Eu te disse, não disse?

SE tudo der certo, seremos campeões mundiais. SE tudo der certo, Kaká não terá nenhum problema físico ou técnico e será o grande maestro do Brasil. SE tudo der certo, Robinho vai enlouquecer as defesas adversárias, da Coréia à Inglaterra, passando pela Espanha. SE tudo der certo, Júlio César vai ficar bem até a final e não teremos problemas sob as traves.

O grande problema dessa lista que poderia continuar quase indefinidamente é que há muitos ‘se’ para que tudo dê certo. E SE alguma coisa não der certo?

SE Julio Cesar se machucar ou não estiver bem? Doni é uma vergonha e Gomes… O que falar dele?

SE precisarmos da lateral esquerda para desafogar e resolver um jogo, dependeremos de Gilberto!!!!

SE Kaká tiver algum problema, não há ninguém capaz de substituí-lo à altura. Já pensaram no que vai acontecer SE precisarmos, em um jogo decisivo, de um meio campo formado por Gilberto Silva, Kleberson, Felipe Melo e Elano (ou Josué ou Ramires ou Júlio Batista).

No ataque, SE Robinho – apesar do bom início de ano ao lado dos meninos da Vila – jogar o que jogou normalmente nos últimos anos, teremos um atacante a menos. E SE, além de Robinho jogar seu normal, algum outro estiver machucado? Não poderíamos, ao menos, começar a Copa com quatro atacantes?

Esse pedaço de texto aí em cima é um trecho do post Se sapo tivesse embreagem…, publicado no dia 11 de maio, data da convocação da seleção para a Copa que acabamos de deixar. Eu sei que é terrível esse negócio de jogar na cara dos outros o que você falou e acabou acontecendo, mas a grande maioria das críticas feitas ao Dunga e seu time – principalmente nos últimos tempos – eram mais ou menos as mesmas e até óbvias.

A sensação após a partida de hoje é que o excelente primeiro tempo da seleção brasileira foi como aquela pequena melhoras que os moribundos e terminais apresentam pouco antes de morrer, uma espécie de último suspiro.

O curioso desta copa, diferente de outras, é que em volta de você tem um monte de gente chateada, decepcionada, tem até uns caras que estão muito putos da vida. Mas repare se alguém está surpreso? Pois é. Agora é esperar para ver quem será o substituto do anão e começar a se preparar para 2014, que jogaremos em casa.

Na copa, minha torcida fica para a Argentina e o Pibe, mas não ficaria incomodado de ver uma final entre Espanha e Holanda.

Anúncios

Para tomar fôlego

A Copa do Mundo chegou ao momento em que há dias sem jogos. Apesar de necessária, essa parada é uma bosta pra quem espera quatro anos pelo evento. Tudo bem, é sempre assim e ninguém nunca morreu por causa disso.

Até agora foram 19 dias seguidos de jogos, às vezes dois, três e até quatro partidas num dia. É por isso que dá esse vazio. Daqui pra frente, a rotina de dois dias com bola, dois dias sem, até a final em 11 de julho. E depois, quatro anos até a partida de abertura da torneio que será no Brasil.

Enquanto isso, algumas risadas não caem mal. E já está no ar o terceiro episódio da saga ‘Dunga – Um Dia de Fúria’.

Dias de fúria

Quando vi o primeiro, achei mais legal do que engraçado, graças à polêmica Dunga X Escobar X Imprensa. Mas no segundo capricharam. A participação do Robinho é sensacional. Vamos ver até onde vai série.

A vingança da Vênus

É meus amigos, tenho contatos do além, acreditem. Acabei de receber a história abaixo. Não sei se é verdade, mas a fonte é boa, tem visão privilegiada (em que pese seu caráter duvidoso). Apesar de ter se estabelecido na América do Norte e no Caribe, quem me garante que Edward Teach (ou Barba Negra, se você preferir) não esteja ancorado nas proximidades do Cabo da Boa Esperança para assistir à Copa?

Apesar de não estar entre nós desde 1.718, parece que está atualizado, pois sua a boa história que me enviou chegou por e-mail. Uma história que combina com algo que já tinha dito aqui, uma espécie de pulga atrás da orelha sobre uma possível retaliação pela perda de alguns privilégios.

Se o Dunga realmente fez o que está relatado abaixo, fez bem.

