Apelação

Vocês viram o comercial da Dilma, no último final de semana? Pois está aí embaixo.

Agora me digam, fui só eu ou mais alguém achou o comercial de extremo mal gosto, extremamente apelativo? Usar o dia das mães e um tema como o crack para angariar votos não é um tanto descabido, forçado demais?

Além do melodrama, alguns detalhes me chamaram a atenção. O primeiro, óbvio, a sua incapacidade para sorrir e parecer natural. O outro, uma frase jogada para enganar trouxa, dizendo que “vamos derrotar o tráfico”. Será que tem tanto trouxa solto no Brasil? Será que há pessoas que realmente acreditam ser possível acabar com o tráfico de drogas?

Só nos resta aceitar que o Brasil é mesmo um país de muita sorte. Porque se dependesse da qualidade e da honestidade (em todos os níveis) da turma detém ou orbita o poder, já não existiríamos mais há muito tempo.

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A lata

Eu sou um sujeito meio ranzinza mesmo, quem conhece sabe. Por conta disso, acabo encontrando muito mais defeitos do que qualidades. Mas há coisas que não se podem deixar passar.

Então, publico esse comercial para tentar compensar as críticas que andei fazendo a algumas campanhas por aqui. Porque, ao contrário do que muitos possam pensar, não tenho nada contra a publicidade, só contra a publicidade mal feita.

Esse comercial não é novo, já tem dois anos de idade. Mas como não passou por aqui, é provável que muita gente não conheça. Divirtam-se.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

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Sem marinar

Eu vou votar em Marina Silva para presidente da república. Ao menos no primeiro turno de qualquer eleição, me reservo o direito de fazer a escolha que mais se aproxima das coisas que acredito.

Mas uma campanha política é, também e necessariamente, uma campanha de publicidade, em que candidatos são travestidos de produtos. Assim, cabe às agências explorar seus atributos, destacando aspectos positivos e – dentro do possível – escondendo os negativos. É claro que isso é uma explicação muito básica, os publicitários de plantão não precisam me crucificar em praça pública.

Marina Silva tem, atrelados a si, trocentos conceitos positivos que poderiam e deveriam ser explorados de milhares de formas diferentes. Mas hoje encontrei o slogan e as imagens que serão usadas em sua campanha, como vocês podem ver neste post. E de cara me perguntei quem foi o estagiário que criou isso, quem foi o gênio que aprovou essa anomalia?

Primeiro, o slogan. Como assim, “Eu marinei”? Marina Silva, por acaso, é frango? Ou peixe? Ninguém foi capaz de pensar na piada pronta? Imaginem a capa do jornal, pendurada na banca: “Marina Silva é fritada em debate pela presidência.” E essa é só a piada óbvia…

Sobre a imagem, qual o objetivo da campanha ao atrelar – de forma tão incisiva – a imagem de Marina à de Obama? Porque, por mais que digam que é apenas uma referência, é impossível não virar a cara para algo absurdamente copiado. De quebra, nem a esperança que foi o tom da campanha do americano convence mais. Por dois motivos: esperança foi o mote de Lula (e todo mundo sabe o que aconteceu) e o próprio Obama já provou que a esperança depositada sobre ele foi exagerada (qualquer semelhança não é mera coincidência, acreditem).

Cacete, será que não se dão conta de que os eleitores de Marina, possíveis e prováveis, são eleitores de Marina justamente por ter um senso crítico fora da média, que não caem nesse tipo de esparrela.

A campanha, oficialmente, ainda não começou. Ou seja, ainda dá tempo de consertar isso. Espero que consigam.

Entrelinhas

O Hemorio, órgão da Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil do Rio de Janeiro (Sesdec), lançou nesta terça-feira, 26/01, a sétima edição da campanha “Vista a Fantasia da Solidariedade”. A ação tem como objetivo manter a média de 300 doadores diariamente e alertar a população para os riscos da falta de sangue no Carnaval, período em que, historicamente, há quedas de mais de 50% no número de doações voluntárias. O lançamento contou com a presença da subsecretária geral da Sesdec, Monique Fazzi, da diretora do Hemorio, Clarisse Lobo, e da modelo Luiza Brunet, madrinha da campanha.
Fonte: Secretaria de Estado de Saúde e Defesa Civil

Hoje, quando cheguei no trabalho, o Gabriel nem deixou dizer bom dia.

– Você veio de metrô?
– Infelizmente…
– Viu a campanha para doação de sangue para o carnaval?

Depois de falarmos sobre a peça fabulosa, resolvi pesquisar um pouquinho e descobri a matéria de onde copiei o trecho aí em cima. E fiquei ainda mais estupefato. Já estamos na sétima edição de uma campanha que, a meu ver, é terrível.

Primeiro porque é o sétimo ano de uma campanha que eu – vendo TV, usando transporte público, pendurado na internet, lendo jornal e sempre pulando muito carnaval – nunca tinha visto. Segundo, por causa do conceito da campanha: vista a fantasia da solidariedade.

Como assim? Vista a fantasia, coloque a máscara, finja que é solidário? E já é assim há sete anos????

