F*#%@! é o Ganso

Estou desde ontem pensando no que dizer a respeito de Paulo Henrique Ganso. Durante boa parte deste primeiro quadrimestre, com todos os campeonatos regionais acontecendo simultaneamente, não foi possível acompanhar de perto o time do Santos, o time dos meninos da vila, que aplicou goleadas históricas e encantou meio mundo. Afinal, acompanhava o Flamengo no carioca. O resto, por melhores momentos.

Mesmo assim, era possível perceber que no quarteto formado por Ganso, Robinho, Neymar e André (com auxílio luxuoso de Madson), novidade boa mesmo era o garoto do meio campo.

Robinho, todo mundo já conhece. Está jogando o fino? Claro que sim, mas não é novidade. André é um bom centro-avante, claro, que fica melhor quando há grandes jogadores à sua volta, dando bons passes e chamando a atenção dos marcadores. Mais solto, mais produtivo. Madson não é titular porque não cabe todo mundo. E aí ficam faltando as duas novas estrelas do futebol tupiniquim.

Já disse aqui que Neymar é um baita jogador (não, eu não sou louco até prova em contrário), mas ainda o acho mais presepeiro do que craque. Ainda quero vê-lo em um time que não joga pra ele ou com tantos bons jogadores ao seu redor, para ajudar e dividir a atenção dos marcadores. Além disso, é vaidoso e personalista. Ontem, ao receber passe primoroso de Ganso, fez o gol e correu a gritar que é f*#%@!.

E voltamos a ele. Paulo Henrique Ganso. O moleque só tem 21 anos, mas rege o time como se tivesse 40, com segurança, tranqüilidade, discernimento para saber o que fazer com a bola, quando e por quê. Como se não bastasse suas atuações em todo o campeonato paulista e no primeiro jogo da final, o que ele fez em campo ontem foi sacanagem. Gostaria mesmo que o seu Armando estivesse por aqui para escrever sobre o rapaz, eu sou incapaz.

É claro que um monte de gente vai dizer que foi só a final do paulistinha, contra o Santo André, e qualquer bobagem a pretexto de minimizar a conquista do Santos e a atuação de Ganso. Pura bobagem, o time do ABC jogou demais e o Santos terminou o jogo com dois a menos.

E com maio correndo e a África do Sul ficando mais perto, só resta esperar que um certo anão não perca a oportunidade.

O batível

Santo André e Atlético Mineiro deram uma grande lição aos outros 18 clubes que enfrentarão o Santos no Brasileirão que começa no próximo sábado. Se querem vencê-lo, partam pra cima, enfrentem o time dos garotos. Se ficarem atrás, esperando uma chance caída no colo, em um contra-ataque fortuito, perderão os jogos. Todos.

Nas três partidas, os adversários jogaram de peito aberto. E de três partidas, o Santos só ganhou uma. Fez sete gols (boa média), mas levou oito.

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Fim de papo

Já faz uma semana que acabou a bagaça e que o Flamengo conquistou o hexa. A ressaca está quase curada…

O campeonato foi, sem dúvida, o melhor dos últimos muitos anos. De toda a série de pontos corridos, certamente. Infelizmente, o equilíbrio que fez um campeão com menor aproveitamento da história e com a menor diferença de pontos para a turma que foi rebaixada. Isso é bom? Em tese.

A verdade é que, a cada ano, o nível técnico de nossos times é cada vez menor. Ou não teríamos um gordo, um farrista e um coroa de 37 anos entre os melhores do Brasil.

Apesar de muito inchado, nosso calendário está estabilizado já há algum tempo, o que deveria facilitar o planejamento dos clubes – equacionando dívidas, fortalecendo as divisões de base etc. – e a atração de novos investidores. Mas parece que nossos dirigentes não estão muito aí pra isso, o que não é de causar surpresa.

Independente disso, e apesar do que meu primo atleticano, recalcado e invejoso, disse, a conquista rubro-negra não foi uma cagada. Afinal, o Flamengo foi o que teve o melhor aproveitamento nos confrontos diretos entre os oito primeiros do campeonato. Assim como é fato que, principalmente, Palmeiras e São Paulo fizeram muita força para perder o campeonato. E perderam.

Pra encerrar minha participação no Brasileirão 2009, resolvi dar uns pitacos – o post ficou comprido demais, eu sei –  sobre todos os clubes que participaram dessa edição e sobre os quatro que vão subir. Apenas pequenas opiniões sobre alguns detalhes.

