Hora da escola (4)

Foto: Gustavo SirelliQuem tem o hábito de visitar o cafofo, já sabe que sou desses que bate palmas pra escola das filhas, que abraçam a proposta e defendem os caminhos adotados. Mas nem tudo são flores, claro. Por exemplo, já houve discussão sobre a doação de livros para determinada organização, ação social embolada e embalada por proselitismo político.

Outra discordância sempre aparece nessa época do ano, final do primeiro semestre, hora de acender a fogueira das festas juninas. Ou, na visão pretensamente progressista e politicamente correta da escola, uma asséptica festa no campo.

Aqui, abro parênteses que se mostrarão úteis mais à frente. Ontem à noite, na abertura do programa Saia Justa do GNT (não sei se era reprise ou episódio do dia), o professor Sérgio Cortela disse duas coisas óbvias: “o estado brasileiro é laico mas não é ateu” (basta ler nossa constituição pra descobrir isso) e “ter religiosidade não é a mesma coisa que ter religião”. É o ululante, sei disso, mas quando dito por um catedrático como Cortela, ganha peso e (talvez) seja mais levado a sério. Sigamos pois.

2014 é o nosso terceiro ano na escola, e no primeiro ainda dei-me ao trabalho de levantar algumas bolas com a professora da Helena de então, a Camila. Depois desisti, sinceramente deu preguiça. E talvez tenha errado nisso, deveria ter insistido. Ora bolas, por que festa do campo e não festa junina? Por que não vestir as crianças como os matutos tradicionalmente representados em qualquer festa junina?

 Sacro

Foto: Gustavo SirelliO que é sagrado para você? Pra mim, um monte de coisas. Em termos de religião, sou católico apostólico baiano. Mas não é isso que vem ao caso. As festas juninas, sem esse nome, são bem anteriores à era cristã. Têm relação direta com o solstício de verão, na Europa, e a relação das sociedades de então com a terra e seus deuses. Era nessa época do ano, ali entre o que seriam os dias 22 e 25 de junho do nosso calendário juliano, que eram feitas oferendas e pedidos em busca de uma boa colheita.

Se não pode derrota-los, junte-se a eles. Foi assim que a Igreja Católica, sem conseguir frear a tradição, criou as datas em homenagem aos santos. Isso foi pelo século X. Daí que além da referência óbvia ao mês de junho, o termo junino também seja apontado por estudiosos como uma corruptela de joanino, posto que 24 de junho é dia de São João.

Curiosamente, ao chegarem por aqui, os portugueses – católicos fervorosos – encontraram entre os índios, celebrações realizadas na mesma época (por aqui, o solstício de inverno) e pelas mesmas razões: agradecimento aos deuses pelo sucesso obtido e oferendas e pedidos por uma nova boa colheita. E é por isso que, nas festas juninas brasileiras, pela convivência de costumes entre nativos e europeus, as comidas típicas das nossas festas tenham tanto milho.

Foto: Gustavo SirelliPara cada detalhe, é encontra-se uma explicação, todas elas ligadas às origens das festas. É assim com os balões (usados para avisar a comunidade do início das festas), as fogueiras (tradição pagã, para iluminar os caminhos dos deuses, e católica, pela lenda de que uma fogueira seria o modo de comunicação entre Maria e Isabel), o casamento (referência clara a Santo Antônio) e a pescaria (brincadeira em homenagem a São Pedro).

Sinceramente, não sei como a escola trata desses assuntos com os alunos do ensino fundamental em diante (ainda estou na educação infantil a acredito que tudo isso ainda está fora do espectro de compreensão dos pequenos). Mas seria absurdo negar a relação sagrada dos povos com a terra, tanto na Europa medieval e anterior, quanto entre os índios brasileiros. Também seria absurdo negar a relação sagrada (nesse caso, de origem católica) dos fiéis celebrando seus santos. Porque tudo isso é sagrado e – antes de religião – é história da formação do nosso povo.

O matuto

Foto: Gustavo SirelliQuando era criança, lá estava eu de calça jeans puída com remendos coloridos, camisa xadrez, chapéu de palha e um dente “faltando”. As meninas, de vestido de chita quase sempre floridos, maria-chiquinha e outros detalhes. E foi aqui que me peguei com a escola e sua festa do campo. Há um discurso que isso é uma visão deturpada do homem do campo, que não deve ser disseminada.

Oi? Ou não sabem história ou estão com preguiça de contextualizar o mundo para as crianças ou são mais realistas que o rei. Mais ou menos como tentar mudar a letra de “atirei o pau no gato”. Basicamente, se esse for o caso, tristemente reconheço uma visão boçal.

Pra começo de conversa, no início não eram todos que iam fantasiados às festas. Apenas aqueles que dançariam a quadrilha e tinham lá seus personagens: padre, noivo, noiva, pais do noivo, pais da noiva, madrinhas, padrinhos, delegado e sacristão. Esse é o significado geral do negócio que, apesar das regionalidades, se mantém.

