A verdade que emana da cerveja

David Luiz / Foto: Jasper Juinen/Getty ImagesNoite de sábado, véspera da final da Copa das Confederações entre Brasil e Espanha. Estávamos lá. Eu, Marcos, Alexandre e outro Gustavo. Muitas latas depois, discutindo sobre o tudo e sobre o nada. Cerca de mais ou menos 6min38seg depois de resolver todos os problemas do Brasil, o país, surge a grave questão: “e aí, como vai ser amanhã?”

Dadas as condições gerais das últimas semanas, com discussões políticas intermináveis pelos motivos que todos conhecemos, andava até evitando falar de futebol. Principalmente sobre a possível “final que todos queriam ver”. O único sujeito que li e ouvi falando que o Brasil colocaria a Espanha no bolso foi o Rica Perrone. De resto, “a Espanha é (inclua aqui qualquer adjetivo igual ou superior a fodástico)”

Tenho um amigo querido, Rogério (sem sobrenomes, por favor) que desde as vésperas da última Copa chegava a orgasmos múltiplos a cada jogo da Roja. Imagina, então, se eu – logo eu! – ia ser do contra.

Mas a verdade que emana da cerveja…

Entre as observações e interjeições que ouvi (algumas nada decorosas), estavam:

– Você é louco

– Bebeu?!

– Tá de onda…

– Interna!

Basicamente, o que eu disse, é que ganharíamos da Espanha sem maiores sustos. E que se déssemos a sorte de um gol logo no início, enfiaríamos um saco de gols nos caras (foi por pouco). E que se jogássemos 18 vezes contra a Espanha, ganharíamos 17 (e só aqui eu admito um tantinho de exagero, mas era pra defender posição em meio à discussão encharcada).

Não, eu não sou louco. Pelo menos oficialmente. Mas há coisas sobre a Espanha que nem são tão difíceis de observar. A primeira, por óbvio, é que é um timaço sim. Com grandes e inteligentíssimos jogadores. Agora, o resto.

O toque de bola absurdo do time é baseado no Barcelona, algo que todo mundo sabe. Mas há uma diferença crucial entre o clube e a seleção. O Barça tem a possibilidade de contratar qualquer grande atacante do mundo, e faz isso há já há décadas. E só formou, craque mesmo, o Messi. A seleção não tem essa possibilidade e os artilheiros espanhóis não seriam titulares em metade dos 20 clubes do nosso Brasileirão. Não por acaso, ganharam a Copa de um a zero do início ao fim (fora a derrota pra Suiça). E é tão bonito de ver jogar que pouca gente se deu conta do quão fora da curva foi a goleada sobre a Itália na final da Euro.

O toque de bola, então, que é maravilhoso sim, na esquadra nacional, assume o papel de melhor sistema defensivo do futebol mundial. Afinal, sem a bola, ninguém faz gol. Pela qualidade e inteligência acima da média do time, os caras botam os outros na roda, extenuam os adversários com seus 65, 70% de posse de bola, e matam as partidas com um, dois gols no máximo. Quase sempre no segundo tempo. Peguem as estatísticas. De outras vezes, poucas, acham um ou dois gols no primeiro tempo e os adversários, com metro de língua pra fora, não conseguem reagir.

E por que eu tinha certeza que venceríamos o jogo? Pela intensidade com que o time veio jogando e crescendo, porque o time não é ruim (apesar de saber que não é a escalação ideal), porque a Espanha tem pontos fracos óbvios (como as laterais), porque eles não são tão velozes sem a bola (especialmente os zagueiros). Ah, e um detalhezinho, besteira, bobagem: camisa.

E sim, acredito que se jogarmos 10 vezes com eles, ganhamos 7, empatamos 2 e perdemos 1.

Os caras, donos do mundo que a geração Playstation acredita ser a melhor de todos os tempo (ah, os jovens), estavam há 29 jogos oficiais invictos. Mas alguém já se deu conta de quem foram os adversários? Vejam (e analisem) a lista, com resultados, de trás pra frente. São jogos de Copa, Eliminatórias, Euro e Confederações. Os negritos para os times de (alguma) camisa, os vermelhos para os resultados ridículos (pro bem e pro mal).

