Nostalgia e esperança

Fui ao Maracanã muitas vezes com meu pai. Para jogos do Flamengo e do Fluminense e dos outros também, que Maraca no domingo era bom programa. Jogos cheios e vazios. Mas nunca fomos à final. Depois da separação, com a rotina adaptada a um dia no fim de semana e outras aporrinhações, nunca mais.

Fomos a jogos importantes, como as semi-finais do brasileiro de 1984. Mas não mais que isso. E nem sei dizer como seria, cada um torcendo para um time.

Hoje está tudo muito diferente. Meu pai não tem mais paciência pra estádio e eu parei de freqüentar desde que o Maracanã fechou para as obras da Copa (Engenhão ninguém merece). E hoje tenho duas filhas.

Juntando as duas famílias, só eu sou rubro-negro. E para não correr o risco de perder as petizes definitivamente por uma pressão desigual feita pelo outro lado, o combinado desde que Helena nasceu é que ninguém faria força, falaria muito no assunto ou daria presentes temáticos. E assumimos que ela é América. Mais neutro, no Rio, impossível. Com Isabel, o procedimento será o mesmo.

E pra não arrumar confusão, me seguro. Mesmo. Firme em mim a esperança de que – naturalmente, por e para serem felizes – serão rubro-negras. Mas, ontem, não resisti. A camisa nova chegou, linda, e fiquei todo pimpão desfilando pela casa. E quando perguntei se estava bonito, Helena disse que sim. Como disse, esperança…

Coincidência, hoje faz doze anos que Petkovic fez o gol mais importante da sua carreira, de falta, aos 43 minutos do segundo tempo. O gol de mais um tri. E aí dei de cara com essa texto no blog do Rica Perrone. Um bom tanto de saudade da minha infância, um bom bocado de que um dia estarei na arquibancada ao lado das minhas moças.

Um domingo qualquer

Petkovic comemora o gol que deu o tricampeonato ao Flamengo em 2001 / Foto: Ana Carolina Fernandes/FolhapressEra um dia frio, sem chuva.  Seria um dia chato, não fosse o Maracanã lotado e a expectativa de um título. Ele não era fanático, sequer tinha visto o estádio lotado na vida, até então.  Tinha 13 anos e torcia, timidamente, para o Palmeiras, apesar de morar no RJ.

Naquele domingo seu pai o levou na final.  De bandeira, camisa e ingresso na mão, chegou assustado com a multidão. Entrou faltando 15 minutos pra começar e, quando olhou em volta, disse: “Pai, quantas pessoas tem aqui?!?”.

– Muitas, filho… uma nação inteira, disse o pai.

Aquela multidão explodiu em faixas, bandeiras e papel picado minutos depois.  O garotinho se encolheu com medo e sentou.  Com 1 minuto de jogo a torcida levantou e não deixou que o guri visse mais nada. Ele ouvia, sentia, mas não assistia.

Seu pai, rubro-negro fanático, não tinha muita esperança de que seu pivete palmeirense um dia se envolvesse com futebol. Jamais mostrou grande interesse, e só torcia porque tinha um amigo que era palmeiras.

O Flamengo saiu ganhando, mas não bastava. Tinha que ser com 2 gols de diferença, ou nada. Seu pai explicou que “faltava um”, e o garotinho não entendeu. Afinal… vitória não é vitória de qualquer jeito?

Sofreu um gol, e ele não tirou sarro do pai como sempre fazia. Ficou triste, como que contagiado pela multidão. O outro lado, 40% do estádio apenas, fazia barulho, e ele ouvia o silencio da nação a sua volta. Segundo ele, o silencio mais dolorido que já escutou na vida.

O Flamengo fez o segundo, e o garotinho, se envolvendo com o jogo, vibrou. Pulou no colo do seu pai e o abraçou como se fosse um legítimo urubuzinho.

Não era, ainda.

A torcida começou a cantar o hino, que ele sabia de cor de tanto ouvir o pai cantar.  Pela primeira vez, cantou num estádio, e fez parte da nação. A angustia de milhares não passou em branco. Em mais alguns minutos o garotinho suava e já rezava de mãos grudadas ao peito.

O Flamengo virou, mas não bastava.

40 minutos do segundo tempo. Mesmo com 2×1 no Placar, a nação ouvia gozações do outro lado. Ele não entendia, e fez o pai explicar, mesmo num momento dramático do jogo.

