Livros

Dois desses artefatos ultrapassados, analógicos, fabricados com papel e cheio de folhas, mobilizaram as minhas primeiras semanas de janeiro de 2014.

Sàn Guermin / ReproduçãoO primeiro é Sàn Guermin (Luiz Octavio Bernardes, Multifoco). Por razões que vocês vão descobrir quando o lerem, estou envolvido com o primeiro livro de Luiz desde meados do ano passado. Mas foi lançado agora, há alguns dias.

Trata das primeiras eleições em um país que fica ali pela América Central, perto do Caribe, depois de uns 80 anos de ditadura militar. Parece familiar? Pois é. Mas acreditem, está longe de ser mais do mesmo.

Na história, ficamos conhecendo um sem número de personagens muito interessantes e, o mais importante, sua estranha e patética (como está no prefácio) relação com o poder.

O livro é envolvente e a sensação de “estar em casa” passa depois de algumas páginas, o que – pelo menos pra mim – só depõe a favor. É ficção, claro, o que está longe de impedir as muitas pinceladas na história que contribuem para a construção dos perfis dos personagens e outras respostas do livro. De quebra, o final é surpreendente.

Haverá um ‘lançamento 2.0’, em Ipanema, em breve, mas sem data confirmada. Quem gosta de ter a obra autografada e conversar com o autor, é só ficar de olho na página do país no Facebook.

Entre pai e filho

O drible / ReproduçãoO outro livro deste início de ano O drible (Sérgio Rodrigues, Companhia das Letras). A história da relação (ou falta dela) entre um pai e um filho que passaram mais de 20 anos sem se falar. Depois de décadas, o pai – desenganado pelos médicos – chama pelo filho. E toda a história é construída a partir dos encontros entre os dois, no refúgio do mais velho.

Acontece que Murilo Filho foi um dos grandes cronistas esportivos da história do país e todas as conversas que tem com Neto são permeadas de histórias de futebol. Uma delas é a que dá o nome (e muito mais) ao livro: o drible de Pelé em Mazurkiewicz.

O livro é sensacional e sei que estou longe de ser o primeiro a falar isso, não é por acaso que já foi vendido para vários países. Sérgio tem um texto brilhante e a trama é excelente. Se não bastasse, a descrição/narração de Murilo Filho do grande lance, enquanto para e adianta o vídeo tape, é coisa de maluco. O primeiro capítulo do livro, se gol fosse, mereceria – como Pelé – uma placa de ouro.

Leitura obrigatória

Resumindo: são dois romances curtos (134 e 224 páginas, respectvamente) e imperdíveis.

1001

1001Este é o post 1001 do Andei pensando. Logo, o último foi o 1000. É que só me dei conta agora e fiquei bem satisfeito pelo fato do número redondo ter sido atingido com um filme de animação. E vencedor do Oscar. Também fiquei satisfeito de não ter escrito nada, apenas colocado o filme no ar.

Em junho de 2007, o blog nasceu para exercitar escrever sem as amarras e obrigações de qualquer emprego. Um espaço onde me daria o direito de falar sobre qualquer coisa que me desse na telha, na hora que quisesse e no formato que bem entendesse. E isso, naturalmente, apontou para uma ou outra história da minha vida, além das minhas paixões por futebol, automobilismo, vela, Rio, fotografia e política. Tenho certeza que também acabou dando um tom meio ranzinza à maior parte do que publiquei.

Também nunca me preocupei em fazer propaganda ou usar o blog como ferramenta para alavancar minha carreira, criar reputação ou coisas congêneres que movem esse nosso neurótico mundo digital. Meu blog sempre foi a minha melhor ferramenta para desopilar meu fígado. E ponto. Por isso, não raro passo algum tempo sem publicar. É que de vez em quando isso aqui também enche o saco, vira obrigação. E perde o sentido. Tanto que esses 1000 posts foram publicados em 2073 dias, média de 0,48 por dia.

Também nunca me preocupei com número de acessos, se tenho 4, 5 ou 152 leitores. Mas, apenas como curiosidade, o dia mais visitado do cafofo (339 acessos únicos) foi 6 de abril de 2010, o dia em que o Rio ficou debaixo d’água, que nosso alcaide mandou ninguém sair de casa e que cheguei – acreditem, é verdade – a elogiar Eduardo Paes.