Não sei vocês, mas já vivi algumas (muitas) festas juninas na roça. E eles adoram as quadrilhas e as fantasias, a carnavalização de si próprios, que sempre foi celebração e crítica simultâneas. Uma vez que “isolados” dos recursos das grandes cidades, não conseguem comprar roupas novas para as festas (por isso os remendos e calças pescando siri, e as camisas xadrez feitas com o tecido barato disponível) nem tem acesso a alguns serviços básicos, como saúde (e por isso um ou outro dente pintado de preto, como se não existisse).

Foto: Gustavo SirelliA evolução desse cenário foi uma espécie de glamourização dos figurinos, como se Joãozinho Trinta assumisse a produção, também com coreografias a cada ano mais elaboradas, para os grandes concursos de quadrilha.

Tudo isso pode parecer uma grande bobagem, “são só festas juninas”. Não acho, especialmente nesses nossos tempos pós-modernos, em que as crescentes cidades do interior e a expansão do agronegócio aproximam cada vez mais as experiências de quem vive no campo e na cidade. Porque fechar os olhos a essas tradições, tentar negar que isso existe e tem um significado muito forte, é fechar os olhos para a formação do povo brasileiro. É um jeito progressita-intelectualóide, em que se tentar igualar tudo e todos para não ferir suscetibilidades, quando na verdade deveríamos estar preocupado em resguardar tradições, nos esforçando para explica-las e, assim, usar o passado para entender nosso presente e pensar o bendito futuro.

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Elementos

Está acontecendo em Buenos Aires, desde julho e até o final deste mês, a Tecnópolis, uma espécie de feira em comemoração ao bicentenário da independência argentina.

Para sua divulgação, o Instituto de Cine y Artes Audiovisuales (INCAA) patrocinou a produção a produção de cinco filmetes: Terra, Fogo, Ar, Água e Criação, que está abaixo.

Foto do dia: não era redonda?

A foto do dia não é bem uma foto, como vocês já notaram. Mais precisamente, é um geóide, uma superfície projetada apenas se considerando a gravidade, sem a ação de marés e correntes oceânicas.

A imagem foi construída depois de dois anos coletando dados enviados por satélites. Em tese, o modelo será referência para medir a movimentação dos oceanos, nível do mar e dinâmica do gelo, o que – reza a lenda – contribuiria no entendimento das mudanças climáticas. E também pode ser usado para um estudo mais preciso da estrutura do planeta e, quem sabe, compreender os processos que levam à formação de terremotos.

Não sei se tudo isso é verdade, não sou cientista e – como leigo – nunca me dediquei muito ao tema. Mas gostei da imagem, que remete ao monte de coisas que aprendemos ou admitimos por osmose. “A Terra é redonda”. Pombas, não seria muito estranho que nesse universo infinito, o lugar onde vivemos – resultado de explosões e impactos com outros corpos – fosse uma esfera (quase) perfeita? E nunca pensamos nisso.

Agora, tenta lembrar de tudo aquilo que você ouve e aceita como verdade sem discutir porque alguém disse (ou não) que era ‘cientificamente comprovado’.

Clique aqui para ver uma animação do geóide.

Heranças

Então é Natal. Ok, admito que ando meio empombado com a data e ainda não descobri a razão exata. Mas vá lá que, já madrugada e eu sem sono, me peguei pensando nessa história de família reunida e coisas do gênero e acabei lembrando de algumas coisas da minha infância.

Não canso de agradecer aos meus pais pelo ecletismo (existe isso?) musical com o qual fui criado. Em casa, desde sempre, ouvia-se de tudo. Fosse para ninar os filhos, fosse para ler o jornal de domingo. Claro, falo de uma época em que o funk era música e que a disco music era tocada com instrumentos e não computadores.

E lembrei de Luiz Gonzaga.

Havia em casa um disco do sujeito, um clássico: O homem da terra. Entre as gravações históricas do tal LP, a faixa de abertura era A triste partida num dueto de Gonzagão e Gonzaguinha. Também estavam lá a Estrada de Canindé, O adeus da asa branca, os Tropeiros da Borborema e O homem da terra que nomeava o disco.

O grande barato do filho do Januário é que ele foi capaz de retratar a vida do nortista de seu tempo em todos os aspectos. A denúncia pelas condições de vida, o amor, a fé, a alegria e o humor. E o tal LP era tão bom que contemplava tudo isso. Também estava lá, no lado B, o Siri jogando bola que me fazia rir pequeno.

E aí, com a lembrança, resolvi dar um pulo no Vocêtubo para ver o que encontrava. E dei de cara com outro presença marcante de minha infância. Era quase religioso assistir o Som Brasil apresentado pelo Rolando Boldrin (que depois foi substituído por Lima Duarte) nas manhãs de domingo. Hoje, apresenta um programa na TV Cultura que, muito justamente, se chama Sr. Brasil.

