Se o sapo tivesse embreagem…

Como fiquei muito tempo sem publicar nada por aqui, escrevi sobre Brasil e Bélgica e deu no que deu, me senti na obrigação de voltar.

Sou um torcedor tão engraçado e cheio de manias como qualquer outro. Pachecão, sofri um bom bocado na sexta-feira, com muitas e muitas reações – como posso dizer? – superlativas. E moça Flávia chegou a dizer mais de uma vez, durante e ao fim, que estava com medo de mim. De qualquer maneira, rimos um tantinho ao fim de tudo.

Passei o fim de semana sem ler os colunistas ou ouvir os comentaristas. Não sei o quê ou quanto falaram, mas tentei evitar a busca pelo Cristo da vez, todos aqueles “eu falei, não falei?” ou teses filosofo-sociológicas sobre o fim da escola brasileira ou sul-americana ou ambas. Tudo chato e oportunista bagarai.

Primeiro, a Bélgica. Não retiro uma palavra do que disse no texto de sexta. Os belgicanos não são nada demais, Lukaku não ganharia posição de Kita (taí o Miranda pra confirmar, que não perdeu nenhuma jogada no homem a homem) e Hazard não passa de um Bobô ligeirinho. Sim, meus caros, frente à história, perdemos para alguém que tem o peso de um Bonsucesso, quiçá um Serrano.

Mas aquele texto era menos sobre a Bélgica do que sobre o meu jeito torto de torcer e sentir as coisas do futebol. De sempre achar que vai dar tudo errado, o tal cheiro de merda no ar. E justo nos dias que acho que tudo vai bem, a bagaça sai dos trilhos. Como vêem, minha vocação pra mãe Dinah é nula.

Também é fato que times pequenos, às vezes, montam bons times. E também é verdade que o número de zebras na história é tão grande que é a sua possibilidade que dá graça ao futebol. E sim, a Bélgica ganhar do Brasil é zebra, gente. A ponto de ter certeza que se os times que se enfrentaram na sexta – mesmo com os erros de escalação – jogarem um contra o outro mais dez vezes, ganhamos sete, empatamos duas e só perdemos mais uma.

E é agora que voltamos a falar do sapo.

…não pulava tanto
Não, meus biólogos de estimação e congêneres, sei que a assertiva não é real. Que os sapos seguiriam pulando mesmo com embreagem. Vamos nos concentrar no “se”, pois.

Se o Tite tivesse convocado certo (apesar de mais de 90% de aprovação à sua lista quando anunciada), se o Neymar tivesse brilhado como o esperado, se o Philippe Coutinho tivesse jogado como nas partidas anteriores, se o Marcelo não deixasse uma avenida às suas costas, se a bola que bateu na trave tivesse entrado… Se quisermos, podemos encontrar um monte quase infinito de mais “ses”, mas precisa?

A boa seleção brasileira perdeu uma partida para outro time médio-bom. Deu azar quando saiu atrás no placar e se arvorou a partir pra cima, deixando aberto o contra-ataque. Levou mais um e poderia ter sido mais. Depois que se reorganizou, encurralou a Bélgica e teve trocentas chances de gol. Não teria sido estranho se fizéssemos com eles o que eles fizeram com o Japão. Pelo contrário. E aos 650 minutos do segundo tempo, ainda houve a bola caprichosa de Neymar, que o goleiro de 8 metros de altura se esticou para tirar do ângulo a que estava endereçada.

Gente, perder acontece. E a leitura dessa partida é muito simples, óbvia.

O Tite deveria ter convocado melhor? Sim, claro. Por exemplo, não havia armadores de verdade entre os 23, e Taison e Fred (nem chego a Cássio, pra não me aborrecer) foram a passeio. Tite poderia ter escalado melhor? Sim, claro. Tite poderia ter mexido no time de forma diferente, quando fez as substituições? Sim, claro. Tite poderia ter mantido o time e a forma de jogar que terminou as eliminatórias voando? Claro. Mas isso é voltar ao “se”.

