Rrrrrronaaaalllllldo

Ronaldo, no lançamento do pôster oficial da Copa do Mundo / Foto: Agencia BrasilQuem sou eu, que adoro me meter onde não fui chamado, pra criticar os outros? Ninguém, claro. Só que tenho a impressão de que Ronaldo mandou a bola pra fora do estádio dessa vez.

Já estamos todos mais do que acostumados a ver políticos (os progressistas, claro) e cartolas (sempre modernos e antenados) reclamando da imprensa, do trabalho da imprensa, da crítica e cobrança feita pela imprensa. Mas vejam o que o ex-gordo e ex-artilheiro soltou na coletiva de imprensa do lançamento do pôster da Copa, ontem:

O sentimento que vejo nas ruas é de felicidade e expectativa para a Copa, muito diferente do tom das perguntas que a gente tem que responder aqui. Este é o momento de todos se unirem, inclusive a imprensa. O povo brasileiro não está preocupado com atraso (nas obras prometidas para o Mundial). O povo brasileiro precisa de alegria.

Não é sensacional? Tudo bem, o papel do ídolo é – além de ganhar muito dinheiro – ‘blindar’ a turma que comanda a organização da copa, chamar para si a atenção etc. Mas é bom seus assessores baterem um papo com o moço, porque com mais meia dúzia de declarações como essa, logo estará sendo comparado a baluartes como Ricardo Teixeira e Rui Falcão.

Em tempo, como se pra ilustrar a declaração brilhante de Ronaldo, o Luiz Zini Pires escancarou em seu blog o que o maior artilheiro da história das copas tenta esconder: “em 63 meses, 1.918 dias, o Brasil completou somente 12 projetos ligados à Copa do Mundo. Agora, 498 dias antes da partida inaugural, no dia 12 de junho de 2014, o país precisa executar 83 obras, sendo que 14 ainda nem começaram”.

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Suspiros

E o Flamengo heim? Pois é, logo depois da goleada sobre o Cruzeiro, coloquei a dúvida se aquele resultado seria um último suspiro ou apenas o início da arrancada derradeira. E todos puderam ver a resposta jogada em nossas caras pelo comportamento horroroso do time contra o Coritiba. E o resultado não poderia ser outro que não a derrota.

Ao final daquela partida, estávamos a sete pontos do título, em 12 possíveis. Quer dizer, apenas um cataclisma protagonizado por todos os clubes que estão à nossa frente nos permitiria gritar ‘é campeão’ ao final da 38ª rodada.

E com os resultados de ontem, estamos a dez pontos da conquista, com os mesmos 12 pontos em disputa. Joguemos nossas toalhas, pois, e reiniciemos nossas contas: faltam, incluindo a partida de hoje contra o Figueirense, 42 jogos para o hepta. Não porque é matematicamente impossível, em 2009 fomos campeões com os mesmos 67 pontos que podemos alcançar se vencermos as quatro partidas que nos restam. Mas a distância para a liderança, hoje, é um tanto maior que imensa.

E, para mim o mais grave, nossos jogadores não demonstram a fome de bola necessária para uma superarrancada. Entram em campo como quem vai à esquina tomar um sorvete. E desse jeito, até a vaga para a Libertadores está em risco quando já começam a pipocar aqui e ali as futricas de praxe sobre problemas entre jogadores e treineiro.

De qualquer maneira, com todo o planejamento feito e dinheiro gasto, e apesar do contrato até o fim do ano que vem, se nem a classificação vier, o profexô não vai ficar. Além disso, tem meia dúzia de medalhões ou nem tanto por ali que já deram o que tinham que dar. Ou seja, se o objetivo mínimo não for alcançado, o caldeirão vai ferver. E muito.