Luiz Gonzaga e Rolando Boldrin são dois sujeitos fodásticos, como diz um amigo, a quem o Brasil não dá o devido reconhecimento. E digo isso sem qualquer constrangimento ou medo de alguém me apontar o dedo afirmando que é apenas uma impressão baseada em memórias remotas.

E entre as muitas coisas que encontrei do Gonzagão, esse vídeo de quase dez minutos em que o Sr. Brasil presta lindíssima homenagem ao Rei do Baião. E se você não conhece um ou outro, assista e tire a prova.

O ego

Tem gente que nasceu para escrever. É o caso do Luiz. E nada mais a declarar, porque para os padrões da Internet o texto é longo. Como não ligo muito pra isso, o que vale é a qualidade, só posso desejar que aproveitem a leitura.

Vida artificial

Luiz era um sujeito engajado e bem sucedido. Bem formado, com estudos em centros acadêmicos de excelência. Vida regrada e reputação ilibada. Lá pelos seus 40 e poucos anos, Luiz já tinha atingido um patamar de conforto material que lhe permitiu se desempregar e trabalhar como consultor.

Sua especialidade era resgatar unidades em dificuldades de grandes empresas que apresentavam destoantes das demais unidades que iam bem. Com isso, interagia com pessoas, identificava bons profissionais, desenvolvia potenciais e também, limava pessoas que não correspondiam. Redesenhava processos e, muito rapidamente, captava a tecnologia e pesquisava alternativas mais modernas e de menor custo.

Pois bem. Um homem de sucesso. Um pouco desastrado nos casamentos e por vezes permissivo em suas próprias finanças. Mas, bonitão e educado, não lhe era muito problema conhecer pessoas interessantes e viver romances. Tinha a admiração de seus dois filhos. Enfim, uma vida no prumo, considerando os nossos valores ocidentais.

Um belo dia, Luiz foi atravessar a Av. Rio Branco com Rua do Ouvidor e zap! ficou tudo branco.

Por momentos que é difícil precisar se foram minutos ou meses, tudo ficou branco, frio, congelado. Luiz não se sentia, como num coma ou como numa anestesia geral. Por vezes, tinha lapsos de lembrança de ter caído ao chão em algum lugar.

De repente, um sujeito enorme, de nariz adunco, expressão pouco feliz, casaco de couro de clube de motociclistas e pelo menos dois piercings visíveis. o cutucou e o despertou desta hibernação surreal. Luiz perguntou tudo: quem era o cidadão, onde estava, o que estava acontecendo e onde estava a gravata Hermés novinha dele. O tal sujeito muxoxava apenas. Eu sou um arcanjo. Você está num lugar maravilhoso e em breve o Chefe te contará o resto.

Arcanjo? Lugar maravilhoso? E a gravata?

Horas de chá de cadeira e Luiz impaciente com aquilo. A iluminação era estranha. Tudo muito claro, em tons de azul. Havia um bebedouro e Luiz tomou vários copos d’água. Sentia-se bem. Aliás, pouco percebia de seu corpo, que ele enxergava, mas lhe transmitia poucas sensações.

De repente de novo, entra na sala outro sujeito grandão, moreno, de fala grave, mas menos mal-humorado e se apresentou. Sou Agostinho e estou aqui para levar você até o Chefe. Mas preciso lhe fazer algumas perguntas primeiro. Pode ser?

Luiz não sentia outra alternativa, tinha de ser. Entrou numa sala que impressionou pela imponência e sentou-se em uma confortabilíssima cadeira.Agostinho tomou seu lugar à mesa e lhe entregou um cartão “Agostinho de Hipona – Recrutamento e Seleção”.

Luiz argumentou que não procurava emprego. Agostinho fez um sinal solene que significava um misto de “calma”e “é irrecusável”.

Agostinho começou então seu discurso. Sr. Luiz, o senhor sabe que a leitura da Bíblia deve ser feita à luz do desenvolvimento do conhecimento do homem. Há 1800 anos atrás , suas mensagens eram entendidas quase literalmente. Hoje, lá na Terra a leitura deve ser outra…

Luiz não entendia nada.

Agostinho prosseguiu. Hoje o homem sabe que o Universo é infinito, que a Terra não é o centro de nada, e que se lá há catástrofes, no resto do Universo há algumas milhares simultâneas. Administrar, controlar, tentar evitar e se for o caso eliminar do Universo zonas problemáticas é o nosso trabalho. Fui escolhido para entrevistá-lo porque sou da Terra, fui guerreiro, frequentei muito meretrício, mas fui um homem que ao final da vida salvou uma cidade, e deixou um legado, que infelizmente deturparam. O Tomás, que tem uma sala ali na frente é meu desafeto, assim como esse sujeito novo que chegou aqui agora, um certo Woijtila. São ovelhas, quando aqui precisamos de pastores, líderes, homens de pulso…

Luiz entendia cada vez menos.

