Pique-esconde animal

(…) para os moradores dos arredores está pior. Os assaltos continuam acontecendo. Na Rua Engenheiro Adel foram roubados dois carros e um terceiro teve seu vidro quebrado, em uma semana. (…) Na Rua Barão de Itapagipe, duas pessoas foram assaltadas, uma ficou sem celular e outra sem a bolsa (fatos ocorridos em junho). Na mesma rua, esquina com Rua Aguiar (…) continua funcionando uma boca de fumo – até durante o dia é possível ver as pessoas usando drogas na calçada, em frente a uma mecânica.

Digo que está pior, pois a sensação de insegurança é maior. Todos acreditamos que com a UPP os principais problemas seriam resolvidos. Utopia! Realmente, em um primeiro momento, os bailes acabaram, os fogos não existiam, os assaltos quase zeraram… Porém, aos poucos vejo que o “funcionamento” da comunidade volta ao normal. Conversando com alguns moradores da favela, me disseram que eles também estão receosos, que traficantes que fugiram estão voltando e que a polícia já está virando piada.

Bom, meus amigos, moro na Tijuca. E ouvi muito tiro durante o último final de semana. Todos eles em favelas pacificadas. No Catumbi, também pacificado, uma granada foi jogada sobre policiais (um deles perdeu a perna e está em estado gravíssimo no hospital), houve troca de tiros mas ninguém foi preso e segue tudo bem.

O primeiro texto, com referências ao Turano e seus arredores, é trecho de um e-mail que recebi. Quem enviou foi a Claudia, do Grupo Grande Tijuca. Talvez vocês não lembrem, mas no dia 1º de abril contei sobre o rapaz de bicicleta que fazia assaltos ali pelo Largo da Segunda-Feira, que todos conheciam, “já foi até preso”. O segundo, é trecho de um post de um mês atrás, sobre o final de semana de instalação da UPP da Mangueira. Também já conversei com algumas pessoas que moram em outras áreas próximas a favelas ‘pacificadas’, Alemão inclusive – que é vendido pelo estado e pela mídia como grande vitória da sociedade. O diagnóstico de todos é o mesmo. O pau está comendo solto, nas barbas de todo mundo. A semana passada em Santa Tereza, por exemplo, foi quentíssima.

E todo mundo, estado e mídia, fazem questão de fingir que está tudo bem. Tudo é lindo, tudo é maravilhoso.

Estamos cansados de saber que nosso governador não está muito preocupado com isso, visto que está enrolado com seus problemas pessoais, além da montanha de dinheiro em contratos muito mal explicados com empresas de seus amigos e quase familiares. E onde está nosso secretário de segurança, Sr. Beltrame? Calado, escondido como uma tartaruga que se faz passar por pedra, um tatu que se faz passar por bola ou simplesmente com a cabeça enfiada na terra, como um avestruz, esperando que ninguém repare no resto do corpo?

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Foto do dia: 446 anos

Adeus ano velho

Já há algum tempo, me acostumei – com o correr de dezembro – a fazer uma retrospectiva, uma espécie de balanço do que foi meu ano. É muito bom saber que meu saldo tem sido muito positivo.

A idéia não tem nada de original, é muito bom que se diga. Talvez, transformar essa história em mensagem de Natal e ano novo seja um pouco mais nova. Seria pretensão mostrar que não precisamos de realizações grandiosas ou eloqüentes para, mais do que simplesmente boa, ter uma vida em paz e de sucesso?

Em 2007 comecei o ano, pela primeira vez, na praia de Copacabana; me apaixonei; pulei carnaval em blocos e na Sapucaí; joguei (muito pouco, outra vez) botão; fui à praia no Rio e em Paraty; namorei; fui a Penedo; corri e ganhei regatas com meu amor a bordo; fiz obra em casa; noivei; tive matérias publicadas nos sites de vela mais importantes do Brasil; perdi e ganhei discussões; não visitei três amigas que se tornaram mães; reencontrei amigos de longa data, daqui e de além mar; criei dois blogs (esse e o outro); freqüentei as Ordinárias do Boteco 1; fui à Ponte Alta de Minas; realizei o sonho de defender meu clube de coração em uma competição oficial; dancei quadrilha em festa junina; fui para Niterói de barca; fui a reuniões do Clube de Comunicação; trabalhei mais do que gostaria e menos do que poderia; fui ao Maracanã ver o Flamengo e o Fluminense; comecei a estudar espanhol; dormi pouco; fiz aula de dança; toquei pouco e não compus nada; me divorciei; torci o pé; casei; fui ao Espírito Santo; fui à academia; fui a um show, não fui ao teatro e fui muito pouco ao cinema; comprei uma cachorra; voltei a Paraty; fui campeão do Circuito Rio; fui à Lapa; visitei Santa Teresa; briguei e fiz as pazes.

Resumidamente, vivi. E muito bem, é bom que se diga. Chego ao final de 2007 com um sorriso estampado no rosto, tão largo que era impossível de prever em 2006.

Para os amigos, desejo um Natal de muita paz e que o saco do Papai Noel seja bem gordo.

E desejo, também, que 2008 seja, para todos nós, repleto de vida: realizações, conquistas, sonhos realizados, saúde suficiente para aproveitar coisas boas e superar dificuldades, dinheiro suficiente para viver tranqüilo, fazer no mínimo uma viagem e se dar – ao menos – um grande presente de aniversário. Que no final do ano que vem, possamos todos estampar nos rostos sorrisos abertos, maiores que os de 2007 e muito menores que os de 2009.