Reis, realistas e vira-latas

Foto: DivulgaçãoAcabei de assistir o trailer de A Estrada 47 (A Montanha). Até hoje, nem sabia de sua existência.

O filme de Vicente Ferraz, que é ficção, trata de um tema inédito no nosso cinema: a participação brasileira na grande guerra. Vale dizer que entre lendas e relatos oficiais, muito pouco se sabe sobre a atuação dos nossos pracinhas.

No filme, um grupo de caçadores de minas da FEB sofre um ataque de pânico e se perde da tropa, aos pés do Monte Castelo. Enquanto tentam se encontrar, esbarram em dois desertores, um soldado italiano e um oficial alemão. Ao fim, o grupo desarma o campo minado mais temido da Itália e os soldados entram para a história como heróis.

Com exceção de Daniel de Oliveira, o elenco é formado por atores pouco conhecidos do ‘grande público’ (termo horrível esse, né). Mas o cheiro parece realmente bom, muito bom.

Mas há (ou pode haver) um porém, que gerou alguma discussão e até indignação entre a turma do trabalho. O trailer terminha com imagens de época e o texto é “Durante 11 meses, soldados de todo o Brasil viveram a experiência da guerra. E eles fizeram do jeito brasileiro.” A trilha, um choro. E na tela, soldados tocando e dançando reforçariam o velho estereótipo de que nada por aqui é sério e tudo acaba em samba.

Tentei argumentar que essas reuniões entre soldados nos quartéis e acampamentos é (e era) coisa normal, que até o governo dos EUA programava uma vasta agenda de shows e visitas de grandes personalidades às bases americanas para ajudar a manter os homens motivados. Lembrei, inclusive, de Glenn Miller, que morreu sobre o Canal da Mancha quando voava de Londres a Paris para festejar, à frente de sua orquestra, a retomada da capital francesa em um grande show para as tropas.

Às vezes vejo algumas reações sobre esse maldito estereótipo brasileiro. E desconfio que a turma é muito mais realista que o rei. Afinal, esquecem que a imagem é baseada na realidade. Minha impressão é de que há, mais do que uma luta, um desespero a respeito do famoso complexo de vira-lata, uma necessidade de ser altivo acima da altivez, de – como disse um dia o Chico Buarque e vive lembrando o Reinaldo Azevedo – falar grosso com Washington e fino com a Bolívia.

Logorama

Não sei vocês, mas eu não conhecia. E achei sensacional. Um curta-metragem criado pelo coletivo de animação francês H5 (François Alaux, Hervé de Crécy e Ludovic Houplain). Ele foi apresentado pela primeira vez no Festival de Cannes de 2009. Também abriu o Sundance Film Festival de 2010 e ganhou o Oscar de curta de animação do mesmo ano.

Desconfio que o McDonald’s não ficou nada satisfeito com a produção.

Rush

Nos acostumamos a uma Fórmula 1 asséptica nos últimos anos e chegamos ao ponto de que até uma ultrapassagem pode ser considerada algo politicamente incorreta. Além disso, já faz quase 20 anos que Senna e Ratzenberger morreram em Ímola. Felizmente, as últimas da categoria.

Abaixo, o primeiro trailer – lançado hoje – de um filme que espero desde que foi anunciado: Rush. A história de uma temporada (1976) e da rivalidade entre James Hunt e Nick Lauda. De uma Fórmula 1 que na época e ainda por algum tempo matava ao menos um por ano. Lauda quase foi. De uma categoria em que corrida de carros era disputada e passional.

Eu fiz três anos em novembro daquele ano. Mas histórias clássicas são clássicas porque são boas. E é claro que li e ouvi muito a respeito. E a história vale mesmo a pena.

Não sei se os caras são bons atores, mas a semelhança física entre eles e os pilotos é absurda. Não sei se cuidaram bem das questões técnicas da categoria, não me importa e desconfio que o objetivo do filme também não é esse. Mas por pelas muitas imagens que pingaram nos últimos meses, fiquei pasmo com a qualidade dos carros, das pistas e tudo o mais.

Então, deliciem-se.

Daqui pra frente

Men in Black II (2002) / Foto: Christopher Moloney“Quatro meninas sonhadoras, que acabaram de sair do ensino médio, resolvem fazer um simples blog sobre o que mais gostam.” É assim que Anny Carolyne, Carolina Lopes, Paloma Karoline e Tainara Lunardello, as quatro adolescentes autoras do blog Daqui pra frente se apresentam.

