No fio da navalha

Vejam só o vídeo on board da dupla italiana Moreno/Bonato que largou logo de pois de Kubica no rali Ronde di Andora em que o polonês se acidentou ontem. O percurso é mais que estreito, é a conta do chá (alguém ainda fala assim?). Até que, de repente, aparece o fiscal com uma bandeira amarela, eles diminuem a velocidade, passam pelo Skoda batido e estacionam para prestar socorro.

Levando-se em conta que o cara já sobreviveu e não perdeu a mão, agora a torcida é para que se recupere o melhor e mais rápido possível. Porque fará muita falta na pista e – e pelo que li por aí – fora dela.

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A pancada e o ‘regra três’

Ia esperar o lançamento da Marussia Virgin (eita nome feio) para fazer apenas um post sobre fórmula 1. Mas recebi e-mails e até alguns telefonemas de amigo para falar sobre o acidente do Kubica.

Bom, pra quem não sabe, o piloto polonês estava participando de um rali na Itália e, logo na primeira especial, perdeu o controle do seu Skoda Fabia e bateu muito forte. Arrebentou todo o lado direito, perna e – principalmente – braço e mão. Múltiplas faturas e, depois de uma cirurgia que durou sete horas, pelo menos por enquanto está afastada a possibilidade de amputação. Mesmo assim, na melhor das hipóteses, sua recuperação levará cerca de um ano.

Kubica é, sem dúvida, um dos melhores pilotos do atual grid da F1 e a conquista de um título era dada como certa, desde que lhe dessem um equipamento à altura. Sem espaço, por hora, nas principais equipes, seria o líder da Lotus Renault e, como faz desde o ano passado, o grande responsável pelo desenvolvimento do time na esperança de brigar por vitórias. Seu companheiro, Petrov, não tem talento nem experiência para esse papel.

Mas além da notícia muito triste, a outra razão de ter recebido tantas mensagens é a possibilidade de Bruno Senna assumir seu lugar na equipe. Afinal, o chefe da equipe, Eric Boullier, disse que o brasileiro seria o terceiro piloto e primeiro substituto em caso de necessidade.

Pois Bruno pode até assumir o cockpit do carro preto e dourado, mas não acredito. Porque uma coisa é fazer alguns treinos e, eventualmente, alinhar para uma ou duas corridas. Outra, é ocupar o posto de primeiro piloto e líder do time. E Senna não tem bagagem para isso.

O primeiro nome que me veio à cabeça foi Nick Heidfeld. Experiente, muito bom piloto, rápido e consistente. E desempregado. Também lembrei de Kimi Raikkonen que, desde que deixou a categoria, não faltam boatos sobre sua volta. Um baita do piloto e campeão do mundo. Contra ele, um certo fastio com a F1 e o ano fora das pistas enquanto corria no mundial de rali. A terceira opção seria Nico Hulkenberg, que foi dispensado da Williams apesar da boa temporada e hoje é terceiro piloto da Force India. É jovem e seria uma aposta, mas menos arriscada que qualquer dos 800 pilotos reserva da própria Renault. A última opção seria a transformação dos próximos testes de pré-temporada em uma espécie de vestibular com Bruno Senna, Romain Grosjean (que fez meia temporada substituindo Nelsinho Piquet e é querido pela cúpula da equipe), Jan Charouz, Ho-Pin Tung e Fairuz Fauzy.

Apesar da comoção por Kubica, estamos cansados de saber que o mundo não para. E é certo que haverá muitos boatos a partir de amanhã e que só irão cessar após o pronunciamento oficial do time. Vamos ver.

 

Foto do dia: calhambeque

É possível que o Flavio Gomes colocasse essa foto na série Cars & Girls, quem sabe? Aqui, ela está porque gosto muito de calhambeques (será que alguém aí saberia identificar o carango?). E gosto mais ainda de moças que gostam de calhambeques.

