A pior do ano

E a Fórmula 1 em Valência, o GP da Europa, que bosta…

Quem se deu ao trabalho, assistiu ontem à pior corrida do ano. A pista – projetada por Tilke em meio à fantástica marina – é tão vagabunda que não houve pneu de farelo nem asa móvel suficiente pra fazer milagre.

O que houve de notícia mesmo, nos últimos dias, foi a FIA tentar acabar com o domínio da Red Bull e de Sebastian Vettel. Do jeito que as coisas vão, não será estranho se o campeonato for decidido na Bélgica ou Itália. Com medo de que isso afugente a audiência, mudaram as regras no meio do jogo. Duas, pra ser exato.

Desde Valência já não é mais possível utilizar um mapeamento diferente de motor, entre classificação e corrida. Ninguém nunca vai admitir, mas o objetivo era evitar que Vettel conquistasse suas poles de maneira tão fácil. E não adiantou nada, o alemão saiu na frente. E lá continuou, sem dar qualquer chance a ninguém, até a bandeira quadriculada.

A outra mudança vale a partir de Silverstone, próxima corrida. Uma mudança bem radical na aerodinâmica dos carros, com a proibição do difusor soprado. Basicamente, os gases do escapamento são jogados pra frente, passam por baixo do assoalho e – ao ser expelido pelo difusor – geram mais downforce. Como os carros de Adrian Newey são os mais eficientes aerodinamicamente, em tese são os que perderiam mais. Mas, não sei por quê, estou desconfiado de que o cenário não vai mudar nada.

A essa altura, oito corridas, seis vitórias e dois segundos lugares. E ainda tem gente que acredita que o campeonato está aberto.

Motores

A novidade do dia é uma tal carta assinada por 17 dos 19 circuitos do calendário, contra a mudança dos motores imposta pela FIA e corroborada – depois de alguma negociação – pelas equipes.

Quem gosta do assunto deve lembrar que a FIA instituiu novos motores 1.6L turbo com quatro cilindros a partir de 2013. Os objetivos, oficialmente, eram reduzir o custo, ser um pouco mais verde e atrair novas fabricantes. Extra-oficialmente (tem hífem?), uma negociação com a Volkswagen e sua eterna promessa de um dia entrar na F1, fosse com a Porsche, fosse com a Audi.

Depois de um bom bocado de boatos, birras e picuinhas, além do fim das conversas com a montadora de Ingolstadt, ficou acertado que a mudança acontecerá em 2014: motores 1.6L com seis cilindros em V e limitação de 12 mil giros.

Acontece que Bernie Ecclestone (de mãos dadas com Ferrari e McLaren) é contra e costurou a rebelião dos autódromos (dos organizadores, na verdade), que reclamam – entre outras coisas – que o barulho diminuirá, que isso faz parte do show e que isso afastará o público. Entre as exigências, que sejam liberados os 18 mil giros.

Basicamente, mais uma novelinha…

Qual será a decisão?

Está rolando a terceira seção de testes de pré-temporada da F1 em Barcelona. E nada de muito relevante tem acontecido, nada que valha realmente algum destaque. As equipes fortes continuam fortes, as médias e as pequenas idem. Apenas duas observações: todos acreditam que a Red Bull não mostrou, até agora, seu verdadeiro potencial e continua sendo o carro a ser batido.

A outra é que, apesar de todas as tentativas e soluções aerodinâmicas que os caras inventam, os responsáveis por mais emoção, mais disputas, mais variáveis durante as corridas serão os novos pneus. Já há equipes simulando corridas em Barcelona e, em alguns casos, poderiam acontecer até quatro (!!!) paradas nos boxes. Por enquanto, e muito grosso modo, isso poderia significar que pilotos como Jenson Button e Mark Webber, que sempre trataram bem seus pneus, com pilotagens mais delicadas, poderiam obter grandes resultados realizando uma parada a menos. A exata noção, de qualquer maneira, só teremos mesmo na primeira corrida.

Primeira corrida que deveria acontecer no Bahrein, no dia 13 de março. E essa é a grande notícia que movimenta a Fórmula 1 nos últimos dias. Porque todo mundo sabe do furdunço que está acontecendo por aquelas bandas. A definição sobre a última bateria de testes da categoria, marcada para uma semana antes da prova, já no Bahrein, está prometida para esta segunda. E sobre a decisão, correr ou cancelar o GP, Julianne Cesaroli foi brilhante no seu Faster F1.

