A culpa não é da propaganda

Somos todos responsáveis / Reprodução: AbapFaz uma semana hoje. Fiz força pra não meter a mão nessa cumbuca, até em casa há discordância e fugi do assunto pra evitar briga. Mas não resisti.

A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, que tem lá seu status de ministério, publicou no dia 4 de abril a resolução nº 163/14. Seguindo orientação do Conanda, considera abusiva a publicidade voltada a crianças e adolescentes.

O resultado é que já não há mais publicidade infantil por aí. Nem nos canais infantis.

Na minha opinião (claro, de quem mais seria?), há aí uma série de ‘estupidezas’. Algumas mais graves. Então, vamos por partes.

Conanda é o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente e é “a instância máxima de formulação, deliberação e controle das políticas públicas para a infância e a adolescência na esfera federal foi criado pela Lei n. 8.242, de 12 de outubro de 1991 e é o órgão responsável por tornar efetivo os direitos, princípios e diretrizes contidos no Estatuto da Criança e do Adolescente, Lei n. 8.069, de 13 de julho de 1990, conta, em sua composição, com 28 conselheiros, sendo 14 representantes do Governo Federal, indicados pelos ministros e 14 representantes de entidades da sociedade civil organizada de âmbito nacional e de atendimento dos direitos da criança e do adolescente, eleitos a cada dois anos.”

Tentei encontrar informações a respeito e não consegui. Dos 28 conselheiros, metade é eleita. Por quem? E quem pode se candidatar? Porque esse papo de sociedade civil organizada não me pega. Principalmente, conhecendo o histórico de boa parte das ongs que existem por aí, ligadas – de modos muito tortos – aos amigos dos reis (e nem estou entrando no mérito das linhas ideológicas que orientam essas organizações e que sabemos bem qual é).

Outro detalhe é que vivemos em um país comandado por um governo de um partido que, em todos os seus documentos oficiais, apoia o controle de comunicação, de conteúdos (não só de imprensa, esse é o busílis), e que – assumidamente – acredita na tutela do Estado em todos os âmbitos. Democracia pura. E é esse governo quem indica a outra metade dos conselheiros.

Mas o que disse mesmo o Conanda?

A prática do direcionamento de publicidade e comunicação mercadológica à criança com a intenção de persuadi-la para o consumo de qualquer produto ou serviço é abusiva e, portanto, ilegal segundo o Código de Defesa do Consumidor.

É claro que isso está correto não é? Porque todas as nossas crianças, de qualquer idade, são completas imbecis. E não são os pais que devem orientar seus filhos, é o Estado que deve dizer o que é melhor pra eles. Não é maravilhoso?

Você tem os filhos, tira fotos, faz festinhas e tudo de bom. Mas quem decide o que é melhor e como é melhor pra eles não é você. Olha que legal, a parte difícil – educar!!! – o governo faz pra você.

Tem mais, claro. Vamos falar do terror, do belzebu das nossas mentes progressistas (aquelas que querem tudo, menos o progresso): o lucro. É, porque empreender e lucrar ofende muita gente. Mas aí, só por um minuto, pense no empresário que criou um produto ou serviço e que não pode anunciá-lo. Você acha correto? Mas ontem ou anteontem ou qualquer dia desses você não estava aí a trombetear que “quem não se comunica se trumbica” e que “a propaganda é a alma do negócio”? Ah, só vale pra você? Entendi…

Por fim, voltemos à democracia. Porque publicidade é informação. E todos nós, adultos e crianças, temos direito à informação. Assim, curto e grosso. De quebra, pense nos empregos em agências, nos faturamentos das TVs e em como os programas infantis vão continuar existindo sem a presença dos anunciantes para o público que assiste àqueles programas. Aqueles mesmos que, quando você não quer ter trabalho e busca um pouco de sossego, você coloca seu filho pra assistir, o mais puro conceito babá-eletrônica. Você realmente acredita que vão continuar ali?

Sinto muito, meus caros. Mas se nossos filhos – de qualquer idade – são consumistas estúpidos, é porque nós somos pais estúpidos. A culpa não é dos outros. A culpa não é da propaganda.

