Cheiro de…

Como não ter preguiça de escrever sobre o tema depois do que aconteceu ontem no Engenhão? Como parece que meio time era passageiro no bonde de Santa Teresa (ok, a piada é sem graça. Mas Sérgio Cabral governador e Júlio Lopes secretário de turismo também é e ninguém fala nada), era absolutamente previsível que o Flamengo jogasse mal. Só não esperava a derrota, não mesmo.

Simplesmente porque não é comum ver um time como o Flamengo sem vencer há tanto tempo.

Mas vamos lá, perdemos outra. Mas a rodada ajudou, não há como negar. Então, em tese, só faltam 17 jogos para o hepta. Mas não há como negar que um resultado como o de ontem não dê um certo desânimo. Mas ao contrário do que já li por aí, discordo de que esse não é um bom momento para enfrentar o líder do campeonato como faremos na próxima quinta. Porque é nos grandes jogos que se forjam os grande times. Clichê à parte, é a mais pura verdade.

Não vencemos há seis jogos. Aliás, perdemos mais nos últimos trinta dias do que no primeiro semestre inteiro. Mas os caras também não andam lá muito bem das pernas, apesar de continuaremem primeiro. Tenhoa impressão de que será um jogão. Os dois precisam disso. E aposto que será muito bom pra gente.

O jogo

Quem deve estar rindo de orelha à orelha é o Elmo, amigo baiano e tricolor. Apesar disso, ele gosta e até entende um pouquinho de futebol. E imagino sua alegria com um acontecimento tão raro quanto o homem pisar na lua. Pombas, o Bahia ganho do Flamengo!!! Pode isso? Pode, e é fácil de explicar.

Por circunstâncias familiares, não vi o jogo. ‘Assisti’ pelo rádio. E todo mundo que gosta e acompanha futebol já experimentou ver TV ouvindo rádio, ou mesmo acompanhar a partida da arquibancada com o som da caixinha grudada no ouvido. E sabem, portanto, a diferença do real para o narrado. Faz parte do negócio criar a fantasia de que tudo vai bem, tudo é muito emocionante.

Pois o Flamengo jogou mal até no rádio. Não podia mesmo nem empatar…

Pum

É séria essa notícia? É séria essa discussão? É sério que falta tanta notícia assim que precisamos saber de um pum? E se a confusão é real, como pareceu, como é que um negócio que acontece na sala fechada vaza? É tudo moleque lá? Que vergonha…

Anúncios

O que vem por aí

Até que pra quem está de férias, a Fórmula 1 tem gerado bastante notícias nos últimos dias. As últimas foram resultado da reunião da FIA na última sexta-feira que sacramentou os novos regulamentos esportivo e técnico para a próxima temporada. Na verdade, a reunião foi muito mais que isso.

Entre as mudanças para o ano que vem, a maior ‘novidade’ é que foi retirada do regulamento esportivo a cláusula que proibia o jogo de equipe. Na verdade, hipocrisia pura, pois a prática sempre existiu – com ou sem regras. As maiores novidades técnicas serão a volta do KERS e asa traseira móvel (que teoricamente só poderá ser acionada pelo piloto quando estiver em condições de ultrapassar, e o ultrapassado não poderá usá-la para se defender).

Na verdade, esta nova regra ainda será trabalhada, mas o cheiro de m… no ar é forte.

A reunião também aprovou novidades a serem adotadas em 2012 e 2013, entre elas o novo motor. Esta sim pode provocar grandes mudanças na categoria.

A partir de 2013, os motores serão 1.6 turbo de quatro cilindros. Além de reduzir custos de fabricação, ainda serão mais econômicos. O resultado disso é a provável atratividade que a categoria poderá despertar (a Volkswagen já está de olho e pode colocar a Porsche de volta às pistas).

Para que todos tenham um bom resumo e análise de tudo o que foi dito na última sexta, reproduzo abaixo o texto de Mike Vlček. Quem quiser mais detalhes, saber tudo tim tim por tim tim, pode ler os regulamentos Esportivo e Técnico de 2011. Para análises técnicas mais profundas, procure pela categoria Falando difícil do blog do Mike, o Fórmula UK.

