Verbetes e expressões (16)

Tergiversar

Usar de subterfúgios ou evasivas, variar inseguramente de argumentos e de meios no debate de um assunto ou no enfrentar uma situação.

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É comum, em eleições, esperarmos por debates como o realizado ontem pela Rede Bandeirantes. O pau quebrou, acusações de parte a parte, quase baixaria.

E no meio do embate, a candidata oficial insistiu em usar uma palavra, não contei, não tenho certeza se duas, três ou quatro vezes. Dava a impressão que ela tinha aprendido a palavra naquele dia e queria se mostrar. Mas isso, além da curiosidade, não tem nenhum valor.

O fato é que o nível do debate não foi bom, não melhorou em nada o rumo das eleições, não ajudou em nada na definição de votos.

Outro fato é que durante boa parte do programa, os dois candidatos tergiversaram demais. Os dois. Não foi nada raro um e outra darem voltas sem responder perguntas diretas. Na verdade, difícil foi ver alguma resposta precisa, objetiva.

Faltam 21 dias para as eleições e pelo menos mais dois encontros em TV aberta. Vamos ver se a coisa melhora.

Ih, ih, vamuinvadi!!!

Depois dos posts que publiquei nos últimos dias, alguns amigos vieram me perguntar o que eu tenho contra a Dilma. E fui claro: tudo! Mas o que poucos desses amigos entenderam é que o problema não é pessoal. Pelo menos por enquanto. É apenas uma diferença abissal no modo de perceber o mundo em que vivo e em que pretendo viver no futuro. Nesse caso, o futuro começa no dia 1º de janeiro de 2011.

Como a maioria das pessoas que conheço, gasto um bom dinheiro – boa parte do que ganho – com minha casa. Seja aluguel, a prestação de um financiamento ou fundo de garantia raspado para a quitação de um imóvel, além das contas comuns como condomínio, luz, gaz etc. (taxas e impostos como o IPTU).

Entendo que essa é a lógica do negócio. Bens e serviços têm o seu valor, claro. Mas aí, quando vejo notícias como a que reproduzo abaixo, fico pensando em como sou, no mínimo, um otário (como gostam nosso governador e nosso presidente).

Secretaria de Patrimônio da União defende invasores em vez do Jardim Botânico

RIO – As palmeiras imperiais símbolo do Jardim Botânico começaram oficialmente a pertencer ao quintal de centenas de casas localizadas no território de uma das mais antigas instituições do Brasil, o Jardim Botânico, conforme mostra reportagem de Isabel de Araujo e Jacqueline Costa, publicada na edição desta quinta-feira do GLOBO. A Secretaria de Patrimônio da União (SPU), que deveria defender os bens de interesse federal, trocou de lado e passou a defender interesses privados. Numa decisão polêmica, a superintendente da SPU no Rio, Marina Esteves, solicitou ao advogado da União Cláudio Panoeiro a suspensão de um mandado de reintegração de posse expedido pela Justiça em favor do governo federal – abrindo mão, na prática, de um imóvel erguido dentro do parque. No documento ao qual O GLOBO teve acesso, a SPU reconhece o direito do atual ocupante à moradia e explica que está sendo feito um cadastramento com o objetivo de dar títulos de posse a famílias que vivem nos limites do terreno da União.

Na prática, a solicitação feita em 20 de julho abre caminho para a privatização de mais imóveis pertencentes à União. Na Comunidade do Horto, onde a regularização fundiária está sendo feita em parceria com a UFRJ, vivem hoje cerca de mil pessoas, em núcleos conhecidos como Caxinguelê, Margarida, Grotão, Horto Florestal e Solar da Imperatriz. Há casas erguidas até mesmo na área de visitação do parque. Um relatório da SPU de 2005 informa que, em 1975, estavam cadastradas 377 famílias e, em 1995, 589 (último número disponível).

No seu pedido, a superintendente da SPU considera que o morador Aleci José de Oliveira está habilitado a ocupar a casa na Rua Pacheco Leão 1.235, que antes pertencia a Carlos Escazo. Aleci, no entender da SPU, tem direito a permanecer ali – onde está há mais de cinco anos – porque não tem outra casa e tem renda inferior a cinco salários-mínimos. Marina Esteves não foi encontrada para comentar a sua solicitação. Já Panoeiro, coordenador de Defesa do Patrimônio Público e da Probidade Administrativa da Advocacia Geral da União (AGU), informou que uma câmara conciliatória precisará ser criada para resolver definitivamente a questão – que põe em lados opostos o Ministério do Planejamento (órgão ao qual a SPU é vinculada) e o Instituto de Pesquisas Jardim Botânico do Rio de Janeiro (IBRJ).