Isso, sem falar nessa história muito da torta de que, até hoje, Ronaldinho Gaúcho está sem contrato. É isso mesmo? Ou o contrato que não existe é entre Traffic e Flamengo? Não entendi essa história até agora…

Fim de feira

Se depois dos resultados de domingo já achava que só mesmo Corinthians e Vasco brigariam pelo título, depois de ontem ficou ainda mais claro. Talvez, com muita muita sorte, o Fluminense permaneça na briga até o final.

E rubro-negro que sou, sei que alguns amigos vão pegar no meu pé. Mas torcerei fervorosamente para que Vasco ou Fluminense consigam derrubar – a essa altura – o favoritíssimo time do Parque São Jorge.

Porque, apesar da rivalidade óbvia, sou bairrista sim e seria ótimo ver o título mais importante do país ficar por aqui pelo terceiro ano seguido. Porque, no caso do Vasco, seria o coroamento de uma turma que conseguiu expurgar a quadrilha de Eurico Miranda e fazer uma boa gestão, pagando muitas dívidas e recuperando o respeito de todos pelo clube que durante muito tempo foi a imagem e semelhança de seu ditador. Porque, no caso do Fluminense, ficaria provado que o clube já vinha crescendo há muito tempo e que o título do ano passado não foi pela obra e graça do retranqueiro Murici. E, finalmente, seria muito bom ver as caras de bunda de Ricardo Teixeira e Andrés Sanchez no dia da festa que já está armada em São Paulo.

Sete

Aproveitando que falei do Maracanã no post abaixo, lembrei do Flamengo. Que jogou alquebrado contra o Santos em uma partida em que, pelas circunstâncias, todos esperavam uma goleada do peixe. E todos viram que, mesmo jogando mal de novo, mesmo até merecendo perder, não foi o que aconteceu.

É verdade que houve um pênalti não marcado. Mas não por roubo, e sim por falta de coragem do juiz. Imagina, dois pênaltis seguidos contra o Flamengo no Engenhão… Basicamente, ruindade mesmo. Como no gol do Flamengo mal anulado por impedimento.

Cheguei a escrever na semana passada que, mesmo a derrota, não seria um grande problema. Nas sete rodadas, todos ainda vão perder pontos. E, olhando para quem ocupa hoje a ponta da tabela, ninguém me tira a certeza que o campeonato não está nem perto de se definir.

Cinco pontos para tirar do líder em 21 possíveis e ainda com o confronto direto. Já escrevi também: meu sonho é chegar à última rodada dois pontos atrás do Vasco.

Nossos próximos jogos serão os seguintes: Grêmio, Cruzeiro, Coritiba, Figueirense, Atlético Goianiense, Internacional e Vasco. Ainda acredito que perderemos 3 ou 4 pontos. Mais do que isso é ‘adeus hepta’.

Mas vocês já viram os jogos do Vasco? São Paulo, Santos, Botafogo, Palmeiras, Avaí, Fluminense e Flamengo. Pois o time da colina não vai ganhar nenhum dos clássicos e ainda vai deixar escapar mais um ou dois pontos.

Como descarto Botafogo e Fluminense, restaria a preocupação com o Corinthians. O time do amigo do Lula e do Ricardo Teixeira, o time que ganhou um estádio por conta da Copa, o time do cara que disse que vai sair mas quer fazer seu sucessor, o time do Ronaldo. O único time capaz de impedir que a taça continue morando no Rio pelo terceiro ano consecutivo, onde já se viu isso?

Até a festa de encerramento do campeonato acontecerá em São Paulo e já tem gente dizendo que isso é um sinal claro de que o título não escapa, por bem ou por mal. E a tabela? “É a mais fácil”, todo mundo grita. Vejamos então.

Avaí, América, Atlético Paranaense, Ceará, Atlético Mineiro, Figueirense e Palmeiras. Tirando os dois últimos, que já não querem mais nada com a hora do Brasil, todos os outros clubes lutam desesperadamente contra o rebaixamento. Jogarão suas vidas. Somando isso à pressão pelo ‘título fácil’ (já demonstrada na última coletiva destemperada de Tite), sinto dizer-lhes: já era. Os caras vão tremer e… Se bobear, já chegam na última rodada fora do páreo.

