9

Foi no último fim de semana, durante a viagem do feriado, que caiu a ficha. Com o peso de uma bigorna, é bom que se diga. 9!

Foi um fim de semana especial pra ela, que pelas circunstâncias, pelos relacionamentos ao redor das duas mais novas, sempre abre mão de tantas coisas, sempre disposta a fazer tudo certo e ajudar até quando não precisa.

Foi um fim de semana especial pra ela, com tanta liberdade. E ver sua independência e sua personalidade florescerem em todos os aspectos. Essa moleca é do balacobaco.

E foi um fim de semana especial pra mim, que pelas mesmas tais circunstâncias, tenho tão poucas oportunidades de estar só, de fazer coisas, de ter conversas só com ela. Ao mesmo tempo que ela ficou tão livre e solta, há muito não tínhamos tantos momentos só nossos.

E ela chegou aos 9. E a tal bigorna pesa entre os momentos em que ela já se comporta como a adolescente que será muito em breve e aqueles em que ela – talvez sem se dar conta – ainda se permite ser uma criancinha que rola de rir com um palhaço sem graça. Entre a garota que já tem vergonha dos micos do pai e a menina que pede colo.

9. Já faz 9 anos que ela chegou, que minha vida virou do avesso, que minha vida ganhou sentido, todos os clichês possíveis, imagináveis e muito reais.

Vi por aí que o 9 representa a mais alta forma do amor universal. Taí a definição.

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Um raio

Ela nasceu há cinco anos. E eu a conheci há quatro anos, nove meses e quatro dias. E por muita sorte, fui o primeiro a pegá-la no colo. E ela me enganou!!! Olhou no fundo dos meus olhos, sorriu e eu me derreti achando que era a última bolacha do pacote.

Demorou pouco pra descobrir que ela fazia (e continua fazendo) isso com todo o mundo ao seu redor.

Olhos que faíscam, covinhas que desarmam qualquer um. Ela é raio, é pura luz que, ao mesmo tempo, inebria e acalenta quem está por perto. E seu coração é maior que o mundo. E não, não há corujice aqui. Porque não é nada de fácil não, tem um gênio que Deus me livre. E quando encrenca, sai de baixo.

Ela é assim. O mundo que se prepare, porque ela vai virá-lo de ponta-cabeça. Esse, aliás, já é um costume seu desde sempre, virou todos os nossos mundos. O meu, por exemplo, é virado e revirado algumas vezes a cada dia que estamos juntos.

Dizem por aí que temos, nós adultos, muito a ensinar às nossas crianças. Sei não, desconfio disso. Porque muito além do concreto, é ela que me ensina, que me faz tentar ser alguém melhor todos os dias; é ela, irradiando seu amor, que me ensina o que é amar. É por isso que agradeço por você estar na minha vida, por ter sorrido e piscado e me enganado. Por permitir que eu seja seu pai.

Parabéns minha filha. Parabéns Isabel.

Luz

HelenaNão faz muito tempo, voltando da escola pra casa, a mocinha começa a soltar suas pérolas.

– Pai, eu sou uma pré-pré-adolescente

– Como assim?

– É, a Isabel é criança. Eu sou uma pré-pré-adolescente. O João é pré-adolescente. E a Gigi é adolescente.

– E eu?

– Você é adulto uai!

– Sim, mas sou velho, novo, velhinho…?

A moça ficou na banana, coçou a cabeça e, talvez por piedade,  tratou de mudar de assunto. Ela ainda tinha 6 anos. Hoje ela faz 7.

Pombas, faz sete anos que a mocinha chegou. Faz sete anos que eu nasci como pai. Ok, os mais radicais diriam que isso aconteceu há sete anos e (mais ou menos) nove meses. Mas toda a preparação, tudo o que foi planejado, até o que li e estudei antes da sua chegada (e confesso que nem fui muito aplicado nessa parte), não valeu de nada.

Faz sete anos que o peso do mundo duplicou ou quadruplicou ou muito mais sobre meus ombros. Faz sete anos que há luz em minha vida.

Diz o Dicionário de Nomes Próprios que “Helena é um nome feminino que teve origem com o grego Heléne, a partir de heláne, que significa tocha. O termo hélê quer dizer raio de Sol, fazendo com que o significado de Helena seja a reluzente ou a resplandecente.”

E não, não pensamos nisso pra escolher seu nome, mas seu significado é perfeito.

Faz sete anos que tento encontrar definições plausíveis para a palavra amor, para o amor que sinto a cada vez que cruzamos olhares, a cada vez que sorrimos, a cada vez que brigamos, a cada vez que só ficamos em silêncio, a cada vez que lhe seco uma lágrima ou lhe conquisto um sorriso ou uma gargalhada, a cada vez que damos as mãos para atravessar uma rua, a cada machucado que preciso cuidar com uma delicadeza que nem eu sabia que tinha, a cada vez que velo seu sono. Faz sete anos que desisti de procurar explicação e apenas viver esse amor.

