Feliz Natal! Feliz ano novo!

Desejo de NatalEntão é Natal. É verdade, é sim, já teve até especial do Roberto Carlos. E como os feriados são longos, com apenas meia semana meio morta entre eles, já fim de ano, preparações pro réveillon, contagem regressiva para o carnaval…

Ou seja, chegou a hora, finalmente, de fazer aquele balancinho que já estou, há alguns dias, empurrando com a barriga.

Um ano que vou te contar… Pra mim, por exemplo, um ano bem estranho com cara de ano meio. Uma bagunça só, vida virada do avesso e de pernas pro ar. Primeiro com a desorganização da vida profissional, depois com as mudanças na vida pessoal. Diria até que, se tivesse um tantinho mais de dinheiro, fosse um pouquinho mais bronzeado e morasse em Santos, poderia até dizer que estou como o Pelé falando do Edson. Ou vice-versa. Entende?

Mas a verdade é que não foi um ano (ou ano e meio, vá lá) de todo ruim. Porque mudanças, mesmo as que parecem ruins à primeira vista, são sempre bem vindas, portas que se abrem, oportunidades que se apresentam. E sim, há que se ser um tanto Polyanna nesses momentos.

Esse tempo estranho que estou vivendo foi, por exemplo, um tempo de muitos reencontros. Alguns, é verdade, bastante estabanados e cheios de mal entendidos. Tanto que, em tão pouco tempo, já há coisas a consertar. Outros, mais próximos ainda que à distância. Mas foram bem divertidos, todos eles.

E muitos bons encontros, gente que passou a fazer parte da minha vida e que, em regra, apareceram de surpresa, sem expectativas, mas com quem já divido muitos sorrisos.

E da família, o que se pode dizer? Que aos trancos e barrancos, como toda família, não posso reclamar de jeito nenhum, muito pelo contrário. Pai, Mãe, Irmã, Avó. Assim, em letra maiúscula mesmo. Até primos e primas, com quem não falava há mito tempo e agora é todo dia, logo eu tão avesso a essas brincadeirinhas por celular. Sem falar nas pequenas, na oportunidade de vê-las crescendo e florescendo, descobrindo e conquistando o mundo ao redor. É possível não agradecer por isso tudo?

Também foi um tempo de alguns desencontros, tanto ou mais estabanados. Alguns até constrangedores. Coisas que prometo tentar resolver o mais breve possível.

E em que pese a vida profissional ainda muito desorganizada, absolutamente indefinida, várias boas experiências ajudaram a colorir esse bendito ano que está chegando ao fim. Portal do Bem, Alma Literária, LM Comunicação, Oga Mitá, Smartia, Conceito/Rede Câncer, Cassará Editora e AG2 Nurun: obrigado pela parceria e confiança.

Enfim, é como disse lá em cima. Chegando ao fim. E, apesar dos tropeços, agradecendo por tudo o que tem acontecido e acreditando que esse caminho cheio de pedras – algumas bem pontiagudas – é apenas para preparar a alma, engrossar o couro. Porque a vida gira. Sempre.

Meus desejos são simples: mais trabalho, muito mais; mais bagunça e menos confusão; mais encontros e reencontros; mais velejadas; mais sólidos, líquidos e gasosos; mais música, livros e filmes; mais brincadeiras infantis; mais beijos e abraços e sorrisos.

Aos amigos (e aos desavisados que passarem pelo cafofo por acaso), um Feliz Natal. E que todos nós consigamos contrariar todas as previsões pessimistas e que sejamos capazes de fazer um 2016 excelente. Muito melhor que 2015, um tantinho pior que 2017.

E pra terminar, um recadinho de um amigo de longa data, na casa de quem, sempre que estive presente, fui tratado como irmão, filho, neto. Um desses reencontros que tive, apesar de ainda à distância.

Jesus é um cara legal e o aniversário dele está chegando. Então, mesmo que você não creia em tudo que contam que ele fez, pelo menos considere que o discurso do cara foi só Amor & Paz. Afaste o máximo que puder do egoísmo, orgulho e vaidade do teu coração e se permita amar plenamente. Comece na noite de Natal, depois por 1 dia, depois 2 dias e assim sucessivamente. Amor & Paz a todos!

Caius Valladares

Ah, 2014…

Mussum_KeanuÉ, sei que a piada é velha e que todo mundo já cansou de ver a montagem aí ao lado, mas não resisti. E desde que recebi a imagem no zapzap que ela não me sai da cabeça, que comecei a pensar em como foi de verdade o meu 2014.

