Fim de férias

Alguém sabe aí de quem foi a bela idéia de voltar das férias em Spa? Sei lá, tava pensando em enviar um presente, mesmo que um regalo bobo tipo caixa de bombom, só pra não deixar de agradecer. A melhor pista do campeonato, quase sempre imprevisível (por causa do clima e porque é pista de verdade) e sempre promessa de corrida boa.

O final de semana tinha, a princípio, dois personagens óbvios: Schumacher, pelos 20 anos da estréia, e Senna. No final das contas, outras figuras acabaram aparecendo. Afinal, era Spa e a corrida, se não foi um espetáculo, cumpriu sua sina de nunca ser ruim.

O sobrinho

Começo, então, pelo brasileiro que – finalmente – pilotaria um F1 de verdade numa corrida. Já li por aí que no balanço final, a estréia de Bruno na Renault teve dois dias ruins e um excelente. Não concordo.

Na sexta-feira molhada e típica do circuito situado entre os vilarejos de Spa e Francorchamps, Bruno escapou no primeiro treino (nada estranho), em um ponto onde outros também saíram da pista, e fez um discreto 17º tempo à tarde. No sábado, sem dúvidas, brilhou. Não bastasse andar à frente do companheiro que já está a ano e meio na equipe, foi ao Q3 e abiscoitou a sétima colocação em dia de asfalto difícil por conta do molha-seca tradicional. Hoje, bobeou na largada, perdeu o bico, pagou penalidade e terminou numa comum 13ª posição, mas andando sempre no mesmo ritmo de Petrov.

É claro que poderia ter um resultado muito melhor e até conquistado pontos, mas eu diria que foi um cartão de visitas acima do esperado. Daqui a duas semanas, sua segunda prova será em outro circuito mítico e de largada muito difícil: Monza. Dependendo do resultado da briga da equipe com Heidfeld, na justiça, será sua última chance de se mostrar bom o suficiente para ter lugar no grid em 2012. O mais importante, agora, é não tirar conclusões.

O cara

Há 20 anos, a Mercedes colocou uma grana do bolso de Edie e o moleque apareceu pela primeira vez. Colocou o Jordan pouco mais que mequetrefe em sétimo no grid, mas a embreagem quebrou na primeira volta. Na prova seguinte, já estava na Benetton e o resto todo mundo já sabe.

Aí, chega o final de semana da festa. Festas, presentes, comprimentos de todos os pilotos, capacete especial e tal. Mas alguma coisa sai errado e o cara vai largar em último num carro que, como aquele, é pouco mais do que mequetrefe. E termina em quinto! Dizer que foi sua melhor corrida desde que voltou é óbvio. Dizer que, apesar da idade, pode fazer muito mais do que o carro permite, idem. Agora, tente se imaginar só por um segundo no lugar dele, ao final da corrida de hoje. Você acha que ele se divertiu?

Se durante as quatro semanas de recesso não foram poucos os boatos que poderia se retirar definitivamente ao final deste ano, não ficarei surpreso se – a depender dos resultados e do carro que tiver na mão em 2012 – acabe alongando seu contrato por mais uma ou duas temporadas.

Bicampeão

Acho que já não resta mais dúvidas né? Se alguém ainda achava que o jogo poderia virar depois das férias, o moço fez um corridaço e tratou de tirar as dúvidas. E desconfio que a foto dele no pódio nos mostra que a ficha já caiu pra ele também. Faltam só sete corridas e o que falta é a definição matemática da bagaça.

Button

Sempre foi um bom piloto, mas nunca foi muito longe. O que, de certa forma, mascarou bastante suas qualidades. Até que um dia, estava no lugar certo na hora certa e um foguete lhe caiu no colo. E foi campeão. E mudou de equipe. E tem nos dado várias aulas de pilotagem, em que pese não brigar pelo título de novo. E hoje não foi diferente. Saiu de 13º para o pódio. E apesar de brigar por posições durante muito mais tempo que seus adversários diretos, chegou ao fim com o carro mais inteiro. Se a dupla Vettel-Red Bull não estivesse em um ano abençoado, quem sabe o que poderia acontecer?

Eau Rouge

Desconfio que a ultrapassagem de Webber sobre Alonso, por fora, na curva que justifica quase todos os clichês de Galvão Bueno, já está na galeria das maiores da história.