Do barulho

Caixa de somFalta de assunto é um negócio chato, muito chato. Fico tentando olhar em volta para ter do que falar, mas não encontro nada realmente interessante. Futebol? O ano está só começando, todo mundo a meia bomba, nada empolga. Nem os quatro gols do brocador. Fórmula 1? Quem ainda se interessa pelo tema já sabe o que aconteceu na semana passada e nem há muito mais a acrescentar. As “vaquinhas” do PT? Essa é melhor deixar pra lá pra gente não se aborrecer. E o que mais? O calor no Rio, a convocação dos MAV, a moça do Magazine Luiza, a vontade de viajar, livros e filmes, rolezinhos?

E lembrei da academia.

Antes é preciso dizer alguma coisa que, pelo menos pra quem convive comigo, é um tanto óbvia: sou preguiçoso. Mas isso nunca me impediu de fazer exercícios ou até mesmo de frequentar algumas academias. A preguiça também nunca evitou que eu andasse, corresse, pedalasse, jogasse bola (várias delas) e velejasse. Até personal eu já tive. Malhava numa praça. Mas ontem, enquanto esperava Helena em sua aula de natação, me dei conta de porquê odeio as academias.

Primeiro por causa do ambiente. Assistindo a turma, é muito difícil me convencer que quem está ali é realmente preocupado com a saúde. Entre selfies em frente aos espelhos, supinos, cabelos escovados, esteiras, malhas e esmaltes multicoloridos, aulas de spinning e músculos turbinados, minha nítida impressão que todos estão ali apenas para se exibir. Ou quase isso. E me refiro aos ‘atletas’ de todas as idades.

A outra razão é o barulho. Ou aquilo que eles chamam de música tocando no último volume. E não adianta fone de ouvido não. Aquele bate-estaca invade sua cabeça e até te impede de pensar. É claro que se o objetivo é esse, levar o sujeito a fazer tudo (sua série ou o que mais) mecanicamente, bingo! Pra mim, insuportável.

De quebra, boa parte das academias médias e grandes tem também um sem número de TVs ligadas, cada uma em um canal, e – na maioria das vezes – com o som alto. Pra quê? Por quê?

Ok, pode me chamar de velho. Vai ver, em vez dos 40 que imagino, eu tenho mesmo é 96 anos de idade. Mas pelamordedeus! Será que sou o único que acha isso anormal? Porque é claro que isso não é tudo. Com as caixas de som berrando, é impossível conversar com qualquer pessoa e todos os professores dão suas aulas aos gritos (alguns acreditam que isso estimula). Pergunto: isso faz bem? Alguém realmente acredita que isso faça bem?

Tentem me convencer.

Tim-Tim-Tim-Tim!

timNão, não vou reclamar de forma generalizada. Sempre fui bem tratado e sempre recebi o que contratei. Também não é nada comum ter problemas de sinal.

Mas o dia de se aporrinhar sempre chega, né? Pois vejam que curioso.

Acabei de ligar pra Tim. Teclei 1056 e falei com o Douglas. A ligação foi encerrada às 16h36 (hora que o computador marcava).

Meu telefone, o aparelho, está em fim de carreira. Os botões já não funcionam direito, a bateria já não dura quanto deveria, às vezes desliga sozinho. Aí, entro no site e escolho o aparelho novo, vou comprar. E ligo para a Tim.

Depois de perder um tempo enorme com digite isso e aquilo e todos os nossos atendentes estão ocupados, o Douglas dá boa tarde e começa o atendimento. E me vem com a boa notícia:

– Não temos o aparelho em estoque.

Daí pra frente, segue o diálogo reproduzido (de memória)

– Ahn?

– Sr., não temos o aparelho em estoque.

– Como assim? Então tem que tirar o aparelho do site.

– Mas no site tem, Sr. Se o Sr. comprar pelo site, seu aparelho será entregue.

– Como assim?

– É diferente Sr. Se comprar pelo site, o Sr. paga no cartão de crédito. Conosco, o preço vem na conta. E nós não temos o aparelho em estoque. O Sr. não quer o aparelho XPTO (mais caro do que o que eu pedi).