Desde o início (até às 11h de hoje), o blog foi visitado 125.011 vezes (média óbvia de 125 visitas por post) e recebeu 1382 comentários (1,38 por post). Juro que não tenho a menor noção se esses números são grandes ou pequenos, comparando com os trilhões de páginas mais conhecidas, mas sinceramente me envaidecem. Porque nada melhor para quem escreve do que ser lido.

Enfim, tudo isso foi um grande nariz de cera para avisar a vocês – meia dúzia de três ou quatro leitores, como sempre digo – de que ultrapassei uma marca, nada mais que isso. E, é claro, que vocês continuarão me aturando por um bom tempo. Porque vamos tentar realizar aí o que o professor mandou, eeeeeee se dedicar muito, eeeeee agora que chegou a mil voltar focado no segundo tempo para alcançar o objetivo do segundo milhar.

Torcida carioca

TorcidaCariocaComeçou o ano, como todo mundo já está cansado de saber. Assim, a bola já começou a rolar. E com a pelota correndo sobre a verde relva, voltam também as cornetas, piadas, análises embasadas, enfim, tudo aquilo do que sofremos de abstinência desde o início de dezembro.

No Rio, uma turma de quatro torcedores rivais que já habitava o mesmo cafofo, resolveu mudar de casa. O pessoal de Os 4 Grandes agora habita o Torcida Carioca. Basicamente, saíram de um quitinete para um sala-três quartos-varandão. Todo o resto continua o mesmo: as boas crônicas, alfinetadas, provocações e bom humor.

Minha esperança, com a casa nova, é que eles encontrem novos room mates. Penso que seria excelente – até pra conhecer os outros clubes mais de perto – ter um representante de cada clube do cariocão. Bastaria colocar a cabeça pra funcionar, que encontrar voluntários não será tão difícil. E depois, com o fim do estadual, ficam aqueles que participarão de qualquer divisão do Brasileirão. Não haveria nada igual por aí. Pensem nisso senhores.

Ecos da Cinelândia

Pouca gente foi à Cinelândia ontem né? Algo entre 2,5 e 3 mil pessoas. Mas há várias razões para isso ter acontecido (eu mesmo deixei de ir por conta das duas moças da casa de cama ao mesmo tempo) e há várias interpretações sobre se a manifestação foi relevante ou não.

Mas além do que é impossível prever, como problemas de saúde, ou coisas como compromissos de trabalho e aulas e provas, é preciso perceber que esse grande movimento nacional que deu a partida no Dia da Independência tem uma característica básica: ele não nasceu e não é liderada pelas ‘entidades oficiais’, como sindicatos, partidos ou organizações como a UNE, que congregam muitas pessoas e têm capacidade de mobilização.

Como se sabe, o movimento começou nas redes sociais e, apesar do apoio de entidades importantes como OAB e ABI, depende de exclusivamente de adesão expontânea.

Outro detalhe é que a primeira onda, no 7 de setembro, aconteceu em um feriado de pouca emenda (quarta-feira), o que facilita a programação. Mesmo assim, os 30 mil reunidos em Brasília foram fora da média das outras cidades (São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre), que ficaram em torno das cinco mil pessoas.

Apesar de estar reunindo poucas pessoas, por enquanto, por quê disse lá em cima que esse é um grande movimento? Porque, baseado nas redes sociais, o que pode parecer silêncio pelos ‘pequenos’ encontros tem, na verdade, um enorme poder de reverberação.

Não se enganem, não é por acaso que todos os partidos do governo, além daquela turma que sempre gritou pela ética mas que hoje vive às custas desse mesmo governo, tentam desesperadamente diminuir a importância do movimento.

Há uma nova onda de marchas agendada para o dia 12 de outubro. Outro feriado perdido numa quarta-feira. Vamos ver o que vai acontecer.

Argumentos tolos

Entre os ‘ilustres’ que foram à Cinelândia, vários reclamaram da pouca presença com vários argumentos vazios. Entre eles, o que me chamou mais atenção foi o roqueiro engajado Tico Santa Cruz. Algo como “uma pena que as pessoas se mobilizem mais pelo futebol do que pela política”.