Moda, promoções na internet, livros, fotografia, filmes, séries, viagens, música e meio ambiente. E só isso o que se encontra por lá… Não li muita coisa, mas vi coisas bem interessantes por lá. Entre elas, o link do tumblr Philmfotos.

Ná página, o fotógrafo Christopher Moloney apresenta o projeto FILMography. Basicamente, encontrar locações de filmes em Manhattan e fotografa-las, encaixando frames de grandes produções como Assalto sobre trilhos (Money Train, 1995), Enigma Mortal (Doppelganger, 1993), Perdidos na noite (Midnight Cowboy, 1969) e O bebê de Rosemary (Rosemary’s Baby, 1968).

A foto que abre o post é do filme Homens de Preto 2 (Men In Black – MIB II, 2002). Como podem ver, vale muito a visita.

De trás pra frente

O filme foi feito para o The 48 Hour Film Project, uma espécie de festival itinerante em que só são aceitos curta metragens completamente produzidos em apenas dois dias. E não foi por acaso que ganhou todos os prêmios importantes.

O festival estará em São Paulo neste final de semana e as inscrições ainda estão abertas.

Malandro é malandro

Bezerra da Silva completaria 84 anos hoje se estivesse vivo e é um daqueles personagens que merecem citação. Aí, procurando por aí um jeito de lembrar do sujeito de maneira menos óbvia do que colocar um de seus muitos sambas pra tocar, encontrei o vídeo abaixo, trecho do documentário Coruja.

O filme de Márcia Derraik e Simplício Neto mostra como Bezerra se relacionava com os compositores que descobria “onde a coruja dorme”. O filme tem duração de 15min e para assisti-lo na íntegra é só clicar aqui.

Pra completar, não podia faltar uma pequena coleção de um dos maiores frasistas de que se tem notícia.

De vez em quando precisamos sacudir a árvore das amizades para caírem as podres.

Certos amigos dispensam-nos de ter inimigos.

Não somos nós que perdemos tempo. É o tempo que nos perde.

As amantes pensam que nunca serão abandonadas. E, no entanto, foram feitas para isso.

Envelhecer é cansar-se de si mesmo.

A gente sabe que o amor existe graças aos crimes passionais que a imprensa regista diariamente.

A verdade é que todo mundo vai te machucar… você só tem que decidir em quem vale a pena dar um soco!

Enquanto existir otário, malandro acorda meio-dia.

A natureza tem uma estrutura feminina: não sabe se defender mas sabe se vingar como ninguém

Não adianta chorar sobre o leite derramado, melhor chamar o gato.

Um caso de amor pelo soccer

Passeando por aí, encontrei a dica o vídeo abaixo no Brainstorm 9, que sei lá por quê ainda não estava entre os links disponíveis no blog.

O vídeo é uma espécie de minidocumentário, produzido pela Nike, em que Spike Lee fala de sua paixão pelo nosso bom e velho esporte bretão.

Além de muito bem feito, o vídeo pode suscitar uma discussão sobre o que é o branded content (clique aqui e aqui para ler sobre o assunto). Apesar de, ao pé da letra, poder ser enquadrado nessa categoria – pelo conteúdo embutido na peça e a relação entre marca e entretenimento, pontos básicos da comunicação por conteúdo -, gosto de ações mais interativas, como a experiência da Volkswagen na Espanha, ou sutis, como o vídeo de Umbabarauma, também produzido pela Nike.

Mas o fato é que, independente de teorias da comunicação, o vídeo (sem legendas) é muito bom.

Novas ligações
Ontem, depois de falar sobre o novo blog do Giorgio, me dei conta que andei incluindo um monte de novos links nesse meu canto e não falei nada sobre o assunto. Além do Brainstorm 9, novidade de hoje, a lista de novas ligações é a seguinte:

Na boa: Crônicas de um dia qualquer…

Na bola: André Kfouri, André Plihal, André Rizek, Gustavo Poli, Lúcio de Castro, Os 4 Grandes e Paulo Vinícius Coelho.

Na bola – Copa do Mundo: Brasil 2014 – O turismo e a Copa do Mundo e Portal 2014 – A arena dos negócios da Copa;

No dia a dia: Artur Xexéo;

No trabalho: ADivertido, Comunicação de Interesse Público, Comunicadores, Jornal da Comunicação Corporativa, Jornalistas & Cia, Marketing Contextual, Meio & Mensagem, PQN e OJR.

PS: Se o player não funcionar, clique aqui para ver o vídeo.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Cinema é a maior diversão

Nada como um clássico da tela grande para animar o final de semana.

