Basco! (e um tantinho de velocidade)

Roberto rezandoA essa altura do campeonato, seu eu fosse vascaíno, já estaria me preparando para a próxima quarta-feira. Arrumaria um pano rubro-negro emprestado, compraria algumas cervejas e decoraria algumas canções, tipo “conte comigo Mengão” e “raça, amor e paixão”.

Porque até a Wikipedia foi trolada (e a Globo.com embarrigou na home!!!) e já saiu: Campeonato Carioca 2014 – campeão: Flamengo – vice-campeão: Vasco da Gama.

Quem gosta um tantinho de futebol e acompanha, mesmo que de longe, as disputas na mais bela, formosa, segura e barata cidade do Brasil, sabe que o time que entra em campo com cinto de segurança não ganha uma decisão da gente há trocentos anos. O que tem de portuguesinho que nunca viu, não está no gibi.

Em que pese o campeonato horroroso que tivemos, vem aí a final. Mas antes de começar a decidir o carioquinha, teremos um jogo de vida e morte contra o Emelec em Guayaquil. Se vencermos e encaminharmos a classificação para as próximas fases da Libertadores, o time entrará – além de cansado – a meia bomba no metropolitano, pensando em coisas mais importantes. Alguém duvida?

Em compensação, se perdermos e formos eliminados, todas as atenções e forças se voltarão para o Carioca, pra tentar salvar o semestre.

Todo tabu, um dia, se encerra. E a turma da colina não terá chance melhor do que essa. Então, ó pá, ligue para aquele sobrinho gente boa, toque a campanhia do vizinho, peça ajuda ao colega de trabalho. E torça, torça muito. Porque vai precisar. Na pior das hipóteses, você pode até gostar de vestir rubro-negro, garanto que só vai te fazer bem.

Felipe

MassaO acontecido vai gerar muitas fofocas e especulações, mas por hora não vai passar disso.

Também, vamos combinar: a falta de habilidade do estafe da Williams foi maiúscula. Usar a mesma frase que marcou a derrocada do sujeito foi, no mínimo, infeliz.

Além disso, qual a necessidade de fazer algo assim logo na segunda corrida e pela tentativa de lutar pelo quinto lugar? Pois é, ficou feio pro time, no final das contas, e – talvez – para o Bottas, que pode passar como menino mimado.

Massa, que foi contratado com loas de primeiro piloto e comandante da recuperação do time, por sua grande experiência, certamente se afirmou na equipe. Em que pese uns bicos e muchochos aqui e ali, seu time de mecânicos e engenheiros o verá com excelentes olhos. E seu contrato prevê ao menos mais uma temporada. O risco é ter acordado o demônio.

Mal ou bem, Bottas já vinha na equipe, já estava na casa. Então, é normal que pretenda alguns privilégios. Além disso, mimado ou não, o moço é bom de verdade, tem muito potencial. No ano passado, depois de uma troca de farpas com Maldonado (no GP do Japão se não me falha a memória), simplesmente aniquilou o venezuelano que não conseguiu mais andar na frente do companheiro/rival de equipe. Será capaz de fazer o mesmo com o Massa?

O que me surpreendeu no episódio foi o fato da equipe assumir esse papel assim, pois seus discursos (e suas posturas) sempre foram pela esportividade pura. Vamos ver o que acontece daqui pra frente.

Longa duração

Prototipos WECGosto muito disso. Por mim, o campeonato mundial teria uma corrida de 24h (Le Mans), duas de 12 (Sebring e Nurburgring), três de 8 (Spa e mais duas) e seis de seis horas. Mas não é assim, infelizmente. Mesmo assim, é bom. E na última semana, de quinta a sábado, aconteceu o prólogo em Paul Ricard. É algo tão desinteressante que “só” oito mil pessoas passaram por lá pra ver os treinos. Isso, treinos.

As grandes estrelas são os protótipos. E a Audi é a estrela entre as estrelas, pelos resultados dos últimos anos. Mas está lá a Toyota e a Porsche, que volta à disputa depois de alguns bons anos. E aí, saiu do circuito francês com o melhor tempo. E o melhor tempo veio na sessão noturna! Hummm, vai ser bem interessante esse negócio. Dá uma olhadinha nas máquinas.

