Crônica de sexta-feira (21)

Lewis Hamilton foi o líder do primeiro dia de treinos em Melbourne / Foto: Clive Mason/Getty ImagesSabia que o Rodrigo não me deixaria na mão hoje, logo hoje. E o ‘ufa’ dele é sinceramente igual ao meu, ao do Zé, do Ricardo, Luiz Octavio, Davi etc etc etc. e eu poderia ficar fazendo uma lista quase infinita só dos meus conhecidos que esperavam por esse fim de semana pelo mesmo motivo. Gente que passou a última madrugada ou boa parte dela assistindo 22 carros darem voltas no circuito australiano só pra tentar entender o que, como e quanto mudou tudo.

Coisas dessa primeira noite, dois treinos livres, que anotei relevantes ou simplesmente gostei:

– depois de uma pré-temporada pífia, todo mundo dava a Red Bull e Vettel como descartados para o ano. Pois ontem o sujeito ficou só a 0,7s do líder. Estou curiosíssimo para ver a diferença na classificação e se conseguem terminar a corrida. Se conseguirem confirmar a pouca diferença em velocidade e terminarem em boa posição, começarão a temporada europeia em alta e brigarão pelo título. Newey não é Newey à toa e ninguém é tetracampeão por acaso;

– acho que vou na contramão da maioria, mas gostei do ronronar dos novos motores de mãos dadas com o silvo (inspirado, inspirado…) do turbo;

– os pachecos que só estão preocupados em torcer por um brasileiro não gostaram dos resultados da Williams. Culpa da expectativa criada e da falta de explicação da vênus platinada e suas afiliadas. Primeiro é preciso entender que o time não será uma nova Brawn, mas vai sim brigar por boas posições e até vitórias. Ninguém se deu conta que Massa e Bottas fizeram long runs, com quase o mesmo número de voltas e pneus completamente diferentes. É o acerto, tolinho;

– Alonso já está tentando engolir Kimi desde já. Só não sei o finlandês está preocupado ou se vai entrar nessa pilha. Pelos pneus que usou e o número de voltas que deu, desconfio que estava mais preocupado em acertar a F14T para a corrida;

– Lewis largará na pole, Rosberg vencerá a prova;

– foi lindo ver os carros rabeando a torto nas retomadas. Viva o torque!

– Kobayashi merecia mais;

– a pintura da Williams ficou mais bonita na foto do que no vídeo;

– tiraram a Lotus da tomada?

– piada do dia: “Guessing @MassaFelipe19 was shaken, not stirred by that trip on the rocks”, da Lotus no Twitter sobre uma imagem de Massa rebolando numa zebra. Se você não entendeu, é porque não assitiu tantos filmes de James Bond quanto deveria.

E chega. Vamos à leitura que interessa.

A vida volta ao planeta terra

Ufa! Terminou o longo, tenebroso e detestável período anual de ausência de vida, de emoção, de tristeza, de sensação de um vazio chato, incômodo, feio e outros adjetivos piores. Todo ano é a mesma coisa, alguém precisa mudar isso, não pode continuar assim. Nós, humanos, não merecemos isso, ninguém merece sofrer assim, todos os anos, por semanas e semanas.

Nós, aqui nos trópicos, não podemos fazer muita coisa e eu estou contribuindo, faço a minha parte, dedicando uma sexta-feira a este assunto e, se não me engano, não é a primeira vez que escrevo sobre isso. O título “A vida volta ao planeta terra” é simplesmente muito mais que a pura verdade, a mais sincera realidade para mim e para tantos outros cidadãos comuns, em tantos países mundo afora, cada um do seu jeito e do seu modo, mas todos, tenho certeza, aliviados, a partir de hoje, pelo fim do citado período negro e início de mais um tempo florido, belo, emocionante, cheio de vida, motivante, incentivador, exemplar.

A alegria é contagiante, a emoção nos faz arrepiar, todos os sentidos se manifestam ao extremo e às vezes a gente até perde o controle, o corpo e a mente não aguentam, mas isso faz parte do jogo. Se não fosse assim, seria rotina sem graça. A adrenalina faz parte do nosso organismo e de vez em quando penso que o liquidificador que temos dentro da gente deve mesmo dar umas boas sacudidas.