Futuro
Há, no Brasil, técnico melhor que o Tite? Não. Podemos ter um “novo Telê”, com duas copas seguidas perdidas? Sim, pode acontecer. Mas acho que ele deve ser mantido, acredito que temos uma bela geração para as próximas duas copas (além dos que ainda não apareceram) e que, no Catar como sempre, chegaremos como favoritos.

Quem ganha a copa?
Sei lá, ué. Vou torcer pra Croácia, mas acho difícil passar pelo time de moleques da Inglaterra depois de duas prorrogações seguidas. Entre França e Bélgica? Se equivalem, dois times rápidos com meia dúzia de dois ou três mais habilidosos. E se não der pra Croácia, passo a torcida para a Bélgica, porque seria legal ver um time novo campeão.

Europa X América do Sul
Já encontrei matéria no El País falando sobre a derrocada do futebol sul-americano, porque (2018 incluída) já são quatro copas com campeões europeus, que não há mais aquele equilíbrio, etc.

Preciso contar um segredo pra essa turma: nunca ouve equilíbrio continental. A América do Sul tem nove conquistas porque nós, Brasil, ganhamos cinco! Para registro, é bom lembrar que o Uruguai ganhou duas em milnovecentosevovôzigoto: 1930 contra a Argentina e 1950 contra o Brasil, duas copas na América do Sul contra adversários sul-americanos. A Argentina ganhou em 78 (em casa, com Quiroga e os generais) e em 86 (com Maradona, mas bem roubadinha e sabe-se lá quanto doping).

Ou seja, só o Brasil (desde o terceiro lugar em 1938) figura com regularidade entre os finalistas. E – é bom repetir – ganhamos cinco!!!

E como além dos três, ninguém na América do Sul faz nem cócegas, a tese é furada. Além disso, a copa na Rússia é na Europa. Então, é natural que os times que jogam “em casa” levem vantagem. Para registro, vejam a relação de forças nos cinco últimos mundiais disputados por lá (deu preguiça de conferir as outras): Alemanha 1974: 3 europeus + Brasil; Espanha 1982: 4 europeus; Itália 1990: 3 europeus + Argentina; França 1998: 3 europeus + Brasil; Alemanha 2006: 4 europeus.

Agora, apenas como curiosidade, vejam a relação de forças quando a Copa foi disputada na América (relativizando modelo de disputa e o pós-guerra): Uruguai 1930: 2 sulamericanos + EUA + Iugoslávia; Brasil 1950: 2 sul-americanos + 2 europeus; Chile 1962: 2 sul-americanos + 2 europeus; México 1970: 2 sul-americanos + 2 europeus; Argentina 1978: 2 sul-americanos + 2 europeus; México 1986: Argentina + 3 europeus; EUA 1994: Brasil + 3 europeus; Brasil 2014: 2 sul-americanos + 2 europeus.

Catar 2022 tá logo aí, rumo ao équiça!

Mulheres de Hollande

O trocadilho do título, desculpem, foi inevitável. Da séria série ‘trocadalhos do carilho’. Até porque o cara é François. Daí, Francisco. Daí Chico. Daí o óbvio.

(Se mesmo com a piada explicada, você não é do Rio e não sabe do que estou falando, clique aqui)

O texto abaixo é do Veríssimo. E é preciso. Pombas, dá uma olhada no time do rapaz que é baixinho, gordinho e careca. Assim como aquele trocadilho, a pergunta é inevitável: o que é que ele tem que eu não tenho?

(É claro que estou falando de forma geral, talvez até hipotética. Afinal, sou um sujeito de sorte, a moça da minha vida é muito mais do que as três. E é bom eu deixar isso claro, antes que eu apanhe de forma injusta com uma vara de marmelo)

Voltando ao francês e sua escapadela, é impossível não fazer um paralelo imediato com nosso imperador e sua Rosemary. Lá, por muito menos – e até que provem contrário, tudo não passou de um problema pessoal e extra-conjugal -, a casa está quase caindo e na capa de todos os jornais. Aqui, apesar de tudo o que se sabe, foi-se tudo em brancas nunvens.

