Fala muito

post-milestone-1000-1xAcabei de descobrir que o post anterior foi o milésimo do cafofo. Recebi até o trofeuzinho aí do lado. Não sei o que vocês pensam, pra mim é coisa para beça.

Desde que resolvi escrever um blog, foram vários objetivos e várias fases, desde o diário pessoal, passando pela tentativa de ser um diário de comentários sobre nosso querido país e seus políticos amados, até descobrir que o que eu precisava mesmo era um lugar qualquer onde eu pudesse desopilar. E cá estamos.

Escrever a trabalho é um saco. Porque tudo o que é rotina é um saco. Daí que precisava de um lugarzinho onde pudesse publicar tudo aquilo que escrevo sobre o tudo, o nada e o qualquer coisa. Do jeito que bem entendo, às vezes radicalmente teimoso, às vezes radicalmente mudando de idéia.

E vá lá que o cafofo não tem publicidade, não tenho o hábito de encher o saco de ninguém pra gerar audiência ou qualquer coisa do gênero. E assim, sem compromisso, às vezes ficando vários e vários dias sem publicar nada, lá se foram 1.000 posts e 1.458 comentários. E tem mais algumas curiosidades que eu, desse meu cantinho, achei bem legais:

– O dia mais visitado foi 6 de abril de 2010, dia em que o país acordou com a notícia do morro do Bumba e que as chuvas pararam o Rio de Janeiro;

– O post mais acessado é Panis et circenses (que agora deve receber mais alguns cliques),  de 6 de fevereiro de 2009, com 967 visitantes únicos, sobre o Flamengo e algumas de suas relações políticas;

– Nos últimos 12 meses, o blog recebeu 28.721 visitantes únicos (média de 78,7 por dia) de 78 países diferentes, incluindo Paquistão, Finlândia, Bulgaria, Romênia, Tailândia, Montenegro, Taiwan, Azerbaijão, Mônaco, Suécia, El Salvador, Malásia, Bielorússia, Macedônia, Quênia, Croácia, Iraque, Nova Zelânida e Guiana Francesa, com um visitante cada.

 

Apesar de não ser o objetivo principal, se eu publico é porque quero ser lido e comentado e apreciado. Claro que tenho ego, ora bolas. Então, como costumo brincar, muito obrigado à meia dúzia de 7 ou 8 desocupados que se dão ao trabalho de visitar o cafofo.

Beijos e abraços a quem de direito.

Que time é teu?

Durante esses mais de 20 dias em que estive sem paciência para atualizar o cafofo, dei-me o trabalho de tentar entender algumas coisas sobre as quais se fez muito barulho e em que o x da questão seria justamente aquela postura de time pequeno que tanto nos irrita (pelo menos aqueles que gostam de futebol).

“O empate é um ótimo resultado”, “a classificação é como um título para nós”, “quem disse que entrar em campo com três zagueiros e cinco volantes é sinônimo de retranca?” Time pequeno é aquele que não tem coragem para enfrentar a vida, não anda pelo mundo de cabeça erguida e peito estufado (silicones fora, por favor), não assume sua verdade nem para si.

E pra fazer o contraponto, juro que tentei mas não consegui fugir do óbvio. Vejam o que o Arthur Muhlenberg escreveu na semana passada:

Ser Flamengo envolve uma irresistível atração pelo risco, um eterno desafio ao infortúnio e um completo desprezo à segurança e à estabilidade cultuados pelos medíocres. Ser Flamengo é tudo ou nada.

Biografias

InternacionalO que falar do papelão de Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil? Gigantes que disputariam os grandes títulos só fizeram arranhar as próprias biografias, além de revelarem um absurdo sentimento de time pequeno. E aí é pior ainda. Gente grande que pensa pequeno é muito pior do que o pequeno que nunca teve a chance de ser grande e não tem a noção de como se comportar.

E cito os três, óbvio, por serem os nomes mais ilustres e – não por acaso – justamente quem deu a cara a bater em nome do tal grupo Procure Saber. E não falo de Roberto porque esse passou a vida inteira tentando esconder a vida e pelo menos foi coerente. Mas os três?

Não foram eles que construíram suas carreiras e viraram referência justamente porque passaram o período da ditadura brigado pela liberdade? E o argumento mais clichê dessa discussão: não foi Caetano que escreveu, gritou, cantou “é proibido proibir”?

