De palhaços a martinis

Sabem como é, o carnaval acabou mas não acabou. Então, o ano começou mas não começou. E já que é assim, vamos falar de algumas das coisas desimportantes mais importantes do mundo. Pelo menos pra mim, claro. Escola de samba e Fórmula 1. Não, e não vou falar da campeã carioca que homenageou Senna.

2014, nos dois mundos, se desenha diferente. Ora vejam que a União da Ilha foi a quarta colocada.

Quando foi campeã pela última vez, em 1982, a Império Serrano já avisava:

Super Escolas de Samba S/A
Super-alegorias
Escondendo gente bamba
Que covardia!

Os bons entendedores sabem que esse S/A aplicado ao samba é muito mais amplo que no mundo dos negócios. Taí a Vila que não nos deixa mentir. E não é por acaso que as surpresas sempre foram raríssimas. A mesma Vila Isabel, com a Kizomba de 1988, e a Tijuca, em 2010, foram as últimas escolas tradicionais a levar o caneco. E a Viradouro, com uma época fora da curva comandada por Joãozinho Trinta, venceu em 1997.

União da Ilha / Foto: Marcio Cavalcanti - facebook.com/marcio.fotogQuando assisti o desfile da Ilha, fiquei realmente emocionado. Nas devidas proporções, foi um espécie de Kizomba. Um desfile alegre, um enredo muito bem contado, um samba muito bom, e sem os luxos e ostentações das grandes escolas. Pelo contrário, muita originalidade e bom gosto. Conseguir se classificar entre as melhores não deixa de ser, mesmo que involuntariamente, uma espécie de recado do velho carnaval. Sim, é possível.

E o que isso tem a ver com a F1?

É que com o passar dos anos, os garagistas foram sumindo e as equipes se transformando em grandes corporações. Nada diferente do resto do mundo capitalista, não é mesmo? Mas temos ali um sobrevivente daqueles: Sir Frank Williams.

Aos trancos e barrancos, conseguiu garantir a sobrevivência de seu time e teve, em 2013, um dos piores resultados de sua história. Mas veio o ano novo, o regulamento novo, o acerto com a Mercedes e…

Não é que dentre os carros mais feios do mundo, o FW36 é bem nascido pra caramba? De quebra, fecharam um contrato com a Martini e o carro terá uma das pinturas mais bonitas do grid e, comemorando os 150 anos da marca italiana, traz de volta um ícone do automobilismo.

É fato que a equipe não tem a grana de uma Ferrari, Mercedes, McLaren e Red Bull para desenvolver o carro na quantidade e velocidade necessárias ao longo de todo o ano. Mas certamente vai fazer um estrago, especialmente no início, primeira metade da temporada. Será que conseguirá terminar entre as três ou quatro primeiras? Sinceramente, torço muito pra isso. E não, não tem relação direta com a presença de Massa no time. Mas também acredito que ele terá uma grande parcela do sucesso do time, se esse sucesso realmente acontecer. A ver, a ver. E boa sorte.Williams FW36 / Divulgação

Entre brigadeiros e celulares

Vida de pai é um negócio sensacional. Mas às vezes dá um trabalho danado pra organizar a agenda e conciliar os interesses da prole com o nosso desejo filosófico-esportivo-carnavalesco. Ontem, por exemplo, foi um dia daqueles.

Nico Rosberg / Foto: Getty ImagesA manhã até que foi tranqüila e consegui assistir o GP de Mônaco inteiro: a previsível vitória de Rosberg e sua Mercedes, a nova panca de Massa (quase um replay do que houve no treino de sábado), um mexicano deixar escancarado a guerra de bastidores na McLaren e Sutil fazer duas ultrapassagens magníficas na Lowes e Vettel, que terminou em segundo, sair do principado ainda mais líder do que quando chegou. No fim, uma corrida bem decente, dentro dos padrões Mônaco.

