Basco! (e um tantinho de velocidade)

Roberto rezandoA essa altura do campeonato, seu eu fosse vascaíno, já estaria me preparando para a próxima quarta-feira. Arrumaria um pano rubro-negro emprestado, compraria algumas cervejas e decoraria algumas canções, tipo “conte comigo Mengão” e “raça, amor e paixão”.

Porque até a Wikipedia foi trolada (e a Globo.com embarrigou na home!!!) e já saiu: Campeonato Carioca 2014 – campeão: Flamengo – vice-campeão: Vasco da Gama.

Quem gosta um tantinho de futebol e acompanha, mesmo que de longe, as disputas na mais bela, formosa, segura e barata cidade do Brasil, sabe que o time que entra em campo com cinto de segurança não ganha uma decisão da gente há trocentos anos. O que tem de portuguesinho que nunca viu, não está no gibi.

Em que pese o campeonato horroroso que tivemos, vem aí a final. Mas antes de começar a decidir o carioquinha, teremos um jogo de vida e morte contra o Emelec em Guayaquil. Se vencermos e encaminharmos a classificação para as próximas fases da Libertadores, o time entrará – além de cansado – a meia bomba no metropolitano, pensando em coisas mais importantes. Alguém duvida?

Em compensação, se perdermos e formos eliminados, todas as atenções e forças se voltarão para o Carioca, pra tentar salvar o semestre.

Todo tabu, um dia, se encerra. E a turma da colina não terá chance melhor do que essa. Então, ó pá, ligue para aquele sobrinho gente boa, toque a campanhia do vizinho, peça ajuda ao colega de trabalho. E torça, torça muito. Porque vai precisar. Na pior das hipóteses, você pode até gostar de vestir rubro-negro, garanto que só vai te fazer bem.

Felipe

MassaO acontecido vai gerar muitas fofocas e especulações, mas por hora não vai passar disso.

Também, vamos combinar: a falta de habilidade do estafe da Williams foi maiúscula. Usar a mesma frase que marcou a derrocada do sujeito foi, no mínimo, infeliz.

Além disso, qual a necessidade de fazer algo assim logo na segunda corrida e pela tentativa de lutar pelo quinto lugar? Pois é, ficou feio pro time, no final das contas, e – talvez – para o Bottas, que pode passar como menino mimado.

Massa, que foi contratado com loas de primeiro piloto e comandante da recuperação do time, por sua grande experiência, certamente se afirmou na equipe. Em que pese uns bicos e muchochos aqui e ali, seu time de mecânicos e engenheiros o verá com excelentes olhos. E seu contrato prevê ao menos mais uma temporada. O risco é ter acordado o demônio.

Mal ou bem, Bottas já vinha na equipe, já estava na casa. Então, é normal que pretenda alguns privilégios. Além disso, mimado ou não, o moço é bom de verdade, tem muito potencial. No ano passado, depois de uma troca de farpas com Maldonado (no GP do Japão se não me falha a memória), simplesmente aniquilou o venezuelano que não conseguiu mais andar na frente do companheiro/rival de equipe. Será capaz de fazer o mesmo com o Massa?

O que me surpreendeu no episódio foi o fato da equipe assumir esse papel assim, pois seus discursos (e suas posturas) sempre foram pela esportividade pura. Vamos ver o que acontece daqui pra frente.

Longa duração

Prototipos WECGosto muito disso. Por mim, o campeonato mundial teria uma corrida de 24h (Le Mans), duas de 12 (Sebring e Nurburgring), três de 8 (Spa e mais duas) e seis de seis horas. Mas não é assim, infelizmente. Mesmo assim, é bom. E na última semana, de quinta a sábado, aconteceu o prólogo em Paul Ricard. É algo tão desinteressante que “só” oito mil pessoas passaram por lá pra ver os treinos. Isso, treinos.

As grandes estrelas são os protótipos. E a Audi é a estrela entre as estrelas, pelos resultados dos últimos anos. Mas está lá a Toyota e a Porsche, que volta à disputa depois de alguns bons anos. E aí, saiu do circuito francês com o melhor tempo. E o melhor tempo veio na sessão noturna! Hummm, vai ser bem interessante esse negócio. Dá uma olhadinha nas máquinas.