– Não, eu quero o OTPX. E pra comprar no cartão, eu vou à loja da Samsung que será mais barato e vou ser melhor atendido.

– Ok Sr. O Sr. deseja mais alguma coisa?

– O protocolo.

– 2014011667336

Só eu acho esse diálogo além da imaginação? Como assim é diferente? Pombas, é ou não é a Tim?

Agora, alguém acredita que a Tim vá resolver o problema? DU-VI-DE-Ó-DÓ!

100% incoerente

Anúncio Itaipava Arena Fonte Nova / Criação: Y&RSinceramente, não acredito que a proibição de cerveja nos estádios faça diferença, mesmo, na violência que hoje permeia o futebol. As grandes brigas, inclusive com mortes, têm relação com a rivalidade entre gangues travestidas de torcida. E isso já está mais do que provado.

Mesmo assim, os çábios de Brasília, um dia, resolveram proibir o consumo de qualquer bebida alcoólica nos estádios brasileiros. Em alguns lugares, por normas locais, a proibição também vale nos entornos com variações de raio.

No entanto, descobri hoje – no blog do Juca Kfouri – que a Arena Fonte Nova será (ou já é, não sei) a Itaipava Arena Fonte Nova.

É claro que a venda do direito de nomear os estádios, ou naming rights em português moderno, é uma das formas de arrecadação e recuperação dos investimentos feitos por proprietários ou concessionários. Mas eu não entendi a lógica da Fonte Nova.

Vale lembrar que, mesmo sob concessão, o estádio é de propriedade do estado. Assim, o ente federativo deveria ter o poder (dever, na verdade) de participar dessas negociações e impor alguns limites. Pombas, se o consumo de cerveja no estádio é proibido, não posso permitir que uma bebida dê nome ao estádio e incentive o seu consumo.

Depois, comecei a pensar na cervejaria. Pagam uma pequena fortuna para dar nome ao estádio mas se não rolar uns capilés a mais, rádios e TVs não vão citar a marca ao se referir ao estádio (o que acho um absurdo, se a marca faz parte do nome; mas isso é outra discussão pra outro dia). No caso da Fonte Nova, que já tem seu nome consagrado, nem o público vai aderir à nova nomenclatura. Além disso, seu principal produto não pode ser consumido no espaço a que ela dá nome.

Outro detalhe diz respeito aos maiores eventos que o estádio receberá. Segundo a lei geral da Copa, durantes as copas das Confederações e do Mundo, haverá venda de cerveja, como já é mais que sabido e sempre foi esperado, pois um dos maiores patrocinadores da FIFA é a Budweiser. Ou seja, na hora de brilhar, a marca Itaipava não poderá ser usada pois vai contra os ‘donos’ do estádio durante as competições.

Desculpem, sei que existem inúmeros conceitos e argumentos que justificam a ação, mas sou meio burro pra algumas (muitas) coisas. Alguém pode me explicar, didaticamente, a lógica da ação e a relação custo benefício do negócio?

P.S. 1: como disse, sou contra a proibição. Mas já que é proibido, a legislação deveria ser completa, por coerência, e proibir também qualquer tipo de publicidade nos estádios, dos naming rights às placas de campo.

P.S. 2: acredito que toda e qualquer escolha é, por definição, individual. Para o bem e para o mal, independente de grupos de pressão. Então, acho ridículo a proibição de qualquer tipo de publicidade em qualquer lugar ou horário, cigarros e remédios incluídos.

Ice cold beer / Foto: Bruno Dias

Foto do dia: Bruno Dias

Fuja da Amil

AmilOntem precisamos levar nossa mocinha à emergência. Aparentemente, nada grave. Essa rotina de baixar em prontos-socorros é bem comum, quando se fala de crianças. E se é verdade que a saúde pública é um horror, a vida de quem depende de plano de saúde, hoje em dia, não vai muito melhor não (salvo raras exceções).

Vejam a minha situação: sou cliente Amil, plano empresa. Quando fui admitido, explicaram que eu tinha direito, sem custo, a um básico. Mas havia a possibilidade de até três níveis de upgrade, e eu pagaria a diferença. Ok, optei pelo melhor (na verdade, o mais caro).

