Tempestade

Eu desconfio de pesquisas. Tenho o hábito de duvidar e questionar tudo aquilo que não entendo bem. Mas há alguns dados que se mostram muito firmes, seguros até para os incautos como eu.

O maior deles, a rejeição ao inominável. Cada vez maior e com números equivalentes em todos os principais institutos.

Sim, é verdade que para aqueles que adoram uma teoria da conspiração tudo é fruto de uma daquelas grandes. Mas aqueles que usam a lógica hão de reconhecer que o tal índice já pode ser considerado um fato.

Apesar de discordar até a última gota, eu realmente sou capaz de entender os caminhos que fazem alguém votar no sujeito. Mesmo as mulheres, os negros, os gays etc. E não, não é estupidez ou burrice. É fruto das circunstâncias e de uma divisão que começou a ser plantada há uns 20 anos, um nós contra eles (isso sim estúpido) que só fez se enraizar e crescer e crescer e crescer.

No melhor estilo “quem planta vento, colhe tempestade”, chegamos às eleições de 2018.

O que me surpreende não é quem vota no sujeito, mas como quem vota no sujeito se permite ter a vista embotada uma vez que – na média – são bem formados e informados. Com o seu ódio ao PT, ao Lula e a “tudo isso o que está aí” – e esses sentimentos são facilmente explicados por qualquer sociólogo de quinta categoria -, vão insistir em votar no sujeito e serão responsáveis pela eleição de Haddad. Ou seja, aquilo que mais odeiam. Legal né?

Vou repetir: dadas as informações que temos hoje, o segundo turno será (como era previsível) entre ele e Haddad. E Haddad será eleito. Então, a culpa da volta do PT ao poder será sim do eleitor do sujeito.

Sim, ao contrário da rejeição a ele, há tempo para mudar o resultado. Infelizmente, duvido que aconteça. E rezo profundamente para estar completamente errado. Infelizmente, duvido disso também.

Lágrimas de crocodilo

Essas fotos foram tiradas na última visita ao Museu Nacional. 8 de julho, Dia Nacional da Ciência. Levei Helena para encontrar uma amiga da escola. Dia de festa e muitas atividades no museu.

Cheguei em casa comemorando com a Flávia, que o museu estava lindo, as exposições incríveis, o clima era ótimo, que a quantidade de boquinhas abertas e exclamações por todos os lados era incontável.

Mas havia lá, à vista de todos, um monte de coisas erradas, como fios aparentes, por exemplo. E um monte de coisas que não se via. E várias faixas e impressos em protesto contra a falta de investimento.

Daqui a pouco, bem pouco, teremos eleições. Todos os candidatos, TODOS, vão tentar pegar carona na tragédia, não tenham dúvidas. Já começaram, na verdade. E fazer todas as acusações imagináveis, uns contra os outros, claro.

E pra ficar só no óbvio, vale lembrar que o governo FHC foi uma lástima para a educação em geral e as universidades em particular. Vale lembrar que Lula abriu trocentas universidades Brasil afora, mas que não cuidou das que já existiam. Dilma… Bom, Dilma foi a Dilma. E Temer foi o cara que fez o teto dos gastos e bloqueou os investimentos. Aprovado por esse fabuloso congresso que – pelas estimativas – terá 75% de seus integrantes reeleitos. Ou seja, como disse o Ricardo no outro dia, pode até eleger Jesus que não dá jeito.

A situação no estado do Rio é ainda pior. Acreditem.

Não vou tentar convencer vocês a votar em A ou B, não é esse o caso. Até porque, se contar a meia dúzia de 3 ou 4 leitores que passam por aqui, não muda nada. Mas tentem, por favor, fazer um esforço de pesquisa e de consciência na hora de decidir seu voto. Tentem olhar menos para onde seu calo aperta e pensar um tico mais no mundo ao redor, desenvolver um senso de comunidade, identificar o que seria bom para todos.