Itália, 0-0 (7-6 nos pênaltis)
Nigéria 3-0
Taiti 10-0
Uruguai 2-1
França1-0
Finlândia 1-1
França 1-1
Bielorrúsia 4-0
Geórgia 1-0
Italia 4-0
Portugal 0-0 (4-2 nos pênaltis)
França 2-0
Irlanda 4-0
Itália 1-1
Escócia 3-1
República Tcheca2-0
Liechtenstein 6-0
Lituânia 3-1
República Tcheca 2-1
Escócia 3-2
Lituânia 3-1
Liechtenstein 4-0
Holanda 1-0
Alemanha 1-0
Paraguai 1-0
Portugal 1-0
Chile 2-1
Honduras 2-0

O Brasil será campeão do mundo ano que vem? Não sei. A própria Espanha pode repetir a dose. E até pode nos vencer na final, por que não? E ainda há Alemanha (minha favorita hoje) e Itália. Por fora, correm como sempre a Holanda e a Argentina. E sempre há a questão dos cruzamentos, uma surpresa africana, uma zebra norte-americana, uma Bélgica que vem jogando muito bem e pode atrapalhar.

Basicamente, o que estou tentando dizer é que o bicho nunca teve sete cabeças. E lazaronis a parte, Brasil é Brasil. Ou vocês acham que eles queriam se bater com a gente por acaso?

P.S. 1: “E se o David Luiz não tivesse salvado o empate, se a bola entrasse?” O ‘se’ não joga, se sapo tivesse embreagem não pulava tanto. Pois digo que mesmo se fosse gol, venceríamos o jogo.

P.S. 2: Dilma, Cabral e Paes encastelados, ausentes no Maracanã? Não tem preço

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O Maraca

MaracanãJá não lembro mais quantos anos eu tinha, se 8 ou 9, quando fui ao Maracanã pela primeira vez. Meu primeiro jogo foi América e Internacional. Fazendo uma conta simples, comecei minha aventura no maior e mais belo estádio do mundo há mais ou menos 30 anos.

Nele eu vi bola, música e até papai Noel. Vi grandes jogos e imensas peladas de muitos times e da seleção. Vi o Zico voltar, fazer lançamento para Renato de bicicleta e, depois, e se despedir de novo. Vi o Maradona acertar o travessão do meio campo e Bebeto e Romário ensaiarem o que fariam em 94. Estava lá quando a arquibancada caiu.

Nele, pisei do gramado à tribuna de honra, passando pela querida geral. Só não fiz o que esses caras aí da foto fizeram. O vivi com mil e com 120 mil pessoas. Tomei banho de pó de arroz ao lado do meu pai, torci pelo Botafogo com amigos. E com o Flamengo… Quantos sorrisos, quantas comemorações, quantos dramas e lágrimas pelo quase conquistado. E na minha memória, aquele urro que começava baixinho e crescia apoiado no eco do concreto até tomar conta de todo o anel: Meeeennnnngooooo, Meeeennnnngooooo…

No complexo, fiz aula de natação e vôlei, treinei e experimentei a pista de atletismo. Joguei bola no portão 18 quando estudava ali em frente, joguei bola na quadra da escola Arthur Friedenreich.

Amanhã ele será reaberto. E tenho a impressão que muita gente, como eu, terá dificuldade de chamá-lo de Maracanã de coração aberto, de chamá-lo de Maraca com a intimidade típica de quem era da casa. E ontem dei de cara com o texto abaixo, no blog do Arthur Muhlemberg.

Ai de ti, Maracanã

1. Ai de ti, Maracanã, que deste tuas costas ao clamor de tuas arquibancadas e soterraste tua geral humilde em busca das glórias vãs; céus e terra te negarão o sono, e 200 mil vozes hão de assombrar-te pelas noites.