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Chili com vodka

Juntem uma corrida que terminou às quatro e meia da manhã, uma boa dose de decepção, um domingo de muito calor com a família e pronto. Sinceramente, não deu vontade de parar em frente ao computador para escrever sobre Fórmula 1. Acho que, como todo mundo que gosta do negócio, esperava muito da corrida de Melbourne. Afinal, um monte de novidades e uma pista que geralmente nos oferece bons espetáculos. Mas não foi o caso. Vou por partes.

– Asa móvel: o que prometia transformar as corridas em um festival desmedido de ultrapassagens acabou não fazendo nem farofa. Entre carros com desempenho semelhantes, a geringonça acabou não influindo em nada e quem defendia posição levava sempre vantagem. Para se livrar mais rápido de retardatários, talvez seja útil. Mas aí é preciso dar sorte de encostar no carro mais lento na área que o uso da asa é permitido. Talvez, em pistas com retas colossais, como o GP da Malásia que acontecerá em duas semanas, o dispositivo faça alguma diferença real na briga por posições.

– Pneus: o asfalto liso das ruas de Melbourne acabaram não surtindo o efeito esperado. A maioria dos pilotos fez duas paradas (o que já era habitual), alguns fizeram três e um conseguiu chegar ao fim da prova com apenas um pit stop. O rendimento dos pneus têm, realmente, quedas bruscas – principalmente os mais macios – mas as disputas de posição acabaram não acontecendo. Quando alguém se aproximava, o da frente logo jogava seu carro no box para a troca, sabendo que o outro sujeito também teria que parar e tudo voltaria ao normal. Resta saber se também haverá uma espécie de comportamento padrão em Sepang, onde o calor promete ser altíssimo e o asfalto é muito mais poroso.

– Massa: parece que o piloto que lutou pelo título de 2008 se aposentou. Sua classificação foi ruim, prejudicada por uma rodada bisonha quando saía dos boxes com aquele que deveria ser seu melhor jogo de pneus na briga pela pole. Na corrida, começou com uma largada brilhante, em que ganhou quatro posições, mas logo perdeu rendimento e acabou sumindo depois da boa briga com Button. Foi engolido por Alonso. Apesar do mesmo número de paradas, nunca conseguiu andar no mesmo ritmo do espanhol e terminou em uma melancólica nona posição. Se mantiver o padrão durante o ano, teremos mais um brasileiro desempregado em dezembro.

– Ferrari: para o que prometeu durante a pré-temporada, desempenho abaixo da crítica. Mesmo Alonso, que terminou em quarto, nunca teve condições de brigar pelo pódio. Alonso largou muito mal, enquanto Vettel e Hamilton dispararam desde o início. Apesar de uma boa recuperação, o espanhol chegou à quarta posição sem qualquer chance de atacar o russo Petrov, que levou sua Renault (ou Lotus Renault, já não sei mais) ao pódio.

– McLaren: impressionante a virada que a equipe deu em tão pouco tempo e sem a possibilidade de testar. Saiu da Austrália como a grande rival da Red Bull para o ano. Se outros times vão entrar na briga, ainda não se sabe. Mas o time de Woking, especialmente Lewis Hamilton, será a pedra no sapato dos touros vermelhos.

– Red Bull: falar o quê? Que foi estranho o tamanho da diferença entre Vettel e Webber? Tá foi, mas isso não deve ser tão comum, acho que foi uma circunstância. Que Adrian Newey é fodástico? Todo mundo já sabe. Pois é tanto que até o boato sobre ele é duca. A equipe não confirmou (nem vai), mas o projetista desdenhou do KERS e, dizendo que só faz diferença mesmo na largada, teria criado um ‘mini-KERS’ que só funcionaria quando as luzes se apagam. Se é verdade, além de não gerar tanto calor durante toda uma corrida, ainda permite que a diferença de peso entre o aparelho tradicional e a tal invenção sirva como lastro distribuído para melhorar o equilíbrio do carro. Será que isso é verdade?

– Barrichelo: fim de semana para esquecer, desde a rodada infantil na classificação até o acidente que provocou em uma tentativa de ultrapassagem otimista demais (para ser educado). Foi possível confirmar que a Williams é um bom carro, que pode incomodar. Mas a falta de grana crônica do time não permitirá um ritmo de evolução como de outras equipes e deve acabar ficando um pouco pra trás.