Atencioso, o pai sentou e contou pro garoto que o Flamengo precisava ter 2 gols de vantagem, porque a vitória por um gol empataria a soma de 2 jogos, e o empate era do rival. Ele não entendeu bem, mas simplificou em sua cabeça: “Mais um e ganharemos”.

Opa… “ganharemos”?  Ele não era palmeirense?

E então, aos 43 minutos, onde alguns já se mexiam na direção da saída, uma falta do meio da rua.  Seu pai vibrou e ele questionou: “O que foi? Foi pênalti!? “

– Quase isso, filho!! Dali pro Pet é pênalti!!, profetizou o pai, ignorando a distancia da falta.

A cobrança… o silencio eterno de 1 segundo e a explosão.  Gol do  Flamengo! Petkovic! E seu pai o abraça como nunca abraçou em toda sua vida. Pula, joga o garoto pra cima, beija, chora…

O garotinho, numa mistura de susto com euforia, olha em volta e, de braços abertos, comemora em silencio um gol que não era dele.  Sem razão, ele chora. E chorando, abraça o pai que, preocupado, rompe a alegria e pergunta: O que foi? O que foi? Se machucou?

– Não…  Eu to feliz, pai!

Sem mais palavras, o pai sentou e abraçado ao garotinho deu um abraço de tricampeão. O jogo acabou, e os dois continuaram abraçados.

A festa rolando, os dois assistindo a tudo aquilo emocionados, o garotinho absolutamente embasbacado com a cena, já que nunca havia visitado um estádio lotado, muito menos uma decisão. O pai olhava pro campo e pro filho, porque sabia que, talvez, aquele fosse seu único momento na vida onde teria a imagem de seu garoto comemorando um titulo do time dele.

E chorava, sem vergonha nenhuma de quem estivesse em volta.

O menino foi embora pensativo, eufórico. Em casa, contou pra mãe com uma empolgação incomum sobre tudo que viveu naquela tarde. E não falava do jogo, apenas da torcida.  Iludido por uma frase, contou pra mãe:

– Aí, no finalzinho, teve um pênalti! E o Flamengo fez o gol…
– Não filho… não foi pênalti! Foi de falta.
– Mas você disse que foi pênalti…
– Era modo de falar…. hahahahahah
– Então, mãe…  aí, o cara fez o gol e a gente foi campeão!!!

Pronto. Aquele “a gente” fez o pai parar de colocar cerveja no copo, virar a cabeça lentamente e perguntar, com medo da resposta:

– A gente, filho?

(silencio…)

– É pai! O Mengão!!!!!

Emocionado, o pai abraçou o garoto e não falou nada. Ali, seu maior sonho virava realidade. A mãe entendeu, deixou os dois na cozinha e saiu de fininho, enquanto o pai começava a contar de uma outra final que viveu em mil novecentos e bolinha, com toda a atenção do novo rubro-negro.

Hoje o garoto  tem 21, completados há alguns dias.

Quando seu pai perguntou o que ele queria de presente este ano, a resposta foi essa:

– Dois ingressos, uma bandeira, a camisa nova e ver você chorando igual aquele dia.

E há quem diga que “futebol é bobagem”…

O Maraca

MaracanãJá não lembro mais quantos anos eu tinha, se 8 ou 9, quando fui ao Maracanã pela primeira vez. Meu primeiro jogo foi América e Internacional. Fazendo uma conta simples, comecei minha aventura no maior e mais belo estádio do mundo há mais ou menos 30 anos.

Nele eu vi bola, música e até papai Noel. Vi grandes jogos e imensas peladas de muitos times e da seleção. Vi o Zico voltar, fazer lançamento para Renato de bicicleta e, depois, e se despedir de novo. Vi o Maradona acertar o travessão do meio campo e Bebeto e Romário ensaiarem o que fariam em 94. Estava lá quando a arquibancada caiu.

Nele, pisei do gramado à tribuna de honra, passando pela querida geral. Só não fiz o que esses caras aí da foto fizeram. O vivi com mil e com 120 mil pessoas. Tomei banho de pó de arroz ao lado do meu pai, torci pelo Botafogo com amigos. E com o Flamengo… Quantos sorrisos, quantas comemorações, quantos dramas e lágrimas pelo quase conquistado. E na minha memória, aquele urro que começava baixinho e crescia apoiado no eco do concreto até tomar conta de todo o anel: Meeeennnnngooooo, Meeeennnnngooooo…

No complexo, fiz aula de natação e vôlei, treinei e experimentei a pista de atletismo. Joguei bola no portão 18 quando estudava ali em frente, joguei bola na quadra da escola Arthur Friedenreich.

