Crônica de uma morte anunciada

Cinegrafista

Acabei de ver a notícia, Santiago Andrade teve morte cerebral. E agora?

É curioso que até este trágico fim de semana, trágica segunda-feira, toda a cobertura da imprensa (com as exceções de praxe, o grande satã conservador) tecia loas às manifestações e até aos confrontos. E flertavam perigosamente com o bando de marginais mascarados, sempre mascarados, dando-lhes destaque e até voz. E agora?

Colunistas, articulistas, filósofos, antropólogos e bostólogos – Caetano à frente, lembram? – reconhecidos batiam palma pra todo mundo que colocava uma máscara e partia pra dentro de tudo e de todos. E agora?

Toda a culpa de tudo de ruim era sempre da polícia (que fez mesmo um monte de cagadas), não importando a realidade. Até um imbecil da Globo News disse que tinha visto que o morteiro assassino era uma bomba jogada pela polícia. E agora?

Infelizmente, o que aconteceu era previsto. Quantos carros de imprensa foram depredados, quantas tentativas de agressão contra jornalistas foram documentadas? E porque as grandes associações da classe aceitavam essa situação, que chegou ao cúmulo de ver os profissionais trabalharem disfarçados para não apanharem? Algumas soltaram – antes e agora – notas ridículas em que tentavam morder e assoprar, absolutamente em cima do muro, divididas entre o que é/era correto e suas posições/origens esquerdopatas. E agora?

E a OAB que, pelo menos no Rio, virou babá de black bloc, esse pobrezinhos que angelicalmente arrebentavam tudo e qualquer coisa que encontravam à frente. E agora?

Pois pela sequência de imagens que vi, o sujeito que colocou o morteiro no chão, a dois ou três metros do cinegrafista, não estava tentando acertar a polícia não. É nítido. Ele queria mesmo era acertar a equipe de reportagem. Democratas que adoram a liberdade de expressão e de imprensa, desde que se concorde com eles. Controle social da mídia, na base da porrada, do sangue e, agora, da vida. Reconhecem o padrão de comportamento? Ainda acham que é por acaso? E agora?

Agora, todas juntas, pedem punição. Pateticamente, o óbvio. Mas, fora o ululante, e agora?

Agora, infeliz e tragicamente, resta chorar o morto e – dentro do possível – apoiar sua família.

Só vai piorar (2)

ExecucaoQuando discordo de alguém, a última coisa que faço é tentar desqualificar esse alguém. Tento entender seus argumentos e, então, rebatê-los. Seja com opiniões ou informações. É que fui educado para respeitar as pessoas e o direito de cada um à sua própria opinião. Mesmo que eu ache ridículo ou daí pra pior.

Agora, vejam o que estão fazendo com Rachel Sheherazade, a comentarista do SBT. Até a demissão dela e processo por apologia ao crime estão sendo “exigidos” por aí. Por quê, ora bolas? Porque ela tem uma opinião diferente do que é bonitinho?

Leiam o que ela disse sobre o caso do moleque que foi preso nu a um poste no Rio, depois de levar uma baita surra e até perder um pedaço da orelha.

O marginalzinho amarrado ao poste era tão inocente que, ao invés de prestar queixa contra seus agressores, preferiu fugir antes que ele mesmo acabasse preso. É que a ficha do sujeito está mais suja do que pau de galinheiro.

Rachel SheherazadeNo país que ostenta incríveis 26 assassinatos a cada 100 mil habitantes, que arquiva mais de 80% de inquéritos de homicídio e sofre de violência endêmica, a atitude dos vingadores é até compreensível. O Estado é omisso, a polícia é desmoralizada, a Justiça é falha. O que resta ao cidadão de bem que, ainda por cima, foi desarmado? Se defender, é claro.

O contra-ataque aos bandidos é o que chamo de legítima defesa coletiva de uma sociedade sem Estado contra um estado de violência sem limite. E, aos defensores dos Direitos Humanos, que se apiedaram do marginalzinho preso ao poste, eu lanço uma campanha: faça um favor ao Brasil, adote um bandido.