– Chili com vodka: os grandes destaques da corrida foram o mexicano Sergio Pérez e o russo Vitaly Petrov. O primeiro, estreante com a pecha de piloto pagante, mostrou que não tem nada de bobo. Fez andar o bom carro da Sauber e, com apenas uma troca de pneus, terminou em sétimo, à frente do companheiro Kamui Kobayashi. Uma pena a desclassificação da Sauber por medidas erradas na asa traseira. Petrov é outro que chegou à F1 como pagante. É verdade que foi discreto (ou pior) no ano passado, mas andou bem desde o início do final de semana. Engoliu o experiente Heidfeld e chegou ao pódio. Talvez, o bom desempenho seja reflexo da ausência de Kubica, de sua sombra de grande piloto e líder da equipe. Enfim, olhando para o resultado de ontem, impossível não imaginar o que o polonês não seria capaz de fazer com o mesmo carro.

Agora resta esperar por Sepang, por saber do que a Ferrari é capaz de fazer para melhorar, por saber quanto tempo a Hispania irá existir, pela desculpa de Massa por não conseguir andar sequer em ritmo parecido ao de Alonso, por saber qual o tamanho da surra que a Red Bull aplicará nos outros no próximo GP.

Já era hora

Finalmente, começa daqui a muito pouco a temporada 2011 da Fórmula 1. Sim, adoro esse negócio, sinto falta de assistir treinos e corridas, de tentar entender as estratégias de corrida e suas conseqüências, de prestar atenção em um pit stop e perceber onde está a diferença que faz um ou outro ganhar ou perder uma posição etc etc etc.

Quem está acostumado a visitar esse meu canto deve ter percebido que não falo no assunto há dez dias. Simplesmente porque não aconteceu nada de relevante. Mas a aproximação da primeira prova revela alguns detalhes e ainda alimenta alguns boatos que valem registro.

A primeira coisa é uma entrevista em que Vettel, ainda discutindo o número de botões no volante e asa móvel, disse que os pilotos até poderiam se unir e não correr. Besteira, eles simplesmente não tem a união necessária para um movimento como esse, a maior parte não tem personalidade para assumir compromissos desse nível e, desconfio com quase certeza, nem autonomia para levar algo assim à frente.

De quebra, Schumacher (o cara que mais modifica o carro durante uma volta) e Alonso disseram que tudo isso é besteira, que pilotos de F1 tem capacidade para lidar com todos os botões do volante e que a pré-temporada serve para fazer esse tipo de adaptação.

Outra notícia é o quase arco-íris que a Pirelli resolveu instituir para identificar seus pneus. O esquema é o seguinte: laranja, chuva; azul, intermediário; vermelho, supermacio; amarelo, macio; branco, médio; prata, duro. Talvez dê um pouco mais de trabalho para nos acostumarmos do que com o sistema usado pela Bridgestone, mas a idéia é muito legal. O único senão foi a escolha do prata, que pode ser confundido com o branco. Poderiam ter escolhido verde ou violeta, só para citar duas cores do arco-íris.

Outra notícia que pintou por aí é que a Hispania está a um passo de quebrar. Ok, agora me digam uma novidade. Já me surpreendi com o fato dela dizer que vai correr esse ano, até apresentou um carro. Será que termina a temporada? Será que, com a regra dos 107%, conseguirá largar para alguma corrida?

Já a McLaren prometeu um carro quase novo para a primeira corrida. Tudo porque teve muitos e muitos problemas – principalmente hidráulicos – de confiabilidade durante os testes. Essa falta de confiabilidade certamente é fruto de um carro novo com tantas inovações, problemas que Red Bull e Ferrari não tiveram. Mas além do que vai por baixo da carenagem, que a equipe tentará resolver, haverá novidades à vista de todos, como um novo escapamento inspirado na Renault. O negócio é ver se vai funcionar.

Outra curiosidade é que, com o início das programações das equipes em função de GPs, também começaram as programações estranhas dos patrocinadores. Não é que mandaram Vettel pastorear e tosquear uma ovelha. Será mesmo que uma ação dessas, tão fora de propósito, alavanca os negócios? Publicitários e marqueteiros, favor discorrer sobre o tema.