E filtrem as lágrimas de crocodilo que estão rolando neste momento, porque a verdade é que todos, TODOS, sempre cagaram e andaram pra esses negócios que só servem pra perturbar, educação, história, ciência, memória, essas merdas.

Lula e os bois

CarroBoiEu realmente acreditei que o HC do Lula seria acatado pelo STF ontem. Errei por uma Rosa Weber. Por uma Rosa Weber, vale dizer, que já avisou que – quando a discussão sobre o início de execuções de penas voltar à baila – será contra as prisões após a segunda instância. Na melhor das hipóteses, depois da terceira.

Toda essa confusão com o Lula só aconteceu porque a digníssima presidente do STF decidiu não colocar em votação as tais duas ADCs que estão em seu colo. Ou seja, o boquirroto Marco Aurélio está certo, pois com toda a pressão e o maniqueísmo que tomam conta do ambiente, a estratégia da moça está errada.

Ou seja, ao invés de resolver a questão de uma vez por todas, jogou-se para as plateias e empurrou-se o problema com a barriga mais um tanto.

O próximo presidente do STF será Toffoli, que em seu voto de ontem já disse que é a favor das execuções de penas a partir da terceira instância. Ainda que eu não concorde, seu argumento é até válido.

Voltemos a Lula, pois. Provavelmente será preso nos próximos dias, talvez até o fim de abril ou início de maio. Dona Carmem conseguirá não colocar o tema em votação? Suponhamos que não aguente a pressão. E nós, por ontem e por todas as entrevistas que deram nos últimos tempos, já podemos depreender que os ministros votarão contra a segunda instância.

Lula seria preso e solto. E se hoje já venceria a eleição, imagine com uma saída glorificada da cadeia… Mas pode piorar.

Carmem não coloca as ADCs em pauta e passa o bastão para Toffoli em setembro. Um mês ou menos antes da eleição. Pois a primeira coisa que fará será trazer o tema. E Lula será solto. E o trator será passado clamorosamente.

E aí, continua comemorando o resultado de ontem?

Só pra deixar claro: eu quero o Lula preso. Como o Aécio, o Temer e quem mais tiver que ser preso. Mas do jeito certo. Sem dar a nenhum deles a chance de se tornarem vítimas, mártires ou heróis.

Dona Carmem fez uma grande cagada ao colocar o carro na frente dos bois. E todo o resto do país que se dedicou a só querer ver o Lula preso também. Pois enquanto discutiram HCs e ADCs, não trataram de fazer política. E é a política que vai (ou não) resolver os problemas, não há outro caminho possível.

88 milhões de não votos, vida que segue

EleicoesHoje não fui ao Maracanã, fui votar. Não foi meu time que perdeu um título, mas meu candidato que não se elegeu. Também não perdi nenhum parente ou amigo querido. Estou triste, muito triste, mas não estou de luto. Também não vou deixar de comer pão de queijo, tapioca, tutu ou camarão na moranga. Quem perde sou eu, ora bolas.

Não votei no PT, não gosto do PT porque o modelo de estado que seus integrantes tentam construir não é o que penso melhor para o meu país, para o meu futuro e –mais importante do que qualquer coisa – para o futuro das minhas filhas.

Não odeio Dilma ou Lula, nem mesmo Dirceu ou Genoíno, os bandidos condenados que eles tentam transmutar em heróis da pátria. Tenho, sinceramente, mais o que fazer e com o que me preocupar.

No entanto, e isso é o que me preocupa, eles têm em seu programa (basta lê-lo), em seu ideário (basta se debruçar sobre as relações externas a que eles se dedicam), um claro perfil totalitário, com diminuição paulatina das liberdades individuais e claro controle dos meios de comunicação, e a pretensão de se implantar o que chamam por aí de “democracia direta”, plebiscitária. O próprio discurso da vitória da moça já foi recheado de recados, em sua sombra estão as diretrizes do Foro de São Paulo.