Bem, sr. Luiz. O senhor está no Céu e funcionamos como uma empresa. Recrutamos o senhor porque suas competências nos são interessantes. Eu sou um sujeito agressivo quando preciso. Frequentemente peço ao Chefe perdão pela falta de santidade, e ele aceita porque confia em mim. Tenho fibra. É de gente como o senhor que precisamos. Agora acompanhe-me que o Chefe está esperando.

Céu? Empresa? Raios… O que houve? Luiz tinha dúvidas, mas o principal ele já havia percebido. Ele tinha morrido e, por algum motivo, o levaram ao Céu… Mas aquilo era, por demais, confuso ainda.

A sala do Chefe era um pouco maior só que a de Agostinho, mas com decoração entre estilo Luís XIV e um moderno de muito bom gosto. Impressionante, de fato. Num painel ao lado, várias telas, com gráficos, imagens de estrelas, uma pequena da Terra, no momento focalizando Xangai. Vários iMacs bem espalhados em mesas assessórias e algumas outras pessoas, todas elas com rosto pouco expressivo e azuladas.

O Chefe trajava um terno tipo inglês muito bem cortado e… uma gravate Hermés igual à que Luiz havia perdido no apagão! Tinha expressão muito séria. Seríssima, na verdade. E um triângulo luminoso um pouco acima da cabeça. Era calvo, bem barbeado e não usava óculos. Sem meias-palavras começou sua fala.

Como vai, Sr. Luiz, espero que tenha sido bem recebido. De fato, até essa conversa ainda não lhe proporcionamos todos os benefícios. Sou direcionador, mas preservo muito o livre arbítrio e o senhor pode não aceitar minha proposta. Bem, em primeiro lugar gostaria de informar que sua vida terrena se encerrou há 18 dias, 3 horas e 12 minutos. O senhor foi acometido de um acidente vascular cerebral fulminante. Até pensamos em prolongar sua estada na Terra, pois o senhor ia muito bem, mas esses organismos que criamos por vezes não nos obedecem. Bem, por aqui tomamos conta do Universo todo. Somos uma organização enxuta e eficiente, afinal há bilhões de anos estamos em expansão. Nosso sucesso não tem precedentes nem comparações. Temos problemas de toda espécie. Tempo, buracos negros, equilíbrio de metais, criação de vida…

Neste momento, Luiz interrompeu. Criação de vida? A teoria criacionista é então a verdadeira?

O Chefe respondeu: que besteira Luiz, claro que não. Vida é Química, é um acidente. Mas sob determinadas situações, surge de forma vigorosa. Na Terra, seu planeta…

Luiz interrompeu de novo. Meu planeta? Existem outros com vida?

O Chefe começou a se mostrar, ao mesmo tempo, impaciente, mas percebia em Luiz uma estratégia para encostá-lo na parede: sim, existem vários, com formas de vida muito diferentes da Terra. Para que o senhor não fique chocado, os seres que são chamados ao Céu após sua breve vida orgânica adquirem para o senhor um aspecto semelhante ao seu. Imagine se deparar no toilette com uma geléia andante, que tem três pênis e só faz grunhir. O senhor pensaria estar em nossa filial de maldades, que meu irmão administra, e com competência diga-se de passagem, pois administrar gente que não presta é muito mais difícil que boas pessoas. Mas esse sujeito gelatinoso é um ótimo caráter, trabalhador, teve uma vida correta em seu planeta e contexto e contribui enormemente para nossa Organização. Bem, Sr. Luiz, sei que tem muitas perguntas. Morrer é ruim. Meu filho me contou como é, tanto que desistiu de ficar morto no terceiro dia. Sei que há traumas, perguntas e muita confusão mental. Não se preocupe. O Dr. Agostinho é o responsável por sua adaptação aqui. Procuramos amenizar tudo e proporcionar-lhe o melhor, afinal só os melhores vêm para o Céu. E soltou uma gargalhada que parecia um estrondo de um vulcão… O senhor será bem acolhido. Temos belas acomodações e várias possibilidades de viagens intergalácticas, receptores de imagens com 200.000.000 de canais de televisão de diversos planetas – infelizmente, recentemente um sujeito que trouxemos da Terra, seu planeta, e que vocês lá chamam de Papa – Papa de que eu não sei (e soltou outra gargalhada arrepiante) – proibiu canais com sexo. Uma besteira que estou revendo porque a vida se reproduz com sexo, fui eu que bolei esta coisa e gosto muito, mas enfim, o senhor passará por uns 15 dias de adaptação, com uma medicação celestial especial e estará pronto para começar suas tarefas. Neste ponto é que reside a pergunta mais importante. O senhor está disposto a trabalhar conosco? Para isso, naturalmente, preciso descrever o que serão suas atribuições. A divisão do Universo é complexa. Em algumas regiões temos problemas de física, em outras de química, em outras de situações esdrúxulas que aparecem. O Universo funciona como seu livre arbítrio. Ele é autônomo. Os que dizem que governo tudo estão redondamente enganados. Eu controlo sim, e confesso, tenho alguns poderes.
Estamos atualmente com um crescimento vertiginoso de vida em um país periférico do que chamamos “zona do silício”. Administraram mal as quotas de silício, criaram um déficit sério e, o pior, há a ameaça de contaminação das “zonas de carbono” e das “zonas de berilo”. Pretendo evitar um crash de alguns recursos como o oxigênio, por exemplo. Vocês lá na Terra, por exemplo, estão desrespeitando o equilíbrio de um monte de coisas, em breve teremos de interferir por lá, mas é um planeta menor e não nos preocupa tanto.