O que a F1 está esperando?

A Federação Internacional prefere um silêncio lacônico, Bernie Ecclestone tenta convencer a todos que a situação no Bahrein está melhorando e a associação das equipes (FOTA) chega à conclusão de que o melhor é seguir a recomendação das autoridades – do automobilismo, não do país. Todos esperam que a decisão de cancelar o primeiro grande prêmio de 2011, que hoje parece inevitável, não tenha que ser tomada.

O fato é que a F1 está cheia de conexões com monarquias árabes “amigas” do Ocidente. Parte da equipe de GP2 do filho de Jean Todt, presidente da FIA, é de investidores do próprio Bahrein. A Williams tem negócios no Qatar, a Ferrari tem um grande patrocinador e um parque temático com seu nome nos Emirados Árabes Unidos e a McLaren – cujo chefe também é presidente da FOTA – tem 41% de suas ações nas mãos justamente do governo que anda sendo questionado por sua própria população, que protesta diariamente em busca de voz ativa e mais igualdade social. Isso sem contar o contrato que, especula-se, gira em torno dos 60 milhões de euros para que os barenitas garantam seu enfadonho circuito como palco da abertura da temporada.

Ninguém, é claro, quer correr o risco de sair no prejuízo. Preferem esperar a situação se acalmar – ou “tudo explodir de vez”, como disse Ecclestone – para respirar aliviados e embarcar o restante do equipamento ao Bahrein, como se nada tivesse acontecido. Já vimos um esforço parecido, mesmo que a incerteza naquele momento fosse causada por outros motivos, na Coreia no ano passado. Falando em equipamentos, boa parte já foi enviada ao Bahrein, o restante iria nesta semana para os testes, de 3 a 6 de março – datas, inclusive, já devidamente reservadas também no circuito de Barcelona. Mais um motivo para estranhar a lentidão em se tomar uma decisão.

Seria difícil imaginar que o governo barenita conseguisse garantir a segurança de todos os envolvidos na F1 se continuasse a responder com o uso da força. Estamos falando de algumas centenas de pessoas, dentre elas muita gente importante no mundo dos negócios, muita gente com seguros que possivelmente não permitirão que corram tal risco, muita gente que seria um alvo preferencial. Isso sem contar na recente recomendação de países como Reino Unido e Estados Unidos, de que seus cidadãos cancelem qualquer viagem “não essencial” ao país. É lógico que explodir tudo de vez não seria muito inteligente, mesmo a curto prazo. Não coincidentemente, o príncipe do Bahrein vem tentando uma saída política para a crise.

Assim, deixariam de perder o dinheiro negociado com Ecclestone e teriam uma chance e tanto de propagandear sobre como são fundamentais para a saúde financeira e a ordem do país, como merecem ficar no poder. E não há dúvidas de que a F1 aceitaria se prestar ao papel de palco para o desfile dessa ditadura bem disfarçada, pelo menos aos olhos do Ocidente.

Como Ecclestone já declarou que a decisão está nas mãos do príncipe, se a prova não acontecer, são os barenitas que arcarão com o prejuízo. E o velho Bernie pode lavar as mãos.

Por mais que todos neguem que queiram se associar com um país de liberdades restritas, por mais que digam que só aparecem por lá uma vez por ano para correr, a F1 está envolvida até o pescoço com essa gente. A rápida dissipação dos protestos e a vitória do governo barenita é tudo por que FIA, Ecclestone e FOTA estão esperando.

Quando a gente pensa que a estupidez não tem limites…

Já terminou, depois de apenas três dias, a primeira série de testes da F1 para a temporada 2011. Notícias do dia? Kubica fez o melhor tempo. Mas é impossível saber o quanto disso pode ser em função de um escapamento que joga os gases para a frente para que eles, ao passar sob o carro e serem engolidos pelo difusor, gerem mais downforce. Pelo menos, parece que não atrapalha.

Mas como todo mundo que escreve sobre F1 por aí já disse, especialistas ou apenas apaixonados como eu, até a última seção teremos apenas tendências, mais fortes ou mais fracas, de como será a temporada. Afinal, vale destacar que temos uma Force India de 2010 andando na ponta.

Massa começou mal, com sua Ferrari pegando fogo e perdendo muito tempo de pista. Mesmo assim, avaliou bem o que pôde testar do carro e o comportamento dos pneus Pirelli.