Então, homens, mulheres, crianças, idosos, papais, titios, mamães, vizinhos, sobrinhos, primos e amigos, rejuvenecei-vos, pois 2014, de fato, a partir de agora, nos traz de volta à vida que tanto gostamos, que tanto batalhamos para conquistar, que nos dá tanto prazer, que proporciona aquele brilho nos olhos, os sorrisos de propaganda de dentifrício, os pulos incontidos, as batidas fortes e às vezes exageradas do coração. Agora, sim, voltamos a nos orgulhar por sermos seres humanos, vivendo na graça e plenitude desta benção que Deus nos deu, que é a vida e que, apesar de tanta coisa tentando atrapalhar, a gente, no fundo, sabe que nada, nada pode impedir a nossa incessante busca pela felicidade, pelo amor, pela bondade. Viva! Hip hip urra! Começa mais uma temporada da Fórmula 1!!!!!!!!

Rodrigo Faria

A trilha de hoje não poderia ser outra: George Harrison.

 

Merdelê

Picareta no Campeonato Estadual de 2011 / Foto: Fred HoffmanSe você não conhece a palavra, não se aflija. Merdelê não é nada além de um simples sinônimo de cagalhopança. E não termos melhores para definir o fim de semana esportivo. Pelo menos no que me diz respeito. E não, não estou nem aí para o título mundial de curling feminino conquistado pela Escócia.

Começando pelo mar, o sábado foi uma bosta. Mas que não deveria surpreender pelo menos três quartos da brava tripulação do Picareta. Sempre que os campeonatos da querida classe Velamar22 são disputados no belo e mavioso, porém viciado (falo da raia, claro) Saco de São Francisco, temos a certeza de pelo menos uma confusão certa.

Sempre no mesmo lugar. Não sei porquê, se é karma ou outra coisa, mas é infalível. Uma bendita bóia colocada nas proximidades do Clube Naval Charitas. Ali já atravessamos, já batemos na dita cuja, já colidimos com outro barco… Desta vez, entre orças e arribas e o indefectível “bota no vento Morcegão!”, arrumamos um fuzuê tal que o barco chegou a andar pra trás.

Começamos o dia em terceiro no campeonato e, nesse momento, estávamos em quarto na única regata do dia, justamente atrás do nosso adversário direto pela medalhinha estadual. O resultado do nosso merdelê na hora de montar a última bóia do dia foi que perdemos três ou quatro posições e o campeonato foi para o vinagre.

A última regata da contenda (que bonito) aconteceu no domingo. Dia bom, vento bom, percurso bom. Duas voltas em um X com bóias colocadas em frente a alguns dos clubes da enseada. Divertido, andamos em quinto, depois lideramos, fomos pra quarto, lideramos de novo e terminamos em terceiro. À frente do Marokau e Regatinha, adversários pela terceira posição no campeonato. Se não deu pra beliscar, foi suficiente para nos fazer esquecer do dia anterior.

Nem sei, no final das contas, em que posição terminamos. Mas depois de sete regatas, acredito que em quinto. Focus (ex-Dona Zezé) foi o campeão, Smooth o vice e Marokau o terceiro. Parabéns.

A melhor parte é que deu pinta de que – com Morcegão, Capitão Trocado, Ted Boy e este manza que vos escreve – encontramos uma tripulação que deu liga. E o Brasileiro vem aí. Vai que…

F1

A coletiva sorridente dos vencedores de Sepang / Mark Thompson/Getty ImagesA corrida em si nem foi essa coca-cola toda. Mas a turma caprichou. Um merdelê generalizado que terminou com um pódio absolutamente sem sorrisos. E olha que ninguém morreu. Briga na Red Bull, incômodos na Mercedes, reclamações na Force India, cagada de Alonso… A parte boa, engraçada mesmo, foi ver o Hamilton errar de boxe e entrar na McLaren com sua Mercedes. No mais, nada demais.

Fla

Jorginho em coletiva no Flamengo / Foto: LancenetAcho que o jogo de sábado foi suficiente para Jorginho entender o tamanho da roubada em que entrou. Se é verdade que não houve nenhum evento específico, nada de anormal aconteceu, nenhum merdelê, é fato que o jogo foi uma bosta (apenas para não fugir à escatologia).

Para o carioqueta, nosso tradicional ‘me engana que eu gosto’, nenhum pânico. Vamos nos classificar e até podemos ganhar. Mas teremos um ano sofrido pela frente. A ver.

2ª edição (12h)

Medalhas do campeonato estadual de Velamar22Acabei de ser informado que o Picareta terminou o campeonato em quarto. Ainda não vi o resultado oficial, não sei se foi no desempate ou se foi direto, não sei quem ficou em quinto. Mas fiz conta errada, é o que importa. Um merdelezinho, bem no espírito do post. Não sei por quê, nem lembro de ter acontecido antes, a Feverj resolveu premiar os quatro primeiros. Então e no fim das contas, os quatro supracitados e a corajosa Lúcia (que compôs a tripulação no primeiro fim de semana de disputa), levamos uma medalhinha pra casa. Como não pude ir à premiação, a minha ainda não está comigo. Mas as mocinhas vão ficar felizes quando chegar com ela em casa.