É, faz pensar. Né não?

Nosso herói

Mulheres de HollandeAcho que falo por todos os gordinhos sem graça do mundo, por todos os homens por quem ninguém dá nada, todos os com cara daqueles tios que nas festas de família ficam num canto e nem os cachorros lhes dão atenção, ou fazem xixi no seu sapato, todos os que se apaixonam, mas não têm coragem de se aproximar da mulher amada, quanto mais declarar sua paixão, todos os que são chamados de “chuchu”, mas não é um termo carinhoso, é uma referência ao legume sem gosto, todos os sem sal, os sem encanto, os sem carisma, os sem traquejo, os sem lábia — enfim, os sem chance — do mundo se disser que o François Hollande é o nosso herói. Ele é tudo que nós somos e não somos. É um dos nossos, mas com uma diferença: no caso dele era disfarce.

A companheira de Hollande, Valerie Trierweiler, que mora com ele no palácio presidencial e o acompanha em eventos oficiais e viagens, e que também é chamada de Rottweiler pela ferocidade canina da sua dedicação ao presidente, está internada com uma crise nervosa provocada pela revelação de que François tem uma amante, a atriz Julie Gayet, com quem costuma se encontrar num apartamento perto do palácio. Hollande já teve como companheira uma das mulheres mais interessantes da França, Ségolène Royal, com quem a fera teve quatro filhos. A pergunta que se faz na França é: o que exatamente esse homem tem que explique seu sucesso com as mulheres? A questão não tem nada a ver com direito à privacidade. Trata-se de uma curiosidade científica. Se o que ele tem, e disfarça com aquela cara, puder ser reproduzido em laboratório será um alento para a nossa categoria.

E nossa admiração só aumenta com os detalhes das escapadas de Hollande. Ele vai para seus encontros com Julie numa motocicleta. O Hollande vai para seus encontros com a amante montado numa motocicleta! Pintado no seu capacete, quem sabe, um galo, símbolo ao mesmo tempo da França e do seu próprio vigor. Ainda há esperança, portanto. Se ele pode, nós também podemos. Pois se François Hollande nos ensina alguma coisa é que biologia não é, afinal, destino.

Luis Fernando Veríssimo – O Globo, 16 de janeiro de 2014

Clube dos 8

Benzema comemora seu gol (em impedimento) contra a Ucrânia / Foto: ReutersEu realmente entendo e até concordo que o tal ranking da Fifa tem que existir para algo prático. Mas há coisas e há coisas, será que me entendem?

Vejamos: existem oito seleções campeãs do mundo e a copa é dividida em oito grupos. As oito estão classificadas para o torneio. Então, como é que pode alguém levemente lúcido não colocar as oito campeãs como as oito cabeças de chave?

Pois é, teremos Suiça, Colômbia e Bélgica. Com todo o respeito que todos e qualquer um merecem, como disse lá em cima, há coisas e há coisas.

O tal ranking poderia ser usado da seguinte maneira: todos os campeões classificados serão cabeças de chave. Se um ou mais não estiver, a indicação das vagas restantes se dará pelo ranking. Simples assim.

E quando o país sede não for um dos campeões? Simples: o ranking indicará os cabeças de chave, primeiro entre os campeões; depois entre os demais classificados.

E pronto.

Desta forma seriam respeitados o ranking e a História, ora bolas.

Mas se é possível complicar, pra quê simplificar? Se respeitar a história não tem graça, por quê não inventar? Uma salva de palmas para Fifa.

P.S.: E não é que a França se classificou, de novo, com um gol roubado?