Amanhã ele será reaberto. E tenho a impressão que muita gente, como eu, terá dificuldade de chamá-lo de Maracanã de coração aberto, de chamá-lo de Maraca com a intimidade típica de quem era da casa. E ontem dei de cara com o texto abaixo, no blog do Arthur Muhlemberg.

Ai de ti, Maracanã

1. Ai de ti, Maracanã, que deste tuas costas ao clamor de tuas arquibancadas e soterraste tua geral humilde em busca das glórias vãs; céus e terra te negarão o sono, e 200 mil vozes hão de assombrar-te pelas noites.

2. Ai de tuas poltronas acolchoadas, ai de teus camarotes de luxúria, ai de tua soberba para poucos, porque para muitos te quis e para muitos foste erguido. Porque nem tua cobertura há de te esconder os teus inúmeros pecados quando minha ira se lançar contra ti.

3. Acaso não te lembraste do silêncio que te dei quando nasceste? Que te fiz carioca, mas te inaugurei paulista, para que soubessem que não és lar de ninguém? Acaso não te conduzi até a final do Mundial, para que fosses profanado pela Celeste estrangeira e calasses tua ambição desmedida? Não te testei timaços e timinhos pela régua das vitórias?

4. Não te consignei eu aos clássicos, porque eras neutro e palco perfeito, um lugar a ser conquistado no grito e no campo pelas quatro forças que ao teu redor orbitam, e pelos ídolos que desfilaram tantas cores? Pois hoje vejo que te prostituis a consórcios que não te conhecem, e não mais serás informado pela Suderj em teus vindouros telões de LED.

5. Enorme era teu campo, e encolheu-se; ampla era tua capacidade, e apequenou-se; agrandaste teu estacionamento e será imensa tua final, mas não como sonhavas quando aprenderam a te amar. Ai de ti, Maracanã, pois culparás os cabrais que não te deram dimensão exata nem te fizeram olímpico e pagarás com teu orçamento estraçalhado, teu parque aquático em deserto e tua pista soterrada.

6. E aqueles que te cantaram hinos aos domingos, ao se sentarem em tuas cadeiras numeradas, não te reconhecerão; e a nova torcida que terás tampouco tu hás de reconhecer. E eu hei de emudecer teu eco catedral à sombra de tua intrepável lona cobertora, para que sejas silencioso e ordeiro como um shopping de aeroporto.

7. E a própria bola te há de boicotar, e sobre teu tapete sentirás as dores de parto de inúmeras peladas que negarão a honra do teu nome. Pois serás Maracarena, serás Maraca-Não, serás rebatizado e deserdado em tuas tradições: os gentios rasgarão tua rede véu-de-noiva e vendê-la-ão aos pobres.

8. Ai daqueles que combinarem de se encontrar no Bellini, pois se perderão, com suas camisetas piratas e seus ingressos falsos repassados por cambistas torpes a custo de quatro dígitos, indo parar na Uerj. Nem assim teu banheiro será mais limpo do que foi nos dias de tua glória.

9. Selarei teu portão 18, e não mais se concederá tua imensa cortesia aos múltiplos conchavos, quando traficavas influência em teus corredores e escadas rolantes. Perpétua será tua dor, cativa será tua vergonha.

10. Desfraldai vossas bandeiras, uniformizados, porque só assim recordareis o espetáculo que fazíeis: tuas faixas darão lugar aos camarotes da luxúria, e teus cânticos não serão ouvidos no isolamento perfeito dos proseccos, mojitos e DJs, numa publicitária orgia no templo que virou programa.

11. E tu, Maracanã, com teus ouvidos de concreto lamentarás aqueles palavrões que sentados não bradamos, mesmo com o grito molhado na cevada, e gemerás em cada viga, em cada solda, em cada rejunte, no chapisco de teus muros, nos parafusos dos mais buchas, em cada cu que assentares (78 mil lugares?), na tua escassez de gigantismo a flagelar-te com a memória de quando eras mais nosso porque cabiam mais de nós.

Márvio dos Anjos

(d’apres Rubem Braga)

Torcida carioca

TorcidaCariocaComeçou o ano, como todo mundo já está cansado de saber. Assim, a bola já começou a rolar. E com a pelota correndo sobre a verde relva, voltam também as cornetas, piadas, análises embasadas, enfim, tudo aquilo do que sofremos de abstinência desde o início de dezembro.