Segundo o advogado da União, desde 1987 o extinto IBDF, o Ibama e, mais recentemente, a AGU defendem em juízo o interesse da União em recuperar a posse plena do parque, irregularmente ocupado.

– Houve sentenças judiciais reconhecendo a posse da União. Trata-se de uma escolha (execução) difícil, pois coloca em confronto a proteção ao meio ambiente, o direito à moradia e a relevância histórico-cultural do próprio Jardim Botânico para a cidade do Rio – disse Panoeiro.

Isabel de Araujo e Jacqueline Costa
Fonte: O Globo

*A reportagem, na íntegra, está disponível em O Globo digital somente para assinantes.

Como podem ver, a área é patrimônio da União que, neste governo, estão à disposição – sem qualquer problema – de qualquer um que se identifique como pobre (mesmo que não seja) e/ou integrante de um movimento social qualquer (mesmo os marginais apenas disfarçados). Vide a estranha e nada saudável relação com o MST.

Então, gostaria de avisar amigos e familiares, que a partir de hoje estou em busca de um terreno qualquer – em área nobre da cidade – que eu possa invadir e para onde possa puxar um gato de água e eletricidade. E ai de quem tentar me tirar de lá, porque eu vou chamar o Lula e sua candidata para me defender.

Leitura obrigatória

Essa é mais uma dica que chega pelo “RSS” do blog. Nada como ter amigos.

Por favor, leiam o post Mais um exemplo da “nova era democrática”: a barbárie intelectual da universidade. Ou: como formar ignorantes orgulhosos e patriotas. Ok, eu sei que é do Reinaldo Azevedo que por sua vez é da Veja. Mas prestem atenção ao discurso da moça e não esqueçam do papel do Sr. Celso Amorim ao longo dos anos. Se possível, vejam o vídeo que está linkado lá.

Ajuda a entender bastante deste governo que está quase quase elegendo sua sucessora. Entre outras coisas porque o aparelhamento foi tal que escolheram uma senhora com dificuldade de se fazer entender em um discurso público, apesar de estar reitora de uma das universidades mais importantes do país. Ai ai ai…

Passo a passo

Então é isso? Já está decidido? Pois parece que sim e mais cedo do que pensei. Mas na pesquisa Ibope divulgada ontem, Dilma já aparece como eleita no primeiro turno, com 51% dos votos válidos (brancos, nulos e indecisos excluídos). Isso pode mudar? Ainda bem que sim. Mas mais do que o resultado puro e simples, a pesquisa nos dá algumas informações interessantes.

A primeira delas é que o Brasil está, definitivamente, referendando este governo que está aí, com 78% de avaliação boa ou ótima, em que pese tantos problemas. Vou tentar listar alguns:

– durante toda sua história, o PT se apresentou como o último bastião da ética. E todo mundo lembra bem o que aconteceu no governo (pelo menos deveria), com os mensalões, os aloprados, Zé Dirceu e Palocci, o caseiro, BrOi, Celso Daniel, dólares em meias e cuecas etc. etc. etc.;

– você já se deu conta de quem são os principais aliados do governo? Já reparou que no governo do PT estão pendurados os Sarney, Barbalho, Collor e suas entourage completas? Sem falar que o vice da chapa oficial é o Michel Temer?

– Você já se deu conta que entre os muitos achincalhes deste governo contra a Constituição, o Brasil voltou a ter censura? Você está realmente satisfeito com o governo se metendo cada vez mais na sua vida, dizendo o que você não pode e o que você deve fazer?

– Você já se deu conta de que, enquanto você paga cada vez mais impostos, você roda por mais e mais estradas com pedágios caríssimos, continua pagando plano de saúde, as mensalidades escolares estão cada vez mais altas, que nossa infraestrutura está cada vez mais engargalada? Enquanto isso, com o seu, o meu, o nosso – como diria o Ancelmo – continua sendo distribuído como esmola fantasiada de bolsa sem qualquer obrigação recíproca a 12,5 milhões de famílias.

