que amanhã ou depois ninguém mais lembrará exatamente como foi a cena. Mas sei, também, o quanto influencia o imaginário popular o conjunto de fatos ‘despretensiosos’ como o retratado pelo fotógrafo oficial do Instituto Lula, Ricardo Stuckert, na construção de um mito. Basta estudar um tantinho de Comunicação para saber isso.

O dono do carro, o vendedor e o garoto mimado

Por tudo que acompanhei até o momento e também por algumas conversas, parece claro que o Flamengo procurou o dono do carro e depois foi atrás do motorista, ao contrário de seus rivais na disputa que só conversaram, praticamente, com o motorista. Quando o dono do carro entrou em cena, o caldo entornou. Que fique a lição para nossos clubes: transferências têm que ser negociadas com os clubes detentores dos direitos federativos dos atletas, primeiro. Ou, no máximo, simultaneamente.
Emerson Gonçalves (Olhar Crônico Esportivo)

São 16h de segunda-feira, 10 de janeiro, e Ronaldinho ainda não é jogador do Flamengo. E eu já tinha falado antes na postura da diretoria rubro-negra durante toda a negociação com Assis, irmão e empresário do craque que não parece ter vontade própria.

Enfim, tomando como fato que o dentuço será o novo 10 da Gávea (será anunciado hoje à noite, no Jornal Nacional, segundo o twitter do Fábio Azevedo, é a notícia que acaba de chegar), há pelo menos mais três pontos neste negócio que merecem alguma atenção  e, até, reflexão. O primeiro, mais óbvio, é quanto será para bom para o Flamengo tê-lo em suas fileiras. Pois já faz alguns anos que seu futebol deu uma bela caída. O que era rotina no Paris Saint Germain e Barcelona, entre 2001 e 2005 (ou 2006, tá bom), virou lampejo digno do mais serelepe vagalume.

Mesmo assim, a torcida rosso-nera fez faixa de despedida para Ronaldo, lhe agradecendo e desejando boa sorte. Porque se na temporada atual as coisas não vão bem, na última ele foi um dos principais jogadores do Milan. Ainda que vivesse de momentos. Como, em terra de cego quem tem olho é rei, é bem possível que por essas nossas plagas ele tenha um bom desempenho. Afinal, até o xará gordo conseguiu jogar.

De qualquer maneira, a discussão sobre o futebol de Ronaldinho vive recaindo no dilema ‘ele pode’ e ‘ele quer?’. Porque já está todo mundo cansado de saber que ele pode. E se ele quer, a aposta pelo Flamengo pode ser um bom sinal, para estar próximo da Seleção Brasileira e lutar pela possibilidade de se despedir da amarelinha sendo campeão do mundo em casa. Nesse caso, ele se dedicaria como louco nos próximos anos. E, a partir daí, a discussão seria entre o ‘ele quer’ e o ‘ele consegue?’. Sei lá…

As contas

Outro aspecto da contratação de Ronaldinho é a grana. Dirigentes, empresários e marqueteiros insistem que o negócio, apesar dos cerca de R$ 60 milhões investidos pelo clube, é superavitário. Será mesmo? É provável que sim, basta um bom planejamento. O exemplo gritado pelos quatro cantos do país é a contratação de Ronaldo pelo Corinthians. Teoricamente, já mais do que se pagou. Mas você viu os números? Nem eu. Então, é natural que desconfiemos ao menos um pouquinho disso. Além disso, o contrato assinado pode até gerar um boom de bons e novos negócios, mas que só serão mantidos ao longo do tempo caso seu desempenho seja compatível com a expectativa da torcida.

O Flamengo não vai ter gastos com Ronaldinho. Ele é que vai trazer recursos. Já surgiram várias oportunidades de negócio. Quem paga o jogador é a torcida
Luiz Augusto Veloso, diretor de futebol do Flamengo, em entrevista à Rádio Globo.

Imagem

A volta do dentuço ao Brasil virou um circo e quem armou a lona foi Assis. Com isso, todo mundo concorda. E não faltam críticas e afirmações duras, de vários envolvidos ou não no caso, de que o irmão empresário está fazendo mal à imagem de Ronaldo. Eu inclusive, se não falei isso, pensei. Mas há que se pensar fora da curva (ou do quadrado, como gostam os moderninhos corporativos). E gosto muito de quem faz isso.