Uma estupidez por várias razões. Primeiro, é preciso entender que a paixão pelo futebol não é algo bobo, mas traço cultural do brasileiro. Segundo, se as pessoas se mobilizassem realmente (pelo menos segundo a expectativa do rapaz) pelo futebol, nossos clubes não estariam virtualmente falido e Ricardos Teixeiras já teriam sido banidos. E terceiro – e talvez o mais importante -, o interesse pela política está necessariamente ligado ao nível de educação da população. E nós sabemos como anda o Brasil nesse quesito…

…e andando

Não tenho língua papal nem muitas papas, mas a vulgaridade do ‘doutor’ é espantosa. Não a vulgaridade, sei lá. É a empáfia, a arrogância e a prepotência, o escárnio e o deboche. A tal figura só temeria e baixaria seu topete gris se fosse mal falada no ‘JN’. Mas o tio que lá edita escolhe as principais notícias tal como seus seguidores fazem com suas gravatas, já que sabe bem que as portas daquela casa estão sempre abertas e convidativas. A tal figura aí é a expressão máxima da banana que a personagem de Reginaldo Faria dá ao Brasil no fim de ‘Vale Tudo’, novela da época do tango que repassa nos dias atuais. A banana vai ser dada daqui quatro anos, num teórico pós-Copa em que provavelmente a parte de exceção da imprensa vai estar debatendo o rombo, os elefantes brancos e a ausência dos legados da competição. A banana é, por que não, posta virtualmente em nossos rabos. Há quem goste e que ajude a descascar. Tem gosto pra tudo. Nos pés devidos, as chuteiras da pátria ajudam a enfiar.

A imagem acima está no blog do Juca Kfouri. O texto é trecho do post de Victor Martins em seu blog. O tema é o mesmo: Ricardo Teixeira e suas declarações na revista Piauí. Vale muito a leitura.

O Pelé branco

A dica foi enviada pelo Lessa. Pra quem gosta de craque, de bola e de arte, vale muito a visita. Uma coleção de cartazes em estilo retrô produzida pelo bósnio Zoran Lucić.

Estão lá Pelé, Maradona e os franceses Zidane e Platini. Assim como a trinca de ouro do Barcelona: Xavi, Iniesta e Messi.

Enfim, uma galeria daquelas de craques de hoje e de antão. Peguei dois, absolutamente ao acaso, para ilustrar o post. Clique aqui para ver todos os cartazes.

2ª edição

Se pegássemos apenas os 10 maiores jogadores dos 12 clubes grandes de verdade do Brasil, seriam 120 cartazes. Será que não tem nenhum designer por aí que toparia fazer essa coleção? Será que nenhum parceiro da CBF (a própria jamais faria isso) não patrocinaria o trabalho com o objetivo de montar uma exposição pelos estádios da Copa de 2014?

Alô você

E a história da licitação dos direitos de TV do campeonato brasileiro entre os anos de 2012 e 2014, que deveria terminar hoje com final feliz para todos os clubes, não está nem perto de acabar.

Globo já havia se retirado da concorrência. Hoje a Record também deu linha na pipa. Como Bandeirantes e SBT nem deram as caras, a Rede TV foi a dona da única proposta e – em tese – voltaremos a aturar o Fernando Vanucci apresentando os gols da rodada. Será?

De qualquer maneira, a cerimônia de hoje foi apenas mais um capítulo de uma novela que ainda vai se arrastar na justiça ao longo do ano. Reproduzo abaixo o post que o Juca Kfouri publicou em seu blog. Os grifos, claro, são dele.

O rato rugiu

Nem Globo, pelo menos por enquanto, nem Record, que jamais quis o futebol para valer, só quer ver a Globo se arder, mas RedeTV!

Que rugiu e levou, como no filme, “O rato que ruge”, quando um minúsculo ducado falido declara guerra aos Estados Unidos para ser absorvido e salvo, mas, por peripécias, obtém a rendição da nação mais poderosa do mundo.

E agora? O que fazer?

Por ironia, a RedeTV!, chamada nos acréscimos do segundo tempo, tem como seu comentarista de Política Urbana  o autor do Estatuto do Torcedor, José Luís Portella.

E o Bradesco e uma empresa estrangeira, que tem relações com a NBA, para respaldá-la.

Bradesco que vê aí a chance de disputar espaço com o Itaú, patrocinador do futebol global, da CBF e da Copa do Mundo no Brasil.

Se os bispos da Record mostraram mais uma vez que neles não se pode confiar, à Globo talvez caiba negociar com a RedeTV!.

Porque o Clube dos 13 promete não parar por aí.

Alega não só que cumpriu tintim por tintim o acordo que fez, junto com a Globo, no Cade, e que a emissora agora corre o risco de ser acusada de abuso do poder econômico caso procure fazer propostas melhores a cada clube dissidente, como se estivesse usando do direito de preferência do qual abdicou.

