Otimizando o fluxo de ar

Termina hoje a primeira semana de testes da F1 em 2014. Nada, nenhuma impressão definitiva é possível e analisar os tempos de volta é inútil. Mesmo assim, algumas coisas são fáceis de notar: a Mercedes confirmou os boatos do ano passado e é a montadora melhor preparada (o que não quer dizer que as outras não tirem o atraso a tempo). Mercedes e Williams são bem nascidos. A Sauber tem cheiro bom. Alonso não reclamou de nada, apesar dos problemas, o que indica que a Ferrari também. A Renault tem problemas e ver a Red Bull ter que lutar para superá-los é interessante, por motivos óbvios.

Mas e a Lotus, que não apareceu? Que as coisas não vão bem por lá, todo mundo que acompanha um pouquinho o noticiário da categoria já está cansado de saber. O problema, como sempre, é a falta de grana. Não por acaso, perdeu Kimi para a Ferrari e mais um monte de gente boa da equipe técnica.

Lotus_assimetricoA outra notícia da Lotus, nessa semana, tem a ver com seu bico diferente de tudo o que apareceu até agora, uma espécie de plug de tomada. Mas aí apareceu essa foto aí, que eu ainda não tinha visto. E o Marcos Chavarria explica o porquê de algumas coisas (em relação ao regulamento) e especula sobre algumas das razões da ausência do time em Jerez (além da óbvia falta de grana). Desconfio que ele acertou em tudo. Mas não aprofundou um tema relevante.

Ele levanta a hipótese de, se a Lotus estiver certa, todas as outras a copiarem ou gritarem contra. Foi assim com o difusor duplo da Brawn, por exemplo. Mas qual a grande diferença ou vantagem que esse bico de tomada pode trazer?

Reparem que as pontas do bico vão bem à frente da asa. Esqueçam os ‘gonzos’ e pensem em Ferrari e Mercedes (os aspiradores de pó). Os bicos seguram a asa com dois pontos de apoio que formam a boca do aspirador. Agora, no caso da Louts, ela faz o mesmo. Mas, lançando as pontas, mesmo que de forma assimétrica, ela cria um túnel de aceleração do ar que passa pelo bico para debaixo do carro. Num mundo que briga por pentelhésimos de segundo, é uma boa sacada. Ao menos na teoria.

Não acho que cause o efeito do difusor duplo, mas vai que…

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A chave já está na ignição

Crise de abstinência é uma bosta. Acho que todo mundo é capaz de avaliar algo assim. Eu, fumante, sofro disso. Às vezes, até quando não falta mas parece que vai faltar, que o maço vai acabar e não tem como comprar, a gente sofre.

Mas também tenho essas crises por outras razões. Inclusive mais saudáveis. Velejar, por exemplo. Já faz tempo que não vou ao mar, muito tempo. Circunstâncias, compromissos e situações ridículas como a do último fim (esqueci o celular no carro e perdi a hora) de semana têm me impedido de subir a bordo.

O futebol já não me causa isso, às vezes o Flamengo. E só o Flamengo. E a F1. Sim, adoro esse negócio. Não acho que perdeu a graça, muito pelo contrário. Mas mudou bastante.

Enfim, a temporada já vai começar. Jerez recebe, na próxima semana, os primeiros testes do ano. E hoje foi apresentado o primeiro carro de 2014.VJM07, a Force India 2014 / Foto: Sahara Force India

Por conta de todas as mudanças, do motor à aerodinâmica, a expectativa era a pior possível. Teve piloto que, pelos simuladores, avisaram que os carros seriam horrorosos. É verdade que só uma foto foi divulgada, meio que à distância e lateral. O bico termina lá embaixo, como se vê. Mas não parece ter aquele maldito degrau. O que não quer dizer que os outros não terão ou não serão muito feios. Ou mesmo que esse carro não vá mudar. O negócio é esperar.