E na base do ‘vamo lá, porra’, seremos hepta. Só faltam sete jogos. O lado ruim é que vamos continuar aturando o Luxemburgo. Mas tudo tem seu preço, né não?

Bobo, feio e chato

Já tinha até esquecido como era ver o Flamengo perder pontos nesse campeonato. Mas acontece e, de certa forma, é até bom pra não deixar ninguém subir no salto, não deixar ninguém esquecer que se não continuar jogando sério vai tudo pro vinagre.

Faltam só 22 jogos para o hepta e isso é o que vale. E como, dificilmente, não cumpriremos todos esses jogos de maneira invicta (é apenas uma questão estatística), seria bom não se atrapalhar contra times pequenos como ontem. Ainda mais depois de abrir 2 a 0.

O time do Figueirense não é ruim não, é horrível. Tanto que jogávamos mal, na casa deles, e abrimos dois gols de vantagem. E depois, conseguimos jogar pior ainda. Tudo por causa do juiz que, além de careca, é bobo, feio e chato.

Foi nítido que o sujeito entrou em campo com más intenções? Foi. Mas que cena foi aquela do Ronaldinho correndo até a beira do campo pra fazer queixinha? Que palhaçada é essa? Por que, profissionais experientes que são (não havia nenhum garoto em campo), não calaram a boca e trataram de jogar bola? Ou será que ninguém percebeu ainda que nenhum árbitro do campeonato é bom de verdade e que todos eles são caseiros?

Já faz tempo que uma certa teoria da conspiração ronda o certame, dizendo que título já está decidido e que será do Corinthians. Que seria bom Andrés Sanchez deixar a presidência do clube como campeão, o que lhe daria força para ser o sucessor do parceirão Ricardo Teixeira, entre outras razões. Será que não basta o Itaquerão? Será que alguém realmente acredita que o imperador de nosso futebol realmente precisa disso para escolher quem será seu sucessor a partir de 2015?

Voltando ao jogo de ontem, o que me incomoda no chororô que nunca foi característica de rubro-negro é que não vi ninguém chamando a atenção para o fato do time, que se caracteriza por ter ampla vantagem na posse de bola, entregar o domínio da partida para adversário tão chinfrim. Ninguém chamou atenção para o fato do Angelim, veloz como um cágado, tentar deixar Somália em impedimento. E o que falar da saída de gol de Felipe?

E já tem gente dizendo que o time está cansado por jogar toda quarta e domingo. Desculpem, mas acho muito estranho que na era da preparação física, os caras fiquem mais cansados do que aqueles que, até os anos 80, jogavam terça, quinta e domingo. É isso mesmo. E não tinha conversinha de poupar jogador não.

Enfim, o saldo de ontem foi um pontinho vagabundo e dois desfalques para a próxima partida. Sinceramente, não vejo maiores problemas nisso. Porque para ganhar do poderosíssimo Atlético de Goiás, o time da copinha é mais do que suficiente. Mas como o Flamengo é o rei dos resultados impossíveis, vamos ver o que acontece.

…e andando

Não tenho língua papal nem muitas papas, mas a vulgaridade do ‘doutor’ é espantosa. Não a vulgaridade, sei lá. É a empáfia, a arrogância e a prepotência, o escárnio e o deboche. A tal figura só temeria e baixaria seu topete gris se fosse mal falada no ‘JN’. Mas o tio que lá edita escolhe as principais notícias tal como seus seguidores fazem com suas gravatas, já que sabe bem que as portas daquela casa estão sempre abertas e convidativas. A tal figura aí é a expressão máxima da banana que a personagem de Reginaldo Faria dá ao Brasil no fim de ‘Vale Tudo’, novela da época do tango que repassa nos dias atuais. A banana vai ser dada daqui quatro anos, num teórico pós-Copa em que provavelmente a parte de exceção da imprensa vai estar debatendo o rombo, os elefantes brancos e a ausência dos legados da competição. A banana é, por que não, posta virtualmente em nossos rabos. Há quem goste e que ajude a descascar. Tem gosto pra tudo. Nos pés devidos, as chuteiras da pátria ajudam a enfiar.