Que ano da porra… Não ganhei na mega sena, perdemos a Copa daquele jeito, o Flamengo foi ridículo, não velejei nenhuma vez e a Dilma ainda foi reeleita. Piadas à parte (a Dilma não é piada!), a turma que me conhece sabe que sou um bocado ranzinza, beirando o raivoso. Definitivamente não sou um seguidor de Pollyanna, “copo meio cheio é o cacete, o bicho tá quase vazio”.

Pois bem, resolvi tentar fazer um tantinho diferente e olhar com calma para o que aconteceu neste ano. E vou contar pra vocês, não tem sido nada fácil. Especialmente o segundo semestre. Tudo por conta duma feladaputa duma mentirosa, capaz de dizer uma coisa em cena aberta, com a sala cheia, olhando nos olhos de todo mundo, e depois não cumprir a palavra. Pra terminar o serviço com classe, ainda soltou alguns boatos ‘carinhosos’.

É, estar desempregado é uma bosta, ninguém tem dúvida disso. E eu estou. Mas comecei a olhar com mais carinho para toda a situação. Sim, a moça ainda é uma feladaputa sem palavra, mas não dá pra negar que – no fim das contas e apesar das dificuldades que não parecem estar perto de acabar – ela acabou me fazendo uma espécie de favor. Porque eu já estava há dez anos no mesmo lugar, tentando encontrar um jeito de sair, muito muito cansado. Então, essa confusão não deixou de ser uma espécie de oportunidade pra me mexer.

Vida que segue, pois. E seguiu bem bem, apesar das circunstâncias, vejam só.

Minhas filhas continuam crescendo bem e felizes, apesar do susto que foi a “cavíbula” da Isabel. E da família, pai, mãe, sogro, sogra, e todos os parentes e aderentes possíveis e imagináveis, não há o que falar, não tenho palavras pra agradecer.

De quebra, reencontrei uma turma que nunca saiu do meu coração, mas que não via há anos, décadas até. E os amigos mais próximos e até mais recentes… Definitivamente, não tenho do que reclamar. É claro que não vou nomear todo mundo, não caberia aqui.

Mas tem o Zé Luis e a Mayra e o Giorgio, sempre por perto, tomando conta mesmo. Tem o Alvaro e o Lucas, amigos velho e novo que tem feito todo o possível, o Saulo e a Moema, apresentada pela Alessandra, que mesmo com a distância de Brasília, também tem feito força. Sem contar a Isabela, amiga que virou uma parceira daquelas que aturam até minhas complicações. E a Paula, o Zuzo, o Octavio, a turma do Boteco 1 etc etc etc, e bota gente.

E trabalhos diferentes também apareceram, de ghost writer a professor, papel que não cumpria há muitos anos, quando substituí um amigo, e que definitivamente não posso mais deixar de lado. E nessa onda veio a Elephas e o presente gigantesco do Ricardo, toda a identidade visual da empresa.

Falando nisso, que belos regalos a vida entregou com as chegadas do Luciano (e sim, estou em dívida com Giorgio e Renata) e do Luis, filho do meu irmão MP e da Elísia.

Então é isso, o que comecei com a intenção de um exorcismo capaz de colocar todos os meus fantasmas pra fora, termina como um baita dum agradecimento a Papai do Céu.

No melhor clima tá ruim mas tá bom, até achando que o copo está pra lá de meio cheio, me despeço desse 2014 certamente inesquecível. Que todos nós possamos ter um Natal de paz e sorrisos e um 2015 muito melhor, quem sabe até redentor.

O guardador de rebanhos

Foto: Anna Maria Island

Num meio-dia de fim de primavera, tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer à terra.
Veio pela encosta de um monte,  tornado outra vez menino,
a correr e rolar-se pela erva e arrancar flores para as deitar fora,
e a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso de mais para fingir-se de segunda pessoa da Trindade.
No céu, era tudo falso, tudo em desacordo com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério e de vez em quando se tornar outra vez homem e subir para a cruz, e estar sempre a morrer  com uma coroa toda roda de espinhos e os pés, espetados por um  prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura como os pretos nas ilustrações.
Nem se quer o deixavam ter pai e mãe como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas – um velho chamado José, que era carpinteiro e que não era pai dele,
E o outro pai, era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo, porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de ter. Não era mulher; era uma mala em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele que só que só nascera da mãe, e nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!

