Só acredito vendo

Coincidência ou não, depois de publicar o post anterior, fui dar uma volta pelos blogs de automobilismo para saber como estão as coisas em Mônaco (tem corrida no domingo). E olhem o texto que encontrei no A mil por hora, do Rodrigo Mattar.

Rio de Janeiro, 12 de maio de 2010 – O Ministério do Esporte, por meio da Secretaria de Alto Rendimento, a Prefeitura do Rio de Janeiro e a Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) se reuniram ontem,  terça-feira, 11 de maio, em Brasília, para tratar da construção do novo autódromo internacional do Rio na região de Deodoro, zona norte da cidade.

Em razão da construção do Parque Olímpico dos Jogos Rio 2016, a ser erguido na área onde está o atual Autódromo de Jacarepaguá, o governo federal propôs à CBA e à Federação de Automobilismo do Rio que o novo circuito fosse construído em um espaço próximo do Complexo Esportivo de Deodoro, construído para os Jogos Pan-americanos Rio 2007.

Na reunião, as partes decidiram dar início ao processo de providências para a construção. Será formado um grupo técnico com representantes das três partes para estudar o projeto da nova pista. O grupo terá prazo de dois meses para ouvir todas as partes interessadas, em especial o setor de automobilismo, e apresentar suas conclusões.

Os dois governos assumem o compromisso de compatibilizar o cronograma das obras do novo circuito em Deodoro com as obras do parque olímpico no autódromo de Jacarepaguá, de modo a não inviabilizar o calendário do automobilismo nacional.

De sua parte, a CBA se incumbe de ouvir as entidades do automobilismo para preparar o projeto técnico, de forma que o novo autódromo atenda a todos os requisitos do esporte. A Confederação vai oferecer aos governos todo o suporte técnico para o projeto de construção e buscar a homologação das entidades do setor.

Além do autódromo, novo circuito deverá ter um kartódromo, espaços multiuso e áreas esportivas como quadras e ginásio. Prevê-se ainda a implantação de projetos sociais e escolinhas voltadas para o automobilismo.

Para o presidente da CBA, Cleyton Pinteiro, a solução “atende ao anseio dos automobilistas de que o Rio de Janeiro tenha novamente um autódromo de padrão internacional. A partir da construção da nova pista, os grandes eventos automobilísticos mundiais poderão retornar ao Rio”.

Já o secretário Ruy Cezar Miranda Reis, da Prefeitura do Rio, disse que os governos vão viabilizar a construção do novo circuito, e a CBA cuidará da parte esportiva, “de modo que o Rio volte a ter um autódromo capaz de receber provas internacionais de grande porte”.

O secretário de Alto Rendimento do Ministério do Esporte, Ricardo Leyser, lembra que o governo federal sempre se colocou à disposição para ajudar a resolver a situação do autódromo internacional do Rio de Janeiro, que, em razão da escolha da cidade como sede dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, precisa ser remanejado para outra localização. Para ele, “a decisão de transferi-lo para Deodoro é benéfica ao automobilismo porque vai oferecer uma estrutura completamente moderna, ampla, multifuncional, em uma região da cidade que se encaminha para se consolidar como um polo esportivo do Rio de Janeiro”.

Em área próxima de onde ficará o novo autódromo se localiza o Complexo Esportivo de Deodoro, construído pelo governo federal para os Jogos Pan-americanos, que abriga centros de hipismo, tiro esportivo, pentatlo moderno, hóquei sobre grama e judô. Futuramente ali será construída uma pista de atletismo no padrão da IAAF. Para os Jogos Rio 2016, em espaço contíguo ao atual complexo, será construído o Parque Radical dos Jogos Olímpicos e Paraolímpicos de 2016, que vai comportar as modalidades de canoagem slalom, ciclismo BMX e mountain bike, além de quadras poliesportivas, campo de futebol, pistas de skate, parede de escalada indoor e acomodações para atividades físicas. A região de Deodoro é a que possui maior índice de população jovem no município do Rio.

O presidente da Federação de Automobilismo do Estado do Rio de Janeiro, Djalma Neves, também participou da reunião.

