O Aurora da minha vida

Comecei a velejar meio por acaso, depois de passar anos dizendo algo do tipo “velejar? Eu? Nunca! Imagina sair de casa pra ficar fazendo força o dia inteiro, justo no dia de descansar”. É, esse negócio de dizer nunca é mesmo engraçado, porque a gente sempre (sempre!!!) paga pela língua, né não. E já faz mais de uma década que comecei nesse negócio. Na verdade, faltam poucas semanas para completar 11 anos desde que pisei em um veleiro pela primeira vez, tentando ser um tico mais exato.

Nesse tempo todo, perdi a conta de quantas regatas participei. Além do bravo Picareta – o Velamar 22 em que disputei estaduais, brasileiros e circuitos Rio – e do Fandango – Schaefer 31 em que corri duas Santos-Rio –, tive a oportunidade de conhecer outros muitos veleiros, incluindo aí o Brasil 1 em 2007, máximo da tecnologia embarcada e de construção da época. Mas nunca tinha estado em um catamarã. E nem foi falta de curiosidade não, só oportunidade mesmo. Até que apareceu o Aurora.

Um tapa

E foi mais ou menos assim:  voltas e voltas da vida, chegou a hora de encarar que o mundo mudou, que empregos como os que conhecemos praticamente não existem mais e tals. Num encontro feliz com dois amigos de décadas, a decisão: vamos dar um tapa na nossa vida. E nasceu a Tapa Digital.

Na hora de colocar o bloco na rua, naturalmente apontamos, primeiro, para os amigos. Avisar que nascemos, algo como “ó, tamo na pista, #vemdarumtapa!”. E depois de 10 anos velejando e construindo relacionamentos nessa nesga de mundo que é a vela, nem foi estranho que o nosso primeiro cliente fosse um velejador. Na verdade, mais que isso, um veleiro. O Aurora.

A experiência

Um dia, num chope com quem quiser, conto a história em detalhes. Mas, basicamente, a Tapa nasceu de manhã e na mesma tarde o sujeito ligou. “Tô realizando um sonho e acho que vocês vão gostar de sonhar junto comigo”.

Como não há forma melhor de comunicar uma experiência do que vivendo a tal, chegou o dia de conhecer e experimentar um catamarã. E tudo o que enrolei até agora foi pra falar sobre isso: como é sensacional estar em um catamarã. E sei que posso falar por mim – que sou velejador – e ao mesmo tempo pela turma que carreguei, que nunca tinha experimentado nenhum tipo de veleiro.

Primeiro, a sensação de paz absoluta. Mar, silêncio, vento. Desculpem, mas se vocês nunca viveram isso, aviso logo: não tem preço. A turma – crianças de 3, 5 e 7 anos, além da moça de quem sou consorte (com muita sorte, na verdade, apesar do trocadilho infame) – se sentiu à vontade e segura desde o início. E experimentaram tudo, desde deitar na proa sentindo os respingos da água salgada até pegar no leme e tocar o barco. E a mistura de sorriso com o dia vivido e a chateação do “ah, já acabou?” na hora do desembarque fala muito.

Da minha parte, velejador “experiente” de barcos que caturram como cavalos de rodeio… Putz, que sossego. A estabilidade (o bicho não balança, é incrível) e a facilidade pras regulagens são um alento. Foi mesmo um dia pra guardar na memória, uma daquelas coisas que você precisa transformar em hábito. Voltar e voltar e velejar e velejar…

Chapa branca

É, estava na dúvida se eu devia escrever isso. Você pode estar aí pensando “claro que ele só vai falar bem do Aurora, é cliente. Ainda por cima, é o primeiro cliente”. Talvez você tenha razão. Mas me convenci com a seguinte impressão: se fosse só um cliente comum, bastava seguir o manual, desenvolver as peças e campanhas, estratégias e tudo o mais. Seria simples, nem daria tanto trabalho.

Mas quer saber de uma coisa? Foi pessoal. É uma experiência pessoal, intransferível e inesquecível. Pra mim, pras minhas filhas e enteada, pra mulher que amo (que vira e mexe pergunta quando vamos voltar, “ó, o verão tá chegando”).

Talvez você leia isso tudo e nem me conheça. Não importa. Se chegou até aqui, me sinto no direito de dar uma ideia: vá conhecer o Aurora, vá #descobrirAurora. E se está na dúvida, se ainda está na dúvida, corra o risco. Aproveita que tá rolando uma promoção, a #primaveraAurora, vai que você ganha. Fica fácil fácil. Do meu cantinho, arrisco afirmar: você não vai se arrepender.