Até que enfim

O Australiano Mark Webber saindo dos boxes / Foto: Red Bull/ Paul Gilham/ Getty ImagesPassei o ano passado inteirinho sem falar de Flamengo e F1. Sobre o primeiro, um desânimo sem fim pelos motivos que qualquer um que goste e acompanhe um pouquinho de futebol já sabem. Já sobre as baratinhas mais caras e rápidas do mundo, não sei dizer o que houve. Justamente num dos melhores anos da história, certamente o mais divertido, disputado e equilibrado entre os que eu vi.

O que importa é que hoje recomeça a bagunça, na Austrália. Na verdade, os motores já foram ligados e os carros já começaram a tirar a poeira da pista, nos primeiros treinos livres. Mas hoje (na verdade, madrugada de amanhã) acontece o primeiro treino de classificação.

A pré-temporada, com três seções em Jerez e Barcelona, foi absolutamente inconclusiva. Algo mais do que normal, levando-se em conta que cada equipe busca respostas específicas nos primeiros ensaios. Nas duas primeiras seções de Melbourne, Vettel e a Red Bull já deixaram todos de boca aberta. Será que essa superioridade vai se confirmar?

Minha expectativa é de que 2013 fosse um ano de disputas ainda mais apertadas. Como não houve grandes mudanças de regulamento, imaginava que as diferenças entre os times diminuiriam. Pelo cheiro, não. Já tem jornalista no padock apostando que o campeonato pode acabar em Monza. Será exagero?

Se o cheiro se confirmar, pelo menos na primeira corrida, se treinos e prova acontecerem nas condições normais de temperatura e pressão, a Red Bull ocuparia a primeira fila e escaparia para a vitória. Mas parece que a classificação será sob chuva e isso poderia, pelo menos, embaralhar o grid e gerar alguma emoção extra.

Na verdade, não estou preocupado não. Melbourne, historicamente, nos dá boas corridas de presente. Sou desses que sofre de abstinência. Então, o que importa de verdade, é que – sob sol, chuva ou granizo – vai começar a festa. 

Entre clichês e paixões

Ontem fez 20 anos que Senna conquistou seu último título mundial, o terceiro. Na segunda, outra data importante para quem gosta de corridas, principalmente no Brasil: trinta anos do primeiro título do Piquet.

Mas a semana que começou no domingo teve duas notícias relevantes, para dizer o mínimo. A primeira, dadas as circunstâncias, menor. A nova vitória de Vettel no GP da Coréia do Sul e a conquista mais que esperada do bicampeonato de construtores pela Red Bull.

A outra nova, tão importante quanto trágica, a morte de Dan Wheldon no oval de Las Vegas, pela Fórmula Indy. Tão estúpida e desnecessária quanto qualquer morte que não seja por causas naturais, quanto qualquer morte por bala perdida ou explosão de botijões de gás.

Mas, assim como aconteceu com Senna e tantos outros pilotos, nos choca. Afinal, além de jovens e de sucesso, morrem ao vivo. Praticamente esfregada na nossa cara num momento em que estamos ali, diante da TV, assistindo a algo que pretendia nos divertir, nos fazer sorrir.

Já não assisto à Indy como antigamente, na época da CART, não sei dizer quanto bom ou ruim era Wheldon. Mas li e ouvi muitas referências à sua qualidade, ninguém é campeão de nada por acaso, ninguém vence duas vezes em Indianápolis – entre outras – à toa. Mas o que mais impressionou foi a reação de muitos e muitos pilotos, entre outras tantas pessoas mais ou menos envolvidas com o momento, desabando em lágrimas por ele. Não são atitudes, apenas, de respeito por um bom colega de profissão. Reações pela perda de um amigo.

Algo me deixou muito impressionado nas imagens que vi de Wheldon: em todas as fotos que encontrei, mesmo nas nitidamente não preparadas, ele estava sorrindo. Não deve ser por acaso e talvez ajude a explicar as reações gerais.

Mas, afinal, por que continuamos assistindo e dando valor a algo que é definido pelo clichê ‘esporte de alto risco’? Porque se é verdade que Senna foi o último a morrer na F1, muitos pilotos continuam morrendo (ou quase) todos os anos andando sobre duas ou quatro rodas por aí.