Um dia em que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar, ele foi a caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro, fez que ninguém soubesse que ele  tinha fugido.
Com o segundo, criou-se eternamente humano e menino.
Com  o terceiro, criou um Cristo eternamente na cruz e o deixou pregado na cruz que há no céu e serve de modelo às outras.
Depois, fugiu para o sol e desceu pelo primeiro raio que apanhou.
Hoje, vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita, de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba frutas dos pomares,
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam,
E que toda gente acha graça,
Corre atrás das raparigas que vão em ranchos pelas estradas,
com as bilhas às cabeças e levanta-lhes as saias.

A mim, ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as coisas.
aponta-me todas as coisas há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem nas mãos
E olha devagar para elas.
Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem-Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito-Santo, coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada.
Das coisas que criou –
“Se é que ele as criou, do que duvido” –
“Ele diz, por exemplo, que os seres cantam á sua glória,
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso, se chamam seres.”
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O menino Jesus adormece nos meus braços,
E eu o levo ao colo para casa.

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Ele mora comigo na minha casa, ao meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano, que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso, que eu sei com toda certeza,
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

E a criança tão humana, que é divina,
É esta minha cotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo, que eu sou poeta sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.

A Criança Nova que habita onde vivo,
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando, e rindo, e gozando nosso segredo comum que é o de saber por toda parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.

A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direção do meu olhar, é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando nas orelhas.

Damo-nos tão bem um com o outro,
Na companhia de tudo,
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois,
Como um acordo intimo,
Como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer, brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo um universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.

Depois, eu conto-lhe histórias de coisas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam no fundo do mar dos altos mares.
Porque ele sabe que a tudo isso, falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer os olhos e os muros caiados.

Depois ele adormece, e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas pro ar,
Põe uns em cima dos outros,
E bate as palmas sozinho,
Sorrindo para o meu sono.

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Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa,
Despe-me meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
que tu sabes qual é.

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Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há de ser ela  mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto as religiões ensinam?

Fernando Pessoa

Crônica de sexta-feira (12)

Eu aqui quebrando a cabeça, depois de mais uma vez abandonar o cafofo por alguns dias, tentando descobrir como ou o quê escreveria sobre o fim de ano, o feliz Natal e o tal próspero ano novo. E quando abro a bendita caixa de entrada, está lá piscando o texto de nosso mais assíduo quase único cronista de sexta-feira.

E o que resta, então? Muito obrigado meu amigo.

E muito obrigado a todos os amigos, próximos ou nem tanto, por mais um ano bom que está terminando. De quebra, todos aqueles desejos antigos, clichês mesmo, mas sempre muito sinceros: um Natal de paz, sorrisos e família para todos, e um 2014 muito melhor que 2013.Relogio antigo

O tempo

Eu não concordaria com alguém que afirmasse que o tempo é mesmo uma dimensão matemática e fisicamente medida, de preferência com a tecnologia suíça. Nada disso, para mim, as relações de convivência, de entendimento e de vida com relação ao tempo vão muito além da matemática, da física, da química e de outras ciências, exatas ou humanas.

E eu explico: são muitas as variáveis em nossas vidas que, na minha opinião, influenciam diretamente o nosso entendimento sobre o tempo: as coisas boas, as alegrias, as coisas ruins, as tristezas, as distâncias, os encontros, as saudades, as amizades perdidas e ganhas, alguém querido que se foi, alguém amado que chegou, encontros, desencontros, músicas dos anos 70, enfim, são muitas coisas que – acredito eu – possuem um significado de tempo diferente para cada pessoa. E não vejo nada de errado nisso.

De vez em quando me lembro de coisas que aconteceram na infância, com tanto realismo que “parece que foi ontem”. E também custo a lembrar de algum fato ou um nome que teve relação comigo há algumas semanas, ou até mesmo alguns dias. Também não vejo nada de errado nisso, ainda que já comesse a me preocupar com idade, um certo alemão e por aí afora.

Então, fica entendido: o tempo é diferente para cada um de nós. Mas encerro este texto afirmando que num determinado aspecto, o tempo pode e deve ser entendido e praticado por todos nós de forma única, se não idêntica, pelo menos parecida: é o tempo do fim de mais um ano, ou seja, é o tempo presente, é o hoje. “Se somos felizes e sabemos disso”, entre aspas por considerar esta citação já histórica, apesar da minha autoria, é porque sabemos viver bem o tempo de hoje, sempre nos lembrando do passado, o que nos dá a chance de corrigir ou aperfeiçoar algo em nossas vidas, e sonhando e planejando o futuro, desafio cada vez mais difícil, neste atribulado mundo. E eu prefiro mil vezes sonhar do que planejar, é mais gostoso.