2. Ai de tuas poltronas acolchoadas, ai de teus camarotes de luxúria, ai de tua soberba para poucos, porque para muitos te quis e para muitos foste erguido. Porque nem tua cobertura há de te esconder os teus inúmeros pecados quando minha ira se lançar contra ti.

3. Acaso não te lembraste do silêncio que te dei quando nasceste? Que te fiz carioca, mas te inaugurei paulista, para que soubessem que não és lar de ninguém? Acaso não te conduzi até a final do Mundial, para que fosses profanado pela Celeste estrangeira e calasses tua ambição desmedida? Não te testei timaços e timinhos pela régua das vitórias?

4. Não te consignei eu aos clássicos, porque eras neutro e palco perfeito, um lugar a ser conquistado no grito e no campo pelas quatro forças que ao teu redor orbitam, e pelos ídolos que desfilaram tantas cores? Pois hoje vejo que te prostituis a consórcios que não te conhecem, e não mais serás informado pela Suderj em teus vindouros telões de LED.

5. Enorme era teu campo, e encolheu-se; ampla era tua capacidade, e apequenou-se; agrandaste teu estacionamento e será imensa tua final, mas não como sonhavas quando aprenderam a te amar. Ai de ti, Maracanã, pois culparás os cabrais que não te deram dimensão exata nem te fizeram olímpico e pagarás com teu orçamento estraçalhado, teu parque aquático em deserto e tua pista soterrada.

6. E aqueles que te cantaram hinos aos domingos, ao se sentarem em tuas cadeiras numeradas, não te reconhecerão; e a nova torcida que terás tampouco tu hás de reconhecer. E eu hei de emudecer teu eco catedral à sombra de tua intrepável lona cobertora, para que sejas silencioso e ordeiro como um shopping de aeroporto.

7. E a própria bola te há de boicotar, e sobre teu tapete sentirás as dores de parto de inúmeras peladas que negarão a honra do teu nome. Pois serás Maracarena, serás Maraca-Não, serás rebatizado e deserdado em tuas tradições: os gentios rasgarão tua rede véu-de-noiva e vendê-la-ão aos pobres.

8. Ai daqueles que combinarem de se encontrar no Bellini, pois se perderão, com suas camisetas piratas e seus ingressos falsos repassados por cambistas torpes a custo de quatro dígitos, indo parar na Uerj. Nem assim teu banheiro será mais limpo do que foi nos dias de tua glória.

9. Selarei teu portão 18, e não mais se concederá tua imensa cortesia aos múltiplos conchavos, quando traficavas influência em teus corredores e escadas rolantes. Perpétua será tua dor, cativa será tua vergonha.

10. Desfraldai vossas bandeiras, uniformizados, porque só assim recordareis o espetáculo que fazíeis: tuas faixas darão lugar aos camarotes da luxúria, e teus cânticos não serão ouvidos no isolamento perfeito dos proseccos, mojitos e DJs, numa publicitária orgia no templo que virou programa.

11. E tu, Maracanã, com teus ouvidos de concreto lamentarás aqueles palavrões que sentados não bradamos, mesmo com o grito molhado na cevada, e gemerás em cada viga, em cada solda, em cada rejunte, no chapisco de teus muros, nos parafusos dos mais buchas, em cada cu que assentares (78 mil lugares?), na tua escassez de gigantismo a flagelar-te com a memória de quando eras mais nosso porque cabiam mais de nós.

Márvio dos Anjos

(d’apres Rubem Braga)

Que o povo seja feliz

Durante a copa de 82, a tal, ainda tinha oito anos de idade. Já adorava futebol, claro, mas meu horizonte era muito curto. Morando em Vila Isabel, já tinha ido ao Maracanã, claro. Era um tempo que pais levavam seus filhos sem muitos medos. Também já tinha comunicado ao velho, tricolor, que era Flamengo.

Jogava botão e meu time só podia ser aquele: Raul; Leandro, Marinho, Mozer e Junior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico. Falcão, Cerezo, Reinaldo e Sócrates já eram nomes conhecidos, mas não tinha a dimensão de quem era cada um de verdade. Vale lembrar que naquela época o campeonato brasileiro era uma zona, com uma fórmula estapafúrdia a cada ano e futebol na TV não era a farra que é hoje. Na verdade, era quase raro.