Viva Tony

Meus problemas começaram à tarde, com as 500 milhas e a estréia no brasileirão. Sobre a corrida de Indianápolis, enquanto arruma bolsa, dá mamadeira, veste uma, calça a outra, serve a ração pras mocinhas e tudo o mais que envolve sair de casa com duas crianças e deixando duas cachorras, ia acompanhando. Mas era domingo de festinha, das 15 às 19h30. Ou seja, justamente na hora da decisão, quando faltavam umas 30 voltas para terminar, hora de ir.

Tony Kanaan vence a Indy 500Soube depois que Kanaan venceu. Sinceramente, achei sensacional. Gosto do sujeito, já foi campeão e bateu na trave algumas vezes. Então, agora pode dizer que sua (longa) passagem pela categoria está, finalmente, completa. Castroneves chegou a liderar, mas no passa e repassa do grupo da frente, terminou em sexto. Pra esse, que já venceu três vezes no templo e já foi campeão da dança dos famosos no país do Tio Sam, falta o título da categoria.

Começou

E, enfim, chegamos ao mais importante evento esportivo do final de semana. A estréia do Flamengo no campeonato brasileiro. Como já disse, estava na festinha, acompanhado de outros pais rubro-negros que tentavam acompanhar o embate do planalto pelo celular. E o 0 a 0 nos deixou bem desanimados e desconfiados. Mas assisti o VT quando cheguei em casa e até que fiquei surpreso.

O Flamengo nem jogou mal, a defesa bem postada, o time organizado, todos sabendo o que fazer com a bola. No meio, a inoperância de Renato foi compensada por Elias, em tarde inspirada. Dominamos o jogo e tivemos muitas chances de vencer, pelo menos quatro reais. E Felipe, que nem foi incomodado, teve a chance de posar para a foto de despedida do Neymar ao defender (sem rebote para a marca do pênalti!!!) um falta cobrada pelo moleque.

Rafinha perde gol / Foto: Agencia O GloboAgora, a indigência de nosso ataque foi assustadora. Hernane, o artilheiro do carioca, mostrou que suas caneladas – salvadoras contra quissamãs e caxias – não serão suficientes no certame nacional. E Rafinha, que contra os bambalas e arimatéias chegou a ser melhor que o Neymar, se encolheu. Mas esse tem potencial e tende a melhorar quando se acostumar com os jogos grandes em grandes estádios. Moreno entrou bem e, com ritmo, será o dono do ataque. E Carlos Eduardo… Sei lá o que dizer sobre ele. Mas, no geral, o que importa é que não desgostei não. Mas o sentimento de que perdemos dois pontos jogando fora de casa amargou a boca.

O próximo jogo será “em casa”, contra a Ponte. A obrigação é vencer, claro, mas não será fácil. O campo acanhado e o gramado pererecante de Juiz de Fora estão a favor da macaca. Ou seja, preparem as unhas e calmantes.

Brasileiraço

Picareta no Campeonato Estadual de 2011 / Foto: Fred HoffmanSe o brasileirão começou ontem, no próximo fim de semana acontece o Brasileiraço, com letra maiúscula mesmo. Entre quinta e domingo, no Saco de São Francisco, ali em Niterói, serão realizadas as oito regatas do 6º Campeonato Brasileiro da Classe Velamar 22 com largadas previstas, sempre, a partir das 13h. Não sei quantos barcos estarão na água, isso não importa. O que importa é que a tripulação do Picareta – na qual me incluo – está na ponta dos cascos. A turma do foquetinho azul do Boteco 1 promete garra, dedicação, empenho eeeeee tentar corresponder em campo eeeeeeeee tentar realizar o que o professor determinou eeeeeeee agradar a torcida eeeeeeeee fazer de tudo pra levar o caneco pra casa.

Vale ressaltar que o campeonato – SEM NENHUM INCENTIVO FISCAL – é patrocinado pela Focus Brindes, Noi, a cerveja concebida sem pecado, Yen Motors, Olimpic Sails e Känga Box. Então, obrigado e parabéns às cinco empresas.

Merdelê

Picareta no Campeonato Estadual de 2011 / Foto: Fred HoffmanSe você não conhece a palavra, não se aflija. Merdelê não é nada além de um simples sinônimo de cagalhopança. E não termos melhores para definir o fim de semana esportivo. Pelo menos no que me diz respeito. E não, não estou nem aí para o título mundial de curling feminino conquistado pela Escócia.