No Rio, uma turma de quatro torcedores rivais que já habitava o mesmo cafofo, resolveu mudar de casa. O pessoal de Os 4 Grandes agora habita o Torcida Carioca. Basicamente, saíram de um quitinete para um sala-três quartos-varandão. Todo o resto continua o mesmo: as boas crônicas, alfinetadas, provocações e bom humor.

Minha esperança, com a casa nova, é que eles encontrem novos room mates. Penso que seria excelente – até pra conhecer os outros clubes mais de perto – ter um representante de cada clube do cariocão. Bastaria colocar a cabeça pra funcionar, que encontrar voluntários não será tão difícil. E depois, com o fim do estadual, ficam aqueles que participarão de qualquer divisão do Brasileirão. Não haveria nada igual por aí. Pensem nisso senhores.

FlaFlu

Boa brincadeira do GloboEsporte.com, mais uma das ações em torno do centenário do FlaFlu. O problema é que faltaram opções em algumas posições, especialmente goleiro e volante (Andrade é o único disponível na lista).

Então, aí está a imagem do “meu Flamengo de todos os tempos” possível. Se pudesse, trocaria Raul por Garcia e Andrade por Dequinha. E ainda colocaria o Carlinhos como uma das oções de volante.

É claro que se fôssemos pensar com carinho, a lista oferecida dobraria com facilidade. Mesmo sem voltar muito no tempo, basta dizer que só nas laterais faltaram Jorginho e Leonardo. Então, o melhor mesmo é parar por aqui.

Não me dei ao trabalho de falar sobre o Flamengo neste ano, com o que temos aí não dá vontade mesmo. Mas o FlaFlu é, sem dúvida, o jogo da minha vida. Principalmente por ter um pai tricolor e ter passado infância e adolescência na década de 80, não poderia mesmo ser diferente (quem não sabe do que estou falando, pesquise um pouco sobre os times e os jogos da época).

No confronto, há uma pequena curiosidade. Apesar da larga freguesia, o Flu venceu alguns jogos simbólicos: o primeiro jogo, o primeiro jogo no Maracanã e a primeira final entre os dois, entre outros. Mas sou capaz de apostar que, neste domingo, em que pese a história e o time mais que mequetrefe do Flamengo, vamos vencer. E dou um gol de vantagem.

Suspiros

E o Flamengo heim? Pois é, logo depois da goleada sobre o Cruzeiro, coloquei a dúvida se aquele resultado seria um último suspiro ou apenas o início da arrancada derradeira. E todos puderam ver a resposta jogada em nossas caras pelo comportamento horroroso do time contra o Coritiba. E o resultado não poderia ser outro que não a derrota.

Ao final daquela partida, estávamos a sete pontos do título, em 12 possíveis. Quer dizer, apenas um cataclisma protagonizado por todos os clubes que estão à nossa frente nos permitiria gritar ‘é campeão’ ao final da 38ª rodada.

E com os resultados de ontem, estamos a dez pontos da conquista, com os mesmos 12 pontos em disputa. Joguemos nossas toalhas, pois, e reiniciemos nossas contas: faltam, incluindo a partida de hoje contra o Figueirense, 42 jogos para o hepta. Não porque é matematicamente impossível, em 2009 fomos campeões com os mesmos 67 pontos que podemos alcançar se vencermos as quatro partidas que nos restam. Mas a distância para a liderança, hoje, é um tanto maior que imensa.

E, para mim o mais grave, nossos jogadores não demonstram a fome de bola necessária para uma superarrancada. Entram em campo como quem vai à esquina tomar um sorvete. E desse jeito, até a vaga para a Libertadores está em risco quando já começam a pipocar aqui e ali as futricas de praxe sobre problemas entre jogadores e treineiro.

De qualquer maneira, com todo o planejamento feito e dinheiro gasto, e apesar do contrato até o fim do ano que vem, se nem a classificação vier, o profexô não vai ficar. Além disso, tem meia dúzia de medalhões ou nem tanto por ali que já deram o que tinham que dar. Ou seja, se o objetivo mínimo não for alcançado, o caldeirão vai ferver. E muito.

Isso, sem falar nessa história muito da torta de que, até hoje, Ronaldinho Gaúcho está sem contrato. É isso mesmo? Ou o contrato que não existe é entre Traffic e Flamengo? Não entendi essa história até agora…

Fim de feira

Se depois dos resultados de domingo já achava que só mesmo Corinthians e Vasco brigariam pelo título, depois de ontem ficou ainda mais claro. Talvez, com muita muita sorte, o Fluminense permaneça na briga até o final.

