Meras coincidências

Todo mundo já se deu conta que estamos em ano eleitoral? Já caiu a ficha que nas eleições municipais deste ano será testada – principalmente nas capitais – boa parte das estratégias e discursos que estarão presentes nas próximas eleições estaduais e presidencial de 2014?

Pois levando tudo isso em conta, não chega a ser curioso que a minissérie exibida pela Globo desde terça-feira, O Brado Retumbante, esteja alfinetando muitas e muitas práticas instauradas e/ou exacerbadas pelo lulo-petismo ao longo dos últimos nove anos? Quem ainda não viu, terá mais uma semana para assistir e reconhecer todas as falcatruas habituais.

Só como exemplo, a farra dos livros didáticos e um tal ‘preconceito lingüístico” que ganhou destaque no primeiro semestre do ano passado (clique aqui para ver alguns posts sobre o tema).

E se alguém aí está chegando de Marte ou acha que estou delirando aqui, lembro que Fernando Haddad, ex-ministro da educação até outro dia, saiu do cargo para ser o candidato a prefeito de São Paulo numa nítida e mais que sabida imposição de Lula ao PT paulista. E a gente bem sabe o que o sujeito (não) fez pela educação do Brasil, né não…?

Mas é bom lembrar que a mais que conhecida expressão ‘uma no cravo, outra na ferradura’ também se faz presente. Ou será que também é mera coincidência o fato do ator que vive o presidente ser tão mulherengo e parecido com o Aécio?

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Pelos lados do Planalto Central

Quanto tratei aqui de um certo livro didático de português distribuído pelo MEC, com apologias ao erro, defendidas sob os argumentos fabulosos de um tal ‘preconceito lingüístico”, citei a UnB como uma espécie de berço da tal deformidade. Se vocês não lembram, basta clicar aqui.

Pois o problema pelos lados do Planalto Central é um tanto mais grave e parece mesmo que a intolerância a tudo e qualquer coisa que seja diferente do que o ‘petismo’ indica como certo vira violência, intolerância. Não é maravilhoso saber que esse tipo de coisa acontece em uma universidade, justamente aquele que deveria ser o berço das idéias mais díspares, das discussões mais civilizadas, da tolerância e democracia acima de tudo?

Pois o pretexto para as confusões de agora é a discussão da política de cotas nas universidades, mas parece que a patrulha (e respectivas retaliações) atinge tudo e todos que mostram contrariedade sobre qualquer assunto eleito pela reitoria.

Vale a pena ler a reportagem da Veja que foi às bancas no último final de semana.

Para pensar

A procuradora Roberta Kaufmann, mestra pela UnB, que é personagem da matéria e teve seu carro pichado ao tentar participar de uma audiência pública sobre as cotas, disse que outra frase não publicada pela revista foi rabiscada em seu carro:

O mérito é burrice e você é a maior prova disso

Com esse tipo de discurso, temos ou não um futuro brilhante pela frente?

É claro que, quase imediatamente, o site da universidade produziu conteúdo suficiente para tentar rebater as acusações da matéria, com análise de professores, declaração de solidariedade de decanos e apoio do DCE (que em janeiro publicou manifesto em apoio a Cesare Battisti, vejam só…), entre outros. Então, só por curiosidade, leiam o que está lá e façam pesquisas rápidas no Google com os nomes que aparecem. E se surpreendam com as biografias de cada um: partidos, movimentos, teorias etc.

A última flor

Ainda nossa querida língua, ainda o problema do livro didático aprovado e distribuído pelo MEC. A dica chegou pelo Facebook, postada pelo Giorgio (que anda um tanto meditabundo ultimamente).

E agora, pensando aqui nessa tirania da norma culta, fico imaginando se ela não é empregada com esse fim, por certos fiscais dogmáticos. Não devia ser, porque, afinal, ela é necessária para preservar e aprimorar a precisão da linguagem científica e filosófica, para refinar a linguagem emocional e descritiva, para conservar a índole da língua, sua identidade e, consequentemente, sua originalidade. Ao contrário do que entendi de certas opiniões que li sobre o assunto, a norma culta não tem nada de elitista, é ou devia ser patrimônio e orgulho comuns a todos. Elitismo é deixá-la ao alcance de poucos, como tem sido nossa política.

O texto é trecho de artigo de João Ubaldo Ribeiro no Estadão. Clique aqui para ler inteiro.

E para começar bem a semana, outra dica. O vídeo, sobre o meu querido trema, foi enviado pela Carla Pacheco.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Querido U, posted with vodpod

Dona Gramática, a dona da verdade

Ainda a nossa língua e a confusão do livro didático que nos autoriza a falar ‘os livro’. Hã, podemos? O livro Por uma vida melhor, distribuído pelo MEC a 485 mil estudantes é taxativo: “claro que pode”.

