Livros

Dois desses artefatos ultrapassados, analógicos, fabricados com papel e cheio de folhas, mobilizaram as minhas primeiras semanas de janeiro de 2014.

Sàn Guermin / ReproduçãoO primeiro é Sàn Guermin (Luiz Octavio Bernardes, Multifoco). Por razões que vocês vão descobrir quando o lerem, estou envolvido com o primeiro livro de Luiz desde meados do ano passado. Mas foi lançado agora, há alguns dias.

Trata das primeiras eleições em um país que fica ali pela América Central, perto do Caribe, depois de uns 80 anos de ditadura militar. Parece familiar? Pois é. Mas acreditem, está longe de ser mais do mesmo.

Na história, ficamos conhecendo um sem número de personagens muito interessantes e, o mais importante, sua estranha e patética (como está no prefácio) relação com o poder.

O livro é envolvente e a sensação de “estar em casa” passa depois de algumas páginas, o que – pelo menos pra mim – só depõe a favor. É ficção, claro, o que está longe de impedir as muitas pinceladas na história que contribuem para a construção dos perfis dos personagens e outras respostas do livro. De quebra, o final é surpreendente.

Haverá um ‘lançamento 2.0’, em Ipanema, em breve, mas sem data confirmada. Quem gosta de ter a obra autografada e conversar com o autor, é só ficar de olho na página do país no Facebook.

Entre pai e filho

O drible / ReproduçãoO outro livro deste início de ano O drible (Sérgio Rodrigues, Companhia das Letras). A história da relação (ou falta dela) entre um pai e um filho que passaram mais de 20 anos sem se falar. Depois de décadas, o pai – desenganado pelos médicos – chama pelo filho. E toda a história é construída a partir dos encontros entre os dois, no refúgio do mais velho.

Acontece que Murilo Filho foi um dos grandes cronistas esportivos da história do país e todas as conversas que tem com Neto são permeadas de histórias de futebol. Uma delas é a que dá o nome (e muito mais) ao livro: o drible de Pelé em Mazurkiewicz.

O livro é sensacional e sei que estou longe de ser o primeiro a falar isso, não é por acaso que já foi vendido para vários países. Sérgio tem um texto brilhante e a trama é excelente. Se não bastasse, a descrição/narração de Murilo Filho do grande lance, enquanto para e adianta o vídeo tape, é coisa de maluco. O primeiro capítulo do livro, se gol fosse, mereceria – como Pelé – uma placa de ouro.

Leitura obrigatória

Resumindo: são dois romances curtos (134 e 224 páginas, respectvamente) e imperdíveis.

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1001

1001Este é o post 1001 do Andei pensando. Logo, o último foi o 1000. É que só me dei conta agora e fiquei bem satisfeito pelo fato do número redondo ter sido atingido com um filme de animação. E vencedor do Oscar. Também fiquei satisfeito de não ter escrito nada, apenas colocado o filme no ar.

Em junho de 2007, o blog nasceu para exercitar escrever sem as amarras e obrigações de qualquer emprego. Um espaço onde me daria o direito de falar sobre qualquer coisa que me desse na telha, na hora que quisesse e no formato que bem entendesse. E isso, naturalmente, apontou para uma ou outra história da minha vida, além das minhas paixões por futebol, automobilismo, vela, Rio, fotografia e política. Tenho certeza que também acabou dando um tom meio ranzinza à maior parte do que publiquei.

Também nunca me preocupei em fazer propaganda ou usar o blog como ferramenta para alavancar minha carreira, criar reputação ou coisas congêneres que movem esse nosso neurótico mundo digital. Meu blog sempre foi a minha melhor ferramenta para desopilar meu fígado. E ponto. Por isso, não raro passo algum tempo sem publicar. É que de vez em quando isso aqui também enche o saco, vira obrigação. E perde o sentido. Tanto que esses 1000 posts foram publicados em 2073 dias, média de 0,48 por dia.

Também nunca me preocupei com número de acessos, se tenho 4, 5 ou 152 leitores. Mas, apenas como curiosidade, o dia mais visitado do cafofo (339 acessos únicos) foi 6 de abril de 2010, o dia em que o Rio ficou debaixo d’água, que nosso alcaide mandou ninguém sair de casa e que cheguei – acreditem, é verdade – a elogiar Eduardo Paes.

Desde o início (até às 11h de hoje), o blog foi visitado 125.011 vezes (média óbvia de 125 visitas por post) e recebeu 1382 comentários (1,38 por post). Juro que não tenho a menor noção se esses números são grandes ou pequenos, comparando com os trilhões de páginas mais conhecidas, mas sinceramente me envaidecem. Porque nada melhor para quem escreve do que ser lido.

