A pergunta do fim de semana

Vazamento Oleo Sao Paulo

Os estados não-produtores vão dividir a conta dos problemas também?

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É justo?

Parece que o Ministério da Educação – por meio dos discursos e desculpas esfarrapadas de seu titular Fernando Haddad – não é a única instituição do Brasil que resolveu institucionalizar o vazamento de provas/concursos públicos no Brasil.

A primeira decisão cancelava 13 questões do Enem que teriam vazado, beneficiando claramente quem errou mais em detrimento de quem errou menos. Como o vazamento só foi comprovado no Colégio Christus de Fortaleza – que no mundo conectado de hoje, parece viver numa bolha –, um recurso (do Inep, do MEC ou sei lá de quem) derrubou a decisão e confirmou o cancelamento das tais questões apenas para os 639 alunos da tal escola.

Assim, os resultados serão calculados sobre 180 questões para todo o Brasil e sobre 167 para 639. Será que ninguém se deu conta de que o valor relativo de cada questão é maior, alterando sensivelmente as notas? Ou seja, os tais 639 serão beneficiados por tal decisão.

Por exemplo (e partindo do princípio que todas as questões tenham o mesmo valor), imaginem que um aluno de qualquer lugar do Brasil tenha acertado 100 das 180 questões. Sua nota seria 55,56. Se um do Colégio Christus acertar as mesmas 100, sua nota será 59,88. Mais de três pontos de diferença!!! E todo mundo sabe ou é capaz de imaginar como esses 3,32 pontos fazem diferença em um concurso público qualquer. Além disso, a decisão beneficiaria o infrator. Ninguém fez essa conta tão básica? São mesmo uns çábios…

Vale lembrar que o resultado do Enem é base para obtenção de vagas, bolsas e vários outros incentivosem universidades. Adecisão parece justa?

Será que é tão difícil se dar conta do óbvio? É uma questão de princípios básicos: se houve vazamento, é preciso cancelar todo o concurso.

P.S.: seria natural imaginar que UNE e UBES já estariam arrumando a maior confusão em defesa dos estudantes. Mas isso, só se fosse em outros tempos. Como todos sabem, vivem às custas do governo. Alguém aí acredita que vão se manifestar sobre as cagadas de Fernando Haddad? Só se for pra elogiar o ministro…

Os cidadões paga o pato

Então, a justiça do Ceará resolveu cancelar as 13 questões do Enem (apesar de terem sido 14) que teriam vazado apenas no Colégio Christus.

E aí, a turma que acertou todas ou quase todas mesmo sem ter acesso ao vazamento, no Brasil inteiro, é prejudicada. Pois todos aqueles que erraram todas ou quase todas as 13 questões passaram a ter pontos computados por elas. Isso numa prova que é uma das balizas utilizadas pelas universidades para preencher suas vagas. É justo?

Além disso, o básico da história: houve um vazamento comprovado. Alguém realmente acredita que apenas os professores e alunos do Colégio Christus tiveram acesso às questões? Eles vivem numa bolha? Ou foi apenas o que apareceu? Porque mesmo que o vazamento fosse um acidente de percurso, graças ao domínio público sobre as questões dos pré-testes (desculpa esfarrapadíssima do ‘fabuloso’ ministro), como é possível garantir – num mundo absolutamente conectado – que apenas os alunos da escola de Fortaleza viram as tais questões?

Ou seja, é sério mesmo que o Enem – todo ele – não será cancelado?

O outro problema apontado por mais esta cagalhopança no Enem é o nosso ‘querido’ ministro da educação, que Lula e Dilma querem transformar em prefeito de São Paulo. Ele teve a desfaçatez de dizer que é impossível garantir a segurança em eventos semelhantes. É provável, dada sua comprovada competência, que não tenha se dado conta, mas seu discurso apontou que todo e qualquer concurso público realizado no Brasil é – potencialmente – fraudado. É isso mesmo?

Vale lembrar que, na realização do vazado Enem 2011, ele foi o responsável – ministro que é – por gastar quase meio bilhão de reais sem licitação. E o sujeito não cai e ainda pode ser promovido.

Como sempre, os cidadões paga o pato.

Adeus também foi feito pra se dizer…

E caiu o moço, como era fácil prever. Bye bye, so long, farewell.

Quinto ministro de estado a sair do governo por denúncias de corrupção em apenas dez meses. A tecla é batida, mas é preciso insistir nela pois é algo inédito no país.

Vale lembrar que todos esses que estão aí são velhos conhecidos da presidenta (sic), pois ela era a ministra da casa civil, a gerente do governo Lula. Seu primeiro ministério foi montado sob orientação do ex e não é por acaso que vários foram, simplesmente, mantidos em suas funções. Orlando foi um deles.