Assis é genial. Conseguiu fazer que o Ronaldinho, sem jogar bola, conseguisse a mesma mídia que ele tinha quando campeão do mundo.
Rica Perrone (Blog do Rica Perrone)

Não sei quanto de ironia o Rica colocou nessa frase, mas a verdade é que Assis conseguiu provar por A mais B, mesmo com um monte de cagadas, que Ronaldinho ainda tem um imenso valor comercial, que é capaz de fazer muito dinheiro. Vale dizer que havia mais de uma centena de profissionais de imprensa e quetais na tal coletiva do Copacabana Palace na semana passada. E que essa novela já está no ar há muito tempo. E não há site ou jornal ou rádio ou TV no Brasil que, ao menos uma vez, não fale do dentuço diariamente. Mesmo que todo mundo saiba que já há muito tempo que ele não faz em campo metade do que já fez.

Mas mesmo saindo como o grande escroto de toda essa história, o mesmo Rica lembra que Assis é, além de irmão, apenas o empresário de Ronaldo e não o seu dono. E que se as coisas chegaram a tal ponto, não se pode colocar toda a culpa apenas nas costas do irmão mais velho.

Cabe ao Assis negociar, ouvir, arrumar grana. Se ele por acaso faltar com a palavra, cabe ao RONALDINHO trocar de empresário, ou, consertar a bobagem. (…) Mas quando você paga pra alguém te representar e esta pessoa faz aquilo que você não concorda, você está sendo representado? Se não está, porque mantém e diz amem? Assis é apenas um revólver sem bala. Quem dá munição pra ele atirar é o Ronaldinho, real responsável por tudo que está acontecendo. Não se posiciona, não sabe o que quer, não participa das reuniões, deixa tudo nas mãos de um cara que cuida da parte COMERCIAL dele e, portanto, só enxerga o lado comercial. Culpem o Assis do que quiserem. Só não esqueçam de quem ele REPRESENTA.
Rica Perrone (Blog do Rica Perrone)

A verdade é que Ronaldinho foi mimado e cercado desde muito jovem, virou uma estrela mas nunca chegou a ser um homem, pois sempre teve tudo e todos ao seu redor para fazer suas escolhas, lhe apontar o que seria melhor, lhe dizer o que fazer e tomar suas decisões. O problema é que isso vem acontecendo já há algum tempo com boa parte dos jogadores de futebol que tem, em sua grande maioria, origem pobre e sem formação, e com suas famílias praticamente vendendo suas almas aos empresários engravatados e de boa estampa que assediam as divisões de base de TODOS os clubes do Brasil, pois “eles sabem o que fazem”.

Só se esquecem que nem 2% dos jogadores de futebol alcançam o sucesso, mesmo em território brasileiro. E um dia terão que parar com a bola e levar uma vida de gente comum, precisando tomar decisões, fazer escolhas e sem ninguém para lhes apontar o rumo.

Extra

Desperdício. Foi isso que senti ao abrir o Extra de hoje. A primeira página, reproduzida abaixo, é para a história, para virar referência nas faculdades de comunicação. E aí, comprei o jornal todo animado e o que encontrei lá dentro? Só uma matéria sobre um comício de um candidato qualquer (não lembro para governador de onde) em que Lula solta mais uma frase reclamando da imprensa. Ou seja, nada de novo.

Já ouvi várias teorias sobre o caso, desde “o diagramador é bom demais mas o editor não tem um repórter bom o suficiente para tratar do assunto (o que duvido) até “o público do Extra não está acostumado a matérias mais profundas sobre temas sérios”.

Esta última é bem viável, mas é em cima dela que enxergo o desperdício. Justamente pela falta de hábito do leitor médio do jornal, a primeira página abriu a possibilidade de se tratar do assunto com mais profundidade para um público pouco afeito a isso. Mesmo que em linguagem mais simples. Porque a o jornal levanta a lebre, mas não mostra como tem sido a relação conflituosa entre governo (especialmente o presidente) e imprensa.

Mesmo assim, insisto que é uma capa brilhante. E mesmo superficialmente, toca num tema caro e fundamental: para onde caminha nossa ‘democracia’?

Algumas mal traçadas linhas

Existe uma certa regra entre profissionais e empresas de comunicação: textos para internet têm que ser curtos. Já vi até anúncios de empregos com a seguinte competência exigida: “saber escrever para internet”.