E rubro-negro que sou, sei que alguns amigos vão pegar no meu pé. Mas torcerei fervorosamente para que Vasco ou Fluminense consigam derrubar – a essa altura – o favoritíssimo time do Parque São Jorge.

Porque, apesar da rivalidade óbvia, sou bairrista sim e seria ótimo ver o título mais importante do país ficar por aqui pelo terceiro ano seguido. Porque, no caso do Vasco, seria o coroamento de uma turma que conseguiu expurgar a quadrilha de Eurico Miranda e fazer uma boa gestão, pagando muitas dívidas e recuperando o respeito de todos pelo clube que durante muito tempo foi a imagem e semelhança de seu ditador. Porque, no caso do Fluminense, ficaria provado que o clube já vinha crescendo há muito tempo e que o título do ano passado não foi pela obra e graça do retranqueiro Murici. E, finalmente, seria muito bom ver as caras de bunda de Ricardo Teixeira e Andrés Sanchez no dia da festa que já está armada em São Paulo.

A sorrir eu pretendo levar a vida

Nada como uma boa vitória para começar a semana com bom humor. Como – depois de ler crônicas e blogs, além de ver e ouvir comentários na TV e no rádio – desconfio fortemente que o jogo que passou na minha casa foi diferente do transmitido para o resto das pessoas, resolvi escrever em tópicos.

O contrário do Grêmio

Ouvi dizer por aí (e não foi num lugar só) que a atuação de ontem foi o inverso da de Porto Alegre. Não vi isso não. O Flamengo começou o jogo em cima do Cruzeiro, marcando forte e tentando atacar. E, de repente, teve um apagão que durou, sei lá, uns nove minutos. Tomou o gol, uma bola na trave, o pênalti ridículo de Alex Silva e só. E daí pra frente, até o fim, não houve mais adversário em campo.

É claro que se o pênalti fosse convertido, o jogo teria outra história. Mas o se não joga.

Na verdade, a cagalhopança que tirou Williams do time parece ter ajudado. Thomás jogou bem pela segunda vez seguida. E como Renato Abreu estava suspenso, Muralha entrou no segundo tempo no lugar certo. E fez o que fez.

Meio-campo

Acho que todos concordam que o menino da camisa 25 não pode mais sair do time. Mas para a próxima partida, Renato Abreu estará de volta, o profexô não vai tirá-lo do time. E isso nem é tão mal. O que fazer, então? A solução é simples: colocá-lo como segundo homem.

E por que isso não é tão mal? Porque Renato, com todas as suas limitações, sabe fazer a saída de bola melhor do que Aírton. E ontem, o camisa 55 foi o responsável por ditar o ritmo de jogo, segurar a bola quando preciso e tentar acelerar quando possível. Não precisa nem pensar muito pra dizer se isso faz algum sentido.

Também não discordo totalmente de Luxemburgo quando ele diz que é perigoso, até para os meninos, colocar Muralha e Thomás em jogos decisivos desde o início. Então, para a próxima partida aposto no meio-campo com Aírton, Renato, Thomás e Thiago Neves.

Falando nele…

A melhor coisa de ontem foi ter pedido o samba O Sol Nascerá como trilha sonora dos seus três gols na matéria do Fantástico. Mas alguém precisa avisá-lo que o clássico é de Cartola e não do Revelação.

Sobre o golaço que fechou a conta, vale lembrar que Fábio tentou entregar o jogo de forma parecida desde o primeiro tempo. Mérito para o nosso camisa sete, que aproveitou a chance que teve com muita classe.

R10

Eu só o vi em campo, de verdade, duas vezes. Na cobrança do escanteio do segundo gol e no lance em que, com o gol aberto, resolveu fazer gracinha. Olhou para um lado, chutou para o outro. E bola teria ido parar na geral se geral lá houvesse. Pois bem, não é bom esperar muito do sujeito na reta final. Sempre sumiu nos momentos de decisão, mesmo em seu auge no Barcelona. Não é agora que vai mudar. Se tiver uma chance de brilhar, talvez aproveite. Mas que ninguém conte com ele como esteio na luta pelo título ou por qualquer outra coisa.