Agora, novidade novidade mesmo, uma invenção da FIA: a criação de zonas definidas de ultrapassagem e utilização da nova asa traseira móvel. O que eu tenho a dizer sobre isso? Depois de algumas gargalhadas meio desesperadas de ler algo assim, encontrei o texto abaixo.

Burrice endêmica

Eu não tenho dúvidas de que o mundo passa por um surto endêmico de burrice. Ela se manifesta “em todos os níveis”, como dizem os enroladores profissionais. Um desses níveis, claro, é a Fórmula 1. Prega-se redução de custos e, ao mesmo tempo, inventam-se bobagens que só aumentam os custos e criam confusão. Lamentam-se as dificuldades de sobrevivência e criam-se outras maiores ainda. Para matar os que não se enquadram, levá-los à bancarrota, instituir uma lei de Darwin ditada pelo poder econômico.

A última da FIA é divertidíssima. Delimitar “zonas de ultrapassagem” nas pistas, onde possa ser usada a brilhante asa móvel inserida no regulamento deste ano. Mais ou menos como se a Fifa determinar que chutes a gol só possam ser efetuados a partir de áreas previamente estabelecidas, desde que os zagueiros estejam a uma distância pré-estabelecida e os goleiros, com os dois pés no chão e as mãos erguidas à altura do peito.

Comecemos com a asa móvel, uma estupidez sem tamanho. Carro não é avião. A aerodinâmica que atua sobre o automóvel tem de ser estática, rabiscada numa prancheta, estudada por projetistas espertos e inteligentes. Ponto, acabou aí. Acionar flaps é coisa para comandante da Varig. Piloto, na medida do possível, deveria apenas usar os pés para acelerar e frear, como se faz num carro de rua, e as mãos para trocar as marchas e virar o volante. Como se faz, ainda, em alguns carros de rua

Todo o resto é perfumaria invisível a olho nu que não interessa em nada a quem sustenta o espetáculo, o cara na arquibancada e o outro no sofá da sala diante da TV. Em vez de fomentar a criatividade de engenheiros e estimular o talento e o arrojo de quem pilota, os regulamentos procuram normatizar tudo, criar regras até para o orgasmo de uma corrida, que é o momento de ultrapassar, o “feeling” de quem está no cockpit, aquilo que diferencia um cara que dirige um carro de outro que pilota.

Agora, essa das zonas de ultrapassagem. Não vai vingar, não pode, porque é idiota demais até para quem acha, como a FIA, que tem recursos tecnológicos infalíveis para controlar a distância entre um carro e outro o tempo todo. E as asas móveis deveriam ser banidas já. Se está difícil de ultrapassar, não é criando normas para isso que se vai resolver o problema.

O Kers é outra tolice, dispendiosa e artificial. Já deu errado dois anos atrás, o que faz com que se imagine que vai dar certo agora? Só atrapalha na hora de projetar o carro, é mais uma traquitana para quebrar, dar defeito, e, de novo, separa as equipes em dois grupos, os que têm grana para desenvolver e os que não têm e, por isso, ficam ainda mais para trás.

O que se quer é criar regras para tudo. O planeta está assim. Aqui pode, ali não pode. Isso é permitido, aquilo, não. Entre por lá, saia por acolá. Vista-se assim, dispa-se assado. Não ria, não olhe para a câmera, pare, siga, pague, digite a senha, retire o cartão, disque 1 para saldo, 2 para mudar de plano, 9 para falar com nossos atendentes.

Mundo chato da porra.

Flavio Gomes

Gala

Ainda não tinha visto, esse vídeo foi exibido na noite de premiação da FIA. A edição, trilha sonora etc., tudo sensacional. E as referências, cuidado e deferência aos 60 anos de história são de se admirar. De quebra, tudo o que foi realmente importante na melhor temporada em muitos e muitos anos. Então, mesmo que você não goste de corridas, vale a pena dar uma olhada e ver como se faz um bom vídeo.

O que vem por aí

Até que pra quem está de férias, a Fórmula 1 tem gerado bastante notícias nos últimos dias. As últimas foram resultado da reunião da FIA na última sexta-feira que sacramentou os novos regulamentos esportivo e técnico para a próxima temporada. Na verdade, a reunião foi muito mais que isso.