Por fim, um pouco da corrida propriamente dita. A FIA definiu a área de monitoramento dos carros (entre as curvas 14 e 16) e ampliou a área em que será permitido o uso da asa traseira móvel para toda a reta dos boxes (contra os 600 metros iniciais). O interessante nessa história é que como é um trecho de média e baixa velocidade, há a possibilidade de quem estiver atrás forçar um pouco mais as freadas, principalmente na 15, para colar no carro da frente. Assim, poderia usar a asa para fazer a ultrapassagem. Em resumo, nada mais artificial, pois enquanto o carro de trás pode ganhar algo entre 10 e 14km/h, o da frente não usa a asa e vira presa fácil.

Outro ponto de atenção é que o desgaste dos pneus vai provocar estratégias diferentes e, em vários momentos da prova, veremos carros com rendimento muito díspares. Assim, naturalmente, o número de ultrapassagens já cresceria. Mas como essas manobras vão se misturar com as provocadas pelas asas, a corrida tem tudo para virar uma zona. E aquilo que era tão difícil, tão esperado e tão comemorado, vai perder a graça por sua banalização.

Mas o que importa mesmo é que, no final das contas, o favoritismo continua com a Red Bull. A Ferrari, ainda atrás, deve estar bem próxima. Daí pra trás… Mas se há uma corrida no ano que, mesmo sem chuva, pode provocar boas e grandes surpresas, é o GP de Melbourne. Vale se programar.

Quando a gente pensa que a estupidez não tem limites…

Já terminou, depois de apenas três dias, a primeira série de testes da F1 para a temporada 2011. Notícias do dia? Kubica fez o melhor tempo. Mas é impossível saber o quanto disso pode ser em função de um escapamento que joga os gases para a frente para que eles, ao passar sob o carro e serem engolidos pelo difusor, gerem mais downforce. Pelo menos, parece que não atrapalha.

Mas como todo mundo que escreve sobre F1 por aí já disse, especialistas ou apenas apaixonados como eu, até a última seção teremos apenas tendências, mais fortes ou mais fracas, de como será a temporada. Afinal, vale destacar que temos uma Force India de 2010 andando na ponta.

Massa começou mal, com sua Ferrari pegando fogo e perdendo muito tempo de pista. Mesmo assim, avaliou bem o que pôde testar do carro e o comportamento dos pneus Pirelli.

Agora, novidade novidade mesmo, uma invenção da FIA: a criação de zonas definidas de ultrapassagem e utilização da nova asa traseira móvel. O que eu tenho a dizer sobre isso? Depois de algumas gargalhadas meio desesperadas de ler algo assim, encontrei o texto abaixo.

Burrice endêmica

Eu não tenho dúvidas de que o mundo passa por um surto endêmico de burrice. Ela se manifesta “em todos os níveis”, como dizem os enroladores profissionais. Um desses níveis, claro, é a Fórmula 1. Prega-se redução de custos e, ao mesmo tempo, inventam-se bobagens que só aumentam os custos e criam confusão. Lamentam-se as dificuldades de sobrevivência e criam-se outras maiores ainda. Para matar os que não se enquadram, levá-los à bancarrota, instituir uma lei de Darwin ditada pelo poder econômico.

A última da FIA é divertidíssima. Delimitar “zonas de ultrapassagem” nas pistas, onde possa ser usada a brilhante asa móvel inserida no regulamento deste ano. Mais ou menos como se a Fifa determinar que chutes a gol só possam ser efetuados a partir de áreas previamente estabelecidas, desde que os zagueiros estejam a uma distância pré-estabelecida e os goleiros, com os dois pés no chão e as mãos erguidas à altura do peito.

Comecemos com a asa móvel, uma estupidez sem tamanho. Carro não é avião. A aerodinâmica que atua sobre o automóvel tem de ser estática, rabiscada numa prancheta, estudada por projetistas espertos e inteligentes. Ponto, acabou aí. Acionar flaps é coisa para comandante da Varig. Piloto, na medida do possível, deveria apenas usar os pés para acelerar e frear, como se faz num carro de rua, e as mãos para trocar as marchas e virar o volante. Como se faz, ainda, em alguns carros de rua

Todo o resto é perfumaria invisível a olho nu que não interessa em nada a quem sustenta o espetáculo, o cara na arquibancada e o outro no sofá da sala diante da TV. Em vez de fomentar a criatividade de engenheiros e estimular o talento e o arrojo de quem pilota, os regulamentos procuram normatizar tudo, criar regras até para o orgasmo de uma corrida, que é o momento de ultrapassar, o “feeling” de quem está no cockpit, aquilo que diferencia um cara que dirige um carro de outro que pilota.