Definitivamente não é isso o que quero, tenho mesmo medo.

Sua eleição é legítima. Já disse isso por aí. O voto de cada um é tão legítimo quanto o meu. O grau de consciência de cada um, do mais ao menos formado, do mais ao menos informado, não pode ser motivo de chacota e ofensa.

Venceram por um fio, 3,5 milhões de votos em 142 milhões de eleitores. Sem contar que mais de um quarto deles não votou, escolhendo branco, nulo ou nem aparecendo diante das urnas. Ao todo, mais de 88 milhões de eleitores não votaram em Dilma. E é bom ela lembrar que será a presidente desses também.

Mas venceram e o que me incomoda, me ofende na verdade, a maneira encontrada por esse partido para chegar à vitória na eleição.

Uma campanha baseada em mentiras e ofensas, uma campanha que se ocupou de produzir uma luta de classes, um nós contra eles virulento e que contaminou todos os níveis de relações, uma campanha que cuidou de disseminar o medo e de manipular informações.

O país está parado, a desigualdade voltou a crescer, nossos resultados na educação são pífios, o incentivo à pesquisa é ridículo, o índice de pleno emprego já está mais do que comprovado que é fictício, a infraestrutura do país é vergonhosa e tantos mais problemas que são esfregados nas nossas caras diariamente. E não é possível que eles sigam entocados em sua ostra infinita, dizendo por aí que toda a imprensa é o Grande Satã e/ou a mídia golpista. Que golpistas são esses que aceitam como legítimo o resultado das urnas?

Mas eles estão eleitos. Reeleitos para seu quarto mandato.

Nos resta, agora, muito mais do que torcer, trabalhar, exercer a tão propalada cidadania e cuidar, muito além dos 20 centavos, para que a oposição seja de fato oposição e para que nossas instituições sejam realmente fortes e independentes o suficiente para cuidar do que importa.

Estamos às margens da maior crise política da nossa história, basta que tudo seja realmente investigado e colocado às claras. E não, isso não é uma brincadeira, terrorismo ou superlativo de derrotado. Prestem atenção ao que acontece um palmo diante de seu nariz. Mas tenho muito medo de que a estrutura, mais que viciada a essa altura, impeça que tudo venha a um termo justo.

Tenho muito medo do que possa acontecer com o Brasil nos próximos anos. Mas, por mais paradoxal que possa parecer, também tenho muita esperança. Porque é possível que desse processo eleitoral que mais pareceu uma guerra entre persas e espartanos, é possível que dos resultados dessa eleição surja uma estrutura partidária mais robusta, com a fusão de alguns partidos e o surgimento de novos. Será que a Rede será real depois de mais uma derrota de Marina? Será que o Novo, que está em gestação, quase parido, será algo relevante de fato, como eu espero? Ainda não dá pra saber.

O país maravilha da propaganda oficial não existe, tanto quanto o caos da propaganda eleitoral dos seus adversários. O que é fato consumado é a dificuldade que teremos pela frente, os próximos anos serão muito duros. Será com Dilma, seria com Aécio. Ideologia à parte, pois, e absolutamente incrédulo, torço sinceramente para que a presidente se cerque de gente capaz de melhorar as coisas.

Agora, por favor, vamos parar de nos ofender, de querer nos matar. Não é possível que não tenhamos mais o que fazer. Eu, por exemplo, preciso trabalhar para pagar pelos meus luxos pequeno-burgueses, como a escola e o plano de saúde das minhas filhas, a compra do mês, contas de luz, gás, telefone, prestação, condomínio e, de vez em quanto, uma pizza e uma cerveja. Vida que segue.