Entre as mudanças para o ano que vem, a maior ‘novidade’ é que foi retirada do regulamento esportivo a cláusula que proibia o jogo de equipe. Na verdade, hipocrisia pura, pois a prática sempre existiu – com ou sem regras. As maiores novidades técnicas serão a volta do KERS e asa traseira móvel (que teoricamente só poderá ser acionada pelo piloto quando estiver em condições de ultrapassar, e o ultrapassado não poderá usá-la para se defender).

Na verdade, esta nova regra ainda será trabalhada, mas o cheiro de m… no ar é forte.

A reunião também aprovou novidades a serem adotadas em 2012 e 2013, entre elas o novo motor. Esta sim pode provocar grandes mudanças na categoria.

A partir de 2013, os motores serão 1.6 turbo de quatro cilindros. Além de reduzir custos de fabricação, ainda serão mais econômicos. O resultado disso é a provável atratividade que a categoria poderá despertar (a Volkswagen já está de olho e pode colocar a Porsche de volta às pistas).

Para que todos tenham um bom resumo e análise de tudo o que foi dito na última sexta, reproduzo abaixo o texto de Mike Vlček. Quem quiser mais detalhes, saber tudo tim tim por tim tim, pode ler os regulamentos Esportivo e Técnico de 2011. Para análises técnicas mais profundas, procure pela categoria Falando difícil do blog do Mike, o Fórmula UK.

O que muda em 2011

a) Fim do artigo 39.1, que proibia ordens de equipe
Ok, então oficialmente não temos mais nada no regulamento que proíba as ordens de equipe. Porém, a mesma FIA avisa que o famoso artigo 151c, aquele que trata de punir os que colocam o esporte em situação embaraçosa, segue de pé. O que isso quer dizer? Para mim, a mensagem é clara: quem quiser fazer jogo de equipe, terá de ser mais sutil do que a elefanta Ferrada, especialista em pisar nas cabeças e dar patadas nos torcedores. Trocando em miúdos: pode, mas tem que ser escondido. Hipocrisia pouca, claro, é bobagem.

b) Fiscais terão mais opções de punição
A partir de 2011, os fiscais presentes a cada GP poderão punir de mais formas os pilotos que se comportarem mal na pista ou cometerem algum tipo de infração. Perguntinha básica: será que os gestos de Fernando Alonso em Abu Dhabi seriam passíveis de punição ano que vem? Em caso positivo, acho uma tremenda viadagem, com o perdão da palavra.

c) Pit-lane pode ser fechado em caso de Safety-Car
O diretor de prova (leia-se Charlie Whiting) poderá fechar o pit lane se julgar necessário, por motivos de segurança, quando o Safety-Car for à pista. Acredito que a intenção da FIA é impedir que o que aconteceu no GP de Valência se repita, quando Fffééettel e Luisinho se beneficiaram, deixando Alonso e a Ferrada irados.

d) Mudanças nos pneus
A FIA diz que os “pneus intermediários serão reintroduzidos em 2011″. Confesso que fiquei meio confuso com a informação, porque para mim eles nunca deixaram de existir. Deve ser uma pura questão de semântica. A entidade também manteve a regra que obriga os pilotos a usar os dois pneus de pista seca em caso de GP se chuva. É, não foi dessa vez…

e) Caixas de câmbio mais duráveis
Até 2010, os câmbios tinham de durar quatro corridas. A partir de 2011, serão cinco. Haja coração (thanx GB)…

f) Outras coisinhas
A regra que estipula que um piloto precisa estar a menos de um segundo do que vai à frente para poder abaixar a asa traseira passará por refinamento. Ou seja, tudo pode mudar. Porém, uma coisa é certa: a asa traseira móvel vai mesmo acontecer.

A FIA também vai exigir reforço das laterais da célula de sobrevivência, na tentativa de proteger melhor as pernas dos pilotos após o sério acidente sofrido por Liuzzi no Brasil, quando uma barra de suspensão quase perfurou o pé do italiano.

Para 2012

a) Rádio liberado
Vai ser o bundalelê! A FIA garantiu que a partir de 2012 toda a comunicação feita pelos times será disponibilizada para as emissoras que transmitem a F-1. Vai ser interessante descobrir que tipo de informação será mencionada pelos comentaristas de cada emissora, e que tipo de comentário será deixado de lado em prol de transmissões ufanistas. Amigos, o confrontamento Globo x BBC nunca será tão interessante.