Se não bastasse, ainda é um plano com coparticipação. Ou seja, além do desconto mensal, sempre que uso ainda pago algo mais. Mas tudo bem, juntando tudo ainda é bem menos do que se eu fizesse um plano por conta própria. E ainda por cima, é Amil, um dos maiores e melhores do Brasil.

Ah, que ilusão…

A regra nos últimos tempos tem sido o atendimento horroroso, com poucos credenciados ruins. Além disso, quando você está na rua e tenta falar com a central de atendimento, o mais comum é não conseguir nenhuma informação pois “o sistema está fora do ar”.

No caso das crianças, é gravíssimo. Emergência pediátrica na Tijuca, bairro onde moro, só há duas. Uma delas, de onde sempre fugimos mas onde acabamos ontem, é o Prontobaby. Dos mesmos donos do Centro Pediátrico da Lagoa, muito bem conceituado mas tão bom ou tão ruim quanto qualquer outro. Ontem, a fila não era grande e não demorou muito para a médica nos atender. Mas além de não dizer nada conclusivo (geralmente é assim nas emergências), a cama do consultório não tinha nem aquele ‘lençol’ de papel que deve ser descartado a cada atendimento.

Só pra registro, é bom dizer que o número de opções em outros bairros ou regiões não é nada diferente.

Mas há algumas semanas, antes do carnaval, já tínhamos enfrentado problemas. A mocinha apareceu com uma infecção urinária e um dos exames indicados era uma ultrassonografia. Depois de ligar para todas as redes de laboratórios disponíveis, com sorte faríamos o exame no final de março. Para um atendimento de emergência! E ao ligar para a Amil, ao invés deles tentarem resolver o problema, começaram a me dar mais telefones de outros laboratórios. Cheguei a perguntar para a atendente se a solução seria parar de medicar minha filha, esperar ela entrar em delírio de febre por conta da infecção para, aí, interná-la. E esse caso também não foi o primeiro…

Resumindo, a Amil é uma bosta! E se alguém ainda acha que isso é novidade, basta lembrar o que aconteceu comigo em novembro do ano passado.

Badim, Amil, jogo de empurra…

Há exatamente uma semana eu estava entrando no Hospital Badim para uma consulta de emergência. Já vinha incomodado e reclamando de algumas dores e um certo inchaço nas pernas, aquela coisa de ‘o que será isso?’ e ‘tenho que procurar um médico’ misturado com ‘deve ser o estresse’ e ‘as férias estão chegando e tudo vai melhorar’. Basicamente, usando sempre a falta de tempo como desculpa, empurrando com a barriga.

Mas a coisa ficou um tanto mais chata e persistente e conversando em casa a dona da minha vida teve a boa ideia: “você não vai conseguir um médico rápido. Vai na emergência ver isso, pelo menos já fazem uns exames pra levar quando a consulta estiver marcada”.

E lá fui eu, no fim do feriado de Zumbi. E foi aí que a coisa aconteceu.

Vale dizer que nem esperei tanto pra ser atendido. E o Dr. José (não lembro o sobrenome dele) foi muito atencioso e, depois descobri, bem preciso. O problema é que ele levantou o risco de uma trombose (devidamente descartada pelos exames) e indicou a internação para a devida investigação.

Pois saibam que é bem bom ter uma médica na família. Liguei e minha irmã chegou logo, avaliou e concordou com o diagnóstico e tal e recomendou que aceitasse a internação.

Começaram os procedimentos e veio a notícia que o hospital não tinha vagas e que a Amil me transferiria para outro. Como assim? Liguei para a Amil e a moça que me atendeu informou que a Aline (do Badim) disse que não tinha vaga, a mesma Aline que nos falava que havia vaga sim e a Amil é que estava glosando a internação.

Impasse apresentado, ouvi de uma funcionária que passava que já havia meses que a Amil não pagava nenhuma ficha ao Badim. A situação surreal nos levou a deduzir que, na verdade, o Badim é que não me queria ali (e não era nada pessoal). O problema é que toda a situação é um baita disse-me-disse, como podem ver, e não há a menor possibilidade de provar qualquer coisa, não podemos sequer aventar a possibilidade de um processo ou algo do gênero.

