Esquentou a briga

Na verdade, a discussão já havia começado e já está na justiça há algum tempo. A briga entre Lotus (Proton) X Lotus (1Malaysia).

Esse carro que vocês estão vendo aí na foto é o Renault pilotado por Kubica e Petrov em 2010 com a programação visual que será usada em 2011. A história está muito bem contada pelo Ico no texto que republico abaixo e vocês vão entender que desde a apresentação do carro até a presença do logotipo, tudo é pensado para esticar a corda, fazer pressão.

Além da confusão propriamente dita, há alguns detalhes na imagem, muito bem observados pelo Flavio Gomes. O logotipo da Lada não está no carro, o que pode significar a saída de Petrov da equipe. Outro detalhe é que foi confirmado pelo próprio site Grande Prêmio há algumas semanas que Bruno Senna estava fechado para correr pela Lotus em 2011 e, automaticamente, todo mundo achou que seria a estreante deste ano. Será que o primeiro sobrinho será o companheiro de Kubica na próxima temporada?

Socorro

É bastante complicado, mas vamos lá:

– O Lotus Group, fabricante de carros de rua, anunciou hoje um acordo de patrocínio com a equipe Renault pelas próximas sete temporadas. Os franceses venderam a parte que ainda tinham da equipe para a turma da Genii Capital (a de Gerard Lopez) e vão continuar atuando, de acordo com o release, como “fornecedora de motores e de know-how tecnológico e de engenharia”. A segunda parte da frase é uma maneira de manter o status de mesma construtora do time que disputou esse Mundial de 2010, para que eles possam ganhar o prêmio em dinheiro pela quinta colocação entre as equipes.

– Na prática, o time ficaria oficialmente registrado na FIA tendo a Renault como construtora, mas mudaria o nome para “Lotus Renault GP” ao invés do “Renault F1 Team”. Assim, mesmo com a montadora francesa deixando o barco, poderia alegar “interesses comerciais para atender a um novo patrocinador” para solicitar a mudança do nome sem a necessidade das outras equipes aprová-la. Até porque a outra Lotus, a de Tony Fernandes, certamente votaria contra. O fato da Renault ter vendido sua parte à Lopez para que ele a revenda depois ao Lotus Group é mais um mecanismo para legitimar perante a FIA que o time de 2010 é o mesmo que vai entrar na pista em 2011.

– O que surpreende é o fato do Lotus Group ter colocado o logotipo tradicional usado por Colin Chapman no bico do carro cuja imagem foi distribuída para a imprensa (abaixo). Há pouco mais de dois meses estive numa coletiva de imprensa em Cingapura na qual Tony Fernandes (o da outra Lotus) anunciava a compra dos direitos de usá-lo em 2011. Neste ano, o time dele usou um logotipo, digamos, híbrido. Aí que vem o lado interessante da história: quando Fernandes decidiu reviver o nome Lotus na F-1, conseguiu a licença para usá-lo do próprio Lotus Group (antes que batessem cabeças). Mas não usou o logotipo, provavelmente porque até os diretores do Group sabiam que ele pertencia a David Hunt e teria de ser negociado à parte.

– Fica a clara impressão de que o Group Lotus está forçando uma situação para clamar o direito de ser o “herdeiro” da equipe de Colin Chapman na F-1. Eles fazem os carros de rua, mas o dono dos direitos do nome da equipe de F-1 (sem falar no filho e na viúva de Chapman) se alinham com Fernandes.

– Para mim, tanto faz se um lado ou se outro sai ganhador. Tenho mais simpatia pela causa de Fernandes por conta do apoio que ele tem da família do fundador da Lotus, mas sempre foi claro para mim que a equipe dele é outra, assim como sempre soube que a Brabham de Bernie Ecclestone não era a Brabham de Jack Brabham.

– O certo é que dificilmente essa história vai terminar no estágio que estamos hoje, com duas Lotus-Renault de carros preto e dourado e usando o mesmo logotipo. Ninguém pode fazer um xarope preto e usar o logotipo da Coca-Cola, afinal. Há um processo em curso na justiça inglesa. E apostaria que Bernie Ecclestone vai entrar em ação para costurar alguma solução, já que o episódio só serve para confundir os fãs Fórmula 1 e isto é ruim para o show que ele administra.

– O único lado que saiu ganhando com isso foi a Renault. Já faz tempo que Carlos Ghosn queria se livrar do que considera um abacaxi e, não fosse o mal-estar causado pelo “Crashgate”, ele já teria puxado o carro no final de 2009. Agora, fabricando os motores campeões da Fórmula 1, a existência de um time próprio ficou completamente obsoleta e ele passou a bola prá frente.

Não se preocupe se não tiver entendido. Além de complicado, o assunto é chato. A Fórmula 1 é um ambiente comercial riquíssimo povoado por espertalhões. A maioria sabe preservar o que resta de DNA do esporte nela, mas sempre aparece gente que só pensa no lucro a qualquer custo.

Ico (Luis Fernando Ramos)

•••

Está na coluna do Ancelmo Gois de hoje, no Globo: “A Petrobras voltará a patrocinar uma equipe de Fórmula 1 no ano que vem”. Antes é preciso ter certeza, confirmar a informação. Mas partindo do princípio que a fonte é boa e que Ancelmo não é dado a barrigas, assumamos que é verdade.

Se ainda não é possível apontar em que equipe estará a estatal brasileira, não é tão difícil dizer para onde não vai.

Por contrato, qualquer motor Mercedes só usa Mobil (exclua a própria, a McLaren e a Force India), qualquer motor Ferrari só usa Shell (exclua a própria, a Sauber e a Toro Rosso). A Renault (equipe) e a Red Bull têm contrato com a Total. Sobram as novatas e a Williams. E das novatas, mercadologicamente, só faria sentido fazer uma parceria de desenvolvimento com a Lotus (que pode virar 1Malaysia ou Air Asia F1) ou voltar à Williams (pela tradição do time e por Barrichelo). Qual seria a eleita?

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