Enfim, tudo isso foi um grande nariz de cera para avisar a vocês – meia dúzia de três ou quatro leitores, como sempre digo – de que ultrapassei uma marca, nada mais que isso. E, é claro, que vocês continuarão me aturando por um bom tempo. Porque vamos tentar realizar aí o que o professor mandou, eeeeeee se dedicar muito, eeeeee agora que chegou a mil voltar focado no segundo tempo para alcançar o objetivo do segundo milhar.

Torcida carioca

TorcidaCariocaComeçou o ano, como todo mundo já está cansado de saber. Assim, a bola já começou a rolar. E com a pelota correndo sobre a verde relva, voltam também as cornetas, piadas, análises embasadas, enfim, tudo aquilo do que sofremos de abstinência desde o início de dezembro.

No Rio, uma turma de quatro torcedores rivais que já habitava o mesmo cafofo, resolveu mudar de casa. O pessoal de Os 4 Grandes agora habita o Torcida Carioca. Basicamente, saíram de um quitinete para um sala-três quartos-varandão. Todo o resto continua o mesmo: as boas crônicas, alfinetadas, provocações e bom humor.

Minha esperança, com a casa nova, é que eles encontrem novos room mates. Penso que seria excelente – até pra conhecer os outros clubes mais de perto – ter um representante de cada clube do cariocão. Bastaria colocar a cabeça pra funcionar, que encontrar voluntários não será tão difícil. E depois, com o fim do estadual, ficam aqueles que participarão de qualquer divisão do Brasileirão. Não haveria nada igual por aí. Pensem nisso senhores.

Ecos da Cinelândia

Pouca gente foi à Cinelândia ontem né? Algo entre 2,5 e 3 mil pessoas. Mas há várias razões para isso ter acontecido (eu mesmo deixei de ir por conta das duas moças da casa de cama ao mesmo tempo) e há várias interpretações sobre se a manifestação foi relevante ou não.

Mas além do que é impossível prever, como problemas de saúde, ou coisas como compromissos de trabalho e aulas e provas, é preciso perceber que esse grande movimento nacional que deu a partida no Dia da Independência tem uma característica básica: ele não nasceu e não é liderada pelas ‘entidades oficiais’, como sindicatos, partidos ou organizações como a UNE, que congregam muitas pessoas e têm capacidade de mobilização.

Como se sabe, o movimento começou nas redes sociais e, apesar do apoio de entidades importantes como OAB e ABI, depende de exclusivamente de adesão expontânea.

Outro detalhe é que a primeira onda, no 7 de setembro, aconteceu em um feriado de pouca emenda (quarta-feira), o que facilita a programação. Mesmo assim, os 30 mil reunidos em Brasília foram fora da média das outras cidades (São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre), que ficaram em torno das cinco mil pessoas.

Apesar de estar reunindo poucas pessoas, por enquanto, por quê disse lá em cima que esse é um grande movimento? Porque, baseado nas redes sociais, o que pode parecer silêncio pelos ‘pequenos’ encontros tem, na verdade, um enorme poder de reverberação.

Não se enganem, não é por acaso que todos os partidos do governo, além daquela turma que sempre gritou pela ética mas que hoje vive às custas desse mesmo governo, tentam desesperadamente diminuir a importância do movimento.

Há uma nova onda de marchas agendada para o dia 12 de outubro. Outro feriado perdido numa quarta-feira. Vamos ver o que vai acontecer.

Argumentos tolos

Entre os ‘ilustres’ que foram à Cinelândia, vários reclamaram da pouca presença com vários argumentos vazios. Entre eles, o que me chamou mais atenção foi o roqueiro engajado Tico Santa Cruz. Algo como “uma pena que as pessoas se mobilizem mais pelo futebol do que pela política”.

Uma estupidez por várias razões. Primeiro, é preciso entender que a paixão pelo futebol não é algo bobo, mas traço cultural do brasileiro. Segundo, se as pessoas se mobilizassem realmente (pelo menos segundo a expectativa do rapaz) pelo futebol, nossos clubes não estariam virtualmente falido e Ricardos Teixeiras já teriam sido banidos. E terceiro – e talvez o mais importante -, o interesse pela política está necessariamente ligado ao nível de educação da população. E nós sabemos como anda o Brasil nesse quesito…

…e andando

Não tenho língua papal nem muitas papas, mas a vulgaridade do ‘doutor’ é espantosa. Não a vulgaridade, sei lá. É a empáfia, a arrogância e a prepotência, o escárnio e o deboche. A tal figura só temeria e baixaria seu topete gris se fosse mal falada no ‘JN’. Mas o tio que lá edita escolhe as principais notícias tal como seus seguidores fazem com suas gravatas, já que sabe bem que as portas daquela casa estão sempre abertas e convidativas. A tal figura aí é a expressão máxima da banana que a personagem de Reginaldo Faria dá ao Brasil no fim de ‘Vale Tudo’, novela da época do tango que repassa nos dias atuais. A banana vai ser dada daqui quatro anos, num teórico pós-Copa em que provavelmente a parte de exceção da imprensa vai estar debatendo o rombo, os elefantes brancos e a ausência dos legados da competição. A banana é, por que não, posta virtualmente em nossos rabos. Há quem goste e que ajude a descascar. Tem gosto pra tudo. Nos pés devidos, as chuteiras da pátria ajudam a enfiar.