As próximas apresentações são as seguintes: McLaren (sexta), Ferrari (sábado), Sauber (domingo), Toro Rosso (segunda) e Red Bull, Mercedes e Carteham (terça). Os mais atentos já notaram que não há previsão para Williams, Marussia e Lotus. Mas só a última já disse que fará forfait em Jerez.

Pequenas observações sobre quase tudo ou quase nada (2)

É impressionante como coisas simples, muitas vezes, deixam você de cabeça pra baixo. No meu caso, uma febre quase constante de 39º que apareceu sem motivo aparente e que, constante, nos fez ficar de vigília entre antitérmicos, banhos e compressas durante quase dois dias, até descobrir a garganta inflamada e começar o tratamento que, aos poucos, foi devolvendo a boa disposição e o sorriso – além do sono tranqüilo. E se eu fiquei meio fora de órbita, e até Adriça e Joana deram seus plantões ao redor do berço, certamente vocês conseguem imaginar como ficou a mãe da moça. O pior é que até hoje (2011!) ainda há gênios que as acreditam como sexo frágil. Ahã…

Mas mesmo depois de quatro dias sem praticamente abrir o computador, ler jornal ou prestar muita atenção à TV, metido que sou, resolvi dar aqui alguns pitacos sobre algumas notícias relevantes dos últimos dias.

 

Mínimo

Tenho achado muito curioso todo o noticiário que vem de Brasília nos últimos tempos. Como todos sabem, será bastante discutido e provavelmente votado o reajuste do salário mínimo nesta semana. E vejam como o termo ‘curioso’ realmente cabe aqui. Sem entrar na discussão sobre se é certa ou errada, o fato é que foi criada e aprovada uma regra (que deveria valer até 2023) para os reajustes anuais do vale coxinha nacional. Então, se está havendo discussões, pressões etc., é porque neguinho está rasgando a regra. Será que estou enganado?

Noves fora, a discussão ficou tão acalorada que o próprio presidente da câmara, Marco Maia (do mesmo PT de Dilma), disse que haverá um amplo debate na casa. Como o governo tem ampla maioria e deve conseguir a aprovação da milionária quantia de R$ 545, não se sabe o quanto há de farofa (afinal, a população precisa acreditar que os caras estão lá para defender seus interesses) e o quanto há de pressão por outros interesses. O que se sabe é que as nomeações para o segundo escalão estão paradas, à espera do resultado da votação.

Então, não é mesmo curioso? Porque é claro que fisiologismo não passa nem perto disso e eu devo mesmo estar meio doido.

 

Senna

É, eu também caí na esparrela de que haveria um duelo entre Bruno Senna e Nick Heidfeld pela vaga de substituto de Kubica na Lotus Renault (a preta). Diga-se de passagem, a postura do brasileiro durante a semana foi sensacional. Além de entender e concordar com a busca por alguém mais experiente para o desenvolvimento do carro, aproveitou a chance de andar com um F1 de verdade. Depois de quase 70 voltas no circuito de Jerez, na Espanha, foi consistente, fez bons tempos e passou boas informações para o time. Ganhou quilometragem e se mostrou pronto para assumir o posto de piloto no caso de eventualidades. Enquanto isso, o alemão deverá mesmo ser o escolhido para a vaga e o anúncio deve sair nesta semana, antes dos próximos testes, que acontecerão em Barcelona.

Enquanto isso, a Globo não perdeu a chance de fazer uma matéria bem ‘mela cueca’ sobre o nome Senna e o carro preto e dourado chamado de Lotus. Aquele velho papo de Brasil-il-il que não leva ninguém a lugar nenhum.

 

Frenesi faraônico

E Mubarak caiu e assumiu uma junta militar. Com uma promessa: governar pelos próximos seis meses ou até que seja possível convocar eleições gerais. De quebra, o parlamento desfeito e a constituição rasgada (oficialmente, uma comissão fará sua revisão com consultas à população). Não sei vocês, mas ando encafifado com essas promessas do novo governo, tenho a impressão que já li algo parecido com alguns livros de História por aqui. Mas deve ser só uma cisma boba minha né. Afinal, todas as grandes nações apoiaram (mesmo que a contragosto velado) a mudança no país.