A primeira corrida será a Seis Horas de Silverstone, no domingo de Páscoa, com largada ao meio-dia (hora local). E pra quem vive de ser pacheco, Lucas Di Grassi será um dos pilotos do Audi nº 1.

Crônica de sexta-feira (21)

Lewis Hamilton foi o líder do primeiro dia de treinos em Melbourne / Foto: Clive Mason/Getty ImagesSabia que o Rodrigo não me deixaria na mão hoje, logo hoje. E o ‘ufa’ dele é sinceramente igual ao meu, ao do Zé, do Ricardo, Luiz Octavio, Davi etc etc etc. e eu poderia ficar fazendo uma lista quase infinita só dos meus conhecidos que esperavam por esse fim de semana pelo mesmo motivo. Gente que passou a última madrugada ou boa parte dela assistindo 22 carros darem voltas no circuito australiano só pra tentar entender o que, como e quanto mudou tudo.

Coisas dessa primeira noite, dois treinos livres, que anotei relevantes ou simplesmente gostei:

– depois de uma pré-temporada pífia, todo mundo dava a Red Bull e Vettel como descartados para o ano. Pois ontem o sujeito ficou só a 0,7s do líder. Estou curiosíssimo para ver a diferença na classificação e se conseguem terminar a corrida. Se conseguirem confirmar a pouca diferença em velocidade e terminarem em boa posição, começarão a temporada europeia em alta e brigarão pelo título. Newey não é Newey à toa e ninguém é tetracampeão por acaso;

– acho que vou na contramão da maioria, mas gostei do ronronar dos novos motores de mãos dadas com o silvo (inspirado, inspirado…) do turbo;

– os pachecos que só estão preocupados em torcer por um brasileiro não gostaram dos resultados da Williams. Culpa da expectativa criada e da falta de explicação da vênus platinada e suas afiliadas. Primeiro é preciso entender que o time não será uma nova Brawn, mas vai sim brigar por boas posições e até vitórias. Ninguém se deu conta que Massa e Bottas fizeram long runs, com quase o mesmo número de voltas e pneus completamente diferentes. É o acerto, tolinho;

– Alonso já está tentando engolir Kimi desde já. Só não sei o finlandês está preocupado ou se vai entrar nessa pilha. Pelos pneus que usou e o número de voltas que deu, desconfio que estava mais preocupado em acertar a F14T para a corrida;

– Lewis largará na pole, Rosberg vencerá a prova;

– foi lindo ver os carros rabeando a torto nas retomadas. Viva o torque!

– Kobayashi merecia mais;

– a pintura da Williams ficou mais bonita na foto do que no vídeo;

– tiraram a Lotus da tomada?

– piada do dia: “Guessing @MassaFelipe19 was shaken, not stirred by that trip on the rocks”, da Lotus no Twitter sobre uma imagem de Massa rebolando numa zebra. Se você não entendeu, é porque não assitiu tantos filmes de James Bond quanto deveria.

E chega. Vamos à leitura que interessa.

A vida volta ao planeta terra

Ufa! Terminou o longo, tenebroso e detestável período anual de ausência de vida, de emoção, de tristeza, de sensação de um vazio chato, incômodo, feio e outros adjetivos piores. Todo ano é a mesma coisa, alguém precisa mudar isso, não pode continuar assim. Nós, humanos, não merecemos isso, ninguém merece sofrer assim, todos os anos, por semanas e semanas.

Nós, aqui nos trópicos, não podemos fazer muita coisa e eu estou contribuindo, faço a minha parte, dedicando uma sexta-feira a este assunto e, se não me engano, não é a primeira vez que escrevo sobre isso. O título “A vida volta ao planeta terra” é simplesmente muito mais que a pura verdade, a mais sincera realidade para mim e para tantos outros cidadãos comuns, em tantos países mundo afora, cada um do seu jeito e do seu modo, mas todos, tenho certeza, aliviados, a partir de hoje, pelo fim do citado período negro e início de mais um tempo florido, belo, emocionante, cheio de vida, motivante, incentivador, exemplar.