A primeira corrida será a Seis Horas de Silverstone, no domingo de Páscoa, com largada ao meio-dia (hora local). E pra quem vive de ser pacheco, Lucas Di Grassi será um dos pilotos do Audi nº 1.

De palhaços a martinis

Sabem como é, o carnaval acabou mas não acabou. Então, o ano começou mas não começou. E já que é assim, vamos falar de algumas das coisas desimportantes mais importantes do mundo. Pelo menos pra mim, claro. Escola de samba e Fórmula 1. Não, e não vou falar da campeã carioca que homenageou Senna.

2014, nos dois mundos, se desenha diferente. Ora vejam que a União da Ilha foi a quarta colocada.

Quando foi campeã pela última vez, em 1982, a Império Serrano já avisava:

Super Escolas de Samba S/A
Super-alegorias
Escondendo gente bamba
Que covardia!

Os bons entendedores sabem que esse S/A aplicado ao samba é muito mais amplo que no mundo dos negócios. Taí a Vila que não nos deixa mentir. E não é por acaso que as surpresas sempre foram raríssimas. A mesma Vila Isabel, com a Kizomba de 1988, e a Tijuca, em 2010, foram as últimas escolas tradicionais a levar o caneco. E a Viradouro, com uma época fora da curva comandada por Joãozinho Trinta, venceu em 1997.

União da Ilha / Foto: Marcio Cavalcanti - facebook.com/marcio.fotogQuando assisti o desfile da Ilha, fiquei realmente emocionado. Nas devidas proporções, foi um espécie de Kizomba. Um desfile alegre, um enredo muito bem contado, um samba muito bom, e sem os luxos e ostentações das grandes escolas. Pelo contrário, muita originalidade e bom gosto. Conseguir se classificar entre as melhores não deixa de ser, mesmo que involuntariamente, uma espécie de recado do velho carnaval. Sim, é possível.

E o que isso tem a ver com a F1?

É que com o passar dos anos, os garagistas foram sumindo e as equipes se transformando em grandes corporações. Nada diferente do resto do mundo capitalista, não é mesmo? Mas temos ali um sobrevivente daqueles: Sir Frank Williams.

Aos trancos e barrancos, conseguiu garantir a sobrevivência de seu time e teve, em 2013, um dos piores resultados de sua história. Mas veio o ano novo, o regulamento novo, o acerto com a Mercedes e…

Não é que dentre os carros mais feios do mundo, o FW36 é bem nascido pra caramba? De quebra, fecharam um contrato com a Martini e o carro terá uma das pinturas mais bonitas do grid e, comemorando os 150 anos da marca italiana, traz de volta um ícone do automobilismo.

É fato que a equipe não tem a grana de uma Ferrari, Mercedes, McLaren e Red Bull para desenvolver o carro na quantidade e velocidade necessárias ao longo de todo o ano. Mas certamente vai fazer um estrago, especialmente no início, primeira metade da temporada. Será que conseguirá terminar entre as três ou quatro primeiras? Sinceramente, torço muito pra isso. E não, não tem relação direta com a presença de Massa no time. Mas também acredito que ele terá uma grande parcela do sucesso do time, se esse sucesso realmente acontecer. A ver, a ver. E boa sorte.Williams FW36 / Divulgação

Fórmula Gonzo

GonzoDesculpem, mas por conta daquela tal crise de abstinência que falei ontem, vou voltar ao assunto hoje.

Você lembra do Gonzo? Assistiu os Muppets alguma vez? Se não, sinto muito. Procure no youtube, porque vai se divertir.

Voltando, por quê falei do Gonzo? Repare no apêndice nasal do sujeito na foto acima e agora compare com a simulação feita por computador da nova Williams. Precisa explicar?

“Mas é só uma simulação”, dirão os mais afoitos. Sim, eu sei. Mas a expectativa para o desenho dos carros, depois de tudo o que li e todos os comentários que ouvi, era a pior possível. Até o projetista da Force India, que mostrou aquela fotinho xumbrega de ontem, disse que o bico do carro poderia ser comparado ao Alien. Aquele do filme.

