A fumaça e a mesa

Virada_BrasileiraoFinalmente deu vontade de escrever de novo. E, melhor, sobre futebol. Mas desta vez, nem é sobre o Flamengo, vejam só. Muito menos a seleção. Mas sobre o Brasileirão e os burburinhos que andam salpicando aqui e ali.

Primeiro é preciso lembrar que, já há alguns anos e sempre quando o campeonato entra nas suas fases finais, a partir do início do segundo turno, surgem a história de mudar a fórmula, voltar ao mata-mata. As desculpas são as mais variadas, desde a falta de emoção até a queda de público nos estádios. No fim das contas, o que pesa mesmo é a queda da audiência enquanto a TV paga cada vez mais para os clubes (no ano que vem será ainda mais…).

Ao mesmo tempo, vemos o Vasco na situação em que se encontra enquanto o Eurico Miranda fica bravateando por aí, com a maior cara de tranqüilão (sinto muito, ainda não abro mão dos tremas), de que tudo está bem. Naturalmente, alguém se deu conta de que algo estava errado na cena e começaram a investigar. E aí surgiu a fumaça.

De cara, essa imagem aí do feicibuque do Kajuru. Também tem esse post no blog do Rímoli, no R7.

Não vou discutir as informações e as fontes deles. E partindo do princípio de que onde há fumaça, há fogo, começo a levar a virada de mesa razoavelmente a sério. Assim, partindo do princípio de que a decisão já está tomada ou em vias de (a despeito da legislação que proíbe mudanças de regulamentos de um ano para o outro), resolvi propor uma fórmula para o Novo Brasileirão.

A primeira coisa seria a transformação das 4 divisões atuais em duas. Assim, séries A e B formariam a Nova Série A, com 40 clubes. Enquanto isso, C e D formariam a Nova Série B com 60 clubes.

E a disputa se daria da seguinte forma. Na A, quatro grupos de 10, jogando em dois turnos. Os quatro primeiros se classificam para oitavas, quartas, semi e finais. O último de cada grupo seria rebaixado.

Os grupos seriam formados por sorteio com os clubes divididos em quatro potes, segundo ranking de aproveitamento com base na média de aproveitamento dos últimos 5 anos para os 16 clubes de série A mais os 4 que subiriam da B. Assim teríamos 5 clubes A em cada grupo. Faz-se o mesmo com os 4 que cairiam mais os 12 da B mais os 4 que subiriam da C para a B. Ranqueados e divididos em 4 potes do mesmo jeito. E cada grupo também teria cinco clubes B.

Na segunda fase, cruzamento olímpico por índice técnico (% de aproveitamento) entre os 16 classificados com o melhor sempre decidindo em casa.

O Novo Brasileirão teria 26 datas. Assim, o campeonato pode parar quando a seleção joga e o calendário fica mais leve.

Esse formato permitiria que os grandes clubes visitassem “centros menores”, garantindo rendas e audiências.

Para a Nova Série B, a fórmula seria repetida com 15 clubes em cada grupo. Sobem os quatro semifinalistas. Como não existe descenso, minha proposta é garantir as vagas dos 9 primeiros de cada grupo (como na Série A). Assim, as 24 vagas restantes seriam preenchidas segundo os critérios que existem hoje para a disputa da série D. E seriam 36 datas.

Além de mais leve, o calendário do Brasileirão mais enxuto permite a volta das copas regionais paralelas aos estaduais, com os grandes clubes entrando nos estaduais nas fases finais, tipo quartas onde tem quatro grandes ou semi onde tem dois (não gostam de mata-mata?).

O que acham? Será que nossos brilhantes cartolas gostariam da ideia? Não seria uma virada de mesa classuda?

Entre brigadeiros e celulares

Vida de pai é um negócio sensacional. Mas às vezes dá um trabalho danado pra organizar a agenda e conciliar os interesses da prole com o nosso desejo filosófico-esportivo-carnavalesco. Ontem, por exemplo, foi um dia daqueles.