A alegria é contagiante, a emoção nos faz arrepiar, todos os sentidos se manifestam ao extremo e às vezes a gente até perde o controle, o corpo e a mente não aguentam, mas isso faz parte do jogo. Se não fosse assim, seria rotina sem graça. A adrenalina faz parte do nosso organismo e de vez em quando penso que o liquidificador que temos dentro da gente deve mesmo dar umas boas sacudidas.

Então, homens, mulheres, crianças, idosos, papais, titios, mamães, vizinhos, sobrinhos, primos e amigos, rejuvenecei-vos, pois 2014, de fato, a partir de agora, nos traz de volta à vida que tanto gostamos, que tanto batalhamos para conquistar, que nos dá tanto prazer, que proporciona aquele brilho nos olhos, os sorrisos de propaganda de dentifrício, os pulos incontidos, as batidas fortes e às vezes exageradas do coração. Agora, sim, voltamos a nos orgulhar por sermos seres humanos, vivendo na graça e plenitude desta benção que Deus nos deu, que é a vida e que, apesar de tanta coisa tentando atrapalhar, a gente, no fundo, sabe que nada, nada pode impedir a nossa incessante busca pela felicidade, pelo amor, pela bondade. Viva! Hip hip urra! Começa mais uma temporada da Fórmula 1!!!!!!!!

Rodrigo Faria

A trilha de hoje não poderia ser outra: George Harrison.

 

Tensão pré-temporada

Grid MelbourneComeça hoje. Daqui a pouco, mais ou menos uma hora. E estou ansioso, muito ansioso.

Há muitos e muitos anos não acontecia tanta coisa, não tinha tanta novidade entre uma temporada e outra que justificasse tamanha expectativa?

Não adianta eu tentar explicar aqui tudo o que mudou no regulamento, nos motores (que agora são híbridos de verdade e se chamam unidade de força) e qualquer coisa mais técnica. Existem trocentos sites e outras publicações especializadas, que já se deram ao trabalho, ao redor do mundo.

A grande questão que começará a ser respondida hoje é se o que aconteceu nos 12 dias de pré-temporada foi real. Será que os favoritos são realmente favoritos? Será que alguém escondeu o jogo? E será que, sendo tudo real, será só para a primeira corrida?

Algumas respostas só teremos no domingo, outras só nas próximas corridas.

Daqui a pouco. Será só primeiro treino livre. Mas a expectativa só cresce…

As mudanças são muitas, muitas mesmo. E o nível de imprevisibilidade é altíssimo. Mas não podemos esquecer que é a F1. Isso significa que, no mais tardar, até o meio da temporada, todos os problemas estarão resolvidos.

Pra esquentar, resolvi recolher algumas frases da última semana, todas proferidas por envolvidos com a categoria.

“Agora, nesse momento, você vê algumas equipes. Por exemplo, a Mercedes, a Williams, a Force India, a McLaren e talvez até a Ferrari. Talvez essas equipes possam ter uma possibilidade igual de vencer” (Felipe Massa, Williams)

“Prevejo uma temporada de tartaruga e lebre. Acho isso por dois motivos: um é a confiabilidade dos carros perto da parte final das primeiras corridas, e o outro por conta do consumo de combustível e do desgaste dos pneus.” (Ron Dennis, McLaren)

“Dois anos atrás, Fernando estava 1s5 mais lento que a pole-position e ficou muito perto de nos derrotar na última corrida. Tudo pode acontecer” (Sebastian Vettel, Red Bull)

“Vir para cá sabendo que é a melhor chance dos últimos anos, eu não sei… Eu nem entrei no carro e fui para a pista ainda” (Lewis Hamilton, Mercedes)

“Honestamente prefiro liderar a corrida por 20 voltas e aí quebrar, do que ser 4s mais lento e terminar a corrida” (Romain Grosjean, Lotus)