Mesmo assim, continuo achando que isso não lhe dá o direito de ser grosseiro com ninguém, qualquer um. Nem lhe exime das responsabilidades, protocolos e eventuais liturgias do cargo que ocupa.

Segunda feira, véspera do jogo de estréia da seleção brasileira contra a Coréia do Norte, por volta de 11 horas da manhã, hora local na África do Sul.

Eis que de repente, aportam na entrada da concentração do Brasil, dona Fátima Bernardes, toda-poderosa Primeira Dama do jornalismo televisivo, acompanhada do repórter Tino Marcos e mais uma equipe completa de filmagem, iluminação etc.

Indagada pelo chefe de segurança do que se tratava, a esposa do poderoso William Bonner sentenciou: “Estamos aqui para fazer uma reportagem exclusiva para a TV Globo, com o treinador e alguns jogadores…”.

Comunicado do fato, o técnico Dunga, PESSOALMENTE dirigiu-se ao portão e após ouvir da Sra. Fátima o mesmo blá-blá-blá, foi incisivo, curto e grosso, como convém a uma pessoa da sua formação:

“Me desculpe, minha senhora, mas aqui não tem essa de ‘reportagem exclusiva’ para a rede Globo. Ou a gente fala pra todas as emissoras de TV ou não fala pra nenhuma…”.

“Mas… – prosseguiu dona Fátima – esse acordo foi feito ontem entre o Renato (Maurício Prado, chefe de redação de esportes de O Globo) e o Presidente Ricardo Teixeira. Tenho autorização para realizar a matéria”.

Dunga: “Não tem autorização nem meia autorização, aqui nesse espaço eu é que resolvo o que é melhor para a minha equipe. E com licença que eu tenho mais o que fazer. E pode mandar dizer pro Ricardo (Teixeira) que se ele quer insistir com isso, eu entrego o cargo agora mesmo!”.

O anão sem graça

Não queria mesmo perder tempo escrevendo sobre o Dunga e sua destemperança habitual. Mas um comentário do Giorgio três posts atrás (comparando suas atitudes  com a espécie de ‘democracia’ que o partido de nosso líder gostaria de instalar no Brasil) me provocou o suficiente para postar algo.

Mas a preguiça de escrever sobre o tema me fez procurar por outros textos e encontrei o que está abaixo e, curiosidade ou coincidência, publicado dois dias ANTES do episódio Dunga X Escobar.

O que me espanta no técnico da seleção é que, para ele, discordar é sinônimo de odiar. Digo isso porque ele parece não perceber que, se a grande maioria dos comentaristas e amigos que ouço discordam de sua maneira de montar o time, ninguém consegue negar o fato de que tem sido eficiente e de que o trabalho de campo do moço é bem feito. Mas como é que podemos cobrar de alguém que – em que pese ser filho de professora – fala o tempo todo ‘com nóis’ e congêneres, que perceba que as questões são filosóficas e não sentimentais? Pois é…

Só gostaria de deixar uma impressão, uma espécie de pulga atrás da orelha, sobre o episódio: até a última Copa, a seleção brasileira, praticamente, fazia parte do elenco da Globo. Dunga acabou com isso, cortando privilégios e passando a tratar (mal) todos da mesma maneira. E aí, fico me perguntando se além da ‘estupideza’ do técnico, não há também um certo aproveitar a oportunidade de dar porrada (até editorial no Fantástico) para se vingar de tudo ao mesmo tempo… Mas isso é só uma idéia solta.

O texto é longo, mas muito bom. Aproveitem a leitura.

O homem que ama odiar

Entre os muitos tipos humanos sobre a Terra, há os que amam odiar. Viciam-se na ira e nos seus filhotes – o rancor, a mesquinharia, o isolamento, a grosseria, a amargura, o deboche. Os brasileiros estamos expostos a doses cavalares de hostilidade, professada com paixão inapelável por um personagem fundamental nesses dias de Copa: ele mesmo, Dunga. O técnico da seleção mergulhou no fel, e com ele conduz seus dias – e os nossos – na África do Sul. Privatizou a grife esportiva mais famosa da Terra como se a ele pertencesse exclusivamente e, embriagado de raiva, distribui estupidez por quem lhe cruza o caminho. E, o horror, contaminou nosso jogo.

