Esportivas

Na água

Barla-sotaDói! Dói tudo e muito. O corpo moído, dos pés à cabeça. Sabe aquele dia seguinte da sua primeira ida à academia, depois de 20 anos sem fazer nem um polichinelo? È a sensação que tenho.

Quase um ano sem ir a bordo e lá fui eu correr o campeonato estadual de Velamar22 a bordo do Picareta. Três regatas barla-sota de seis pernas de cerca de uma milha cada, com vento médio de 15 nós e rajadas que variavam de 18 a 20. Intensidade total em três provas de mais ou menos 40 minutos.

Não lembro quantos barcos havia na água, se 9, 10 ou 11. O que importa é que num dia em que “o vento da verdade”, como diz o comandante Ricardo Timotheo, apareceu, a tripulação que variava entre o inexperiente e o enferrujado fez o foguetinho azul andar. Sempre brigando com o Smooth e o Focus (ex-Dona Zezé), fizemos 3º-2º-3º.

Então, apesar da dor, foi mesmo um dia muito bom.

Na Austrália

Kimi venceu a primeira corrida de 2013 / Foto: Getty ImageNão consegui ficar acordado de madrugada pra ver a corrida ao vivo nem pude assistir no horário alternativo, às 9h, pois estava a caminho do clube. Pra finalizar, as mais de três horas sem luz ontem à noite também me impediram de ver compactos ou matérias por aí.

Pelo que entendi, Kimi deu o pulo do gato com os pneus e levou a corrida na estratégia. Alonso em segundo e Vettel, apesar da pole e da pista seca, em terceiro. E fico pensando em alguns especialistas que depois dos dois treinos livres da primeira corrida já decidiram que o campeonato tinha dono e até data pra acabar. Gato mestre é isso aí né?

Na Gávea

Jorginho / Foto: Carlos Costa/LancenetDorival caiu e lá vem Jorginho. Juro que não sei o que é pior… A verdade é que o agora ex-técnico nunca foi o queridinho da nova diretoria, mas a grana da rescisão era alta demais. Também é verdade que, apesar da boa taça Guanabara, o índice de aproveitamento do time sob seu comando é muito ruim e só superou os 50% depois de um turno inteiro enfrentando os mágicos esquadrões de quissamãs, bambalas e arimatéias.

No fim das contas, contou-se a história para boi dormir do não-acordo pela diminuição dos salários e o clube se livrou de um técnico de médio pra ruim e uma conta entre o fabuloso e o escalafobético. O problema é que vem aí o Jorginho.

Não lembro de nada realmente relevante que tenha feito na sua ainda curta vida de técnico. E, pra completar, ainda arrumou uma confusão desnecessária ao tentar trocar o mascote do América. Tomara, tomara mesmo que eu queime a língua e o sujeito dê certo. Mas não acredito.

Mas espero, sinceramente, que ele não tenha diarréias mentais, que não tente trocar o Urubu Rei pelo periquito lilás de Aruanda.

Até que enfim

O Australiano Mark Webber saindo dos boxes / Foto: Red Bull/ Paul Gilham/ Getty ImagesPassei o ano passado inteirinho sem falar de Flamengo e F1. Sobre o primeiro, um desânimo sem fim pelos motivos que qualquer um que goste e acompanhe um pouquinho de futebol já sabem. Já sobre as baratinhas mais caras e rápidas do mundo, não sei dizer o que houve. Justamente num dos melhores anos da história, certamente o mais divertido, disputado e equilibrado entre os que eu vi.

O que importa é que hoje recomeça a bagunça, na Austrália. Na verdade, os motores já foram ligados e os carros já começaram a tirar a poeira da pista, nos primeiros treinos livres. Mas hoje (na verdade, madrugada de amanhã) acontece o primeiro treino de classificação.

A pré-temporada, com três seções em Jerez e Barcelona, foi absolutamente inconclusiva. Algo mais do que normal, levando-se em conta que cada equipe busca respostas específicas nos primeiros ensaios. Nas duas primeiras seções de Melbourne, Vettel e a Red Bull já deixaram todos de boca aberta. Será que essa superioridade vai se confirmar?