Pois é, meus amigos, não sou o outrista mas discordo. Porque texto bom é texto bom, não importa o tamanho, nem a mídia em que ele está publicado. É como uma reportagem, que é bem apurada ou não.

Então, da série Leitura obrigatória, segue abaixo um excelente texto de Augusto Nunes, que não é longo nem curto, é bom. E depois, alguns links. Afinal, final de semana tai e ler nunca é demais. Divirtam-se.

Estadistas não consultam marketeiros

A era dos marqueteiros produziu incontáveis espantos: acabou com todos os vincos e rugas, erradicou os cabelos brancos, instituiu a obrigatoriedade do uso do uniforme terno-azul-marinho-camisa-azul-celeste-gravata-vermelho-cheguei, aposentou os óculos de aros grossos, converteu arrogantes vocacionais em poços de humildade, permitiu a gargantas franzinas formularem incongruências com voz de tenor, transformou azarões em favoritos, elegeu perfeitas nulidades e promoveu bestas quadradas a gênios da raça. Mas não produziu um único estadista.

O sumiço dessa fina estirpe não pode ser debitado inteiramente na conta do profissionais do marketing político. Mas é impossível imaginar um marqueteiro soprando o que deve ser feito aos ouvidos de um estadista. Gente assim sabe que pesquisas de opinião captam um estado de ânimo condicionado por circunstâncias passageiras ─ e pelo imaginário popular. Sabe que a voz do povo não é ditada pela Divina Providência: é apenas a voz do povo, e não traduz necessariamente o que é melhor para um país.

Como os políticos comuns, profissionais do marketing político pensam na próxima eleição. Estadistas pensam na próxima geração. Em 1938, já que a maioria dos britânicos queria um tratado de paz com a Alemanha, os marqueteiros teriam sugerido a Winston Churchill que fosse mais polido com Adolf Hitler. Nos anos seguintes, sobraçando levantamentos do Instituto Gallup, teriam implorado a Franklin Roosevelt que mantivesse os Estados Unidos fora de uma guerra que, para sete entre dez americanos, era um problema europeu.

Na eleição que se seguiu ao triunfo contra a Alemanha nazista, Churchill também seria aconselhado a livrar-se do charuto, beber menos, esconder que dormia depois do almoço, emagrecer pelo menos 15 quilos, usar fotografias que amputassem a calvície e, sobretudo, parar de denunciar com tanta veemência a política expansionista da União Soviética. Cansados de guerra, os ingleses não queriam sequer ouvir falar em Guerra Fria. Churchill talvez não tivesse perdido a eleição. Mas perderia a chance de voltar nos anos 50, o lugar que lhe coube na História e o respeito que sempre merecerá  de todas as gerações.

A oposição brasileira precisa mais de líderes com visão histórica que de candidatos com chances de vitória. O país que presta está pronto para o combate frontal e sem prazo para terminar. Se o preço a pagar pela chegada ao poder for a rendição sem luta, os democratas preferem a derrota. O que está em jogo não é o Palácio do Planalto, é o futuro. Não se trata de escolher entre nomes, mas entre a liberdade e o autoritarismo. José Serra e todos os oposicionistas decentes devem mirar-se no exemplo do primeiro-ministro britânico. A farsa precisa ser desmascarada. A fraude não resiste ao confronto com a verdade. Quem se opõe tem o dever de denunciar com dureza os crimes e pecados do adversário.

Churchill perdeu as primeiras batalhas. Sabia, quando começou a guerra contra o inimigo primitivo e poderoso, que tinha o apoio declarado de menos que 5% dos ingleses. Mas também sabia que tinha razão. E a civilização sobreviveu.

Lei seca (Eduardo Lara Resende)

O bolso e a liberdade (Giorgio Seixas)

O meu Maracanã e o Maracanã dos proxenetas (Lúcio de Castro)

A curiosidade que mata (Victor Martins)

Pessoas erradas nos lugares errados

Imaginem uma grande empresa, multinacional, que presta serviços para empresas maiores ainda.

É claro, atualizada com as melhores práticas de gestão de pessoas, investe na comunicação com seus funcionários, onde quer que eles estejam. Louvável se não fosse trágico. Porque, ao invés de profissionais de comunicação, uma psicóloga é a responsável pelo negócio.