A mazela vem de longe. Volante de estilo opaco e resultado eficiente, Dunga esculpiu, à custa de muita perseverança, trajetória vencedora no futebol. Suas pernas grossas, de pés excessivamente voltados para dentro, semicurupira dos pampas, o conduziram pelos campos do planeta em jornadas gloriosas, do Mundial de Juniores de 1983 à Copa do Mundo de 1994 e por vários clubes do Brasil e do exterior. Em todos os lugares, na vitória, no empate e na derrota, teve como companheiro o ódio difuso, dirigido a inimigos que só ele enxerga, e a quem vive para destruir.

O emblema dessa história está tatuado no ápice de sua trajetória. Capitão do tetra, subiu a tribuna do Rose Bowl, na Califórnia, para receber a Copa do Mundo – e emoldurou a cena com uma torrente de palavrões. Como bem observou o jornalista Marcelo Barreto, Bellini e Mauro ergueram a taça sobre a cabeça, Carlos Alberto a beijou, Cafu recebeu-a no alto do púlpito – Dunga a xingou. A vingança parecia, afinal, consumada, mas a luta recomeçou no instante seguinte, e não terminará jamais, por travada contra adversários que inexistem. Só ele não percebe.

Agora, empossado na seleção como antídoto heterodoxo para o veneno do descompromisso que, diagnosticaram os cartolas, matou o Brasil em 2006, o técnico neófito, de experiência zero, radicalizou a truculência. À razão de (muitas) patadas, ignora a torcida, despreza a alegria do DNA nacional e fecha-se na lógica mafiosa abrigada no tal grupo. Por ele, sacrifica o prazer do jogo, esmaga a beleza, massacra a paixão e tortura a plateia.

Tudo resultado de uma obsessão que remonta à adolescência do treinador, dedicada a antecessores dele na seleção, jogadores apaixonantes, mas, de canarinho, derrotados. Quis o destino que Zico, Falcão, Sócrates, Júnior, Leandro, Cerezo e outros não conquistassem título algum pelo Brasil – mas tivessem mesmo assim morada eterna no coração da torcida. Os brasileiros somos inapelavelmente apaixonados pela beleza que marca suas biografias em campo. Os lances de 1982 serão relembrados à eternidade, como os mais belos de uma equipe desde a maior de todas, a de 1970. Muito além do ganhar e perder, o time da Copa da Espanha é uma espécie de filho pródigo, que não dá certo na vida, mas vira o favorito.

Dunga não se conforma. Nos corredores dos bunkers pelo qual se esgueira no comando da seleção trancada, costuma repetir um bordão, como um humorista desinspirado: “Não ganharam nada, nem nas divisões de base!”, berra, histriônico. O sujeito indeterminado é conhecido de todos: a geração de 1982. Está correto – a turma boa de bola perdeu dois Mundiais, pouco participou de Copas América, não existia a Copa das Confederações. Os prontuários dos alvos da obsessão viraram um prato cheio para a vingança do professor.

Só que a cruzada masturbatória cai no vazio da falta de adversários. Os perdedores da Espanha engoliram o choro, sublimaram a tristeza e seguiram seus caminhos. Esculpiram carreiras festejadas em clubes, são cultuados por torcidas variadas, acumularam títulos e fama, fortuna e prestígio. Engrossam sem desconforto as homenagens aos mais bem-sucedidos em Copas, porque a vida, afinal, é muito mais do que ganhar ou perder uma taça. Assim, para Dunga, sobra o nada como alicerce do rancor.

No verão europeu de 2006, a patologia emergiu num convescote em Munique. O hoje técnico, então comentarista de TV (entre jornalistas, que tantas urticárias lhe causam), era um dos convidados da festa de abertura da Copa da Alemanha, que tinha como ponto alto um desfile dos campeões do mundo. No saguão do Dorint Sofitel, cinco estrelas da Bayerstrasse, ao lado da estação ferroviária da capital da Baviera, reuniram-se lendas da bola como Bellini, Ghiggia, Paulo Cesar Caju, Breitner, Bebeto, Bobby Moore, Passarella. Num dado momento, Dunga interrompeu a conversa com o capitão de 1958, num carrinho verbal merecedor de cartão amarelo:

– Nem adianta procurar aqueles jogadores que vocês da imprensa adoram. Aqui só tem campeão! – vociferou, com o mesmo olho vidrado e sorriso trancado que exibe nas coletivas n’África.