“Os diferentes tipos de pneu têm efeito muito maior no estilo de pilotagem do que as novas regras” (Kimi Raikkonen, Ferrari)

“Com base no que vimos na pré-temporada, não seria surpresa se eles [Mercedes] terminassem duas voltas na frente da concorrência em Melbourne” (Christian Horner, Red Bull)

“Este ano ele terá a real oportunidade de mostrar seu talento e fazer o melhor. Massa será um forte adversário este ano” (Fernando Alonso, Ferrari)

“Rezo para que seja uma nova Brawn, para falar a verdade” (Felipe Massa, Williams)

“Então eu diria que nosso maior concorrente é a Williams, ainda que a Force India tenha andado bem também. Das cinco simulações de corrida que fizemos, terminamos duas. É claro que é satisfatório ser rápido, mas isso não significa que estaremos na frente no sábado ou no domingo” (Toto Wolff, Mercedes)

“Precisaríamos de dois ou três meses para encontrar as soluções diante de tantas mudanças. Fazer isso em 12 dias de testes é uma missão impossível” (Roberto Dalla, chefe da Magneti Marelli)

“Somos uma grande equipe e vamos ganhar corridas neste ano” (Ron Dennis, McLaren)

“Todas as equipes estão receosas, não apenas as que usam motor Renault. Todos sabem que podem levar de duas a três horas para resolver um problema” (Nick Chester, Lotus)

“Eles [Ferrari] claramente esconderam o jogo. Se você olhar as parciais, há marcas muito boas e algumas ridiculamente ruins no mesmíssimo setor. Eles camuflaram o ritmo e ninguém sabe ao certo do que são capazes” (Mika Salo, ex-piloto e comentarista da TV finlandesa)

E aí, será que alguém arrisca um palpite para a primeira corrida? E pra temporada inteira?

De palhaços a martinis

Sabem como é, o carnaval acabou mas não acabou. Então, o ano começou mas não começou. E já que é assim, vamos falar de algumas das coisas desimportantes mais importantes do mundo. Pelo menos pra mim, claro. Escola de samba e Fórmula 1. Não, e não vou falar da campeã carioca que homenageou Senna.

2014, nos dois mundos, se desenha diferente. Ora vejam que a União da Ilha foi a quarta colocada.

Quando foi campeã pela última vez, em 1982, a Império Serrano já avisava:

Super Escolas de Samba S/A
Super-alegorias
Escondendo gente bamba
Que covardia!

Os bons entendedores sabem que esse S/A aplicado ao samba é muito mais amplo que no mundo dos negócios. Taí a Vila que não nos deixa mentir. E não é por acaso que as surpresas sempre foram raríssimas. A mesma Vila Isabel, com a Kizomba de 1988, e a Tijuca, em 2010, foram as últimas escolas tradicionais a levar o caneco. E a Viradouro, com uma época fora da curva comandada por Joãozinho Trinta, venceu em 1997.

União da Ilha / Foto: Marcio Cavalcanti - facebook.com/marcio.fotogQuando assisti o desfile da Ilha, fiquei realmente emocionado. Nas devidas proporções, foi um espécie de Kizomba. Um desfile alegre, um enredo muito bem contado, um samba muito bom, e sem os luxos e ostentações das grandes escolas. Pelo contrário, muita originalidade e bom gosto. Conseguir se classificar entre as melhores não deixa de ser, mesmo que involuntariamente, uma espécie de recado do velho carnaval. Sim, é possível.

E o que isso tem a ver com a F1?

É que com o passar dos anos, os garagistas foram sumindo e as equipes se transformando em grandes corporações. Nada diferente do resto do mundo capitalista, não é mesmo? Mas temos ali um sobrevivente daqueles: Sir Frank Williams.

Aos trancos e barrancos, conseguiu garantir a sobrevivência de seu time e teve, em 2013, um dos piores resultados de sua história. Mas veio o ano novo, o regulamento novo, o acerto com a Mercedes e…

Não é que dentre os carros mais feios do mundo, o FW36 é bem nascido pra caramba? De quebra, fecharam um contrato com a Martini e o carro terá uma das pinturas mais bonitas do grid e, comemorando os 150 anos da marca italiana, traz de volta um ícone do automobilismo.

