Verbertes e expressões (30)

Censura

s.f.
Exame crítico de obras literárias ou artísticas; exame de livros e peças teatrais, jornais etc., feito antes da publicação, por agentes do poder público.
P. ext. Órgão que realiza esse trabalho.
Condenação eclesiástica de certas obras.
Corporação encarregada do exame de obras submetidas à censura.
Condenação, crítica.

Fonte: dicionário online de português

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Censura / Ilustração: Eric DrookerEstava vendo essa tal discussão e jurando que não ia meter o bedelho no assunto, tão surreal é sua simples existência. Mas não resisti. Falo das biografias, claro, e essa tentativa de proibi-las. Me refiro às biografias sérias, documentos históricos sempre interessantes e muitas vezes fundamentais para entender melhor o mundo em que vivemos.

Millôr disse, todos sabem, que “imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados”. No mesmo espírito, digo que biografia com autorização prévia – seja lá de quem for – é autopromoção.

E porque essa enorme discussão que tomou de roldão a nossa imprensa é absolutamente surreal? Primeiro é preciso não tentar dourar a pílula como já vi em alguns artigos nos últimos dias: o que estão tentando fazer é instituir a censura sim.

Agora, vamos à Constituição:Promulgação da Constituição, em 1988

– Art. 5º, IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

– Art. 5º, V – é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;

– Art. 5º, IX – é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença;

– Art. 5º, X – são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação;

– Art. 5º, XIV – é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional.

Se não bastasse a Carta Magna, que garante tanto a liberdade de expressão quanto a penalização de quem abusa desse direito, o Código Penal é bem claro quanto aos crimes de calúnia (artigo 138), difamação (139) e injúria (140).

Minha pergunta, com tudo isso, é: pra quê uma lei específica pra tratar de biografias (que em sua essência é jornalismo), criando a censura prévia (proibida pela constituição) e só permitindo a publicação de obras previamente autorizadas? A desculpa é a defesa da privacidade. Mas, caramba!, pra isso já temos texto legal. Aí, Djavan solta a pérola:

– A justiça é muito lenta.

E um amigo com quem trabalho (que se quiser se identifica nos comentários) acerta na mosca em uma possível resposta:

– Ok, suas músicas também. Mas a justiça podemos reformar.

Bingo!

Não bastasse a questão legal, há o surrealismo conceitual. Vejam que não é o Jair Bolsonaro ou a família do ex-presidente Médici que inventou esse negócio. À frente do movimento, os mais notáveis são Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil (prefiro não comentar sobre Paula Lavigne – quem?! – e Roberto Carlos).

Esses três caras vivem até hoje às custas de uma obra (grande e bela, sim), que nasceu e ganhou visibilidade justamente no tempo da ditadura, quando os três davam voltas pra ludibriar a censura em suas canções. Tempo em que, oficialmente, lutavam por democracia e liberdade de expressão. Curioso, né? Não consigo pensar nesse cenário sem a estranha sensação de que no dos outros é refresco…

Pra encerrar o assunto, outro amigo me enviou o texto brilhante de Márvio dos Anjos. Seguem trechos:Chico Buarque / Divulgação

Já joguei bola com Chico Buarque, no campo do Politheama, no Recreio, zona oeste do Rio. (…) Logo na entrada havia uma proibição expressa contra a entrada de jornalistas e chatos em geral. Naquele campo, propriedade privada, fazia sentido.

(…)

Às vezes, eu me dava conta de que estava jogando ao lado daquele Chico, aquele poeta de tantas canções vigorosas, ídolo de meus pais, formador da identidade de tantas mulheres, burlador da ditadura, exilado político, referência minha para letras de música. “Caralho, é o Chico”, a mente me gritava.