Nico Rosberg / Foto: Getty ImagesA manhã até que foi tranqüila e consegui assistir o GP de Mônaco inteiro: a previsível vitória de Rosberg e sua Mercedes, a nova panca de Massa (quase um replay do que houve no treino de sábado), um mexicano deixar escancarado a guerra de bastidores na McLaren e Sutil fazer duas ultrapassagens magníficas na Lowes e Vettel, que terminou em segundo, sair do principado ainda mais líder do que quando chegou. No fim, uma corrida bem decente, dentro dos padrões Mônaco.

Viva Tony

Meus problemas começaram à tarde, com as 500 milhas e a estréia no brasileirão. Sobre a corrida de Indianápolis, enquanto arruma bolsa, dá mamadeira, veste uma, calça a outra, serve a ração pras mocinhas e tudo o mais que envolve sair de casa com duas crianças e deixando duas cachorras, ia acompanhando. Mas era domingo de festinha, das 15 às 19h30. Ou seja, justamente na hora da decisão, quando faltavam umas 30 voltas para terminar, hora de ir.

Tony Kanaan vence a Indy 500Soube depois que Kanaan venceu. Sinceramente, achei sensacional. Gosto do sujeito, já foi campeão e bateu na trave algumas vezes. Então, agora pode dizer que sua (longa) passagem pela categoria está, finalmente, completa. Castroneves chegou a liderar, mas no passa e repassa do grupo da frente, terminou em sexto. Pra esse, que já venceu três vezes no templo e já foi campeão da dança dos famosos no país do Tio Sam, falta o título da categoria.

Começou

E, enfim, chegamos ao mais importante evento esportivo do final de semana. A estréia do Flamengo no campeonato brasileiro. Como já disse, estava na festinha, acompanhado de outros pais rubro-negros que tentavam acompanhar o embate do planalto pelo celular. E o 0 a 0 nos deixou bem desanimados e desconfiados. Mas assisti o VT quando cheguei em casa e até que fiquei surpreso.

O Flamengo nem jogou mal, a defesa bem postada, o time organizado, todos sabendo o que fazer com a bola. No meio, a inoperância de Renato foi compensada por Elias, em tarde inspirada. Dominamos o jogo e tivemos muitas chances de vencer, pelo menos quatro reais. E Felipe, que nem foi incomodado, teve a chance de posar para a foto de despedida do Neymar ao defender (sem rebote para a marca do pênalti!!!) um falta cobrada pelo moleque.

Rafinha perde gol / Foto: Agencia O GloboAgora, a indigência de nosso ataque foi assustadora. Hernane, o artilheiro do carioca, mostrou que suas caneladas – salvadoras contra quissamãs e caxias – não serão suficientes no certame nacional. E Rafinha, que contra os bambalas e arimatéias chegou a ser melhor que o Neymar, se encolheu. Mas esse tem potencial e tende a melhorar quando se acostumar com os jogos grandes em grandes estádios. Moreno entrou bem e, com ritmo, será o dono do ataque. E Carlos Eduardo… Sei lá o que dizer sobre ele. Mas, no geral, o que importa é que não desgostei não. Mas o sentimento de que perdemos dois pontos jogando fora de casa amargou a boca.

O próximo jogo será “em casa”, contra a Ponte. A obrigação é vencer, claro, mas não será fácil. O campo acanhado e o gramado pererecante de Juiz de Fora estão a favor da macaca. Ou seja, preparem as unhas e calmantes.

Brasileiraço

Picareta no Campeonato Estadual de 2011 / Foto: Fred HoffmanSe o brasileirão começou ontem, no próximo fim de semana acontece o Brasileiraço, com letra maiúscula mesmo. Entre quinta e domingo, no Saco de São Francisco, ali em Niterói, serão realizadas as oito regatas do 6º Campeonato Brasileiro da Classe Velamar 22 com largadas previstas, sempre, a partir das 13h. Não sei quantos barcos estarão na água, isso não importa. O que importa é que a tripulação do Picareta – na qual me incluo – está na ponta dos cascos. A turma do foquetinho azul do Boteco 1 promete garra, dedicação, empenho eeeeee tentar corresponder em campo eeeeeeeee tentar realizar o que o professor determinou eeeeeeee agradar a torcida eeeeeeeee fazer de tudo pra levar o caneco pra casa.

