Samir escorrega?

Samir escorrega? / Foto: ReutersTaí a torcida arco-íris toda feliz, mais preocupada em deitar falação sobre a desgraça dos outros do que sobre suas (mui parcas) alegrias. Ah, os ignaros… Não entenderam até hoje que, quanto mais se dedicam a nós, mesmo com todas as suas energias negativas, maior e melhor ficamos.

Vejam essa piada óbvia, infame e preconceituosa que dá título ao post. Foram trocentas vezes publicadas e compartilhadas em todas as redes sociais de ontem. Até em um dos meus grupos do Whatsapp. Tsc tsc tsc.

Pois eu respondo: três vezes.

Esses pobres de espírito até agora não entenderam que tudo o que está acontecendo com o Flamengo nessa superestimada copa continental faz parte de um plano maior de educação coletiva. Portanto, não se vangloriem, pois há um prato frio sendo preparado para nossa degustação.

Vocês, que tanto se dão ao desfrute ao invés de cuidar de suas próprias vidas, já prestaram atenção à tabela e aos nossos adversários? Já viram a classificação? E até agora não entenderam onde tudo vai acabar?

Em abril de 2012, aos 196 minutos do segundo tempo de sua última partida da primeira fase, esse mesmo time equatoriano com quem somos obrigados a nos bater na competição atual, fez um golzinho que nos eliminou da edição daquele ano. Então, Lanús somou 10 pontos e terminou em primeiro na chave. Esse tal de Emelec, por conta desse fatídico gol nos descontos, chegou aos 9 e terminou em segundo. E nós, representantes reconhecidos das forças do bem, terminamos em terceiro (e eliminados) com 8 pontos.

Pois sou obrigado a revelar que todo o nosso plano original está sendo seguido à risca. Aquele prato frio que vamos comer. O Flamengo, agora subestimado por seus adversários, os surpreenderá e vencerá seus dois últimos jogos, chegando aos 10 pontos. O León também chegará aos 10. E o onze equatoriano alcançará os mesmos 9 pontos daquele ano de triste memória e, em terceiro, será eliminado.

Duvida? Acha que estou louco?

Bom, não vou tapar o sol com a peneira. É claro que haverá sofrimento e suspense dignos de Hitchcock. Mas tudo já está escrito e partiremos serelepes e fagueiros rumo ao título. Preparem-se e não duvidem. Eu sei.

Verbertes e expressões (27)

Extraordinário

Adjetivo: Característica do que é raro, singular ou esquisito

Fonte: Dicionário online de português

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Menor confessa ao Fantástico o crime de Oruro / Foto: ReproduçãoNão foi extraordinário o aparecimento e a confissão de um menor, ao Fantástico, se apresentando como culpado pelo disparo do sinalizador que matou um garoto de 14 anos na Bolívia, durante o jogo do Corinthians?

Não foi extraordinário o fato de não mostrarem o rosto do garoto, apesar de ser uma confissão e dele estar ao lado da mãe?

Não é extraordinária a conveniência dessa confissão?

E vejam que existem muito mais coisas extraordinárias nessa história.

Apesar de Brasil e Bolívia terem pacto ou acordo (sei lá como chamam essas coisas) de extradição, menores não entram na conta. Além disso, o Brasil não pode extraditar brasileiros, está na constituição. Ou seja, alguém acredita que ele será condenado a alguma coisa? Talvez, pra não ficar muito feio e se os bolivianos fingirem que caíram nessa história, coloquem o garoto para aparar jardins públicos até completar 18 anos. Eu acho que nem isso…

Seguindo em frente: o garoto trabalha e estuda. Foi liberado pelo chefe ou estava de férias do trabalho? Porque as aulas acabaram de começar e, a não ser que pretendesse levar um atestado médico falso, matou uma semana de aulas na cara dura mesmo.

Além disso, um garoto de 17 anos, de família pobre, atravessou a fronteira sem a companhia de um responsável. Ele é emancipado? Havia autorização dos pais? Quem e como pagou a farra de uma semana?

Mais: um adolescente de 17 anos gasta R$ 150 em um sinalizador de navio, enquanto comprava games? Mas ele não é de família pobre?