Série B

– Vasco: fez o que tinha que fazer, mas o time precisa melhorar muito para não correr risco de voltar;

– Guarani: quase foi grande um dia, até que virou io-iô. Será um dos enigmas de 2010;

– Ceará: se não voltar para a segundona, correrá riscos até o fim. É a sina dos clubes nordestinos, sem poder econômico para formar um grande time;

– Atlético-GO: absolutamente imprevisível. Time de empresários, como o Barueri. Pode surpreender e pode não fazer nem cócegas.

Série A

20º: Sport (31pts / 7V / 10E / 21D / 27%)

Se foi rebaixado na última posição, não se pode falar em injustiça. O time é horroroso e, para completar, sua queda é uma benção para todos os clubes, pois não precisarão jogar naquela campo de roça da Ilha do Retiro.

Como a campanha do clube foi um fiasco, seu presidente resolveu tapar o sol com a peneira e tirar o foco de suas mazelas tentando criar um onda sobre o título do Flamengo. Disse que processaria todos que apontassem que o Flamengo é hexacampeão.

A discussão provocada pelo presidente do clube pernambucano só serve pra criar mais confusão, acirrar ânimos etc., em função de algo que não tem qualquer justificativa lógica: o Sport ter sido proclamado campeão brasileiro de 1987 quando não foi, sequer, campeão da segunda-divisão. A história completa do que aconteceu está aqui.

19º: Náutico (38pts / 10V / 8E / 20D / 33%)

Não há o que dizer sobre Timbu, além de destacar o Carlinhos Bala (que não acredito ser capaz de ser destaque em um time grande de verdade) e o alívio de todos os clubes por não ter que jogar no gramado ridículo dos Aflitos, mesmo caso do Sport. Não por acaso, junto com o eterno rival, levaram Pernambuco embora da primeira divisão.

18º: Santo André (41pts / 11V / 8E / 19D / 35%)

A única coisa relevante em sua história é a conquista da Copa do Brasil sobre o Flamengo. Apesar do vexame rubro-negro, não é estranho nas copas nacionais que juntam times de todas as divisões, a conquista por clubes nanicos. Não se tornam relevantes por isso e esse é o caso. Deus sabe como chegou à Série A, mas o importante é que já foi embora.

17º: Coritiba (45pts / 12V / 9E / 17D / 39%)

Um exemplo clássico de um time pequeno que se acha grande. Talvez seja grande no Paraná, estado que – verdade seja dita – não tem qualquer relevância para o futebol nacional. Se acha grande porque ganhou um brasileiro no longínquo 1985, algo tão estranho quanto ter o Bangu como adversário na final. Foi tão insólito que o Maracanã ficou absolutamente lotado por torcedores de todos os clubes do Rio, em prol de um clube que tinha, sim, um grande time bancado por um bicheiro. Enfim, como último ato de sua participação no certame de 2009, sua torcida fez o favor de confirmar o quanto o clube, o time e ela própria são pequenos.

P.S.: Alguém reparou a grande escolha que fez o Marcelinho Paraíba, trocando o Flamengo pelo Coxa?

16º: Fluminense (46pts / 11V / 13E / 14D / 40%)

É verdade que, com a épica arrancada, não merecia mesmo cair. Mas é bom não esquecer a dívida que o Fluminense tem com o futebol brasileiro, pois disputou a terceira divisão e, com a criação da Taça João Havelange, pulou direto para a primeira. Também é fácil compreender a comemoração, mas é bom colocar o pé no chão e entender que, se muita coisa não mudar, o ano que vem será igual ou pior.

15º: Botafogo (47pts / 11V / 14E / 13D / 41%)

Depois de voltar à primeira divisão, vinha evoluindo, mas… Só não dá pra entender porque estão comemorando tanto. É bom que abram bem os olhos, não ganharam nada. Só não caíram de novo. Para o futuro, a receita é a mesma do Fluminense: mudar muita coisa, se organizar, planejar etc.

14º: Atlético Paranaense (48pts / 13V / 9E / 16D / 42%)

Não fede nem cheira. Chamado de furacão, na verdade não passa de uma brisa. Mesmo assim, só quando jogaem casa. Comoseu rival alvi-verde, só é grande localmente. Também já ganhou um brasileiro (a história da humanidade tem mesmo mistérios insondáveis), mas o conjunto da obra não é nada relevante na história. Como sua campanha em 2009. Pelo menos, não caiu.