Mas dá mesmo pra acreditar que um prédio como o que vocês viram na foto não tinha nenhuma vaga?

A outra informação que faz a cena ainda mais absurda é que o Hospital Badim faz parte da Rede D’Or que é de propriedade da Amil.

Apesar de me perguntarem para onde gostaria de ser transferido e eu ter respondido “qualquer lugar na Tijuca”, pois teria a família por perto, fui enviado para Botafogo, para a unidade Bambina do Hospital Rio Laranjeiras (onde fui muito bem atendido por toda a equipe).

Quem conhece o Rio vai dizer, com certa razão, que nem estava tão longe. Mas a cidade anda confusa de tal maneira que a Mari, fora da hora do rush, levou uma hora e meia para ir e outra hora e meia para fazer o trajeto de volta entre Botafogo e Tijuca.

Além disso, alguém consegue realmente acreditar que entre os trocentos hospitais da “Grande Tijuca” nenhum tinha vagas? E por que será que um dos médicos que me atendeu em Botafogo disse que, caso confirmasse a trombose e precisasse continuar internado, conseguiria me transferir para algum lugar mais perto de casa?

Donde conclui-se que a Amil é uma bosta e não está, de verdade, preocupada com pessoas e suas necessidades, mas com seus próprios números. E a tragédia maior é saber que é tão ruim quanto qualquer outro plano.

Bom, todo mundo sabe quanto custa um plano de saúde (mesmo quando é fornecido pelo seu empregador em sistema de coparticipação, que é o meu caso). Então, toda a situação é mesmo absurda.

Agora – e é impossível não pensar o óbvio numa hora dessas -, imaginem aqueles que não podem pagar por qualquer plano ou que só podem pagar pelos mais simples? Também é impossível não chegar à conclusão (tão óbvia quanto o pensamento anterior) de que estamos mesmo fu e muito mal pagos nessa nossa querida pátria amada (por essa e todas as outras razões que conhecemos de cor).

P.S.: a essa altura, a recuperação vai bem e devo voltar à vida normal na próxima segunda.

P.S. 2: muito obrigado ao Dr. Sérgio Lins.

P.S. 3: alguém conhece um bom angiologista?

Bradesco: na fila, lado a lado com você

…e conte com a gente. Nós estaremos lado a lado com você.

Isso é um fragmento do texto do comercial de ano novo (2012) do Bradesco, o segundo maior banco privado do Brasil (segundo a Wikipedia).

Agora, repare na imagem abaixo.

É uma senha de atendimento da agência 0448 – Haddock Lobo (Tijuca, Rio de Janeiro) do tal banco. Atenção aos horários impressos: entrada às 14h11 e saída (na vertical, no canto direito) às 15h09. Ou seja, descontando o tempo que você leva pra passar pela porta giratória (esvaziando bolsos e bolsas e, depois, recolhendo tudo), foram 58 minutos para ser atendida (o caso aconteceu com a dona da minha vida).

Aí, a moça fica uma arara, se dirige à uma funcionária para reclamar e ouve a seguinte pérola: “processa”.

Não é brilhante a maneira como o Bradesco trata os clientes? Não é brilhante como o Bradesco garante o bom treinamento de seus empregados?

Só pra lembrar, há no Rio a lei 5.254/2011 (em São Paulo, lei semelhante é de 2005) que limita o tempo de permanência em filas de banco em 15 ou, em dias de pico, 30 minutos no máximo. Como podem ver – apesar da multa prevista de até R$ 160 mil e o risco de ter a agência fechada –, o Bradesco trata a lei como boa parte dos motoristas brasileiros lida com a seta: liga o foda-se (desculpem o palavrão).

A orientação para quem passa por isso é procurar o Procon com o comprovante. E aí, eu pergunto: pra quê? Perder mais tempo e não ver nada acontecer? Ou processar para, depois de sei lá quanto tempo (todos sabemos como é rápida nossa justiça), não dar em nada?