É fato que a equipe não tem a grana de uma Ferrari, Mercedes, McLaren e Red Bull para desenvolver o carro na quantidade e velocidade necessárias ao longo de todo o ano. Mas certamente vai fazer um estrago, especialmente no início, primeira metade da temporada. Será que conseguirá terminar entre as três ou quatro primeiras? Sinceramente, torço muito pra isso. E não, não tem relação direta com a presença de Massa no time. Mas também acredito que ele terá uma grande parcela do sucesso do time, se esse sucesso realmente acontecer. A ver, a ver. E boa sorte.Williams FW36 / Divulgação

Que time é teu?

Durante esses mais de 20 dias em que estive sem paciência para atualizar o cafofo, dei-me o trabalho de tentar entender algumas coisas sobre as quais se fez muito barulho e em que o x da questão seria justamente aquela postura de time pequeno que tanto nos irrita (pelo menos aqueles que gostam de futebol).

“O empate é um ótimo resultado”, “a classificação é como um título para nós”, “quem disse que entrar em campo com três zagueiros e cinco volantes é sinônimo de retranca?” Time pequeno é aquele que não tem coragem para enfrentar a vida, não anda pelo mundo de cabeça erguida e peito estufado (silicones fora, por favor), não assume sua verdade nem para si.

E pra fazer o contraponto, juro que tentei mas não consegui fugir do óbvio. Vejam o que o Arthur Muhlenberg escreveu na semana passada:

Ser Flamengo envolve uma irresistível atração pelo risco, um eterno desafio ao infortúnio e um completo desprezo à segurança e à estabilidade cultuados pelos medíocres. Ser Flamengo é tudo ou nada.

Biografias

InternacionalO que falar do papelão de Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil? Gigantes que disputariam os grandes títulos só fizeram arranhar as próprias biografias, além de revelarem um absurdo sentimento de time pequeno. E aí é pior ainda. Gente grande que pensa pequeno é muito pior do que o pequeno que nunca teve a chance de ser grande e não tem a noção de como se comportar.

E cito os três, óbvio, por serem os nomes mais ilustres e – não por acaso – justamente quem deu a cara a bater em nome do tal grupo Procure Saber. E não falo de Roberto porque esse passou a vida inteira tentando esconder a vida e pelo menos foi coerente. Mas os três?

Não foram eles que construíram suas carreiras e viraram referência justamente porque passaram o período da ditadura brigado pela liberdade? E o argumento mais clichê dessa discussão: não foi Caetano que escreveu, gritou, cantou “é proibido proibir”?

Lembro do Inter de Porto Alegre. Tricampeão brasileiro nos anos 70, berço de Falcão. Mas que desde 79 não fez mais nada. Todo ano é um dos favoritos, mas nunca chega a lugar nenhum, no máximo o brilho regional. Uma espécie de ex-grande., quase médio. E é impossível não lembrar que os três grandes artistas não produziram nada muito fabuloso depois da redemocratização do país.

Aí, alguém vai lembrar que o Inter ganhou a Libertadores e o Mundial. Então né, o Gil ganhou o Grammy por Quanta. Santa semelhança, Batman…

Eike

Internacional de LimeiraA essa altura do campeonato, precisa falar mais alguma coisa? Alguém duvida de que  foi um brilhareco digno de um Madureira em final de carioca ou, pior, Inter de Limeira campeão paulista? A única diferença é que nenhum dos dois ficou devendo os tubos e mais um pouco para o BNDES.

Eduardo Campos

Paraná ClubeO cara está lá, todo pimpão. Não sabe se é, não sabe se não é, cheio de “ai meu Lula”. Aí, num movimento mais do que inesperado, surge o acordo com Marina e sua estranha Rede. Pois bem, oficialmente foi a moça que se juntou a Eduardo Campos, mas é ela quem tem mais eleitores. E aí, numa espécie de “quem manda aqui sou eu” da primeira hora, criou um baita dum problema com os ruralistas.