Nos dois primeiros parágrafos, o que foi que ela disse diferente de mim, que sou um completo desconhecido? Que é fácil entender o que houve e por que houve? Ora, é claro que é. Eu, por exemplo, sou completamente contra a justiça pelas próprias mãos. E ela? Nem isso fica claro no texto. E mesmo que fosse (ou seja) a favor, ter opinião é crime? Façam-me o favor.

Capa ExtraE o seu último parágrafo, será que eu concordo? Não. Essa história de legítima defesa devolvendo a violência, eu chamo de barbárie. Mas ela tem o direito de pensar assim e dizer. E isso não dá a ninguém de fazer campanha contra a moça, pretendendo calá-la e acabar com a carreira e até com a vida da moça. Srs, todo mundo tem o direito de pensar diferente de nós e todo mundo tem o direito de dizer o que pensa. E, simplesmente, dizer o que pensa, não é nem nunca foi apologia a crime nenhum.

E enquanto está todo mundo gritando contra uma jornalista que disse o que pensa, perde-se tempo em cuidar do que se deve. Porque só vai piorar. E muito. Porque eu não tenho dúvidas de que a esquerda-caviar-politicamente-correta, que adora fazer discurso pelos direitos humanos, vai continuar gritando a favor do lado errado.ONG X PM

 

Só vai piorar

Pivete preso em poste no Rio  /  Foto: Yvonne Bezerra de Mello/ Arquivo Pessoal  /  Reprodução G1Foi só eu reclamar que andava faltando assunto, e pronto. A bola quicou na minha frente. Eu, que sempre fui um baita perna de pau, corro o risco de mandar a redonda na lua. Mas vamos em frente.

Primeiro é preciso dizer que não sou nada a favor da ‘justiça pelas próprias mãos’, ‘olho por olho, dente por dente’ e congêneres. Simplesmente porque posturas e comportamentos do tipo só fazem girar e acelerar a roda nada virtuosa. E, afinal de contas, somos pretensamente civilizados e temos leis.

Agora, antes de começar, peço a todos que me xinguem: facista, nazista e quaiquer outros nomes nada bonitos do tipo são aceitos. E sim, façam por antecipação.

Eu tenho ódio mortal dessa turma bonitinha e corretinha que vive a gritar por direitos humanos. Só porque em 95% dos casos, estão preocupados com os algozes ao invés de pensar nas vítimas. Nada demais, como se vê.

A grita do momento no Rio é por causa de um garoto que foi levemente surrado, perdeu um pedaço da orelha e foi amarrado nu, com uma tranca de bicicleta, em um poste. O garoto, que é menor (!!) e suposto praticante de roubos, já tem três anotações na polícia – justamente por roubos e furtos – e fugiu do hospital para onde foi levado. Um anjo de 15 anos que, é claro, não sabe o que faz. Mas nada disso justifica a violência com que foi tratado, embora um pouco de esforço permita entender porque aconteceu.

Fui jovem no Rio de Brizola, o que diz muito sobre o tipo de cidade que conheci. Fui assaltado com arma na cabeça, sem arma na cabeça, meu prédio foi atacado naquele esquema de render geral e fazer a limpa. Mas a última vez foi um assalto que sofri num ônibus quando voltava da faculdade, há mais de 20 anos.

Toda cidade grande tem violência, claro. Mas o perfil do Rio, com o apoderamento do tráfico, mudou. E a cidade se desacostumou a enfrentar essa violência de rua. Mas hoje, só na zona Sul, esses eventos quase dobraram. E não achei os dados sobre o resto da cidade (a Tijuca, onde moro, e os bairros ao redor estão perigosíssimos).

Pois viva as redes sociais. Apesar dos números oficiais não retratarem a realidade (porque ainda é pequeno o número de pessoas que faz o registro), é alarmante perceber que dia a dia só aumentam as histórias e postagens (boa parte com fotos) de roubos e furtos. E cada vez mais violentos, pontencializados pela praga do crack. E agora chegamos ao ponto.