Um pouco sobre isso, talvez tentando uma explicação, André Forastieri escreveu artigo que vale ser lido inteiro. Segue um trecho:

Quem corre, corre risco de morte. É grande parte da sedução deste “esporte”. É por isso que atrai grande audiência, e corrida de kart ou bicicleta, não. No risco de acidente está a grana, o patrocínio, o faturamento. É para isso que pagam um dinheirão para os pilotos.  É por isso que Wheldon, ex-campeão, receberia dois milhões de dólares pela participação na corrida em que morreu.

Enfim, automobilismo é algo que nos apaixona. Talvez ou apesar, não sei, justamente pelo risco de morte. Como gosto de textos passionais, encontrei mais dois que valem muito a pena. O primeiro, do Victor Martins:

Duro, mesmo, é quando a gente não espera. Duro é quando se bate à porta, assim, como intrusa. Maldita oficiala de justiça, sem justiça, com a intimação do despejo em punho e que só dá o direito de levar a roupa do corpo e nada mais. Em vez de esperar, ela busca. A única certeza é cruel e invencível.

O outro, do Verde:

Vi as primeiras voltas nervoso, ciente de que um acidente violento era inevitável naquele oval de absurda inclinação de 20°. Em poucos minutos, ele aconteceu. Peças voando. Fogo. Tensão. Um piloto não está bem. Vamos aos comerciais. Retornamos. Dan Wheldon está morto. Perplexo, saio da sala. Vou ao quarto. Não costumo chorar por mortes, sou meio frio com essas coisas e, estupidamente, costumo pensar que chorar por um desconhecido é patético. Mas mandei a filosofia barata à merda.

Um cowboy bem diferente

Madrugada de domingo e já tem corrida de novo. E nem falei do que aconteceu na semana passada no, Japão.

Além da óbvia confirmação do bicampeonato de Vettel, a prova em Suzuka não foi lá essas coisas. Na verdade, tão tediosa quanto pode ser um grande prêmio numa pista excelente. Ou seja, melhor do que muitas outras que aconteceram durante o ano.

Button venceu, Alonso foi o segundo e Vettel, o terceiro. Todo mundo já está cansado de saber disso, notícia mais do que velha. Mas a corrida teve um detalhe muito interessante.

O time dos energéticos mostrou seu ponto fraco, o alto desgaste de pneus. E a McLaren realmente evoluiu muito. A começar pela Coréia do Sul (que já teve seus primeiros treinos livres sob chuva forte), serão quatro provas ‘amistosas’. Como as regras não mudarão (pelo menos em tese), poderão nos apresentar um bom cheiro do que vem por aí em 2012.

A Red Bull ainda é o carro a ser batido, mas a turma de Woking está cada vez mais perto. Até a Mercedes andou um pouco pra frente nos últimos tempos, mas a Ferrari segue estagnada.

Neste fim de semana, torço para que a chuva se mantenha, seria uma boa chance de ver Schumacher de volta ao pódio. E daria uma boa graça a uma corrida que vale pouco. A ver.

Já de olho em 2012, o vídeo abaixo é muito legal. Não é exatamente uma novidade, mas mostra um F1 em condições nada usuais. Além disso, o passeio pelo que será a pista de Austin já revela que a promessa de uma pista interessante e bem dinâmica por seu relevo parece que vai mesmo ser cumprida.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Cala a boca, Galvão

Ah, aquele capacete amarelo no carro preto e dourado… Se você gosta de F1 e só consegue assistir às corridas pela emissora oficial, prepare-se para ouvir frases parecidas muitas e muitas vezes até, pelo menos, o fim deste ano. Um oferecimento de Galvão Bueno, claro.

O problema é que Bruno Senna nem é tão bom quanto foi seu tio nem ruim como tentam fazer parecer seus detratores. O lado bom é que o próprio piloto sabe e – dentro do possível – consegue esquivar-se dessas tolas comparações. E se você é daqueles que só sentido em acompanhar as corridas porque há brasileiros por quem se pode vibrar, torça muito por ele, pois é – sem dúvidas – nossa maior chance nos próximos anos.

Bruno fez uma corrida corretíssima ontem. Teve a sorte de não ser acertado pelo quiprocó da largada, foi consistente e marcou seus primeiros pontos na categoria. E por enquanto é só. Porque, vale lembrar, ficou seis meses parado e seu  ano de estréia, a bordo da Hispania, não foi bem ao volante de um F1.