O melhor, porém, seria se as transmissões fossem liberadas através do site oficial da F-1 junto ao live timing, de forma que os torcedores pudessem escolher que time/piloto acompanhar. A conferir.

b) Chegada dos biocombustíveis
Ainda carece de maiores detalhes, mas aparentemente eles vão chegar antes dos novos motores turbo. A conferir.

Para 2013

a) novos motores turbo
Os futuros propulsores serão turbos de quatro cilindros e 1.600cc de capacidade volumétrica. Terão injeção direta de combustível, poderão girar até 12 mil rpm e cada piloto terá direito a cinco motores. A partir de 2014, serão apenas quatro propulsores por piloto/temporada. Nada muito diferente do que já vínhamos comentando.

A FIA espera ainda uma redução no consumo da ordem de 35% e também a ampla utilização de tecnologias de armazenamento e reaproveitamento da energia (leia-se Kers e Hers). Não sabe o que é Hers? Então dê um pulo na seção “Falando Difícil” e leia os três artigos sobre as regras que entrarão em vigor em 2013. Vale a pena.

Bem, basicamente é isso, meus bons. Estou super corrido e terei de sair já, já, mas faço uma última observação. Não gostei do fato de a FIA não ter clarificado até agora como será o funcionamento da regra da asa traseira móvel. Continuo sentindo que isso vai gerar muita confusão no princípio da temporada.

Tudo aberto, quem merece ser campeão?

E bastou uma corrida para que todo mundo que se mete a fazer qualquer comentário sobre Fórmula 1, de certa forma, quebrasse a cara.

Se depois da prova disputada em Spa-Francorchamps, na Bélgica, a opinião quase unânime era de que o campeonato apontava para a disputa apenas entre Webber e Hamilton, bastou uma nova corrida para o cenário mudar quase completamente.

Do GP da Itália, no último domingo, apenas três destaques de verdade. O trabalho fantástico da Ferrari ao devolver a Alonso a liderança perdida na largada, a estratégia nada usual de Vettel fazendo sua parada na última volta para terminar em quarto e o acidente da largada, que tirou Hamilton da prova. Soma-se o mau resultado de Webber, chegando apenas em sexto, e temos cinco pilotos lutando pelo título de novo.

Apenas 24 pontos separam Sebastian Vettel, o quinto colocado, do líder Mark Webber, faltando cinco provas em que a vitória vale 25 pontos. E então, alguém vai voltar arriscar, nessa altura, o que vai acontecer? Minha aposta (e torcida, vá lá) ainda é pelo australiano da Red Bull.

Curiosidade

Uma das novidades do campeonato deste ano foi o novo sistema de pontuação, que pretendia valorizar as vitórias. Quando a mudança foi anunciada, muita gente fez contas de campeonatos passados e chegou-se a dizer a novidade não faria lá muita diferença. E aí, com mais de dois terços da temporada cumprida resolvi fazer um teste. E não é que eu descobri que se o campeonato terminasse hoje, teríamos um campeão pelo sistema atual e outro pelo sistema anterior?

Se vocês clicarem na tabela abaixo, poderão vê-la ampliada. Nas faixas laranjas (ou algo assim), as pontuações de cada um pelo sistema antigo (10-8-6-5…); nas brancas, as contas atuais (25-18-15-12…). De uma maneira, a anterior, Lewis Hamilton seria o líder com um ponto de vantagem (75 a 74) sobre Webber; de outra, sabemos que a vantagem do australiano sobre o inglês é de cinco pontos. Os outros três que estão na briga ocupariam as mesmas posições, com o detalhe que de um jeito Alonso venceria Button nos critérios do desempate contra os 11 pontos de diferença da conta real.

E se a intenção da FIA era valorizar a vitória, Webber venceu quatro vezes contra três vitórias de Hamilton.

E outra curiosidade dessa tabela insana é que os quadros verdes marcam quando o líder após cada corrida seria o mesmo, independente do sistema. Por exclusão, os azuis mostram a possibilidade de líderes diferentes. É claro que se, daqui pra frente, um dos pilotos emplacarem duas ou três vitórias, o resultado em qualquer dos sistemas tende a ser o mesmo. Mas achei bom ver a possibilidade.