(…)

O Politheama era uma panela típica, clássica de quem é o dono da pelada: Chico, Carlinhos Vergueiro e Vinicius França formavam a espinha dorsal, que se reforçava da melhor juventude disponível (um pouco como a carreira musical de Caetano, o que não reprovo: reciclar-se é uma arte). (…) E sim, os Politheamas saíam sempre felizes. Porque o Politheama é árbitro inconteste em seu próprio gramado. Todas as marcações são a favor deles, a fim de manter a lendária invencibilidade. Meu Deus, COMO roubam.

(…)

Escrevo sobre Chico Buarque porque a polêmica das biografias precisa ser situada também no espírito esportivo que favorece o espírito democrático. E porque sempre que tocarmos neste assunto falaremos da proibição estúpida que limitou por anos o acesso ao magnífico “Estrela Solitária”, relato de Ruy Castro sobre Garrincha. (…) Em suma, o país perde o direito à análise e à memória imediatas por caprichos de filhos, gente que, muitas das vezes, divide apenas DNA e olhe lá. Para mim, é o pior lado da nossa atual legislação das biografias. E é isto que Chico considera justo.

(…)

E claro, sou da opinião que a pelada revela o homem. Tudo que alguém é capaz de fazer por vontade de vencer numa partida amadora é reveladora do caráter, das posturas, do espírito nobre sobre o qual Coubertin estabeleceu as fundações dos Jogos Olímpicos.

Pra terminar, agora de verdade, é bom lembrar que todos esses grandes democratas da vida alheia sempre apoiaram as causas, grupos e partidos de esquerda, inclusive o que está no governo. Os mesmos que querem implantar o marco regulatório da internet e o controle social da mídia. Mas isso é apenas coincidência, só coincidência…

Verbetes e expressões (29)

Diversionismo

(di.ver.si:o.nis.mo)

sm.

1. Manobra us. nos órgãos legislativos ou deliberativos, consistente em desviar a atenção de seus membros para assunto diverso daquele que se discute, a fim de impedir-lhe a aprovação.

2. P.ext. Qualquer recurso us. para despistamento; cortina de fumaça.

[F.: diversão + –ismo, seg. o mod. erudito.]

Fonte: iDicionário Aulete

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https://gustavosirelli.wordpress.com/2013/06/27/pt-e-dilma-voce-ainda-se-surpreende/Esse plebiscito é uma piada. Péssima, por conta de tudo o que o envolve e desde a maneira como surgiu.

Desde que as manifestações começaram, via-se de tudo nos gritos confusos e cartazes criativos ou não que circularam pelas ruas. É verdade que tinha até gente falando do assunto e é claro que a reforma política é algo de suma importância num país em que existe uma crise de representatividade gigantesca.

Primeiro é preciso lembrar a maneira como a presidente se apresentou. No primeiro pronunciamento, 10 minutos de elucubrações sem assumir qualquer compromisso claro. Depois, armou uma enorme cena para jogar sobre o país as resoluções de um congresso de seu partido, sem qualquer tipo de acordo ou aviso prévio àqueles que estava com ela à mesa.

Por fim, o tal plebiscito, o que sobrou do vexame da constituinte específica. Como já disse, a reforma é sim importante, mas nem de perto o tema mais grave e mais urgente para se tratar neste momento. Além disso, apesar de previsto na nossa Carta (como os referendos), expõe um modelo de governo já praticado em alguns de nossos vizinhos (Hugo, Evo e Rafael sabem bem o que é isso) e que fragiliza sobremaneira um dos poderes nação, pilar da democracia. Que Congresso que teria coragem de ir contra a “voz das ruas”?

Pombas, mas todo o poder emana do povo, qual o problema em se acatar a “voz das ruas”? O problema é que hoje o governo federal, não satisfeita com sua maioria construída como todos sabemos, tem um cabresto que parte de mais ou menos 20 milhões de votos. O problema é que, da maneira que a coisa está sendo feita, a toque de caixa, não haveria tempo hábil para se educar a população sobre os principais pontos da tal reforma. O problema é que a reforma que se desenha (com todo o suporte da máquina) privilegiará a manutenção do poder pelo grupo que está aí (voto em lista, financiamento público, manutenção do voto obrigatório), ao contrário do que deveria acontecer, fortalecendo a democracia com chances reais de alternância de poder e aproximação entre políticos e população, representantes e representados.