Enfim, se for isso mesmo que o desenho mostra, gostei.

A outra notícia do dia também tem relação com a Williams. Essa a equipe nem confirmou nem endossou nem sequer comentou. Reza a lenda que a Martini, para comemorar seus 150 anos, será a patrocinadora principal do time de Grove. Assim, se confirmar, poderemos ter uma pintura clássica e lindíssima na pista. E daí? Daí que a frase de Vinícius também vale para carros: “me desculpem as feias, mas beleza é fundamental”.Simulação Williams 2014

Que time é teu?

Durante esses mais de 20 dias em que estive sem paciência para atualizar o cafofo, dei-me o trabalho de tentar entender algumas coisas sobre as quais se fez muito barulho e em que o x da questão seria justamente aquela postura de time pequeno que tanto nos irrita (pelo menos aqueles que gostam de futebol).

“O empate é um ótimo resultado”, “a classificação é como um título para nós”, “quem disse que entrar em campo com três zagueiros e cinco volantes é sinônimo de retranca?” Time pequeno é aquele que não tem coragem para enfrentar a vida, não anda pelo mundo de cabeça erguida e peito estufado (silicones fora, por favor), não assume sua verdade nem para si.

E pra fazer o contraponto, juro que tentei mas não consegui fugir do óbvio. Vejam o que o Arthur Muhlenberg escreveu na semana passada:

Ser Flamengo envolve uma irresistível atração pelo risco, um eterno desafio ao infortúnio e um completo desprezo à segurança e à estabilidade cultuados pelos medíocres. Ser Flamengo é tudo ou nada.

Biografias

InternacionalO que falar do papelão de Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil? Gigantes que disputariam os grandes títulos só fizeram arranhar as próprias biografias, além de revelarem um absurdo sentimento de time pequeno. E aí é pior ainda. Gente grande que pensa pequeno é muito pior do que o pequeno que nunca teve a chance de ser grande e não tem a noção de como se comportar.

E cito os três, óbvio, por serem os nomes mais ilustres e – não por acaso – justamente quem deu a cara a bater em nome do tal grupo Procure Saber. E não falo de Roberto porque esse passou a vida inteira tentando esconder a vida e pelo menos foi coerente. Mas os três?

Não foram eles que construíram suas carreiras e viraram referência justamente porque passaram o período da ditadura brigado pela liberdade? E o argumento mais clichê dessa discussão: não foi Caetano que escreveu, gritou, cantou “é proibido proibir”?

Lembro do Inter de Porto Alegre. Tricampeão brasileiro nos anos 70, berço de Falcão. Mas que desde 79 não fez mais nada. Todo ano é um dos favoritos, mas nunca chega a lugar nenhum, no máximo o brilho regional. Uma espécie de ex-grande., quase médio. E é impossível não lembrar que os três grandes artistas não produziram nada muito fabuloso depois da redemocratização do país.

Aí, alguém vai lembrar que o Inter ganhou a Libertadores e o Mundial. Então né, o Gil ganhou o Grammy por Quanta. Santa semelhança, Batman…

Eike

Internacional de LimeiraA essa altura do campeonato, precisa falar mais alguma coisa? Alguém duvida de que  foi um brilhareco digno de um Madureira em final de carioca ou, pior, Inter de Limeira campeão paulista? A única diferença é que nenhum dos dois ficou devendo os tubos e mais um pouco para o BNDES.

Eduardo Campos

Paraná ClubeO cara está lá, todo pimpão. Não sabe se é, não sabe se não é, cheio de “ai meu Lula”. Aí, num movimento mais do que inesperado, surge o acordo com Marina e sua estranha Rede. Pois bem, oficialmente foi a moça que se juntou a Eduardo Campos, mas é ela quem tem mais eleitores. E aí, numa espécie de “quem manda aqui sou eu” da primeira hora, criou um baita dum problema com os ruralistas.

A gasolina de nosso triste PIB é a produção rural, mas Marina acredita que eles são o problema do Brasil. Vá entender… Agora, a turma que produz comida e dinheiro, e que tendia a apoiar Campos, vai se reunir até com o Lula e, quem sabe, bater palmas para Dilma.