Minha expectativa é de que 2013 fosse um ano de disputas ainda mais apertadas. Como não houve grandes mudanças de regulamento, imaginava que as diferenças entre os times diminuiriam. Pelo cheiro, não. Já tem jornalista no padock apostando que o campeonato pode acabar em Monza. Será exagero?

Se o cheiro se confirmar, pelo menos na primeira corrida, se treinos e prova acontecerem nas condições normais de temperatura e pressão, a Red Bull ocuparia a primeira fila e escaparia para a vitória. Mas parece que a classificação será sob chuva e isso poderia, pelo menos, embaralhar o grid e gerar alguma emoção extra.

Na verdade, não estou preocupado não. Melbourne, historicamente, nos dá boas corridas de presente. Sou desses que sofre de abstinência. Então, o que importa de verdade, é que – sob sol, chuva ou granizo – vai começar a festa. 

Foto do dia: abaixo ao ornitorrinco

Não dá pra saber como será a prova de amanhã, muito menos a temporada completa. Mas foi muito bom ter na primeira fila da primeira corrida do ano os dois únicos carros sem o tal bico horroroso que inventaram neste ano.

Já era hora

Finalmente, começa daqui a muito pouco a temporada 2011 da Fórmula 1. Sim, adoro esse negócio, sinto falta de assistir treinos e corridas, de tentar entender as estratégias de corrida e suas conseqüências, de prestar atenção em um pit stop e perceber onde está a diferença que faz um ou outro ganhar ou perder uma posição etc etc etc.

Quem está acostumado a visitar esse meu canto deve ter percebido que não falo no assunto há dez dias. Simplesmente porque não aconteceu nada de relevante. Mas a aproximação da primeira prova revela alguns detalhes e ainda alimenta alguns boatos que valem registro.

A primeira coisa é uma entrevista em que Vettel, ainda discutindo o número de botões no volante e asa móvel, disse que os pilotos até poderiam se unir e não correr. Besteira, eles simplesmente não tem a união necessária para um movimento como esse, a maior parte não tem personalidade para assumir compromissos desse nível e, desconfio com quase certeza, nem autonomia para levar algo assim à frente.

De quebra, Schumacher (o cara que mais modifica o carro durante uma volta) e Alonso disseram que tudo isso é besteira, que pilotos de F1 tem capacidade para lidar com todos os botões do volante e que a pré-temporada serve para fazer esse tipo de adaptação.

Outra notícia é o quase arco-íris que a Pirelli resolveu instituir para identificar seus pneus. O esquema é o seguinte: laranja, chuva; azul, intermediário; vermelho, supermacio; amarelo, macio; branco, médio; prata, duro. Talvez dê um pouco mais de trabalho para nos acostumarmos do que com o sistema usado pela Bridgestone, mas a idéia é muito legal. O único senão foi a escolha do prata, que pode ser confundido com o branco. Poderiam ter escolhido verde ou violeta, só para citar duas cores do arco-íris.

Outra notícia que pintou por aí é que a Hispania está a um passo de quebrar. Ok, agora me digam uma novidade. Já me surpreendi com o fato dela dizer que vai correr esse ano, até apresentou um carro. Será que termina a temporada? Será que, com a regra dos 107%, conseguirá largar para alguma corrida?

Já a McLaren prometeu um carro quase novo para a primeira corrida. Tudo porque teve muitos e muitos problemas – principalmente hidráulicos – de confiabilidade durante os testes. Essa falta de confiabilidade certamente é fruto de um carro novo com tantas inovações, problemas que Red Bull e Ferrari não tiveram. Mas além do que vai por baixo da carenagem, que a equipe tentará resolver, haverá novidades à vista de todos, como um novo escapamento inspirado na Renault. O negócio é ver se vai funcionar.

Outra curiosidade é que, com o início das programações das equipes em função de GPs, também começaram as programações estranhas dos patrocinadores. Não é que mandaram Vettel pastorear e tosquear uma ovelha. Será mesmo que uma ação dessas, tão fora de propósito, alavanca os negócios? Publicitários e marqueteiros, favor discorrer sobre o tema.