Lembro do Inter de Porto Alegre. Tricampeão brasileiro nos anos 70, berço de Falcão. Mas que desde 79 não fez mais nada. Todo ano é um dos favoritos, mas nunca chega a lugar nenhum, no máximo o brilho regional. Uma espécie de ex-grande., quase médio. E é impossível não lembrar que os três grandes artistas não produziram nada muito fabuloso depois da redemocratização do país.

Aí, alguém vai lembrar que o Inter ganhou a Libertadores e o Mundial. Então né, o Gil ganhou o Grammy por Quanta. Santa semelhança, Batman…

Eike

Internacional de LimeiraA essa altura do campeonato, precisa falar mais alguma coisa? Alguém duvida de que  foi um brilhareco digno de um Madureira em final de carioca ou, pior, Inter de Limeira campeão paulista? A única diferença é que nenhum dos dois ficou devendo os tubos e mais um pouco para o BNDES.

Eduardo Campos

Paraná ClubeO cara está lá, todo pimpão. Não sabe se é, não sabe se não é, cheio de “ai meu Lula”. Aí, num movimento mais do que inesperado, surge o acordo com Marina e sua estranha Rede. Pois bem, oficialmente foi a moça que se juntou a Eduardo Campos, mas é ela quem tem mais eleitores. E aí, numa espécie de “quem manda aqui sou eu” da primeira hora, criou um baita dum problema com os ruralistas.

A gasolina de nosso triste PIB é a produção rural, mas Marina acredita que eles são o problema do Brasil. Vá entender… Agora, a turma que produz comida e dinheiro, e que tendia a apoiar Campos, vai se reunir até com o Lula e, quem sabe, bater palmas para Dilma.

A confusão nessa chapa me lembrou o Paraná Clube, fruto da fusão de Colorado (mais torcida) e Pinheiros (mais gestão). Quando nasceu, pensou e até pareceu que seria grande. Mas hoje todo mundo sabe que é só um time pequeno que virou iô-iô entre as divisões do campeonato brasileiro.

Diego Costa

Vasco da GamaA reação e discurso de Felipão foi vergonhosa, enquanto Parreira, Marim e os advogados da CBF foram apenas risíveis mesmo. Qualquer um que entenda um tantinho de futebol sabe que o técnico da seleção canarinho queria mesmo era atrapalhar a Espanha.

Não cabe nem discutir se o cara é essa coca-cola toda mesmo. Mas ele foi convocado para dois amistosos mequetrefes no início do ano e não agradou. Tanto que sequer foi lembrado pela comissão técnica ou jornalistas na época da Copa das Confederações. Aí o sujeito resolve jogar por outro time e o caso vira a pantomima que vimos.

Concordo que a (falta de) regra da FIFA é bisonha, mas o sujeito tem o direito de escolher. E isso não é nada demais. Mas será que a turma acredita que, com Diego Costa, o time que foi bicampeão europeu e campeão mundial sem ele será, agora, imbatível? Medinho de perder? Quem vergonha.

E se você duvida de que isso é atitude de time pequeno, basta lembrar do que o Vasco fazia com os clubes contra quem iria jogar e tinha atletas da colina no elenco (o Olaria que o diga). Sim, eu sei que o clube de São Januário é um gigante do Rio. Mas é inegável que Eurico Miranda fez muita força pra mudar isso. E Roberto vai pelo mesmo caminho…

Rei do camarote

São PauloÉ possível imaginar um sujeito como esse fora de São Paulo? Sim, coloque essa pergunta na conta de todos os preconceitos possíveis. Mas onde mais uma garrafa de champagne, uma Ferrari e duas ou três subcelebridades agregam tanto valor à imagem de alguém? E o statis? E a mulher que o cara comeu no banheiro? E, no futebol, quem mais faz questão de se dizer rico, competente, bem gerido, limpinho, cheiroso e macho?

Ok, eu sei que o São Paulo não é time pequeno. Mas esse jeito de ser é de uma pequenez enorme (com trocadilho, claro).

Massa (e Nars) na Williams

BotafogoSua história está cheia de grandes vitórias, títulos e heróis. Até semi-deuses já fizeram parte do time. Mas já faz 16 anos que não ganham nada, nem campeonato de construtores nem de pilotos. Daí pra chegar a 21, não custa nada. E agora vocês já sabem de quem estou falando.

