Doença

Autopsia / Foto: Daniel Romero

A democracia brasileira está doente, e o nome dessa doença é intolerância. A imprensa, que deveria denunciá-la, transformou-se em agente do linchamento da divergência. Com medo a regulação, assediada por patrulhas internas e externas, torna-se, a cada dia, mais refém dos grupos de pressão e das militâncias organizadas. Quando não é ativamente fascitoide, é de uma pusilanimidade espantosa. Fecho este parágrafo assim: não existe esta sociedade de um lado só em nenhum lugar do mundo — ou, para ser mais preciso, em nenhuma democracia do mundo. Sociedade de massa de um lado só é fascismo.

Esse pequeno trecho de um parágrafo é, pra mim, o bastante. É só pensar um pouquinho em tudo o que anda acontecendo por aí para entender sobre o que se fala, para perceber seu contexto.

Mas como ler nunca é ruim, clique aqui para o texto completo.

Estupidezas

Trote UFMGHá alguns dias, ao chegar no trabalho, disse que o mundo precisava acabar. Sinceramente, já não lembro mais o que houve – dada a quantidade de absurdos que assistimos dia-a-dia. São vergonhosos para a espécie o sujeito que joga o braço de um outro que atropelou em um córrego e a mãe que abandona seu filho no lixão. E não se trata de comparar o que é mais estúpido.

Tinha um amigo que, quando via alguma coisa de que não gostava, dizia que “isso é uma estupideza!” A verdade é que em gestos largos ou pequenos movimentos, estamos vivendo em um mundo com mais e mais ‘estupidezas’ a cada dia.

Vocês devem ter visto por aí a foto acima e mais algumas matérias e imagens sobre os trotes da UFMG. Pois aquela bagunça serviu de pretexto para um texto brilhante de Reinaldo Azevedo. Abaixo, um pequeno trecho. Para ler tudo, é só clicar aqui.

A expressão muitas vezes exacerbada de uma pauta específica, que diz respeito a uma comunidade em particular, acaba gerando reações também indesejáveis, ainda que não se trate de uma escolha política. Eu duvido que aquele tonto que segura a caloura pintada de preto seja um racista; duvido que os idiotas que promovem a Miss Bixete tratem mães, namoradas ou irmãs, que mulheres são, como prostitutas. É muito provável que não. Esses atos estúpidos não chegam nem mesmo a ser sinceros; são uma espécie de contrafação, de falsa resistência àquela exacerbação militante. “Já que as feministas ficam tão bravas, então tome Miss Bixete; em tempos de cotas, tome Chica da Silva acorrentada”… Não! Não são os “fascistas” se manifestando, como querem alguns tontos; tampouco se trata da “direita”, dos “reacionários”…

Trata-se de reações imbecis, que se pretendem bem-humoradas, num quadro, vejam que coisa!, de decadência dos valores gerais do humanismo e de triunfo dos particularismos. Não há, por exemplo, discurso racional possível que suporte, em nome do feminismo, a defesa da legalização do aborto. Não há como. O que atenta contra a vida não pode ser em favor da “mulher” como categoria; em situações excepcionais, atenção!, a vida de “uma” mulher, não de “A mulher”, pode estar numa relação opositiva com a do feto — e, para tanto, a legislação brasileira tem uma resposta. Proteger ou ampliar os direitos dos gays, dos negros, dos índios, de quem quer que se sinta discriminado, não convive, não numa ordem racional ao menos, com a agressão a fundamentos da democracia e do humanismo.

(…)

Quem sabe ler entendeu que não estou minimizando aqueles episódios lamentáveis nas universidades. Eu estou, na verdade, afirmando que são mais graves do que parecem e que nossa reação de indignação não pode ser seletiva nem pautada pelos sindicalistas do espírito.

Farms here, forests there

É, o blog tem amigos e colaboradores.

Já tinha lido a respeito e já tinha visto o tal documento, até distribuí entre alguns amigos. Mas aí, recebi o e-mail que reproduzo abaixo lembrando o tema. O que move o post é a notícia publicada no Valor Econômico no dia 26 de agosto: EUA devem superar Brasil nas exportações de etanol.

Cliquem nos links, leiam os textos e dêem atenção especial ao tal documento citado.

Um mostrou o documento, o outro mostrou que a “coisa” já está em andamento. Começou aqui.

Aí, deram um jeito de tentar esconder o documento, mas o Reinaldo publicou uma cópia, que ele não é bobo…

E então, o artigo do Klauber, mostrando, sem dizer, para que serve uma Marina Silva, um MST, um Lula e muitos ativistas bacanas.

Giorgio Seixas

Nós vai tudo se f…

Estou um tanto pasmo, ainda. A notícia não é nova, já tinha visto por aí, já tinha recebido o link há alguns dias, mas acabei deixando passar. Quando fui colocar a leitura em dia…

Não vou me arriscar a escrever muito sobre o tema, ainda estou de boca aberta. Basicamente, a imagem abaixo é a página de um livro didático de língua portuguesa recomendado pelo MEC. Se não conseguirem ler, cliquem aqui para a imagem ampliada.