Infelizmente, ainda há em grande parte das empresas – de qualquer porte, é bom que se diga – uma visão de que comunicação interna é trabalho da área de RH. Pode até ser, tudo bem, há argumentos a favor. O problema é que psicólogos, assistentes sociais, administradores e afins não têm o preparo necessário para fazer comunicação.

Problemas? Aos milhares. No exemplo que me foi apresentado, foi reproduzida a imagem do mascote da Copa do Mundo da África do Sul. Simples assim, sem qualquer cuidado com direitos autorais ou de reprodução. Porque a profissional responsável não sabia que usar imagem de propriedade dos outros é proibido.

Ainda haverá alguém para dizer que ‘é só comunicação interna, ninguém vai ver, qual o problema?’. O problema é que não trabalho nessa empresa e vi. Quantos mais? E aí, a sua empresa fica vulnerável por causa de uma besteira.

E esse tipo de coisa e muitos outros tipos de coisa vão continuar acontecendo enquanto houver empresas que acham que comunicação é só escrever qualquer coisa, colocar aquela cor, usar aquele bonequinho, cola no mural e manda por e-mail, e pronto. Vamos longe assim, né não?

Não precisou postar por e-mail

Antes é preciso agradecer ao Hélio pela dica colocada nos comentários do último post, mas não foi preciso enviar nada por e-mail.

Mas apesar de estar postando, o que me incomodou mesmo na história do bloqueio a que me referi não era o risco de parar meu blog pessoal, mas a impossibilidade de acesso a um sem número de páginas não apenas interessantes, mas muito úteis (para mim, para meu trabalho e para a tal empresa de vanguarda). Ou seja, censura. Estúpida e improdutiva como qualquer censura.

Parece que alguém se deu conta da besteira que estava fazendo. A essa pessoa (ou grupo) que não sei quem é, meus parabéns por conseguir enxergar o que muitos não são capazes: o óbvio.

Aqui do meu cantinho, acabaria dando um jeito de publicar uma coisinha ou outra, nem que fosse apenas para manter o movimento. Como tudo voltou a funcionar, vou aproveitar para escrever sobre as coisas desimportantes que nos divertem, como bola, corrida e o que mais der na telha. Inclusive o que importa de verdade.

Faltam cinco dias para os motores da Fórmula 1 voltarem a roncar, Ganso é o cara, a Globo é um pé no saco, vai começar o brasileirão, Cabral e Paes apostaram corrida, Copa atrasada, Olimpíada no porto… Enfim, assunto é o que não falta e a semana parece que vai ser cheia.

Acesso negado

Imagine que você é um profissional de comunicação e trabalha em uma grande empresa, uma das maiores do país. Como todas (ou quase todas) as grandes empresas, nesta há uma série de regras e normas sobre o acesso à internet. E é claro que há um firewall encarregado de bloquear tudo aquilo que é inapropriado ao mundo corporativo.

Agora imagine que você, profissional de comunicação trabalhando em uma área de comunicação desta grande empresa use todo o seu tempo livre, os curtos espaços entre a realização de uma tarefa e outra, entre uma reunião e outra, para navegar e se colocar a par do que está acontecendo no mundo, especificamente no mercado em que a empresa em que você trabalha atua, e tentando acompanhar as novidades de comunicação.

Para isso você busca as mais diferentes ferramentas e caminhos possíveis, entre sites, portais e blogs.

Agora imagine que essa grande empresa em que você trabalha sempre foi considerada como de vanguarda no mercado em que atua, especialmente no quesito tecnologia

Será que essa grande empresa bloquearia seu acesso aos caminhos mais usuais? Será que essa empresa bloquearia seu acesso a toda e qualquer rede social? No caso de blogs, será que esta grande empresa que se vangloria de estar à frente do seu tempo bloquearia o acesso a qualquer página WordPress e Blogger?

Pois é, este não é um anúncio da Nextel. Mas essa é a minha vida.

P.S.: Como este é um blog WordPress, qualquer atualização só poderá ser feita de casa, à noite ou pela madrugada ou quando Deus quiser.

Veredicto

Maquete do quarto de Isabella, usada no julgamento

Maquete do quarto de Isabella, usada no julgamento

Quando resolvi criar um blog, minha intenção era poder redescobrir o prazer de escrever sobre qualquer coisa, sem a pressão de ser trabalho. Assim, decidi que esse blog não seria monotemático nem pautado pelas principais notícias do dia, para isso existem milhares de blogs por aí, com tempo e disposição para desempenhar esse papel.