Vale ressaltar que o campeonato – SEM NENHUM INCENTIVO FISCAL – é patrocinado pela Focus Brindes, Noi, a cerveja concebida sem pecado, Yen Motors, Olimpic Sails e Känga Box. Então, obrigado e parabéns às cinco empresas.

Suspiros

E o Flamengo heim? Pois é, logo depois da goleada sobre o Cruzeiro, coloquei a dúvida se aquele resultado seria um último suspiro ou apenas o início da arrancada derradeira. E todos puderam ver a resposta jogada em nossas caras pelo comportamento horroroso do time contra o Coritiba. E o resultado não poderia ser outro que não a derrota.

Ao final daquela partida, estávamos a sete pontos do título, em 12 possíveis. Quer dizer, apenas um cataclisma protagonizado por todos os clubes que estão à nossa frente nos permitiria gritar ‘é campeão’ ao final da 38ª rodada.

E com os resultados de ontem, estamos a dez pontos da conquista, com os mesmos 12 pontos em disputa. Joguemos nossas toalhas, pois, e reiniciemos nossas contas: faltam, incluindo a partida de hoje contra o Figueirense, 42 jogos para o hepta. Não porque é matematicamente impossível, em 2009 fomos campeões com os mesmos 67 pontos que podemos alcançar se vencermos as quatro partidas que nos restam. Mas a distância para a liderança, hoje, é um tanto maior que imensa.

E, para mim o mais grave, nossos jogadores não demonstram a fome de bola necessária para uma superarrancada. Entram em campo como quem vai à esquina tomar um sorvete. E desse jeito, até a vaga para a Libertadores está em risco quando já começam a pipocar aqui e ali as futricas de praxe sobre problemas entre jogadores e treineiro.

De qualquer maneira, com todo o planejamento feito e dinheiro gasto, e apesar do contrato até o fim do ano que vem, se nem a classificação vier, o profexô não vai ficar. Além disso, tem meia dúzia de medalhões ou nem tanto por ali que já deram o que tinham que dar. Ou seja, se o objetivo mínimo não for alcançado, o caldeirão vai ferver. E muito.

Isso, sem falar nessa história muito da torta de que, até hoje, Ronaldinho Gaúcho está sem contrato. É isso mesmo? Ou o contrato que não existe é entre Traffic e Flamengo? Não entendi essa história até agora…

Fim de feira

Se depois dos resultados de domingo já achava que só mesmo Corinthians e Vasco brigariam pelo título, depois de ontem ficou ainda mais claro. Talvez, com muita muita sorte, o Fluminense permaneça na briga até o final.

E rubro-negro que sou, sei que alguns amigos vão pegar no meu pé. Mas torcerei fervorosamente para que Vasco ou Fluminense consigam derrubar – a essa altura – o favoritíssimo time do Parque São Jorge.

Porque, apesar da rivalidade óbvia, sou bairrista sim e seria ótimo ver o título mais importante do país ficar por aqui pelo terceiro ano seguido. Porque, no caso do Vasco, seria o coroamento de uma turma que conseguiu expurgar a quadrilha de Eurico Miranda e fazer uma boa gestão, pagando muitas dívidas e recuperando o respeito de todos pelo clube que durante muito tempo foi a imagem e semelhança de seu ditador. Porque, no caso do Fluminense, ficaria provado que o clube já vinha crescendo há muito tempo e que o título do ano passado não foi pela obra e graça do retranqueiro Murici. E, finalmente, seria muito bom ver as caras de bunda de Ricardo Teixeira e Andrés Sanchez no dia da festa que já está armada em São Paulo.

A sorrir eu pretendo levar a vida

Nada como uma boa vitória para começar a semana com bom humor. Como – depois de ler crônicas e blogs, além de ver e ouvir comentários na TV e no rádio – desconfio fortemente que o jogo que passou na minha casa foi diferente do transmitido para o resto das pessoas, resolvi escrever em tópicos.