O Senegal é aqui ao lado (2)

Ainda sobre o Dakar, já está terminando o segundo estágio do rali e o dia não foi ruim para os brasileiros. Ainda faltam chegar os caminhões, mas já dá pra mostrar os resultados de motos e carros.

Jean Azevedo e Zé Hélio terminaram o dia em 11º e 12º respectivamente. No geral, Zé perdeu uma posição e agora é o nono. Jean continua em 15º. Vicente de Benedictis foi o 84º e é o 76º no acumulado.

Entre os carros, notícias melhores. Spinelli terminou o dia em 10º mas ganhou uma posição na geral e agora é o oitavo. Sobre ele, vale dizer que é o melhor piloto da Mitsubishi, atrás apenas de três Volkswagen e quatro BMW de fábrica e logo à frente de três Nissan.

Marlon Koerich levou sua Pajero da Equipe Petrobras à 16ª posição, subindo para 17º. À sua frente, agora, estão apenas as equipes de fábrica e outros times que não são oficiais mas contam com o mesmo equipamento, além do Buggy BMW de Matthias Kahle. Ou seja, a partir de agora será muito difícil que ele conquiste novos postos se tudo seguir dentro da normalidade. Mas como não é à toa que o Dakar (mesmo fora da África) é conhecido como o mais difícil rali do mundo, dá pra torcer por uma boa surpresa.

E a partir de agora, só volto a falar do Dakar em casos especiais, porque para acompanhar resultados é melhor visitar o site oficial.

O Senegal é aqui ao lado

E pra quem gosta do barulho de motor, o ano já começou. O Rally Dakar (que mais uma vez está na América do Sul) já está no segundo dia de competição real. No dia primeiro, como hábito, aconteceu a largada promocional em Buenos Aires e ontem foi realizada a primeira etapa, entre Victoria e Córdoba, com 192km cronometrados para motos e quadriciclos e 222km para carros e caminhões.

Apesar de disputado do lado de casa, entre Argentina e Chile, o número de brasileiros neste ano é bem reduzido, muito por causa dos altos custos de uma participação, por mais despretensiosa que seja.

E no primeiro dia, bons resultados dos brazucas. Entre as 167 motos que largaram, Zé Hélio Rodrigues Filho (BMW) foi o oitavo, Jean Azevedo (KTM) terminou na 15ª posição e o estreante Vicente de Benedictis (Honda) foi o 71º.

Entre os 137 carros, Guilherme Spinelli (Mitsubishi Lancer) terminou o primeiro estágio em nono*, excelente posição pois se manteve próximo dos favoritos Volkswagen e BMW. Pela equipe Petrobras, o estreante Marlon Koerich (Mitsubishi Pajero) foi o 20º mais rápido do dia.

Não há brasileiros competindo com quadriciclos e entre os pesos-pesados, apenas o caminhão Tatra nº 508 de André de Azevedo, também da equipe Petrobras. Acompanhado pelo tcheco Jaromir Martinec e o brasileiro Maykel Justo, o time conseguiu o melhor resultado tupiniquim do dia, com a quinta posição. Ao todo, são 63 caminhões na disputa.

Hoje, os pilotos ainda estão na estrada, disputando o segundo estágio entre Córdoba e San Miguel de Tucumán. Os trechos cronometrados são de 300km para motos e quadriciclos e 324km para carros e caminhões.

Não sei vocês, mas gosto muito desse negócio de rally e todos os anos acompanho o Dakar e os Sertões com boa dose de atenção, especialmente o primeiro. E pra quem não está muito acostumado e acha que bom resultado é só a vitória, aviso que a prova é muito muito dura e não é fácil terminá-la. O caminhão brasileiro já há alguns anos briga pelos primeiros lugares e as chances de pódio são muito boas. Entre as motos, acredito que Zé Hélio e Jean terminarão entre os dez primeiros.

Entre os carros é mais difícil e o quadro não deve mudar muito até o final. Tanto Spinelli quanto Marlon são excelentes e podem crescer na classificação, mas não dá pra garantir isso.