Ainda no estádio, recebe a orientação de só se entregar no Brasil. Havia advogados na torcida do Corinthians, devidamente preparados para qualquer incidente? Foi premeditado, então?

Por fim, todo mundo procura pelo culpado, mas só o Fantástico o encontra? Por quê, ao invés de ir à polícia e se entregar, deu entrevista para a TV? O garoto é inteligente e esclarecido mesmo ou foi muito bem orientado?

É claro que tudo isso aí em cima pode ser verdade, tudo é possível afinal. Mas não seria uma combinação de fatores extraordinária?

Crônica de uma tragédia anunciada

Há muito tempo não falo de futebol por aqui. Nem Fórmula 1, duas de minhas paixões. Mas hoje não tem jeito, dado o que aconteceu ontem na Bolívia.

Se você é um ET e não sabe de nada, um torcedor do Corinthians disparou um sinalizador de navio (!) que atingiu e matou um garoto de 14 anos.

Galeria da tragédia de Oruro / Montagem: Globo.comEntre tantos discursos muito bonitos, inflamados, dramáticos etc. que surgem em momentos como esse, o mais comum é esperar e até pedir a eliminação do clube da competição, jogar com portas fechadas e coisas do gênero.

Há 12 corinthianos presos em Oruro por conta do ocorrido. Deles, alguns nem estavam por perto quando a polícia agiu, mas ficaram para – em grupo – se defenderem e se protegerem. Reza a lenda que o sujeito responsável (?) pelo disparo não está entre os 12. Pode ser verdade, e nesse caso a Polícia Federal tem que entrar no circuito. Mas pode, também, ser apenas jogo de cena para que os detidos sejam soltos no clima “o culpado já foi embora mesmo”.

É claro que há que se investigar. E o sujeito tem que pagar pela cagada. Homicídio. Culposo que seja, partindo da premissa que não teve a intenção de acertar ninguém, que apenas operou mal o dispositivo. Mas ele tem que ser preso e julgado. Na Bolívia, claro.

O grande problema é que é uma tragédia anunciada. Porque entre tantos e tantos problemas que já aconteceram nos estádios brasileiros e de toda a América do Sul, nada foi realmente feito para dar solução. A questão não é proibir faixas, camisas e bandeiras de torcidas organizadas, mas implantar sistemas de vigilância que permitam a identificação dos marginais e bani-los dos estádios. Mas ninguém tem coragem de fazer isso.

Sobre o futebol, propriamente dito, e a possibilidade de punição ao clube, o texto abaixo diz tudo.

Me engana que eu gosto

Torcida La Temible, do San Jose / Foto: Diego RibeiroVocê ai, sentado em seu PC, está realmente pensando em justiça ou querendo que o Corinthians se foda? Vamos falar a real, sem viadagem. Não tenho censura de editor, posso falar com você as vezes nesse tom. Somos íntimos, nos vemos todos os dias por aqui, podemos ser honestos um com o outro.

Teu problema é o Corinthians, o corintiano ou a “justiça”?  Se fosse do seu clube, um incidente, como tudo indica ter sido, você acharia justo seu time ser punido por um erro isolado?

Vamos separar as coisas de forma clara.

Quando se pune um clube de futebol por sua torcida é na tentativa de evitar que camuflados no meio de tantos eles façam algo coletivamente sem controle. Quandos se identifica o torcedor que atirou um copinho no campo o clube não é punido, mas sim o torcedor. Porque? Porque acharam o culpado e portanto não precisam mais fazer “terrorismo” para impedir que outros façam igual.

Uma situação é “justiça”, a outra é pra causar medinho. Clube de futebol não tem que ser punido por ação nenhuma de torcedor nenhum. Existe uma lei e ela precisa ser seguida. Ela diz que o cidadão que comete um crime responde por ele. Ponto. Se ele torce pro Vasco, pro Osasco ou pro Manchester é problema dele.

Se um sujeito nervoso porque brigou em casa quebra tudo na rua e machuca alguém, a mulher dele vai presa por tê-lo irritado? Não. Então, o clube não tem que pagar por atos de violência isolados, ainda mais fora de seu estádio, onde sequer a segurança é de sua responsabilidade.