Massa saiu da Ferrari e gritou aos quatro ventos que só ficaria na F1 se fosse em uma equipe capaz de lhe dar um carro competitivo. E aí fecha com a Williams? Ok, o time tem história, como sabemos. E, apesar da grana cursta, também está com as contas em dia. E o regulamento quase vira de cabeça pra baixo a partir do ano que vem, do motor à asa dianteira, tudo muda. Mas daí é ser muito otimista achar que isso basta para inverter a relação de forças da categoria.

Porque é básico: quem tem dinheiro paga os melhores (e mais caros) profissionais. Eles podem errar? Claro que sim. Mas daí uma equipe sem grana para desenvolvimento se transformar na rainha das pistas? Não, meus amigos, aí já é esperar milagre mesmo.

E Nars, o que tem com isso? Pela foto de Massa no site da equipe, Banco do Brasil ao fundo, é o garoto (seus patrocinadores, na verdade) que paga a conta. Ele será o reserva da equipe, o que é quase nada hoje em dia. Mas quando surgiu a notícia do acerto com Massa, falaram em cinco anos. Anunciaram três. Será que, como divagou Flavio Gomes, que não seria um contrato de 3 + 2 anos, uma venda casada dos dois felipes?

Voltando ao futebol, já faz 18 anos que o Botafogo ganhou seu único brasileirão. E nos últimos anos (e é claro que não levo os estaduais em conta), uma vocação para cavalo paraguaio floresceu. Será que isso pode acontecer com o time de Grove. Por conta das mudanças, um coelho da  cartola e a Williams pula na frente. Mas sem a grana pra continuar desenvolvendo, fica pra traz na reta final da temporada. Quem sabe? Afinal há coisas que só acontecem…

Enfim

FlamengoComo todo mundo está cansado de saber e mais uma vez foi comprovado, time grande não cai.

Foto do dia: Luciano Lima

Apesar do tom azul da bela imagem, desconfio que o Mineirão, hoje e apesar de todos os prognósticos contrários, brilhará em rubro e negro.

Estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão / Foto: Luciano Lima

Inovação

Pensar fora da caixa

Ontem à tarde, houve uma crônica e minha contra-argumentação no Torcida Carioca. O pivô dessa ‘discussão’ era Jorginho e sua capacidade para levar o Flamengo adiante e quanto do péssimo início de campeonato era culpa do técnico e quanto era do time horroroso, limitadíssimo, com que ele era obrigado a trabalhar.

Enfim, como todos sabem, perdemos para o Náutico e o sujeito caiu.

Aqui e ali, alguns nomes já são mais que ventilados, de Mano Menezes a Renato Gaúcho, passando pelo absurdo Celso Roth (Ah Pelaipe, não mete essa…).

O grande problema é o custo. Todo mundo sabe que a nova diretoria foi eleita com a principal missão de reorganizar o clube com uma dívida de R$ 750 milhões.

Sinceramente, não vejo saída para o problema. Nossos bisonhos treinadores, incapazes de inovar, com currículos e relações viciadas com boleiros e cartolas, ganham cada vez mais para ter cada vez menos resultados.

Levando-se em conta a história profissional de nossa diretoria, exaltados como grandes homens de negócios, será que eles não são capazes de sacar uma novidade da cartola? É, meus amigos, passou da hora de pensar diferente, fora da caixa como gostam os executivos modernosos.

Que tal trazer alguém de fora, sem vícios, sem mi-mi-mi, que saibam se impor aos jogadores (especialmente aos veteranos que se acham donos da bagaça), que tenham naturalmente o devido distanciamento de tudo que os nossos velhos conhecidos daqui têm?

O primeiro nome que veio à cabeça foi o do argentino Jorge Sampaoli. Infelizmente, está à frente da seleção chilena nas eliminatórias e provavelmente não a trocaria pelo Ninho do Urubu. Mas por quê não procurar nos nossos vizinhos alguém que tenha potencial, que já tenha mostrado qualidades e conquistado bons resultados? Certamente não seriam mais caros do que nossos professores doutores, por razões óbvias.

É, turma, passou da hora. Se o futebol desandar de vez, toda a respeitabilidade da gestão vai para o saco.

Nostalgia e esperança

Fui ao Maracanã muitas vezes com meu pai. Para jogos do Flamengo e do Fluminense e dos outros também, que Maraca no domingo era bom programa. Jogos cheios e vazios. Mas nunca fomos à final. Depois da separação, com a rotina adaptada a um dia no fim de semana e outras aporrinhações, nunca mais.

