Adeus ao Olímpico

Gosto muito do Olímpico. Na verdade, gosto muito de muitos estádios (mesmo os que não conheço). Principalmente aqueles que, mais do que se confundir, carregam a história de algum clube. Especialmente os grandes.

O Olímpico, claro, é um deles, estádio do Grêmio. Como bem disse o Rica Perrone, jogar com o Grêmio no Olímpico sempre tem uma carga que vai muito além da qualidade do time deles. Tem a ver com alma.

É mais ou menos como jogar contra o Flamengo no Maracanã. Nosso time pode estar cheio de wellingtons ou bujicas. É o Flamengo no Maracanã.

No próximo domingo acontece o último jogo do estádio Olímpico, o Grenal da última rodada desse brasileirão. Um jogo que não vale nada para a tabela, mas que vale demais para os dois clubes. Os donos da casa se despedindo sem querer deixar a história manchada; o eterno rival querendo carimbar a despedida. O jogo vale a honra, o caráter, a alma.

Para a torcida, que no ano que vem terá um novo estádio, uma dessas arenas modernosas, será o adeus ao seu grande templo.

Mas o que é que eu tenho com isso, deve ter alguém (se é que veio alguém aqui) se perguntando. Tenho que pelo Olímpico, entre todos os grandes estádios do país, sinto um carinho especial e – na hora da despedida – até uma certa melancolia.

Afinal de contas, foi no Olímpico que o Flamengo ganhou o único dos seus seis títulos brasileiros fora do Maracanã. Abaixo, então, minha singela homenagem.

Outro vídeo, esse produzido pela Zeppelin. Bela homenagem, diga-se. Mas faltou o Renato.

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Dondom, Andarahy, goiabada cascão em caixa…

Tenho 36 anos. Às vezes, chego a duvidar disso, pensando que são 90. Sou um sujeito quadrado, careta mesmo. Mas não é sobre isso que pretendo falar, é sobre a expressão ‘sou do tempo…’ e suas respectivas similares.

Na última segunda-feira consegui assistir a uma nesga do programa Linha de Passe, da ESPN Brasil. Claro que em ano de Copa, todas as boas mesas redondas de todas as semanas têm que dedicar o mínimo espaço à Seleção Brasileira e suas principais adversárias. E falar de seleção hoje é quase sinônimo de falar de Ronaldinho Gaúcho. Pois lá estavam Paulo Vinícius Coelho, José Trajano, Juca Kfouri, Fernando Calazans e Márcio Guedes elucubrando sobre o tema quando alguém que não me lembro solta a pérola: “quando pedimos Ronaldinho Gaúcho, não significa que pensamos que ele é o melhor para a seleção. Quando pedimos Ronaldinho, estamos reclamando da falta de brilho da Seleção Brasileira”.

E é aí que volto ao início do texto: sou do tempo em que seleção brasileira era algo quase sagrado, lugar de craques. Sou do tempo em que para ser chamado de craque, o jogador precisava ser brilhante durante alguns anos e ter grandes conquistas no seu clube e na seleção. Se não fosse tudo isso, acreditem, era – no máximo – um bom jogador.

Como não tenho os tais 90 anos, não vou falar das seleções de 38, 50, 58, 62 e 70. Como parâmetro, uso o time de 1982, que entrou para a história como uma das melhores seleções de todos os tempos, apesar de não ter conquistado o título.

Pra quem não lembra, vejam o time: Valdir Peres; Leandro, Oscar, Luisinho e Junior; Cerezo, Falcão, Sócrates e Zico; Chulapa e Éder. Os reservas eram os seguintes: Paulo Sérgio e Carlos (goleiros); Edevaldo e Pedrinho (laterais); Juninho e Edinho (zagueiros); Batista e Renato (meias); Paulo Isidoro, Roberto Dinamite e Dirceu (atacantes).

Claro que toda seleção tem o seu senão. Para mim, Chulapa estava deslocado nesse time, principalmente com Roberto no banco. Mas é bom lembrar que Reinaldo tinha encerrado a carreira há pouco tempo, por causa dos joelhos, e Careca estava machucado. E quanto aos goleiros, os três eram os melhores do Brasil mesmo, mas numa época em que nossos goleiros não figuravam entre os melhores do mundo. Também vale lembrar a quantidade de craques (é, craques mesmo) que ficaram de fora.

Quem não viu ou não lembra poderá pesquisar e até perguntar: quantos cabeças de bagre havia entre os 23? Quantos entre os 23 não seriam, hoje, estrelas do futebol mundial? Quem no mundo, hoje, joga tanta ou mais bola que qualquer um dos 23? Talvez, meia-dúzia de três ou quatro, Messi puxando a fila.

Um pouco mais do ‘varandão da saudade’? Sou do tempo em que jogador de futebol, craque ou não, tinha personalidade como qualquer ser humano. Sou do tempo em que craque não precisava puxar o saco do técnico da seleção, principalmente quando passava por uma fase ruim, para garantir seu lugar e o de seus ‘amigos’.

E o que Kaká fez ontem? Vejam suas declarações:

Ele é uma pessoa muito séria, que sempre faz as coisas da maneira correta. É muito coerente dentro e fora de campo (…). Sua atitude séria e tranqüila sempre nos ajudou a manter a calma. Além disso, como parou de jogar há relativamente pouco tempo, sabe o que jogador quer e como tratá-lo.

Fonte: Globo.com

Vale dizer que o astro do time de Dunga está numa fase muito ruim no seu clube e, se ninguém imagina vê-lo fora do time, todo mundo – imprensa e torcedores – clama para que Dunga leve alguém capaz de substituir o meia do Real Madrid, caso haja algum problema, e capaz de mudar o resultado de uma partida difícil porque joga um futebol diferente da média.

Última sessão, prometo: sou do tempo que jogador de seleção era titular absoluto de seu time. Pois preparem-se, porque o time que Dunga levará para a África do Sul não terá brilho, não terá ninguém capaz de mudar um jogo sozinho, e terá um monte de reservas que – nos campeonatos locais – não sentam nem no banco. Salve Dunga!