E o resultado é que os problemas básicos do Brasil não estão sendo atacados enquanto estamos todos, compulsoriamente, discutindo o tal plebiscito.

Verbetes e expressões (28)

Espetáculo

s.m. Tudo aquilo que atrai o olhar, a atenção: o espetáculo da natureza.
Contemplação. Representação teatral, cinematográfica etc. Servir de espetáculo ou dar espetáculo, ficar exposto às críticas do público; ser objeto de escândalo, de zombaria.

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O maior espetáculo da TerraSão, no mínimo, interessantes as notícias que chegam de Roma. Ou a falta de notícias que requenta sem parar as especulações.

Os cardeais estão se reunindo há dias, em preparação para a grande eleição. Mas que preparação é essa, o que eles andam discutindo, se os documentos importantes estão presos em um cofre e só serão entregues ao eleito?

O conclave começa hoje (a essa altura, já começou) e os caras vão ficar trancados lá sabe-se lá quanto tempo. Mas não é interessante a declaração do porta-voz do Vaticano de que não teremos a fumaça branca que indica a eleição no primeiro dia? Se todo mundo já sabe disso, por quê o suspense?

Há mais de cinco mil jornalistas do mundo inteiro credenciados para acompanhar o bagulho. Acompanhar o quê? Se os caras ficam trancados lá e ninguém pode falar nada (até ascensorista fez juramento de segredo), tá todo mundo credenciado pra ficar plantado na praça, num frio do cão, a um custo absurdo, esperando por uma fumacinha?

Na verdade, o que faz (ou deveria fazer) pensar é a espetacularização de tudo, até da não-notícia, que estamos vivendo hoje. E esse conclave é excelente material pra isso. Se não sabe do que estou falando, abra qualquer grande portal de notícias, dê uma boa olhada em todas as manchetes e aponte – com sinceridade – o que é notícia de verdade. E pense na expressão panis et circenses.

Verbertes e expressões (27)

Extraordinário

Adjetivo: Característica do que é raro, singular ou esquisito

Fonte: Dicionário online de português

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Menor confessa ao Fantástico o crime de Oruro / Foto: ReproduçãoNão foi extraordinário o aparecimento e a confissão de um menor, ao Fantástico, se apresentando como culpado pelo disparo do sinalizador que matou um garoto de 14 anos na Bolívia, durante o jogo do Corinthians?

Não foi extraordinário o fato de não mostrarem o rosto do garoto, apesar de ser uma confissão e dele estar ao lado da mãe?

Não é extraordinária a conveniência dessa confissão?

E vejam que existem muito mais coisas extraordinárias nessa história.

Apesar de Brasil e Bolívia terem pacto ou acordo (sei lá como chamam essas coisas) de extradição, menores não entram na conta. Além disso, o Brasil não pode extraditar brasileiros, está na constituição. Ou seja, alguém acredita que ele será condenado a alguma coisa? Talvez, pra não ficar muito feio e se os bolivianos fingirem que caíram nessa história, coloquem o garoto para aparar jardins públicos até completar 18 anos. Eu acho que nem isso…

Seguindo em frente: o garoto trabalha e estuda. Foi liberado pelo chefe ou estava de férias do trabalho? Porque as aulas acabaram de começar e, a não ser que pretendesse levar um atestado médico falso, matou uma semana de aulas na cara dura mesmo.

Além disso, um garoto de 17 anos, de família pobre, atravessou a fronteira sem a companhia de um responsável. Ele é emancipado? Havia autorização dos pais? Quem e como pagou a farra de uma semana?

Mais: um adolescente de 17 anos gasta R$ 150 em um sinalizador de navio, enquanto comprava games? Mas ele não é de família pobre?

Ainda no estádio, recebe a orientação de só se entregar no Brasil. Havia advogados na torcida do Corinthians, devidamente preparados para qualquer incidente? Foi premeditado, então?