É claro que não sou louco, sou contra qualquer tipo de ditadura. Mas há que se observar com cuidado o que vai acontecer no Egito daqui pra frente. Não sei porquê, mas tenho a impressão de que haverá problemas graves no futuro, algo como uma nova ditadura de fundo religioso, devidamente disfarçada por eleições. Tomara que eu esteja errado.

Outra coisa a se observar com atenção é que a confusão na terra dos faros não foi a primeira a começar, mas a primeira a ter resultado concreto. E que uma espécie de efeito cascata já pode ser visto em outros países do Oriente Médio e da Ásia. Será um ano bem barulhento ao redor do mundo, podem esperar.

 

Farelo

Um pouco mais de F1, vou arriscar falar de pneus. Existem algumas maneiras óbvias de se utilizar a participação no automobilismo como publicidade de pneus. A maior delas é mostrar que seu produto é extremamente confiável: durável (econômico) e seguro. Foi o que a Bridgestone fez desde que é fornecedora F1, entre outras categorias).

Pois a nova fornecedora, a Pirelli, resolveu assumir outro caminho. Em parceria com os anseios da FIA e da FOM por corridas mais emocionantes, seus pneus praticamente se esfarelam na pista, obrigando pilotos a serem mais delicados ao volante e – ao mesmo tempo – obrigando equipes a pensar em estratégias diferentes das até hoje habituais. Mesmo que isso não seja apresentado claramente em sua publicidade, isso mostrará como os pneus (e a maneira como você os usa) pode mudar o comportamento de um carro, tornando-o mais ou menos seguro.

Sobre o resto da Fórmula 1, só faltam mais duas baterias de testes antes do início da temporada. E é a partir da próxima, em Barcelona, que será possível começar a entender a relações de força do campeonato que vem aí. A pista espanhola é fundamental por vários aspectos e muitos dos trunfos que foram escondidos até agora pelas equipes serão, finalmente, apresentados. Ainda será possível ver brilharecos deste ou daquele time em busca de patrocinadores, mas ao final da semana já saberemos – com raros desvios – quem vai brigar pelo quê durante o ano.

 

Paz insuportável

Então tá, desde sexta-feira a polícia federal faz operação no Rio, com mandados de prisão contra trocentos policiais civis e militares que revendiam a traficantes, parte do material apreendido (drogas, armas e munição) em operações nas favelas, inclusive naquela que virou propaganda de governo, no Alemão e na Vila Cruzeiro.

E aí, já ouvimos e continuaremos ouvindo expressões como ‘cortar a própria carne’(ou vocês acreditam que o nome “operação guilhotina” é por acaso?), ‘depurar a instituição’ e coisas do gênero.

Preciso admitir que estou positivamente surpreso, pois a coisa apareceu de maneira rápida para os nossos padrões. O problema é que é justamente por coisas assim que não perco a desconfiança de que todo o esforço feito até agora não passa de uma espécie de maquiagem para que o cenário esteja a contento para a copa de 2014 e os jogos de 2016. Mas vocês não tem noção de como eu quero estar completamente errado sobre isso.

 

Passou da hora

E o Flamengo goleou o Resende por 1 a 0 hoje e terminou a fase de classificação da Taça Guanabara com 100% de aproveitamento. Lindo! Só que, a despeito dos números, não vi o time jogar bem de verdade durante um jogo inteiro até agora. E, sinceramente, já passou da hora do profexô dar um padrão de jogo para o time. Porque a verdade é que, até agora, foi só baba. Tanto que o ex-Bacaxá passou para as semifinais em segundo no grupo.

Mas não há como negar que somos favoritos. Afinal, nosso próximo adversário conseguiu empatar com Bangu e Macaé. E o Fluminense perdeu para ele… O que me incomoda nessa história (é, sou mesmo fatalista e pessimista) são os tais 100%. Porque todo mundo sabe que ninguém é imbatível, e quanto mais tempo passamos invictos, mais perto estamos da primeira derrota. Tomara que não seja agora.

