Adeus também foi feito pra se dizer…

E caiu o moço, como era fácil prever. Bye bye, so long, farewell.

Quinto ministro de estado a sair do governo por denúncias de corrupção em apenas dez meses. A tecla é batida, mas é preciso insistir nela pois é algo inédito no país.

Vale lembrar que todos esses que estão aí são velhos conhecidos da presidenta (sic), pois ela era a ministra da casa civil, a gerente do governo Lula. Seu primeiro ministério foi montado sob orientação do ex e não é por acaso que vários foram, simplesmente, mantidos em suas funções. Orlando foi um deles.

E como ela já conhecia as peças, não se pode dizer – simplesmente – que ela é intolerante com a corrupção e a ladroagem desmedida praticada na esplanada. Apenas ficou inviável manter os doutores em suas cadeiras. Mesmo assim, Orlando – que sempre entendeu tanto de esporte quanto de eu de física quântica – só caiu porque abriu-se contra ele um inquérito no STF que, além de tudo, poderia respingar em Agnelo Queiroz (o ex-ministro), atual governador do DF e, agora, filiado ao PT.

O grave em toda essa história – já estou lançando apostas para saber qual é o próximo ministro a cair, alguém arrisca? – é que nos cinco ministérios em que houve demissões, a estrutura e métodos continuaram ou (no caso do esporte) continuarão os mesmos. O PT continua na Casa Civil; o PMDB segue no Turismo (cota de Sarney) e Agricultura; o PR ainda mora nos Transportes; e o PC do B manterá o controle do Esporte.

Será que sou o único louco que vê que nada mudou, nada mudará?

Enem

E não é que vazou de novo?! E não é que Haddad inventou uma desculpa das mais estapafúrdias?! Pré-teste de questões que acabam caindo em domínio público?!

Domínio público de uma escola só, ministro? E a solução é brilhante: cancelada as provas apenas dos alunos do tal Colégio Christus, de Fortaleza. Porque, certamente, nesse mundo que é o Brasil, apenas os quase 700 estudantes do colégio tiveram contato com as questões vazadas.

Haddad ainda não foi acusado de corrupção, e talvez seja por isso que ainda não caiu. Porque sua incompetência já está mais do que comprovada. Além das merdas que acontecem todos os anos como o Enem, um monte de outras confusões já foram geradas em sua pasta.

E ele continua lá, lépido e fagueiro. E ainda é o cara indicado por Lula e apoiado por Dilma para ser o prefeito de São Paulo, a maior cidade do país. Um sujeito que não consegue organizar uma prova…

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Princesinha do mar

A diferença no Brasil de hoje é que a corrupção se tornou uma pandemia disseminada como estratégia de poder, que contaminou todos os níveis e todas as esferas do governo e dos serviços e políticas públicas.

A corrupção passou a ser imposta à sociedade como a única forma de fazer política no Brasil e de governar. Tudo e todos têm de pagar o imposto da corrupção, que rouba o dinheiro da saúde, da segurança, da merenda escolar e da educação.

É para lutar contra isso que estão sendo organizadas manifestações nesta quarta-feira, dia 12 de outubro em todo o país. É para construir um sistema político melhor, que puna a corrupção e combata a impunidade.

É por isso, que a agenda dos movimentos contra a corrupção começa pela aplicação da Lei da Ficha Limpa, pelo fim do voto secreto no Congresso Nacional, pelo limite à imunidade parlamentar, pela agilidade de julgamento nos casos de corrupção e pelo aumento das penas para corruptos e corruptores.

É por isso que não basta demissão. Tem de ter prisão!

Sinceramente, acho que vale a pena clicar aqui e ler o texto inteiro do Tojal. Mas, se você é um tantinho preguiçoso, o espírito está aí em cima. E esse post é só pra lembrar que amanhã acontece uma nova rodada de manifestações, em várias capitais do país.

Eco do movimento que nasceu na internet e que foi às ruas pela primeira vez no dia 7 de setembro, as marchas acontecerão – pelo menos – em Belo Horizonte, Brasília, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, São Paulo e Teresina.

No Rio, o encontro acontece em Copacabana, em frente ao posto 4 (olha ele na foto, lá em cima), próximo à rua Constante Ramos. Quem quiser ir, deve lembrar que – por causa do feriado – uma das pistas estará fechada e o estacionamento um tanto mais confuso. Então, dê preferência a ônibus e metrô.

E não esqueça que o movimento é apartidário. Ou seja, ao invés de bandeiras e/ou camisetas, leve seu partido e seu sindicato no coração.

2ª Edição

Ao todo, serão 25 cidades em 17 estados. Clique aqui para ver um mapa completo, com horários e pontos de encontro das manifestações.

Conspiração

Então aconteceu o esperado. Nós que levantamos muitos e muitos defuntos ao longo de dez rodadas fomos para o jogo para enfrentar um time tido como favorito. Aí, meu amigo, o manto grita, urra. E se é verdade que quase jogamos bem, também é verdade que os deuses se apresentaram e ajudaram a colocar as coisas nos seus devidos lugares.