O ser estupidamente político

Foto: Jamie McDonald / Getty Images / Fifa.comNeymar fraturou uma vértebra e está fora da Seleção. Todo mundo já sabe disso, claro. Naturalmente, com a Copa realizada no Brasil e o nosso maior craque cortado quando chegamos à semifinal, um problemaço. E só se fala nisso por aí, nas TVs, rádios, jornais, portais, blogs etc.

Ah, que absurdo, uma comoção dessas por um jogador de futebol e que ainda ganha milhões!

Vamos combinar que, dadas as circunstâncias, o estranho seria se não houvesse mobilização. É curioso ver que, a essa altura da vida, esses seres políticos sejam tão ranzinzas e tão cegos que ainda não tenham percebido o quanto o futebol é algo importante para o brasileiro médio.

Pois deixem de ser chatos, pelamordedeus, ao menos de vez em quando?

Não só tem copa, como ela está entrando para a história como uma das melhores de todos os tempos. Com alguns problemas sim e que, dependendo do caso, são ou não são mostrados. Como acontece em qualquer lugar do mundo.

Sim, estamos todos os torcedores preocupados com o Neymar. E mesmo para quem não torce, é natural a preocupação e o tempo gasto com suas notícias. Afinal, um jovem de 22 anos teve uma contusão séria (fratura de vértebra!) praticando um esporte. Mas ó, vocês, além de chatos, são míopes.

Porque todo mundo sabe que ele terá o melhor tratamento que o dinheiro pode pagar. E como é atleta, sua recuperação, por mais difícil que seja, será mais rápida do que das pessoas normais e sua carreira, felizmente, não corre risco.

Digo que são míopes porque ao se desgastarem tanto com a ‘comoção por Neymar’, não se dão conta de que estamos (os torcedores) todos preocupados mesmo é com o futuro da Seleção na Copa. Porque queremos ganhar e agora será mais difícil.

Meus amigos, não querem se envolver com a festa? É um direito de qualquer um, claro. Mas assumam isso e não se envolvam de verdade, sem encher o saco de quem tem o direito de gostar, participar e se empolgar.

Sei que é perda de tempo tentar ser racional com quem é irracional. Mas algumas coisas são simplesmente tão estúpidas… Ainda há gente que acredita que a vitória da Seleção será capaz de eleger a Dilma ou que sua derrota será capaz de eleger outra pessoa. Não, meus amigos, o futebol não tem esse poder.

Todo mundo que me conhece sabe que não votarei na Dilma. E, dentro das minhas possibilidades, ainda farei campanha contra ela e o PT e seus aliados. E não, ainda não decidi em quem votar. Para nenhum dos cargos.

Mas não tentem me fazer sentir culpado por aproveitar ao máximo uma das coisas que mais gosto e que só acontecem de quatro em quatro anos. Nossos problemas estavam aqui muito antes da Copa, muito antes – inclusive – de sermos definidos como sede da Copa, quando 78% da população não só apoiou como bateu palmas.

Nossos problemas continuarão aqui no dia 14 de julho e o futebol não tem nada a ver com isso. O futebol é apenas a coisa mais importante entre todas as coisas desimportantes. Não encham o saco.

Livros

Dois desses artefatos ultrapassados, analógicos, fabricados com papel e cheio de folhas, mobilizaram as minhas primeiras semanas de janeiro de 2014.

Sàn Guermin / ReproduçãoO primeiro é Sàn Guermin (Luiz Octavio Bernardes, Multifoco). Por razões que vocês vão descobrir quando o lerem, estou envolvido com o primeiro livro de Luiz desde meados do ano passado. Mas foi lançado agora, há alguns dias.

Trata das primeiras eleições em um país que fica ali pela América Central, perto do Caribe, depois de uns 80 anos de ditadura militar. Parece familiar? Pois é. Mas acreditem, está longe de ser mais do mesmo.

Na história, ficamos conhecendo um sem número de personagens muito interessantes e, o mais importante, sua estranha e patética (como está no prefácio) relação com o poder.

