Curiosidades bolivarianas

Josef Stalin, Hugo Chávez e Símón BolivarAgora que o cara está oficialmente morto, as análises a seu respeito, entre a favor, contra ou muito pelo contrário, estão por toda a parte. É curioso perceber, por exemplo, que os que falam a favor são os mesmos que defendem Fidel e agridem – com pedras ou palavras – uma blogueira que é a favor da liberdade de expressão.

É curioso, também, que a morte do moço tenha sido anunciada justamente na mesma data de morte de Stalin, outro grande democrata. Tenho certeza que foi apenas coincidência, mas é que em tempos de teorias da conspiração, em que até um câncer é culpa de um governo inimigo, não custa nada lembrar.

Mas vejam que curiosos são os argumentos de quem defendia Chávez: nunca fugiu de eleição, que nunca foi contra a constituição, que não se vingou dos adversários. E também já corre que sua herança política é eterna, de relevância histórica e tal.

Os que fazem esses elogios, claro, esquecem que sua primeira tentativa de chegar ao poder foi com um golpe militar, que fracassou. É verdade que foi eleito. Quatro vezes, mas sempre sob suspeição de fraudes, com a liberdade de imprensa inexistente e inúmeros veículos fechados, oposição sufocada, rolo compressor sobre os tribunais e presídios lotados de presos políticos. Também não lembram que mudou a constituição ao seu bel prazer, justamente para garantir suas eleições (lembrem-se que disse mais de uma vez que pretendia liderar a Venezuela até 2031).

Em sua democracia muito torta, encampou inúmeras empresas na mão de ferro. E apesar de se aproveitar dos bons preços do petróleo, sua única riqueza relevante, não chegou nem perto de instalar a propagada igualdade, além de fazer a população encarar racionamentos, de energia a água, passando até por alimentos.

Outra curiosidade foi a colocação de Dilma sobre Chávez, dizendo que morreu um amigo do Brasil. Hummm… É claro que manifestações oficiais, principalmente de chefes de governo, é algo sempre delicado. Mas nossa presidenta não precisava ter exagerado. Que o diga a Petrobras, obrigada a lidar com um calote gigantesco na construção da refinaria do nordeste.

Não, não comemoro a morte do sujeito. Apesar de ser algo do que não adianta fugir, não fico torcendo para esse ou aquele morra logo, seja de morte morrida ou morte matada. E é claro que, independente da política, um ser humano foi embora e sua família merece todo o respeito e solidariedade em um momento em que é impossível não sofrer. Mas também não dá pra separar, em casos assim, o homem do mito.

É quase certo que a Venezuela vá passar por muitas dificuldades nos próximos anos, é natural que haja muitos conflitos e disputas pelo poder protagonizadas pelos herdeiros políticos. Mas com a saída de Chávez do cenário há a chance do país se reconstruir. De verdade, institucionalmente.

Nos próximos dias, veremos imagens e mais imagens das ruas venezuelanas tomadas pelas pessoas que apoiavam Chávez, é provável que seu grupo ainda seja eleito no pleito que deve ser convocado para daqui a 30 dias. Mas a longo prazo, não devem se manter. A ver.

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Uma última curiosidade. Simón José Antonio de la Santísima Trinidad Bolívar y Palácios, um dos libertadores da América, foi a inspiração de Chávez para o que ele chamava de Bolivarianismo e nem ele conseguia explicar de verdade o que era. Não é mesmo curioso que um sujeito que chega a ser referido por vários historiadores como o George Washington da América do Sul, justamente por ser um democrata, tenha seu nome e imagem usados por um governo nada democrático?

Como se vê, não é mesmo por acaso que muita gente ainda diz que a América do Sul é um continente sui generis. Têm mesmo razão…

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Burrice pouca é bobagem

Yoani Sanchez / Foto: Ueslei Marcelino - ReutersEstou realmente impressionado com a bagunça que anda acontecendo por conta da visita de Yoani Sánchez ao Brasil. Estou mesmo de boca aberta com a reação do PT e PC do B, esses grandes representantes da democracia brasileira.

Os ataques virulentos de militantes na Bahia e a reação dos deputados à sua visita ao nosso congresso nacional são absolutamente incompatíveis com o que representa a blogueira.

Como sou um sujeito prático demais, é provável que não consiga alcançar – filosófica,  sociológica ou antropologicamente – a real importância dessa moça nem perceber sua dimensão histórica. Então, vou tentar – bem aos pouquinhos – ser claro sobre tudo o que penso a respeito de todo o imbróglio.

Primeiro de tudo: parto do princípio que Cuba é uma bosta. Porque considero toda e qualquer ditadura uma grande bosta. Sim, eu sei que há uma série de boas coisas por lá. Mas por aqui também havia quando do regime militar. E nem por isso podemos dizer que a ditadura fez bem ao Brasil. É o mesmo caso, que me perdoem os xiitas de plantão.

Yoani explodiu na mídia quando, em 2007, criou o blog Generatión Y, de oposição ao regime cubano. Notável, uma vez que se opor ao governo dos irmãos Castro, em Cuba, é proibido. E isso, seus posts pela liberdade de expressão, o fim do embargo econômico e da possibilidade de ir e vir a qualquer lugar na hora que bem entender, é corajoso e digno mesmo de muitos elogios. Então, parabéns.

E daí? Daí que todo o resto sobre o que fala, como a implantação de um certo ‘capitalismo sui generis’, não tem bases sólidas nem argumentos fortes o suficiente para lhe dar o cartaz que tem. Yoani, em regra, é fraca, pueril. Na verdade, seu blog é até curioso do ponto de vista de um certo olhar sobre o dia a dia na ilha. Mas não mais que isso.