O contrário do Grêmio

Ouvi dizer por aí (e não foi num lugar só) que a atuação de ontem foi o inverso da de Porto Alegre. Não vi isso não. O Flamengo começou o jogo em cima do Cruzeiro, marcando forte e tentando atacar. E, de repente, teve um apagão que durou, sei lá, uns nove minutos. Tomou o gol, uma bola na trave, o pênalti ridículo de Alex Silva e só. E daí pra frente, até o fim, não houve mais adversário em campo.

É claro que se o pênalti fosse convertido, o jogo teria outra história. Mas o se não joga.

Na verdade, a cagalhopança que tirou Williams do time parece ter ajudado. Thomás jogou bem pela segunda vez seguida. E como Renato Abreu estava suspenso, Muralha entrou no segundo tempo no lugar certo. E fez o que fez.

Meio-campo

Acho que todos concordam que o menino da camisa 25 não pode mais sair do time. Mas para a próxima partida, Renato Abreu estará de volta, o profexô não vai tirá-lo do time. E isso nem é tão mal. O que fazer, então? A solução é simples: colocá-lo como segundo homem.

E por que isso não é tão mal? Porque Renato, com todas as suas limitações, sabe fazer a saída de bola melhor do que Aírton. E ontem, o camisa 55 foi o responsável por ditar o ritmo de jogo, segurar a bola quando preciso e tentar acelerar quando possível. Não precisa nem pensar muito pra dizer se isso faz algum sentido.

Também não discordo totalmente de Luxemburgo quando ele diz que é perigoso, até para os meninos, colocar Muralha e Thomás em jogos decisivos desde o início. Então, para a próxima partida aposto no meio-campo com Aírton, Renato, Thomás e Thiago Neves.

Falando nele…

A melhor coisa de ontem foi ter pedido o samba O Sol Nascerá como trilha sonora dos seus três gols na matéria do Fantástico. Mas alguém precisa avisá-lo que o clássico é de Cartola e não do Revelação.

Sobre o golaço que fechou a conta, vale lembrar que Fábio tentou entregar o jogo de forma parecida desde o primeiro tempo. Mérito para o nosso camisa sete, que aproveitou a chance que teve com muita classe.

R10

Eu só o vi em campo, de verdade, duas vezes. Na cobrança do escanteio do segundo gol e no lance em que, com o gol aberto, resolveu fazer gracinha. Olhou para um lado, chutou para o outro. E bola teria ido parar na geral se geral lá houvesse. Pois bem, não é bom esperar muito do sujeito na reta final. Sempre sumiu nos momentos de decisão, mesmo em seu auge no Barcelona. Não é agora que vai mudar. Se tiver uma chance de brilhar, talvez aproveite. Mas que ninguém conte com ele como esteio na luta pelo título ou por qualquer outra coisa.

Próximos passos

Nossa tabela não é boa nem ruim. Do Coritiba, se arrancarmos um empate lá – dado o histórico – será bom. Contra o Figueirense, a surpresa do campeonato, não espero nada diferente da óbvia vitória que colocaria as coisas nos seus devidos lugares. Tenho um certo medo do Atlético de Goiás. Se tudo correr bem até lá, é provável que o Serra Dourada esteja lotado de rubro-negros. E é nesses cenários com tudo a favor e contra times pequenos que o Flamengo costuma entregar a rapadura. Inter em casa é jogo grande de time grande. Não tenho nenhum medo. E contra o Vasco… O dia em que um rubro negro tiver medo de jogar contra o Vasco, é melhor largar o futebol.

4 pontos

Estamos a quatro pontos do título. Porque não basta empatar com ninguém, temos menos vitórias que todos os nossos adversários. Mas vejo o campeonato na nossa mão. A questão é saber se vamos buscá-lo ou não. Se o jogo de ontem foi um último suspiro ou o início de um maravilhoso sprint à vitória.

Porque como já aconteceu ontem, o Corinthians vai peidar. Desculpem a linguagem tosca. Mas seu técnico já bradando em entrevista coletiva que ali não há cagalhões (assim mesmo) é a prova cabal da tremedeira que acometerá o time dos mano e das mina, a necessidade de autoafirmação que negaria o óbvio.