Neste ponto, Luiz pulou da cadeira. Como não? Somos seis bilhões de pessoas. E a biodiversidade e os animais? Como, um planeta menor?

Neste ponto, o Chefe foi duro. Sente aí e fique quieto. Você não tem a dimensão da Terra em comparação com outros problemas que temos. Meu filho esteve lá e voltou horrorizado. A Terra vai para o processo de redesenho em breve. Não disse que a abandonaria, mas que mudaremos muita coisa por lá, mudaremos. Usei como exemplo porque foi sua realidade. Basta.

Luiz tentou se acalmar mas foi difícil. Lembrou das gargalhadas em altíssimos decibéis e resolveu se aquietar. A propósito, o Chefe lhe ofereceu um chá, aceito, com um gosto ótimo e algum efeito calmante…

Então, continuou o Chefe, você foi escolhido entre 5.676.234 seres vivos como o recurso ideal para administrar esse conflito. É complicado, você terá de viajar por várias galáxias, nebulosas, e negociar com alguns seres que nem se comunicam ainda. Terá uma equipe de dois assessores especialistas, os Drs. Watson e Crick, e – resolvido o problema – lhe damos umas férias em Pebble Beach, na sua tão querida Terra. Depois você volta e teremos outra ocupacão.

Luiz não tinha muito a dizer. Tinha morrido. Fez duas perguntas:

– E se eu recusar?

O Chefe sorriu levemente e disse: teremos de rever seu processo todo e tentar encaixá-lo em outra coisa, ou então te mandarei fazer uma entrevista com meu irmão. Mas os problemas dele são mais difíceis, embora eu reconheça que ele tem a capacidade de recrutar semelhantes terráqueos como você muito melhor que nós.

E o salário e o lazer?

O Chefe riu de novo. Dinheiro aqui não existe. Você já pagou tudo na Terra. Aqui é meritocracia pura. O campo de golfe está lá, mas se não souber jogar direito os outros automaticamente te deixarão de lado, você arruma uma turma rápido. Olha, tem um bar chamado Beatrix que é muito bem frequentado. Fica na Nebulosa de Magalhães, como vocês chamam, mas lá da Terra vocês não tem a mínima noção do tamanho que é o Universo e tenho certeza que você descobrirá lugares interessantes. Teve um terráqueo, chamado Roger Dean, que – não sei direito como, porque ainda não veio para cá – fez desenhos muito bons de paisagens que você vai encontrar. Como esse cara soube, nem desconfio.

Luiz desafiou. Mas não és onisciente e onipotente?

O Chefe foi taxativo. Como posso ser onisciente?. Você acha possível, realmente, perceber o pensamento, digamos, só dos terráqueos como você, desde humanos até esponjas do mar? Fala sério. Nem nosso departamento de pesquisa desenvolveu fibra ótica ou assemelhados para isso. Não que não saibamos. Se quiser faço um daqui a 45 minutos. Mas porque é chato.

Luiz perguntou algumas coisas de praxe. Onde ia morar e missa, por exemplo. Ele iria morar em Andrômeda em um belo recanto, com boa vizinhança e mulheres do planeta FGH315 que organizavam festas saudáveis e animadas. Quanto à Missa, outra gargalhada estrondosa. “Missa é um ritual que não inventei, não pedi, não gosto, e acho falso”. Mas tem o Tadeu aí, o Expedito, a Mônica que gostam… Como disse, meu chapa, livre arbítrio aqui no Céu vale!”

Passaram-se os dias de adaptação. Luiz estava começando a se ambientar. Agostinho era de muito bom humor, embora tivesse fixação no “pecado original”, e era o mais barulhento dos assessores de alto nível. Tomás era um chato e um tremendo puxa-saco do Chefe. Curioso foi conhecer Lutero. O cara fez a Reforma e estava no Céu. Os critérios do Céu levam em conta o bem do cidadão. Tinham uns sujeitos de outros planetas também muito agradáveis, como Gfrth-12, responsável pelo urânio e que vinha tendo um desempenho espetacular e virou seu melhor amigo. Enfim, tudo se adaptava.