13º: Vitória (48pts / 13V / 9E / 16D / 42%)

Apesar de muita gente achar que aquele canto do mundo é uma dimensão paralela, a Bahia é um estado do nordeste. Quando lembramos onde está seu arqui-rival, então, só o fato de estar na série A já é uma vitória (com trocadilho). Seu único mérito no campeonato foi ter o saldo de gols melhor que o Atlético Paranaense:-6 a-7. Graças a isso, se classificou para Copa Sulamericana.

12º: Santos (49pts / 12V / 13E / 13D / 42%)

Quando falo que os paulistas, em geral, são um povo bem estranho, meus amigos que moram do lado de lá da Dutra reclamam. Mas que outro povo seria capaz de chamar seu clube de Peixe e adotar uma baleia como mascote. Será que eles faltaram a aula de biologia no primário? Enfim, esse enorme nariz de cera reflete bem o que foi o Santos nesse campeonato: quase nada a declarar. A campanha medíocre serviu para duas coisas: se livraram do presidente (apesar do tumulto euriquiano nas eleições) e de Wanderley Luxemburgo.

11º Barueri (49pts / 12V / 13E / 13D / 42%)

Baruequem??? Pois é, uma distorção provocada pelo poder da grana que ergue e destrói coisas belas, como diria um baiano. O time do interior de São Paulo, criado por empresários apenas para dar lucro, até que fez campanha razoável. E só. Ficou à frente do Santos graças ao saldo de gols. Foi o clube com a menor média de público do campeonato e, no primeiro turno, o “clássico” contra o Santo André,em Santo André, foi assistido por 847 testemunhas.

10º Corinthians (52pts / 14V / 10E / 14D / 45%)

2009 foi o ano da volta, depois da passagem pela segundona. A base do time campeão da Série B foi mantida e chegaram alguns reforços, o gordo entre eles. Ganharam o paulistinha e a Copa do Brasil. Aí, com a vaga para a Libertadores garantida e a saída de alguns jogadores no meio do ano, não houve Mano Menezes que conseguisse reorganizar o escrete e, pior, manter os jogadores interessados em um campeonato que não conseguiriam conquistar. Resumindo: passou pelo Brasileirão a passeio.

9º Goiás (55pts / 15V / 10E / 13D / 48%)

Um dos cavalos paraguaios de 2009. Com uma base razoável, fez algumas contratações interessantes, como Fernandão, e até pareceu que cumpriria a eterna promessa de ficar entre os grandes. Alguns excelentes resultados e, de repente, lá estava o time do cerrado no G4. Não durou muito. Fraquejou pelo meio do segundo turno e abandonou a disputa pelos primeiros lugares. No final, acabou como fiel da balança. Empatou com o Flamengo no Maracanã e parecia ter sepultado o sonho do hexa. Na semana seguinte, quando ninguém esperava, sapecou4 a2 no então líder São Paulo, deixando a disputa do título praticamente limitada a Flamengo e Inter.

8º Grêmio (55pts / 15V / 10E / 13D / 48%)

Um time de extremos. Terminou o Brasileirão invicto em casa, mas só ganhou um jogo como visitante. Por fim, classificado para a sulamericana, uma copinha que todo mundo comemora quando faz campanha pífia no brasileiro, mas que todo mundo reclama na hora de jogar. Acabou chamando a atenção pela confusão ‘entrega X não entrega’ o jogo contra o Flamengo, na última rodada. Tudo isso porque o rival colorado precisava de, ao menos, um empate no Maracanã para que superasse o time da Gávea. A torcida do Grêmio, então, começou a campanha do entrega. No final, nada demais aconteceu. Apesar de um mistão, os gaúchos deram um belo susto do Flamengo, fazendo um a zero. Mas não aguentaram a pressão e todo mundo sabe o que aconteceu.

7º Atlético Mineiro (56pts / 16V / 8E / 14D / 49%)

O pai de todos os cavalos paraguaios. Depois da glória de conquistar o primeiro brasileiro em 1971, tudo o que o Galo conseguiu foram três vices. Neste ano, prometeu, prometeu, prometeu… Liderou o certame e fez até um dos seus artilheiros, mas – como de hábito – não conseguiu nada. Nem a vaga na Libertadores.