Fomos a jogos importantes, como as semi-finais do brasileiro de 1984. Mas não mais que isso. E nem sei dizer como seria, cada um torcendo para um time.

Hoje está tudo muito diferente. Meu pai não tem mais paciência pra estádio e eu parei de freqüentar desde que o Maracanã fechou para as obras da Copa (Engenhão ninguém merece). E hoje tenho duas filhas.

Juntando as duas famílias, só eu sou rubro-negro. E para não correr o risco de perder as petizes definitivamente por uma pressão desigual feita pelo outro lado, o combinado desde que Helena nasceu é que ninguém faria força, falaria muito no assunto ou daria presentes temáticos. E assumimos que ela é América. Mais neutro, no Rio, impossível. Com Isabel, o procedimento será o mesmo.

E pra não arrumar confusão, me seguro. Mesmo. Firme em mim a esperança de que – naturalmente, por e para serem felizes – serão rubro-negras. Mas, ontem, não resisti. A camisa nova chegou, linda, e fiquei todo pimpão desfilando pela casa. E quando perguntei se estava bonito, Helena disse que sim. Como disse, esperança…

Coincidência, hoje faz doze anos que Petkovic fez o gol mais importante da sua carreira, de falta, aos 43 minutos do segundo tempo. O gol de mais um tri. E aí dei de cara com essa texto no blog do Rica Perrone. Um bom tanto de saudade da minha infância, um bom bocado de que um dia estarei na arquibancada ao lado das minhas moças.

Um domingo qualquer

Petkovic comemora o gol que deu o tricampeonato ao Flamengo em 2001 / Foto: Ana Carolina Fernandes/FolhapressEra um dia frio, sem chuva.  Seria um dia chato, não fosse o Maracanã lotado e a expectativa de um título. Ele não era fanático, sequer tinha visto o estádio lotado na vida, até então.  Tinha 13 anos e torcia, timidamente, para o Palmeiras, apesar de morar no RJ.

Naquele domingo seu pai o levou na final.  De bandeira, camisa e ingresso na mão, chegou assustado com a multidão. Entrou faltando 15 minutos pra começar e, quando olhou em volta, disse: “Pai, quantas pessoas tem aqui?!?”.

– Muitas, filho… uma nação inteira, disse o pai.

Aquela multidão explodiu em faixas, bandeiras e papel picado minutos depois.  O garotinho se encolheu com medo e sentou.  Com 1 minuto de jogo a torcida levantou e não deixou que o guri visse mais nada. Ele ouvia, sentia, mas não assistia.

Seu pai, rubro-negro fanático, não tinha muita esperança de que seu pivete palmeirense um dia se envolvesse com futebol. Jamais mostrou grande interesse, e só torcia porque tinha um amigo que era palmeiras.

O Flamengo saiu ganhando, mas não bastava. Tinha que ser com 2 gols de diferença, ou nada. Seu pai explicou que “faltava um”, e o garotinho não entendeu. Afinal… vitória não é vitória de qualquer jeito?

Sofreu um gol, e ele não tirou sarro do pai como sempre fazia. Ficou triste, como que contagiado pela multidão. O outro lado, 40% do estádio apenas, fazia barulho, e ele ouvia o silencio da nação a sua volta. Segundo ele, o silencio mais dolorido que já escutou na vida.

O Flamengo fez o segundo, e o garotinho, se envolvendo com o jogo, vibrou. Pulou no colo do seu pai e o abraçou como se fosse um legítimo urubuzinho.

Não era, ainda.

A torcida começou a cantar o hino, que ele sabia de cor de tanto ouvir o pai cantar.  Pela primeira vez, cantou num estádio, e fez parte da nação. A angustia de milhares não passou em branco. Em mais alguns minutos o garotinho suava e já rezava de mãos grudadas ao peito.

O Flamengo virou, mas não bastava.

40 minutos do segundo tempo. Mesmo com 2×1 no Placar, a nação ouvia gozações do outro lado. Ele não entendia, e fez o pai explicar, mesmo num momento dramático do jogo.

Atencioso, o pai sentou e contou pro garoto que o Flamengo precisava ter 2 gols de vantagem, porque a vitória por um gol empataria a soma de 2 jogos, e o empate era do rival. Ele não entendeu bem, mas simplificou em sua cabeça: “Mais um e ganharemos”.

Opa… “ganharemos”?  Ele não era palmeirense?