Faz sete anos que existe luz em minha vida.

Obrigado Helena!

Fantasia

IsabelSim, admito, tenho vocações ditatoriais latentes. E se eu fosse o dono do mundo, estaria decretado – e devidamente revogadas todas as disposições em contrário – que todos os pais e filhos com menos de 130 anos teriam os dias dos aniversários dos filhos livres. De tudo o que não é importante, de tudo o que é grave, de tudo aquilo que não provoque sorrisos e lágrimas de alegria, não importando se os pais têm 130 ou 20, nem se os filhos têm 4 ou 100.

E nesses dias, pais e filhos os teriam para passar inteiros, do café da manhã ao primeiro suspiro do sono. E tudo lhes seria permitido, da montanha russa (mesmo para os que têm medo, porque é preciso sentir o frio na barriga) à piscina de bolas, da roda gigante ao passeio de patins, da água de coco ao brigadeiro. E ao fim da tarde, seria obrigatório um passeio de balão, porque é preciso ter a sensação de voar, ver as árvores por cima e acreditar que aquela gente lá embaixo é formiguinha.

E ao fim do dia, se esparramariam, em sofás, camas ou mantas ao chão, para dar e receber colo, e se encantarem e se re-encantarem com o Aprendiz de Feiticeiro ao celebrar este dia de fantasia.

Parabéns Isabel.

Sempre no vento

Leonardo Mauro, o MorcegãoMas é mesmo um picareta esse meu comandante, vejam vocês.

Hoje é o seu aniversário. Sinceramente não sei quanto, não importa. Aí, logo pela manhã, quase cedo, ele me liga. Foi a primeira vez no dia que o telefone tocou. Pra falar de trabalho, para – quem sabe – abrir mais um tanto de horizonte neste momento de tormenta da minha vida.

E como ligou para falar de trabalho e de futuro, não me deu tempo nem espaço para pensar no presente, no seu presente. Presente que ele deveria ganhar, mas que resolveu me dar.

E o dia passou com as correrias de sempre e algumas novas, naquele passo que não nos deixa pensar, muitas vezes, no que é importante de verdade.

Pois que esse tal meu comandante merece todas as homenagens do mundo, porto seguro que é, em todos e mais sentidos, pra tanta gente. E bota gente nisso, capaz de lotar alguns botecos, do 1 ao 794, do Grajaú à bela ilha de Santa Catarina, passando por Brasília e Mato Grosso.

É meu comandante, entre tormentas e calmarias, é dia de festa. E de seguir com as velas enfunadas, em frente como sempre foi. E, impressionantemente, sempre sorrindo. Não é por acaso que sua tripulação não abandona o barco.

40

40Pois, cheguei lá. Amanhã, 40.

Não, não há qualquer crise de meia-idade ou coisa que o valha. Mas é verdade, também, que às vezes – enquanto olho o mundo e as gentes em volta – chego a ficar na dúvida se estou chegando aos 40 ou 90.

Também não vai haver festa, circunstâncias. Mas inspirado por uma amiga e sabedor da coleção de amigos e mui amigos generosos que tenho, resolvi fazer uma lista, básica, de 40 presentes que – sinceramente – acredito merecer.

Lembrando que há os amigos abastadas e os nem tanto, há itens dos mais variados e dos valores mais diversos. E também não há ordenamento por prioridade, mas por lembrança, simples assim.

Aos que se dispuserem a gastar (ou não) o seu rico tostãozinho, avise nos comentários. Só pra não correr o risco de ganhar duas vezes a mesma coisa.