Pois é, chegamos à conclusão que o melhor (para nos poupar tempo, trabalho e muitas aporrinhações) seria contar (e tentar espalhar) a história. Quem sabe as pessoas que cogitam ser clientes Bradesco, não pensem melhor e escolham outro banco?

Desacato ao pacato cidadão

Então chega aquela época do ano em que você é obrigado a ligar para o Detran e marcar aquela maldita vistoria. Otimista, você fala com a atendente muito educada e agenda o compromisso: dia tal, 7h30. Afinal, você trabalha, tem mais o que fazer, né não?

Aí você faz aquele cálculo básico: o cara avalia a emissão de gases com aquele aparelho que nenhum ser humano mediano consegue entender, dá a volta no carro mandando você acender e fazer piscar todas luzes, verifica os itens básicos de segurança… Se demorar, uns 20 minutos. E você soma mais uns 15, para esperar pela impressão do novo documento.

Então, com margem de segurança mais do que satisfatória, o otimista avisa no trabalho que vai atrasar um pouquinho, chegar pelas 9h30 por conta da vistoria. Até que vem o choque de realidade.

O posto tem quatro filas mas só três funcionam. E mais ou menos umas 20 pessoas também fizeram seu agendamento para as 7h30. E você que acordou às seis e chegou no lugar indicado às 7h20, só sai de lá às 10h15 e chega no trabalho pelas 11h.

O detalhe mais que interessante é que você não tem nem o direito de se aporrinhar com o negócio, reclamar, nada. Porque, para cada canto que você olhe (não deve ser por acaso) há lá aquele aviso do artigo 331 do código penal, sobre desacato ao funcionário público. E se o sujeito do outro lado do balcão tiver acordado de ovo virado, basta você falar um pouquinho mais alto que ele pode te acusar e você vai em cana.

Legal né?

Pois eu gostaria de saber o que o cidadão comum pode fazer contra o estado quando se sente desacatado pela (falta de) qualidade dos serviços públicos.

GVT (ou como perder um cliente antes mesmo de conquistá-lo)

Lá estava eu, uma noite de segunda-feira das mais comuns, sentado em meu sofá, tentando assistir os telejornais à espera do jantar. E tocou o telefone.

Do outro lado, em resposta ao meu ‘alô’ mais amistoso que o habitual, uma gravação absolutamente impessoal. Da maneira mais simpática que uma máquina é capaz de ser, o locutor avisa que é da GVT, explica que tem uma promoção de TV HD + internet de sei lá quantos megas e que, se eu quisesse saber mais detalhes, bastaria teclar ‘1’.

Vivendo aquela insatisfação comum de qualquer cliente NET, resolvi dar trela e quando achava que falaria com alguém de carne e osso, uma nova gravação avisa que, em breve, alguém ligará para mim. E ‘tu-tu-tu-tu…’.

Depois de alguns 10 ou 15 minutos, o Ricardo ligou. Começamos a falar sobre o serviço oferecido e lá pelas tantas, disse que queria saber da tal promoção. O sujeito confirmou meu CEP e, depois de um tempinho em silêncio para verificar a viabilidade técnica da minha solicitação, deu-me a notícia de que a GVT ainda não chegou à minha quadra.

Como é que é? Os caras me ligaram (duas vezes!) para me oferecer um serviço que não podem me vender? Não é brilhante a estratégia?

Agora, como é que eu, consumidor, vou confiar numa empresa que não sabe o que faz e já me incomoda antes mesmo de eu ser seu cliente? Como é que vou confiar que uma empresa com esse nível de (des)organização vai me atender bem?

P.S.: os roteiros desses teleatendimentos são terríveis, estamos todos cansados de saber. Nesse caso da GVT, por exemplo, é preciso avisar a turma que prepara o material que a GVT nunca vai chegar à minha quadra. Talvez seu cabo chegue até lá. Além disso, seria simpático, de bom gosto mesmo, adaptar as mensagens e roteiros aos regionalismos característicos do Brasil. Porque, no Rio, chamar quarteirão de quadra é gafe tão grande quanto, em São Paulo, chamar guia de meio-fio.