(O hoje técnico reconheceu o blogueiro, então comentarista do Sportv e assumido defensor dos craques brasileiros. Daí a provocação, que desembocou na foto ao lado, com Bellini e o repórter Antonio Maria Filho.)*

Alguns interlocutores ficaram sem entender, e o capitão do tetra seguiu em frente. Desfilou com os campeões na Allianz Arena, sem saber que, meses depois, assumiria a seleção brasileira. No cargo, as neuroses acentuam-se a cada dia. Ressurgem em flertes com regimes racistas e totalitários – “Não posso falar da ditadura pois não vivi aquela época, assim como não posso ficar falando da escravidão” -, que materializam, de lambuja, a triste ironia da barbaridade saída da boca do filho de uma professora. Teimam no elogio constrangedor (para quem ouve) a tiranos bandidos, como Robert Mugabe – “No Zimbábue, vi crianças uniformizadas, educadas”.

Vivem na imposição de uma rotina que, de tão autoritária, conseguiu a proeza de incomodar a Fifa, entidade que está longe de ser um esteio da democracia. E Dunga levou pitos públicos, que o forçaram a afrouxar um pouquinho os grilhões dos craques brasileiros, o chamariz mais poderoso do negócio Copa. “Sim, a seleção é minha, porque não é a da maioria dos presentes”, arriscou-se, já na África, no estilo que, agora, com a bola e os problemas rolando, virou uma muleta para ele. Nas entrevistas que é obrigado a conceder, ataca os jornalistas como estratégia para não tratar do que é pago para fazer. Bobo é quem cai na arapuca. Mas aqui, o treinador acumula uma ou outra vitória.

Os sintomas aparecem também nas escolhas que formaram sua lista. Agarrado a um punhado de jogadores inegavelmente vencedor, trancou-se a novidades que poderiam lhe facilitar a vida e proporcionar alguma felicidade ao distinto público. Levou um grupo sem opções de mudança, que joga todo igual, com variações mínimas.

A oferta de mudança radical tem nome e apelido: Paulo Henrique Ganso. É verdade que, num calendário espremido, não houve tempo para testar o jovem talento do Santos. Mas está longe de ser problema insolúvel para uma cabeça mais criativa. Dunga poderia ter se permitido conversar com o craque e seu técnico – Dorival Jr, profissional sério até prova em contrário – para saber da possibilidade de levá-lo. Poderia encontrar-se com o jogador uma, duas, dez vezes, e apostar. (A recente operação de joelho do inquilino da camisa de Pelé não serve como desculpa; o procedimento se deu apenas para aproveitar o intervalo na temporada.)

A lista da Copa é uma cabeçada de 23 jogadores. Se Ganso sucumbisse à pressão, ficaria lá, sujando roupa como figurante sem fala nos treinos, um kleberson qualquer. Se desabrochasse, seria candidato a solução. Mas não. Na filosofia de Dunga, improviso e mudanças de última hora estão permanentemente banidos.

O desempenho meia-bomba de Kaká na estreia ganhou, assim, status de trapaça da sorte, diante das escolhas do treinador. A seleção vai na força de quem sempre ganhou no jeito (até em 1994, com Romário e Bebeto), no retrospecto que faz os adversários hesitarem, no time da defesa sólida e ataque pedestre, vítima, entre outros, do autonaufrágio de Adriano – ausência que, aliás, é um acerto do professor. Pode perfeitamente ganhar, como o fez na Copa América de 2007 e na Copa das Confederações do ano passado. Aí, o técnico vai se dar bem na alta aposta que fez. Mais do que ninguém, não pode fracassar, sob pena de o mundo cair-lhe na cabeça.

Mas se o hexa vier, não resolverá. De novo, o eterno vingador vai blasfemar o mundo e as estrelas, os punhos cerrados como nos tempos em que corria atrás da bola. Batman sem Coringa, não descansará, para recomeçar sua luta sem fim nem sentido, de apaixonado pelo ódio.

Dunga pode ganhar, mas, por pecados que são todos seus, jamais conseguirá vencer.

Aydano André Motta
O chope do Aydano

*não encontrei a foto que o Aydano se refere no texto

Oportunidade boba

O Brasil jogou muito melhor contra a Costa do Marfim, o que não significa que tenham jogado bem. Mas venceu com autoridade, isso é indiscutível. Então vou aproveitar que a vaga está garantida para voltar a falar de bobos e de oportunidades perdidas.