Traços e um bom pretexto (2)

Adoro cartazes. Teatro, cinema, eventos, exposições, feiras, shows, pra mim vale tudo, desde que seja bem feito. Com o advento do computador, acho que a qualidade caiu muito. E aqui não há qualquer sentimento saudosista de como seria bom voltarmos aquele tempo. Apenas entendo que a criação de cartazes (como quase tudo) ficou mais mecânica, menos artesanal e, de certa forma, menos original.

O feriado prolongado, hora boa de ir ao cinema ou para gastar horas em frente ao DVD, é o pretexto para esse post.

Quando se fala em cartazes de cinema no Brasil, Benício é o cara. Criou mais de 300 para filmes nacionais, desde a série completa dos Trapalhões, passando por clássicos como Dona Flor e Seus Dois Maridos, até a pornochanchada.

Abaixo, uma pequena (mesmo) coleção. Meus destaques vão para Cordélia, Cordélia…, O Profeta da Fome e A Dama da Zona. Vale reparar como Benício caprichava nas formas femininas.

Cine 02

Cine 03

Cine 04

Cine 05

Cine 06

Cine 07

Cine 09

Cine 10

Cine 12

Cine 14

Pra colocar na parede

Final de semana chegando, tempinho mais ou menos no Rio, clima propício para cinema ou DVD. E pensando em filmes que eu gostaria de ver, lembrei que as imagens de um filme nunca ficaram restritas às telas. Principalmente até a chegada da internet, com todas as possibilidades de divulgação que são exploradas hoje em dia, as grandes armas que um filme tinha para chamar a atenção do público eram os traillers e os cartazes.

E resolvi juntar aqui a fome com a vontade de comer. Filmes que eu gosto e seus cartazes, alguns deles verdadeiras obras primas.

Cidadão Kane, 1941

Cidadão Kane, 1941 (cartaz italiano)

Os Sete Samurais, 1954

Os Sete Samurais, 1954

Macunaíma, 969

Macunaíma, 969

Sonhos, 1990

Sonhos, 1990

Taxi To The Dark Side, 2008

Taxi To The Dark Side, 2008

E o Vento Levou, 1939

E o Vento Levou, 1939

Mulheres à beira de um ataque de nervos, 1988. Este foi o filme que deu projeção, em escala mundial, a Almodóvar. Apesar de não ter ganho nenhum prêmio, o filme foi indicado ao Oscar e ao Globo de Ouro. A comédia brega, de tons exagerados em todos os aspectos, tem Carmem Maura e Pedro Banderas como o destaque do elenco.

Mulheres à beira de um ataque de nervos, 1988.

Gaijin - Caminhos da Liberdade, 1980. O cinema brasileiro passava por um momento sombrio. Mesmo assim, Tisuka Yamasaki realizou o que é considerado o primeiro épico do cinema nacional. Gaijin significa 'aquele que vem de fora', o estrangeiro, e o filme conta a história do início da imigração japonesa, em 1908. Além de atores japoneses e descendentes, brilharam no elenco Antônio Fagundes, Gianfrancesco Guarnieri e Louise Cardoso. Ganhou o Prêmio FIPRESCI (Menção Especial) no Festival de Cannes, 5 Kikitos de Ouro no Festival de Gramado (Melhor Filme, Ator Coadjuvante - José Dumont, Trilha Sonora, Roteiro e Desenho de Produção) e Melhor Filme nos Festivais de Havana e de Nova Delhi.

Gaijin - Caminhos da Liberdade, 1980.

Amarcord, 1973. Durante muito tempo, Fellini negou que o filme era auto-biográfico, mas acabou assumindo que algumas passagens fazem referências à sua infância. 'Amarcor' é uma espécie de tradução fonética de 'mi ricordo' e, por meio dos olhos do menino Titta, o filme apresenta a vida familiar e social da Itália na década de 30, no auge do fascismo.

Amarcord, 1973.

Ben Hur, 1959. A história foi filmada duas vezes quando o cinema ainda era mudo, em 1907 e 1926. Reconhecido como um dos melhores da história do cinema, o filme tem uma curiosidade: Burt Lancaster, Marlon Brando e Rock Hudson recusaram o papel de Ben-Hur, que acabou ficando com Charlton Heston. Além disso, toda a produção, especialmente a cena da corrida de bigas, é reconhecida como uma das mais complexas até hoje. Ben Hun ganhou 11 oscars, incluindo Melhor Filme, Diretor (William Wyller), Ator (Charlton Heston) e Ator Coadjuvante (Hugh Griffith).

Ben Hur, 1959.