Então, chega o fim de ano, com chuva, desastres nas estradas, muita confusão nas cidades, alguns com o hábito de comprar presentes e outros não, pois os últimos gostam de presentear as pessoas queridas o ano inteiro, sem motivo, como é o Natal e eu penso que estão corretíssimos, mas, enfim, o que quero escrever é que neste tempo de fim de ano o tempo parece o mesmo para todos nós: época de pensar, mas com moderação. Não deixe – nunca – a razão ser grande majoritária em seus pensamentos, não tem graça, precisamos sempre de uma boa dose de emoção; é época de amar; de viver a boemia; de divertir e de desejar um feliz Natal aos meus poucos e sagrados leitores e que em 2014 eu tenha o juízo de aprender a planejar melhor o meu tempo e nunca deixar de enviar uma crônica na manhã dos mais nobres dos dias úteis.

Então, pra terminar e mostrar que não precisamos ser diferentes na hora de escrever uma mensagem de fim de ano, que não precisamos de um texto mirabolante, cheio de efeitos especiais, para que o destinatário entenda a nossa mensagem, eu desejo a todos um feliz Natal e um próspero Ano Novo!

Rodrigo Faria

Arte gráfica

Poster oficial da Copa do Mundo de 2014 / Divulgação FIFAAí está o cartaz ou pôster oficial da Copa de 2014. Gostei. Muito. Das cores, dos detalhes que marcam cada região do país, do mapa do Brasil construído em meio a uma disputa de bola.

Sempre fui muito fã de cartazes e pôsteres de eventos esportivos, cinema e teatro. Sinto mesmo falta de ter paredes enormes em casa, que eu pudesse decorar com eles.

Enfim, faltam 498 dias para começar a farra (sem contar a Copa das Confederações, neste ano). Todos sabemos das armações e roubalheira em torno do evento e das obras de preparação e tal e coisa. Seria fabuloso ver o Ministério Público atuar nestes casos como fez no julgamento do mensalão.

Também sabemos que boa parte dos estádios construídos (Cuiabá, Brasília, Manaus e Natal com especial deferência) serão belíssimos elefantes brancos, uma verdadeira manada.

Mas é preciso reconhecer o que é bem feito. É o caso do pôster oficial que foi criado pela Crama e dos de cada uma das sedes.

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Dia de Reis

A gravação de Tim Maia para A festa de Santo Reis é mais do que clássica. Mas você já tinha visto ou ouvido o autor da música, Márcio Leonardo? Eu não, até encontrar o filme abaixo. Puro acaso.

Vale pela curiosidade, vale para lembrar a data em que – segundo a tradição – os magos (sábio, para a época) levaram seus presentes – ouro, incenso e mirra – ao Jesus recém nascido.

Onde estão os analistas?

Desde ontem, canais de TV, jornais, mídias e portais trataram de noticiar com razoável alarde o balanço da operação de fim de ano da Polícia Rodoviária Federal. Basicamente, uma repetição do que está escrito nos releases oficiais, com os números de acidentes, mortos e feridos.

E, em tese, boas notícias: o número de mortos, em relação ao mesmo período do ano anterior, caiu 18% e o de feridos, 16%.

Mas, por quê em tese?

É claro que é muito bom ter menos gente morrendo, mas há circunstâncias que não são observadas ao se dar a notícia e os tais bons números parecem que refletem um excelente trabalho de prevenção e educação no trânsito. O que sabemos não ser real.

Vou colocar em tópicos algumas observações que, penso, deveriam ser levadas em conta na análise dos números.

  • O país inteiro está cansado de saber que as únicas estradas federais em bom estado são aquelas onde há cobrança de pedágio;
  • não houve feriado prolongado, ou seja, mesmo que o número de pessoas em viagens tenha sido o mesmo de outros anos (eu não acredito), o número de viagens curtas aumentou. Diminuindo o tempo de permanência dos carros em circulação, também é menor o risco de acidentes;
  • boa parte dessas viagens mais curtas acontecem por estradas estaduais e vicinais, não cobertas pela Polícia Rodoviária Federal;
  • a velocidade média dos deslocamentos (e o risco de acidentes) diminuiu bastante, em função de grandes congestionamentos;
  • e se é verdade que a chuva que caiu em boa parte do país aumenta o risco nas estradas, também é verdade que muita gente desiste de viajar por causa delas.

É possível que minhas observações sejam grandes bobagens. Mas o que me incomodou é que a notícia foi dada assim, como quem não quer nada, comemorando esse mundo maravilhoso, como se não vivêssemos em um país onde se morre no trânsito mais do que em países em guerra.