Na verdade, Yoani não chega nem a ser um problema real para o governo cubano, não tem força para interferir em nada no país. Na verdade, a expressão ‘para inglês ver’ cai sobre ela como um luva.

Mas aí a moça consegue sair da ilha e prepara uma espécie de turnê mundial, iniciando pelo Brasil. E aí, os nossos grandes democratas – aliados ferrenhos do governo – fazem o quê? Merda. Desculpem, mas não cabe aqui outro termo.

Em tese, ao menos por enquanto, vivemos no Brasil um estado democrático de direito. E quais são os princípios básicos da democracia? Liberdade individual e de expressão. Não é característica da democracia ver a maioria ganhar uma discussão na marra, mas o direito de todos (principalmente as minorias) apresentarem seus argumentos. A existência da divergência é fundamental para o fortalecimento da democracia. E definitivamente não é isso que andam praticando o PT e o PC do B, e seus militantes.

O que aconteceu na Bahia é absurdo, inaceitável. E o que houve hoje no congresso é vergonhoso. Além de ir contra a nossa constituição (que beleza de partidos, heim?), são atitudes e posturas tão burras que acabam dando à moça mais cartaz e notoriedade do que ela teria se tudo acontecesse dentro da normalidade. Ou seja, apenas mais argumentos para todos que descem o pau em Cuba.

P.S.: andaram perguntando a moça quem é que paga sua viagem. E ela nunca escondeu que tem lá suas fontes de receita, como a contribuição de várias ONG – inclusive a Anistia Internacional. Pois eu queria muito saber quem e como são pagos os militantes que, perseguindo a moça, andam fazendo bagunças e piquetes no horário que deveriam estar trabalhando. Porque nem relógio trabalha de graça, não é?

Perguntas (2)

Enquanto a Europa (especialmente a zona do Euro) vai para o saco e vemos países como Grécia, Itália e Espanha em frangalhos com taxas de juros que podem chegar aos 7%, gostaria – muito sinceramente – da ajuda de um especialista.

Como é que o Brasil será viável a médio e longo prazo praticando taxas sempre superiores a 10% (hoje, a Selic é de 11,5%)? Ou será que uma coisa não tem nada a ver com a outra?

Eu não entendo bulhufas disso.

Ululante

Escrevi alguns posts usando a Líbia e outros países do Oriente Médio e norte da África como exemplos. Basicamente, no sentido geral de todas as citações, deixo a pergunta: “que direito tem os organismos multilaterais como ONU e OTAN, e seus principais membros, de meter a colher em problemas que são absolutamente internos?”

Porque o que aconteceu na Líbia, entre outros, foi isso. Um problema interno. Contra um imbecil que governava, torturava e matava seus inimigos, surgiram levantes que se transformaram em uma guerra civil de opositores tão imbecis quanto o anterior. Até que as superpotências sem dinheiro decidiram qual era o lado mais legal e largou bala.

A resposta óbvia surgiu em todos os jornais e principais portais do mundo, com uma ou outra letra ou vírgula diferente da manchete do Estadão.

Potências definem em Paris futuro da Líbia, de olho em contratos e petróleo

Tai o belo, doce e democrático mundo em que vivemos. Ah, e não achem que acabou. Porque a crise mundial continuará por muito tempo e ainda há vários ditadores sanguinários com suas bundas delicadamente sobre muitos e muitos barris.

Farms here, forests there

É, o blog tem amigos e colaboradores.

Já tinha lido a respeito e já tinha visto o tal documento, até distribuí entre alguns amigos. Mas aí, recebi o e-mail que reproduzo abaixo lembrando o tema. O que move o post é a notícia publicada no Valor Econômico no dia 26 de agosto: EUA devem superar Brasil nas exportações de etanol.

Cliquem nos links, leiam os textos e dêem atenção especial ao tal documento citado.

Um mostrou o documento, o outro mostrou que a “coisa” já está em andamento. Começou aqui.

Aí, deram um jeito de tentar esconder o documento, mas o Reinaldo publicou uma cópia, que ele não é bobo…

E então, o artigo do Klauber, mostrando, sem dizer, para que serve uma Marina Silva, um MST, um Lula e muitos ativistas bacanas.

Giorgio Seixas

O fim está próximo

Ufa, não é dessa vez que o mundo como o conhecemos acabará. Pelo menos, era o que prometiam os profetas do apocalipse caso os Estados Unidos fossem obrigados a dar o calote. O anúncio do acordo entre democratas e republicanos foi feito ontem à noite por Obama.

Pânico e exageros à parte, é certo que se o tal calote acontecesse, seria desencadeada uma baita duma crise. Nada mais que isso. Mas ando desconfiado que a tal previsão dos maias não está tão errada assim e estamos cada vez mais próximos do dia do juízo.

Enquanto um novo terremoto atingiu o Japão, um tufão passou pela Rússia e a Grécia – berço da civilização ocidental – está prestes a levar toda a Europa (e boa parte da economia mundial junto) pro buraco. É tragédia de todos os tipos, naturais ou não.

De quebra, a neta de Lula conseguiu incentivos fiscais (dinheiro seu, meu, nosso, como diz o Ancelmo) de até 300 mil, pela Lei Rouanet, para montar uma peça de teatro. Provem-me que o fim não está próximo…

De cabeça pra baixo

Vocês não têm a impressão de que há algo muito estranho num mundo quando EUA ameaçam dar calote na dívida externa, os ‘comunistas’ chineses pedem responsabilidade e o Brasil não está nem aí para as crises ao redor do mundo?