Wagner Gonzalez
Assessoria de Imprensa
Confederação Brasileira de Automobilismo
(11) 8326 6630

Sueli Scutti
Ministério do Esporte – Secretaria de Alto Rendimento
Coordenação da Assessoria de Imprensa do Comitê de Gestão das Ações Governamentais Federais para os Jogos Olímpicos e Paraolímpicos Rio 2016
Telefones (61) 9162.6499 e (21) 3808.4484

Não me preocupei em esconder os telefones porque o texto está publicado deste jeito no site da CBA. Curiosamente, a reunião que pretensamente iniciou a recuperação do Rio de Janeiro como praça de referência no automobilismo brasileiro e mundial (sonhar não custa nada) aconteceu justamente no dia do 70º aniversário de Interlagos.

O problema é que essa novela do autódromo carioca já está mais do que velha. E aí, só resta ser como São Tomé.

Sem resposta

E depois de ruminar desde sexta-feira, resolvi contar pra vocês como foi a reunião com o secretário que não apareceu.

Marcada para 10h30, cheguei esbaforido cinco minutos depois achando que estava atrasadíssimo, “que vergonha vai ser entrar na sala com a reunião já começada”, afinal essa turma precisa ter uma agenda bem amarrada, tudo no seu lugar, cada minuto contado…

Ledo engano. Afinal, estamos no Brasil e se tem alguma coisa quase universal neste país (além da roubalheira de muitos de nossos representantes em todas as esferas públicas) é a falta de respeito com a hora marcada.

No 2º Encontro de Blogueiros e Internautas com o Estado do Rio (o primeiro aconteceu no dia 12 de março, com a Secretaria de Ciência e Tecnologia) estavam presentes – além deste que vos escreve – Claudia Figueiredo e Celma Rodrigues (Grupo Grande Tijuca), Felipe Pacheco (OCD Holding), Vagner Rosa (Território Gonçalense, Grande Alcântara e Política Gonçalense) e Joel Vasconcelos, da comunidade São Gonçalo, no Orkut.

Pelas 11 da manhã, a Andrea Bedeschi (coordenadora de comunicação da secretaria) veio conversar conosco, aquele papo de “desculpem o atraso, podemos começar com uma apresentação dos projetos, fiz um lanchinho com todo o carinho (do que não duvido, claro), mas o secretário teve um compromisso de surpresa, precisou acompanhar o governador etc etc etc.”

Subsecretário de Transportes Delmo Pinho

Quase que em coro, explicamos que tínhamos outros compromissos (trabalho!!!) e queríamos saber se havia alguma previsão e tal e coisa, ela foi passar um rádio para o secretário e nada de voltar. Eram 11h15 ou 20 quando eu, Claudia, Celma e Felipe nos levantamos para ir embora e, já na porta do elevador, chegaram esbaforidos a Andréa – sempre tentando contornar um problema que não é só dela -, o subsecretário Delmo Pinho (se dispondo a nos atender até a chegada do titular da pasta), além da equipe da assessoria de imprensa que presta serviço ao governo do estado.

Aqui, abro o primeiro parêntese. O convite para participar da reunião chegou no início da semana. O e-mail com a confirmação de local e horário chegou na manhã de quinta, véspera do encontro. Às 19h desta mesma quinta, todos foram contatados por telefone para confirmar, de novo, a presença. Se houve um problema inesperado na sexta de manhã, porque não ligaram para todos para avisar e saber de que maneira se resolveria o problema? Agora, imaginem a situação do trio que se programou para atravessar a poça, de Niterói e São Gonçalo, até Copacabana? E essa foi a grande bola fora da história.

O subsecretário foi de uma boa vontade extrema. Mas estávamos tão putos pela situação toda que o bombardeamos e ele conseguiu responder, na íntegra, apenas duas ou três perguntas. É certo que ele foi pego de surpresa, não se preparou para o encontro que não estava em sua agenda e – muito provavelmente – não esperava um grupo tão incisivo em suas perguntas e cobranças. Chamou a atenção o fato de em todas as suas tentativas de respostas havia muitos “só que”, “mas”, “porém” e afins.

Outro detalhe é que os Jogos Olímpicos 2016 é o esteio para qualquer projeto e para qualquer explicação sobre o que há hoje e o que vai mudar. Fiquei sem resposta, por exemplo, para a pergunta sobre o fato de nossos dois aeroportos, porto e rodoviária não serem atendidos pelo metrô e pelo fato de não haver qualquer intenção de se fazer isso.

BRT na Colômbia

Mais um detalhe é que o BRT (Bus Rapid Transit) é a grande estrela dos novos projetos de transporte do Rio. Para quem não liga o nome à pessoa, são aqueles ônibus articulados de Curitiba, que rodam em corredores exclusivos.