Agora, essa das zonas de ultrapassagem. Não vai vingar, não pode, porque é idiota demais até para quem acha, como a FIA, que tem recursos tecnológicos infalíveis para controlar a distância entre um carro e outro o tempo todo. E as asas móveis deveriam ser banidas já. Se está difícil de ultrapassar, não é criando normas para isso que se vai resolver o problema.

O Kers é outra tolice, dispendiosa e artificial. Já deu errado dois anos atrás, o que faz com que se imagine que vai dar certo agora? Só atrapalha na hora de projetar o carro, é mais uma traquitana para quebrar, dar defeito, e, de novo, separa as equipes em dois grupos, os que têm grana para desenvolver e os que não têm e, por isso, ficam ainda mais para trás.

O que se quer é criar regras para tudo. O planeta está assim. Aqui pode, ali não pode. Isso é permitido, aquilo, não. Entre por lá, saia por acolá. Vista-se assim, dispa-se assado. Não ria, não olhe para a câmera, pare, siga, pague, digite a senha, retire o cartão, disque 1 para saldo, 2 para mudar de plano, 9 para falar com nossos atendentes.

Mundo chato da porra.

Flavio Gomes

O canal do esporte

Domingo é dia de esporte? Então vamos começar a semana por aqui falando sobre o tema.

Não, não vou gastar tempo falando do Flamengo e da vitória sobre o América pela segunda rodada do carioca. Aliás, como já disse, só vou me dedicar ao inchado campeonato quando começarem os clássicos e a coisa ficar séria. Por hora, só merece destaque a sensacional campanha do Vasco até agora: duas derrotas para os gigantes Resende e Nova Iguaçu. Crise na Colina?

Sobre o rubro-negro, o que vale destacar é que estamos na final da Copinha, algo que não acontecia há tanto tempo que nem lembro nem tive paciência de procurar. Independente de título, acredito que há alguns meninos com muito futuro. E nenhum deles é o Negueba.

Mudando completamente de assunto, vamos às pistas. E sabem como está a Fórmula 1? Pois é, não está.

Vou te dizer… A F1 está se especializando em produzir chatice. Dá para acreditar que a menos de dois meses da abertura do Mundial o único assunto para discutir é quem vai usar o nome Lotus? Nenhuma grande contratação, nenhuma dança de cadeiras relevante, nenhuma perspectiva de revolução técnica, nada.

O regulamento vai mudar, OK. Asas móveis, que podem trazer alguma polêmica, a volta do KERS, a saída da Bridgestone e a chegada da Pirelli. Mas não teremos equipes novas, nenhuma das nanicas fechou as portas, receio que o campeonato comece mais ou menos do jeito que terminou no ano passado.

Este aí é um trechinho da coluna Warm Up, de Flávio Gomes. E nada mais teria a declarar se não tivesse encontrado o vídeo abaixo no blog Ultrapassagem, já devidamente adicionado à lista Na pista – Blogs, na barra lateral.

Como postado aqui, o cheiro é bom mas depois de ver a animação fiquei um tanto preocupado com a aparente falta de pontos de ultrapassagem. De qualquer maneira, o relevo é realmente bem aproveitado e a pista promete ser bem técnica.

Mudando de novo, um pouco de tênis. E política. Vocês lembram desse vídeo?

Pois ele andou bombado lá pelo meio de 2010. Não sei se vocês repararam no belíssimo aforisma produzido pelo nosso ex-guia: “tênis é esporte da burguesia”. Ainda bem que há muita gente que não acredita ou tenta mudar esse cenário.

Ao todo, são 32 as quadras de tênis da Secretaria Municipal de Esportes, Lazer e Recreação de São Paulo concentradas na periferia da capital. A maioria é de cimento cru, algumas têm a marcação pintada com tinta emborrachada, oito são de saibro, várias fazem as vezes de quadras poliesportivas e 18 delas, ou seja, mais da metade, estão com as atividades temporariamente interrompidas por motivos diversos.

Ainda assim, o conjunto de espaços públicos do programa Clube Escola, criado pela prefeitura em 2007, aglutina mais de 3 mil jovens da rede pública loucos para rebater uma bolinha. Nesse universo, a Teoria do Tênis como Agente da Burguesia construída por Lula de improviso foi bola fora.