Mais: o Clube dos 13 vai procurar os clubes da Série B, para tentar melhorar o contrato com a TV de apenas R$ 30 milhões por ano até 2015.

E reforçar a ideia de formar a Liga, também com eles.

Até porque o Clube dos 13 é avalista e fiel depositário dos clubes que fizeram empréstimos já contando com o adiantamento do dinheiro da TV de 2012, com o que deram aos bancos cartas em que delegavam “poderes irrevogáveis” à entidade, argumento não utilizado até agora, mas que será utilizado a partir de agora.

Os dissidentes, por seu lado, argumentam que a Constituição lhe garanta autonomia e que nada os prende ao Clube dos 13, assim como a Globo estranha a diferença entre o discurso e o semblante do presidente do Clube dos 13 ao anunciar o vencedor da concorrência, além da falta da fiança bancária que era exigência inicial para a licitação.

Mas uma pegunta importante é a seguinte: o que farão nossos endividados clubes, dissidentes ou não, quando souberem que já há  mais R$ 300 milhões à disposição deles, os tais 20% de adiantamento do contrato de três anos que renderá R$ 1,548 bilhão só na TV aberta?

 

Novela da bola

Tudo é pressão. O C13 ameaçou os clubes dissidentes de publicar o ganharam até hoje com TV e quanto passariam a ganhar a partir da licitação que foi colocada na rua. O objetivo é constranger dirigentes frente a sócios e torcedores dos clubes, afinal é um negócio com muito, muito dinheiro. Tudo isso sem falar na dívida de todos com o Clube.

De quebra, o único que realmente anunciou sua desfiliação, não pode simplesmente bater a porta e dar o fora porque há uma carência de dois meses após o anúncio. De quebra, no caso do Corinthians, a desfiliação ainda precisa ser aprovada pelo conselho do clube.

Mas a concorrência está na rua e foram convidadas a Globo, Record, Bandeirantes, Rede TV e SBT. Pelos valores anunciados, só entrariam de verdade as duas primeiras. Mas a Rede Globo anunciou nessa sexta que está fora, que não apresentará proposta.

Assim, pressiona os dissidentes a continuar dissidentes e esvazia a tal concorrência. Porque seria necessário apenas o valor mínimo de R$ 500 milhões (algumas avaliações apontavam que o valor final poderia alcançar cifras entre R$ 800 milhões e R$ 1 bi). E com a saída dos dois clubes de maior torcida, acompanhados de outros de bastante relevância para audiência, será que o campeonato realmente interessaria à Record (ou qualquer outra)?

Enquanto isso, Ricardo Teixeira dá gargalhadas por ter desestabilizado a única entidade minimamente organizada que poderia lhe fazer frente.

Agora, e se os clubes se entenderem e a Record (ou outra) comprar os direitos? Porque após a recusa, entendo que a Globo não poderia voltar atrás. Como ficariam Ricardo Teixeira e a vênus platinada?

Estou realmente curioso pra saber como vai terminar essa novela, porque tenho a certeza absoluta que, no final, são os próprios clubes (todos) que sairão perdendo. Dos cartolas (todos), é impossível dizer o mesmo. Ou alguém duvida que eles nunca jogam pra perder?

Hora de voltar pra casa

Ainda falando de esportes, agora só de futebol. Desde a confirmação de Ronaldinho Gaúcho no Flamengo venho pensando a respeito da volta de jogadores que foram para a Europa, não importando se para o Barcelona ou o CSKA.

A verdade é que estamos vivendo um período, que se estenderá até 2014, de interesse pelo Brasil. E estou falando de grana. Por conta da realização da Copa, todo mundo que puder tirar uma casquinha, vai tentar. Isso quer dizer que se os clubes forem relativamente inteligentes saberão maximizar suas parcerias com empresas, patrocinadoras. Em valores e quantidade.

Afinal, será muito interessante, do ponto de vista publicitário, ter contrato com jogadores que vestirão habitualmente a camisa amarela ao longo dos próximos anos. Mesmo que, no final das contas, o cara não jogue a Copa. Afinal, só cabem 23.

O que estou tentando dizer (e sinceramente não sei se estou sendo claro) é que o negócio futebol tende a crescer muito nos próximos anos e trouxas serão aqueles que não souberem aproveitar as oportunidades. É hora de abrir o caixa para segurar quem ainda não cruzou o Atlântico ou trazer de volta quem foi dar umas bandas por lá.