A confusão nessa chapa me lembrou o Paraná Clube, fruto da fusão de Colorado (mais torcida) e Pinheiros (mais gestão). Quando nasceu, pensou e até pareceu que seria grande. Mas hoje todo mundo sabe que é só um time pequeno que virou iô-iô entre as divisões do campeonato brasileiro.

Diego Costa

Vasco da GamaA reação e discurso de Felipão foi vergonhosa, enquanto Parreira, Marim e os advogados da CBF foram apenas risíveis mesmo. Qualquer um que entenda um tantinho de futebol sabe que o técnico da seleção canarinho queria mesmo era atrapalhar a Espanha.

Não cabe nem discutir se o cara é essa coca-cola toda mesmo. Mas ele foi convocado para dois amistosos mequetrefes no início do ano e não agradou. Tanto que sequer foi lembrado pela comissão técnica ou jornalistas na época da Copa das Confederações. Aí o sujeito resolve jogar por outro time e o caso vira a pantomima que vimos.

Concordo que a (falta de) regra da FIFA é bisonha, mas o sujeito tem o direito de escolher. E isso não é nada demais. Mas será que a turma acredita que, com Diego Costa, o time que foi bicampeão europeu e campeão mundial sem ele será, agora, imbatível? Medinho de perder? Quem vergonha.

E se você duvida de que isso é atitude de time pequeno, basta lembrar do que o Vasco fazia com os clubes contra quem iria jogar e tinha atletas da colina no elenco (o Olaria que o diga). Sim, eu sei que o clube de São Januário é um gigante do Rio. Mas é inegável que Eurico Miranda fez muita força pra mudar isso. E Roberto vai pelo mesmo caminho…

Rei do camarote

São PauloÉ possível imaginar um sujeito como esse fora de São Paulo? Sim, coloque essa pergunta na conta de todos os preconceitos possíveis. Mas onde mais uma garrafa de champagne, uma Ferrari e duas ou três subcelebridades agregam tanto valor à imagem de alguém? E o statis? E a mulher que o cara comeu no banheiro? E, no futebol, quem mais faz questão de se dizer rico, competente, bem gerido, limpinho, cheiroso e macho?

Ok, eu sei que o São Paulo não é time pequeno. Mas esse jeito de ser é de uma pequenez enorme (com trocadilho, claro).

Massa (e Nars) na Williams

BotafogoSua história está cheia de grandes vitórias, títulos e heróis. Até semi-deuses já fizeram parte do time. Mas já faz 16 anos que não ganham nada, nem campeonato de construtores nem de pilotos. Daí pra chegar a 21, não custa nada. E agora vocês já sabem de quem estou falando.

Massa saiu da Ferrari e gritou aos quatro ventos que só ficaria na F1 se fosse em uma equipe capaz de lhe dar um carro competitivo. E aí fecha com a Williams? Ok, o time tem história, como sabemos. E, apesar da grana cursta, também está com as contas em dia. E o regulamento quase vira de cabeça pra baixo a partir do ano que vem, do motor à asa dianteira, tudo muda. Mas daí é ser muito otimista achar que isso basta para inverter a relação de forças da categoria.

Porque é básico: quem tem dinheiro paga os melhores (e mais caros) profissionais. Eles podem errar? Claro que sim. Mas daí uma equipe sem grana para desenvolvimento se transformar na rainha das pistas? Não, meus amigos, aí já é esperar milagre mesmo.

E Nars, o que tem com isso? Pela foto de Massa no site da equipe, Banco do Brasil ao fundo, é o garoto (seus patrocinadores, na verdade) que paga a conta. Ele será o reserva da equipe, o que é quase nada hoje em dia. Mas quando surgiu a notícia do acerto com Massa, falaram em cinco anos. Anunciaram três. Será que, como divagou Flavio Gomes, que não seria um contrato de 3 + 2 anos, uma venda casada dos dois felipes?

Voltando ao futebol, já faz 18 anos que o Botafogo ganhou seu único brasileirão. E nos últimos anos (e é claro que não levo os estaduais em conta), uma vocação para cavalo paraguaio floresceu. Será que isso pode acontecer com o time de Grove. Por conta das mudanças, um coelho da  cartola e a Williams pula na frente. Mas sem a grana pra continuar desenvolvendo, fica pra traz na reta final da temporada. Quem sabe? Afinal há coisas que só acontecem…

Enfim

FlamengoComo todo mundo está cansado de saber e mais uma vez foi comprovado, time grande não cai.