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Volta ao passado?

Largada Melbourne 2014Claro que não completamente, ou seria jogar fora todos os avanços realizados, conquistados até hoje. Mas as expectativas que as mudanças na F1 geraram, já foram para o saco. E olhem que estou escrevendo isso após o treino de classificação para a terceira corrida do ano. E serão 19.

Todo o regulamento é tão amarrado e tão cheio de detalhes que o espaço para desenvolvimento é limitadíssimo. A Mercedes nasceu de tal forma tão eficiente e com sua unidade de força tão superior às outras que, sem fazer força, colocam um segundo de vantagem no resto da turma.

E ninguém vai conseguir tirar essa diferença. Não tem jeito. E é por isso que falo em volta ao passado. Mas apenas conceitual, no sentido de ser um pouco (na verdade muito) mais aberto.

O negócio tem que ser interessante para as montadoras, pelo desenvolvimento de tecnologias que sejam úteis aos seus carros de rua? A categoria precisa passar uma imagem de que se preocupa com o resto do planeta?

Então o negócio é o seguinte:

– Todos os carros tem de ter motores híbridos, que gerem ao menos 30% de sua energia por meio de fonte alternativa.

– Todos os motores (ou unidades de força) podem gerar, no máximo, 700cv a 16 mil RPM.

– Todos os carros só podem consumir 120kg de gasolina por prova e 60kg por sessão de treinos, livres ou classificatórios.

– Todos os carros terão apenas seis unidades de força para toda a temporada.

– Limite-se as dimensões das asas, o número de jogos de pneus e o uso da eletrônica embarcada, e regula-se as questões de segurança (inclusive a proibição do efeito solo).

Daí pra frente, tudo liberado. Cada equipe desenha seu carro ao seu bel prazer, com difusor soprado ou não, por exemplo. O mesmo para os motores: se terão 6 ou 12 cilindros, em V ou em linha, turbo ou aspirados, não importa. Basta ficar dentro dos limites impostos de cavalaria e giros. Se vai usar diesel, etanol, metanol, elétrica ou água como fonte alternativa, problema de cada um.

Também libera-se a competição de borracha, com cada equipe encontrando seu fornecedor. A medida dos pneus, inclusive, apenas com limites mínimo e máximo. E permita-se a volta da equipe cliente de chassis.

Outra coisa que poderia voltar a acontecer é o aumento do número de equipes, ao máximo de 16, mas só 24 carros largam (no máximo). Aplique-se a regra dos 107% e pronto. Se só 22 conseguirem, largam os 22. Se os 32 marcarem tempos válidos, os 24 primeiros vão para a corrida.

Por fim, a cada três provas, uma sessão de treinos livres para quem quiser, nas segundas-feiras pós-GPs (além das 4 de pré-temporada).

No final do ano, a premiação é dividida entre todas as equipes, de acordo com suas colocações, que conseguirem largar e percorrer ao menos 75% de 5 provas.

E pronto, bota pra andar. Desconfio que ficaria mais divertido.

Basco! (e um tantinho de velocidade)

Roberto rezandoA essa altura do campeonato, seu eu fosse vascaíno, já estaria me preparando para a próxima quarta-feira. Arrumaria um pano rubro-negro emprestado, compraria algumas cervejas e decoraria algumas canções, tipo “conte comigo Mengão” e “raça, amor e paixão”.

Porque até a Wikipedia foi trolada (e a Globo.com embarrigou na home!!!) e já saiu: Campeonato Carioca 2014 – campeão: Flamengo – vice-campeão: Vasco da Gama.

Quem gosta um tantinho de futebol e acompanha, mesmo que de longe, as disputas na mais bela, formosa, segura e barata cidade do Brasil, sabe que o time que entra em campo com cinto de segurança não ganha uma decisão da gente há trocentos anos. O que tem de portuguesinho que nunca viu, não está no gibi.

Em que pese o campeonato horroroso que tivemos, vem aí a final. Mas antes de começar a decidir o carioquinha, teremos um jogo de vida e morte contra o Emelec em Guayaquil. Se vencermos e encaminharmos a classificação para as próximas fases da Libertadores, o time entrará – além de cansado – a meia bomba no metropolitano, pensando em coisas mais importantes. Alguém duvida?

Em compensação, se perdermos e formos eliminados, todas as atenções e forças se voltarão para o Carioca, pra tentar salvar o semestre.