Swing of change

Gosto muito de encontrar esses filmes-trabalhos de graduação. Porque, na média, são feitos por uma molecada que nunca ouvimos falar, que ainda vai demorar muito pra entrar no grande mercado e ter sucesso. Se é que vão chegar lá um dia.

Harmony Bouchard, Andy Le Cocq, Joakim Riedinger e Raphael Cenzi contam a história de Harry, um barbeiro racista da Nova Iorque dos anos 30, que muda sua mente após a chegada de um trompete mágico cair em suas mãos.

Na trilha sonora excelente, composta por Denis Riedinger, o trompete é tocado por Jean Christophe Mentzer.

Ululante

Escrevi alguns posts usando a Líbia e outros países do Oriente Médio e norte da África como exemplos. Basicamente, no sentido geral de todas as citações, deixo a pergunta: “que direito tem os organismos multilaterais como ONU e OTAN, e seus principais membros, de meter a colher em problemas que são absolutamente internos?”

Porque o que aconteceu na Líbia, entre outros, foi isso. Um problema interno. Contra um imbecil que governava, torturava e matava seus inimigos, surgiram levantes que se transformaram em uma guerra civil de opositores tão imbecis quanto o anterior. Até que as superpotências sem dinheiro decidiram qual era o lado mais legal e largou bala.

A resposta óbvia surgiu em todos os jornais e principais portais do mundo, com uma ou outra letra ou vírgula diferente da manchete do Estadão.

Potências definem em Paris futuro da Líbia, de olho em contratos e petróleo

Tai o belo, doce e democrático mundo em que vivemos. Ah, e não achem que acabou. Porque a crise mundial continuará por muito tempo e ainda há vários ditadores sanguinários com suas bundas delicadamente sobre muitos e muitos barris.

Pequenas observações sobre quase tudo ou quase nada

Globalização

Com toda a deferência à liberdade poética, com todo o respeito ao Arlindo Cruz. Mas acredito que para tudo há limites. Sou o único que acha uma vergonha (e, de certa forma, até um desserviço) o verso “o povo escolheu a Globo, isso é globalização” da vinheta da emissora, que já vem sendo atualizada há alguns anos?

 

Duelo

A Lotus Renault resolveu promover um duelo entre Bruno Senna e Nick Heidfeld pela vaga de Kubica. Cada um vai andar um dia inteiro nos testes de pré-temporada em Jerez, nesta semana. Por toda sua experiência e blá blá blá, o alemão é franco favorito. Mas os grandes pilotos aparecem em momentos difíceis. Será que Bruno é um grande piloto?

 

R$ 50 bilhões

Esse será o valor do corte no orçamento da união para 2011. Serão canceladas desonerações criadas para combater a crise que estourou em 2008, durante os anos de 2009 e 2010. A promessa é não cortar nada dos programas sociais e dos investimentos públicos. Só que não vi, em lugar nenhum, alguém assumir que vai haver cortes no custeio do governo. Curioso né?

 

Tragédia e amnésia

Faz pouco mais de um mês que o mundo desabou na região serrana do Rio. Passada a comoção, e como previsto, ninguém mais fala sobre o assunto. Podemos entender, então, que ninguém mais precisa de ajuda, as cidades já estão reconstruídas e prontas pra outra? Ou será que vai acontecer o mesmo que em Niterói, em que quase um ano depois do desabamento do morro do Bumba, ainda há trocentas famílias vivendo em abrigos em condições pífias?

 

Uniforme

Queria entender como é que a CBF, vira e mexe, autoriza seus fornecedores a destruir a camisa da seleção brasileira. Mesmo que não seja declarada ou reconhecida oficialmente, a camisa amarela (e a azul também) é patrimônio cultural.Se não bastassem outras invencionices anteriores (não só da Nike, é bom que se diga), que culminaram na horrorosa camisa azul com bolinhas amarelas da última copa, agora apareceu uma tarja sem qualquer sentido na altura do peito. Em contraste, vocês repararam na camisa usada pela França no amistoso de Paris?