  1. Um dia, 24 horas de silêncio
  2. Um comprador para o meu atual apartamento, que não pechinche. O preço é honesto
  3. Casa ou apartamento de boa metragem e bem localizado (e não falo da zona sul), com duas vagas na garagem
  4. Asterix e os Pictos. O último lançamento, 35º da série, é o primeiro ilustrado por Didier Conrad e escrito por Jean-Yves Ferri
  5. 1 final de semana inteirinho em companhia de minha consorte, em local paradisíaco e sem crianças
  6. Correr a Refeno e encontrar a família para uma semana em Fernando de Noronha (tudo na faixa, claro)
  7. A caixa The Beatles in Stereo
  8. O DVD, quando sair, do filme Rush
  9. A camiseta Gorilão da bola azul, do Porta dos Fundos (tenho duas filhas, ora bolas), tamanho Totoro
  10. Um Belcar 1959. De preferência, preto com teto branco e estofamento vermelho. E IPVA pago, claro
  11. A coleção de filmes do Elvis
  12. Sol no próximo final de semana
  13. Um ano de sócio-torcedor Nação Rubro-Negra na categoria Amor
  14. Uma tarde/noite de chopes e acepipes com os amigos e em lugar com espaço para as crianças
  15. Bolsa de 100% para a faculdade de História
  16. 1 barra de Alpino
  17. Um sábado de velejada, desde manhã cedo, com parada mergulho em Camboinhas
  18. Uma jaqueta do Flamengo
  19. Máquina fotográfica Canon Eos 70D, kit 18-135mm + cartão de 8 gigas + lente Sigma Canon 50mm 1.4 EX DG HSM + flash Canon Speedlite 580EX II
  20. Mesa de botão (futebol de mesa) oficial (1,20 m X 1,84 m)
  21. 1 Chicabon
  22. 1 violão Gávea de 6 cordas, da BeLuthier
  23. Biografias totalmente liberadas no Brasil
  24. Caixa com a trilogia De volta para o futuro (uma idéia que não é minha mas é muito boa)
  25. O livro Década perdida, de Marco Antonio Villa
  26. Madrepérola azul, vermelha e creme, e escudos de metal suficientes para fazer os times de botão do Cruzeiro, Internacional e Santos
  27. A coleção de filmes do Jerry Lewis
  28. O CD Paul McCartney Unplugged, que já foi roubado duas vezes
  29. Um almoço no Capela
  30. Colo e cafuné
  31. Dois dias de faxineira
  32. O livro O vermelho e o negro, de Ruy Castro
  33. Um Karman Ghia 1963, vermelho
  34. Um set Nürburgring Digital 132 + Peugeot 908 HDI FAP Sebring 12h 2008 “Nº 07” + Audi R18 E-Tron Quattro “Nº 1”, 2012 + Red Bull RB7 “Sebastian Vettel, Nº 1” + Ferrari 150° Italia “Felipe Massa, Nº 6” (clique aqui para saber do que se trata)
  35. 4 ingressos para a final da Copa do Mundo 2014
  36. Uma sessão de massagem
  37. 1 milkshake Ovomaltine médio do Bob’s
  38. 1 ano de bolsa integral para as mocinhas
  39. Um veleiro (Velamar22 ou superior) + título de sócio de clube náutico (Rio ou Niterói) com um ano de mensalidades
  40. Sossego

Eu sei que a lista de desejos ficou pronta um tantinho em cima da hora. Então, já que sou justo, dou um mês pra turma providenciar os regalos.

Mas vê lá, heim, não vão me deixar na mão.

Nessa data querida

Sabe aquele papo de purgatório da beleza e do caos? Pois é, a beleza está no post anterior, uma pequena galeria de 12 fotos sobre a cidade. Os 40 graus deram um tempo e a temperatura tem estado bem amena nos últimos dias. Sobrou o caos.

Greve  de ônibus deixa Rio confuso / Foto: Reynaldo Vasconcelos/Futura Press/Estadão ConteúdoO Rio amanheceu com greve de ônibus. Aí, já viu né. Trens e metrô mais que lotados, naturalmente. Parece que os caras prepararam uma operação especial pra dar conta do aumento de passageiros, mas no negócio não tá fácil não. No caso do metrô, é claro que se os trens novos tivessem chegado no prazo, não seria tão difícil. Mas… Só pra ter uma idéia de como a coisa anda frouxa, só no dia 31 de janeiro é que uma multa pelo tal atraso aplicada em 2011 foi ratificada pela agência reguladora. Sabem como é, recurso daqui, recurso dali, empurra com a barriga, aplica o dinheiro e deixa render…

E é engraçado porque, se na zona norte os trens estão cheios, na zona sul o metrô está vazio. Com duas estações fechadas por conta das obras de expansão e dependendo de ônibus para cobrir o buraco, deu zica. As pessoas simplesmente não conseguem chegar ao metrô. O mesmo acontece com quem vem da Barra. Afinal, o Rio é tão especial que tem o único metrô do mundo que para em sinal de trânsito.

Mudando de assunto, a outra notícia do dia é que está rolando uma baita queima de estoque no Caju. Pra quem não sabe, é um dos bairros do complexo portuário do Rio, abriga um dos maiores (se não o maior) cemitério do país e um complexo de 13 favelas que serão ocupadas no próximo domingo. Claro que sem disparar um tiro (podem esperar os discursos festivos do governador e do secretário de segurança). Nem prender ninguém.

Rio se preparar para instalação de nova UPP / Foto: Pablo Jacob/GloboPorque a turma que manda na boca já deu no pé. E os vapores foram incumbidos de vender tudo o que podem, da maneira que der, pra diminuir o prejuízo. O resultado é que a pedra de crack sai por R$ 0,50 e a maconha, pra quem é local, sai de graça. Isso mesmo, de graça.

Agora, se todo mundo sabe disso, se está publicado nos maiores jornais da cidade, é claro que a polícia sabe, o que nos leva ao óbvio ululante de que ninguém é preso porque ninguém quer prender. E você, surpreso com essa revelação, faz um ‘ohhhhh!’ e depois canta assim: “parabéns pra você, nessa data querida…”