A pauta desse blog sempre foi ‘o que der na telha’. Ou seja, vou escrever sobre coisas que gosto, sobre minha vida, sobre coisas ou fatos que me incomodem – mesmo que na pauta do dia. Bastaria, para isso, ter tempo suficiente para construir minha própria opinião sobre o tal tema, mesmo que sem qualquer balizamento técnico.

Futebol, Flamengo, Fórmula 1, Vela, Picareta, Comunicação, Política, Rio de Janeiro e qualquer outra coisa que, por qualquer motivo, me chamem a atenção.

É claro que, dentro do possível, tento não escrever besteiras. Mas meu objetivo sempre foi, ao escrever sobre qualquer assunto, ter prazer por escrever.

Por isso tudo, tenho tentado me manter alheio ao julgamento dos Nardoni, é impressionante o espaço que sites, TVs e jornais estão dando. Mas acabei não resistindo…

Apesar de todos os argumentos e matérias veiculadas parecerem mostrar que o pai e a madrasta da menina Isabella a mataram, não há qualquer prova de que isso realmente tenha acontecido. Por tudo o que vi desde a tragédia, acredito que foram os dois mesmo. Mas a questão é outra.

Não há provas de que foram eles, não há provas de que não foram eles. No entanto, o casal já está condenado pela opinião pública, graças às abordagens de toda a mídia. E, nesse contexto, é impossível não lembrar do que aconteceu com a Escola Base, quando uma denúncia não confirmada explodiu na mídia, destruindo a reputação da escola e de seus proprietários, funcionários e – até – um casal de pais.

O caso Nardoni foi a júri popular. Os jurados estão isolados do mundo, mas só há poucos dias. E acompanharam (como qualquer brasileiro e desde o dia em que Isabella foi morta) as notícias do caso, segundo as escolhas editoriais de qualquer meio de comunicação. É possível ter isenção em um momento como esse? É possível ficar atento apenas às informações reais sobre o caso, desconsiderando toda a comoção da época da tragédia? Claro que não e não foi à toa que uma das juradas derramou lágrimas durante o depoimento da mãe da menina.

Pois é, o casal Nardoni já está condenado. Só falta ser oficial. E aí, vamos rezar para que ninguém esteja errado.

Literatura em fotos de satélite

Um amigo mandou o link para a história de Augusto. Além de boa história, vale a pena perceber que Augusto criou uma nova forma de usar uma ferramenta a que boa parte de nós já está mais do que acostumada a usar, o Google Maps. Ahn?

Isso mesmo, a história – ambientada em Belo Horizonte – se desenvolve de acordo com as marcas feitas no mapa de BH, como a Praça da Liberdade e a UFMG.

Resumindo, mesmo que a leitura fosse tediosa, é sensacional perceber uma nova possibilidade de comunicação, de criação de conteúdo. Isso é pensar fora do quadrado. Não sei se foi o primeiro no mundo ou mesmo no Brasil a fazer isso, mas foi o primeiro que vi, pra mim é novidade e está de parabéns. Quem?

Rodrigo Ortega escreveu a história de Augusto. Só o conheço, digamos, corporativamente. “E aê, beleza, qualé” e coisas do gênero, que se dizem nos encontros fortuitos dos elevadores e no vai-e-vem das catracas da empresa. O que não impede de reconhecer que o sujeito mandou muito bem.

Mas há um senão nessa história. Entre os comentários (é além de ler você pode comentar, como em qualquer blog), encontrei o de Julia (personagem da história de Augusto) com um link para, também no Google Maps, sua versão da mesma história. Infelizmente, foram despublicados o comentário e a história.

Infelizmente porque, se a história de Augusto é muito boa, quando acompanhada pela versão da Julia ficava melhor ainda. Afinal, tínhamos a oportunidade de perceber o olhar feminino e masculino sobre os mesmos episódios, além de poder pesar as inseguranças e soluções pseudo-intelectuais de um e de outro.

Tentando ser mais claro e aproveitando que o cenário é Belo Horizonte, é como comer um pernil no almoço de domingo. É muito bom. Mas se for acompanhado de tutu e couve, fica muito melhor.