Todo tabu, um dia, se encerra. E a turma da colina não terá chance melhor do que essa. Então, ó pá, ligue para aquele sobrinho gente boa, toque a campanhia do vizinho, peça ajuda ao colega de trabalho. E torça, torça muito. Porque vai precisar. Na pior das hipóteses, você pode até gostar de vestir rubro-negro, garanto que só vai te fazer bem.

Felipe

MassaO acontecido vai gerar muitas fofocas e especulações, mas por hora não vai passar disso.

Também, vamos combinar: a falta de habilidade do estafe da Williams foi maiúscula. Usar a mesma frase que marcou a derrocada do sujeito foi, no mínimo, infeliz.

Além disso, qual a necessidade de fazer algo assim logo na segunda corrida e pela tentativa de lutar pelo quinto lugar? Pois é, ficou feio pro time, no final das contas, e – talvez – para o Bottas, que pode passar como menino mimado.

Massa, que foi contratado com loas de primeiro piloto e comandante da recuperação do time, por sua grande experiência, certamente se afirmou na equipe. Em que pese uns bicos e muchochos aqui e ali, seu time de mecânicos e engenheiros o verá com excelentes olhos. E seu contrato prevê ao menos mais uma temporada. O risco é ter acordado o demônio.

Mal ou bem, Bottas já vinha na equipe, já estava na casa. Então, é normal que pretenda alguns privilégios. Além disso, mimado ou não, o moço é bom de verdade, tem muito potencial. No ano passado, depois de uma troca de farpas com Maldonado (no GP do Japão se não me falha a memória), simplesmente aniquilou o venezuelano que não conseguiu mais andar na frente do companheiro/rival de equipe. Será capaz de fazer o mesmo com o Massa?

O que me surpreendeu no episódio foi o fato da equipe assumir esse papel assim, pois seus discursos (e suas posturas) sempre foram pela esportividade pura. Vamos ver o que acontece daqui pra frente.

Longa duração

Prototipos WECGosto muito disso. Por mim, o campeonato mundial teria uma corrida de 24h (Le Mans), duas de 12 (Sebring e Nurburgring), três de 8 (Spa e mais duas) e seis de seis horas. Mas não é assim, infelizmente. Mesmo assim, é bom. E na última semana, de quinta a sábado, aconteceu o prólogo em Paul Ricard. É algo tão desinteressante que “só” oito mil pessoas passaram por lá pra ver os treinos. Isso, treinos.

As grandes estrelas são os protótipos. E a Audi é a estrela entre as estrelas, pelos resultados dos últimos anos. Mas está lá a Toyota e a Porsche, que volta à disputa depois de alguns bons anos. E aí, saiu do circuito francês com o melhor tempo. E o melhor tempo veio na sessão noturna! Hummm, vai ser bem interessante esse negócio. Dá uma olhadinha nas máquinas.

A primeira corrida será a Seis Horas de Silverstone, no domingo de Páscoa, com largada ao meio-dia (hora local). E pra quem vive de ser pacheco, Lucas Di Grassi será um dos pilotos do Audi nº 1.

Crônica de sexta-feira (21)

Lewis Hamilton foi o líder do primeiro dia de treinos em Melbourne / Foto: Clive Mason/Getty ImagesSabia que o Rodrigo não me deixaria na mão hoje, logo hoje. E o ‘ufa’ dele é sinceramente igual ao meu, ao do Zé, do Ricardo, Luiz Octavio, Davi etc etc etc. e eu poderia ficar fazendo uma lista quase infinita só dos meus conhecidos que esperavam por esse fim de semana pelo mesmo motivo. Gente que passou a última madrugada ou boa parte dela assistindo 22 carros darem voltas no circuito australiano só pra tentar entender o que, como e quanto mudou tudo.

Coisas dessa primeira noite, dois treinos livres, que anotei relevantes ou simplesmente gostei:

– depois de uma pré-temporada pífia, todo mundo dava a Red Bull e Vettel como descartados para o ano. Pois ontem o sujeito ficou só a 0,7s do líder. Estou curiosíssimo para ver a diferença na classificação e se conseguem terminar a corrida. Se conseguirem confirmar a pouca diferença em velocidade e terminarem em boa posição, começarão a temporada europeia em alta e brigarão pelo título. Newey não é Newey à toa e ninguém é tetracampeão por acaso;

– acho que vou na contramão da maioria, mas gostei do ronronar dos novos motores de mãos dadas com o silvo (inspirado, inspirado…) do turbo;