Próximos passos

Nossa tabela não é boa nem ruim. Do Coritiba, se arrancarmos um empate lá – dado o histórico – será bom. Contra o Figueirense, a surpresa do campeonato, não espero nada diferente da óbvia vitória que colocaria as coisas nos seus devidos lugares. Tenho um certo medo do Atlético de Goiás. Se tudo correr bem até lá, é provável que o Serra Dourada esteja lotado de rubro-negros. E é nesses cenários com tudo a favor e contra times pequenos que o Flamengo costuma entregar a rapadura. Inter em casa é jogo grande de time grande. Não tenho nenhum medo. E contra o Vasco… O dia em que um rubro negro tiver medo de jogar contra o Vasco, é melhor largar o futebol.

4 pontos

Estamos a quatro pontos do título. Porque não basta empatar com ninguém, temos menos vitórias que todos os nossos adversários. Mas vejo o campeonato na nossa mão. A questão é saber se vamos buscá-lo ou não. Se o jogo de ontem foi um último suspiro ou o início de um maravilhoso sprint à vitória.

Porque como já aconteceu ontem, o Corinthians vai peidar. Desculpem a linguagem tosca. Mas seu técnico já bradando em entrevista coletiva que ali não há cagalhões (assim mesmo) é a prova cabal da tremedeira que acometerá o time dos mano e das mina, a necessidade de autoafirmação que negaria o óbvio.

Também não acredito que o Vasco agüente o tranco e já sabemos que Caio Jr. não deixará o Botafogo brigar pelo título. Também não aposto no Fluminense, mas já é de quem tenho mais medo a essa altura.

Ou seja, apesar de não parecer, só depende de nós. Faltam cinco jogos para o hepta. Será que o time vai ter coragem de ser campeão?

Bisonho

Neosaldina? Numa sexta-feira? Sem avisar o médico? Tá bom, Felipe, tá bom. A gente acredita…

Sete

Aproveitando que falei do Maracanã no post abaixo, lembrei do Flamengo. Que jogou alquebrado contra o Santos em uma partida em que, pelas circunstâncias, todos esperavam uma goleada do peixe. E todos viram que, mesmo jogando mal de novo, mesmo até merecendo perder, não foi o que aconteceu.

É verdade que houve um pênalti não marcado. Mas não por roubo, e sim por falta de coragem do juiz. Imagina, dois pênaltis seguidos contra o Flamengo no Engenhão… Basicamente, ruindade mesmo. Como no gol do Flamengo mal anulado por impedimento.

Cheguei a escrever na semana passada que, mesmo a derrota, não seria um grande problema. Nas sete rodadas, todos ainda vão perder pontos. E, olhando para quem ocupa hoje a ponta da tabela, ninguém me tira a certeza que o campeonato não está nem perto de se definir.

Cinco pontos para tirar do líder em 21 possíveis e ainda com o confronto direto. Já escrevi também: meu sonho é chegar à última rodada dois pontos atrás do Vasco.

Nossos próximos jogos serão os seguintes: Grêmio, Cruzeiro, Coritiba, Figueirense, Atlético Goianiense, Internacional e Vasco. Ainda acredito que perderemos 3 ou 4 pontos. Mais do que isso é ‘adeus hepta’.

Mas vocês já viram os jogos do Vasco? São Paulo, Santos, Botafogo, Palmeiras, Avaí, Fluminense e Flamengo. Pois o time da colina não vai ganhar nenhum dos clássicos e ainda vai deixar escapar mais um ou dois pontos.

Como descarto Botafogo e Fluminense, restaria a preocupação com o Corinthians. O time do amigo do Lula e do Ricardo Teixeira, o time que ganhou um estádio por conta da Copa, o time do cara que disse que vai sair mas quer fazer seu sucessor, o time do Ronaldo. O único time capaz de impedir que a taça continue morando no Rio pelo terceiro ano consecutivo, onde já se viu isso?

Até a festa de encerramento do campeonato acontecerá em São Paulo e já tem gente dizendo que isso é um sinal claro de que o título não escapa, por bem ou por mal. E a tabela? “É a mais fácil”, todo mundo grita. Vejamos então.

Avaí, América, Atlético Paranaense, Ceará, Atlético Mineiro, Figueirense e Palmeiras. Tirando os dois últimos, que já não querem mais nada com a hora do Brasil, todos os outros clubes lutam desesperadamente contra o rebaixamento. Jogarão suas vidas. Somando isso à pressão pelo ‘título fácil’ (já demonstrada na última coletiva destemperada de Tite), sinto dizer-lhes: já era. Os caras vão tremer e… Se bobear, já chegam na última rodada fora do páreo.

E na base do ‘vamo lá, porra’, seremos hepta. Só faltam sete jogos. O lado ruim é que vamos continuar aturando o Luxemburgo. Mas tudo tem seu preço, né não?