O problema é que, geralmente, funciona assim: quem encomendou a campanha disse que era fundamental fazer referência ao carnaval, que é um período crítico para os bancos de sangue. Aí, a agência apresenta um monte de possibilidades, a equipe e o chefe fazem um monte de observações e – em regra -, achando que entendem muito de comunicação, aprovam ou mandam fazer coisas como essa.

E ninguém discute. E ninguém se dá conta do que um duplo sentido pode causar.

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Doe sangue!
Independente da campanha ser ruim, doar sangue é algo valioso. Quem quiser fazer sua doação, no Rio, pode optar entre o Banco de Sangue Herbert de Souza, do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Avenida 28 de Setembro, 109 – Vila Isabel, das 8 às 12h30), o Hospital da Posse (Av. Henrique Duque Estrada Mayer, 953 – Posse – Nova Iguaçu, das 8 às 13h) e o Hemorio (Rua Frei Caneca, 8 – Centro, das 7 às 18h).

Em alguns outros estados, os caminhos para doar sangue são os seguintes: Fundação Pró-Sangue  (SP), HEMOBA (BA), HEMOMINAS (MG) e HEMOSC (SC).

Casagrande e senzala (2)

No dia 9 de setembro, quarta-feira passada, escrevi este texto sobre uma experiência que tive no Viena, na noite anterior. Logo depois de postar, enviei um e-mail avisando aos amigos que estava publicado, com cópia para o endereço sac@viena.com.br, o manjado Serviço de Atendimento ao Cliente.

Apesar de alguns amigos afirmarem que a rede de restaurantes iria responder o e-mail, não recebi sequer uma mensagem padrão. Na verdade, era o que eu esperava. Mas aí…

Não é que hoje, enquanto estava no trabalho, recebo um e-mail do Octavio com o texto abaixo, publicado no Meio&Mensagem? Vejam que curioso:

Restaurantes Viena com novo posicionamento

É a primeira vez que a rede investe em campanha para televisão. A ação conta ainda com anúncios em mídia impressa e no ponto-de-venda

14/09/2009 – 10:31

vienaA rede de restaurantes Viena lança uma campanha que mostra a importância da boa relação com o cliente, sob um ponto de vista mais humano e positivo. A ação criada pela Bluebox é composta por filme, anúncios em mídia impressa e peças em ponto-de-venda. A campanha estreia nesta segunda-feira, 14, e apresenta o novo conceito da empresa: “fazer bem para alguém”, seja através do ambiente, atendimento, bem estar e principalmente por meio do produto.

“O Viena busca ser visto como um restaurante democrático, que é preferido por todos, além de acessível a diversos perfis como executivos, jovens, famílias e estudantes”, afirma Andréa Pires, diretora comercial e de marketing da IMC.

Esta é a primeira vez que o Viena aposta em uma campanha para televisão. As cenas mostram os desenhos feitos pelos clientes nas toalhas reagem ao aroma e sabor da comida. Além disso, foram incorporados dois elementos tradicionais da rede: o giz de cera e a toalha de mesa de papel. O filme de 30 segundos será exibido em TV aberta e por assinatura. As 90 lojas do Viena, localizadas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Goiás e Minas Gerais, receberão material promocional.

A direção de criação é de Leo Najas, com redação é de Dennis Fillipini. A produtora responsável é a OtherSide Brasil, sob direção de cena de Carmine Bagnato.

Destaco dois detalhes que vão de encontro ao que aconteceu comigo e à falta de resposta da rede ao meu post (ou e-mail ou manifestação, chamem como quiser) que eles tomaram conhecimento:

– “…uma campanha que mostra a importância da boa relação com o cliente, sob um ponto de vista mais humano e positivo.”

– “O Viena busca ser visto como um restaurante democrático, que é preferido por todos…”

Depois de ler isso, posso imaginar que sou louco ou a agência foi mal brifada ou o Viena não combina seus conceitos com suas atitudes. Escolham.

PS: é claro que enviei o link desse post para o Viena, como da primeira vez. Se eles se manifestarem, de alguma maneira, postarei aqui.

50 anos de retratos

Quando postei um comercial aqui pela primeira vez, minha idéia era encontrar, aos poucos, aquelas propagandas que marcaram época, por seu jingle, pela sua criatividade ou seja lá por que motivo fosse. Mas hoje resolvi colocar algo mais novo.

Para comemorar os 50 anos da Olympus Pen (tivemos uma em casa, na época em que se usava filme Kodachrome e as fotos eram reveladas), a empresa lançou o comercial abaixo. Para web, um viral. Reza a lenda que para sua produção foram tiradas mais de 60 mil fotos e ‘apenas’ 1.800 foram utilizadas no filme. Diz a empresa que o resultado é resultado, apenas, da criatividade, sem qualquer tipo de pós-produção. Deliciem-se.

Fome com a vontade de beber

Sempre me incomodei com a maneira insistente da publicidade de cerveja no Brasil. Invariavelmente, mulher ou futebol ou os dois. Aí, procurando por alguma coisa interessante sobre o tema no VocêTubo, encontrei um comercial inglês que combina perfeitamente com o post anterior.