– os pachecos que só estão preocupados em torcer por um brasileiro não gostaram dos resultados da Williams. Culpa da expectativa criada e da falta de explicação da vênus platinada e suas afiliadas. Primeiro é preciso entender que o time não será uma nova Brawn, mas vai sim brigar por boas posições e até vitórias. Ninguém se deu conta que Massa e Bottas fizeram long runs, com quase o mesmo número de voltas e pneus completamente diferentes. É o acerto, tolinho;

– Alonso já está tentando engolir Kimi desde já. Só não sei o finlandês está preocupado ou se vai entrar nessa pilha. Pelos pneus que usou e o número de voltas que deu, desconfio que estava mais preocupado em acertar a F14T para a corrida;

– Lewis largará na pole, Rosberg vencerá a prova;

– foi lindo ver os carros rabeando a torto nas retomadas. Viva o torque!

– Kobayashi merecia mais;

– a pintura da Williams ficou mais bonita na foto do que no vídeo;

– tiraram a Lotus da tomada?

– piada do dia: “Guessing @MassaFelipe19 was shaken, not stirred by that trip on the rocks”, da Lotus no Twitter sobre uma imagem de Massa rebolando numa zebra. Se você não entendeu, é porque não assitiu tantos filmes de James Bond quanto deveria.

E chega. Vamos à leitura que interessa.

A vida volta ao planeta terra

Ufa! Terminou o longo, tenebroso e detestável período anual de ausência de vida, de emoção, de tristeza, de sensação de um vazio chato, incômodo, feio e outros adjetivos piores. Todo ano é a mesma coisa, alguém precisa mudar isso, não pode continuar assim. Nós, humanos, não merecemos isso, ninguém merece sofrer assim, todos os anos, por semanas e semanas.

Nós, aqui nos trópicos, não podemos fazer muita coisa e eu estou contribuindo, faço a minha parte, dedicando uma sexta-feira a este assunto e, se não me engano, não é a primeira vez que escrevo sobre isso. O título “A vida volta ao planeta terra” é simplesmente muito mais que a pura verdade, a mais sincera realidade para mim e para tantos outros cidadãos comuns, em tantos países mundo afora, cada um do seu jeito e do seu modo, mas todos, tenho certeza, aliviados, a partir de hoje, pelo fim do citado período negro e início de mais um tempo florido, belo, emocionante, cheio de vida, motivante, incentivador, exemplar.

A alegria é contagiante, a emoção nos faz arrepiar, todos os sentidos se manifestam ao extremo e às vezes a gente até perde o controle, o corpo e a mente não aguentam, mas isso faz parte do jogo. Se não fosse assim, seria rotina sem graça. A adrenalina faz parte do nosso organismo e de vez em quando penso que o liquidificador que temos dentro da gente deve mesmo dar umas boas sacudidas.

Então, homens, mulheres, crianças, idosos, papais, titios, mamães, vizinhos, sobrinhos, primos e amigos, rejuvenecei-vos, pois 2014, de fato, a partir de agora, nos traz de volta à vida que tanto gostamos, que tanto batalhamos para conquistar, que nos dá tanto prazer, que proporciona aquele brilho nos olhos, os sorrisos de propaganda de dentifrício, os pulos incontidos, as batidas fortes e às vezes exageradas do coração. Agora, sim, voltamos a nos orgulhar por sermos seres humanos, vivendo na graça e plenitude desta benção que Deus nos deu, que é a vida e que, apesar de tanta coisa tentando atrapalhar, a gente, no fundo, sabe que nada, nada pode impedir a nossa incessante busca pela felicidade, pelo amor, pela bondade. Viva! Hip hip urra! Começa mais uma temporada da Fórmula 1!!!!!!!!

Rodrigo Faria

A trilha de hoje não poderia ser outra: George Harrison.

 

Tensão pré-temporada

Grid MelbourneComeça hoje. Daqui a pouco, mais ou menos uma hora. E estou ansioso, muito ansioso.

Há muitos e muitos anos não acontecia tanta coisa, não tinha tanta novidade entre uma temporada e outra que justificasse tamanha expectativa?

Não adianta eu tentar explicar aqui tudo o que mudou no regulamento, nos motores (que agora são híbridos de verdade e se chamam unidade de força) e qualquer coisa mais técnica. Existem trocentos sites e outras publicações especializadas, que já se deram ao trabalho, ao redor do mundo.