A gasolina de nosso triste PIB é a produção rural, mas Marina acredita que eles são o problema do Brasil. Vá entender… Agora, a turma que produz comida e dinheiro, e que tendia a apoiar Campos, vai se reunir até com o Lula e, quem sabe, bater palmas para Dilma.

A confusão nessa chapa me lembrou o Paraná Clube, fruto da fusão de Colorado (mais torcida) e Pinheiros (mais gestão). Quando nasceu, pensou e até pareceu que seria grande. Mas hoje todo mundo sabe que é só um time pequeno que virou iô-iô entre as divisões do campeonato brasileiro.

Diego Costa

Vasco da GamaA reação e discurso de Felipão foi vergonhosa, enquanto Parreira, Marim e os advogados da CBF foram apenas risíveis mesmo. Qualquer um que entenda um tantinho de futebol sabe que o técnico da seleção canarinho queria mesmo era atrapalhar a Espanha.

Não cabe nem discutir se o cara é essa coca-cola toda mesmo. Mas ele foi convocado para dois amistosos mequetrefes no início do ano e não agradou. Tanto que sequer foi lembrado pela comissão técnica ou jornalistas na época da Copa das Confederações. Aí o sujeito resolve jogar por outro time e o caso vira a pantomima que vimos.

Concordo que a (falta de) regra da FIFA é bisonha, mas o sujeito tem o direito de escolher. E isso não é nada demais. Mas será que a turma acredita que, com Diego Costa, o time que foi bicampeão europeu e campeão mundial sem ele será, agora, imbatível? Medinho de perder? Quem vergonha.

E se você duvida de que isso é atitude de time pequeno, basta lembrar do que o Vasco fazia com os clubes contra quem iria jogar e tinha atletas da colina no elenco (o Olaria que o diga). Sim, eu sei que o clube de São Januário é um gigante do Rio. Mas é inegável que Eurico Miranda fez muita força pra mudar isso. E Roberto vai pelo mesmo caminho…

Rei do camarote

São PauloÉ possível imaginar um sujeito como esse fora de São Paulo? Sim, coloque essa pergunta na conta de todos os preconceitos possíveis. Mas onde mais uma garrafa de champagne, uma Ferrari e duas ou três subcelebridades agregam tanto valor à imagem de alguém? E o statis? E a mulher que o cara comeu no banheiro? E, no futebol, quem mais faz questão de se dizer rico, competente, bem gerido, limpinho, cheiroso e macho?

Ok, eu sei que o São Paulo não é time pequeno. Mas esse jeito de ser é de uma pequenez enorme (com trocadilho, claro).

Massa (e Nars) na Williams

BotafogoSua história está cheia de grandes vitórias, títulos e heróis. Até semi-deuses já fizeram parte do time. Mas já faz 16 anos que não ganham nada, nem campeonato de construtores nem de pilotos. Daí pra chegar a 21, não custa nada. E agora vocês já sabem de quem estou falando.

Massa saiu da Ferrari e gritou aos quatro ventos que só ficaria na F1 se fosse em uma equipe capaz de lhe dar um carro competitivo. E aí fecha com a Williams? Ok, o time tem história, como sabemos. E, apesar da grana cursta, também está com as contas em dia. E o regulamento quase vira de cabeça pra baixo a partir do ano que vem, do motor à asa dianteira, tudo muda. Mas daí é ser muito otimista achar que isso basta para inverter a relação de forças da categoria.

Porque é básico: quem tem dinheiro paga os melhores (e mais caros) profissionais. Eles podem errar? Claro que sim. Mas daí uma equipe sem grana para desenvolvimento se transformar na rainha das pistas? Não, meus amigos, aí já é esperar milagre mesmo.

E Nars, o que tem com isso? Pela foto de Massa no site da equipe, Banco do Brasil ao fundo, é o garoto (seus patrocinadores, na verdade) que paga a conta. Ele será o reserva da equipe, o que é quase nada hoje em dia. Mas quando surgiu a notícia do acerto com Massa, falaram em cinco anos. Anunciaram três. Será que, como divagou Flavio Gomes, que não seria um contrato de 3 + 2 anos, uma venda casada dos dois felipes?