Começando pelo mar, o sábado foi uma bosta. Mas que não deveria surpreender pelo menos três quartos da brava tripulação do Picareta. Sempre que os campeonatos da querida classe Velamar22 são disputados no belo e mavioso, porém viciado (falo da raia, claro) Saco de São Francisco, temos a certeza de pelo menos uma confusão certa.

Sempre no mesmo lugar. Não sei porquê, se é karma ou outra coisa, mas é infalível. Uma bendita bóia colocada nas proximidades do Clube Naval Charitas. Ali já atravessamos, já batemos na dita cuja, já colidimos com outro barco… Desta vez, entre orças e arribas e o indefectível “bota no vento Morcegão!”, arrumamos um fuzuê tal que o barco chegou a andar pra trás.

Começamos o dia em terceiro no campeonato e, nesse momento, estávamos em quarto na única regata do dia, justamente atrás do nosso adversário direto pela medalhinha estadual. O resultado do nosso merdelê na hora de montar a última bóia do dia foi que perdemos três ou quatro posições e o campeonato foi para o vinagre.

A última regata da contenda (que bonito) aconteceu no domingo. Dia bom, vento bom, percurso bom. Duas voltas em um X com bóias colocadas em frente a alguns dos clubes da enseada. Divertido, andamos em quinto, depois lideramos, fomos pra quarto, lideramos de novo e terminamos em terceiro. À frente do Marokau e Regatinha, adversários pela terceira posição no campeonato. Se não deu pra beliscar, foi suficiente para nos fazer esquecer do dia anterior.

Nem sei, no final das contas, em que posição terminamos. Mas depois de sete regatas, acredito que em quinto. Focus (ex-Dona Zezé) foi o campeão, Smooth o vice e Marokau o terceiro. Parabéns.

A melhor parte é que deu pinta de que – com Morcegão, Capitão Trocado, Ted Boy e este manza que vos escreve – encontramos uma tripulação que deu liga. E o Brasileiro vem aí. Vai que…

F1

A coletiva sorridente dos vencedores de Sepang / Mark Thompson/Getty ImagesA corrida em si nem foi essa coca-cola toda. Mas a turma caprichou. Um merdelê generalizado que terminou com um pódio absolutamente sem sorrisos. E olha que ninguém morreu. Briga na Red Bull, incômodos na Mercedes, reclamações na Force India, cagada de Alonso… A parte boa, engraçada mesmo, foi ver o Hamilton errar de boxe e entrar na McLaren com sua Mercedes. No mais, nada demais.

Fla

Jorginho em coletiva no Flamengo / Foto: LancenetAcho que o jogo de sábado foi suficiente para Jorginho entender o tamanho da roubada em que entrou. Se é verdade que não houve nenhum evento específico, nada de anormal aconteceu, nenhum merdelê, é fato que o jogo foi uma bosta (apenas para não fugir à escatologia).

Para o carioqueta, nosso tradicional ‘me engana que eu gosto’, nenhum pânico. Vamos nos classificar e até podemos ganhar. Mas teremos um ano sofrido pela frente. A ver.

2ª edição (12h)

Medalhas do campeonato estadual de Velamar22Acabei de ser informado que o Picareta terminou o campeonato em quarto. Ainda não vi o resultado oficial, não sei se foi no desempate ou se foi direto, não sei quem ficou em quinto. Mas fiz conta errada, é o que importa. Um merdelezinho, bem no espírito do post. Não sei por quê, nem lembro de ter acontecido antes, a Feverj resolveu premiar os quatro primeiros. Então e no fim das contas, os quatro supracitados e a corajosa Lúcia (que compôs a tripulação no primeiro fim de semana de disputa), levamos uma medalhinha pra casa. Como não pude ir à premiação, a minha ainda não está comigo. Mas as mocinhas vão ficar felizes quando chegar com ela em casa.

Um cowboy bem diferente

Madrugada de domingo e já tem corrida de novo. E nem falei do que aconteceu na semana passada no, Japão.