Há muito mais a ser apresentado, mas será que é mesmo preciso? Então, olhemos para a pesquisa.

O que se pode notar é que, a cada momento em que José Serra se mostra claramente como oposição ao governo, mais pontos perde – mesmo que não fale mal do presidente atual. O que confirma que o estado de coisas que temos aí não incomoda em nada a maior parte da população, não importa a que custo. Como uma enorme parte da população passou a ter acesso (isso é um fato e, de certa forma, louvável, claro) ao mundo do consumo, “farinha pouca, meu pirão primeiro”. Para que pensar no todo e no futuro?

Outro dado apresentado percebido pela pesquisa é que no extrato de população com mais tempo de estudo que aconteceria a única derrota de Dilma. Será por acaso? Ou porque por, ao ficar mais tempo na escola, lêem mais, se informam mais e estão mais acostumados a pensar e questionar?

Mas essa informação, lembrou bem o Gabriel, suscita outra leitura. Está justamente na elite o extrato de população mais bem formado do Brasil. Afinal, como a educação no Brasil se tornou um bem pelo qual pouquíssimos podem pagar… E aí entraríamos em uma discussão baseada em luta de classes, algo que já estava ultrapassado em 1917.

Enfim, o que proponho é que seres pensantes que somos e dada a situação, nos preparemos para essa eleição com objetivos práticos e claros a superar. Primeiro, levar o pleito presidencial ao segundo turno. E assim tentar salvar o que resta de país passo a passo.

Quero dizer é que temos a obrigação moral de votar em qualquer um que não seja Dilma. E há oito opções. Precisamos levar essa eleição ao segundo turno, nem que seja apenas para ter certeza de que o cenário que está a nossa frente é irrevogável, mas pelos motivos certos. Porque até para concordar com algo é preciso ter compostura.

E sim, a partir de hoje já podem dizer que, além de estar alarmado, sou um alarmista. Com orgulho, é bom que se diga.

Fala poeta

E não é que o “RSS” do blog continua funcionando? Essa chegou pelo José Carlos ou Roque ou Rial ou Dumdum, podem escolher.

O poeta Ferreira Gullar concedeu uma entrevista ao jornal O Tempo, de Minas. Fala, obviamente, sobre literatura e cultura. Mas, no trecho abaixo, também fala sobre política e analisa nossa próxima eleição presidencial. Se você quiser ler a entrevista completa, clique aqui.

Faço apenas uma observação sobre sua primeira resposta. A matéria foi publicada no dia 8 de junho, quando os dois principais candidatos estavam tecnicamente empatados. Como sabemos, todas as pesquisas já apontam uma boa vantagem e, até, a provável vitória da moça que não sorri e tem dificuldades de dizer ‘boa noite’ na TV e fala mentiras tentando reescrever a história do país e todos os etc. que nós já sabemos.

Neste ano temos eleição presidencial. Você está animado?
Ah, vai ser uma batalha. Os dois candidatos estão empatados. Espero que o Serra ganhe. Será um absurdo se o Lula, que empurrou a Dilma garganta adentro do PT, vá empurrar agora garganta adentro do país só pela vontade exclusiva dele. Acho que nem a Dilma é a favor disso.

Mas o governo Lula não teve nenhum mérito?
Não é que não teve nenhum mérito. O principal problema do Lula é ele não reconhecer o que ele deve aos governos anteriores. Tudo dele é “Nunca na história deste país…”. Ele se faz dono de tudo o que ele combateu. Por que o Brasil passou pela crise da maneira que passou? Porque havia o Proer (programa de auxílio ao sistema financeiro). Mas o PT foi para a rua condenar o Proer dizendo que o governo FHC estava dando dinheiro para banqueiro. E a Lei de Responsabilidade Fiscal? O PT entrou no STF contra a lei. Ainda está lá o processo do PT para acabar com a Lei de Responsabilidade Fiscal. O PT era contra o superávit primário, era contra tudo. Quer dizer, tudo o que eles estão adotando e que se constitui a infraestrutura da política econômica eles combateram. Agora o cara não reconhece isso: ele diz que fez tudo. O Lula é, de fato, uma pessoa desonesta. Um demagogo. E isso é perigoso. Está arrastando o país para posições que são realmente inacreditáveis. O cara se tornar aliado do Ahmadinejad, o presidente de um país que tem a coragem de dizer que não houve o Holocausto? Ele está desqualificando mundialmente porque está negando um fato real que não agrada a ele. Então não pode. O Brasil vai se ligar a um cara desse? É um oportunismo e uma megalomania fora de propósito. É um desastre para o país. Eu espero que a Dilma perca a eleição. Não tenho nada contra ela, mas contra o que isso significa. O PT é um perigo para o país. O aparelhamento do Estado, o domínio dos fundos de pensão… Um sistema de poder que vai ameaçar a própria democracia. As pessoas têm que tomar consciência.