6º Avaí (57pts / 15V / 12E / 11D / 50%)

Tai uma surpresa agradável. Deus sabe se continuará assim em 2010, mas muita gente duvidava que o time catarinense faria algo além de brigar para não cair. No final, uma campanha mais do que digna sob o comando de Silas, que se mandou para o Grêmio. Os destaques do time, além do técnico, são curiosos: o atacante Muriqui foi quem mais apanhou durante o ano, enquanto seu companheiro Ferdinando, volante, foi o segundo que mais bateu.

5º Palmeiras (62pts / 17V / 11E / 10D / 54%)

O grande campeão do Grande Prêmio de Assunção. Liderou metade do campeonato, teve cinco pontos de vantagem por várias rodadas, disputou o título até o último jogo e, no final, nem se classificou para a Libertadores. Parabéns ao presidente Beluzzo por suas declarações fabulosas, parabéns ao Muricy pela autosuficiência transbordante, parabéns ao time que não agüentou a pressão. Resumindo, um puro-sangue paraguaio.

4º Cruzeiro (62pts / 18V / 8E / 12D / 54%)

Um daqueles clubes que sempre começam o campeonato dando pinta de favorito. Claro, segundo todos os especialistas de jornais, rádios e tevês. O time realmente não é ruim (para o nosso nível, claro) mas oscilou muito durante o ano. E até craque freqüentando festa de torcida organizada de adversário aconteceu. Apesar de uma miniarrancada nos últimos jogos, chegou à última rodada dependendo de combinação de resultados para chegar à (pré)libertadores. E o porco paraguaio entregou a vaga de mão beijada.

3º São Paulo (65pts / 18V / 11E / 9D / 57%)

Deitou sobre a fama de time eficiente, que mesmo jogando mal, faz ao menos um gol e não leva nenhum. Enfim, um modo medíocre de pensar o futebol. Entre os times da ponta, foi o que menos ganhou pontos dos outros líderes enquanto perdia poucos pontos para os pequenos. O problema é que neste ano, com o campeonato nivelado (por baixo), não foi tão efetivo mesmo contra os pequenos. Além disso, um elenco extremamente limitado, com atletas (paulista adora chamar jogador de futebol de atleta) que jogam como robôs. Como Ricardo Gomes não é tão bom quanto Muricy, o time não teve força para chegar ao título que esteve em suas mãos. Só valeu porque se classificou para sua trocentésima Libertadores consecutiva.

2º Internacional (65pts / 19V / 8E / 11D / 57%)

Já há algum tempo é apontado como um dos favoritos todos os anos. Mas como é que um time que, hoje em dia, pode ser descrito como a versão gaúcha da fusão entre Vasco e Botafogo pode ser campeão? E ainda por cima com Mario Sérgio Pontes de Paiva como técnico.

Comparei a Vasco e Botafogo porque, com o resultado deste ano, o Inter conseguiu a expressiva marca de ser penta-vice. Além disso, desde que o inter perdeu o título para o Corinthians, no campeonato da máfia do apito, só faz chorar. Neste ano, seu vice de futebol chegou a divulgar um DVD com os pseudo-erros cometidos por árbitros contra o time do sul. Isso, às vésperas da final da Copa do Brasil. Resultado? Vice.

1º Flamengo (67pts / 19V / 10E / 9D / 58%)

No meio do campeonato estava na 14ª posição e ameaçava passar o ano fugindo do rebaixamento. Além disso, um monte de confusões dentro do clube, em ano eleitoral, só fazia atrapalhar. Pra completar, Cuca e sua estranha relação com os jogadores.

Aí Kleber Leite deu o fora, Cuca caiu, Andrade foi efetivado e começou a recuperação de vários molambos do time, chegaram Pet, Maldonado e Álvaro. O time encaixou e, como quem estava na ponta não demonstrava querer o título, parecendo até que não queriam ser campeões, o Flamengo foi chegando, foi chegando… O resto vocês já sabem.

Agora é rezar que não seja feito um desmanche, que cheguem três ou quatro reforços de verdade e que a nova presidente Patrícia Amorim consiga dar um jeito no Flamengo. Porque se tudo for feito como deve, no futebol, nos esportes olímpicos e no resto do clube, poderemos nos preparar para comemorar durante muitos e muitos anos, começando pela participação na próxima Libertadores.