Além da óbvia confirmação do bicampeonato de Vettel, a prova em Suzuka não foi lá essas coisas. Na verdade, tão tediosa quanto pode ser um grande prêmio numa pista excelente. Ou seja, melhor do que muitas outras que aconteceram durante o ano.

Button venceu, Alonso foi o segundo e Vettel, o terceiro. Todo mundo já está cansado de saber disso, notícia mais do que velha. Mas a corrida teve um detalhe muito interessante.

O time dos energéticos mostrou seu ponto fraco, o alto desgaste de pneus. E a McLaren realmente evoluiu muito. A começar pela Coréia do Sul (que já teve seus primeiros treinos livres sob chuva forte), serão quatro provas ‘amistosas’. Como as regras não mudarão (pelo menos em tese), poderão nos apresentar um bom cheiro do que vem por aí em 2012.

A Red Bull ainda é o carro a ser batido, mas a turma de Woking está cada vez mais perto. Até a Mercedes andou um pouco pra frente nos últimos tempos, mas a Ferrari segue estagnada.

Neste fim de semana, torço para que a chuva se mantenha, seria uma boa chance de ver Schumacher de volta ao pódio. E daria uma boa graça a uma corrida que vale pouco. A ver.

Já de olho em 2012, o vídeo abaixo é muito legal. Não é exatamente uma novidade, mas mostra um F1 em condições nada usuais. Além disso, o passeio pelo que será a pista de Austin já revela que a promessa de uma pista interessante e bem dinâmica por seu relevo parece que vai mesmo ser cumprida.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Varrendo as cinzas do salão

E, afinal, estamos no país do carnaval. Se oficialmente a festa terminou ontem, domingo será o último dia de folia de verdade. Tanto é assim que o nosso congresso, que já não gosta mesmo de trabalhar, só volta a funcionar de verdade, a votar alguma coisa na terça. Ziriguidum, telecoteco, esquindô lelê!!!

A verdade é que estamos tão acostumados a ver nossos representantes batendo ponto só de terça a quinta (enquanto boa parte dos pobres mortais brasileiros são obrigados a cumprir expediente em semana inglesa), que foi até uma surpresa ver estourar o escândalo de Jaqueline Roriz. Não por ver o sobrenome Roriz envolvido em confusão, claro, mas pela notícia ganhar o país em uma quarta-feira de cinzas.

A cobertura do carnaval em todos os cantos é tão massacrante que temos a impressão de que todo o mundo fica parado à espera do resultado da apuração das escolas de samba. Quem não se dedicou a ver, ouvir ou ler algo além das manchetes, não ficou sabendo que os grandes aliados (capitaneados por Obama, vejam só) já cogitam intervenção militar na Líbia de Kadafi, um governante conhecido por sua delicadeza e que lançou ataques aéreos contra rebeldes armados com bodoques ou pouco mais que isso.

Sou contra qualquer tipo de intervenção, eles que são brancos, pretos, azuis ou amarelos. Que se entendam. Depois, forças tarefas das nações unidas ajudam como puderem. Mas sabemos que não é simples assim, há muitos interesses envolvidos num conflito desses, como dinheiro por exemplo. O que me deixa meio puto é que neguinho usa os tais direitos humanos com desculpa para se meter onde não deve. Acho engraçado porque, na minha cabeça, se um sujeito resolve fazer uma guerra, seja contra seu vizinho ou contra seu governo, ele sabe os riscos que corre. Então, não deveríamos precisar ouvir esses discursos ‘bons-mocistas’.

No resto do mundo árabe que entrou em conflagração, inspirado pelo sucesso dos gritos na Tunísia e no Egito, as coisas começaram a se assentar. Acordos vão sendo feitos aqui e ali, e o barulho prometido há algumas semanas não será tão grande quanto pensávamos.

E enquanto os incêndios ao sul do mediterrâneo começam a ser apagados, a grande notícia da Europa foi a capacidade de Kate Middleton (a noiva do prícipe William que estão tentando transformar em nova Lady Di) virar panquecas no ar.