O meu calendário

Virou notícia entre hoje e ontem a apresentação do traçado do novo autódromo de Austin, que receberá a F1 a partir de 2012. Mais uma obra de Herman Tilke, o sujeito que desenhou todos os últimos circuitos homologados pela FIA para as principais categorias do mundo nos últimos anos. E como quem acompanha sabe, um monte de pistas sem personalidade, sem gosto.

Dessa vez, no entanto, ele saiu do padrão reta-cotovelo-retinha-muitas curvas de baixa-reta. Pelo contrário, ao invés de tentar desenhar algo novo, fez bom uso do relevo do terreno e ainda usou referências de outras pistas que deram certo, como Silverstone, Hockenheim e Istambul. De quebra, uma reta de 1,2km. Resumindo, cheiro bom. Tomara que se confirme.

Inspirado pelo novo desenho e pela passagem da F1 por Spa, resolvi olhar os autódromos que estão por aí, levando em conta a máxima de que “pista boa, corrida boa”.

Ao longo dos anos, especialmente nos últimos 20 anos, algumas circunstâncias provocaram mudanças significativas no calendário, excluindo corridas clássicas e incluindo novos circuitos em locais nada afeitos ao automobilismo. Entre eles, a segurança, especialmente após a morte de Senna. Mas o dado mais importante, a grana.

Graças a isso e mais alguma coisa, um campeonato que era praticamente todo disputado na Europa, com viagens a América do Norte (Canadá, EUA e México), América do Sul (Brasil e Argentina), Japão, Austrália e África do Sul (apesar do apartheid), hoje passa pelo Oriente Médio (Bahrain e Abu Dhabi) e passeia pela Ásia (China, Malásia, Cingapura e Coréia do Sul, além do Japão), em locais em que é comum ver arquibancadas vazias. Afinal, países que não tem qualquer tradição automobilística. E a Índia ainda vem aí.

Enquanto isso, pistas como Hockenheim foram mutiladas e países tradicionais como França e Portugal não recebem mais a Fórmula 1.

Tentei, então, separar que pistas ainda valem realmente a pena, no calendário deste ano, e cheguei a cinco circuitos que, quase sempre, nos dão boas corridas de presente: Interlagos (Brasil), Montreal (Canadá), Spa (Bélgica) e Suzuka (Japão). Mas aí, como um campeonato não seria bom se disputado em looping em apenas quatro lugares, separei mais cinco que – pela tradição, por boas provas mesmo num circuito bobo ou por uma boa idéia, como sua famosa curva 8 – poderiam fazer parte do calendário: Istambul (Turquia), Melbourne (Austrália), Mônaco (Monte Carlo), Monza (Itália) e Silverstone (Inglaterra).

Como em 2011 o campeonato promete ter 20 provas (a Índia vem aí…), fui procurar mais 11 circuitos que, ao meu gosto, poderiam nos divertir ao longo do ano. Sem saudosismos inúteis, tentei separar entre os autódromos que poderiam ser usados imediatamente, com poucas adaptações, afinal a ordem é gastar pouco.

Meu campeonato, então, ficaria assim: Kyalami (África do Sul), Buenos Aires (Argentina), Interlagos (Brasil), Hermanos Rodrigues (México), Watkins Glen (EUA), Montreal (Canadá), Silverstone (Inglaterra), Estoril (Portugal), Jerez (Espanha), Mônaco (Monte Carlo), Ímola (San Marino), Nurburgring (Europa), Melbourne (Austrália), Suzuka (Japão), Paul Ricard (França), Zandvoort (Holanda), Istambul (Turquia), Spa (Bélgica), Hockenheim, o antigo (Alemanha) e Monza (Itália).

E aí, alguém tem alguma outra idéia?

Jogos 33 e 34: encontro de compadres

Amanhã começa a última rodada da primeira fase da Copa e, até sexta, teremos quatro jogos por dia. A decisão de cada grupo acontece ao mesmo tempo e serão dois jogos às 11h e outros dois às 15h30.