O que muda em 2011

a) Fim do artigo 39.1, que proibia ordens de equipe
Ok, então oficialmente não temos mais nada no regulamento que proíba as ordens de equipe. Porém, a mesma FIA avisa que o famoso artigo 151c, aquele que trata de punir os que colocam o esporte em situação embaraçosa, segue de pé. O que isso quer dizer? Para mim, a mensagem é clara: quem quiser fazer jogo de equipe, terá de ser mais sutil do que a elefanta Ferrada, especialista em pisar nas cabeças e dar patadas nos torcedores. Trocando em miúdos: pode, mas tem que ser escondido. Hipocrisia pouca, claro, é bobagem.

b) Fiscais terão mais opções de punição
A partir de 2011, os fiscais presentes a cada GP poderão punir de mais formas os pilotos que se comportarem mal na pista ou cometerem algum tipo de infração. Perguntinha básica: será que os gestos de Fernando Alonso em Abu Dhabi seriam passíveis de punição ano que vem? Em caso positivo, acho uma tremenda viadagem, com o perdão da palavra.

c) Pit-lane pode ser fechado em caso de Safety-Car
O diretor de prova (leia-se Charlie Whiting) poderá fechar o pit lane se julgar necessário, por motivos de segurança, quando o Safety-Car for à pista. Acredito que a intenção da FIA é impedir que o que aconteceu no GP de Valência se repita, quando Fffééettel e Luisinho se beneficiaram, deixando Alonso e a Ferrada irados.

d) Mudanças nos pneus
A FIA diz que os “pneus intermediários serão reintroduzidos em 2011″. Confesso que fiquei meio confuso com a informação, porque para mim eles nunca deixaram de existir. Deve ser uma pura questão de semântica. A entidade também manteve a regra que obriga os pilotos a usar os dois pneus de pista seca em caso de GP se chuva. É, não foi dessa vez…

e) Caixas de câmbio mais duráveis
Até 2010, os câmbios tinham de durar quatro corridas. A partir de 2011, serão cinco. Haja coração (thanx GB)…

f) Outras coisinhas
A regra que estipula que um piloto precisa estar a menos de um segundo do que vai à frente para poder abaixar a asa traseira passará por refinamento. Ou seja, tudo pode mudar. Porém, uma coisa é certa: a asa traseira móvel vai mesmo acontecer.

A FIA também vai exigir reforço das laterais da célula de sobrevivência, na tentativa de proteger melhor as pernas dos pilotos após o sério acidente sofrido por Liuzzi no Brasil, quando uma barra de suspensão quase perfurou o pé do italiano.

Para 2012

a) Rádio liberado
Vai ser o bundalelê! A FIA garantiu que a partir de 2012 toda a comunicação feita pelos times será disponibilizada para as emissoras que transmitem a F-1. Vai ser interessante descobrir que tipo de informação será mencionada pelos comentaristas de cada emissora, e que tipo de comentário será deixado de lado em prol de transmissões ufanistas. Amigos, o confrontamento Globo x BBC nunca será tão interessante.

O melhor, porém, seria se as transmissões fossem liberadas através do site oficial da F-1 junto ao live timing, de forma que os torcedores pudessem escolher que time/piloto acompanhar. A conferir.

b) Chegada dos biocombustíveis
Ainda carece de maiores detalhes, mas aparentemente eles vão chegar antes dos novos motores turbo. A conferir.

Para 2013

a) novos motores turbo
Os futuros propulsores serão turbos de quatro cilindros e 1.600cc de capacidade volumétrica. Terão injeção direta de combustível, poderão girar até 12 mil rpm e cada piloto terá direito a cinco motores. A partir de 2014, serão apenas quatro propulsores por piloto/temporada. Nada muito diferente do que já vínhamos comentando.

A FIA espera ainda uma redução no consumo da ordem de 35% e também a ampla utilização de tecnologias de armazenamento e reaproveitamento da energia (leia-se Kers e Hers). Não sabe o que é Hers? Então dê um pulo na seção “Falando Difícil” e leia os três artigos sobre as regras que entrarão em vigor em 2013. Vale a pena.

Bem, basicamente é isso, meus bons. Estou super corrido e terei de sair já, já, mas faço uma última observação. Não gostei do fato de a FIA não ter clarificado até agora como será o funcionamento da regra da asa traseira móvel. Continuo sentindo que isso vai gerar muita confusão no princípio da temporada.

No ar!!!

Está no ar o Mania de Esporte, o podcast do Sportmania, especial sobre a temporada de Fórmula 1 que começa no próximo final de semana, no Bahrein.

Primeiro programa do ano, não ficou exatamente como gostaríamos (por exemplo, ainda estamos formais, duros demais para o meu gosto), mas está muito melhor do que só um “deu pro gasto”.

Para ouvir é clicar aqui. Depois, é só deixar críticas, sugestões, pitacos e o que mais quiserem aí nos comentários.