Na bola, a grande novidade do reinado de Momo foi a rescisão do contrato entre Roma e Adriano. Fiquei muito, muito surpreso com esta notícia. Afinal, segundo o clube italiano, Adriano chega sempre atrasado e não se apresenta quando deve, está acima do peso, bebe, quase nunca joga… O pior é que já há gente no Flamengo querendo ele de volta.

Imaginem, justo na hora em que o clube tem um ídolo que chega na hora pra treinar, que está sempre à disposição, que não falta, que é sempre o último a sair do treino, que não abusa de privilégios… Não seria excelente trazer o Adriano? Como ficaria o clima? Pois sou da teoria que se o sujeito voltar ao clube, nossa presidente deveria se afogar na Lagoa.

Pra terminar, a Fórmula 1 está fazendo sua última bateria de testes de pré-temporada. Enquanto pilotos seguem reclamando dos botões no volante e do desgaste acentuado dos novos pneus, o que fica claro que é que a Red Bull é mesmo o carro a ser batido; Ferrari poderá competir de igual para igual em algumas circunstâncias especiais; Mercedes não fará muita farofa; as brigas no meio do grid, entre Lotus Renault (a preta), Sauber, Williams e Toro Rosso deverão ser muito interessantes; e a McLaren, que lançou um carro diferente, arrojado, com vários novos conceitos e que eu mesmo apostei ser um bólido vencedor, está fazendo água. Já se diz até que o que a equipe precisa mesmo é de um carro novo. Faltam duas semanas para a abertura da temporada. Será que alguma coisa mudará até lá?

No mais, está começando aquela fase do ano que é quase inútil, entre o carnaval e o réveillon. Boa sorte pra todos e paciência, falta menos de nove meses.

RB7, STR6, W02, FW33 e a asa

Mais um dia meio que fora do ar e olha eu aqui atrasado de novo. Infelizmente, períodos de mudanças – mesmo quando para melhor – trazem alguns contratempos. E é bem provável que continue assim por alguns dias. De qualquer maneira, achei que valia fazer o registro, porque hoje começou, em Valência, oficialmente o ano da F1.

Fazer comparação de tempos, por hora, seria ridículo, porque ainda há carros velhos andando e não sabemos nada dos programas de cada equipe, configurações, peso e objetivo dos treinos. Talvez, depois dos três primeiros dias, seja possível ler as tendências. Só para se ter uma idéia do que estou dizendo, Vettel foi o mais rápido. Ok, nenhuma novidade. Mas em segundo, terceiro e quarto, três carros de 2010 com alguns novos componentes e dois pilotos reservas: Force India (Nico Hulkenberg), McLaren (Gary Paffet) e Force India (Paul Di Resta).

O destaque do dia foi a apresentação de mais quatro máquinas. E a primeira foi logo a sucessora do carro campeão de construtores e pilotos em 2010. E o tal a ser batido. E assim, Adrian Newey produziu pouco mais que uma evolução do carro anterior. Um bico um tantinho diferente e sem aquelas abas ressaltadas de antão, a bigorna em ângulo reto e – certamente – alguma inovação aerodinâmica que eu, a olhos nus e do lado de cá do Atlântico não consegui ver.

Logo depois, o lado B. Quer dizer, a Toro Rosso. A única novidade é a tendência de levantar o bico apresentada por quase todas as outras equipes. Mesmo assim, nem tanto. Nenhuma grande novidade, carrinho bem conservador mesmo. Pelo jeito, está pronta pra fazer o mesmo papel do ano passado, ficando ali pelo meio do grid, ou ainda menos.

A Mercedes foi a terceira do dia e mostrou um carro bem interessante. As linhas são mais suaves que a média geral e seu bico é bem diferente. Na verdade, é claramente inspirado no primeiro Red Bull desenhado por Newey, com as abas bem pronunciadas a partir dos braços da suspensão, e com um desenho geral que lembra bastante um bico de pato. Não sei se será um carro para sair do limbo em que ficou no ano passado e brigar com as três grandes equipes ou se será ultrapassado pela Lotus Renault. Mas o carro ficou muito bonito.