Portugal acaba de fazer 7 a 0 na Coréia do Norte. Assim como a Alemanha fez quatro na Austrália. O que só comprova minha tese de que a frase ‘não existe mais bobo no futebol’ é uma besteira. Mesmo em uma Copa do Mundo.

Nos dois jogos que citei, os times grandes mostraram o que se deve fazer quando se encontra um time pequeno. E é por essas coisas que vários grandes times entraram para a história mesmo sem conquistar grandes títulos, porque se portavam como deviam. É o caso daquele time de 82 que nosso técnico atual não pode nem ouvir falar, mas que ao encontrar Nova Zelândia e Escócia, fez quatro em cada um.

Eu estou bastante curioso para ver o que vai acontecer no jogo entre Paraguai e Nova Zelândia. Nossos vizinhos estão bem mas nem são essa coca-cola toda. Mas estão jogando bem e com vontade, enquanto os neozelandeses… É um time semi-amador!!!

Alguém lembrará que os germânicos perderam sua segunda partida (para mim, uma baita falta de sorte) e que a Itália empatou com a Nova Zelândia. Ok, zebras acontecem é são boa parte da graça do futebol. Outros lembrarão que aquele Brasil foi eliminado. Sim, mas depois de ganhar um clássico (3 a 1 na Argentina) e perder outro, para a Itália.

O Brasil pode ser campeão? Claro que pode (e eu continuo torcendo muito). O nível técnico desta Copa está muito baixo e, verdade seja dita, Dunga montou um time forte. Que não é sinônimo de time bom.

O problema de não ter feito o que deveria contra a Coréia do Norte (semi-amador também) é que os adversários olham e ficam, no mínimo, animados. Quando se atropela um time desses, os outros pensam o seguinte: ‘não fez mais que a obrigação, afinal é a Coréia do Norte. Mas com aquela movimentação e aqueles chutes de fora, não podemos dar bobeira’.

É verdade que com a vitória de ontem, da maneira que foi, recuperamos um eventual respeito perdido pelos adversários, mas Dunga e seus anões precisam aprender a não perder oportunidades como a da estréia. Um dia pode custar caro.

Jogos 15 e 16: a estréia da fúria e pitacos sobre um Brasil previsível

Preferi não ligar o computador durante ou depois do jogo, ontem. Uma besteira. Porque qualquer sujeito que acompanha futebol e fosse minimamente racional seria capaz de prever algo parecido com o que aconteceu ontem. Simplesmente, porque desde que o Dunga assumiu, a seleção brasileira virou um time especialista em jogar nos contra-ataques. Em compensação, teve (e continuará tendo) problemas contra todos os times que armaram suas retrancas. Como não há criatividade, não se consegue furar as defesas bem armadas com oito, nove e até dez jogadores. Elementar meu caro Watson.

E entre a enxurrada de piadas e manchetes sobre a partida, minha preferida está na capa do Globo, sobre os muitos treinos secretos da seleção: “Tanto segredo pra isso?”. Entre as imagens da partida, um jeito meio Jânio e um tanto perdido na foto que está no site do Extra e republico aí ao lado.

Eu que, apesar de ranzinza, sou um torcedor otimista (quase louco como o palpite de 6 a 1 faz desconfiar), pensava que apesar disso tudo, o time seria capaz atropelar um amontoado de semi-amadores. Não deu. E o resultado disso é que o Brasil corre riscos absurdos de nem se classificar para a segunda fase. Se Costa do Marfim e Portugal conseguirem se preparar para jogar na retranca, pelo empate e contando com o saldo de gols sobre a Coréia do Norte, será um belo de um sufoco. De quebra, ainda poderemos ser pegos em contra-ataques e não conseguir nem empates honrosos. Enfim, sou torcedor e acredito que vamos em frente, mas não custa nada estar preparados para a festa acabar (bem) mais cedo.

Hoje termina a primeira rodada com a estréia da Espanha, cantada e decantada como uma das grandes favoritas. Sem dúvida, tem um timaço. Resta saber se vai passar por cima das eternas desconfianças pela falta de poder de decisão e da sina de ‘jogar como nunca e perder como sempre’. No grupo com Honduras, Chile e Suiça, deve passar fácil e em primeiro, mas pode ter alguma dificuldade com o ferrolho tradicional da turma que é especialista em relógios.

A segunda rodada começa com o time da casa enfrentando o Uruguai, mas meu palpite para esse jogo pela hora do almoço.