E um time que coloca um Carlinhos Paraíba em campo e mantém um Rivaldo (independente da idade) no banco merece mesmo ser punido.

Além disso, não poderíamos esperar nada diferente de uma vitória contra uma equipe que conseguiu perder em casa para todos os nossos fregueses habituais. Afinal, hierarquia está aí para ser respeitada.

Para completar o bom domingo, os líderes provisórios empataram em casa com o ex-líder provisório – aquele time de são Paulo que vai construir um estádio cheio de incentivos fiscais que insistem em dizer não ser dinheiro público.

Faltam seis pontos e já me acostumei a sonhar com a idéia de chegar à última rodada, aquela que realmente importa, com o Vasco líder e nós a dois pontos dos caras. Mas, antes disso…

Pra começar, no próximo domingo, tem FlaFlu. Graças ao aluguel do estádio municipal para o show de Justin Bieber, é provável que seja em Volta Redonda (apesar do estatuto do torcedor dizer que a rodada esteja programada com pelo menos sete dias de antecedência, ainda não foi definido o local da partida). E graças ao técnico reserva do Corínthians, um tal de Mano Menezes, os dois times jogarão sem suas principais estrelas, Ronaldinho e Fred.

Como eles têm reserva para o moço e nós não, e como também não teremos nossa dupla de pitbulls (Aírton e Williams estão suspensos), é claro que eles são favoritos. E eu acho isso ótimo. Porque, do confronto de domingo, o derrotado estará fora do páreo e o empate ferra os dois. Ou seja, tudo conspira a nosso favor. Pelo jeito, só faltam 11 jogos para o hepta. Quem diria isso há duas semanas?

De trás pra frente

O filme foi feito para o The 48 Hour Film Project, uma espécie de festival itinerante em que só são aceitos curta metragens completamente produzidos em apenas dois dias. E não foi por acaso que ganhou todos os prêmios importantes.

O festival estará em São Paulo neste final de semana e as inscrições ainda estão abertas.

Pelo fim da carona

Logo no dia seguinte ao feriado, falei aqui sobre as marchas que aconteceram no Dia da Independência. Brasília, São Paulo, Belo Horizonte e Porto Alegre. Ficou prometido coisa parecida para o Rio, no dia 20 de setembro, próxima terça, na Cinelândia. E anunciei que pretendo estar presente.

Por conta disso, recebi a seguinte proposta, nada indecorosa:

Se você for mesmo protestar no dia 20, pode ser até que eu apareça para te acompanhar, mas vamos dar um sentido mais objetivo ao protesto? Ficar indignado apenas não adianta. Que tal levarmos uma faixa em defesa do voto distrital?

Está topado. E quem passar por aqui e estiver afim, já está convidado.

Mas que história é essa de voto distrital? É um sistema de voto majoritário no qual um Estado (ou cidade) é dividido em pequenos distritos com aproximadamente o mesmo número de habitantes. Cada partido indica um único candidato por distrito. Cada distrito elege um único representante pela maioria dos votos.

Como podem ver, algo fácil de entender. Quem levar mais votos na sua região está eleito. Sem caronistas, sem puxadores de voto, sem proporcionalidade, sem representar interesses de classe ou coisas parecidas, uma vez que o eleito terá de trabalhar para todos, em prol do distrito pelo qual foi eleito.

Também, pela proximidade obrigatória e necessária entre candidatos e eleitores, fica muito mais fácil para você, eu, todo mundo, fiscalizar o trabalho do nosso eleito.

Daí, nasceu o movimento #EuVotoDistrital. Completamente apartidário, criado por pessoas comuns: trabalhadores, estudantes, empresários etc. Do movimento, saiu um manifesto que tenta alcançar a marca de 100 mil assinaturas ainda em setembro (já são 72.336). O objetivo é aprovar pelo Congresso Nacional a lei que torna o Voto Distrital (voto majoritário uninominal de dois turnos) no sistema eleitoral para eleição de deputados federais, estaduais e vereadores (esta, já a partir de 2012).

Visitem o site do movimento, leiam todo o material com atenção e – por quê não? – assinem o manifesto. Segue um trecho.

Sair às ruas e conversar com as pessoas é sentir a indignação pulsando contra uma política que já não representa como deveria, da qual pouquíssimos ousam se orgulhar. Política que sistematicamente vem legando ao segundo plano o compromisso com a legitimidade do sistema democrático. Política que, simplesmente, deixou de prestar contas de suas ações e distanciou-se da sociedade, definitivamente. O Poder Legislativo tem hoje como referência muito mais o governo do que os eleitores.

O atual modelo de representação, baseado na proporcionalidade, teve seus méritos e contribuiu para o progresso do país, mas se tornou, infelizmente, fonte de graves problemas para o próprio Poder Legislativo, contribuindo para o descrédito da instituição. Não podemos manter um sistema de representação que acaba conduzindo à Câmara dos Deputados parlamentares ignorados ou repudiados pelos próprios eleitores, que obtêm assento no Poder Legislativo com a ajuda de “puxadores de votos”, pinçados, muitas vezes, no mundo das celebridades. O voto distrital, ademais, baratearia enormemente o custo das campanhas eleitorais, processo que, por si mesmo, contribuiria para diminuir o financiamento ilegal de candidaturas.