Este é um trecho da matéria de Dorrit Harazim publicada na edição 48 da revista Piauí e republicada na coluna do Augusto Nunes. Vale ler inteira.

E pra terminar, vem por aí o que promete ser uma briga boa entre as confederações de muitas modalidades e o velho COB, que apesar de viver acossado pelo TCU continua fazendo das suas. Tudo porque modalidades que não deveriam receber tanto dinheiro – como o vôlei – porque são autossustentáveis, continuam abraçando as maiores partes do bolo. E já há muita gente se movimentando para resolver a pendência da marra, levando o caso à justiça. Pelo jeito, para quem gosta dos esportes olímpicos, vem aí uma boa novela. E não se espantem se o final dela for uma participação ridícula do Brasil nos jogos de 2016, no Rio.

Alíneas

A melhor pergunta sobre o imbróglio que Schumacher aprontou na Rascasse, a penúltima curva da corrida de ontem, ouvi hoje de manhã: ‘o regulamento foi feito por brasileiro?’

Como a confusão aconteceu no final da última volta, falemos primeiro da corrida. Como esperado, nenhuma emoção. Os cinco primeiros a cruzar a linha de chegada foram os mesmo cinco (e na mesma ordem) que passaram pela primeira curva. Poucas coisas relevantes, como o fato de Sebastian Vettel ter ultrapassado Robert Kubica na largada e pulado de terceiro para segundo. Apesar de perder a posição na largada, o piloto polonês é – sem dúvida – o melhor do ano até agora. O que ele anda conseguindo com a Renault é para constar em almanaques.

Outro destaque foi Alonso, que saiu dos boxes porque bateu e não treinou. Com a entra do safety car na primeira volta, ele deu o pulo do gato. Fez sua parada e começou a ganhar posições na pista. Quando todos os outros resolveram parar, ele pulou para a sexta posição.

Mesmo assim, uma corrida chata e previsível.

Como qualquer adendo seria um exagero, basta dizer que a Red Bull finalmente fez valer, nos números, o fato de ter o melhor carro do ano. Agora, a equipe é líder do mundial de construtores com 156 pontos, 78 para cada um de seus pilotos. Surpreendente, apenas o fato de Webber estar em um momento melhor que Vettel quando todos esperavam que o alemão seria a estrela do ano enquanto o australiano, seu fiel escudeiro.

Voltemos, então, à ultrapassagem de Schumacher sobre Alonso. No que diz respeito ao regulamento, para analisar o que aconteceu é preciso se debruçar sobre o artigo 40. Vejam o que dizem algumas de suas alíneas:

40.7: …é proibido ultrapassar até que os carros alcancem a primeira linha do safety-car após o seu retorno aos pits.

40.11: Toda vez que o SC entrar nos pits, sem exceção, as placas que sinalizam sua presença são retiradas e luzes e bandeiras verdes entram em ação.

40.13: Quando, ao final de uma prova, o safety car estiver na pista, ele será recolhido aos pits no fim da última volta e os carros receberão a bandeira quadriculada sem que acontecem ultrapassagens

40.14: é permitido realizar ultrapassagens, quando o safety car voltar aos pits, depois de cruzar a linha (se referindo à linha do SC)

Pelos trechos do regulamento reproduzidos acima, há argumentos a favor e contra Schumacher. O problema é que, mais do que ir contra as regras, o alemão feriu o espírito do negócio. Não importa se a regra é dúbia e deixa a brecha, pois todo mundo que acompanha automobilismo sabe que, se em bandeira amarela, só se ultrapassa após a linha de largada. Então, sua punição foi justa.

Mas há algumas nuances na manobra que devem ser notadas. É claro que Schumacher conhece o regulamento. Sabendo que existe uma pequena margem, arriscou. Perdeu.

Outro detalhe (talvez, o mais importante) é que, independente do resultado da manobra, ele precisava fazer aquilo. Porque desde que decidiu voltar a correr, sua decisão e – principalmente – seus resultados tem sido contestados. Mas Mercedes e outros patrocinadores apostaram muito dinheiro no piloto e ele precisa mostrar que valeu a pena. Com todos os aspectos de seu retorno analisados, dão-se os descontos necessários pelos três anos parados e a necessária readaptação muito mais lenta do que seria normal em função da proibição de testes. A manobra, mesmo acompanhada de uma punição, mostra que ele não perdeu o espírito competitivo, continua aguerrido, sempre em busca da vitória. Ele precisa prestar contas e, com o barulho feito ontem, conseguiu.