Por causa da droga, tudo virou um problema social. Desculpem meus amigos, mas não é. Nem todo toxicômano é bandido, nem todo pobre é bandido, nem todo bandido é viciado, nem todo bandido é pobre (Brasília que o diga, mas isso é outro assunto).

Então, uma coisa é problema social. Outra é o problema de polícia, a violência. São sim coisas distintas que, muitas vezes se permeiam. Mas não necessariamente. O Rio, hoje, sofre com as duas coisas.

Sobre o problema social, muito discurso, debate e programas inteiros em vários canais de TV. Mas pouquíssima ou nenhuma ação. E a violência é problema de polícia, que também não é eficiente. E por isso estamos correndo o risco de chegar à barbárie.

Sobre a droga, quando o estado não age, a população não tem muito o que fazer. Mas sobre a violência…

O garoto que foi preso ao poste não é um caso isolado. Em vários pontos da cidade, há grupos se organizando para dar corretivos em marginais. Isso está certo? Claro que não. Mas se a polícia não age… A diferença do caso que foi parar no jornal é que amarraram o garoto e tudo aconteceu no paraíso da esquerda-caviar-politicamente-correta que adoram posar de salvadora e defensora da massa ignara, desde que ela nunca deixe de ser a massa ignara. E, de preferência, pobre pra justificar o discurso. Só por isso virou notícia de jornal.

O número de assaltos e agressões nas ruas, invasões de casas e condomínios, roubos de carro, assaltos a ônibus, roubos de bares e outros eventos do tipo só faz aumentar. E quando o estado não resolve, abre espaço para a reação da sociedade. Que pode ser a melhor possível, mas também pode ser a pior. Foi o que aconteceu com o menino do poste e vai continuar acontecendo enquanto as coisas não forem resolvidas. Infelizmente, é “natural”.

Enquanto o estado e a sociedade (ongs e outras entidades) continuarem a confundir problema de polícia com problema social, romantizando as coisas como se compusessem um belo samba, o horizonte vai ficar cada vez mais negro. Tenho dito que estamos no limiar dos anos Brizola e amigos dizem que sou apocalíptico. Sei não. Toda vez que ouço essa gracinha, infelizmente acerto. E agora, temos o agravante da reação. E a roda gira.

P.S.: sempre disse que as UPP eram um achado de marketing e que o Rio não tinha política de segurança séria. Pois agora que as meninas dos olhos já começam a fazer água – basta ver que o número de tiroteios e ataques a unidades de polícia em favelas ‘pacificadas’ só aumenta –, alguém viu por aí os srs. Beltrame e Cabral dando alguma explicação ou se importando com o aumento da violência? Pois é, apocalíptico…

Olha o arrastão entrando no mar sem fim

Arrastão em Ipanema / Foto:  Marcelo Carnaval - Agência O GloboVoltamos a ter arrastões nas praias do Rio. E a tendência é que, assim como o calor, a situação piore nas próximas semanas. O movimento deu uma boa caída em algumas favelas e suas bocas, a turma precisa garantir o Natal. Sabem como é né…?

Pelo andar da carruagem, o bagulho (com trocadilho) vai ficar esquisito.

Boa parte da população não anda satisfeita com muita coisa (quase nada, na verdade). E surtos de violência passaram – de certa forma – a serem considerados normais desde que começaram as manifestações de junho. De quebra, a massa que faz arrastão, que dá a cara a bater, é formada por menores de idade (dos 10!!! aos 17) que, mesmo quando grampeados, são liberados em seguida. E aí a sensação de impunidade…

Junte tudo isso com cadeiras e pés de barracas de praia, tudo à mão, fácil de usar e brandir a esmo. Como diz uma amiga, vai dar merda, alguém vai morrer. E quando aparecer a turma indignada dos direitos humanos, ninguém vai bater palmas ou apoiar os caras. E olhem, já vi muita gente por aí torcendo para que isso aconteça.

