Meras coincidências

Todo mundo já se deu conta que estamos em ano eleitoral? Já caiu a ficha que nas eleições municipais deste ano será testada – principalmente nas capitais – boa parte das estratégias e discursos que estarão presentes nas próximas eleições estaduais e presidencial de 2014?

Pois levando tudo isso em conta, não chega a ser curioso que a minissérie exibida pela Globo desde terça-feira, O Brado Retumbante, esteja alfinetando muitas e muitas práticas instauradas e/ou exacerbadas pelo lulo-petismo ao longo dos últimos nove anos? Quem ainda não viu, terá mais uma semana para assistir e reconhecer todas as falcatruas habituais.

Só como exemplo, a farra dos livros didáticos e um tal ‘preconceito lingüístico” que ganhou destaque no primeiro semestre do ano passado (clique aqui para ver alguns posts sobre o tema).

E se alguém aí está chegando de Marte ou acha que estou delirando aqui, lembro que Fernando Haddad, ex-ministro da educação até outro dia, saiu do cargo para ser o candidato a prefeito de São Paulo numa nítida e mais que sabida imposição de Lula ao PT paulista. E a gente bem sabe o que o sujeito (não) fez pela educação do Brasil, né não…?

Mas é bom lembrar que a mais que conhecida expressão ‘uma no cravo, outra na ferradura’ também se faz presente. Ou será que também é mera coincidência o fato do ator que vive o presidente ser tão mulherengo e parecido com o Aécio?

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Papo firme, mora?

Concordamos, claro, que as novelas são obras de ficção. Mas acho que também concordamos que uma das maneiras de torná-las interessantes, é aproximá-las – sua trama, personagens, linguagem etc. – da realidade.

Pois vejam o texto abaixo, que será dito por um policial de Florianópolis em uma cena que ainda vai ao ar na novela das nove da Globo.

Pode entrar na casa! Anda, depressa com isso, tem um ferido! Parece que bandido era só o presunto aí, mas toma cuidado mesmo assim!

Não, a novela não é uma novela de época. E, mesmo em Florianópolis, ainda tem alguém que chama corpo, cadáver, defunto de ‘presunto’?

Tudo conforme o previsto

O Corinthians, o primeiro romper publicamente com o C13, mesmo que extraoficialmente, é o sexto clube a fechar acordo com a Globo para transmissão de seus jogos pelo Campeonato Brasileiro no período de 2012 a 2015. Os outros são Coritiba, Cruzeiro, Goiás, Grêmio e Vitória.

A nota oficial não fala em valores em função de cláusulas contratuais mas diz que, anualmente, vai receber mais do que o faturamento do clube em 2007. No ano em que a gestão atual assumiu, o faturamento foi de R$ 67 milhões. Boatos falam em R$ 80 milhões, 20 a menos do que a proposta que a Record fez ao timão e ao Flamengo.

Mas há explicações pra isso no próprio texto oficial.

Esclarece-se que a proposta pública feita pela TV Record exige do Corinthians algo que, segundo a lei vigente, o clube não tem o direito de comercializar. De acordo com o artigo 42 da Lei no. 9.615/98, a chamada Lei Pelé, aos clubes pertence o direito de negociar a transmissão de determinada partida. Assim, o Corinthians, isoladamente, não tem poderes para comercializar seus 19 jogos como mandante, conforme proposto pela TV Record.

Com o desmoronamento do C13 e de sua concorrência, o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) prometeu ficar de olho nas negociações isoladas dos clubes. Se é óbvio que há muitos interesses políticos na manutenção dos acordos com a Globo, também seria muito estranho se todos os envolvidos não estiverem legalmente calçados para se defender de qualquer confusão. O Goiás, por exemplo, usa o fato de que a Rede TV não tem afiliadas em seu estado.

Outro detalhe é que a Globo – além de ser a líder disparada de audiência – é a única no país, pelo menos por enquanto, que tem pronta a estrutura para trabalhar em todas as mídias, o que facilita a visibilidade dos clubes e de seus patrocinadores. E são essas questões técnicas que aparecem no parágrafo a seguir.

Após analisar todas as propostas para os direitos de transmissão, a direção do Corinthians tem a certeza de que assinou o melhor contrato da história do clube de Parque São Jorge, superando inclusive a previsão de faturamento do Clube dos 13. Não apenas fatores financeiros, como também aspectos técnicos credenciam a proposta da Rede Globo e Globosat como a melhor dentre as apresentadas ao Corinthians.

O que eu gostaria de saber é se os clubes se aproveitaram do momento para incluir nos contratos algumas cláusulas exigindo o fim da palhaça que a Globo e toda sua rede faz, escondendo os patrocinadores dos clubes ao máximo. Afinal, são eles que pagam as contas dos clubes, que ajudam a montar os times, que tornam viável a existência da competição e do espetáculo que a própria Globo transmite.

No Rio, o Flamengo deve receber a mesma proposta apresentada ao Corinthians. Para os outros três grandes da cidade, deve valer a proporção já existente nos contratos antigos feitos pelo C13.