Por fim, um pouco da corrida propriamente dita. A FIA definiu a área de monitoramento dos carros (entre as curvas 14 e 16) e ampliou a área em que será permitido o uso da asa traseira móvel para toda a reta dos boxes (contra os 600 metros iniciais). O interessante nessa história é que como é um trecho de média e baixa velocidade, há a possibilidade de quem estiver atrás forçar um pouco mais as freadas, principalmente na 15, para colar no carro da frente. Assim, poderia usar a asa para fazer a ultrapassagem. Em resumo, nada mais artificial, pois enquanto o carro de trás pode ganhar algo entre 10 e 14km/h, o da frente não usa a asa e vira presa fácil.

Outro ponto de atenção é que o desgaste dos pneus vai provocar estratégias diferentes e, em vários momentos da prova, veremos carros com rendimento muito díspares. Assim, naturalmente, o número de ultrapassagens já cresceria. Mas como essas manobras vão se misturar com as provocadas pelas asas, a corrida tem tudo para virar uma zona. E aquilo que era tão difícil, tão esperado e tão comemorado, vai perder a graça por sua banalização.

Mas o que importa mesmo é que, no final das contas, o favoritismo continua com a Red Bull. A Ferrari, ainda atrás, deve estar bem próxima. Daí pra trás… Mas se há uma corrida no ano que, mesmo sem chuva, pode provocar boas e grandes surpresas, é o GP de Melbourne. Vale se programar.

Batalha naval

– Água!

Corta para as notícias da tragédia desta semana no Rio.

Por alguma coincidência dessas, novamente o governador não está (nem) aí. Desta vez está de férias. Como, ao que parece, esteve nos meses entre a tragédia de Angra e Niterói e a atual. Na sua batalha naval, Sérgio Escabroso insiste na mesma jogada – faz um “número 2″  para todos nós. E sempre o mesmo resultado:

– Água! (Hmmm…. Número 2 + água? Será diarréia encefálica?)

Para fazer justiça, a culpa não é só dele, claro. Há décadas que a história se repete: quem tem grana, paga um por fora e constrói onde quiser. Quem não tem grana, dá uns votos e constrói onde quiser.

Giorgio Seixas

É reconfortante saber que existem pessoas que se incomodem com as mesmas coisas que eu. E, como eu, passam por ranzinzas. Para ler o texto completo, de onde foi tirado o trecho acima – além de outras histórias interessantes – basta clicar aqui.

No mar da Tasmânia

Está acontecendo a 66ª Sydney-Hobart, regata já mais que tradicional na Austrália, em que veleiros cruzam o Estreito de Bass e enfrentam o mar da Tasmânia. A largada aconteceu, como das outras vezes, no dia 26 dezembro e dos 69 barcos que largaram, 15 ainda não completaram o percurso de 628 milhas (pouco mais de 1.160km).

A regata é considerada uma das mais perigosas do mundo, pelas condições extremas que caracterizam o percurso. A edição de 1988, por exemplo, foi trágica. Dos 115 barcos que largaram, apenas 44 completaram a prova: 66 veleiros desistiram, 5 afundaram, 55 pessoas foram resgatadas (boa parte em helicópteros) e seis velejadores morreram.

Como em quase todas as edições, a deste ano já teve momentos muito difíceis, com vento roncando (com rajadas superiores aos 80km/h) e mar violento. E como sempre acontece com a vela, belíssimas imagens foram produzidas.

