A ciranda da vida…

…Que gira e faz girar a roda da vida que gira.

É, eu poderia pegar trechos das canções do cara, escrever, reescrever, talvez até transmutar em algo razoável, mas que nunca chegaria a ficar bom. Porque se você reparar, ouvir com cuidado, tudo o que precisa ser dito já está.

Feliz 2015!

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Sambalanço

Bebeto Essencial / ReproduçãoNão faz muito tempo, algumas semanas, quando passei em frente ao Clube Municipal, na Tijuca, e vi a faixa anunciando o show do próximo fim de semana: Bebeto. “Caramba, não ouço falar desse sujeito há anos” foi a primeira reação. Quando comentei com a turma mais, digamos, antiga do trabalho, além de alguns olhos quase esbugalhados de surpresa, um comentário ficou guardado: “digno”.

Samba-rock, suíngue, sambalanço. Chamem do que quiser, não faz diferença. O que importa é que Paulo Roberto Tadeu de Sousa era o cara. O sujeito que nasceu em São Paulo e começou a perambular pelos bares da terra da garoa na virada dos anos 60 para os 70 ajudou a explodir e sedimentar um estilo que foi (e ainda é) marcante na música brasileira.

Seu primeiro disco, lançado em 1975, já disse a que veio. Apesar de nascido e radicado em São Paulo, Bebeto é um álbum absolutamente carioca em ritmo e letras. Pontuadas por arranjos de metais potentes, percussão bem marcada e o violão de nylon característico de sambas e serestas, algumas de suas 12 faixas foram sucesso por muito tempo. É o caso de Só quero sambar (com Branca di Neve) e Segura a nêga (com Luis Wagner).

Uma curiosidade do primeiro trabalho é a faixa Esse crioulo por você se fez poeta, de um mineiro até então desconhecido: Wando.

O segundo disco de Bebeto, Esperanças mil, foi lançado em 1977. O estilo, claro, é o mesmo, apesar de muito menos ‘furioso’, e a grande diferença foi o destaque dado aos vocais femininos de resposta. Muita gente diz que o álbum foi a semente do que se popularizou como pagode paulista nos anos 90. Como gosto do sujeito, prefiro colocar essa análise na conta da maldade… Das 12 faixas saiu o sucesso Nega Olívia (Bedeu e Alexandre) e aquela que – apesar de fugir ao estilo, ou talvez por isso – considero a mais bela canção de Bebeto: Na galha da mutamba, parceria com Lobo.

Logo no início de 78, Bebeto se mudou para o Rio e explodiu no circuito de bailes dos subúrbios e zona norte do Rio. Depois de mais dois discos (Cheio de razão, 1978, e Malícia, 1980), 1981 foi um ano chave para ele, com a gravação de dois grandes discos: o primeiro, Bebeto, foi uma coleção de sucessos instantâneos capitaneados pela inesquecível Menina Carolina; o segundo, Batalha Maravilhosa, foi marcante por ter, pela primeira vez, todas as faixas compostas por Bebeto. O destaque, sucesso até hoje, foi Praia e sol, parceria com Adilson Silva.

Depois, apesar de lançar um disco por ano até 1986, caiu na mesmice, se tornou repetitivo. Pra piorar, ainda foi mal comparado com Jorge Ben. De lá pra cá, produção irregular, discos ao vivo e coletâneas de sucessos. E, pelo visto, refazendo o circuito de clubes e bailes dos subúrbios e zona norte do Rio. Na luta. Digno.

Chaaaaaato

Sou só eu ou mais alguém concorda que o Brasil está uma chatice só? Nada de novo e bom tem acontecido de verdade – e é claro que não incluo aqui o fato Pedro Leonardo ter saído do coma.

Aliás, minha impressão é de que – de várias formas – estamos mesmo andando pra trás. Por exemplo, essa vergonha que é a CPI do Cachoeira que – pelo andar da carruagem – vai alcançar o mesmo resultado que todos os outros grandes escândalos de nossa história recente.

Vá lá que uma meia dúzia de dois ou três bois de piranha entrem pelo cano ao final dos trabalhos. Mas será que é mesmo racional acreditar que um bicheiro local é capaz de provocar as confusões que querem colocar na conta do tal Carlinhos? Será que é minimamente sensato acreditar que, entre todos os bilhões em contratos da Delta com governos de todos os tamanhos e partidos, existe corrupção e otras cositas más apenas no Centro-Oeste?

Certamente, não é por acaso que até a pizza voltou à moda, né não?