Quanto ao C13, a concorrência realizada e vencida pela Rede TV ainda deve dar alguma dor de cabeça, provavelmente haverá discussões na justiça. Mas é quase certo que não vai dar em nada e – no final das contas – todos devem assinar mesmo com a Globo. E o C13 – pelo menos como o conhecemos – caminha a passos largos para desaparecer.

A confusão está só começando

Então, você gosta de futebol. Gosta de assisti-lo na TV, mesmo que os jogos transmitidos não sejam do seu time. E/Ou você se preocupa com seu clube, com o dinheiro que ele ganha e gasta, em como paga os salários de seus craques e como saneia as contas, paga as dívidas.

Então, mesmo que não tão de perto, está acompanhando o imbróglio em que se transformou a disputa pelos direitos de transmissão do campeonato brasileiro no triênio 2012-2014.

Pois o Grêmio é o primeiro dissidente do Clube dos 13 a fechar contrato com a Rede Globo. E é claro que vai dar confusão. Ou aumentar, melhor dizendo. Porque a partir do acordo fechado, algumas perguntas precisarão ser respondidas:

– Quanto o clube receberia pela licitação do C13, vencida pela Rede TV, e quanto vai receber da Globo?

– O CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) disse que fiscalizaria as negociações independentes. Vai fazer? Como? Há propostas por escrito de todas as TVs, sendo possível provar que a da Globo é a melhor?

– Qual será a reação de sócios e torcedores caso não seja comprovado que o clube ganhará mais com a negociação independente do que se estivesse com o C13?

Além de todas as discussões políticas e econômicas, essa história dos direitos de transmissão ainda vai se transformar numa guerra jurídica. Então, é bom não dar como certo qualquer acordo que seja anunciado nos próximos dias.

Alô você

E a história da licitação dos direitos de TV do campeonato brasileiro entre os anos de 2012 e 2014, que deveria terminar hoje com final feliz para todos os clubes, não está nem perto de acabar.

Globo já havia se retirado da concorrência. Hoje a Record também deu linha na pipa. Como Bandeirantes e SBT nem deram as caras, a Rede TV foi a dona da única proposta e – em tese – voltaremos a aturar o Fernando Vanucci apresentando os gols da rodada. Será?

De qualquer maneira, a cerimônia de hoje foi apenas mais um capítulo de uma novela que ainda vai se arrastar na justiça ao longo do ano. Reproduzo abaixo o post que o Juca Kfouri publicou em seu blog. Os grifos, claro, são dele.

O rato rugiu

Nem Globo, pelo menos por enquanto, nem Record, que jamais quis o futebol para valer, só quer ver a Globo se arder, mas RedeTV!

Que rugiu e levou, como no filme, “O rato que ruge”, quando um minúsculo ducado falido declara guerra aos Estados Unidos para ser absorvido e salvo, mas, por peripécias, obtém a rendição da nação mais poderosa do mundo.

E agora? O que fazer?

Por ironia, a RedeTV!, chamada nos acréscimos do segundo tempo, tem como seu comentarista de Política Urbana  o autor do Estatuto do Torcedor, José Luís Portella.

E o Bradesco e uma empresa estrangeira, que tem relações com a NBA, para respaldá-la.

Bradesco que vê aí a chance de disputar espaço com o Itaú, patrocinador do futebol global, da CBF e da Copa do Mundo no Brasil.

Se os bispos da Record mostraram mais uma vez que neles não se pode confiar, à Globo talvez caiba negociar com a RedeTV!.

Porque o Clube dos 13 promete não parar por aí.

Alega não só que cumpriu tintim por tintim o acordo que fez, junto com a Globo, no Cade, e que a emissora agora corre o risco de ser acusada de abuso do poder econômico caso procure fazer propostas melhores a cada clube dissidente, como se estivesse usando do direito de preferência do qual abdicou.

Mais: o Clube dos 13 vai procurar os clubes da Série B, para tentar melhorar o contrato com a TV de apenas R$ 30 milhões por ano até 2015.

E reforçar a ideia de formar a Liga, também com eles.

Até porque o Clube dos 13 é avalista e fiel depositário dos clubes que fizeram empréstimos já contando com o adiantamento do dinheiro da TV de 2012, com o que deram aos bancos cartas em que delegavam “poderes irrevogáveis” à entidade, argumento não utilizado até agora, mas que será utilizado a partir de agora.

Os dissidentes, por seu lado, argumentam que a Constituição lhe garanta autonomia e que nada os prende ao Clube dos 13, assim como a Globo estranha a diferença entre o discurso e o semblante do presidente do Clube dos 13 ao anunciar o vencedor da concorrência, além da falta da fiança bancária que era exigência inicial para a licitação.

Mas uma pegunta importante é a seguinte: o que farão nossos endividados clubes, dissidentes ou não, quando souberem que já há  mais R$ 300 milhões à disposição deles, os tais 20% de adiantamento do contrato de três anos que renderá R$ 1,548 bilhão só na TV aberta?