•••

Depois desse quase testamento, poderia prometer ficar um bom tempo sem falar de futebol por aqui. Mas como o risco de não cumprir é enorme, é melhor ficar quieto. Afinal, a programação inicial é estar no Maracanã, na festa de fim de ano do Zico, em que será formado um time com jogadores que participaram dos seis títulos do Flamengo. Sinceramente, é bem provável que não resista a fazer algum comentário depois disso. A ver.

Foi tudo arranjado

Fatos:

– O Flamengo teve a melhor campanha do 2º turno;

– O Flamengo teve a 2º melhor defesa do campeonato;

– O Flamengo teve o artilheiro do campeonato e o craque do campeonato: Adriano e Petkovic;

– O Flamengo tem apenas 1 derrota nas últimas 17 rodadas ( 12 vitórias, 4 empates e 1 derrota) e ficou invicto nas 6 últimas (5 vitórias e 1 empate);

– O Internacional perdeu de 4X0 no Maracanã com time misto para ajudar o Flamengo;

– O Atlético MG perdeu em casa (com gol olímpico de Pet), diante de 65 mil torcedores, só para ajudar o Flamengo;

– O Santos perdeu em casa só pra dar o título para o Flamengo. Aliás, no jogo do Maracanã, o meia do Santos perdeu 2 pênaltis só para ajudar o Flamengo;

– Lúcio Flávio perdeu um pênalti só para ajudar o Flamengo;

– O Náutico perdeu em casa, aceitando assim ser rebaixado, só para ajudar o Flamengo;

– O Palmeiras, até então líder do campeonato, perdeu em casa (com gol olímpico de Pet), só para ajudar o Flamengo. E Vagner Love ainda ajudou com a perda de um pênalti;

– O Corinthians que vinha de derrotas consecutivas para timaços como Náutico, Santo André e Avaí, só não ganhou do Flamengo para dar o título ao rubro-negro carioca;

– E, até (pasmem) o São Paulo Fashion Week perdeu para o Goiás de propósito, abrindo mão do tetra consecutivo, porque tinha em mente ajudar o Flamengo;

– Além disso, o São Paulo Fashion Week, nos dois jogos com o Flamengo empatou no Morumbi e perdeu no Maracanã;

– Para culminar esse hexa discutível, o Grêmio, time de pior campanha como visitante (12 derrotas e apenas 1 vitória em 19 jogos), contrapondo sua ótima* campanha no Olímpico, jogou com time misto, como o Internacional fez no Maracanã, para ajudar o Flamengo;

Concluímos, a partir dos dados supracitados, que o Estado do Rio Grande do Sul mancomunado com a CIA, o FBI, a ABIN, a ANVISA, a CBF, a FIFA, o STF, a NASA, o Obama e a Comunidade Européia conspiraram para dar o hexa ao Flamengo.

Quem não tem o que falar, fala o que quiser…

Rogério Delfino e Cristiano Alves

*correção feiata pela Ana Paula

Santa incompetência

Como ando meio irritado com a pressão que estão fazendo sobre o Grêmio, esse entrega-não entrega irritante, fui dar uma olhada na tabela do campeonato e fazer uma pequena retrospectiva para entender o que aconteceu com os clubes que disputam o título e como o Flamengo chegou à última rodada na liderança.

Mas primeiro é preciso dizer que apesar de ser, disparado, o mais emocionante dos últimos muitos anos, a principal característica do Brasileirão 2009 é o nivelamento – por baixo, muito baixo – dos times. Foi esse nivelamento que propiciou um perde e ganha sem fim, que permitiu que os times que brigam pelo título perdessem uma enormidade de pontos para aqueles que estão na rabeira do campeonato.

E a maior prova disso é que o Fluminense, que ficou trocentas rodadas na lanterna e até outro dia tinha 98% de chances de ser rebaixado, vem jogando o melhor futebol desse final de ano.

Campeonato jogado fora

Enfim, vamos ao que interessa. Vocês sabiam que a turma que está apavorada com a possibilidade (que não acho que exista) do Grêmio entregar o jogo não precisava estar na situação em que está? Na verdade, é bom deixar claro que Inter, Palmeiras e São Paulo fizeram de tudo para perder o campeonato. E talvez consigam…

Na 21ª rodada, o Flamengo teve seu pior momento no ano, perdendo para o Avaí por 3 a 0 e ocupando a 14ª posição. O Palmeiras era líder e tinha 13 pontos de vantagem. Duas rodadas depois, na 23ª, a turma do Parque Antártica ainda era líder e mantinha os tais 13 pontos, enquanto o Inter estava na segunda posição com 12 pontos de frente e o São Paulo era o terceiro, nove pontos à frente (sempre em relação ao Flamengo).