Sobre a Renault, para 2012, paira a sombra de um possível retorno de Kubica. E mesmo que o polonês não volte, Bruno teria que garantir uma boa grana com seus patrocinadores (Gillete, Embratel e OGX – leia-se Eike Batista) para fazer a temporada completa.

No mais, é andar bem para mostrar que é sim excelente piloto. Na comparação Petrov, seu companheiro de equipe, ele tem boa vantagem. Sempre o bateu nas categorias em que se encontraram e, nesse ano e apesar do tempo parado, já está prestes a colocar o russo no bolso. Voltamos, então, à questão financeira.

Monza

Há duas semanas, dei loas a quem teve a brilhante idéia de voltar das fériasem Spa. Poisa despedida da Europa também é uma bela idéia. Monza é pista daquelas de verdade. E se não há curvas desafiadoras, se não tem um traçado seletivo como o autódromo belga, é pura história a toda velocidade.

E se a corrida em si não foi muito movimentada, além da excelente briga de várias voltas entre Schumacher e Hamilton, não ache que foi por acaso que os cinco primeiros lugares tenham sido conquistados pelos cinco campeões mundiaisem atividade. Porquetambém não foi por acaso que isso aconteceu pela primeira vez na história.

Bicampeão

Estamos, então, contando os dias para ver a farra oficialmente decidida, o que deve acontecer no Japão. Pode acabar em Cingapura, próxima prova? Até pode, mas é muito pouco provável. Pista de rua comum, não deve causar maiores problemas a ninguém. Então, mesmo que Vettel vença de novo, não deve abrir os tais 125 pontos de vantagem que precisa. Faltam 12.

A vitória de ontem mostrou, mais uma vez, que o alemão não é mais aquele garoto que se perde por bobagens que chegaram até a colocar em risco o título do ano passado. Perdeu a posição na largada, mas reconquistou a liderança sem sustos logo depois que o safety car saiu da frente. E não deu chances a ninguém, confirmando – também – que a Red Bull é o melhor carro em qualquer condição.

Button

Fodástico. Precisa dizer mais alguma coisa?

O que falta

Cingapura, Japão, Coréia do Sul, Índia, Abu Dhabi e Brasil. Fora Susuka e Interlagos, só corridinhas insossas. Vai ser duro acompanhar o final da temporada…

Abstinência sem crise

É curioso, irônico talvez, que um dos piores circuitos da Fórmula 1 tenha sido a casa daquela que é considerada a maior ultrapassagem da história da categoria: Piquet sobre Senna, por fora. Se nunca viu, vale a pena procurar por aí, não é difícil de achar. Reza a lenda, inclusive, que ao final da manobra, Nélson teria colocado a mão para a fora e acenado com o dedo médio levantado. Vale pelo chiste.

Se você gosta de corrida, já sabe como foi a prova na Hungria, já leu um monte de comentários, já ficou cansado de ler todas as manchetes que exaltam a grande capacidade de Button em guiar em situações adversas e como ele é mágico ao cuidar de seus pneus. É claro que ele não é um piloto comum, ou não seria campeão do mundo mesmo com um carro imbatível nas mãos (ahhhh Rubinho…), mas descontem os exageros.

A corrida foi excelente graças à indefinição climática e condições de pista que variaram muito durante todo o tempo. E foi decidida pelo erro de avaliação cometido pelo conjunto McLaren/Hamilton. Uma bela duma cagada, na verdade, que jogou no colo de seu outro piloto a vitória em dia bem especial para ele: comemorava suas 200 largadas. E, bela coincidência, foi justamente no circuito magiar, em condições parecidas, que ele conquistou o primeiro de seus 11 troféus de vencedor.

Ao final da corrida, apesar de não estar no alto do pódio pela terceira vez consecutiva, Vettel tinha ainda mais vantagem sobre o segundo colocado no campeonato, seu companheiro Mark Webber. E ainda tem gente que não percebe que o campeonato está decidido.

Agora, férias. Serão quatro semanas de abstinência, um período pior que o intervalo entre o final de uma e o início de outra temporada, pois que temos as festas de final de ano e os primeiros testes de pré-temporada para nos entreter. Agora, dificilmente haverá até boatos.

A próxima próxima acontecerá na Bélgica e é claro que todas as equipes aparecerão com muitas novidades. E saberemos quem e como evoluiu mais. Para McLaren e Ferrari, a possibilidade de um último suspiro. Para a Red Bull, a percepção de que ainda são os melhores ou que devem colocar suas barbas de molho. Uma vez que a recuperação rápida e acentuada das rivais neste ano deverá ter resultados concretos no ano que vem.