Fonte: O Tempo

Crônica de uma morte anunciada. Ou não.

Como o Octávio disse em comentário do post anterior, meus RSS estão funcionando. Ontem ele me deu a dica do texto da Miriam, hoje recebi o texto abaixo de outro amigo que, por algumas circunstâncias, nem citarei o nome (se quiser, se apresenta nos comentários).

Bela análise do nosso cenário eleitoral, infelizmente a confirmação de nosso futuro sombrio. Provavelmente, e por apoiar abertamente o governo que está aí e sua candidata, sua intenção é me dizer que não adianta discutir muito, algo como “nem perca seu tempo”. Apenas um achismo, ainda não sei ler mentes.

Mas apesar do cenário terrível que o texto tenta confirmar, algo como uma crônica de uma morte anunciada, sou um esperançoso. E sem qualquer tietagem ou sentimentalismo estúpido, me apego à onda de Mr. Obama e seu Yes, we can.

Apesar de toda a força da máquina, apesar da moça que tem dificuldade de sorrir ter três minutos a mais de propaganda eleitoral (em TV, uma eternidade) que o segundo colocado nas pesquisas, apesar do curral construído ao longo dos últimos sete anos e meio, apesar de tudo enfim, ainda acredito que é possível criar uma mobilização capaz de derrotá-la.

Então, o que peço à meia dúzia de três ou quatro amigos que têm o hábito de passar por aqui é que leiam o texto com atenção, entendam a gravidade da situação e comecem a se mexer.

Eleições 2010: especialista em pesquisas faz previsões sombrias para Serra

Na análise distribuída aos seus clientes, Almeida, que é e autor do livro “A Cabeça do Eleitor”, faz carga contra a estratégia de marketing de Serra. Para ele, repete os mesmos erros da campanha do tucano Geraldo Alckmin em 2006 contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (a equipe de comunicação das duas campanhas é a mesma, liderada pelo jornalista Luiz Gonzalez)

O cientista político Alberto Carlos de Almeida, sócio-diretor do Instituto Análise e autor do livro “A Cabeça do Eleitor”, está distribuindo para seus clientes uma análise, em inglês, com previsões catastróficas para a campanha do candidato tucano, José Serra.

Para Almeida, que já foi visto como muito próximo aos tucanos, a candidata do PT, Dilma Rousseff, tende a vencer a eleição no primeiro turno e por uma lavada de votos em relação a Serra – uma vantagem de 15 a 20 pontos percentuais.

Na análise distribuída aos seus clientes, Almeida faz carga contra a estratégia de marketing de Serra. Para ele, repete os mesmos erros da campanha do tucano Geraldo Alckmin em 2006 contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (a equipe de comunicação das duas campanhas é a mesma, liderada pelo jornalista Luiz Gonzalez).

Em 2006, segundo pesquisas feitas pelo Instituto Análise, Alckmin era visto pelos eleitores como o mais experiente, o mais preparado para o cargo e o mais comprometido em resolver os problemas da saúde pública.

Mesmo assim, perdeu, por uma margem de 20 pontos, a eleição para Lula porque o presidente era visto como o candidato que entendia os problemas dos pobres e iria aumentar a capacidade de consumo.

O mesmo padrão de imagem dos candidatos, segundo a análise de Almeida, está se repetindo agora na eleição de 2010. Serra é percebido como mais preparado e experiente do que Dilma e também como o mais empenhado com a questão da saúde. Mas a petista teria adquirido a imagem imbatível de que é a candidata que vai colocar mais dinheiro no bolso dos eleitores.