Até onde sabemos, foi um incidente. O rapaz não teve intenção de machucar ninguém e errou o disparo do sinalizador.  Permitida a entrada de fogos no estádio, ele errou, vai responder, e deve responder. Mas entre cometer um erro fatal e ser criminoso existe uma diferença.

Na praia, no ano novo, se seu pai errar o rojão e acertar alguém ele é responsável, não um criminoso. E o rapaz que fez isso ontem, pelo que todos relataram, é responsável, não um marginal afim de machucar alguém.

Sendo preso, como foi, não tem nada que o clube ser punido. Se querem justiça, vamos questionar porque tinha 20 mil fogos dentro do estádio? Vamos falar sobre segurança, sobre polícia, revista, regras do que pode ou não entrar no estádio. Mas não vamos falar em assassinato, Libertadores, Corinthians.

Que importa o time do sujeito? Que diferença faz se ele é corintiano ou se vendia pipocas? Ele errou, vai responder, foi identificado, ponto.  Levar isso até o clube e tentar atrelar uma coisa a outra me parece mais uma forma de torcer pro rival ser eliminado de um torneio do que por justiça.

Injustiça seria um erro, ou mesmo se fosse um crime brutal, individual condenar 30 milhões de pessoas a pagar por ele.

Justiça? É isso mesmo que estamos discutindo? Ou é clubismo barato em busca de foder o rival?

A pessoa foi detida. O estádio é fora do Brasil, ao que tudo indica não foi um ato de vandalismo, mas sim um incidente.

Cadê a justiça em tirar um clube de futebol de um torneio por isso?

Sejamos honestos, e menos burros.

Amanhã, meu caro, se o Joãozinho atirar um copinho e acertar a testa do jogador adversário, quem não vai mais ao jogo ver seu time é você. Porque ao invés de pedir justiça, estamos cobrando atitudes de grande impacto.

São coisas diferentes.

Que se faça justiça com o responsável pela morte do garoto. Seja ele corintiano, judeu, negro, nordestino ou alemão.

Mas justiça é quando o responsável é identificado e responde pelo que fez. Não quando na falta de um culpado resolvem culpar todos que estavam em volta.

Isso é covardia, não justiça.

abs,

Rica Perrone

Nada mais a declarar

Comemorou hoje? Gritou o nome dele?

Fez dele um Rei, de novo?

Vai ser assim quando, insatisfeitinho com o café da manhã do clube, ele resolver encostar no pau da bandeirinha e não sair dali 90 minutos, te deixando louco na arquibancada?

Fiquei pensando sobre o jogo de ontem, em como é difícil perceber se o time jogou bem ou mal, se cansou ou só se acomodou em boa parte do segundo tempo, coisas assim. Afinal, foram praticamente 90 minutos de um treino de luxo de ataque contra defesa.

Mas é impossível esquecer tudo o que acontece no Flamengo desde o final do ano passado. 2011 que, na prática, só terminou ontem com a classificação para a fase de grupos da Libertadores.

Mas aí, vem o sujeito – que por não ser rubro-negro consegue ter um distanciamento necessário de toda a zorra – e escreve isso aqui.

E eu vos digo: nada mais a declarar.

O jogo

Como não sou sócio do clube, não adianta nada ficar dando pitaco na mais que rasa política rubro-negra. Em ano de eleição, o pau está comendo solto. Crises reais e plantadas e o diabo, tudo o que estamos acompanhando pelos jornais de folhas ou não.

Se dependesse de mim, do dentuço ao vice de futebol, além da equipe de maquetchim completa, colocava todo mundo na rua, a despeito de multas e quaisquer outros problemas. Mas, se sócio não sou, que dirá presidente… E como não tenho que arcar com multas, dívidas e outras conseqüências, é fácil falar.

De qualquer maneira, se alguém quiser ler o que um torcedor relativamente racional pensa sobre tudo isso, basta clicar aqui.