É fato que, após um começo claudicante com três derrotas, o Andrade acertou o time. Petkovic, Maldonado e Álvaro (que chegaram), além de Adriano, Bruno e Zé Roberto (que resolveu jogar) fizeram o time encaixar e, durante algum tempo, jogar o melhor futebol do ano. Mas os líderes começaram a perder pontos bobos e nós fomos chegando.

A última derrota do Flamengo aconteceu na 32ª rodada, para o Barueri. No final do domingo, estávamos na sexta posição, seis pontos atrás do líder Palmeiras, a quatro do São Paulo e apenas um do Inter. Mas apesar do tropeço, já estávamos na briga pela vaga na Libertadores.

Enquanto o Flamengo jogava cada vez melhor e mais confiante, o resto da turma perdia pontos bobos, para quem brigava para fugir do rebaixamento. E assim, foram deixando o monstro chegar, até que assumiu a ponta e agora só depende de si.

É bom olhar para o próprio umbigo

Resumindo, Inter, Palmeiras e São Paulo não ganharam o campeonato porque não quiseram ou não souberam. E agora ficam com essa palhaçada sobre o Grêmio para tentar esconder a própria incompetência. Pois é bom que abram seus olhos, pois estão arriscados a perder o título, mesmo que o tricolor gaúcho derrote o Flamengo.

Na última rodada, Inter e Palmeiras enfrentam Santo André e Botafogo respectivamente. Os dois lutam pra fugir do rebaixamento, ou seja, jogam a vida. Portanto, nesse campeonato onde todo mundo é meio igual, é bem possível que porcos e colorados, preocupados com o Maracanã, entrem pelo cano. Quem não deve ter muito trabalho, mesmo, é o São Paulo contra o Sport, rebaixado há semanas. Mas sabe lá se os pernambucanos resolvem fazer um jogão, tentando aparecer para empresários e afins em um jogo que vale o título?

Então é bom a turminha parar com a palhaçada e tratar de fazer o seu.

Agora chegou. Mas e daí?

Daí que ando meio apavorado, sempre desconfiado se o Flamengo será realmente capaz de ser campeão. Essa é uma herança desses 17 anos de jejum em campeonatos brasileiros, alimentados com várias fugas do rebaixamento e alguns vexames históricos, como a derrota para o América do México e a perda da Copa do Brasil para o Santo André. Sempre no Maracanã.

O que mais me incomoda, na verdade, é o clima de já ganhou alimentado pelos gritos da torcida do Grêmio (além de declarações estapafúrdias de alguns jogadores, como o Souza) para que o time do sul entregue a partida. Afinal, se o Flamengo não ganha e o Inter vence o Santo André, o colorado será campeão brasileiro. Algo que, para boa parte dos torcedores tricolores, é impensável.

E essa história do Grêmio entregar não desce muito na minha garganta. Primeiro, porque não é correto e, além de manchar a história do próprio clube gaúcho, nosso título também não seria reconhecido como se deve. Afinal, pesaria para sempre na história a dúvida sobre se o Flamengo seria ou não campeão, se seria ou não capaz de vencer o adversário se tudo acontecesse normalmente.

Então, é bom deixar claro: eu, rubro-negro, não quero que o Grêmio abra as pernas no jogo de domingo. Quero ganhar de verdade e ser campeão de verdade.

De qualquer maneira, é bom registrar que não acredito que isso vá acontecer. O Arthur Muhlenberg disse isso no seu podcast com o Rica Perrone, algo com o quê concordo plenamente: seja time titular ou reserva ou misto, em um Maracanã com quase 100 mil pessoas, com todas as TVs transmitindo o jogo, com o país inteiro olhando para o campo, com muitos e muitos olheiros de várias partes do mundo atentos à partida, será que os jogadores perderiam a chance de jogar sério e se mostrar, se valorizar?

Resumindo, eu que sempre assumo uma postura meio profeta do apocalipse, estou com um medo que me pélo do jogo de domingo. Vai que os jogadores do Flamengo entram em campo relaxados, contando com a entregada do Grêmio? Aí, babau.

E sobre essa história do Grêmio, replico abaixo um texto de um gremista, que encontrei no blog do Juca Kfouri.