Então, para marcar esta espécie de volta ao passado, segue abaixo uma piada que pode ser classificada como ‘velha mas boa’. De salão, como as de antigamente. E a trilha sonora, um samba de Noel Rosa e Francisco Alves, composto em 1933. Isso mesmo, atual há 79 anos.

Tal dono, tal cão

O engenheiro ordenou a seu cachorro:

– Escalímetro, mostra tuas habilidades!

O cãozinho pegou um martelo, umas tábuas e num instante construiu um casinha para cachorros. Todos admitiram: uma façanha.

O contador disse que seu cão podia fazer algo melhor.

– Cash Flow, mostra tuas habilidades!

O cachorro foi à cozinha, voltou com 24 bolinhos, dividiu-os em oito pilhas de três bolinhos cada. Todos admitiram: genial.

O químico não se deixou abater.

– Óxido, mostra tuas habilidades!

O animal caminhou até a geladeira, pegou um litro de leite e algumas bananas, colocou tudo no liquidificador e fez uma vitamina. Todos aceitaram que era impressionante.

O informático acreditou que podia ganhar de todos:

– Megabyte, vamos lá!

O cão atravessou o quarto, ligou o computador, verificou se havia vírus, redimensionou o sistema operativo, mandou um e-mail e instalou um jogo excelente. Todos sabiam que este era muito difícil de superar.

Todos olharam para o político e disseram: e seu cachorro, o que pode fazer?

O político o chamou e ordenou:

– Deputado, mostra tuas habilidades!

Deputado deu um salto, comeu os bolinhos, tomou a vitamina, fez xixi na casinha, deletou todos os arquivos do computador, armou a maior zorra com os outros cachorros e expulsou todo mundo, exibindo um título falso de propriedade. Em seguida, alegou imunidade parlamentar e sentou orgulhoso ao lado do dono.

Viva Jorge

Eu tenho sete espadas pra me defender
Eu tenho Ogum, em minha companhia

Ogum é meu Pai
Ogum é meu Guia
Ogum é meu Pai
Ogum é filho da Virgem Maria

Malandro é malandro

Bezerra da Silva completaria 84 anos hoje se estivesse vivo e é um daqueles personagens que merecem citação. Aí, procurando por aí um jeito de lembrar do sujeito de maneira menos óbvia do que colocar um de seus muitos sambas pra tocar, encontrei o vídeo abaixo, trecho do documentário Coruja.

O filme de Márcia Derraik e Simplício Neto mostra como Bezerra se relacionava com os compositores que descobria “onde a coruja dorme”. O filme tem duração de 15min e para assisti-lo na íntegra é só clicar aqui.

Pra completar, não podia faltar uma pequena coleção de um dos maiores frasistas de que se tem notícia.

De vez em quando precisamos sacudir a árvore das amizades para caírem as podres.

Certos amigos dispensam-nos de ter inimigos.

Não somos nós que perdemos tempo. É o tempo que nos perde.

As amantes pensam que nunca serão abandonadas. E, no entanto, foram feitas para isso.

Envelhecer é cansar-se de si mesmo.

A gente sabe que o amor existe graças aos crimes passionais que a imprensa regista diariamente.

A verdade é que todo mundo vai te machucar… você só tem que decidir em quem vale a pena dar um soco!

Enquanto existir otário, malandro acorda meio-dia.

A natureza tem uma estrutura feminina: não sabe se defender mas sabe se vingar como ninguém

Não adianta chorar sobre o leite derramado, melhor chamar o gato.

Teoria da conspiração

E eu tinha acabado de acordar quando toca o telefone e, do outro lado, a voz conhecida de um certo carcamano faz o convite: “vamos conspirar um pouquinho?”

Resumindo a conversa, uma perguntinha: não é curioso que depois de tanta propaganda, tanta pacificação, tanta ocupação, logo depois de mais nove favelas serem tomadas pela polícia, justamente o maior bloco de barracões da Cidade do Samba tenha amanhecido em chamas?

Talvez seja apenas alarmismo, devaneio ou até surrealismo de nossa parte. Mas que é uma baita coincidência, ah é.

P.S.: Espero que a Liesa tenha o mínimo de bom senso e decrete que é impossível, depois desse incêndio que atingiu três escolas, haver rebaixamento no carnaval deste ano.

Seja sambista também

Porque nunca é tarde para lembrar a data, porque nunca é tarde para sambar, porque o samba é como giz e é eterno porque é raiz.