Noves fora, antes do jogo com o Botafogo, teremos a estréia na Copa do Brasil contra o Murici de Alagoas. Bom momento para o time encaixar, como gostam os boleiros, e começar a jogar bem. Porque a Copa do Brasil vale muito e 2 a 0 lá garante ao time uma semana livre de compromissos para treinar em paz.

 

Aposentadoria

Cá entre nós, já tinha passado muito da hora do gordo pendurar as chuteiras, já faz anos que luta de modo absurdo contra as contusões e o tamanho da barriga.

Talvez eu seja apedrejado agora, mas sempre (há testemunhas) disse que Ronaldo era um atacante excelente e só. É claro que sua história de voltas por cima, inclusive com seu desempenho na copa de 2002, são sensacionais. Ou fenomenais, vá lá. Foi um grande artilheiro que tinha problemas em cabecear, dava grandes arrancadas mas seus dribles nunca foram  fluentes (na maioria das vezes, passava pelos zagueiros aos trancos), nunca foi um bom passador, nunca chegou perto de ser um jogador completo.

Foi eleito três vezes o melhor do mundo, acredito que muito mais por ter brilhado em uma época de poucos craques (1996 e 97) e por seu desempenho em uma competição que dura apenas um mês (2002).Só falando em R, acho que fez menos do que Rivaldo, muito menos do que Ronaldinho Gaúcho e Romario foi só umas dez vezes melhor que ele. Nada disso tira seus méritos, de modo algum, mas não o coloca no Olimpo.

De qualquer maneira, não fez pouco, não conquistou pouco. Então, muito boa sorte, saúde e felicidade.

 

Indigna

A garota tramou o assassinato dos pais só para meter a mão na grana, confessou os crimes e, só depois de muitos anos, foi declarada oficialmente ‘Indigna’. Curioso, também, o juridiquês.

 

Quando a gente pensa que a estupidez não tem limites…

Já terminou, depois de apenas três dias, a primeira série de testes da F1 para a temporada 2011. Notícias do dia? Kubica fez o melhor tempo. Mas é impossível saber o quanto disso pode ser em função de um escapamento que joga os gases para a frente para que eles, ao passar sob o carro e serem engolidos pelo difusor, gerem mais downforce. Pelo menos, parece que não atrapalha.

Mas como todo mundo que escreve sobre F1 por aí já disse, especialistas ou apenas apaixonados como eu, até a última seção teremos apenas tendências, mais fortes ou mais fracas, de como será a temporada. Afinal, vale destacar que temos uma Force India de 2010 andando na ponta.

Massa começou mal, com sua Ferrari pegando fogo e perdendo muito tempo de pista. Mesmo assim, avaliou bem o que pôde testar do carro e o comportamento dos pneus Pirelli.

Agora, novidade novidade mesmo, uma invenção da FIA: a criação de zonas definidas de ultrapassagem e utilização da nova asa traseira móvel. O que eu tenho a dizer sobre isso? Depois de algumas gargalhadas meio desesperadas de ler algo assim, encontrei o texto abaixo.

Burrice endêmica

Eu não tenho dúvidas de que o mundo passa por um surto endêmico de burrice. Ela se manifesta “em todos os níveis”, como dizem os enroladores profissionais. Um desses níveis, claro, é a Fórmula 1. Prega-se redução de custos e, ao mesmo tempo, inventam-se bobagens que só aumentam os custos e criam confusão. Lamentam-se as dificuldades de sobrevivência e criam-se outras maiores ainda. Para matar os que não se enquadram, levá-los à bancarrota, instituir uma lei de Darwin ditada pelo poder econômico.