Sem rótulos, sem bandeiras

Acabou não aparecendo muito. Pelo menos, não tanto quanto devia. Mas foi muito bom ver que, para muita gente, o Dia da Independência ainda tem algum significado. A marcha de Brasília foi a maior do dia e reuniu cerca de 30 mil pessoas. Foi histórico por vários motivos. Entre eles, talvez o mais importante tenha sido o fato do movimento não ter sido organizado ou liderado por partidos políticos, sindicatos ou movimentos sociais como o MST.

Sobre isso, o resumo de Reinaldo Azevedo foi brilhante:

No dia em que milhares de brasileiros saíram às ruas para protestar contra a corrupção, a UNE não saiu, não!
É que a UNE estava contando dinheiro.
O governo petista já repassou aos pelegos mais de R$ 10 milhões e vai dar outros R$ 40 milhões para eles construírem uma sede de 13 andares, que serão ocupados pelo seu vazio de idéias, pelo seu vazio moral, pelo seu vazio ético.

No dia em que milhares de brasileiros saíram às ruas para protestar contra a corrupção, a CUT não saiu, não!
É que a CUT estava contando dinheiro.
O governo petista decidiu repassar para as centrais sindicais uma parte do indecoroso imposto cobrado mesmo de trabalhadores não-sindicalizados. Além disso, boa parte dos quadros das centrais exerce cargos de confiança na máquina federal.

No dia em que milhares de brasileiros saíram às ruas para protestar contra a corrupção, o MST não saiu, não!
É que o MST estava contando dinheiro.
O movimento só existe porque o governo o mantém com recursos públicos. Preferiu fazer protestos contra a modernização da agricultura.

No dia em que milhares de brasileiros saíram às ruas para protestar contra a corrupção, os ditos movimentos sociais não saíram, não!
É que os ditos movimentos sociais estavam contando dinheiro.
Preferiram insistir no seu estranho protesto a favor, chamado “Grito dos Excluídos”. Na verdade, são os “incluídos” da ordem petista.

Nenhuma bandeira, uniforme ou faixa dessas entidades oficiais foi permitida. Justamente para escancarar o caráter popular do negócio.

Houve outras marchas do mesmo movimento que nasceu pelas redes sociais em outras cidades, como São Paulo e Belo Horizonte. Não sei de suas dimensões. Sei que o negócio não vai parar. No Rio, por exemplo, a bagunça está marcada para o dia 20 de setembro, na Cinelândia.

Estou pensando seriamente em aparecer acompanhado da família, Helena inclusive. Sabem aquele papo de que “o povo unido jamais será vencido”? A gente até sabe que perde, muito mais do que deveria. Mas acredito que ela deva ser apresentada o quanto antes a valores simples, mas profundos, como lutar por justiça e tentar construir um país melhor (ainda que esse último seja um conceito bastante difuso). E à possibilidade de mobilização (muitas vezes, necessidade) para chegar lá.

Big brother útil

Boa essa idéia, vi na coluna do Renato Maurício Prado. A Odebrecht colocou no ar um site em que será possível acompanhar as obras dos quatro estádios que está construindo ou reformando para a Copa 2014: Fonte Nova (Salvador), Arena Pernambuco (São Lourenço da Mata, na ‘grande’ Recife), Corinthians (São Paulo) e Mário Filho* (Rio de Janeiro). Para visitar e ter imagens e informações interessantes sobre as obras é só clicar aqui (ou visite a página de links Brasil 2014, no menu à esquerda ou superior).

Se alguém souber de ações semelhantes sobre os outros oito estádios que receberão os jogos em 2014, é só deixar aí nos comentários.

Também seria muito bom que todas as prefeituras e governos de estado criassem sites específicos sobre todas as obras que fizeram parte do projeto de candidatura, o famoso legado. Assim, apesar dos gastos absurdos, pelo menos poderíamos ver as coisas acontecendo, se tudo o que foi prometido será cumprido.

•••

*Durante as décadas de 80 e 90 do século passado, foi de perder a conta de quantos sábados ou domingos ou noites de quarta e quinta eu passei no Maracanã. Mesmo sem o Flamengo estar em campo. Simplesmente porque era bom ir ao estádio. Depois, com o aumento das filas e da violência, fui diminuindo minha freqüência até que – hoje em dia – quase já não vou mais a estádios de futebol.

Durante todos esses anos, assisti o estádio, o nosso Maraca, ir morrendo aos poucos, com um monte de reformas, um monte de regras estúpidas, a começar pelo fim da geral e sua divisão em módulos que impediam o desfile das bandeiras das torcidas pelo anel superior.

O estádio que será entregue para a Copa do Mundo será completamente diferente daquele Maracanã que o Rio aprendeu a freqüentar e a amar.

Apesar de ser no mesmo lugar, não consigo imaginar a nova arena como um Maracanã melhorado. Então, a partir de agora, dou-me o direito de chamá-lo apenas por seu nome oficial: Estádio Mário Filho.