A grande questão que começará a ser respondida hoje é se o que aconteceu nos 12 dias de pré-temporada foi real. Será que os favoritos são realmente favoritos? Será que alguém escondeu o jogo? E será que, sendo tudo real, será só para a primeira corrida?

Algumas respostas só teremos no domingo, outras só nas próximas corridas.

Daqui a pouco. Será só primeiro treino livre. Mas a expectativa só cresce…

As mudanças são muitas, muitas mesmo. E o nível de imprevisibilidade é altíssimo. Mas não podemos esquecer que é a F1. Isso significa que, no mais tardar, até o meio da temporada, todos os problemas estarão resolvidos.

Pra esquentar, resolvi recolher algumas frases da última semana, todas proferidas por envolvidos com a categoria.

“Agora, nesse momento, você vê algumas equipes. Por exemplo, a Mercedes, a Williams, a Force India, a McLaren e talvez até a Ferrari. Talvez essas equipes possam ter uma possibilidade igual de vencer” (Felipe Massa, Williams)

“Prevejo uma temporada de tartaruga e lebre. Acho isso por dois motivos: um é a confiabilidade dos carros perto da parte final das primeiras corridas, e o outro por conta do consumo de combustível e do desgaste dos pneus.” (Ron Dennis, McLaren)

“Dois anos atrás, Fernando estava 1s5 mais lento que a pole-position e ficou muito perto de nos derrotar na última corrida. Tudo pode acontecer” (Sebastian Vettel, Red Bull)

“Vir para cá sabendo que é a melhor chance dos últimos anos, eu não sei… Eu nem entrei no carro e fui para a pista ainda” (Lewis Hamilton, Mercedes)

“Honestamente prefiro liderar a corrida por 20 voltas e aí quebrar, do que ser 4s mais lento e terminar a corrida” (Romain Grosjean, Lotus)

“Os diferentes tipos de pneu têm efeito muito maior no estilo de pilotagem do que as novas regras” (Kimi Raikkonen, Ferrari)

“Com base no que vimos na pré-temporada, não seria surpresa se eles [Mercedes] terminassem duas voltas na frente da concorrência em Melbourne” (Christian Horner, Red Bull)

“Este ano ele terá a real oportunidade de mostrar seu talento e fazer o melhor. Massa será um forte adversário este ano” (Fernando Alonso, Ferrari)

“Rezo para que seja uma nova Brawn, para falar a verdade” (Felipe Massa, Williams)

“Então eu diria que nosso maior concorrente é a Williams, ainda que a Force India tenha andado bem também. Das cinco simulações de corrida que fizemos, terminamos duas. É claro que é satisfatório ser rápido, mas isso não significa que estaremos na frente no sábado ou no domingo” (Toto Wolff, Mercedes)

“Precisaríamos de dois ou três meses para encontrar as soluções diante de tantas mudanças. Fazer isso em 12 dias de testes é uma missão impossível” (Roberto Dalla, chefe da Magneti Marelli)

“Somos uma grande equipe e vamos ganhar corridas neste ano” (Ron Dennis, McLaren)

“Todas as equipes estão receosas, não apenas as que usam motor Renault. Todos sabem que podem levar de duas a três horas para resolver um problema” (Nick Chester, Lotus)

“Eles [Ferrari] claramente esconderam o jogo. Se você olhar as parciais, há marcas muito boas e algumas ridiculamente ruins no mesmíssimo setor. Eles camuflaram o ritmo e ninguém sabe ao certo do que são capazes” (Mika Salo, ex-piloto e comentarista da TV finlandesa)

E aí, será que alguém arrisca um palpite para a primeira corrida? E pra temporada inteira?

De palhaços a martinis

Sabem como é, o carnaval acabou mas não acabou. Então, o ano começou mas não começou. E já que é assim, vamos falar de algumas das coisas desimportantes mais importantes do mundo. Pelo menos pra mim, claro. Escola de samba e Fórmula 1. Não, e não vou falar da campeã carioca que homenageou Senna.

2014, nos dois mundos, se desenha diferente. Ora vejam que a União da Ilha foi a quarta colocada.

Quando foi campeã pela última vez, em 1982, a Império Serrano já avisava:

Super Escolas de Samba S/A
Super-alegorias
Escondendo gente bamba
Que covardia!

Os bons entendedores sabem que esse S/A aplicado ao samba é muito mais amplo que no mundo dos negócios. Taí a Vila que não nos deixa mentir. E não é por acaso que as surpresas sempre foram raríssimas. A mesma Vila Isabel, com a Kizomba de 1988, e a Tijuca, em 2010, foram as últimas escolas tradicionais a levar o caneco. E a Viradouro, com uma época fora da curva comandada por Joãozinho Trinta, venceu em 1997.