Apesar de termos ótimos pilotos por aqui, não há cultura de rally muito difundida e sem patrocínios para disputar o calendário mundial e ser reconhecido pelas grandes equipes de fábrica, não dá pra esperar milagres no Dakar. Então, o negócio é acompanhar a prova pelo prazer e torcer para que a turma cruze a linha de chegada. Vivos e nas melhores posições possíveis.

*revisado graças ao comentário do Armando.

Na terra, no gelo, no asfalto

Entre tantas montadoras que usaram a crise como desculpa para abandonar suas atividades nas pistas, uma boa notícia. A Citroën confirmou que continuará disputando o Mundial de Rally, pelo menos, mais dois anos. E confirmou que Loeb segue como estrela da equipe. A ilustração abaixo é do francês Claude Viseur, o Clovis: Citroën C4 WRC, de Sébastien Loeb e Daniel Elena.

Loeb-LP36

Outra notícia, ligando o rally à Fórmula 1, dá conta de que Kimi Raikkonen participará, como convidado, da etapa finlandesa do mundial. Apesar de negar que sairá da F1 no fim do ano, a brincadeira do rapaz fortalece as especulações sobre Fernando Alonso já estrear na Ferrari em 2010. A ver.

Poeira

Aproveitando o cheiro de gasolina que tomou conta do blog esta semana por conta da viagem para assistir a GT3, resolvi fazer algo que já não acontecia há algum tempo por aqui: galeria de imagens (a última foi a coleção do Calendário Pirelli).

E aproveito para lembrar do Rally dos Sertões, que terminou no dia 28 de junho e foi facilmente dominado pelos VW Touareg (o que já provocou choradeira e um boato de que a prova deixaria de ser internacional ou parte do circuito mundial, algo assim).

A escolha das imagens não teve qualquer critério técnico. Vi as fotos, gostei? Pronto. Como tenho o sonho de fazer ao menos um Sertões, serve pra dar água na boca.

Todas as fotos são do Webventure e, em cada imagem, estão identificados os pilotos, a máquina e o fotógrafo.

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Christian Bach / André Casagrande / Luciano Andreoti
Mercedes-benz – Atego 1725
Tom Papp

Ricardo Souza / Sergio Barcellos / Josué Paniago
Mercedes-benz – 1720A
Tom Papp

Tom Papp

Richard Fliter
Suzuki – Drz
Tom Papp

Tom Papp

Theo Ribeiro

Marek Dabrowsky
KTM – Rally Replica
Caetano Barreira

Marcos Baumgart / Kleber Cincea
Mitsubishi – L200 Evo
Tom Papp

Eduardo Vidigal / André Muniz
Mitsubishi – L200 Evo
Andre Chaco

Giniel D. Villiers / Dirk V. Zitzewitz
Volkswagen – Race Touareg 2
Ricardo Leizer

Yuri Aizemberg
Yamaha – Wr 450
Ricardo Leizer

Jackson Feubak
KTM – Exc
Ricardo Leizer

Andrés Memi / Daniel Trippar
Mitsubishi – L200 Sport
Tom Papp

Kenner Garcia / Ronie V. Silva
Chevrolet – S-10
Caetano Barreira

Fabio W. Campos
KTM – 450exc
Ricardo Leizer

Ruben R. D. Santos
Honda – CRF 450X
Theo Ribeiro

Mauricio Neves / Clécio Maestrelli
Mitsubishi – L200 Evo
Tom Papp

Rodolfo B. Filho / José R. D. Castro
Imp / Chevrolet – S10
Tom Papp

André Azevedo
Mercedes-benz – Atego 1725 4×4
Theo Ribeiro

Cristian Baumgart / Alberto Andreotti
Mitsubishi – L200 Evo
Caetano Barreira

Robert N. Nahas
Honda – TRX450erTheo Ribeiro