Arko Advice: Dilma tem potencial para chegar a quase 70% dos votos
Em outro estudo, colocado disponível, na última segunda-feira (9), a respeitada consultoria política, Arko Advice, fez uma análise sobre até que ponto o presidente Lula consegue transferir seus votos para sua candidata, Dilma Rousseff.

Para calcular o potencial de transferência de voto do presidente Lula, a Arko Advice analisou o que Lula conseguiu transferir para ele mesmo em 2006 quando disputou a reeleição.

“Importante frisar que dificilmente Lula conseguirá transferir para a sua candidata 100% do seu prestígio, já que não conseguiu nem para si este feito em 2006”, adverte a consultoria.

Em agosto daquele ano, segundo pesquisa Ibope (7 a 9 de agosto), Lula tinha 46% das intenções de voto. Nesse mesmo período, 56% dos eleitores afirmavam que aprovavam o seu governo. Ou seja, a cada 1,21 eleitor que aprovava seu governo, 1 votou no presidente.

Hoje, de acordo com a última pesquisa Ibope (2 a 5 de agosto), 85% dos eleitores aprovam o governo Lula. Assim, no melhor cenário possível onde ele consiga transferir todo o seu prestígio para Dilma, ele chegaria a 69,82% dos votos.

Considerando que Dilma tem, segundo o mesmo levantamento, 39% dos votos, ela ainda tem potencial para conquistar mais 30% dos votos. Vale ressaltar que, de acordo com último levantamento do Datafolha, 24% dos eleitores ainda não sabem quem é a candidata do presidente.

Ainda de acordo com essas projeções, Dilma ainda tem potencial para crescer em todas as regiões do País. No Nordeste, por exemplo, onde a aprovação do governo atinge 91%, Dilma pode sair dos atuais 46% para 81,24% em um cenário onde Lula consiga transferir para ela todo seu prestígio.

Até mesmo nas regiões Sul e Sudeste, onde José Serra (PSDB) é mais forte, ainda há espaço para crescimento.

Na avaliação da Arko, Lula ainda não atingiu seu limite de transferência. Ela ainda tem potencial para crescer mais considerando que:
1) o governo tende a continuar bem avaliado;
2) Lula deve envolver-se ainda mais na campanha;
3) Dilma terá mais tempo de TV do que Serra;
4) desde que começou a campanha, Dilma tem apresentado melhor performance nas pesquisas; e
5) Dilma recebe mais doações que Serra.

“No que pese a imprevisibilidade de qualquer eleição, este quadro reforça nossa avaliação sobre o favoritismo de Dilma”, diz a empresa de consultoria. (Fontes: Blog da revista Época e Brasília em Tempo Real)

Fonte: DIAP

Zico tá no Vasco, com Pelé

Ando meio chato, eu sei. O reflexo disso é que já há alguns dias não falo sobre nada agradável por aqui, como o fato de ter chegado em casa no outro dia e ver que minha filha aprendeu a colocar a língua pra fora e fazer careta pra gente. É de rolar no chão de rir.

O problema é que, muito por causa dela, ando meio exasperado com nossas possibilidades para o futuro próximo. No último post, em que me declarei absolutamente alarmado, escrevi que a candidata do governo anda tentando reescrever a história do Brasil, confiando na falta de educação e memória de nosso povo inzoneiro. Parece que passou em branco. Mas aí, a Miriam Leitão publicou o texto abaixo em sua coluna no Globo de ontem.

Em nome dos fatos

Inflação fora de controle quem enfrentou foi o Plano Real. O acumulado em 12 meses estava em 5.000% em julho de 1994. Quando a inflação subiu em 2002, no último ano do governo Fernando Henrique, pela incerteza eleitoral criada pelo velho discurso radical do PT, ficou em 12%. Ela foi reduzida pelo instrumental que o PT havia renegado. Isso é a História. O resto é propaganda e manipulação.

O PT e o governo Lula têm dito que receberam o país com descontrole inflacionário e a candidata Dilma Rousseff repetiu isso na entrevista do Jornal Nacional. O interesse é mexer com o imaginário popular que lembra do tormento da inflação. A grande vitória contra a inflação foi conquistada no governo Itamar Franco, no plano elaborado pelo então ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, como todos sabem. Nos primeiros anos do governo FH houve várias crises decorrentes, em parte, do sucesso no combate à inflação, como a crise bancária. Foi necessário enfrentar todas essas ondas para garantir a estabilização. Nada daquela luta foi fácil. A inflação havia derrotado outros cinco planos, e feito o país perder duas décadas.