É preciso querer vencer

Quem está acostumado a passar por aqui deve ter notado que não falei de futebol, principalmente de Flamengo nessa semana. E não porque perdeu para o Grêmio no último domingo, mas pela forma como perdeu.

Para o resultado do campeonato, a derrota não foi nada demais. Eu mesmo já tinha dito que, nos sete jogos que faltavam, ainda perderíamos três ou quatro pontos. Mas o jeito…

Primeiro, a notícia da cagalhopança protagonizada por Williams. Queiram ou não, coisas assim atrapalham o ambiente. Mas – apesar do problema ou graças a ele – o profexô conseguiu montar um time, com a entrada de Thomas, que funcionou muito bem, com boa posse de bola e agredindo o adversário. Apesar do segundo gol ter saído num lance de sorte, àquela altura já poderíamos estar vencendo por dois ou três gols de vantagem, não fosse a completa inaptidão de Deivid.

É claro que tudo tem um preço. Sem nosso cão de guarda e com um zagueiro brilhante que tenta marcar os adversários com a bunda, corremos alguns riscos e vimos até troca de passes em nossa grande área. Mas fomos para o intervalo com2 a1 no bolso. Na volta dos vestiários, a impressão era que houve farta distribuição de soníferos ao nosso escrete.

Sem vontade, sem tesão, sem atenção… E com nosso profexô inspiradíssimo. Thomas errou dois ou três passes e foi sacado para a entrada de Muralha. Com o esquema que deu certo no primeiro tempo desmontado e a notável preguiça de todos, o jogo foi pro saco.

O time do Flamengo, sabidamente, é bom o suficiente para ser campeão, todos estão cansados de saber. Mas não basta ser bom, é preciso querer vencer. Ainda faltam seis jogos e o hepta ainda é possível. Mas se continuarem jogando como fizeramem Porto Alegre– não importa quem seja escalado –, o Flamengo que demorou trezentos meses para perder a primeira partida no ano não pega nem Libertadores.

Ronaldinho

Eu disse muitas vezes que Ronaldinho Gaúcho não era sujeito em que se pudesse confiar em horas de decisão. A essa altura do campeonato, já esperava que tivéssemos um time azeitado o suficiente para não dependermos tanto dele. Já sabemos que isso é um delírio.

Além disso, sua volta ao Olímpico com toda a pressão etc. e tal já se esperava complicada. Mesmo assim, começou ‘bem’. Um cobrança de falta quase perfeita, um ou outro passe de calcanhar e… Mais nada. Donde surge minha face de psicólogo de botequim.

Se tivesse marcado o gol de falta antes dos cinco minutos, aposto que ele teria deslanchado e destruído o time do Grêmio. Pois escrevam aí: suas atuações (e, conseqüentemente, os resultados das partidas do Flamengo até o fim do ano) dependerão fortemente dos inícios de jogo de Ronaldinho. Pois são todas partidas decisivas e o sujeito nunca se notabilizou por brilhar em momentos de decisão.

Poderemos começar a tirar a prova já neste domingo, jogando em casa contra o rebaixável Cruzeiro.

Conspiração

Então aconteceu o esperado. Nós que levantamos muitos e muitos defuntos ao longo de dez rodadas fomos para o jogo para enfrentar um time tido como favorito. Aí, meu amigo, o manto grita, urra. E se é verdade que quase jogamos bem, também é verdade que os deuses se apresentaram e ajudaram a colocar as coisas nos seus devidos lugares.

E um time que coloca um Carlinhos Paraíba em campo e mantém um Rivaldo (independente da idade) no banco merece mesmo ser punido.

Além disso, não poderíamos esperar nada diferente de uma vitória contra uma equipe que conseguiu perder em casa para todos os nossos fregueses habituais. Afinal, hierarquia está aí para ser respeitada.