Eu sempre achei que a regularidade deveria ser um dos pontos fortes de um campeão de F1 ou qualquer outra categoria, mas saber que já houve um campeão, Keke Rosberg, que venceu apenas uma corrida no ano me incomodava. Então, parece que a solução encontrada foi boa mesmo. Confiramos no final do ano.

É mentira, Terta?

Ainda bem que nem só das bandalheiras agora oficializadas vive o automobilismo, especialmente a Formula 1. Afinal, a confusão da equipe de Maranello não foi o único tema da pauta do Conselho Mundial da Fia. Mas antes de tratar do que foi dito e decidido na Praça da Concórdia, falemos da nossa querida terra brasilis.

O site Grande Prêmio publicou hoje uma matéria com o croqui do que seria o novo autódromo do Rio de Janeiro. Na verdade, imagem de um estudo conceitual do complexo que substituirá o destruído Jacarepaguá.

O desenho mostra um circuito misto de 4.715 metros, com 19 curvas, e um circuito oval (sem indicação de comprimento da pista, uma área onde haveria um complexo poliesportivo e um kartódromo de 1.344 metros. Sua localização: Deodoro.

Como disse um amigo, infelizmente pelas experiências anteriores, só vou acreditar que é real quando eu estiver sentado na arquibancada para assistir à primeira corrida, não importa de que categoria.

Levando-se em conta que é apenas uma apresentação conceitual de todo o projeto, não vou – agora – analisar o circuito ridículo que foi apresentado. Mas quero falar de Deodoro.

De acordo com o desenho, o complexo ficaria – na verdade – no bairro de Ricardo de Albuquerque, cerca de 40km do centro, com acesso apenas pela terrível Av. Brasil (que separa os dois bairros) ou por trem. Não há metrô, não há aeroportos nas proximidades (o Campo dos Afonsos é de uso militar), não há estrutura para hospedagem para as centenas (ou até milhares) de pessoas que formam os circos de qualquer grande categoria, rodeado por favelas perigosas dominadas pelo tráfico de drogas ou milícias, sem qualquer atrativo turístico. Ou seja, a pergunta que não quer calar é: alguém acredita na viabilidade desse projeto?

Pois é, eu insisto: só acredito vendo da arquibancada e vestindo meu colete à prova de balas.

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Voltando aos anúncios de ontem em Paris, a Fia publicou o calendário da próxima temporada, com as 20 provas sonhadas por Bernie Ecclestone.

Como vocês viram aí em cima, a novidade da hora é que a Índia (mais um cantão desse mundo de meu Deus que não tem qualquer história ou tradição automobilística) receberá uma etapa do mundial e o Brasil volta a receber a última corrida. Mas, sobre o calendário, é preciso lembrar que em 2012 voltaremos a ter o GP dos EUA. Qual circuito será abandonado? A ver.

Outra decisão apresentada ontem foi a não inscrição de uma nova equipe para ocupar a 13ª vaga disponível no grid da F1. Segundo a Fia, nenhuma das postulantes atingiu os requisitos necessários. O que, depois dos casos de Hispania e Virgin, soa ridículo que a espanhola Epsilon Euskadi não possa entrar. De qualquer maneira, ainda há rumores de ela possa fazer um acordo ou até comprar a Hispania. Outro postulante, a parceria Jacques Villeneuve e Durango também já dizem estar pensando em um plano B, como a compra de alguma outra equipe. Como há várias escuderias com problemas financeiros, não estranhem se tivermos novas equipes ocupando os boxes no ano que vem.

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Mas a Fia não cuida apenas da F1 e ontem também divulgou o calendário do WTCC, o campeonato mundial de turismo. Curitiba voltará a sediar uma prova, abertura do campeonato. E há rumores de que Cacá Bueno (que já correu uma etapa como convidado neste ano) faça parte de um projeto da Honda, em parceria com um piloto argentino. Por enquanto, tudo é boato. Mas será que é por acaso que a segunda prova do ano será, justamente, na Argentina? Outra coincidência: quando correu no TC2000, principal certame de nossos hermanos, Cacá foi piloto da equipe Honda-Petrobras, uma patrocinadora brasileira. Como a falta de grana também atingiu o campeonato, inclusive com a retirada de algumas equipes, como a oficial da Seat, será que os organizadores estariam tentando agradar alguém que quer investir? Hummm… Tudo isso é elocubração sobre alguns boatos. Mas com muitas coincidências envolvidas.