E então, aos 43 minutos, onde alguns já se mexiam na direção da saída, uma falta do meio da rua.  Seu pai vibrou e ele questionou: “O que foi? Foi pênalti!? “

– Quase isso, filho!! Dali pro Pet é pênalti!!, profetizou o pai, ignorando a distancia da falta.

A cobrança… o silencio eterno de 1 segundo e a explosão.  Gol do  Flamengo! Petkovic! E seu pai o abraça como nunca abraçou em toda sua vida. Pula, joga o garoto pra cima, beija, chora…

O garotinho, numa mistura de susto com euforia, olha em volta e, de braços abertos, comemora em silencio um gol que não era dele.  Sem razão, ele chora. E chorando, abraça o pai que, preocupado, rompe a alegria e pergunta: O que foi? O que foi? Se machucou?

– Não…  Eu to feliz, pai!

Sem mais palavras, o pai sentou e abraçado ao garotinho deu um abraço de tricampeão. O jogo acabou, e os dois continuaram abraçados.

A festa rolando, os dois assistindo a tudo aquilo emocionados, o garotinho absolutamente embasbacado com a cena, já que nunca havia visitado um estádio lotado, muito menos uma decisão. O pai olhava pro campo e pro filho, porque sabia que, talvez, aquele fosse seu único momento na vida onde teria a imagem de seu garoto comemorando um titulo do time dele.

E chorava, sem vergonha nenhuma de quem estivesse em volta.

O menino foi embora pensativo, eufórico. Em casa, contou pra mãe com uma empolgação incomum sobre tudo que viveu naquela tarde. E não falava do jogo, apenas da torcida.  Iludido por uma frase, contou pra mãe:

– Aí, no finalzinho, teve um pênalti! E o Flamengo fez o gol…
– Não filho… não foi pênalti! Foi de falta.
– Mas você disse que foi pênalti…
– Era modo de falar…. hahahahahah
– Então, mãe…  aí, o cara fez o gol e a gente foi campeão!!!

Pronto. Aquele “a gente” fez o pai parar de colocar cerveja no copo, virar a cabeça lentamente e perguntar, com medo da resposta:

– A gente, filho?

(silencio…)

– É pai! O Mengão!!!!!

Emocionado, o pai abraçou o garoto e não falou nada. Ali, seu maior sonho virava realidade. A mãe entendeu, deixou os dois na cozinha e saiu de fininho, enquanto o pai começava a contar de uma outra final que viveu em mil novecentos e bolinha, com toda a atenção do novo rubro-negro.

Hoje o garoto  tem 21, completados há alguns dias.

Quando seu pai perguntou o que ele queria de presente este ano, a resposta foi essa:

– Dois ingressos, uma bandeira, a camisa nova e ver você chorando igual aquele dia.

E há quem diga que “futebol é bobagem”…

Entre brigadeiros e celulares

Vida de pai é um negócio sensacional. Mas às vezes dá um trabalho danado pra organizar a agenda e conciliar os interesses da prole com o nosso desejo filosófico-esportivo-carnavalesco. Ontem, por exemplo, foi um dia daqueles.

Nico Rosberg / Foto: Getty ImagesA manhã até que foi tranqüila e consegui assistir o GP de Mônaco inteiro: a previsível vitória de Rosberg e sua Mercedes, a nova panca de Massa (quase um replay do que houve no treino de sábado), um mexicano deixar escancarado a guerra de bastidores na McLaren e Sutil fazer duas ultrapassagens magníficas na Lowes e Vettel, que terminou em segundo, sair do principado ainda mais líder do que quando chegou. No fim, uma corrida bem decente, dentro dos padrões Mônaco.

Viva Tony

Meus problemas começaram à tarde, com as 500 milhas e a estréia no brasileirão. Sobre a corrida de Indianápolis, enquanto arruma bolsa, dá mamadeira, veste uma, calça a outra, serve a ração pras mocinhas e tudo o mais que envolve sair de casa com duas crianças e deixando duas cachorras, ia acompanhando. Mas era domingo de festinha, das 15 às 19h30. Ou seja, justamente na hora da decisão, quando faltavam umas 30 voltas para terminar, hora de ir.

Tony Kanaan vence a Indy 500Soube depois que Kanaan venceu. Sinceramente, achei sensacional. Gosto do sujeito, já foi campeão e bateu na trave algumas vezes. Então, agora pode dizer que sua (longa) passagem pela categoria está, finalmente, completa. Castroneves chegou a liderar, mas no passa e repassa do grupo da frente, terminou em sexto. Pra esse, que já venceu três vezes no templo e já foi campeão da dança dos famosos no país do Tio Sam, falta o título da categoria.