Um tostão da minha voz

Mania_de_EsporteGravamos ontem mais uma edição do Mania de Esporte, o podcast do Sportmania. E, dessa vez, um formato diferente e com um convidado especial.

Para ouvir (funciona melhor no Internet Explorer e no Chrome), é só clicar aqui ou na imagem aí do lado.

Podiqueste

Mania_de_EsporteEstá no ar, de novo, o Mania de Esporte, o podcast do Sportmania. Programa em que um louco chamado Zé Luiz deixa ou louco (este que vos escreve) falar sobre esporte. Do jeito que dá vontade, sobre o assunto que dá vontade. Nesta edição, Mundial Sub-20, Eliminatórias da Copa, Fórmula 1, Brasileirão A e B e mais algumas notas.

Para ouvir (funciona melhor no Internet Explorer ou no Chrome), basta clicar aqui ou na imagem aí do lado. E vale comentar aqui, contra ou a favor. E vale dar idéia de pauta também.

Nas ondas do rádio (ou quase isso)

Mania_de_EsporteA novidade da semana, na verdade, é uma novidade da semana passada. Estreou há dois domingos o Mania de Esporte, o podcast do Sportmania. O ‘programa’ é apresentado pelo José Luiz Duarte e este que vos escreve é o comentarista de plantão.

O divertido da história é que a gente fala (ou tenta falar) de tudo o que foi relevante no final de semana e até se arrisca a alguns exercícios de futurologia. No programa que está no ar, falamos de vôlei feminino, vela, stock car, fórmula 1, futebol e – claro – Rio 2016.

O negócio ainda está começando e ainda estamos aprendendo. Mas uma coisa que já está decidida é que, em breve, começaremos a receber alguns convidados para conversar conosco. Outra idéia é fazer mais de uma edição por semana, vamos ver.

Então, quem quiser se arriscar a ouvir um tostão da minha voz tem que clicar aqui. Depois, é só comentar aqui.

Virou zona?

Deu no Comunique-se: Google lança canal no Youtube para ensinar Jornalismo. Virou zona? Acho que não.

O foco principal não é o brasileiro que, há poucos dias, teve a obrigatoriedade do diploma para a prática da profissão. O objetivo é preparar o maior número de usuários para o Jornalismo Colaborativo que toma conta da rede, no mundo inteiro. Isso porque as empresas entendem que a qualidade da comunicação está diretamente ligada à preparação do comunicador.

A iniciativa não pretende criar novos profissionais, mas preparar os amadores para que sua contribuição seja de alta qualidade. A novidade está no canal Reporter’s Center.

Aproveitando o ensejo, e ainda sobre a decisão do STF sobre o diploma, segue abaixo um texto de um profissional com quase 40 anos de carreira. Diplomado.

jornaisDiz a máxima jornalística que quanto mais informações o leitor tiver – de todos os lados – melhor será sua capacidade de concluir (desde que as informações sejam bem produzidas pelo repórter ou redator, essa figura cada vez mais ausente nas redações…).

Com meus 36 anos de profissão – quase 40 anos desde que entrei na faculdade – acho que o fim do diploma como exigência para exercer atividade jornalística deve estar pesando mais do lado dos donos de faculdades e cursinhos de PhD em jornalismo do que nas redações e nos sindicatos.

Quando fiz vestibular para a ECO-UFRJ (então na Praça da República), havia cursos de jornalismo/comunicação apenas na Eco, na PUC e na UFF, se não estou enganado. Ainda assim, os cursos eram muito teóricos e estavam muito distantes do dia a dia das redações. Me formei em 1973 e já trabalhava como foca na Economia do JB desde agosto de 1972. Pouco depois (setembro/outubro), saiu a convocação para o exame no cursinho de jornalismo do JB (então dirigido pelo Roberto Quintaes, editor da Pesquisa. O curso – aberto a jornalistas que estavam no 6º período em diante – tinha forte estímulo do Dines, e se não me engano, de novo, foi criação do Nilson Lages, um dos responsáveis pelo curso da PUC-Rio). Eu me inscrevi nele em março. Nossa turma tinha ainda Norma Couri, Diana Aragão, Arthur Rios (já falecido).