O Loki, comandado por Stephen Ainsworth, a oeste da ilha da Tasmânia / Foto: Daniel Forster

Limit, de Alan Brierty, furando ondas com a vela grande risada e a buja de tempestade / Foto: Carlo Borlenghi

Em condições como esta, em que o Wild Oats XI aparece quase submerso, o mais importante é a preservação do barco / Foto: Carlo Borlenghi

Toda a tripulação do Titania trabalhando duro para colocar o barco no rumo certo e em condições estáveis / Foto: Carlo Borlenghi

O Yendys encarando as ondas na passagem pelo Estreito de Bass / Foto: Daniel Foster

Chris Bull também supera as ondas do Estreito de Bass no comando do Jazz / Foto: Carlo Borlenghi

O Loki também encontrou algumas ondas selvagens em no Estreito de Bass / Foto: Carlo Borlenghi

Ondas no céu a caminho de Hobart / Foto: Carlo Borlengui

O meu calendário

Virou notícia entre hoje e ontem a apresentação do traçado do novo autódromo de Austin, que receberá a F1 a partir de 2012. Mais uma obra de Herman Tilke, o sujeito que desenhou todos os últimos circuitos homologados pela FIA para as principais categorias do mundo nos últimos anos. E como quem acompanha sabe, um monte de pistas sem personalidade, sem gosto.

Dessa vez, no entanto, ele saiu do padrão reta-cotovelo-retinha-muitas curvas de baixa-reta. Pelo contrário, ao invés de tentar desenhar algo novo, fez bom uso do relevo do terreno e ainda usou referências de outras pistas que deram certo, como Silverstone, Hockenheim e Istambul. De quebra, uma reta de 1,2km. Resumindo, cheiro bom. Tomara que se confirme.

Inspirado pelo novo desenho e pela passagem da F1 por Spa, resolvi olhar os autódromos que estão por aí, levando em conta a máxima de que “pista boa, corrida boa”.

Ao longo dos anos, especialmente nos últimos 20 anos, algumas circunstâncias provocaram mudanças significativas no calendário, excluindo corridas clássicas e incluindo novos circuitos em locais nada afeitos ao automobilismo. Entre eles, a segurança, especialmente após a morte de Senna. Mas o dado mais importante, a grana.

Graças a isso e mais alguma coisa, um campeonato que era praticamente todo disputado na Europa, com viagens a América do Norte (Canadá, EUA e México), América do Sul (Brasil e Argentina), Japão, Austrália e África do Sul (apesar do apartheid), hoje passa pelo Oriente Médio (Bahrain e Abu Dhabi) e passeia pela Ásia (China, Malásia, Cingapura e Coréia do Sul, além do Japão), em locais em que é comum ver arquibancadas vazias. Afinal, países que não tem qualquer tradição automobilística. E a Índia ainda vem aí.

Enquanto isso, pistas como Hockenheim foram mutiladas e países tradicionais como França e Portugal não recebem mais a Fórmula 1.

Tentei, então, separar que pistas ainda valem realmente a pena, no calendário deste ano, e cheguei a cinco circuitos que, quase sempre, nos dão boas corridas de presente: Interlagos (Brasil), Montreal (Canadá), Spa (Bélgica) e Suzuka (Japão). Mas aí, como um campeonato não seria bom se disputado em looping em apenas quatro lugares, separei mais cinco que – pela tradição, por boas provas mesmo num circuito bobo ou por uma boa idéia, como sua famosa curva 8 – poderiam fazer parte do calendário: Istambul (Turquia), Melbourne (Austrália), Mônaco (Monte Carlo), Monza (Itália) e Silverstone (Inglaterra).

Como em 2011 o campeonato promete ter 20 provas (a Índia vem aí…), fui procurar mais 11 circuitos que, ao meu gosto, poderiam nos divertir ao longo do ano. Sem saudosismos inúteis, tentei separar entre os autódromos que poderiam ser usados imediatamente, com poucas adaptações, afinal a ordem é gastar pouco.

Meu campeonato, então, ficaria assim: Kyalami (África do Sul), Buenos Aires (Argentina), Interlagos (Brasil), Hermanos Rodrigues (México), Watkins Glen (EUA), Montreal (Canadá), Silverstone (Inglaterra), Estoril (Portugal), Jerez (Espanha), Mônaco (Monte Carlo), Ímola (San Marino), Nurburgring (Europa), Melbourne (Austrália), Suzuka (Japão), Paul Ricard (França), Zandvoort (Holanda), Istambul (Turquia), Spa (Bélgica), Hockenheim, o antigo (Alemanha) e Monza (Itália).

E aí, alguém tem alguma outra idéia?