A última da FIA é divertidíssima. Delimitar “zonas de ultrapassagem” nas pistas, onde possa ser usada a brilhante asa móvel inserida no regulamento deste ano. Mais ou menos como se a Fifa determinar que chutes a gol só possam ser efetuados a partir de áreas previamente estabelecidas, desde que os zagueiros estejam a uma distância pré-estabelecida e os goleiros, com os dois pés no chão e as mãos erguidas à altura do peito.

Comecemos com a asa móvel, uma estupidez sem tamanho. Carro não é avião. A aerodinâmica que atua sobre o automóvel tem de ser estática, rabiscada numa prancheta, estudada por projetistas espertos e inteligentes. Ponto, acabou aí. Acionar flaps é coisa para comandante da Varig. Piloto, na medida do possível, deveria apenas usar os pés para acelerar e frear, como se faz num carro de rua, e as mãos para trocar as marchas e virar o volante. Como se faz, ainda, em alguns carros de rua

Todo o resto é perfumaria invisível a olho nu que não interessa em nada a quem sustenta o espetáculo, o cara na arquibancada e o outro no sofá da sala diante da TV. Em vez de fomentar a criatividade de engenheiros e estimular o talento e o arrojo de quem pilota, os regulamentos procuram normatizar tudo, criar regras até para o orgasmo de uma corrida, que é o momento de ultrapassar, o “feeling” de quem está no cockpit, aquilo que diferencia um cara que dirige um carro de outro que pilota.

Agora, essa das zonas de ultrapassagem. Não vai vingar, não pode, porque é idiota demais até para quem acha, como a FIA, que tem recursos tecnológicos infalíveis para controlar a distância entre um carro e outro o tempo todo. E as asas móveis deveriam ser banidas já. Se está difícil de ultrapassar, não é criando normas para isso que se vai resolver o problema.

O Kers é outra tolice, dispendiosa e artificial. Já deu errado dois anos atrás, o que faz com que se imagine que vai dar certo agora? Só atrapalha na hora de projetar o carro, é mais uma traquitana para quebrar, dar defeito, e, de novo, separa as equipes em dois grupos, os que têm grana para desenvolver e os que não têm e, por isso, ficam ainda mais para trás.

O que se quer é criar regras para tudo. O planeta está assim. Aqui pode, ali não pode. Isso é permitido, aquilo, não. Entre por lá, saia por acolá. Vista-se assim, dispa-se assado. Não ria, não olhe para a câmera, pare, siga, pague, digite a senha, retire o cartão, disque 1 para saldo, 2 para mudar de plano, 9 para falar com nossos atendentes.

Mundo chato da porra.

Flavio Gomes

RB7, STR6, W02, FW33 e a asa

Mais um dia meio que fora do ar e olha eu aqui atrasado de novo. Infelizmente, períodos de mudanças – mesmo quando para melhor – trazem alguns contratempos. E é bem provável que continue assim por alguns dias. De qualquer maneira, achei que valia fazer o registro, porque hoje começou, em Valência, oficialmente o ano da F1.

Fazer comparação de tempos, por hora, seria ridículo, porque ainda há carros velhos andando e não sabemos nada dos programas de cada equipe, configurações, peso e objetivo dos treinos. Talvez, depois dos três primeiros dias, seja possível ler as tendências. Só para se ter uma idéia do que estou dizendo, Vettel foi o mais rápido. Ok, nenhuma novidade. Mas em segundo, terceiro e quarto, três carros de 2010 com alguns novos componentes e dois pilotos reservas: Force India (Nico Hulkenberg), McLaren (Gary Paffet) e Force India (Paul Di Resta).

O destaque do dia foi a apresentação de mais quatro máquinas. E a primeira foi logo a sucessora do carro campeão de construtores e pilotos em 2010. E o tal a ser batido. E assim, Adrian Newey produziu pouco mais que uma evolução do carro anterior. Um bico um tantinho diferente e sem aquelas abas ressaltadas de antão, a bigorna em ângulo reto e – certamente – alguma inovação aerodinâmica que eu, a olhos nus e do lado de cá do Atlântico não consegui ver.