Começou

E, enfim, chegamos ao mais importante evento esportivo do final de semana. A estréia do Flamengo no campeonato brasileiro. Como já disse, estava na festinha, acompanhado de outros pais rubro-negros que tentavam acompanhar o embate do planalto pelo celular. E o 0 a 0 nos deixou bem desanimados e desconfiados. Mas assisti o VT quando cheguei em casa e até que fiquei surpreso.

O Flamengo nem jogou mal, a defesa bem postada, o time organizado, todos sabendo o que fazer com a bola. No meio, a inoperância de Renato foi compensada por Elias, em tarde inspirada. Dominamos o jogo e tivemos muitas chances de vencer, pelo menos quatro reais. E Felipe, que nem foi incomodado, teve a chance de posar para a foto de despedida do Neymar ao defender (sem rebote para a marca do pênalti!!!) um falta cobrada pelo moleque.

Rafinha perde gol / Foto: Agencia O GloboAgora, a indigência de nosso ataque foi assustadora. Hernane, o artilheiro do carioca, mostrou que suas caneladas – salvadoras contra quissamãs e caxias – não serão suficientes no certame nacional. E Rafinha, que contra os bambalas e arimatéias chegou a ser melhor que o Neymar, se encolheu. Mas esse tem potencial e tende a melhorar quando se acostumar com os jogos grandes em grandes estádios. Moreno entrou bem e, com ritmo, será o dono do ataque. E Carlos Eduardo… Sei lá o que dizer sobre ele. Mas, no geral, o que importa é que não desgostei não. Mas o sentimento de que perdemos dois pontos jogando fora de casa amargou a boca.

O próximo jogo será “em casa”, contra a Ponte. A obrigação é vencer, claro, mas não será fácil. O campo acanhado e o gramado pererecante de Juiz de Fora estão a favor da macaca. Ou seja, preparem as unhas e calmantes.

Brasileiraço

Picareta no Campeonato Estadual de 2011 / Foto: Fred HoffmanSe o brasileirão começou ontem, no próximo fim de semana acontece o Brasileiraço, com letra maiúscula mesmo. Entre quinta e domingo, no Saco de São Francisco, ali em Niterói, serão realizadas as oito regatas do 6º Campeonato Brasileiro da Classe Velamar 22 com largadas previstas, sempre, a partir das 13h. Não sei quantos barcos estarão na água, isso não importa. O que importa é que a tripulação do Picareta – na qual me incluo – está na ponta dos cascos. A turma do foquetinho azul do Boteco 1 promete garra, dedicação, empenho eeeeee tentar corresponder em campo eeeeeeeee tentar realizar o que o professor determinou eeeeeeee agradar a torcida eeeeeeeee fazer de tudo pra levar o caneco pra casa.

Vale ressaltar que o campeonato – SEM NENHUM INCENTIVO FISCAL – é patrocinado pela Focus Brindes, Noi, a cerveja concebida sem pecado, Yen Motors, Olimpic Sails e Känga Box. Então, obrigado e parabéns às cinco empresas.

Manto novo

O novo manto / Foto: flamengo.com.br

“Taí o que você queria”, diria Januário de Oliveira. Depois de um bom tempo de suspense e o vazamento das camisas justo no dia do lançamento, foi apresentado o primeiro uniforme do Flamengo na volta da Adidas ao clube.

Como sempre, o manto rubro-negro é lindo. Gostei das mangas vermelhas com as três listas pretas, gostei muito do escudo numa faixa e a estrela dourada em outra,  como também é um capricho que o escudo seja bordado. Então, habemus manto.

Em compensação, os estilistas cagaram a camisa branca. Está parecendo camisa de treino ou pijama de concentração. Pra completar, estranhíssimo, não há vermelho nas costas.

Meu consolo é que a primeira camisa feita pela Olympikus também era feia, com aquele sutiã de uma alça. E fomos campeões. Será que a mágica se repete, mesmo com nosso time xinfrim de hoje?

P.S.: o amigo Maurício Lopes chamou atenção para a aplicação da marca da Caixa na faixa vermelha, com o laranja do X ficando meio apagado. Tem razão e uma baita duma bola fora com quem paga boa parte de nossas contas. Será que não tem como rever isso aí não?