E aí, veio a copa. E o segundo melhor time que já vi jogar na minha vida. E lá estava o cara, um monstro usando a camisa oito.

Aí, um dia, o cara veio jogar no Flamengo. Sua estréia foi num Fla-Flu na primeira rodada do carioca. A essa altura, já morava mais perto do Maracanã e meu pai tinha um amigo (não lembro se botafoguense ou vascaíno) que tinha cadeiras cativas e, às vezes, emprestava. E lá fomos nós. Além do Magrão, Zico tentava mostrar que estava recuperado do quase assassinato que sofreu no ano anterior, a entrada criminosa de Márcio Nunes, do Bangu. Pra completar, alinhavam entre os onze Jorginho, Leandro, Mozer, Adalberto, Andrade, Bebeto e Adílio. Era pouco?

Não lembro mesmo se ele jogou bem. A partida terminou em surra, 4 a 1 com três gols de Zico e foi impossível ver qualquer outra coisa além. E no final das contas, entre contusões de um e outro, só conseguiram jogar juntos mais duas vezes, nunca no Maracanã. E o sujeito foi embora sem muitas alegrias em vermelho e preto.

Bendito seja o sujeito que inventou o vídeo tape, porque Sócrates foi daqueles caras que – apesar de ter visto jogar –, entendi de verdade, apreciei, me deixou boquiaberto bem depois de parar, quando vi lances e até alguns jogos inteiros do Corinthians.

De quebra, um sujeito que pensava, que se posicionava, que sabia o que queria, que sabia o que sonhava. Nessa entrevista de 1983 (Rádio Eldorado, programa Galeria, 68 minutos), diz em alto e bom som: “que o povo seja feliz”.

C’est fini

Se você prefere uma assertiva em português, podemos dizer que foi pro saco. E não pela diferença de pontos que hoje separa o Flamengo da liderança (que ainda pode aumentar em caso de vitória do Vasco). Mas pela maneira como os resultados têm acontecido.

Quem viu o jogo de ontem sabe do que estou falando. Neguinho só pode estar de sacanagem. É um jeito desleixado de estar em campo, sem vontade, sem gana, que irrita qualquer um. Os caras andandoem campo… Prase ter uma idéia de como a coisa foi feia, o Wellington foi um dos melhores em campo.

Vejam a conversa via SMS que tive com o amigo Octavio Machado, iniciada pelos 35 do primeiro tempo e encerrada aos 39 do segundo, logo depois de Deivid (que havia substituído Jael) perder um dos gols mais feitos do ano.

OM: Hoje ta feio demais. Um bandoem campo… Vemgoleada.

GS: Vamos ganhar, calma.

OM: Você é do contra, Flamengo não fez UMA jogada.

GS: Ta jogando mal pra c***, mas tenho a impressão. Jogo bom pra Negueba.

OM: Se ele botar o Diego Maurício, eu mudo pro Multishow.

GS: Perdendo gol assim, não há palpite que se acerte.

OM: Deivid não existe.

Como podem ver, até o otimismo tem limite. Mas acreditava – mesmo após sair atrás no placar – que poderíamos vencer sem maior sofrimento. Porque o time do Atlético Mineiro é horroroso além de qualquer conta. Bastava jogar um pouquinho sério, acelerar um pouco.

E foi o que aconteceu. Nos últimos 15 minutos de partida, o Flamengo perdeu uma meia dúzia de gols. Alguns, como no caso de Deivid, absurdos. Agora, imaginem se tivessem jogado o tempo todo assim? Donde só pode se depreender que os caras estão mesmo de sacanagem. Mas, por quê?

Querem derrubar o Vanderlei? O clube está devendo alguma coisa que não sabemos? Faltam 13 rodadas para acabar o campeonato. Para o hepta? Não sei, parece mesmo que foi pro saco. Porque além de tudo, Ronaldinho – o único que mesmo quando joga pouco ainda faz alguma coisa – continua colecionando cartões amarelos e sendo convocado para a seleção. Ou seja, vai desfalcar o time em três partidas.