Logo depois, o lado B. Quer dizer, a Toro Rosso. A única novidade é a tendência de levantar o bico apresentada por quase todas as outras equipes. Mesmo assim, nem tanto. Nenhuma grande novidade, carrinho bem conservador mesmo. Pelo jeito, está pronta pra fazer o mesmo papel do ano passado, ficando ali pelo meio do grid, ou ainda menos.

A Mercedes foi a terceira do dia e mostrou um carro bem interessante. As linhas são mais suaves que a média geral e seu bico é bem diferente. Na verdade, é claramente inspirado no primeiro Red Bull desenhado por Newey, com as abas bem pronunciadas a partir dos braços da suspensão, e com um desenho geral que lembra bastante um bico de pato. Não sei se será um carro para sair do limbo em que ficou no ano passado e brigar com as três grandes equipes ou se será ultrapassado pela Lotus Renault. Mas o carro ficou muito bonito.

Por último, a Williams. Além da pintura toda azul marinho (nitidamente provisória, infelizmente) e do número remetendo às priscas eras do automobilismo, a grande novidade foi o bico curto, que não atravessa a linha da asa dianteira. Historicamente, os FW são bem construídos, com grande potencial. A questão é se o dinheiro que Maldonado traz da PDVSA será suficiente para fazer evoluções consistentes ao longo da temporada, porque não parece que a equipe conseguirá um segundo patrocinador forte. Outra dúvida é se o motor Cosworth conseguirá dar ao carro a potência que ele precisa para andar bem.

O próximo lançamento será o da McLaren na sexta. E além dos carros novos, a grande novidade do dia foi o vídeo abaixo, da Sauber, que mostra como será o funcionamento da asa traseira móvel.

A volta dos cabeças de área

Foi preciso um dia inteiro para me reacostumar à rotina de trabalho, cidade grande, poluição, trânsito, metrô apertado e problemas congêneres.

E no recomeço das bobagens que costumo publicar por aqui, resolvi falar de Mano Menezes. Afinal, quando foi ‘confirmado’ o nome de Muricy, tratei de baixar o sarrafo. Mal sabia eu que o circo estava apenas começando. E infelizmente falarei o óbvio. Que falta de habilidade, que presunção, que prepotência de seu Ricardo, achando que bastava estalar os dedos e todos cairiam a seus pés.

No fim, por conta de uma briga política, o Fluminense fez questão de segurar seu técnico. E por falta de garantias de que seria o técnico da seleção até 2014, não importando os resultados do caminho, Muricy não fez muita força.

Para mim, como todos vocês podem ver dois posts abaixo, o que aconteceu foi muito bom para a seleção.

Se é verdade que não tenho grandes elogios a Mano, também é fato que não tenho grandes aversões. E até que me prove o contrário, é apenas um pouco menos retranqueiro que seu colega de profissão que trabalha no Fluminense.

Enfim, saiu ontem sua primeira lista e foi realizada sua primeira coletiva. E independente das minhas impressões sobre o sujeito, sua convocação e seu discurso (educado e simpático) apontam para uma melhoria significativa no modo de jogar do time nacional, se preparando – inclusive – para desmentir a mim e a muitos outros que o tem como retranqueiro.

Nomes estranhos à parte, como Jucilei e Renan (goleiro do Avaí), sua convocação e seu discurso prometem um time com meio de campo talentoso, substituindo brucutus e cabeças de bagre por armadores de verdade e cabeças de área (versão original, daqueles que sabem tocar a bola e sair jogando).

É claro que, como sempre, ninguém nunca estará satisfeito com todos os eleitos do técnico e, principalmente no início do trabalho, teremos de nos acostumar com alguns personagens estranhos. Apenas reflexo do período de testes natural. Deixemos o sujeito trabalhar.

Testando (2ª edição)

Acho que fica melhor assim, se alguém quiser dar algum pitaco. Aí embaixo estão as três versões do blog, escolham uma e pronto.