Não bastou fazer uma reforma ortográfica que não representa a língua falada, com a exclusão de acentos e outros sinais gráficos? Ainda ficou difícil demais? Então vamos ensinar errado mesmo…

Agora, algo com o que concordo em gênero, número e grau (algo que as autoras do livro parecem não ligar):

Uma coisa é explicar por que uma mensagem fora do padrão formal da língua funciona; outra, diferente, é atestar a sua validade como uma variante da língua. Não dá! Português não é inglês, por exemplo. Na nossa língua, os adjetivos têm flexão de gênero e número, e os verbos, de número. Quem dominar com mais eficiência esse instrumental terá vantagens competitivas vida afora. O que esses mestres estão fazendo, sob o pretexto de respeitar o universo do “educando”, como eles dizem, é contribuir para mantê-lo na ignorância.

Este é um trecho do texto escrito pelo Reinaldo Azevedo. Clique aqui para ler a íntegra. Eu ainda estou muito tonto para falar sobre o tema.

2ª edição

Na verdade, se pensarmos só um pouquinho no país em que vivemos, qualquer surpresa sobre esse livro que foi distribuído para 485 mil alunos pode ser encarada como ingenuidade. Durante oito anos, tivemos um presidente que se orgulhava de sua ignorância, seu pouco estudo etc. Hoje, nossa presidenta (sic) não é capaz de concluir raciocínios lógicos ou mesmo frases simples, se apresentando com discursos que são apenas emaranhados de idéias soltas e perdidas. Por fim, o ministro da Educação desde 2005 é Fernando Haddad, competentíssimo em mostrar como é incompetente. Todos três, partidários do populismo mais raso.

Como se não bastasse o cravo

Há alguns dias publiquei aqui um texto sobre os desvios que essa história besta de politicamente correto pode provocar. Afinal, há escolas em que o cravo não briga mais com a rosa, e que se dane Villa Lobos. Não vou nem falar em atirar o pau no gato e outras coisas do gênero.

E achava que não podia ficar pior.

Mas pode.

O RSS do blog funcionou de novo e descobri que agora o problema é com Monteiro Lobato, no livro Caçadas de Pedrinho. Vejam um trecho da reportagem de Angela Pinho e Johanna Nublat publicada na Folha de S. Paulo de 29 de outubro.

Conforme o parecer do CNE, o racismo estaria na abordagem da personagem Tia Nastácia e de animais como o urubu e o macaco. “Estes fazem menção revestida de estereotipia ao negro e ao universo africano”, diz a conselheira que redigiu o documento, Nilma Lino Gomes, professora da UFMG. Entre os trechos que justificariam a conclusão, o texto cita alguns em que Tia Nastácia é chamada de “negra”. Outra diz: “Tia Nastácia, esquecida dos seus numerosos reumatismos, trepou, que nem uma macaca de carvão”.

A história completa está no blog de Reinaldo Azevedo, no site de Veja. E ele comenta, claro. Segue um trecho.

É um escárnio. Submete-se Monteiro Lobato a padrões, debates e proselitismos que estão postos hoje em dia, mas que não estavam dados então. É claro que não se descarta a possibilidade de um professor trabalhar em sala de aula a figura de Tia Nastácia  — que, atenção!, é um dado da formação histórica, familiar, social e moral brasileira. Que seja, pois, tema de aula se for o caso. Proibir a obra ou meter nela uma tarja de “racista” é uma estupidez sem par.

Como diz a mãe da Helena, não seria mais simples queimar tudo o que foi produzido até hoje e começar do zero? Para quê contar aos nossos filhos como o mundo se desenvolveu, todos os seus parâmetros em cada época, os contextos, para que – assim – possam construir com liberdade e seu próprio discernimento suas impressões de mundo, de certo e errado?

Só pra constar, com a ajuda inestimável da grande Edite, conseguimos comprar há alguns meses a coleção completa do velho Monteiro para crianças. E Helena conhecerá todas as histórias e todos os seus significados. Tomara, com o mesmo enlevo e paixão com os quais eu as conheci. E de forma natural, sem preconceitos. Inclusive contra isso que os imbecis tentam chamar de politicamente correto.

Numa casinha branca, lá no sítio do Pica-pau Amarelo, mora uma velha de mais de sessenta anos. Chama-se dona Benta. Quem passa pela estrada e a vê na varanda, de cestinha de costura ao colo e óculos de ouro na ponta do nariz, segue seu caminho pensando:

— Que tristeza viver assim tão sozinha neste deserto…

Mas engana-se. Dona Benta é a mais feliz das vovós, porque vive em companhia da mais encantadora das netas — Lúcia, a menina do narizinho arrebitado, ou Narizinho como todos dizem.

Narizinho tem sete anos, é morena como jambo, gosta muito de pipoca e já sabe fazer uns bolinhos de polvilho bem gostosos.

Na casa ainda existem duas pessoas — tia Nastácia, negra de estimação que carregou Lúcia em pequena, e Emília, uma boneca de pano bastante desajeitada de corpo.

Monteiro Lobato (Reinações de Narizinho)

Leitura obrigatória

Essa é mais uma dica que chega pelo “RSS” do blog. Nada como ter amigos.

Por favor, leiam o post Mais um exemplo da “nova era democrática”: a barbárie intelectual da universidade. Ou: como formar ignorantes orgulhosos e patriotas. Ok, eu sei que é do Reinaldo Azevedo que por sua vez é da Veja. Mas prestem atenção ao discurso da moça e não esqueçam do papel do Sr. Celso Amorim ao longo dos anos. Se possível, vejam o vídeo que está linkado lá.

Ajuda a entender bastante deste governo que está quase quase elegendo sua sucessora. Entre outras coisas porque o aparelhamento foi tal que escolheram uma senhora com dificuldade de se fazer entender em um discurso público, apesar de estar reitora de uma das universidades mais importantes do país. Ai ai ai…