Depois de pouco mais de meia hora de reunião, eu já estava mais do que atrasado e – precisando sair – fiz minha última pergunta: “olhando para o caos do transporte do Rio de hoje, como a minha filha de cinco meses vai se deslocar pela cidade quando tiver 15, 18 anos, e estiver estudando, trabalhando, vivendo?” Fiquei sem resposta.

Na hora de ir embora, encontrei o secretário Julio Lopes no hall dos elevadores do prédio. Cumprimentos rápidos, algum constrangimento dele pelo atraso, e como já havíamos levantado a possibilidade de uma nova reunião em dia e horário que não atrapalhe nossas vidas e nossos trabalhos, prometi que voltaria para aporrinhá-lo.

Já falei com a turma que ficou na reunião por e-mail e realmente ficou prometido a realização de novo encontro, talvez até com a presença do secretário municipal. Sigo esperando novo convite, porque acho que se pode haver um canal de comunicação direto com quem deveria cuidar da cidade, devemos aproveitá-lo ao máximo.

Nada a ver, tudo a ver

A partir de agora você pode avaliar cada post publicado. Passou por aqui, leu mas deu preguiça de comentar, pelo menos diga se valeu a visita e a leitura.

Chantagem

A essa altura do campeonato, todo mundo já está cansado de saber que a votação na câmara dos deputados, sobre a divisão dos royalties do petróleo, arrebentou com os estados do Rio e Espírito Santo. Não sei como anda a briga em terras capixabas, mas no Rio a grita é geral.

O autor da proposta que mudou a regra foi o deputado gaúcho, nascido em São Borja, Ibsen Pinheiro. O grande argumento de Ibsen é de que as riquezas localizadas no mar não podem ser consideradas como deste ou daquele município, mas de todos os brasileiros, do Oiapoque ao Chuí.

Mas antes de falar do caso, e principalmente para quem não lembra do gajo, é necessário fazer as apresentações de praxe.

Ibsen Pinheiro é jornalista, advogado, dirigente esportivo e procurador de Justiça aposentado. Foi vereador em Porto Alegre de 1976 a 1978 e deputado estadual de 1979 a 1982, quando elegeu-se deputado federal. Em Brasília, foi presidente da Câmara dos Deputados – função da qual deu início ao processo de Impeachment do ex-presidente Fernando Collor de Mello – e chegou a ocupar interinamente a Presidência da República.

Fonte: www.ibsenpinheiro.com.br

De acordo com o relatório da CPI, Ibsen recebeu depósitos não justificados no valor equivalente a US$ 34 mil do ex-deputado Genebaldo Corrêa (PMDB-BA), considerado um dos líderes do esquema de cobrança de propina e desvio de recursos do Orçamento e acusado de demitir um funcionário da Comissão do Orçamento, a pedido do deputado João Alves (PFL-BA), o chefe dos anões, porque descobrira a cobrança de propinas para aprovar emendas.

Fonte: Paraná Online

Não vou entrar na discussão de quem tem direito à riqueza descoberta em terra ou mar brasileiro, mas na questão da compensação. Quando há trocentas plataformas de petróleo na Bacia de Campos, não é a São Borja de Ibsen, Rio Branco do Acre ou Quixeramobim que – de uma hora pra outra – têm sua população multiplicada várias vezes, acarretando na necessidade de investimentos em infra-estrutura, transporte, saúde etc etc etc. Também não é o meio ambiente daquelas cidades que é afetado por operações de extração extremamente arriscadas.

Então, apesar do choro ridículo de Sergio Cabral e da vontade mais do que explícita de um sem número de servidores da nação estarem de olho nas moedas, principalmente em ano eleitoral, acredito que – mesmo que a coisa seja confirmada no Senado – o apedeuta tenha o mínimo de honra e confirme o acordo com os governadores dos estados produtores.

Mas – levando-se em conta que como crítico político sou um ótimo torcedor do Flamengo – o que me levou a falar do tema foi a tentativa de chantagem que o presidente do COB tenta fazer com os mandatários da nação, dizendo que os jogos de 2016 podem não acontecer se a regra dos royalties mudarem. Claro que, para fazer efeito, coisas assim devem fazer muito barulho, pois não funcionam sem a participação (mesmo que como zumbis) da opinião pública.