Por último, a Williams. Além da pintura toda azul marinho (nitidamente provisória, infelizmente) e do número remetendo às priscas eras do automobilismo, a grande novidade foi o bico curto, que não atravessa a linha da asa dianteira. Historicamente, os FW são bem construídos, com grande potencial. A questão é se o dinheiro que Maldonado traz da PDVSA será suficiente para fazer evoluções consistentes ao longo da temporada, porque não parece que a equipe conseguirá um segundo patrocinador forte. Outra dúvida é se o motor Cosworth conseguirá dar ao carro a potência que ele precisa para andar bem.

O próximo lançamento será o da McLaren na sexta. E além dos carros novos, a grande novidade do dia foi o vídeo abaixo, da Sauber, que mostra como será o funcionamento da asa traseira móvel.

Resta 1

Novidades na F1, com a confirmação da Hispania de que o indiano Narain Karthikevan será um de seus pilotos no próximo campeonato. Apoiado pela Tata, montadora indiana, o piloto voltará a pilotar um carro de fórmula 1 justamente no ano em que seu país entra no calendário. Afinal, não se pode perder uma oportunidade de marketing como essa, mesmo que seu carro ande pouco mais rápido que um fusquinha 1973. Pra completar, o chefe da equipe Colin Kolles também avisou aquilo que todo mundo já sabia, que “Bruno Senna não vai correr pela Hispania. 100% não”.

Ou seja, como era previsto, dos quatro brazucas que correram no ano passado, apenas dois seguem no grid. Caíram justamente os dois estreantes. Se vão continuar por ali, como terceiro, quarto ou quinto piloto, ainda não se sabe. Lucas Di Grassi e Bruno estão em silêncio há tempos.

O que achei curioso sobre a F1 é que o dinheiro que move o negócio é todo de patrocinadores. No entanto, a comunicação dos caras é furada em alguns pontos. Por exemplo, a Virgin que será Marussia não mudou nada no seu site, a não ser o anúncio de Jerome D’Ambrosio como novo piloto, notícia que já é velha.

No site da Hispania, os patrocinadores de Senna ainda estão lá. E na Williams, Pastor Maldonado já foi anunciado, mas patrocinadores que deram no pé no final do ano ainda aparecem enquanto os novos (PDVSA à frente) ainda não.

Além disso, a lista oficial de pilotos no site da categoria ainda apresenta cinco cockpits vazios apesar de, na verdade só existir uma vaga indefinida e outra aberta de verdade. Vejam abaixo.

Observações sobre um jubileu de prata

E ontem eu consegui uma coisa que havia tempo não fazia. Assistir ao vivo a uma corrida inteira de F1. E eu cheguei a praguejar contra o senso de humor mórbido do que costuma-se chamar de destino que, fazendo das suas, reservou o GP da Hungria, um dos mais chatos e previsíveis de toda a temporada para o meu retorno. Ledo engano…

Como aconteceu bastante coisa interessante, vou por partes para tentar ser mais curto.

– Alguém precisa, urgentemente, calar a boca do Galvão. Além da chatice de sempre e de várias trocas de nomes de pilotos (também habitual), tentar comparar Vettel a grandes nomes da história é uma covardia com o garoto e mais um dos muitos desserviços que ele presta a quem assiste F1. E por causa dele, muita gente até agora não entendeu que Vettel não ultrapassou Alonso por falta de coragem ou habilidade. Sem que o espanhol cometesse qualquer tipo de erro, era simplesmente impossível ele se aproximar do carro da frente dentro da curva para forçar a ultrapassagem na reta. Pelo contrário, ao tentar se aproximar, quase saiu da pista duas ou três vezes e o mesmo aconteceria com qualquer um.

– Weber deu um show de habilidade e precisão, andando muito forte e sem cometer erros. Soube usar e abusar do fato de ter um carro equilibrado para consumir pouco pneu e – graças à punição de Vettel – vencer e assumir a liderança do campeonato.

– Será que as férias de verão ajudarão a McLaren a voltar ao campeonato. Do jeito que está, é melhor pensar no carro do ano que vem.