Voltando ao futebol, já faz 18 anos que o Botafogo ganhou seu único brasileirão. E nos últimos anos (e é claro que não levo os estaduais em conta), uma vocação para cavalo paraguaio floresceu. Será que isso pode acontecer com o time de Grove. Por conta das mudanças, um coelho da  cartola e a Williams pula na frente. Mas sem a grana pra continuar desenvolvendo, fica pra traz na reta final da temporada. Quem sabe? Afinal há coisas que só acontecem…

Enfim

FlamengoComo todo mundo está cansado de saber e mais uma vez foi comprovado, time grande não cai.

Bocas

Tagliatelle Foto: Ange KritsasHá quanto tempo não falo de F1 por aqui? Nem lembro mais. Ainda gosto da bagaça, muito. Ainda acordo domingo de manhã só pra ver corrida. Mas as corridas e o campeonato têm sido tão previsíveis que nem dá vontade de gastar tempo pra escrever a respeito.

Mas eis que Massa foi saído da Ferrari, Raikkonen largou a Lotus e voltou para Maranello, Felipe Nasr nem vai tão bem assim na GP2 e, depois de 40 anos, corre-se o risco de ficar sem pilotos brasileiros na categoria.

Sim, o risco existe mesmo, e já foi tema de conversas preocupadas entre Galvão Bueno e Bernie Ecclestone. E isso não tem nada de novidade. Porque o Brasil é sim um mercado importante. E porque, com o jeito ufanista que a Globo nos acostumou a seguir qualquer esporte, se nenhum piloto tupiniquim estiver na categoria o negócio (estimado hoje em R$ 40 milhões em cotas anuais) vai para o brejo.

No entanto, reza a lenda, o futuro não dá pinta de ser tão negro quanto parecia.

Bocas nem tão pequenas dizem que a Renault vai retomar a Lotus. Bocas enormes, além do número de carros vendidos nos últimos anos, garantem que o Brasil é um mercado fundamental para a montadora francesa. Bocas muito pequenas dizem que uma certa grande e inspiradora empresa brasileira vai entrar no negócio (já andam até testando produtos em conjunto em um grande laboratório de motores no sul do país).

Boatos indicam que haverá um grande jantar de comemoração. Além de representantes das empresas francesa e brasileira, haverá dois convidados especiais: Galvão Bueno e Bernie Ecclestone. Não consegui descobrir a data e o endereço do banquete, mas parece que o prato principal será massa.

Justa homenagem

Então teve corrida no final de semana. Cingapura… Ô corridinha chata da porra. Como não pode deixar de ser em uma pista ruim. Circuito de rua, travado, estreito. Se não fosse a tal asa móvel, ninguém passaria ninguém. Mas mesmo as ultrapassagens que aconteceram não deram graça à disputa.

Como esperado, Vettel será campeão no Japão. Venceu de novo, sem muito esforço, e agora só falta um ponto para o resultado ser oficial. Button em segundo, em um pista que exige demais dos pneus, não é surpresa. O sujeito anda pilotando o fino e chega a dar tristeza não vê-lo disputando o título de verdade.

E no mais, nenhum grande comentário a se fazer a respeito. Até porque, a essa altura, se você gosta de corridas já leu todas as notícias e colunas e blogs a respeito, sobre tudo o que aconteceu – desde o piti de Massa até o erro grosseiro de Schumacher.

Pra quem vê corridas só para torcer para brasileiros, é muito bom ver que Senna já colocou Petrov no bolso. Mas o dinheiro do russo não é pouco e se Kubica voltar… E Barrichelo está realmente dando adeus à categoria, pois parece ser – hoje – a última opção da própria Williams. E não faria sentido aceitar correr em qualquer time nanico só para completar 20 anos de F1. Porque é daí pra baixo.

Suzuka é uma das poucas pistas clássicas que ainda aparecem no calendário. Então, mais uma decisão de título por lá soa até como justa homenagem ao automobilismo. E falta menos de duas semanas.