O Grêmio, sacola de pano e o Cirano de Bergerac

Aconteceu na manhã de ontem, 29 de novembro, no mercado ver-o-peso, na bela Belém do Pará.

No último dia de uma rápida viagem a trabalho, encontrei tempo para fazer compras pessoais e, claro, procurar alguns presentinhos para a família.

Ao chegar a uma banca de bolsas, vi que havia duas interessantes.

Uma era colorida e muito bonita. E tinha a cara da minha mulher!

A outra, embora também tivesse lá a sua beleza, era menos encantadora e, definitivamente, não fazia o estilo da minha esposa!

Infelizmente, um jornalista – o jovem repórter Rafael Seixas, do jornal “A Crítica”, de Manaus, chegou um pouco antes. O rapaz descobriu as duas bolsas e decidiu que levaria uma. Olhou para mim e disse: “Eu não tenho bom gosto para este tipo de coisa. Qual você acha mais bonita?”

Meu coração bateu forte. Pensei em dar a resposta errada. Dizer que a mais bela era justamente a bolsa que eu não queria levar. O presente era para a mulher!

Olhei para o repórter amazonense e disse, ainda que com dor no coração: “a mais bonita, sem dúvida, é a colorida.”

Por que eu disse a verdade? A resposta é simples e até óbvia: porque era o correto, independente do meu desejo.

Penso nesta pequena história vivenciada ontem diante do dilema de qual deve ser a atitude do meu Grêmio no decisivo jogo de domingo, contra o Flamengo, no Maracanã: o Grêmio deve entrar com o time titular contra a equipe carioca, lutar com todas as suas forças para empatar ou ganhar e, indubitavelmente, dar o título de campeão brasileiro ao grande e tradicional adversário? Ou deve entregar o jogo para não ajudar a dar mais uma glória ao terrível e centenário rival?

Para mim não há discussão. O Grêmio deve jogar com toda a sua tradicional garra e matar-se em campo em busca da vitória, ainda que o Inter conquiste pela quarta vez o título brasileiro.

Não importa que o Inter tenha jogado com o time reserva no ano passado contra o São Paulo, ainda que em contexto completamente diferente, já que disputava simultaneamente a taça sul-americana; não importa que o diretor Fernando Carvalho, não bastasse a trapalhada que fez no ano passado, com a história do vídeo denúncia, já tenha voltado a falar bobagens; não importa que, com mais essa conquista, o colorado gaúcho aumentará consideravelmente o seu já espantoso número de associados, venderá mais camisetas e diminuirá a desvantagem que tem em número de torcedores em relação ao Grêmio.

Não importa nem mesmo a opinião momentânea da maioria da torcida gremista, que é favorável à entrega da partida.

O Grêmio deve buscar a vitória ou empate contra o Flamengo porque – apenas isso – essa é a atitude correta.

Independentemente dos nossos desejos e sentimentos.

Como gremista, só detesto o Internacional porque o respeito como adversário.

E certamente há apenas um time que respeito mais que o grande rival.

Este time é o Grêmio.

E por respeitar o meu imortal tricolor exijo a dedicação total na partida do Maracanã.

Além disso, convenhamos, mesmo com o quarto título brasileiro os colorados não vão poder se vangloriar por estarem em vantagem em relação ao Grêmio.

Terão quatro Brasileiros e uma Copa do Brasil contra dois títulos do Brasileiro e quatro Copas do Brasil gremistas.

E uma Taça Libertadores contra duas do Grêmio.

Os colorados gostam de tripudiar em cima das quedas gremistas para a segunda divisão do país, mas é justamente aí que mora a principal diferença entre os dois grandes clubes do Rio Grande do Sul.

Por maior que seja, o Internacional não tem a dimensão épica gremista.

Não tem a incrível história do goleiro Eurico Lara.

Não tem títulos importantes conquistados no estádio do adversários.

Não tem a Batalha dos Aflitos.

O que poderia ser desonra, para nós, gremistas, é motivo de filme!

Que outra torcida no mundo tem, no fundo, mais orgulho de uma inacreditável conquista na Segunda Divisão arrancada com sangue, suor e lágrimas, com sete jogadores, em um acanhado de Recife, que do título mundial, conquistado em Tóquio?

O jogo do Maracanã, com todos seus dilemas, poderá ser uma nova Batalha dos Aflitos na memorável e história gremista.