– Apesar da vergonha da semana passada, a Ferrari confirmou o bom momento e o fato de – por hora – ser o único time com alguma chance de lutar contra a Red Bull. Mesmo assim, a impressão é de que o time das latinhas mais perde pontos do que os outros ganham.

– Depois de cumprir a ordem da equipe na semana passada, Massa deu entrevista dizendo que enquanto houver chances matemáticas o fato não se repetirá, que o seu país é o mais importante pra ele, que isso e aquilo e coisa e tal. Mas para não dar passagem a Alonso, com ou sem ordem, é preciso estar à frente do espanhol, o que raramente conseguiu este ano. Depois de toda a confusão da semana passada, deve tomar um chá de sumiço durante as férias que só terminam no último final de semana de agosto, em SPA.

– Ao ver as cagadas de Renault e Mercedes nos boxes, não conseguir ficar sem cantarolar a musica dos trapalhões. Há muito tempo não via tamanha incompetência em um espaço de tempo tão curto.

– Antes de elogiar o brasileiro e meter o pau no alemão, é preciso entender porque Barrichelo conseguiu ultrapassar Schumacher, enquanto Vetel gramava atrás de Alonso. Rubens andava muito mais forte, com pneus novos e macios; Michael tinha problemas de equilíbrio e pneus desgastados, o que provocou uma pequena rabeada na entrada da curva que leva à reta dos boxes de Hungaroring. Por conta disso, Rubens conseguiu sair da curva embutido, apesar da turbulência, pegar o vácuo e colocar de lado para ganhar a posição e o pontinho que lhe coube.

– Ficar surpreso com a atitude de Schumacher é uma parvalhice. O sujeito tem a maior coleção de polêmicas e punições da história da F1. Some-se seu estilo Dick Vigarista à relação nada amigável com Barrichelo, e pronto. Agora, a punição que lhe foi dada é uma vergonha, não diz nada a ninguém.

– A ultrapassagem de Barrichelo foi sensacional, mostrando mais uma vez que é sim um grande piloto e não está na categoria até hoje por acaso. Uma pena apenas a sua postura e discurso (que a emissora oficial adora) depois da corrida, com lágrimas etc.

– Coincidência que ao comemorar seu jubileu de prata, o grande prêmio magiar tenha visto, como na primeira edição, um brasileiro a bordo de uma Williams ser o grande personagem da prova? A diferença é que em 86, Piquet fez sobre Senna a que é considerada a maior ultrapassagem da F1 moderna para vencer a corrida. Ontem, Rubens brigou para chegar em décimo. Sinal dos tempos.

Alíneas

A melhor pergunta sobre o imbróglio que Schumacher aprontou na Rascasse, a penúltima curva da corrida de ontem, ouvi hoje de manhã: ‘o regulamento foi feito por brasileiro?’

Como a confusão aconteceu no final da última volta, falemos primeiro da corrida. Como esperado, nenhuma emoção. Os cinco primeiros a cruzar a linha de chegada foram os mesmo cinco (e na mesma ordem) que passaram pela primeira curva. Poucas coisas relevantes, como o fato de Sebastian Vettel ter ultrapassado Robert Kubica na largada e pulado de terceiro para segundo. Apesar de perder a posição na largada, o piloto polonês é – sem dúvida – o melhor do ano até agora. O que ele anda conseguindo com a Renault é para constar em almanaques.

Outro destaque foi Alonso, que saiu dos boxes porque bateu e não treinou. Com a entra do safety car na primeira volta, ele deu o pulo do gato. Fez sua parada e começou a ganhar posições na pista. Quando todos os outros resolveram parar, ele pulou para a sexta posição.

Mesmo assim, uma corrida chata e previsível.

Como qualquer adendo seria um exagero, basta dizer que a Red Bull finalmente fez valer, nos números, o fato de ter o melhor carro do ano. Agora, a equipe é líder do mundial de construtores com 156 pontos, 78 para cada um de seus pilotos. Surpreendente, apenas o fato de Webber estar em um momento melhor que Vettel quando todos esperavam que o alemão seria a estrela do ano enquanto o australiano, seu fiel escudeiro.