Então, vamos ao que importa. Lembro muito bem da entrevista que o profexô deu em 2010, dizendo que o plano para o ano seguinte era conquistar o hepta brasileiro. Declarações com clima de promessa. Que foi mudando conforme o time começou a desandar no meio da disputa. Confiando na falta de memória crônica do brasileiro em geral, inclusive e principalmente torcedores, começou o discurso que o projeto mirava a Libertadores.

Assim, o Flamengo entra em campo, logo mais, para jogar a penúltima partida de 2011. A última será na próxima semana. As duas, contra o horroroso Real Potosí – que só faz farofa graças aos 4.000m de altitude – decidirão o futuro do clube na competição continental.

Basicamente, é o resultado dessas duas partidas que dará sentido (ou não) ao resto do ano. Objetivamente, hoje é o jogo mais importante dos anos. Passado e atual.

A essa altura (com trocadilho), o recado é óbvio: que se dane o disse-me-disse; que se dane a grana em atraso; que se dane a ridícula queda de braço entre o profexô, o dentuço e seu irmão mercenário; que se dane a falta ou a chegada de reforços; que se dane todo o resto que não seja a postura de homens que os jogadores devem ter hoje.

Apesar do morro, o adversário é galinha morta. Então, basta entrar em campo para honrar o manto que o resto vem naturalmente. Dadas as circunstâncias, um empate ou até uma derrota simples não seriam resultados ruins. Desde que o Flamengo seja Flamengo.

P.S.: Luxemburgo já deu entrevista falando em cautela, se apoiando na desculpa da altitude. Vai ser ridículo, mas preparem-se para ver um time com 58 volantes hoje.

Vida que segue

Na verdade, aconteceu o que era previsto. Depois de entregar a rapadura dentro de casa, depender de um jogo especial, de uma noite inspirada, não é algo em que se possa confiar. E o que me deixa puto nem é a eliminação, ganhar e perder faz parte do jogo. O que me deixa puto é saber que se os caras tivessem jogado no Maracanã com a metade da vontade de ontem, estaríamos classificados sem sofrimento algum.

O time do Flamengo não é ruim. Pelo contrário, o elenco rubro-negro está entre os melhores do país. Mas há tanta coisa errada no clube que, se pensarmos bem, as coisas não poderiam dar certo mesmo. Desde uma autosuficiência irritante, quase um salto alto, até todas as confusões do Adriano, passando pela falta de pulso do Andrade, a permissividade do Marcos Braz, a demissão de toda a cúpula do futebol, a manutenção de Isaías Tinoco (que não serve pra nada) e a falta de um vice de futebol (já faz um mês que o cargo está vazio) capaz de organizar a bagunça.

Se o Flamengo estivesse jogando, desde o início do ano, com metade da vontade que mostrou ontem, teríamos conquistado o carioquinha, nadado de braçadas na primeira fase da Libertadores e, claro, tudo seria diferente. Poderíamos ser eliminados da mesma maneira, mas não teríamos a sensação de bancamos os bobos.

Apesar de tudo isso, eu realmente acreditava que voltaríamos do Chile classificados. Por todas as questões emocionais que envolveram o time nos últimos dez dias, desde a não convocação óbvia de Adriano até a provocação desnecessária do técnico adversário. E se olharmos apenas para o jogo de ontem, 2 a 1 foi muito pouco. Mas o ‘quase’ de ontem foi apenas a cereja do bolo, apenas o enfeite que faltava para encerrar o semestre perdido.

No final das contas, temos uma geração (Leo Moura, Bruno, Juan, Angelim, Toró e outros menos cotados) que estão entrando para a história do clube por algumas conquistas e pelas oportunidades perdidas e inúmeros vexames dentro de casa. Libertadores foram três, além de uma Copa do Brasil e outras competições menos votadas. Mesmo assim, ainda terão uma nova chance depois da Copa do Mundo. O Flamengo está na Sulamericana que, a partir deste ano, dá ao campeão a vaga na Libertadores do ano seguinte. E, claro, há o Brasileiro

Outra história que marcará esse time é a queda do Império do Amor, mais um ataque de grife que passou pela Gávea e não conquistou nada. Injustiça com Vagner Love, que sempre entrou em campo para honrar a camisa, correndo como louco e se entregando sempre, mesmo quando jogava mal. Sobre Adriano… Não adianta, nunca gostei dele e acho que ele não faz bem a clube nenhum. Mas hoje ele é jogador do meu time e isso me incomoda.