Mudando de assunto sem sair do tema, sempre foi discutido por aqui se realmente valia a pena o cara largar um Flamengo, um Grêmio, um Corinthians para jogar por clubes menores do velho continente. Porque se o sujeito vai jogar no Sevilla, ele sabe que nunca vai ganhar nada, título nenhum. Se vai para um CSKA, não aparece nem na TV. Ou seja, a carreira do sujeito dá adeus a inúmeras chances que estão diretamente relacionadas a estar em evidência em um grande clube.

Pois o Rica Perrone publicou belo texto sobre o tema.

Aqui se ganha, hoje, perto do que se ganha lá. O cara não sai mais para ganhar 500 ao invés dos 100 aqui. Ele vai ganhar 450 ao invés dos 300 aqui. O que na minha opinião já se torna discutivel, pois certas coisas não tem preço.

Vai jogar no Real? Porra, sensacional! Milan? Manchester? Ótimo.

Agora… tu vai trocar um Inter, um Santos, um Flamengo pelo Besiktas, pelo Shalke 04 e vem chamar isso de realização profissional?

Nem no bolso, meu camarada. Porque daqui 6 meses só sua mãe lembra de você. E isso é DESVALORIZAÇAO, não crescimento profissional.

Clique aqui para ler o texto inteiro. Concordei em gênero, número e grau. E acrescento: para jogar em time médio da Europa, faça o mesmo por aqui. Porque a grana está disponível e não será entregue apenas aos 12 grandes. Ou seja, todos os outros clubes da Série A e vários da Série B têm potencial para receber bons investimentos.

De quebra, bons marqueteiros saberiam fazer render belamente os contratos mais longos por aqui para criar identificação entre jogadores, clubes e torcidas, usando o antiquado amor à camisa como argumento.

2ª Edição

O Marcelo Barreto é um cara que admiro. Não o conheço, na verdade, estou falando de pontos de vista, de textos, do jornalista. E ao dizer que não sabe se é diferente, ele mostra o quanto é diferente. Vale clicar aqui para ler sua análise sobre o mesmo texto do Rica Perrone que citei aí em cima.

O dono do carro, o vendedor e o garoto mimado

Por tudo que acompanhei até o momento e também por algumas conversas, parece claro que o Flamengo procurou o dono do carro e depois foi atrás do motorista, ao contrário de seus rivais na disputa que só conversaram, praticamente, com o motorista. Quando o dono do carro entrou em cena, o caldo entornou. Que fique a lição para nossos clubes: transferências têm que ser negociadas com os clubes detentores dos direitos federativos dos atletas, primeiro. Ou, no máximo, simultaneamente.
Emerson Gonçalves (Olhar Crônico Esportivo)

São 16h de segunda-feira, 10 de janeiro, e Ronaldinho ainda não é jogador do Flamengo. E eu já tinha falado antes na postura da diretoria rubro-negra durante toda a negociação com Assis, irmão e empresário do craque que não parece ter vontade própria.

Enfim, tomando como fato que o dentuço será o novo 10 da Gávea (será anunciado hoje à noite, no Jornal Nacional, segundo o twitter do Fábio Azevedo, é a notícia que acaba de chegar), há pelo menos mais três pontos neste negócio que merecem alguma atenção  e, até, reflexão. O primeiro, mais óbvio, é quanto será para bom para o Flamengo tê-lo em suas fileiras. Pois já faz alguns anos que seu futebol deu uma bela caída. O que era rotina no Paris Saint Germain e Barcelona, entre 2001 e 2005 (ou 2006, tá bom), virou lampejo digno do mais serelepe vagalume.

Mesmo assim, a torcida rosso-nera fez faixa de despedida para Ronaldo, lhe agradecendo e desejando boa sorte. Porque se na temporada atual as coisas não vão bem, na última ele foi um dos principais jogadores do Milan. Ainda que vivesse de momentos. Como, em terra de cego quem tem olho é rei, é bem possível que por essas nossas plagas ele tenha um bom desempenho. Afinal, até o xará gordo conseguiu jogar.