Agora, uma perguntinha: onde está o querido e incensado secretário de segurança, o bravo Beltrame? Ninguém sabe, ninguém viu.

Arrastão em Ipanema / Foto:  Marcelo Carnaval - Agência O GloboPra terminar, vale dar uma olhadinha nas duas fotos aí em cima. Reparem no modo de atuação da Guarda Municipal, os marronzinhos do Eduardo Paes que têm largo histórico de sair no tapa com camelôs e congêneres. Reparem em como eles estão correndo e distribuindo cacetadas a torto e a direita. Na primeira, há um guarda pronto para arremessar uma cadeira. É ou não é de dar orgulho?

Resta, afinal, desejar boa sorte aos ratos de praia.

Tentando desenhar

Violência após o ato pela educação, no Rio / Foto: Byron Prujansky/FacebookAcho que já escrevi a respeito, mas vou tentar desenhar. Tem gente que ainda não entendeu o porquê de tanta violência e a quem interessa a confusão. Vai em tópicos, pra ficar ainda mais fácil.

1. Desde junho, quando as manifestações começaram a crescer, o pau canta nas ruas.
2. Primeiro, foi nítido que as multidões estavam infiltradas (e eu assisti isso de perto).
3. Depois surgiram o Black Bloc, o Fora do Eixo e a Mídia Ninja. E até hoje há muitas pessoas acreditando que são todos muito independentes.
4. A pancadaria, claro, afastou as pessoas comuns das manifestações, que diminuíram clamorosamente de tamanho.
5. A quem interessa que a população se manifeste e defenda seus direitos?
6. A quem interessa esvaziar as ruas, amedrontando as pessoas para que elas não se manifestem e voltem ao estado bovino da massa?
7. De quebra, a pancadaria deixa um rastro de destruição (fora aqueles que se aproveitam pra roubar e saquear) que ajuda a aterrorizar e fortalecer o discurso contra as manifestações.

Quem acompanhou a transmissão do ato pela educação de ontem, no Rio, pôde perceber exatamente como as coisas acontecem. Após a passeata que reuniu algumas dezenas de milhares de pessoas chegar à Cinelândia, houve alguns pronunciamentos e começou a debandada de quem participou do ato. E pronto.

Apareceu a polícia (o choque, sempre o choque) e o encontro com os Black Bloc (aqueles que se dizem independentes) foi aquela alegria: bombas, gás, borracha, porrada, pedras e muita destruição.

Será que agora ficou fácil de entender?

Não, não estou discutindo métodos (por exemplo, sou contra ocupações). Mas daí dizer que não é legítimo que as pessoas se organizem (ou não) e se manifestem vai uma enorme diferença.

Agora, negar que há um grande esforço por esconder as verdades e pela manutenção do poder é fazer de conta que vive em Marte. E, sim, tem muita gente por aí que anda se escondendo da realidade.

O que vale um professor?

Sala de aula / Foto: Marcos Santos/USP ImagensEu ainda não consegui digerir direito o que aconteceu no Rio, na noite/madrugada de sábado para domingo.

Pra quem não sabe: os professores do município e do estado estão em greve desde agosto. Há algumas semanas, o alcaide apresentou algumas propostas e como sinal de boa fé, os da cidade voltaram a trabalhar. Como nada do combinado, foi cumprido, retomaram a greve.

Em nova rodada de negociações, o prefeito voltou à carga e apresentou um modelo de plano de carreira. Eu li a proposta que, em quase todos os aspectos, é indecente e alcança menos de 10% dos profissionais de educação da cidade. Mesmo assim, como sujeito democrático que é, enviou o plano para tramitação na câmara dos vereadores – onde tem maioria absoluta e aprova o que bem entende. Só pra se ter uma idéia, dos 51 vereadores, 41 (de 20 partidos!!!) formam a base de apoio. Os 10 da oposição são 4 do PSOL, 3 do DEM, 2 do PSDB e 1 do PV.