Para completar o bom domingo, os líderes provisórios empataram em casa com o ex-líder provisório – aquele time de são Paulo que vai construir um estádio cheio de incentivos fiscais que insistem em dizer não ser dinheiro público.

Faltam seis pontos e já me acostumei a sonhar com a idéia de chegar à última rodada, aquela que realmente importa, com o Vasco líder e nós a dois pontos dos caras. Mas, antes disso…

Pra começar, no próximo domingo, tem FlaFlu. Graças ao aluguel do estádio municipal para o show de Justin Bieber, é provável que seja em Volta Redonda (apesar do estatuto do torcedor dizer que a rodada esteja programada com pelo menos sete dias de antecedência, ainda não foi definido o local da partida). E graças ao técnico reserva do Corínthians, um tal de Mano Menezes, os dois times jogarão sem suas principais estrelas, Ronaldinho e Fred.

Como eles têm reserva para o moço e nós não, e como também não teremos nossa dupla de pitbulls (Aírton e Williams estão suspensos), é claro que eles são favoritos. E eu acho isso ótimo. Porque, do confronto de domingo, o derrotado estará fora do páreo e o empate ferra os dois. Ou seja, tudo conspira a nosso favor. Pelo jeito, só faltam 11 jogos para o hepta. Quem diria isso há duas semanas?

Negócio arriscado

A primeira partida entre Flamengo e Grêmio que lembro com clareza teve gol de Tonho. É, foi a primeira partida da final de 1982, 1 a1 no Maracanã. Nosso gol foi de Zico. Depois, 0 a 0 e a necessidade do terceiro jogo. E Zico passou a Nunes que fez o um a zero que nos deu o bicampeonato.

E desde então, nada mais comum do que encontrar os caras e passar sufoco. Até final de campeonato dentro do Maracanã os caras ganharam da gente.

Some o histórico ao oba-oba pela partida maravilhosa de quarta e pronto. Estava realmente com medo do confronto de sábado, apesar de saber que o time dos caras é muito fraco. Segundo seu próprio diretor executivo de futebol, o Grêmio não tem defesa, não tem meio-campo, não tem ataque. Essa consciência deles só nos obrigava ainda mais à vitória.

E se é verdade que o jogo começou estranho, também foi logo cedo que Ronaldinho mostrou que estava a fim. Uma virada de jogo sensacional foi a senha. E, logo depois do primeiro gol, acabou a partida. Mesmo ficando muito plantado em vários momentos da partida, o time nunca perdeu o controle das ações. E aquela senha dos primeiros minutos foi confirmada com o segundo gol, quando o dentuço partiu pra cima do goleiro para lhe roubar a bola e fechar o placar.

Só faltam 25 jogos para o hepta e o de amanhã, contra o Cruzeiro de Joel Santana e Montillo é de risco. De quebra, a ausência de Wellington que poderia ser um reforço arrisca ser mesmo um desfalque, pois David entrará em seu lugar (o tal Gustavo, contratado no início do campeonato deve ser muito muito ruim, porque nem testado o sujeito foi até hoje). E Williams, o Messi que marca, também não estaráem campo. Aírton e seus cotovelos serão os responsáveis pela contenção e auxílio à defesa. Luxemburgo certamente sabe o risco que isso representa e já avisou aos nossos laterais que amanhã não poderão sair como sempre.

E apesar de ser acossado por alguns amigos da arco-íris pela contagem zagalística que faço desde a primeira partida do brasileirão, o que me dá segurança no título – além do time bom de belas apresentações – é a consciência dos caras, sabendo o que querem, o que precisam fazer e conhecendo suas limitações, certos de que toda boa fase tem fim mas que isso não é o fim do mundo. Vejam abaixo a declaração de nosso sincero forçador de cartões, Thiago Neves.

Tem muito tempo ainda, muitas rodadas. Muitos times podem ser campeões. O Flamengo em 2009 mesmo estava mal, se recuperou e foi campeão. Alguns times que não estão bem no primeiro turno podem se levantar no segundo e chegar. Podemos ser campeões, temos condições, mas uma hora vamos perder. Uma hora vamos sofrer uma goleada, foram dois bons jogos contra Santos e Grêmio, mas não tem nada ganho. Ganhamos duas, mas depois podemos perder duas ou três também.