Se bobear, o time não se recupera o suficiente nem para se classificar para a Libertadores. É muito duro saber que tem time pra ser campeão mas perceber que os caras não estão muito afim.

De volta pra sala de aula

Teve gente que reparou que não escrevi nenhuma linha sobre a Copa América que, para o Brasil, acabou ontem. Por duas razões: porque é um torneio que não me empolga mesmo e porque não via a seleção brasileira bem. Com (mais) uma baita renovação no elenco, é claro que o time ainda está em formação, é claro que vai tropeçar, é claro que vai oscilar. Ironia do destino, o time de camisa amarela caiu justamente quando fez sua melhor partida e perdeu trezentos gols sem levar qualquer susto em 120 minutos.

Perder quatro pênaltis é ridículo, patético? Com certeza, e não há buraco do campo que possa ser culpado por um desempenho como esse.

Sobre nosso time, é preciso dizer algumas coisas. Mano fez cagada ontem? Claro, mexeu errado durante o jogo e escalou os cobradores. E o que mais? Não gosto dele, acho fraco, mas diga aí um técnico para colocar em seu lugar. Muricy? Deus nos livre. Mano, ao menos, tenta armar o time pra frente.

E os convocados? Já tem gente querendo queimar os garotos que até a semana passada eram os maiores craques de todos os tempos. Mas diga aí se sua lista de convocados seria muito diferente da que foi à Argentina. Talvez, três ou quatro? Pois é. Não temos nada melhor não.

Mano precisa entender que para jogar com três atacantes, é preciso que dois meias de verdade estejam em campo para distribuir jogo, dividir marcação e fazer triangulações. Ou dois volantes, cães de guarda com pedigree, para liberar os laterais e fazer as triangulações (olha elas de novo).

E é preciso parar de mimar esses garotos que mal saíram da adolescência e já se acreditam a última cereja do bolo. Porque não são. Talvez, se entenderem que não podem tudo, que não são os donos do mundo, que é preciso ralar pra conseguir as coisas, que é preciso ter personalidade e assumir as responsabilidades, cheguem lá um dia.

Abaixo, trecho do post Tia Bola e as lições da Copa América. Leitura obrigatória.

– Meninos, meninos, que tristeza é essa? Não se pode ganhar todas, seus papais técnicos não ensinaram isso a vocês? Vamos para a nossa atividade de hoje. Quero que cada um levante e conte pra tia Bola o que vocês aprenderam com a Copa América.

A volta dos cabeças de área

Foi preciso um dia inteiro para me reacostumar à rotina de trabalho, cidade grande, poluição, trânsito, metrô apertado e problemas congêneres.

E no recomeço das bobagens que costumo publicar por aqui, resolvi falar de Mano Menezes. Afinal, quando foi ‘confirmado’ o nome de Muricy, tratei de baixar o sarrafo. Mal sabia eu que o circo estava apenas começando. E infelizmente falarei o óbvio. Que falta de habilidade, que presunção, que prepotência de seu Ricardo, achando que bastava estalar os dedos e todos cairiam a seus pés.

No fim, por conta de uma briga política, o Fluminense fez questão de segurar seu técnico. E por falta de garantias de que seria o técnico da seleção até 2014, não importando os resultados do caminho, Muricy não fez muita força.

Para mim, como todos vocês podem ver dois posts abaixo, o que aconteceu foi muito bom para a seleção.

Se é verdade que não tenho grandes elogios a Mano, também é fato que não tenho grandes aversões. E até que me prove o contrário, é apenas um pouco menos retranqueiro que seu colega de profissão que trabalha no Fluminense.

Enfim, saiu ontem sua primeira lista e foi realizada sua primeira coletiva. E independente das minhas impressões sobre o sujeito, sua convocação e seu discurso (educado e simpático) apontam para uma melhoria significativa no modo de jogar do time nacional, se preparando – inclusive – para desmentir a mim e a muitos outros que o tem como retranqueiro.