Vencer e dar o título ao maior adversário, apesar da maior rivalidade do país, segundo votação recente entre jornalistas esportivos de todo o Brasil.

A dor de ser digno e dar o título ao inimigo.

A tristeza de ouvir os rojões colorados infernizando durante toda a noite o sono dos gremistas.

A tristeza – e o orgulho – de ser um Cirano de Bergerac. Ajudar o rival na conquista da mulher amada. Com digna e bela melancolia.

É preciso lutar – com garra e espada mosqueteira no Maracanã.

É melhor não dormir devido ao barulho ensurdecedor dos vermelhos, do que ter o sono estragado pela vergonha de não ter jogado com dignidade.

É melhor aguentar o rival que sucumbir aos nossos mais primitivos anseios, como o de “entregar” a partida.

Que atender ao grito desesperado e irracional da maioria.

Vamos fazer o que é certo, Grêmio!

Melhor assim, que ver-o-peso doendo na nossa consciência e manchando nossa história épica e inigualável.

Airton Gontow é jornalista e cronista

P.S.: Espero que o Grêmio lute com todas as forças contra o Flamengo mas vou, como todos nós gremistas, torcer pela vitória da equipe carioca. E claro, também pelo Santo André. Já pensou se o Grêmio empata e o Inter não vence, mesmo no Beira-Rio? Seria demais para esse pobre e velho coração tricolor…

Como tem bobo no futebol…

Além de todos nós que continuamos acompanhando e torcendo pelos nossos clubes de coração, é fácil perceber que, no futebol brasileiro, só tem bobo. Ainda não acredita?

Vamos começar com o Cruzeiro, semi-finalista da Copa Libertadores da América. Recebeu o Barueri em Belo Horizonte. Jogo fácil, claro. Afinal, o time mineiro é apontado como um dos melhores do Brasil e o clube do interior paulista é pouco mais que um time de empresários, sem história e recém-chegado da segunda divisão. Resultado: Cruzeiro 2 x Barueri 4.

Outro exemplo? O Santos recebeu o Atlético Mineiro (autêntico cavalo paraguaio) na Vila Belmiro. Saiu na frente e levou a virada do novo líder do campeonato, com um time que é comandado pelo Diego Tardelli, um atacante que nunca deu certo em clube nenhum em que jogou. Para completar a festa, o maravilhoso árbitro Djalma Beltrami – que tem um extenso currículo de cagadas – acabou o jogo antes da hora (nesse lance, contou com o auxílio luxuoso do quarto árbitro), voltou atrás e ainda anulou um gol legítimo do Santos, o que gol que daria o empate ao time da casa.

Se não bastasse os episódios da Vila, as arbitragens exemplares desse Brasil varonil ainda fizeram das suas nos jogos Santo André X Sport e Atlético Paranaense X Palmeiras. Nesse, Obina finalmente conseguiu o que sempre tentou em quase todos os jogos em que ele esteve em campo e assisti: um gol de bicicleta. Graças ao bandeira infeliz que viu um impedimento inexistente, o folclórico baiano não conseguiu comemorar sua obra prima.

No clássico paulista, o São Paulo levou uma traulitada do Corinthians e o Muricy Ramalho foi demitido. Na saída, acusou Cuca (técnico do Flamengo) de ligar para a diretoria são paulina se oferecendo. Rapidamente, o sujeito negou que o tivesse feito com frases do tipo “nunca liguei nem para desejar feliz aniversário…”. Pois o presidente do clube paulista, Juvenal Juvêncio, deu uma entrevista hoje dizendo que o Cuca ligou sim, mas não para se oferecer e, sim, para pedir conselhos de como enfrentar o caldeirão da Gávea e suas crises intermináveis. Algo natural, pois são grandes amigos.

De quebra, o Tite (técnico do Internacional) nem foi citado na confusão mas se meteu mesmo assim, dizendo para o Muricy não generalizar, dar nome aos bois etc. Muita gente acha (eu, inclusive) que ele se antecipou a uma possível demissão pela perda da Copa do Brasil para o Corinthians e pela perda da liderança do Brasileiro, pois em sua cabeça seria certo que Muricy faria pressão para voltar ao time gaúcho, onde ganhou o Brasileirão 2006.

E com essa bagunça toda, um monte de time chinfrim e eu ainda perco tempo escrevendo sobre o tema. Viu como é fácil provar que ainda tem muito bobo no futebol? A começar por mim.