Cenário, contexto, horizonte

Antes de mais nada é preciso entender que há a maior parte da sociedade (de fato, em números) e há a parte da sociedade que consegue, pode e sabe fazer barulho como se a maior parte da sociedade fosse.

Todo mundo sabe, vê, está acompanhando a história de protestos e violências iniciados com o aumento das passagens como pretexto. E pelas redes sociais e boa parte dos portais de notícias, o barulho foi comprado e, com palavras e discursos mais ou menos fortes, tudo de errado e ruim é culpa das polícias (e dos estados, por óbvio).

As polícias são mal preparadas? Claro que sim, estamos todos cansados de saber. Isso justifica suas enormes cagadas? Claro que não. E daí?

Daí que há um enorme contexto sobre tudo o que está acontecendo e o aumento das passagens, está claro e declarado por todos os líderes desses movimentos, foi apenas e tão somente um pretexto para começar a bagunça.

Até aí, nada de mais, nada mal. Na verdade, é mais do que comum: quando as coisas em geral vão mal (e o Brasil vai mal), uma gota d’água qualquer é/pode ser o ponto de partida para manifestações populares. E seria excelente se esse fosse um hábito brasileiro, protestar, se manifestar.

O grande problema é que há um método nitidamente aplicado, planejado e executado com maestria – dados os resultados – nos movimentos dos últimos dias. Já falei disso aqui. Mas o que está acontecendo de verdade?

Alguém já notou que os principais atos e confrontos aconteceram nas capitais de estados em que há algum tipo de risco efetivo para o PT?

Alguém já notou que, apesar de admitir que os protestos são contra tudo o que está errado por aí, não há sequer uma palavra de ordem contra o governo federal, do PT?

Alguém já notou que as bandeiras e gritos de guerra que se vê nesses protestos são de partidos ou movimentos parceiros ou patrocinados pelo PT?

Alguém já se deu conta que num grupo de 2 mil, 10 mil ou 500, bastam algumas dezenas de pessoas para arrumar um tumulto gigantesco?

Alguém se deu conta que os dois protestos de ontem, no Rio e em São Paulo, resolveram mudar seus trajetos previstos e acordados com as autoridades no meio do caminho?

Pois em São Paulo, os confrontos só começaram quando os manifestantes tentaram furar o bloqueio e foram impedidos. A reação da polícia foi desproporcional? Talvez, não sei. Mas é bom lembrar que no início da semana um policial escapou por pouco de ser linchado por um grupo de 8 ou 10 ‘manifestantes’.

Agora, se os manifestantes não tivessem forçado a barra, o confronto teria acontecido? Duvido.

Também já há um grande escândalo pelo fato de jornalistas estarem feridos, especialmente um grupo da Folha. Sinto muito, mas na hora que o pau quebra, ou você se afasta ou vai correr o risco de levar alguma bordoada. Se ficar no meio do caminho entre policiais com balas de borracha e gás de pimenta e ‘manifestantes’ com pedras e coquetéis molotov nas mãos, alguma coisa vai sobrar pra você. Pode ser trágico, mas é simples assim.

Agora, o Rio. Vejam o trajeto que os manifestantes fizeram e as fotos abaixo.

Alerj / ReproduçãoBanco atacado / ReproduçãoPichação / ReproduçãoTrajeto da passeata / Reprodução G1Durante todo o trajeto, e apesar das pichações e quebradeiras, a polícia não interviu (como deveria) e não houve confronto. No final, resolveram sentar e interromper completamente o trânsito no cruzamento de Rio Branco com Presidente Vargas (e quem é do Rio sabe o que isso significa). Só aí, quando a polícia tentou liberar a via, é que o pau quebrou.

E só então o objetivo estava cumprido, com TVs e fotógrafos fazendo imagens da polícia descendo o braço, a despeito das pedras, do fogo e das depredações.

Como já disse antes, cenário, contexto, horizonte. Não estamos caminhando num rumo muito auspicioso. No ritmo atual, vai dar merda e não vai demorar muito.

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3 comentários em “Cenário, contexto, horizonte

  1. Há mil razoes para protestar. Há mil maneiras de protestar. O fato é que cada vez mais os governos de todos níveis e todos os poderes dão razoes para que protestemos. A grande duvida é quais os verdadeiros interesses dos manifestantes, se um real manifesto contra alta de passagens, mal uso do dinheiro publico ou qualquer outra razão legitima ou se alguma razão espúrias de seus próprios interesses particulares.
    Gostaria de crer que sejam questões legitimamente do interesse de todos mas lamento acreditar que sejam interesses de minorias estruturadas. Escrevi um pouco sobre a mamata das copas. http://cariocadorio.wordpress.com/2013/06/16/fair-play-e-o-cacete-sr-blatter/

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    1. É bom perceber que há mais gente com a mesma percepção ou pelo menos entendendo do que estou falando. Tá tudo uma grande m… ao nosso redor e as tais passagens foram o bom pretexto para começar a gritar. Ótimo. O problema é que envolvida/infiltrada/liderada por marginais, a massa já virou joguete de interesses muito maiores que envolvem simples e tão somente a manutenção do poder. E é este o caso sério.

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  2. acho que tem que dar merda sim…ai quem sabe paramos de nos deslumbrar e vemos que ha muito o que se fazer nesse pais…tem que dar merda…porque aqui em Pindorama só através dela eh que nos movimentamos…o movimento tem que ser orquestrado porque a mídia oficial, e ao que parece eh sua fonte de informação, também eh orquestrada…se não o fosse talvez o pais fosse diferente..talvez esses ditos baderneiros estivessem preocupados com outros assuntos..pois transporte publico, saúde e educação não estariam na pauta…por isso concordo que vai dar merda isso sim…na verdade já deu…só falta ela chegar mais perto de nos os classemediamente resignados…

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