Voltemos, então, à ultrapassagem de Schumacher sobre Alonso. No que diz respeito ao regulamento, para analisar o que aconteceu é preciso se debruçar sobre o artigo 40. Vejam o que dizem algumas de suas alíneas:

40.7: …é proibido ultrapassar até que os carros alcancem a primeira linha do safety-car após o seu retorno aos pits.

40.11: Toda vez que o SC entrar nos pits, sem exceção, as placas que sinalizam sua presença são retiradas e luzes e bandeiras verdes entram em ação.

40.13: Quando, ao final de uma prova, o safety car estiver na pista, ele será recolhido aos pits no fim da última volta e os carros receberão a bandeira quadriculada sem que acontecem ultrapassagens

40.14: é permitido realizar ultrapassagens, quando o safety car voltar aos pits, depois de cruzar a linha (se referindo à linha do SC)

Pelos trechos do regulamento reproduzidos acima, há argumentos a favor e contra Schumacher. O problema é que, mais do que ir contra as regras, o alemão feriu o espírito do negócio. Não importa se a regra é dúbia e deixa a brecha, pois todo mundo que acompanha automobilismo sabe que, se em bandeira amarela, só se ultrapassa após a linha de largada. Então, sua punição foi justa.

Mas há algumas nuances na manobra que devem ser notadas. É claro que Schumacher conhece o regulamento. Sabendo que existe uma pequena margem, arriscou. Perdeu.

Outro detalhe (talvez, o mais importante) é que, independente do resultado da manobra, ele precisava fazer aquilo. Porque desde que decidiu voltar a correr, sua decisão e – principalmente – seus resultados tem sido contestados. Mas Mercedes e outros patrocinadores apostaram muito dinheiro no piloto e ele precisa mostrar que valeu a pena. Com todos os aspectos de seu retorno analisados, dão-se os descontos necessários pelos três anos parados e a necessária readaptação muito mais lenta do que seria normal em função da proibição de testes. A manobra, mesmo acompanhada de uma punição, mostra que ele não perdeu o espírito competitivo, continua aguerrido, sempre em busca da vitória. Ele precisa prestar contas e, com o barulho feito ontem, conseguiu.

Uma chinoca gasguita

É comum que nada demais aconteça nos primeiros treinos livres para um GP de F1. Mas a sexta-feira de Xangai foi bem animada.

A imagem do dia foi o acidente de Sebastien Buemi, com sua Toro Rosso, no final da grande reta do circuito. A equipe aproveitou o primeiro treino para testar um novo braço de suspensão. No final da reta, quando praticamente decolou em uma ondulação da pista, as duas rodas se soltarm.

Nos treinos, nenhuma grande surpresa. Como era esperado, McLarens (com o revolucionário duto de ar apelidado de Snorkel que lhe dá mais 6 km/h no final da reta) e Mercedes andaram muito bem, assim como a Force Índia mais uma vez entre os dez primeiros. Em comum, as três equipes têm o mesmo motor adornado por uma estrela de três pontas.

Outro detalhe do treino é que a Ferrari perdeu mais um motor, de novo com Alonso. Se não bastasse os problemas de aquecimento dos pneus, prejudicando muito o desempenho de seus pilotos (apenas 10º e 11º hoje), o time de Maranello vem sofrendo com problemas de confiabilidade. Não se pode esquecer que estamos apenas no quarto GP de 19 e cada piloto só pode usar oito motores por ano.

No mais, nada demais. A Red Bull, com Vettel e Webber, está logo atrás dos quatro carros prateados. Kubica fez sua Renault andar bem novamente e terminou o dia em nono. Na outra Toro Rosso, que terminou o dia com as quatro rodas, Jaime Alguersuari foi o oitavo e já começa a deixar de ser uma supresa. E Rubens Barrichelo, em 15º com a Williams, foi o único brasileiro a andar à frente de seu companheiro de equipe. Di Grassi e Senna fecharam o pelotão em 22º e 23º respectivamente.