 

Presidente(a)

O programa foi gravado ontem e transmitido hoje pela manhã. Nossa presidenta Dilma Rousseff visitou Ana Maria Braga e me dei ao trabalho de assistir alguns trechos. Dilma, inclusive, anda num momento TV. Também foi entrevistada, em pleno Palácio da Alvorada por Hebe Camargo, para o programa de estréia da ‘graxinha’ pela Rede TV, no dia 15 de março.

Mas ao que interessa. Não é por acaso que essas entrevistas exclusivas foram dadas às duas apresentadoras de maior alcance popular no Brasil, especialmente entre as mulheres. Entre as pérolas de hoje, por exemplo, ela continua batendo na tecla de que é a primeira mulher eleita para o mais alto cargo do país e que isso é extremamente importante etc etc etc.

Neste caso, o que me incomoda é o simbolismo para o qual ela chega a apelar, por exemplo, quando explica que exige ser chamada de presidenta (as duas formas estão corretas, é bom que se diga) para mostra que a mulher finalmente chegou lá, que a mulher pode isso, que a mulher pode aquilo. Matutando sobre o tema, justamente para mostrar que o preconceito não deve existir, que o que vale é a competência, que não pode fazer diferença se é homem ou mulher, que o sucesso da mulher precisa ser encarado de forma natural, ela não deveria parar de explorar o tema? Pois me parece que, da forma como trata o assunto, ela acaba fortalecendo os problemas ou até criando uma espécie de preconceito ao contrário.

Por exemplo, não consigo entender por que é necessária uma delegacia especializada no atendimento à mulher ou uma lei que trate especificamente da agressão à mulher. Pombas, agressão é crime. Não importa contra quem. Porque quanto mais tratamento diferenciado, seja lá a quem for, mais preconceito e violência se cria. Sem contar que, segundo me consta, se somos todos iguais perante as leis (está na Constituição!!!), todos esses arranjos seriam inconstitucionais. Não entendo nada de direito, antes que os advogados me crucifiquem, mas é que enquanto não conseguirmos tratar todos como os iguais que somos, não estaremos cumprindo a nossa bendita (e vilipendiada) Carta Magna.

Outra resposta de Dilma que me chamou atenção, foi à pergunta feita por Maitê Proença, algo como ‘qual é o lado ruim de ser presidente?’ Para nossa nova presidente é não poder andar nas ruas como antes, não estar em contato com o povo ou imagem semelhante que tentou passar.

Pois, do fundo do meu coração, da minha santa ingenuidade, achava que o lado ruim de ser presidente era ter a consciência, a frustração por saber que nunca vai conseguir resolver todos os problemas do mesmo povo que ela gostava de encontrar nas ruas (como se antes de ocupar o Planalto ela fosse simpática a ponto de passear por aí, nas grandes cidades ou no interior, conversando com a ‘gente simples desse nosso grande país’).

Mas é melhor deixar pra lá, tudo isso deve ser só implicância minha, devo ter acordado de mau humor.

Novela da bola

Tudo é pressão. O C13 ameaçou os clubes dissidentes de publicar o ganharam até hoje com TV e quanto passariam a ganhar a partir da licitação que foi colocada na rua. O objetivo é constranger dirigentes frente a sócios e torcedores dos clubes, afinal é um negócio com muito, muito dinheiro. Tudo isso sem falar na dívida de todos com o Clube.

De quebra, o único que realmente anunciou sua desfiliação, não pode simplesmente bater a porta e dar o fora porque há uma carência de dois meses após o anúncio. De quebra, no caso do Corinthians, a desfiliação ainda precisa ser aprovada pelo conselho do clube.

Mas a concorrência está na rua e foram convidadas a Globo, Record, Bandeirantes, Rede TV e SBT. Pelos valores anunciados, só entrariam de verdade as duas primeiras. Mas a Rede Globo anunciou nessa sexta que está fora, que não apresentará proposta.

Assim, pressiona os dissidentes a continuar dissidentes e esvazia a tal concorrência. Porque seria necessário apenas o valor mínimo de R$ 500 milhões (algumas avaliações apontavam que o valor final poderia alcançar cifras entre R$ 800 milhões e R$ 1 bi). E com a saída dos dois clubes de maior torcida, acompanhados de outros de bastante relevância para audiência, será que o campeonato realmente interessaria à Record (ou qualquer outra)?

Enquanto isso, Ricardo Teixeira dá gargalhadas por ter desestabilizado a única entidade minimamente organizada que poderia lhe fazer frente.

Agora, e se os clubes se entenderem e a Record (ou outra) comprar os direitos? Porque após a recusa, entendo que a Globo não poderia voltar atrás. Como ficariam Ricardo Teixeira e a vênus platinada?

Estou realmente curioso pra saber como vai terminar essa novela, porque tenho a certeza absoluta que, no final, são os próprios clubes (todos) que sairão perdendo. Dos cartolas (todos), é impossível dizer o mesmo. Ou alguém duvida que eles nunca jogam pra perder?