Na pauta, o tal plano recebeu 27 emendas, todas de vereadores da situação. E no meio da semana passada, os professores foram à câmara para tentar negociar com os vereadores. Em meio às discussões, o negócio desandou e o plenário foi ocupado por cerca de 150 dos 200 educadores presentes à sessão. E lá ficaram até sábado à noite, sem quebrar um copo sequer.

Porque apesar de sindicalistas, são professores. E aí está a questão: são professores.

Talvez isso seja besteira pra você. Mas ainda entendo que o professor cumpre uma função sagrada – em que pese todos os muitos problemas existentes.

Registros

Se procurarem por aí, encontrarão mil vídeos e fotos do que aconteceu no Palácio Pedro Ernesto: sem qualquer ordem formal, sem qualquer anuência do poder judiciário, sem qualquer documento, a PM foi enviada para a câmara pelo governador do estado que, teoricamente, atendia a pedido do presidente da casa – numa ação que foi contra o que o próprio Jorge Felipe disse dias antes.

O pau comeu na casa de Noca. Apesar da polícia afirmar que a ação não foi truculenta, 20 foram parar no hospital e até vereadores foram agredidos pelos policiais (foi registrada a frase “vereador também apanha”). Um dos professores, cardíaco, desmaiou. E caído no chão, foi chutado por policiais. E esse é só um exemplo.

Não, eu não sou a favor da ocupação e acampamento na câmara ou coisas do tipo. Mas há o jeito certo e o jeito errado de se resolver os problemas.

O nosso governador, abraçado ao prefeito e ao presidente da câmara, escolheu o errado. E nem preciso falar a respeito dos policiais, especialmente seu comando, que podem (e devem) se recusar a cumprir uma ordem ilegal, e não fizeram isso.

Indignação

Outra coisa curiosa, ainda que triste, pode ser vista nas redes sociais. Alguns discursos e imagens fazendo referência à “indignação da sociedade”. Infelizmente, uma baita duma mentira.

Boa parte da cidade nem sabe o que está acontecendo, não viu o que houve no sábado à noite. Não por acaso. Ao menos a parte da sociedade que é capaz de fazer barulho e até se organizar quando quer, não tem seus filhos em escolas públicas. Assim, não são afetadas pela greve nem tomam conhecimento de como as coisas estão caminhando. Ou você vai dizer que aí no seu trabalho ou na academia ou seja lá onde for não se fala em outra coisa?

E é claro que a chegada da polícia no sábado à noite, quando os jornais de domingo já estão fechados, quando a televisão não tem qualquer noticiário, quando boa parte das pessoas está na rua se divertindo ou até viajando, não foi por acaso. Como também não foi por acaso que a única matéria de O Globo no domingo falava sobre como as famílias estão tendo de apertar os cintos para cuidar das crianças sem aula (como se os alunos da escola pública estudassem em horário integral e não tivessem férias).

Perguntas

Por fim, de tudo isso, me faltam algumas respostas. Se alguém se sentir apto a respondê-las, sinta-se em casa.

  1. Em que tipo de sociedade vivemos e qual queremos construir ao violentar (em todos os sentidos) os professores?
  2. A escola pública, em greve, atende à maior parcela da população, mas a menos capaz de fazer barulho organizado. Qual a atuação do sindicato junto às escolas particulares? Por que os professores, todos, não entram em greve?
  3. Por que o Sepe e o SinproRio não trabalham em parceria?
  4. Com tantas imagens (vídeos e fotos), além dos relatos e hematomas de quem viveu e viu aquela noite, como é que governador, comandante da PM e presidente da câmara tem a desfaçatez de falar que tudo o que aconteceu foi legal e normal?
  5. Com tantas imagens (vídeos e fotos), além dos relatos e hematomas de quem viveu e viu aquela noite, como é que os principais órgãos de imprensa (a “mídia golpista”) continua apoiando e até defendendo (vejam as manchetes, interpretem as manchetes) prefeito e governador?
  6. Mais do que quanto, o que vale um professor?