E como ela já conhecia as peças, não se pode dizer – simplesmente – que ela é intolerante com a corrupção e a ladroagem desmedida praticada na esplanada. Apenas ficou inviável manter os doutores em suas cadeiras. Mesmo assim, Orlando – que sempre entendeu tanto de esporte quanto de eu de física quântica – só caiu porque abriu-se contra ele um inquérito no STF que, além de tudo, poderia respingar em Agnelo Queiroz (o ex-ministro), atual governador do DF e, agora, filiado ao PT.

O grave em toda essa história – já estou lançando apostas para saber qual é o próximo ministro a cair, alguém arrisca? – é que nos cinco ministérios em que houve demissões, a estrutura e métodos continuaram ou (no caso do esporte) continuarão os mesmos. O PT continua na Casa Civil; o PMDB segue no Turismo (cota de Sarney) e Agricultura; o PR ainda mora nos Transportes; e o PC do B manterá o controle do Esporte.

Será que sou o único louco que vê que nada mudou, nada mudará?

Enem

E não é que vazou de novo?! E não é que Haddad inventou uma desculpa das mais estapafúrdias?! Pré-teste de questões que acabam caindo em domínio público?!

Domínio público de uma escola só, ministro? E a solução é brilhante: cancelada as provas apenas dos alunos do tal Colégio Christus, de Fortaleza. Porque, certamente, nesse mundo que é o Brasil, apenas os quase 700 estudantes do colégio tiveram contato com as questões vazadas.

Haddad ainda não foi acusado de corrupção, e talvez seja por isso que ainda não caiu. Porque sua incompetência já está mais do que comprovada. Além das merdas que acontecem todos os anos como o Enem, um monte de outras confusões já foram geradas em sua pasta.

E ele continua lá, lépido e fagueiro. E ainda é o cara indicado por Lula e apoiado por Dilma para ser o prefeito de São Paulo, a maior cidade do país. Um sujeito que não consegue organizar uma prova…

Ministério do vai dar merda

Não, não sou geólogo, sismólogo ou algo que o valha. Na verdade, não entendo lhufas do assunto. Mas acredito piamente que nada acontece por acaso, que – na verdade – os fatos se dão em cadeia. E isso vale pra tudo, mesmo que não se consiga identificar a ligação entre os acontecimentos imediatamente. Não é o caso dos terremotos e tsunami que estão devastando a costa nordeste do Japão desde sexta-feira.

Vocês já devem ter visto por aí, em qualquer TV ou portal, um especialista qualquer explicando como é que funcionam as placas tectônicas e como seus movimentos provocam os terremotos. E a tal placa do Pacífico deve ter sido a entidade pública mais comentada nos últimos dias.

Na verdade, o mundo tremer naquela região não tem nada de novo. Pelo contrário, tudo o que se constrói por lá já está pronto para agüentar, razoavelmente bem, o tranco. E tsunamis também não são novidade, mas não há muito o que fazer quando a onda é capaz de cobrir o prédio que suportaria o terremoto. Mas esse é o risco de viver por ali, e tanto japoneses quanto seus vizinhos administram esse risco desde que o mundo é mundo.

Mas sabem aquela história de que as coisas acontecem em cadeia? Pois é.

No dia 22 de fevereiro a Nova Zelândia tremeu. As ilhas estão localizadas bem no encontro entre a tal placa do Pacífico e a Sul-Americana. Na semana passada, o Kilauea – o vulcão mais ativo do mundo, localizado no Havaí – lançou lava a 20 metros de altura e foram registrados cerca de 250 sismos na região do vulcão. De quebra, dois dias antes do terremoto de 8,9 que causou a tragédia, aconteceram três tremores que variaram entre 6,5 e 7,2. Ou seja, com os milhares de anos de história e toda essa movimentação recente, não dá pra dizer foi tudo uma grande surpresa.

No final das contas, o número de vítimas e a grande destruição são conseqüências mais da onda gigante do que dos terremotos propriamente ditos.

A grande tragédia que está para acontecer é o vazamento nuclear na usina de Fukushima. E o que me espanta, apesar de toda a tecnologia, é como é que neguinho tem coragem de construir usina nuclear num lugar como o Japão, que treme mais forte ou mais fraco dia sim e outro também. Porque na minha cabeça de leigo, é óbvio que um dia vai dar merda.

Chico Buarque disse uma vez que Lula deveria criar o ‘Ministério do Vai Dar Merda’. Na hora de tomar qualquer decisão, o presidente chamaria o tal ministro que analisaria o caso e aprovaria ou não a tal decisão. Pois começo a achar que toda e qualquer nação deveria criar a tal pasta.