Todos sabem disso. Se por acaso a candidata Dilma Rousseff andava distraída nesta época, o seu principal assessor Antonio Palocci sabe muito bem o que foi que houve. Ele ajudou a convencer os integrantes do partido a ter uma atitude mais madura e séria no combate à inflação. O PT votou contra o Plano Real e fez oposição a cada medida necessária para consolidar a nova ordem. As ideias que o partido tinha sobre como derrotar a alta dos preços eram rudimentares.

Em 2002, a inflação subiu principalmente nos dois últimos meses, após a eleição. A taxa, que havia ficado abaixo de 6% em 2000, subiu um pouco em 2001 e ficou quase todo o ano de 2002 em torno de 7%. Em outubro daquele ano, o acumulado em 12 meses foi para 8,5%. Em novembro, com Lula eleito, subiu para 10,9% e em dezembro fechou em 12,5%. É tão falso culpar o governo Fernando Henrique por aquela alta da inflação — de 12,5% repita-se, e não os 5.000% que ele enfrentou — quanto culpar o governo Lula pela queda do PIB do ano passado, que foi provocada pela crise internacional.

Recentemente, conversei com um integrante do governo Lula que, longe dos holofotes e da campanha, admitiu que essa aceleração final foi decorrente do fato de que a maioria dos empresários não acreditava que o governo Lula fosse pagar o preço de manter a estabilização. Esse foi o mérito do PT. Foi ter contrariado seu próprio discurso, abandonado suas próprias propostas, por ter percebido o valor da estabilização. Esse esforço foi liderado por Palocci e pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles. A inflação entraria numa rota de descontrole que poderia até ter destruído o esforço feito nos oito anos anteriores se o governo Lula tivesse persistido nas suas propostas. A História foi essa e não a que a candidata Dilma Rousseff apresentou.

No caso da dívida, também a versão apresentada em palanque é diferente dos fatos. Por medo do governo Lula houve fuga de capitais e dificuldade de renovação de empréstimos a empresas brasileiras. Na negociação com o FMI, o Brasil acertou um empréstimo em que quase todas as parcelas seriam liberadas no governo Lula. Era para garantir um começo mais fácil para a nova administração. A conquista da confiança na condução econômica pela dupla Palocci-Meirelles fez com que a maior parte do dinheiro do Fundo nem fosse sacada porque os financiamentos voltaram. No final de 2008, houve de novo uma drástica suspensão do crédito externo para empresas brasileiras, mas não se pode culpar o governo Lula por isso. Como se sabe, foi a crise bancária americana e europeia. Com alguns números se pode construir versões fantasiosas, ou se ter a coragem de dizer a verdade, mesmo em época eleitoral, para não negar o mérito do passado, e mostrar o que se avançou.

Há virtudes na política econômica do começo do governo Lula. Nos últimos tempos há muitos defeitos também. Mas o importante agora é constatar que não é verdade que o país tenha crescido abaixo da média dos outros durante o governo Lula por culpa do governo anterior. O Brasil cresceu 1% em 2003. Depois cresceu forte em 2004. Nos anos de 2005 e 2006 o PIB variou 3,16% e 3,9% e o mundo crescia bem mais. Não é possível responsabilizar o governo anterior por isso, evidentemente. Depois de crescer 6% e 5% em 2007 e 2008, o Brasil teve uma pequena queda do PIB, de 0,19%, no ano passado, por causa da crise externa e não de qualquer erro do governo Lula. Um número melhor do que o da Rússia, e abaixo dos outros Brics.

Enfim, a História é o que a História é. Essas distorções da realidade de época de campanha são tentativa de manipulação da opinião pública. Ofendem a memória e a inteligência das pessoas. Seria preferível que a candidata governista falasse da boa notícia de que em 2010 o país cresce forte, com inflação baixa, e criando emprego. E não que menosprezasse as vitórias de países menores ou que falsificasse tão grosseiramente os fatos recentes da História do Brasil.

Quer dizer, além de se enrolar em números e outros dados sobre o que o seu governo fez de bom, ela se concentra em falar mentiras sobre o trabalho dos outros. É essa figura que você quer como presidente do Brasil?

Pois é, não é à toa que ando mesmo de mau humor.