A imagem acima está no blog do Juca Kfouri. O texto é trecho do post de Victor Martins em seu blog. O tema é o mesmo: Ricardo Teixeira e suas declarações na revista Piauí. Vale muito a leitura.

Verbetes e expressões (22)

Tangência

s.f.

Matemática. Estado ou qualidade de tangente. Ponto de tangência, ponto único em que duas linhas ou duas superfícies se tocam.

Fonte: Dicionário Online de Português

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É curioso como algumas coisas acontecem por aqui, nessa nossa terrinha. A confusão estourou há alguns dias e o desenrolar tem sido acompanhado pela imprensa do mundo inteiro, algo natural em se tratando da FIFA. Apenas mais um escândalo de corrupção.

Surpreendentemente, há um brasileiro envolvido na última confusão que mereceu documentário produzido pela BBC de Londres. O nome do sujeito é Ricardo Teixeira. E você se surpreende? Pois entre as muitas denúncias, o sujeito – que preside a CBF há trezentos anos e já respondeu até a CPI no nosso congresso – teve que devolver uma enorme soma de dinheiro (na casa dos vários milhões de dólares) em um acordo para encerrar uma investigação criminal na Suiça. E sabem quem mais é acusado pelo programa? O sogro do Sr. Teixeira, João Havelange.

Para saber mais sobre o caso, basta visitar a página do programa Panorama (em inglês). Para completar, assistam a entrevista de Andrew Jennings – o jornalista responsável pela investigação – à ESPN Brasil.

E o que isso tudo tem a ver com tangência? Quem acompanha futebol por aqui, mesmo que muito à distância, está cansado de saber que uma das maiores parceiras da CBF é a Rede Globo de Televisão, em particular (e as Organizações Globo em geral).

Pois não é que os caras deram um jeito de não tocar no assunto, ou quase. Hoje, no Jornal Nacional, falaram sobre uma coletiva em que o presidente da FIFA, Joseph Blatter, falou sobre o tema e disse que terá tolerância zero e essas coisas que todo mundo sabe que é blá blá blá. E conseguiram não falar sobre os brazucas envolvidos. Não é brilhante?

Na verdade, e para quem tem só um pouquinho de memória, nenhuma surpresa. Não são poucos os casos em que os caras não vão atrás de notícias sobre parceiros estratégicos. Mas às vezes, a notícia vai atrás deles de modo tão contundente que não dá mais pra fugir. Um clássico? A campanha Diretas Já, case mais do que conhecido.

E então, será que dessa vez eles vão escapar?

P.S.: A resposta à pergunta de Jennings durante sua entrevista, que virou manchete, é fácil de imaginar. Afinal, estamos cansados de saber o tipo de governantes que temos por aqui.

A vida em gráficos (1)

Como é bom ter amigos né não? Enquanto a investigação sobre Palocci vira moeda de troca dos religiosos para evitar a distribuição do kit gay, enquanto Obama serve churrasco a militares na Inglaterra, enquanto nossa presidenta (sic) é obrigada a engolir o congresso aprovando o código florestal contra sua vontade, enquanto todo mundo comemora a prisão do réu confesso Pimenta Neves 11 anos depois do assassinato de Sandra Gomide, enquanto Ricardo Teixeira é denunciado pela trocentésima vez (agora, pela BBC de Londres por ter recebido propina como membro da FIFA) e a Globo nem toca no assunto, a Edite resolveu nos ajudar a desopilar o fígado com algumas risadas.

Tem material suficiente para uma série razoável, vou pingando aqui aos poucos.