O primeiro a definir sua classificação é, como se espera, o grupo A. É o grupo mais previsível e poderemos ver algo que não acontecia em copas desde a partida entre Alemanha e Áustria em 1982: um jogo de compadres. Uruguai e México têm quatro pontos enquanto França e África do Sul têm apenas um. Ou seja, basta que os latino-americanos empatem para sigam abraçados para as oitavas de final. Não só é possível, como provável.

Mas há um detalhe: o segundo colocado deste grupo enfrentará o primeiro do Grupo B, provavelmente a Argentina de Messi e Maradona. Em caso de empate, seria o México. Resta saber se os descendentes dos astecas aceitarão essa situação, jogando todas as suas cartas contra a fraca defesa albiceleste ou se arriscarão partir pra cima dos nossos vizinhos e dando espaços para eventuais contra-ataques.

Na outra partida, os gauleses em crise tentarão salvar o que resta de sua imagem enquanto os anfitriões jogarão a vida para, ao menos, vencer uma partida em casa. Pois eu, que adoro ser do contra, torço por uma surpresa.

Jogos 18, 19 e 20: será um dia de empates?

É impressionante a minha capacidade de não acertar resultados. É claro que podemos dar um desconto para os jogos entre Eslováquia e Nova Zelândia e Espanha e Suíça. Mesmo assim, minha campanha nos bolões é terrível. Mas não desisto e continuo postando aqui os meus chutes.

Nesta quinta termina a segunda rodada dos grupos A e B. De manhã, França e México. Nos bolões, minha aposta foi 4 a 2 para os gauleses. Mas depois da primeira partida de ambos, desconfio que vou errar de novo. E é por isso que meu palpite aqui será outro.

Na hora do almoço, jogam Grécia (forte candidata a pior time da copa) e Nigéria. O chute original foi 1 a 1, mas desconfio que os africanos atropelarão a trupe da folosofia. No encerramento do dia, Argentina e Coréia do Sul, a única aposta que manterei intacta.

Jogo 2: qu’ils mangent de la brioche et croissants

A mística da celeste olímpica está na copa. Se você realmente acredita nisso, deve ter 85 anos de idade ou mais e ouviu pelo rádio a conquista da primeira copa do mundo e o bi-campeonato olímpico uruguaio entre as décadas de 20 e 30. Porque, verdade seja dita, o último time mais ou menos que o Uruguai conseguiu montar era liderado por Francescoli, ganhou de 6 a 1 da Dinamarca e, no jogo seguinte, perdeu de 5 para a Espanha. Isso aconteceu em 1986.

Os destaques do time são o já quase coroa zagueiro Lugano e Loco Abreu, centroavante no melhor estilo poste que vive fazendo gols de cabeça pelo Botafogo. Apesar de estar em um grupo teoricamente equilibrado, ficará pela primeira fase.

Apesar de bicampeão, a presença uruguaia em copas sempre foi intermitente. Curiosamente, em sua última participação (2002), enfrentou a França na primeira fase e segurou o empate em 0 a 0. Dessa vez, o time da terra do croissant deve levar vantagem apesar de também não ser lá grandes coisas. Só para conhecimento, no último jogo antes do embarque para a África do Sul, os franceses conseguiram a proeza de perder para a China.

O problema é que tem gente entre os convocados tentando provocar uma nova revolução. A torcida pelos lados do Champs-Elysées é que tudo se resolva a tempo ou a Bastilha, dessa vez, cairá para todos. O destaque do time gaulês é o meia Ribéry, que a imprensa européia tenta nos convencer de que é um craque mas que, para mim, não passa de um botinudo. Na verdade, após 30 anos de Platini e Zidane, parece que a França vai sofrer um bom bocado para encontrar um outro craque.

Mas mesmo com um time mais ou menos, problemas de relacionamento e a aposta do PVC na classificação de sulafricanos e mexicanos, acho que a França passa de fase.