Por fim, todo mundo procura pelo culpado, mas só o Fantástico o encontra? Por quê, ao invés de ir à polícia e se entregar, deu entrevista para a TV? O garoto é inteligente e esclarecido mesmo ou foi muito bem orientado?

É claro que tudo isso aí em cima pode ser verdade, tudo é possível afinal. Mas não seria uma combinação de fatores extraordinária?

Verbetes e expressões (26)

História

(do grego antigo ἱστορία, transl.historía, que significa “pesquisa”, “conhecimento advindo da investigação”) é a ciência que estuda o Homem e sua ação no tempo e no espaço, concomitante à análise de processos e eventos ocorridos no passado.

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Não foi por acaso que fui à Wikipedia buscar a definição mais simples (e mais óbvia) de História. Vejam que gracinha o que aconteceu hoje.

Militares da reserva e policiais supostamente envolvidos com atos de tortura e outros abusos cometidos durante a ditadura militar no Brasil (1964-1985) foram alvo de manifestações realizadas nesta segunda-feira em seis cidades do país. Integrantes do Levante Popular da Juventude – movimento de jovens que surgiu há seis anos no Rio Grande do Sul e hoje tem representantes em todo país – levaram faixas e fizeram apitaços em frente às casas ou endereços de trabalho dos agentes do Estado, com o intuito de constrangê-los em função da participação deles em atos do regime. As ações ocorreram em Belo Horizonte (MG), São Paulo (SP), Porto Alegre (RS), Fortaleza (CE) e Belém (PA), Aracaju (SE) e devem continuar nos próximos meses.

Clique aqui para ler, em O Globo, a matéria completa. Agora, olhando a foto acima, alguém aí tem dúvida de isso vai dar merda?

Isso aí só aconteceu por causa da criação de uma tal comissão da verdade que é, na verdade, uma comissão da revanche. Ou o tal trabalho não estaria sob responsabilidade de uma ministra que defende Cuba no que diz respeito aos direitos humanos. Uma tal Maria do Rosário.

Pois bem. Não será por acaso que o tal Levante Popular da Juventude nasceu e cresceu no Rio Grande do Sul, estado em que nossa presidente fez sua história política, estado de Tarso Genro – aquele que deu asilo político a Cesare Battisti.

E esse tipo de ação só é insuflada porque se confia na falta de formação média do brasileiro. Especialmente em história.

É claro que houve muita tortura no Brasil durante a ditadura militar, todos sabem. Eu já convivi com algumas vítimas, profissionalmente ou não. E muitas mortes também. As próprias organizações de esquerda contam 424 durante o período. O problema é que ninguém fala das 119 vítimas (oficiais) dos grupos paramilitares, a tal luta armada (aqui você encontra a lista completa, com a descrição de como morreram, dividida em quatro partes)

Agora, alguém aí sabe dizer se a tal comissão vai tratar desses mortos também? Não, claro que não. Porque boa parte dos integrantes daqueles grupos estão, hoje, no ‘pudê’. Simples assim. Incluindo nossa presidenta, como sabemos. Além, é claro, da visão distorcida de que pela causa vale tudo.

A questão mais grave, no entanto, é a força que essa turma vai fazer para reescrever a história do país, esquecendo que a lei da anistia “ampla, geral e irrestrita” – válida, portanto, para todos de todos os lados – foi parte fundamental no processo de abertura que nos permitiu chegar ao que temos hoje como democracia.

E por causa da lei da anistia (Lei n.º 6.833/79) é que não seria correto (nem justo) fazer pichações em resposta àquela, em frente à casa ou trabalho de cada um dos envolvidos nas tais 119 mortes, com a frase “aqui mora um terrorista”.

Pois que, há algumas semanas, conversava com amigos de trabalho sobre nossa situação política, de maneira geral. E foi quase unânime (e discordâncias sempre são bem vindas) que vivemos hoje uma ditadura muito mais perigosa do que a que vigorou entre 1964 e 85. Uma ditatura de ideias, travestida de democracia, que pretende – sem fazer a menor força para esconder isso – engolir ou atropelar tudo e todos que discordem deles em qualquer grau.