O livro é envolvente e a sensação de “estar em casa” passa depois de algumas páginas, o que – pelo menos pra mim – só depõe a favor. É ficção, claro, o que está longe de impedir as muitas pinceladas na história que contribuem para a construção dos perfis dos personagens e outras respostas do livro. De quebra, o final é surpreendente.

Haverá um ‘lançamento 2.0’, em Ipanema, em breve, mas sem data confirmada. Quem gosta de ter a obra autografada e conversar com o autor, é só ficar de olho na página do país no Facebook.

Entre pai e filho

O drible / ReproduçãoO outro livro deste início de ano O drible (Sérgio Rodrigues, Companhia das Letras). A história da relação (ou falta dela) entre um pai e um filho que passaram mais de 20 anos sem se falar. Depois de décadas, o pai – desenganado pelos médicos – chama pelo filho. E toda a história é construída a partir dos encontros entre os dois, no refúgio do mais velho.

Acontece que Murilo Filho foi um dos grandes cronistas esportivos da história do país e todas as conversas que tem com Neto são permeadas de histórias de futebol. Uma delas é a que dá o nome (e muito mais) ao livro: o drible de Pelé em Mazurkiewicz.

O livro é sensacional e sei que estou longe de ser o primeiro a falar isso, não é por acaso que já foi vendido para vários países. Sérgio tem um texto brilhante e a trama é excelente. Se não bastasse, a descrição/narração de Murilo Filho do grande lance, enquanto para e adianta o vídeo tape, é coisa de maluco. O primeiro capítulo do livro, se gol fosse, mereceria – como Pelé – uma placa de ouro.

Leitura obrigatória

Resumindo: são dois romances curtos (134 e 224 páginas, respectvamente) e imperdíveis.

Feliz ano novo!

Calendario 2014 / ReproduçãoComeçou. E já era hora.

Ok, eu sei que muita gente trabalhou na semana passada, eu também. Mas sei também que os dias andaram a passo de cágado, porque com a quantidade de gente que emendou a semana, não dava pra fazer muita coisa mesmo.

Agora não, hoje é diferente. Primeira segunda-feira de 2014. Não é uma maravilha? Não sei na sua cidade, mas aqui no Rio está tudo maravilhoso, aquele sentimento de algo novo que pode melhorar nossa vida, novos planos, novos sonhos, esperança. Ah, e claro que o trânsito já está uma bosta (mesmo sem as escolas funcionando) e o calor continua maltratando. Melhor, impossível, né não? Afinal, com tantas mudanças previstas e esperadas, é importante ter algo familiar ao nosso redor para nos sentirmos seguros.

A essa altura, todo mundo já sabe que 2014 vai ser um ano daqueles, “especial”, com todo o trabalho de um ano normal espremido nos poucos dias úteis de verdade que teremos pela frente. A quantidade de feriados e eventos vai fazer a alegria do povo e o desespero de empresários de quase todos os setores, especialmente comércio e indústria. Vejam só que maravilha.

Janeiro: o ano já começou com um superenforcamento, o réveillon de terça para quarta, com a quinta e a sexta mortas. No Rio, de quebra, ainda teremos o dia do padroeiro da cidade, São Sebastião, que cai numa segunda.

Fevereiro: ninguém é de ferro e o mês mais curto do ano será devidamente empurrado com a barriga, na preparação para a festa de Momo. E mesmo aqueles que não gostam do carnaval, são atingidos pela marcha lenta da turma ao redor (é bom lembrar que no Rio e em Salvador, isso já está acontecendo desde o réveillon).

Março: o mês começa com o carnaval e quase um terço se perde na festa que começa no dia 1º de março e só termina no dia 9, o famoso domingo de cinzas. O resto do mês, provavelmente, será perdido com o socorro e a solidariedade com aqueles que terão dificuldades por conta das chuvas que, como em todos os anos, pegarão todos os governos de surpresa.