O trabalho começou. O problema era sério. A vida baseada em silício e não em carbono como a nossa é diferente. Os indivíduos são difíceis. O silício forma sequências moleculares mutantes, de forma que um indivíduo em um determinado momento tem uma ideia e dez segundos depois a ideia oposta. Luiz foi competente. Usou suas habilidades, viajou bastante e ao fim de um período que pode ir de 10 anos a cinco eras geológicas, já que no Céu prevalece a física de Einstein, as coisas estavam quase resolvidas. Luiz ia no Beatrix, estava namorando uma linda mulher de um planeta da galáxia de “Sombrero”, chamada Elesig e sentia-se com sorte por ter ido para o Céu.

Até que chegou o dia de uma audiência com o Chefe.

Luiz foi munido de pastas, dados, informações, entrevistas. Tomou o tradicional chá de cadeira. Entrou na sala do Chefe mas este estava visivelmente de maus-bofes.
Luiz começou a falar e o Chefe interrompeu. O triângulo acima de sua cabeça estava um pouco avermelhado, em vez do amarelo reluzente. Era visível seu mau-humor.

O Chefe pediu silêncio e nesse meio tempo Descartes veio falar com Luiz. Ele está furioso. No fundo é um pragmático mas gosta de ser cultuado. É o ego.

Luiz interrompeu: Ah, não… Deus tem ego???

Descartes sorriu e disse: meu amigo, o maior de todos, afinal ele é o Chefe.

Luiz retrucou. Mas porque hoje ele está assim?

Descartes apenas sussurrou: notícias ruins de alguns lugares, mas principalmente da Terra.

Luiz tremeu. Da Terra??? E eu terráqueo… Pensou em despistar.

Senhor, se desejar volto em outra hora.

O Chefe foi direto: não, de jeito algum, sente-se já aqui na minha frente e me conte.

Luiz começou o relato do trabalho e dos resultados. O Chefe interrompeu. E você acha que não sei?

Luiz retrucou: dissestes que não é onisciente, vim reportar.

O Chefe explodiu: eu não sou onisciente porque não dou ouvido a besteiras. A vida na Terra é um lixo que vocês criaram e uma terrível dor de cabeça. Nem o planeta Desbund, onde quem vive lá parece que veio somente para me azucrinar, me ocupa tanto. Mas seu projeto eu sei do que foi feito e sei dos resultados. Aceite meus parabéns. Descartes, verificou o que pedi?

Descartes respondeu: sim, na Terra andam tentando recriar partículas bóson e células artificiais. O sucesso é relativo por enquanto, mas eles estão num bom caminho.

O Chefe reclamou: maldito Darwin, malditos seus assessores Watson e Crick. Esta patente é minha. Minha, entenderam? Não admito ser imitado. E esticou o braço em direção a uma janela e se ouviu uma explosão ensurdecedora.

E continuou: bem, Luiz, bom trabalho. Você irá agora escolher onde quer passar um tempinho, fale com nosso coordenador de espaço-tempo, o Dr. Albert para ver seus direitos. Eu sugiro Pebble Beach, lá naquela droga de Terra mesmo. Você se adaptará rápido e podemos arranjar o corpo de um golfista bonitão para você.

Luiz estava chocado. O ego! Deus tinha ego pronunciado, dominante, doente… Engoliu em seco e resolveu perguntar: Chefe, é possível trocar essas férias por um retorno a dez minutos antes de meu desmaio na rua e observar um pouco a vida das pessoas próximas na minha ausência? Não teria um corpo humano, posso voltar até como um labrador, mas quero ver como ficaram meus filhos, meus amigos, faz trilhões de anos que não sei.

O Chefe coçou a cabeça e chamou o arcanjo Gabriel. Cochichou um pouco, acalmou o semblante e no meio da raiva soltou até um sorriso: é um pedido novo para nós. Tivemos alguns casos de erros. Reencarnação é mais complicado, tenho que consultar o Departamento do Allan Kardec e você voltaria em seu próprio corpo só por dez minutos, depois teríamos de transferi-lo. Gabriel, pesquise um corpo para o Sr. Luiz, depois de morrer, poder observar um pouco a vida naquela pocilga que está a Terra.
Agora, Sr. Luiz devo avisá-lo que sua memória ao ocupar outro corpo será prejudicada. Quer arriscar assim mesmo? Bem, o pior que pode acontecer é daqui a um tempo voltares.

Gabriel aquiesceu.

O Chefe fez um sinal, dispensou Luiz e ele saiu da sala. Falou com Agostinho. Agostinho se fez de bobo, mas percebeu o que Luiz queria. Assinou os documentos todos, recolheu as assinaturas (Tomás se recusou mas acabou cedendo) e disse: prepare-se. A volta não é indolor. Quando chegar na Terra sentirás falta de paz, de tranquilidade e isso pode provocar transtornos físicos. Deite-se no ambulatório. A enfermeira Ana lhe dará um placebo celestial e pronto. Até a volta. Aproveite.