Começo, sinceramente, a torcer para que os maias estejam certos.

Verbetes e expressões (25)

Cagalhopança

Ato ou situação desenvolvida por uma ou mais pessoas que resultam de uma cagada mais refinada, ou seja, uma cagalhopança. Vem a ser algo meio que orquestrado, uma cagada sem tamanho e inenarrável.

Os exemplos se aplicam em inúmeras e inusitads situações, tal como uma cagada sem tamanho que não pode ser descrita em poucas palavras e que também é muito maior do que uma simples cagada, logo é uma cagalhopança.

Fonte: Dicionário inFormal

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Alguém tem alguma dúvida de que o que houve em São José dos Campos foi uma belíssima, caprichadíssima cagalhopança? Pois é, deu até a impressão de que foi construído um grande plano de ação, com tudo o que poderia ser feito de errado. E tudo cumprido à risca.

Sobre o tema, vale muito ouvir o comentário de Ricardo Boechat na Rádio Bandeirantes, é quase perfeito. O único grande defeito é que o jornalista não se aprofundou como deveria ao dizer que o governo federal não fez nada além de tentar se aproveitar politicamente do evento, atitude típica dos governos e aliados petistas.

Quanto ao futuro, me preocupo bastante com o que vai acontecer com as pessoas que foram tiradas de casa na marra. Vale lembrar que a ocupação ilegal do terreno começou há oito anos e poderia ter sido evitada naquela época. Agora, 1.500 famílias estão sem rumo.

Com um drama completamente diferente, mas com resultado parecido, amigos de Niterói lembram que até hoje há desalojados do morro do Bumba. A tragédia provocada pela chuva completa dois anos no dia 6 de abril.

E assim, abandonado como sempre, independente de discursos e bandeiras, segue o povo – principalmente a parcela que mais precisa de amparo.

Verbertes e expressões (24)

Oligofrenia

1. (do grego olígos = pouco; phrěnphrenós = espírito, inteligência), designa a gama de casos onde há um déficit de inteligência, no ser humano, compondo a chamada tríade oligofrênica: debilidade, imbecilidade e idiotia. (Fonte: Wikipédia)

2. (òl) [De olig(o)- + -fren(o)- + -ia.]
Substantivo feminino.
Psiq. Escassez de desenvolvimento mental, que pode ter causas diversas (hereditárias ou adquiridas); oligopsiquia. [Cf. demência.] (Fonte: Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa)

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Certa vez, um amigo – enquanto falávamos das muitas coisas estranhas que acontecem no Brasil – disse que o país (e toda sua estrutura de serviços e posturas públicas etc. e tal) era oligofrênico. Certamente, no momento em que isso foi dito, estávamos um tantinho revoltados sobre algo específico e muito mal feito por essas bandas.

Pois a nítida impressão – quase uma certeza a essa altura – é de que nossos bravos dirigentes (a presidente, o oráculo e ex-presidente, ministros – quase todos -, congressistas e quetais) acreditam piamente que os quase 200 milhões de brasileiros são oligofrênicos.

Porque nada mais explica que, depois de tantos dias e tantas denúncias, Orlando Silva Jr. e seu PC do B sigam à frente do Ministério dos Esportes.

Porque mesmo que não haja provas cabais – e é bom lembrar que corruptos não costumam assinar recibos -, há uma montanha de evidências. E, nesse caso, bastaria a frase famosa sobre a mulher de César para derrubar tudo e todos.

Porque mesmo que Orlando não tenha recebido nem um mísero Real em proveito próprio, já há provas de que muito dinheiro foi desviado em favor do partido e um tanto de aproveitadores. Nesse caso, minimamente, seria um péssimo gestor que não justifica o cargo.

Será que somos todos débeis mentais, imbecis, idiotas?