Também não acredito que o Vasco agüente o tranco e já sabemos que Caio Jr. não deixará o Botafogo brigar pelo título. Também não aposto no Fluminense, mas já é de quem tenho mais medo a essa altura.

Ou seja, apesar de não parecer, só depende de nós. Faltam cinco jogos para o hepta. Será que o time vai ter coragem de ser campeão?

Bisonho

Neosaldina? Numa sexta-feira? Sem avisar o médico? Tá bom, Felipe, tá bom. A gente acredita…

É preciso querer vencer

Quem está acostumado a passar por aqui deve ter notado que não falei de futebol, principalmente de Flamengo nessa semana. E não porque perdeu para o Grêmio no último domingo, mas pela forma como perdeu.

Para o resultado do campeonato, a derrota não foi nada demais. Eu mesmo já tinha dito que, nos sete jogos que faltavam, ainda perderíamos três ou quatro pontos. Mas o jeito…

Primeiro, a notícia da cagalhopança protagonizada por Williams. Queiram ou não, coisas assim atrapalham o ambiente. Mas – apesar do problema ou graças a ele – o profexô conseguiu montar um time, com a entrada de Thomas, que funcionou muito bem, com boa posse de bola e agredindo o adversário. Apesar do segundo gol ter saído num lance de sorte, àquela altura já poderíamos estar vencendo por dois ou três gols de vantagem, não fosse a completa inaptidão de Deivid.

É claro que tudo tem um preço. Sem nosso cão de guarda e com um zagueiro brilhante que tenta marcar os adversários com a bunda, corremos alguns riscos e vimos até troca de passes em nossa grande área. Mas fomos para o intervalo com2 a1 no bolso. Na volta dos vestiários, a impressão era que houve farta distribuição de soníferos ao nosso escrete.

Sem vontade, sem tesão, sem atenção… E com nosso profexô inspiradíssimo. Thomas errou dois ou três passes e foi sacado para a entrada de Muralha. Com o esquema que deu certo no primeiro tempo desmontado e a notável preguiça de todos, o jogo foi pro saco.

O time do Flamengo, sabidamente, é bom o suficiente para ser campeão, todos estão cansados de saber. Mas não basta ser bom, é preciso querer vencer. Ainda faltam seis jogos e o hepta ainda é possível. Mas se continuarem jogando como fizeramem Porto Alegre– não importa quem seja escalado –, o Flamengo que demorou trezentos meses para perder a primeira partida no ano não pega nem Libertadores.

Ronaldinho

Eu disse muitas vezes que Ronaldinho Gaúcho não era sujeito em que se pudesse confiar em horas de decisão. A essa altura do campeonato, já esperava que tivéssemos um time azeitado o suficiente para não dependermos tanto dele. Já sabemos que isso é um delírio.

Além disso, sua volta ao Olímpico com toda a pressão etc. e tal já se esperava complicada. Mesmo assim, começou ‘bem’. Um cobrança de falta quase perfeita, um ou outro passe de calcanhar e… Mais nada. Donde surge minha face de psicólogo de botequim.

Se tivesse marcado o gol de falta antes dos cinco minutos, aposto que ele teria deslanchado e destruído o time do Grêmio. Pois escrevam aí: suas atuações (e, conseqüentemente, os resultados das partidas do Flamengo até o fim do ano) dependerão fortemente dos inícios de jogo de Ronaldinho. Pois são todas partidas decisivas e o sujeito nunca se notabilizou por brilhar em momentos de decisão.

Poderemos começar a tirar a prova já neste domingo, jogando em casa contra o rebaixável Cruzeiro.

Sete

Aproveitando que falei do Maracanã no post abaixo, lembrei do Flamengo. Que jogou alquebrado contra o Santos em uma partida em que, pelas circunstâncias, todos esperavam uma goleada do peixe. E todos viram que, mesmo jogando mal de novo, mesmo até merecendo perder, não foi o que aconteceu.

É verdade que houve um pênalti não marcado. Mas não por roubo, e sim por falta de coragem do juiz. Imagina, dois pênaltis seguidos contra o Flamengo no Engenhão… Basicamente, ruindade mesmo. Como no gol do Flamengo mal anulado por impedimento.