A imagem acima está no blog do Juca Kfouri. O texto é trecho do post de Victor Martins em seu blog. O tema é o mesmo: Ricardo Teixeira e suas declarações na revista Piauí. Vale muito a leitura.

O Pelé branco

A dica foi enviada pelo Lessa. Pra quem gosta de craque, de bola e de arte, vale muito a visita. Uma coleção de cartazes em estilo retrô produzida pelo bósnio Zoran Lucić.

Estão lá Pelé, Maradona e os franceses Zidane e Platini. Assim como a trinca de ouro do Barcelona: Xavi, Iniesta e Messi.

Enfim, uma galeria daquelas de craques de hoje e de antão. Peguei dois, absolutamente ao acaso, para ilustrar o post. Clique aqui para ver todos os cartazes.

2ª edição

Se pegássemos apenas os 10 maiores jogadores dos 12 clubes grandes de verdade do Brasil, seriam 120 cartazes. Será que não tem nenhum designer por aí que toparia fazer essa coleção? Será que nenhum parceiro da CBF (a própria jamais faria isso) não patrocinaria o trabalho com o objetivo de montar uma exposição pelos estádios da Copa de 2014?

Alô você

E a história da licitação dos direitos de TV do campeonato brasileiro entre os anos de 2012 e 2014, que deveria terminar hoje com final feliz para todos os clubes, não está nem perto de acabar.

Globo já havia se retirado da concorrência. Hoje a Record também deu linha na pipa. Como Bandeirantes e SBT nem deram as caras, a Rede TV foi a dona da única proposta e – em tese – voltaremos a aturar o Fernando Vanucci apresentando os gols da rodada. Será?

De qualquer maneira, a cerimônia de hoje foi apenas mais um capítulo de uma novela que ainda vai se arrastar na justiça ao longo do ano. Reproduzo abaixo o post que o Juca Kfouri publicou em seu blog. Os grifos, claro, são dele.

O rato rugiu

Nem Globo, pelo menos por enquanto, nem Record, que jamais quis o futebol para valer, só quer ver a Globo se arder, mas RedeTV!

Que rugiu e levou, como no filme, “O rato que ruge”, quando um minúsculo ducado falido declara guerra aos Estados Unidos para ser absorvido e salvo, mas, por peripécias, obtém a rendição da nação mais poderosa do mundo.

E agora? O que fazer?

Por ironia, a RedeTV!, chamada nos acréscimos do segundo tempo, tem como seu comentarista de Política Urbana  o autor do Estatuto do Torcedor, José Luís Portella.

E o Bradesco e uma empresa estrangeira, que tem relações com a NBA, para respaldá-la.

Bradesco que vê aí a chance de disputar espaço com o Itaú, patrocinador do futebol global, da CBF e da Copa do Mundo no Brasil.

Se os bispos da Record mostraram mais uma vez que neles não se pode confiar, à Globo talvez caiba negociar com a RedeTV!.

Porque o Clube dos 13 promete não parar por aí.

Alega não só que cumpriu tintim por tintim o acordo que fez, junto com a Globo, no Cade, e que a emissora agora corre o risco de ser acusada de abuso do poder econômico caso procure fazer propostas melhores a cada clube dissidente, como se estivesse usando do direito de preferência do qual abdicou.

Mais: o Clube dos 13 vai procurar os clubes da Série B, para tentar melhorar o contrato com a TV de apenas R$ 30 milhões por ano até 2015.

E reforçar a ideia de formar a Liga, também com eles.

Até porque o Clube dos 13 é avalista e fiel depositário dos clubes que fizeram empréstimos já contando com o adiantamento do dinheiro da TV de 2012, com o que deram aos bancos cartas em que delegavam “poderes irrevogáveis” à entidade, argumento não utilizado até agora, mas que será utilizado a partir de agora.

Os dissidentes, por seu lado, argumentam que a Constituição lhe garanta autonomia e que nada os prende ao Clube dos 13, assim como a Globo estranha a diferença entre o discurso e o semblante do presidente do Clube dos 13 ao anunciar o vencedor da concorrência, além da falta da fiança bancária que era exigência inicial para a licitação.

Mas uma pegunta importante é a seguinte: o que farão nossos endividados clubes, dissidentes ou não, quando souberem que já há  mais R$ 300 milhões à disposição deles, os tais 20% de adiantamento do contrato de três anos que renderá R$ 1,548 bilhão só na TV aberta?