De qualquer maneira, a discussão sobre o futebol de Ronaldinho vive recaindo no dilema ‘ele pode’ e ‘ele quer?’. Porque já está todo mundo cansado de saber que ele pode. E se ele quer, a aposta pelo Flamengo pode ser um bom sinal, para estar próximo da Seleção Brasileira e lutar pela possibilidade de se despedir da amarelinha sendo campeão do mundo em casa. Nesse caso, ele se dedicaria como louco nos próximos anos. E, a partir daí, a discussão seria entre o ‘ele quer’ e o ‘ele consegue?’. Sei lá…

As contas

Outro aspecto da contratação de Ronaldinho é a grana. Dirigentes, empresários e marqueteiros insistem que o negócio, apesar dos cerca de R$ 60 milhões investidos pelo clube, é superavitário. Será mesmo? É provável que sim, basta um bom planejamento. O exemplo gritado pelos quatro cantos do país é a contratação de Ronaldo pelo Corinthians. Teoricamente, já mais do que se pagou. Mas você viu os números? Nem eu. Então, é natural que desconfiemos ao menos um pouquinho disso. Além disso, o contrato assinado pode até gerar um boom de bons e novos negócios, mas que só serão mantidos ao longo do tempo caso seu desempenho seja compatível com a expectativa da torcida.

O Flamengo não vai ter gastos com Ronaldinho. Ele é que vai trazer recursos. Já surgiram várias oportunidades de negócio. Quem paga o jogador é a torcida
Luiz Augusto Veloso, diretor de futebol do Flamengo, em entrevista à Rádio Globo.

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A volta do dentuço ao Brasil virou um circo e quem armou a lona foi Assis. Com isso, todo mundo concorda. E não faltam críticas e afirmações duras, de vários envolvidos ou não no caso, de que o irmão empresário está fazendo mal à imagem de Ronaldo. Eu inclusive, se não falei isso, pensei. Mas há que se pensar fora da curva (ou do quadrado, como gostam os moderninhos corporativos). E gosto muito de quem faz isso.

Assis é genial. Conseguiu fazer que o Ronaldinho, sem jogar bola, conseguisse a mesma mídia que ele tinha quando campeão do mundo.
Rica Perrone (Blog do Rica Perrone)

Não sei quanto de ironia o Rica colocou nessa frase, mas a verdade é que Assis conseguiu provar por A mais B, mesmo com um monte de cagadas, que Ronaldinho ainda tem um imenso valor comercial, que é capaz de fazer muito dinheiro. Vale dizer que havia mais de uma centena de profissionais de imprensa e quetais na tal coletiva do Copacabana Palace na semana passada. E que essa novela já está no ar há muito tempo. E não há site ou jornal ou rádio ou TV no Brasil que, ao menos uma vez, não fale do dentuço diariamente. Mesmo que todo mundo saiba que já há muito tempo que ele não faz em campo metade do que já fez.

Mas mesmo saindo como o grande escroto de toda essa história, o mesmo Rica lembra que Assis é, além de irmão, apenas o empresário de Ronaldo e não o seu dono. E que se as coisas chegaram a tal ponto, não se pode colocar toda a culpa apenas nas costas do irmão mais velho.

Cabe ao Assis negociar, ouvir, arrumar grana. Se ele por acaso faltar com a palavra, cabe ao RONALDINHO trocar de empresário, ou, consertar a bobagem. (…) Mas quando você paga pra alguém te representar e esta pessoa faz aquilo que você não concorda, você está sendo representado? Se não está, porque mantém e diz amem? Assis é apenas um revólver sem bala. Quem dá munição pra ele atirar é o Ronaldinho, real responsável por tudo que está acontecendo. Não se posiciona, não sabe o que quer, não participa das reuniões, deixa tudo nas mãos de um cara que cuida da parte COMERCIAL dele e, portanto, só enxerga o lado comercial. Culpem o Assis do que quiserem. Só não esqueçam de quem ele REPRESENTA.
Rica Perrone (Blog do Rica Perrone)

A verdade é que Ronaldinho foi mimado e cercado desde muito jovem, virou uma estrela mas nunca chegou a ser um homem, pois sempre teve tudo e todos ao seu redor para fazer suas escolhas, lhe apontar o que seria melhor, lhe dizer o que fazer e tomar suas decisões. O problema é que isso vem acontecendo já há algum tempo com boa parte dos jogadores de futebol que tem, em sua grande maioria, origem pobre e sem formação, e com suas famílias praticamente vendendo suas almas aos empresários engravatados e de boa estampa que assediam as divisões de base de TODOS os clubes do Brasil, pois “eles sabem o que fazem”.

Só se esquecem que nem 2% dos jogadores de futebol alcançam o sucesso, mesmo em território brasileiro. E um dia terão que parar com a bola e levar uma vida de gente comum, precisando tomar decisões, fazer escolhas e sem ninguém para lhes apontar o rumo.