Cheguei a escrever na semana passada que, mesmo a derrota, não seria um grande problema. Nas sete rodadas, todos ainda vão perder pontos. E, olhando para quem ocupa hoje a ponta da tabela, ninguém me tira a certeza que o campeonato não está nem perto de se definir.

Cinco pontos para tirar do líder em 21 possíveis e ainda com o confronto direto. Já escrevi também: meu sonho é chegar à última rodada dois pontos atrás do Vasco.

Nossos próximos jogos serão os seguintes: Grêmio, Cruzeiro, Coritiba, Figueirense, Atlético Goianiense, Internacional e Vasco. Ainda acredito que perderemos 3 ou 4 pontos. Mais do que isso é ‘adeus hepta’.

Mas vocês já viram os jogos do Vasco? São Paulo, Santos, Botafogo, Palmeiras, Avaí, Fluminense e Flamengo. Pois o time da colina não vai ganhar nenhum dos clássicos e ainda vai deixar escapar mais um ou dois pontos.

Como descarto Botafogo e Fluminense, restaria a preocupação com o Corinthians. O time do amigo do Lula e do Ricardo Teixeira, o time que ganhou um estádio por conta da Copa, o time do cara que disse que vai sair mas quer fazer seu sucessor, o time do Ronaldo. O único time capaz de impedir que a taça continue morando no Rio pelo terceiro ano consecutivo, onde já se viu isso?

Até a festa de encerramento do campeonato acontecerá em São Paulo e já tem gente dizendo que isso é um sinal claro de que o título não escapa, por bem ou por mal. E a tabela? “É a mais fácil”, todo mundo grita. Vejamos então.

Avaí, América, Atlético Paranaense, Ceará, Atlético Mineiro, Figueirense e Palmeiras. Tirando os dois últimos, que já não querem mais nada com a hora do Brasil, todos os outros clubes lutam desesperadamente contra o rebaixamento. Jogarão suas vidas. Somando isso à pressão pelo ‘título fácil’ (já demonstrada na última coletiva destemperada de Tite), sinto dizer-lhes: já era. Os caras vão tremer e… Se bobear, já chegam na última rodada fora do páreo.

E na base do ‘vamo lá, porra’, seremos hepta. Só faltam sete jogos. O lado ruim é que vamos continuar aturando o Luxemburgo. Mas tudo tem seu preço, né não?

O copo

Daqui a muito pouco o Flamengo entra em campo pela Sulamericana para exorcizar mais um fantasma, a Universidad de Chile. Mais um fantasma mequetrefe, como foi o Ceará no último final de semana. Então, mãos à obra.

Mas o que me importa é que, faltando apenas oito jogos para o hepta, há um certo cheiro de merda pelo ar. Tudo porque o time continua não jogando nada. Pra completar, a expulsão bisonha (e merecida) de Ronaldinho e o amarelo ridículo (e merecido) de Thiago Neves.

No fim das contas, entraremos com meio time reserva no jogo contra o Santos. Mas logo eu, que sou pessimista original, comecei a ver o lado bom da coisa. Sabem aquela história do copo meio cheio ou meio vazio? Pois então.

O Santos vem como franco atirador, pois que não disputa mais nada e apenas se prepara para o mundial no fim do ano. Jogando sem pressão e praticamente completo, pode ser perigosíssimo.

E aí você olha para o bando que vai estará em campo e se dá conta que, se ainda temos de perder algum jogo no campeonato, esse é o ideal. Porque ninguém vai seguir invicto até o final do ano e porque ainda restarão 21 pontos em disputa.

O outro lado da moeda é a possibilidade da vitória. Imaginem que o (arremedo de) time que partirá para o confronto, os onze que farão as vezes de titulares do Flamengo, vença a partida. Imaginem a moral com que vai seguir em frente.

Pois é, tentemos ser otimistas. Torcer, torcer, torcer.

2ª Edição

Que vexame, que vergonha. Sem contar a sensação de que o tal copo está, na verdade, meio vazio.