União da Ilha / Foto: Marcio Cavalcanti - facebook.com/marcio.fotogQuando assisti o desfile da Ilha, fiquei realmente emocionado. Nas devidas proporções, foi um espécie de Kizomba. Um desfile alegre, um enredo muito bem contado, um samba muito bom, e sem os luxos e ostentações das grandes escolas. Pelo contrário, muita originalidade e bom gosto. Conseguir se classificar entre as melhores não deixa de ser, mesmo que involuntariamente, uma espécie de recado do velho carnaval. Sim, é possível.

E o que isso tem a ver com a F1?

É que com o passar dos anos, os garagistas foram sumindo e as equipes se transformando em grandes corporações. Nada diferente do resto do mundo capitalista, não é mesmo? Mas temos ali um sobrevivente daqueles: Sir Frank Williams.

Aos trancos e barrancos, conseguiu garantir a sobrevivência de seu time e teve, em 2013, um dos piores resultados de sua história. Mas veio o ano novo, o regulamento novo, o acerto com a Mercedes e…

Não é que dentre os carros mais feios do mundo, o FW36 é bem nascido pra caramba? De quebra, fecharam um contrato com a Martini e o carro terá uma das pinturas mais bonitas do grid e, comemorando os 150 anos da marca italiana, traz de volta um ícone do automobilismo.

É fato que a equipe não tem a grana de uma Ferrari, Mercedes, McLaren e Red Bull para desenvolver o carro na quantidade e velocidade necessárias ao longo de todo o ano. Mas certamente vai fazer um estrago, especialmente no início, primeira metade da temporada. Será que conseguirá terminar entre as três ou quatro primeiras? Sinceramente, torço muito pra isso. E não, não tem relação direta com a presença de Massa no time. Mas também acredito que ele terá uma grande parcela do sucesso do time, se esse sucesso realmente acontecer. A ver, a ver. E boa sorte.Williams FW36 / Divulgação

Otimizando o fluxo de ar

Termina hoje a primeira semana de testes da F1 em 2014. Nada, nenhuma impressão definitiva é possível e analisar os tempos de volta é inútil. Mesmo assim, algumas coisas são fáceis de notar: a Mercedes confirmou os boatos do ano passado e é a montadora melhor preparada (o que não quer dizer que as outras não tirem o atraso a tempo). Mercedes e Williams são bem nascidos. A Sauber tem cheiro bom. Alonso não reclamou de nada, apesar dos problemas, o que indica que a Ferrari também. A Renault tem problemas e ver a Red Bull ter que lutar para superá-los é interessante, por motivos óbvios.

Mas e a Lotus, que não apareceu? Que as coisas não vão bem por lá, todo mundo que acompanha um pouquinho o noticiário da categoria já está cansado de saber. O problema, como sempre, é a falta de grana. Não por acaso, perdeu Kimi para a Ferrari e mais um monte de gente boa da equipe técnica.

Lotus_assimetricoA outra notícia da Lotus, nessa semana, tem a ver com seu bico diferente de tudo o que apareceu até agora, uma espécie de plug de tomada. Mas aí apareceu essa foto aí, que eu ainda não tinha visto. E o Marcos Chavarria explica o porquê de algumas coisas (em relação ao regulamento) e especula sobre algumas das razões da ausência do time em Jerez (além da óbvia falta de grana). Desconfio que ele acertou em tudo. Mas não aprofundou um tema relevante.

Ele levanta a hipótese de, se a Lotus estiver certa, todas as outras a copiarem ou gritarem contra. Foi assim com o difusor duplo da Brawn, por exemplo. Mas qual a grande diferença ou vantagem que esse bico de tomada pode trazer?

Reparem que as pontas do bico vão bem à frente da asa. Esqueçam os ‘gonzos’ e pensem em Ferrari e Mercedes (os aspiradores de pó). Os bicos seguram a asa com dois pontos de apoio que formam a boca do aspirador. Agora, no caso da Louts, ela faz o mesmo. Mas, lançando as pontas, mesmo que de forma assimétrica, ela cria um túnel de aceleração do ar que passa pelo bico para debaixo do carro. Num mundo que briga por pentelhésimos de segundo, é uma boa sacada. Ao menos na teoria.

Não acho que cause o efeito do difusor duplo, mas vai que…