Luiz voltou a 500m de onde caiu na rua. Correu a um hospital e conversou com um amigo. Os dez minutos, que o Chefe deixou passar despercebido, estavam terminando. O amigo colocou-lhe numa UTI, mesmo sem sentir nada. O AVC veio, mas os recursos estavam ao alcance. Luiz levou duas semanas para se recuperar. Quando acordou do coma induzido, estava em seu corpo. Teve alta do hospital, fez mais exames e afastou o risco de outro AVC.

Luiz viveu na Terra ainda por duas décadas, em seu corpo.

Pensava sempre nas doenças do ego. Se até Deus tinha um ego pronunciado, era lícito manifestá-lo de vez em quando.

Percebeu que teorias complexas sobre Deus são uma besteira. O Universo é exato, a ciência, no fundo governa, embora a Fé e as coisas místicas não deixem de existir.

Um dia, Luiz morreu de novo. Encontrou Agostinho, rindo muito. Agostinho disse que o Chefe o estaria esperando e que sua agenda seria bloqueada caso aparecesse. O Chefe o recebeu. O triângulo luminoso estava radiantemente amarelo brilhante.

O Chefe então disse: “foste o primeiro a me burlar assim. Não fosse pelas risadinhas de Descartes e Agostinho eu teria, em um momento de mais calma, te admirado. Entendi sua atitude e peço que entenda a minha agora. Eu, neste posto em que estou, não tive carreira, não tive opção. E, contrariamente ao que eu queria, fui considerado Todo-Poderoso. De fato, tenho poderes que para um terráqueo como você remontam à onipotência. Em outras civilizações, meu papel é o de um gerente. Na Terra, vocês me colocaram no lugar de Pai. Não quero e não sou merecedor desse patriarcado. Eu não posso me responsabilizar por tudo que lá acontece. Me colocaram como Deus, quando não sou. Como viste, na Terra, aqui e no Universo, prevalece o livre arbítrio. Isso é a Verdade.”

E continuou:

“Apesar de tudo, o que fizestes foi burlar uma regra minha. Não ficarás aqui. Irá para a casa de meu irmão. Não há sofrimento físico lá, mas garanto-lhe que aqui, com minhas falhas é melhor. Não posso fazer diferente.”

Luiz enfezou-se e pela primeira vez diante do Chefe. “Estou farto de sua auto-propaganda, de sua aceitacão ao que dizes não querer ser. Mande-me para onde for que tiver. Essa regra é de quem? Sua, provavelmente. E eu te digo, obrigado por me fazer saber que Deus não quer ser Deus, é onipotente, mas não larga o osso, tem suas regras e seus castigos. Deixou-se levar pelo povo de um planeta. É tolo, vaidoso e se deixa dominar pelo ego. Tem medo de ser copiado ou substituído. Considero-o um excelente gerente, um executivo brilhante, nada mais que isso. Essa vida eu levei na Terra. É hora de ver algo novo.”

Deus, constrangido, se despediu.

Luiz Octavio Bernardes (With a little help from my friends)

Turnê do fim do mundo

A cada confusão que acontece pelo mundo – de terremotos a enchentes, de furacões a grande ondas de calor ou frio – o Tutty Vasques costuma fazer alguma piada sobre a ‘turnê do fim do mundo’.

Pois eu que sempre fui um sujeito meio cético demais em relação a tudo, estou começando a ficar preocupado com essa história.

Não, continuo não acreditando que o mundo vai acabar de repente e que, se não conseguirmos uma grande frota de naves espaciais que nos leve a um planeta de atmosfera semelhante à Terra, a humanidade perecerá. Mas já estou pensando em levar a sério a teoria Maia, de que uma série de grandes cataclismos vai destruir o mundo como nós o conhecemos hoje.

Já repararam que as tragédias têm acontecido num espaço de tempo cada vez menor? Só no último mês, terremoto devastador no Chile, a maior chuva da história do Rio devidamente acompanhada de uma ressaca que trouxe ondas de 10 metros à Baía de Guanabara e, ontem, terremoto bem forte na China.

Por enquanto as notícias dão conta de há cerca de 400 mortos, o que proporcionalmente é como uma vã lotada capotar na Av. Brasil. Mesmo assim é muita gente, uns oito morros do Bumba. Foram 7,1 na escala Richter. Além dos mortos, são mais ou menos oito mil feridos e 80% de pelo menos uma cidade foi para o saco, o que não é brincadeira. É claro que é uma tragédia, mas de certa forma deram sorte.

Como não é bom ficar contando com a sorte e como não temos ajudado muito na conservação do planeta que temos, acho bom a gente começar a abrir o olho.

Eu não vim do macaco

homem e macacoHá algumas semanas, não lembro em que circunstância, quase provoquei meu divórcio – por motivos óbvios – quando disse que ainda tinha lá minhas dúvidas sobre a teoria de Darwin, sua “Origem das Espécies”. Afinal de contas, não vou admitir que meu tatara-tatara-tatara-tatara-avô é um macaco, ou na primeira briga mais animada, é de troglodita pra baixo.