O curso era a melhor forma do JB ensinar a sua “cultura”, o seu estilo aos novos jornalistas. Naquela época, a redação do JB tinha vários craques que entraram na profissão antes da regulamentação do diploma. O Dines, por sinal, recrutou vários especialistas não formados em jornalismo para áreas específicas. Cito um: o Dr. Fritz Utzeri, isso mesmo o Fritz, formado em Medicina, área a que se dedicaria, mas que posteriormente se revelou um magnífico repórter de Geral, correspondente internacional, editorialista, Editor Chefe do JB e colunista. É dele, em parceria com o Heraldo (já falecido) o Prêmio Esso de 1981 pelas matérias sobre o atentado no RioCentro. Escrever bem é um dom que exige muita cultura e leitura prévia. Não uma garantia do diploma, que pode estar associado à transferência de boas informações sobre as diversas técnicas do jornalismo.

Pois bem, para não fugir ao assunto: naquela época, tínhamos no Grande Rio (então uma cidade nacionalmente muito mais importante do que hoje na irradiação de notícias para o Brasil) cerca de três ou quatro faculdades de jornalismo (Facha e Gama Filho surgiram depois; a proliferação, nos anos 90 em diante) e quantos jornais?

Para quem não se lembra, vamos lá: Jornal do Brasil, O Globo, O Jornal e Jornal do Commercio (ambos dos Diários Associados), Última Hora, Diário de Notícias, O Dia, A Notícia, Jornal dos Sports, Monitor Mercantil, Gazeta de Notícias, Luta Democrática. De Niterói, O Fluminense. O Correio da Manhã tinha fechado de vez, em 1972, na tentativa de ressurreição dos “irmãos bobagem” (Marcello e Maurício Alencar). Circulavam no Rio ainda o Estadão, o Jornal da Tarde, a Folha (sem prestígio, na época) e a Gazeta Mercantil, encontrados em poucas bancas, assim como os jornais de outros estados.

Ou seja, formavam-se, por ano, um máximo de 200 jornalistas. Número absorvido pela expansão e renovação dos jornais e das mídias. Isso mantinha os salários altos.

Hoje, temos quantos jornais? O Globo, JB (assim no diminutivo, expressando sua realidade), Jornal do Commercio, Monitor Mercantil, O Dia (reformulado), Jornal dos Sports. Surgiram o Extra e os subprodutos Meia Hora (O Dia) e Expresso (Extra) que não chegam a criar uma nova redação, só mudam o enfoque da mesma notícia, o Lance (que não é do Rio) e o Valor, que também não é do Rio. Houve sim, proliferação das mídias. E aí as faculdades particulares se aproveitam para ‘vender’ a idéia de que formarão jornalistas de televisão (no Google há uma de JF que apresenta os jornalistas Fátima Bernardes, Sérgio Chapelin e William Bonner como paradigmas).

A enxurrada de novas faculdades de “engana papai” (são quase 20 no Grande Rio) forma cerca de 2.000 jornalistas crus por ano (são duas turmas por ano, pelo menos). No Brasil, 470 faculdades jogam 12.000 jornalistas no mercado. Não admira que os salários tenham sido nivelados tão por baixo, assim como a qualidade. Aliás, com a facilidade de se copiar tudo da internet, os releases oficiais são chupados descaradamente nos sites oficiais e transcritos na íntegra. Não raro, saem as assinaturas (não por prurido de atribuir a fonte, mais por descuido mesmo). No nosso começo, copiar release era uma vergonha suprema. Sobretudo na área de economia. Hoje, do outro lado do balcão, está sendo muito mais fácil pautar a mídia com releases.

Falo isso com pesar, com uma razoável experiência de trabalho, às vezes em cargos de chefia, em jornais (JB e Globo), revista (Veja), Rádio (JB-AM), TV (Bandeirantes e GloboNews) e internet (Globonews.com), assessoria de imprensa (ANDIMA e Mediação) além de colaborações várias. Nas redações e em assessoria, ensinei muita gente (devolvendo o que me deram no começo da carreira e hoje ninguém faz mais). Só não fui professor de faculdade, embora tenha feito muitas palestras nestas faculdades “engana papai”. Nelas, sempre tentava desencorajar a turma quanto ao falso glamour da profissão – tática para deixar de pé os aguerridos, os que querem matar um leão por dia, com furos dignos, o verdadeiro prazer do bom jornalista, de informar algo novo. Esses sobreviventes, seriam os com DNA de jornalismo…

Em suma, apesar da decisão do STF, quem deve ser o juiz da questão é o leitor. O seu ponto de vista é o mais importante. A indústria do diploma melhorou a qualidade da informação?

Lamento concluir que não.

Gilberto Menezes Côrtes
(Mediação Imprensa e Comunicação)