Abril: o mês, provavelmente, começará no ritmo de recuperação das chuvas e na preparação para a supersemana santa. Quatro dias de dolce far niente, de 18 a 21. Para os cariocas, um bônus com o dia de São Jorge, 23, e a emenda do dia 22 porque ninguém é de ferro.

Maio: e assim como março, esse mês também começa com um feriado, viva o trabalhador que está dando tão duro nesse ano. E numa quinta-feira, mais um feriadaço. Além disso, a copa começa no mês que vem e temos que nos preparar, cidades-sede ou não. Enfeitar casas, decorar ruas, acompanhar a concentração da seleção e falar mal do Felipão, avaliar os botecos para decidir onde ver os jogos e outras coisas tão importantes quanto.

Junho e julho: todo mundo sabe que de 13 a 13, só se fala de futebol no país dos feriados. Fora a preparação – que começou em maio – e a comemoração pela vitória ou luto pela derrota, vá saber o que vai acontecer. De quebra, ainda tem Corpus Christi (quinta-feira) e todas as festas juninas, viva João, Pedro e Antônio (que em muitos lugares do Nordeste é feriado).

Agosto: o sujeito que criou a expressão “agosto, mês do desgosto” já sabia exatamente como seria 2014 no Brasil. Não há outra explicação para, em um ano tão atribulado, agosto ser o primeiro, efetivamente, dedicado ao trabalho. É sério, nenhum feriado, nenhum grande evento, 21 dias úteis seguidos só intercalados pelos fins de semana. Não há dúvida que depois de um período tão estressante, todos precisaremos de férias.

Setembro: mais um mês sem feriado (o dia da independência, 7, cai num sábado). Meu Deus, desse jeito ficaremos todos estafados. Ainda bem que as eleições estão chegando, as campanhas vão de vento em popa e – pelo menos isso – temos assunto para a cerveja gelada de sábados e domingos.

Outubro: esse será o mês mais importante do ano, depois do carnaval e da copa. Afinal, estaremos decidindo o futuro do Brasil (é preciso acreditar que temos chance de mudar a história, tenham ânimo). Não haverá feriado, o dia 12 cai num domingo. Mas quem precisa de feriado com dois turnos de eleições para presidente e governador? O país estará fervendo e, ao mesmo tempo, em compasso de espera pelos resultados. Ou seja, nenhuma grande decisão será tomada, nenhum grande esforço será feito até o dia 27, quando será publicado o resultado final dos pleitos.

Mas, independente dos resultados, é bom se preparar, se encher de esperança e amor nos corações. Pois o ano já está acabando, Natal e réveillon vêm aí, 13º caindo na conta, compras e mais compras… E você não vai querer perder isso né?

Novembro: é o penúltimo mês do ano, o auge da primavera, o amor está no ar. Mas, em boa parte do país não haverá feriados, o dia 15 cai num sábado. Ou seja, um mês inteirinho para trabalhar duro e justificar a mixaria do final do mês.

Pelo menos no Rio e alguns outros recantos, teremos a parada do dia 20. Uma quinta-feira para celebrarmos a consciência negra e fazermos loas a um dos maiores símbolos da negritude tupiniquim, líder da luta contra a escravidão, apesar de sabermos que tinha lá seus escravos. Viva Zumbi dos Palmares!

Dezembro: Ufa! O ano chegou ao fim. Todos se preparando para as festas, almoços e jantares de confraternização, corrida aos shoppings, fotos com Papai Noel. E pra compensar as semanas enforcadas de 2013, em 2014 teremos mais duas. Natal e réveillon serão comemorados de quarta pra quinta. Afinal, depois de um ano tão cansativo, é preciso alguns dias de descanso para se preparar para o ano novo.

2015E 2015? Bom, aí é outra história. E ainda falta muito para começarmos a fazer contas de festas, feriados e dias muito bem gastos numa rede. Não tenha pressa, aproveite 2014.