O que se espera é que Patrícia Amorim tome as devidas providências para que o ano inteiro não vá por água abaixo.

E o que acontece daqui pra frente? Seremos zoados por alguns dias por toda a torcida arco-íris, teremos cinco jogos pelo Brasileiro antes da parada para a Copa. Se tudo acontecer dentro do normal, vamos perder os próximos dois ou três, com o time abalado pela eliminação. Perderemos alguns jogadores para o segundo semestre, outros serão contratados e vida que segue.

O manto, será sempre sagrado. Eu, sempre (e cada vez mais) rubro-negro. E a turma da torcida arco-íris seguirá sendo mais feliz pelos pequenos tropeços do Flamengo do que por suas efêmeras conquistas.

Vestiu uma camisa listrada e saiu por aí

De fato, o que se sucede com a camisa do Flamengo desafia e refuta todas as nossas experiências passadas, presentes e futuras. Vejam vocês: – uma camisa que só falta dar adeusinho e virar cambalhota. Quando o time não dá mais nada, quando a defesa baqueia, e o ataque soçobra, vem a camisa e salva tudo. Diante dela, todos se agacham, todos se põem de cócoras, todos babam de terror cósmico. E vamos e venhamos: – como resistir a uma camisa que tem suor próprio, que transpira sozinha, que arqueja, e soluça, e chora? O Flamengo só perde quando não põe para funcionar o milagre da camisa.

Nélson Rodrigues

É sabido e ressabido (se é que essa palavra existe) que Nélson Rodrigues era tricolor, como Armando Nogueira e João Saldanha eram botafoguenses. Assumidos. Sem qualquer frescura, qualquer necessidade de esconder o time para o qual torcia em nome de uma pretensa isenção no analisar de uma partida.

Pombas, como escrever sobre futebol sem assumir e viver suas paixões? E sem deixar, as paixões, lhes dar nas telhas?

Ando meio incomodado com o que se convencionou chamar de crônica esportiva hoje em dia. Na verdade, um apanhado de espaços nobres ocupados por textos assépticos e espartanos que, em sua grande maioria, analisam e reanalisam tudo taticamente. E apenas isso.

Usando os jogos de ontem como exemplo, como se dedicar tanto à táticas e esquemas pré-moldados de pretensos professores pernósticos e semi-analfabetos quando um Kleber é expulso com dois minutos de jogo ou quando Ganso, apagado até então, resolve abreviar os mais de 30 metros com um tiro único e certeiro, no ângulo? Como não levar em conta o que é mais importante ao se olhar para o gramado? Ainda não deu pra entender que estou falando do sujeito, do ser humano?

Pois é, não existem pranchetas, rádios e computadores capazes de suplantar a soma de coração e cérebro.

E por que cargas d’água todo esse prelúdio?

Porque hoje é dia de Flamengo. Porque hoje é dia em que o Flamengo terá de ser mais Flamengo do que nunca. Puro coração, pura alma. Hoje é dia do Manto entrar em campo, não importa se vestindo imperadores ou vassalos, e viver em 90 minutos os seus 114 anos de história. Hoje é dia de Manto.

E não falo isso porque o tal time chileno é uma maravilha, a quintessência do futebol mundial. Não chega perto. Acredito, inclusive, que o Flamengo seja melhor (apesar de não ter dado certo ainda). Mas o fato é que a coisa anda esquisita pelos lados da Gávea. E é por isso que é dia de manto.

Hoje é uma daquelas noites em que uma pelada se torna épica pelo simples fato de acontecer. Dois a zero nos caras, na casa deles ou em qualquer lugar do universo, seria mole. Deveria ser. Mas não será. Porque o Flamengo é capaz das coisas mais incríveis, das maiores façanhas, das piores tragédias. De fazer qualquer riscar de fósforos se transformar em trabalho de Hércules. E hoje não será diferente.

Acendam-se as fogueiras, apaguem-se os vulcões, dominem-se dragões, derrubem-se as colunas. Hoje é dia de manto.