Nomes estranhos à parte, como Jucilei e Renan (goleiro do Avaí), sua convocação e seu discurso prometem um time com meio de campo talentoso, substituindo brucutus e cabeças de bagre por armadores de verdade e cabeças de área (versão original, daqueles que sabem tocar a bola e sair jogando).

É claro que, como sempre, ninguém nunca estará satisfeito com todos os eleitos do técnico e, principalmente no início do trabalho, teremos de nos acostumar com alguns personagens estranhos. Apenas reflexo do período de testes natural. Deixemos o sujeito trabalhar.

Mr. Antigoleada

Muricy Ramalho foi confirmado agora há pouco como o novo técnico da seleção brasileira, que será responsável por renovar o time e por resgatar o jeito brasileiro de se jogar bola. Parece incoerente pra você? Pois é…

De quebra, ainda há a questão de relacionamento com a imprensa, que passou a ser quesito importante depois da passagem do anão pelo comando do escrete canarinho.

Continua incoerente?

Na verdade, apesar de haver vários bons técnicos por aí (eu disse vários, não muitos), graças ao histórico vencedor, os tais bons resultados, a escolha ficou entre Felipão, Mano Menezes e Muricy. E justamente o menos indicado para a função foi o escolhido.

Muricy Ramalho foi um bom meio-campo. E como técnico já colheu belos resultados, como o tri brasileiro no São Paulo. Mas e daí? Por que não seria um boa escolha?

A seleção brasileira não participa de campeonatos por pontos corridos, onde o planejamento e a constância são as chaves para o sucesso. Todos os torneios têm a fórmula 1ª fase em grupo pequeno + algumas fases em jogos eliminatórios, os mata-mata. E Muricy nunca soube ganhar competições com esse formato.

Muricy não gosta de futebol, gosta de ganhar. Não importa como. E isso, claro, se reflete na maneira como arma seus times. Fechados, quase como o ferrolho da seleção suíça, em busca de um gol e, a partir dele, segurar o resultado. Os times de Muricy não sabem jogar pra cima, não sabem agredir seus adversários, não os envolve com toque de bola e jogadas rápidas e tabelas. Porque Muricy não gosta de futebol.

E para manter seu estilo, ele não se preocupa em ter os melhores jogadores de futebol em seu time, ele quer os que melhor se adequam ao que entende por futebol.

De quebra, o sujeito é um bronco, igual ou pior ao Dunga quando precisa se relacionar com a imprensa, só que por razões diferentes. Dunga sempre foi contestado, desde o primeiro dia, por ser uma aposta. E apesar dos resultados, continuou apanhando. Além disso, Dunga é rancoroso e nunca aceitou o fato da seleção derrotada em 82 ser mais respeitada que a de 94, apesar do título capitaneado por ele. Pode até ser torta, mas a lógica está lá. Muricy é só mal educado mesmo, apesar de ser incensado pela imprensa esportiva (especialmente a paulista).

Esse texto todo foi apenas para mostrar a incoerência do seu Ricardo ao escolher o novo técnico da seleção brasileira. O problema é que pode piorar. Porque Parreira pode assumir um cargo na CBF. E aí teríamos duas figuras que sabidamente não gostam de futebol comandando o time que deveria ser a expressão máxima do esporte no país que mais conquistou títulos mundiais na história.

Então, se você torce pelo Brasil e gosta de futebol de verdade, bem jogado, prepare-se para se aporrinhar e até se desesperar com a nova seleção que vem por aí. Porque vamos passar os próximos anos jogando pra ganhar de 1 a 0 ou 0 a 0 (não perder já é considerado vitória pelo novo técnico).

Agora, se você é como alguns amigos meus, como o Octavio (que em breve assumirá os comentários sobre o Flamengo no blog Os 4 Grandes e diz que sou exigente demais só porque cresci vendo o Brasil jogar bola de verdade), é possível que você seja um torcedor feliz com o novo técnico e sua filosofia.

Mas podem ter certeza que começo a rezar desde já para que eu me engane, morda a língua. Garanto que assumirei o erro feliz, publica e escandalosamente.