Além disso, existe toda essa nossa relação muito estranha com Deus. Estranhamente simples na verdade, posto que cada um se relaciona com ele de uma maneira, como cada um de nós se relaciona com qualquer pessoa de uma maneira. Sempre única. E, afinal, não fomos feitos à sua imagem e semelhança?

Eis que, quando não queria mais me dar ao trabalho de pensar sobre o assunto, encontrei o texto abaixo. Divirtam-se imaginando que – se todos que ele cita estão certos – sua árvore genealógica é muito maior do que você imagina.

Por onde anda Deus?

Porque as explicações científicas fascinam, mas testam nossa capacidade de aceitação?

A resposta é simples: uma explicação científica para um fenômeno qualquer acaba com toda a ilusão da crença e da tradição.

Giordano Bruno, Galileo e Darwin que o digam. O primeiro foi queimado vivo, alegadamente por prática de bruxaria, mas, na verdade, o que botava medo na Igreja eram suas teorias sobre um universo infinito e um princípio de heliocentrismo. Galileo, como todos sabem, entrou para a história por um consolo menos corajoso que Bruno: “…per se muove”. Para finalizar, Darwin matou Adão, Eva, Caim, Abel (este, mais uma vez, apenas) e toda a família com a sua “Origem das Espécies” e, coitado, foi excomungado.

Recentemente, Watson e Crick apresentaram o modelo do DNA e tornaram totalmente sem graça qualquer tentativa de refugar Darwin. E, atualmente, Richard Dawkins tem sido, não só um evolucionista capaz de calar os argumentos de místicos e religiosos de forma contundente demais para que estes não tornem a questão como pessoal, como um belo incorporador da genética na teoria de Darwin e colocar as espécies num segundo plano, pois, segundo ele, o que manda mesmo neste mundo são os códigos genéticos. Todo corpo, para Dawkins, inclusive o meu e o seu, é um hospedeiro, uma forma adaptativa que faz os genes sobreviverem. Faz sentido, já que os indivíduos morrem e os genes atravessam gerações. Mas que tornou a vida extremamente desinteressante, se analisada unicamente sob este prisma, ahhh… isso ele conseguiu.

Não é muito difícil olhar para seu corpo e aceitar que ele está sendo somente um veículo para os genes, aquele montulho de DNA, crescerem, sobreviverem e se multiplicarem?

Outra teoria que deixou muita gente triste foi de um astrônomo e biólogo, cujo nome agora me foge completamente à lembrança, que afirmou que as chances de se encontrar um outro planeta com as condições de abrigar vida como na Terra é muito remota. Muito mais remota que o previsto por Carl Sagan, que apresentou um modelinho probabilístco interessante, levando em consideração o fator tempo para defender a existência de alguma outra civilização no Universo. Este outro cidadão elencou uma série de outros fatores, desde a concentração de alguns gases na Terra que possibilitaram o surgimento de vida, até o formato do escudo protetor que o cinturão de asteróides que envolve Mercúrio, Vênus, Terra e Marte, somente, exerce para evitar choques constantes e desagradáveis de outros corpos celestes com o Sol e os sortudos quatro planetas mencionados. Tudo isso para dizer que a vida na Terra é uma possibilidade tão remota quanto ganhar duas vezes na Mega-Sena em duas semanas consecutivas, sozinho.

Não liquida totalmente com o charme de acreditarmos em seres de outros planetas?

Pois é, colegas humanos, estamos sozinhos no Universo, abandonados a uma série de regras da Física e da Química, que vem nos protegendo há alguns milhares de anos, e ainda por cima, não passamos de invólucros de substâncias químicas replicantes.

Ciência é chata, mas crença é complicada. Por exemplo, no caso da evolução das espécies conjugada com a “exclusividade” que temos de fazer parte de uma civilização única no Universo, a ciência me trouxe quietude em relação a uma questão complicada: se Deus existe, porque criaria, ou na pior das hipóteses, seria um bom administrador da evolução dos homens, e, ainda por cima, trabalharia exclusivamente para nós, homens?

Porque Deus se importaria tanto conosco se tem tanta coisa para cuidar num Universo infinito?

Muito agnóstico? Muito ateu? Muito reducionista?

Sem dúvida. É ótimo conhecer pensadores científicos. Mas não é difícílimo apenas ler a frase abaixo?

Deus não existe.

É mais confortável acreditar que Ele existe.

Já o que anda fazendo com o enorme Poder a Ele atribuído, isso sim, é difícil de entender e até de acreditar. Mas os tempos pedem que demos um crédito a Ele.

Só que seria muito bem-vindo um sinal claro de que Ele anda preocupado com o bicho-homem.

Luis Octavio Bernardes
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