#vaidarmerda

Foto: Marcio CavalcantiAqui em casa, às vezes, o bicho pega. Eu e Mariana discordamos politicamente em 85, 90% do tempo. Nem por isso se perde o respeito ou se tenta impor ao outro. Sabe aquele papo de democracia, respeito etc? Praticamos.

IMG_5906 cópiaA moça disse que iria à manifestação de hoje. E acendeu o alerta, afinal o pau anda cantando e quando explode, a merda espalha. E Deus sabe para quem sobra o que.

IMG_5908 cópia 2Aproveitei que precisava praticar, fazer fotos novas, e resolvi ir junto. Como se minha presença a pudesse proteger de verdade… Mas vá, que é preciso ter fé.

IMG_5909 cópia 2Acabou que me dei mais ao trabalho de observar e ouvir a turma ao redor do que propriamente fotografar. E acabei chegando em casa com muito mais dúvidas e medos sobre o que anda acontecendo.

IMG_5910 cópia 2A primeira coisa que se percebe é que está todo mundo protestando, cada um com seu cada qual, sem direções, sem foco, sem muita busca por coisas práticas. Os cartazes e gritos mais ouvidos falam sobre generalidades e problemas sistêmicos, como melhor saúde, educação e segurança. Temas sobre os quais não há ações práticas de efeitos imediatos. E, sinceramente, creio que se continuar assim toda essa bagunça tende a perder fôlego.

IMG_5915 cópia 2“Juntos podemos!” Podemos o que? O que é que se quer, afinal? Derrubar o governo? Se sim, é melhor assumir isso logo. Ou então é bom achar coisas tangíveis sobre as quais gritar. De qualquer maneira, é bom deixar registrado que sim, a “festa” é bela. Há de tudo e todos, e isso é fabuloso. Sim, é bom ver e sentir o povo na rua.

IMG_5933 cópia 2Também sabemos que o pau anda cantando a plenos pulmões. E é claro que há radicais e vândalos presentes (como há bandidos se aproveitando da situação). Mas o que me deixou aporrinhado foi ver (e ouvir) de perto como há gente estranha no meio do povo, infiltrados mesmo. É nítido e fácil de identificar, basta ficar com olhos e ouvidos atentos. Perto de nós, hoje, passaram alguns grupos estranhíssimos. Especialmente uma dupla que minha moça ouviu falar claramente: “é por ali que vamos simular a confusão?”

IMG_5952 cópia 2E é aí que surge a segunda questão básica. Levando-se em conta que vivemos uma crise clara de comando, político e moral, no país, a quem interessa a violência? É, estou falando de manutenção do poder.

IMG_5954 cópia 2A outra e última é a seguinte: que porra de imprensa é essa que existe hoje no país, oficialista em todos os níveis? No Rio, por exemplo, a noite terminou com muita gente sitiada em vários pontos da cidade e ninguém falou nada. À tarde, em vários bairros (principalmente na zona norte), fechou-se tal cerco que impediu boa parte da população de se deslocar para o Centro, para a manifestação. Noite e madrugada adentro, em Laranjeiras, a PM jogou bombas em portarias de muitos edifícios por conta de gente que tentava se refugiar. E daí pra pior.

IMG_5962 cópia 2Depois, quando a turma conseguir alcançar o tal “controle social da mídia”, não reclamem.

IMG_5966 cópia 3Enfim, hoje foram mais de 100 cidades com o povo na rua. Ainda que não em guerra, já não dá mais pra esconder que o país está conflagrado. A continuar nesse ritmo, o que será que pode acontecer? Será que alcançaremos o cúmulo da ironia, com terroristas e torturados que lutaram contra as forças armadas colocando as forças armadas nas ruas?

IMG_5983 cópia 2Gostaria muito de ver alguém lúcido o suficiente que fosse capaz de nos dizer quanto longe estamos disso. Basicamente, meu sentimento é que estamos a um pentelhésimo do #deumerda.

IMG_5972 cópia 2