Antes de mais nada é preciso dizer que o Sr. Carlos Arthur Nuzman tem o mesmo direito que eu de opinar sobre qualquer coisa. Mas seria de bom tom que, como presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, guardião do olimpismo em terras tupiniquins, não usasse de subterfúgios rasos em discussões tão profundas como essa. Aliás, seria ótimo se não abrisse a boca. Porque, com qualquer regra que seja estipulada, os jogos vão acontecer no Rio. Afinal, como o próprio dirigente disse, o compromisso com o COI é da cidade, do estado e do país.

O problema é que – talvez – a nova regra impeça um derrame de dinheiro sem controle e os amigos do rei que pretendem melhorar de vida às custas de acontecimento tão nobre tenham mais dificuldade. Mas isso é só um talvez, duvido que personagem  tão especial pense tão pequeno.

O primeiro legado, o primeiro engodo

Uma das tragédias do Pan 2007 e, por conseqüência, dos jogos Rio 2016 é o entendimento que para realizar um evento e construir novas instalações esportivas o princípio de tudo é a destruição de uma outra praça esportiva. Apesar de não fazer o menor sentido, foi isso que aconteceu.

Para construir uma arena, um parque aquático e um velódromo, mutilaram um espaço de classe mundial, o Autódromo Nélson Piquet. Com a definição do Rio como sede olímpica, o pouco que sobrou da pista será destruída definitivamente.

Autódromo de Jacarepaguá em 1964. Nessa pista foram realizadas algumas edições dos 1.000 km da Guanabara.

Autódromo de Jacarepaguá em 1964. Nessa pista foram realizadas algumas edições dos 1.000 km da Guanabara.

Então, agradeçamos a Nuzman, César Maia, Eduardo Paes, Sergio Cabral, Lula etc etc etc (além da luxuosa colaboração da Confederação Brasileira de Automobilismo e sua completa falta de interesse e atuação).

É bom lembrar que Jacarepaguá viu provas de Fórmula 1, com vitórias de Nélson Piquet, o reinado de Alain Prost e um histórico segundo lugar de Emerson a bordo do Copersucar. A pista também recebeu a Moto GP e os cariocas se curvaram a Valentino Rossi. André Ribeiro foi outro brasileiro a brilhar no complexo, vencendo uma das poucas corridas da Indy que o Rio sediou. Além de boa parte da história do automobilismo nacional, é claro.

Ou seja, essa turma conseguiu destruir mais de 30 anos de história (claro que só estou me referindo ao autódromo moderno), um circuito misto apontado como dos melhores e mais seguros do mundo, um oval médio e original com duas freadas fortes e um kartódromo.

E aí, nosso fabuloso ex-prefeito (aquele que começou a destruição), em seu ex-blog, resolve fazer farofa e grita aos quatro ventos que é preciso construir um novo autódromo, que a justiça já decidiu por isso, que a CBA tem que fazer valer seus direitos etc etc etc.

Cacete, se acredita nisso tudo, porque cargas d’água deixou destruírem o autódromo? Ah tá, precisava aparecer de alguma maneira, está fora da mídia há muito tempo…

Bom, reza a lenda que um novo complexo será construído, de acordo com todas as exigências da FIA, e que permitirá ao Rio receber, novamente, a fórmula 1. E já dizem até que a pista será em Deodoro. E aqui há dois detalhes.

O primeiro é a distância do Centro e da zona sul, pontos de concentração de turistas. Vale lembrar que, no mundo inteiro, os autódromos não ficam em locais centrais, por várias razões, entre elas o barulho e o trânsito do público. E, pensando em Jacarepaguá, quando surgiu a primeira pista (na época das fotos em preto e branco) e mesmo quando foi construído o autódromo que recebeu a F1, aquele cantão não era (até hoje não é) muito habitado. Ou seja, por esse aspecto, Deodoro não seria um problema.

Mas aí, resolvi abrir o Google Maps e… Onde ficará o tal autódromo? Vão destruir a Vila Militar? Ou colocarão abaixo o Campo dos Afonsos? Vão desfazer o bairro e transferir sei lá quantas mil famílias para sei lá onde? Porque não há espaço!!! Dêem uma olhada na imagem abaixo. Estão tentando enganar quem?

Deodoro

Enfim, para todos aqueles que gostam de automobilismo, fica o recado: nunca mais teremos um autódromo no Rio, eis o primeiro legado combinado do Pan com as Olimpíadas. Gostaria muito de estar errado, torço mesmo para isso. Mas até que os primeiros carros partam para o primeiro treino de classificação da primeira corrida, o novo autódromo carioca não passa de ficção.