Entre bóias e jet skis

Mais um final de semana de corrida vem aí. Sepang, na Malásia, recebe a terceira das 19 corridas do campeonato. Mas antes de falar da próxima, queria dar uns pitacos – apesar do atraso – do corridaço do último domingo, na Austrália.

Se a primeira prova do campeonato foi das mais tediosas da história, a ponto de fazer pilotos, equipes, Deus e o mundo reclamarem horrores e pedirem mudanças urgentes, a corrida de Melbourne foi exatamente o oposto, com todos os elementos que se pode esperar de um GP. Todos os comentários que li a respeito apontaram a chuva como o fator determinante para a grande disputa. Eu, que adoro ser do contra, acho que não é bem assim.

É claro que a chuva é relevante para as características de uma prova, mas não foi só isso. A corrida começou com chuva sim, o que obriga todos os pilotos, por exemplo, a mudar os pontos de freada. Se não freiam tão dentro da curva, a chance de ultrapassagens – pelo maior espaço para manobras – aumenta. Outra coisa que ajuda é que, em velocidade pouco mais baixa, a turbulência nos carros que vêm de trás diminui, cresce a chance de se entrar no vácuo e tudo isso também ajuda para o aumento de ultrapassagens.

Mas há dois detalhes fundamentais em toda a história. Os pilotos precisam estar a fim de correr riscos e a pista tem que ser boa.

Por ser uma corrida realizada em circuito meio de rua, meio autódromo, não são raros os trechos em que o muro está muito próximo da pista e, nestes casos, qualquer erro do piloto pode provocar uma grande pancada. Além disso, o traçado dá muito mais oportunidades que a pista barenita, sem qualquer personalidade. Juntem a isso tudo as alternativas estratégicas em função do melhor conhecimento dos carros e pneus após o primeiro GP…

Enfim, é claro que a chuva ajudou, mas não foi a única.

Resultado

Button arriscou colocar os pneus lisos antes dos outros e venceu a prova sem fazer outra parada, premiado pela ousadia, sorte e talento de não castigar o carro. A decepção, mais uma vez, foi ver Vettel – potencial dono do final de semana – ser traído pelo carro mais uma vez. Em compensação, Massa chegou ao pódio em um final de semana especialmente difícil e depois de uma largada espetacular. Alonso fez uma linda corrida de recuperação e chegou em quarto. Schumacher decepcionou  e a Chandhock terminou a primeira corrida para a Hispania.

Abaixo, uma curiosidade pescada F1 Around. Uma comparação da volta em Melbourne feita Webber (Red Bull) e Bruno Senna (Hispania).

O RB6 de Webber não é só muito mais rápido — capaz de colocar uma reta de diferença a cada volta no HRT —, mas ambém muito mais estável em curva e frenagem, o que certamente permite aos dois pilotos da Red Bull extrapolarem todo o potencial do carro e de si mesmos como pilotos.

Enquanto Webber passeia por um trilho imaginário por Albert Park, Bruno chacoalha e abana para todos os lados. É tão grande o número de bruscas correções que o brasileiro faz no volante do HRT, que é um milagre que ele pilote sem tantos erros como vem fazendo nas poucas voltas que deu entre o Bahrein e Melbourne.

Becken Lima

País tropical

Se a chuva ajudou na Austrália, promete atrapalhar e muito na Malásia. As pancadas de chuva são assustadoras e, quase sempre, no horário da corrida. Em 2009, a prova foi interrompida por causa da chuva torrencial e, depois, encerrada na metade por falta de luminosidade. Por isso, este ano começa uma hora mais cedo (16h local, 5h Brasília). Mesmo assim, há chances de grandes problemas. Em mensagens no twitter, Di Grassi e Barrichelo já começaram a fazer piadas. O novato disse que pode ser preciso substituir os carros por jet skis enquanto o veterano já perguntou se os carros foram equipados com bóias.

Sobre a pista, não promete nenhuma grande emoção, apesar de duas retas enormes e grandes freadas. O traçado, como um todo, não é dos mais inspirados. Mas se chover de maneira civilizada, poderemos ter mais uma grande prova. Vejam abaixo a volta virtual na pista malaia, com Mark Webber a bordo do simulador da Red Bull.