Bom, a história completa está em três ‘capítulos’ abaixo, basta rolar um pouco a tela. Por hora, pra não esquecer o tema, um texto do Blog do Novaes que recebi por e-mail.

Confeço qui to morrendo de enveja da fessora Heloisa Ramos que escrevinhou um livro cheio de erros de Português e vendeu 485 mil ezemplares para o Minestério da Educassão. Eu dou um duro danado para não tropesssar na Gramática e nunca tive nenhum dos meus 42 livros comprados pelo Pograma Naçional do Livro Didáctico. Vai ver que é por isso: escrevo para quem sabe Portugues!

A fessora se ex-plica dizendo que previlegiou a linguagem horal sobre a escrevida. Só qui no meu modexto entender a linguajem horal é para sair pela boca e não para ser botada no papel. A palavra impreça deve obedecer o que manda a Gramática. Ou então a nossa língua vai virar um vale-tudo sem normas nem regras e agente nem precisamos ir a escola para aprender Português.

A fessora dice também que escreveu desse jeito para subestituir a nossão de “certo e errado” pela de “adequado e inadequado”. Vai ver que quis livrar a cara do Lula que agora vive dando palestas e fala muita coisa inadequada. Só que a Gramatica eziste para encinar agente como falar e escrever corretamente no idioma portugues. A Gramática é uma espéce de Constituissão do edioma pátrio e para ela não existe essa coisa de adequado e inadequado. Ou você segue direitinho a Constituição ou você está fora da lei – como se diz? – magna.

Diante do pobrema um acessor do Minestério declarou que “o ministro Fernando Adade não faz análise dos livros didáticos”. E quem pediu a ele pra fazer? Ele é um homem muito ocupado, mas deve ter alguém que fassa por ele e esse alguém com certesa só conhece a linguajem horal. O asceçor afirmou ainda que o Minestério não é dono da Verdade e o ministro seria um tirano se disseçe o que está certo e o que está errado. Que arjumento absurdo! Ele não tem que dizer nada. Tem é que ficar caladinho por causa que quem dis o que está certo é a Gramática. Até segunda ordem a Gramática é que é a dona da verdade e o Minestério que é da Educassão deve ser o primeiro a respeitar.

Nós vai, nós vem, é nóis na fita

Essa história de preconceito lingüístico que explodiu com a polêmica do livro Por uma vida melhor, na verdade, não tem nada de nova. No Brasil, o primeiro a abordar o assunto foi Nildo Viana. Sociólogo (UFG), mestre em Filosofia (UFG) e Sociologia (UNB) e doutor em Sociologia (UNB), Viana apresentou uma visão marxista (surpreso?) em que a linguagem é um fenômeno social e está ligada ao processo de dominação. Assim, o sistema escolar seria a fonte da dominação lingüística.

Não sei o que andam tomando no café da manhã pelos lados do nosso Planalto Central, mas também é de lá, da UNB, que saiu o principal nome no Brasil de hoje a esbravejar sobre o tal preconceito. Marcos Bagno já publicava livros sobre o tema no final da década de 90. De acordo com o moço, os falantes que não dominam o que ele chama de ‘lingua padrão’ sofrem preconceitos e são excluídos da ‘roda dos privilegiados’ que tiveram acesso a uma educação de qualidade.

Parece insano pra você que conseguiu ler até aqui? Pois é. Por que, ao invés de lutar pela massificação do erro até que ele se torne certo, eles não brigam para que todos – sem qualquer tipo de discriminação – tenham acesso à tal educação de qualidade que eles mesmos admitem existir? Porque dá trabalho, é mais fácil admitir o erro como correto. E isso é um tanto mais sério do que a briga por um simples livro didático. Ou vocês já esqueceram da nossa última reforma ortográfica?

Afinal, para que ensinar a usar o acento corretamente, se podemos eliminá-lo? Vejam esse exemplo (muito usado pela turma com quem trabalho), uma possível manchete do Globo, da Folha ou de quem quer que seja:

Carta para o Congresso

Então, digam aí: alguém muito importante conseguiu dar publicidade a uma carta que enviou para nossos dignos representantes de Brasília ou o conteúdo de uma missiva qualquer era tão explosivo, tão bombástico que interrompeu todas as atividades nas duas casas de nosso parlamento? Olhando assim, você também não fica impressionado por não terem aproveitado a bagunça para extinguir o acento grave, aquele que sinaliza a crase. Afinal, um monte de gente (inclusive na ‘roda dos privilegiados’) não sabe usar e deve causar um monte de preconceito.

Mas, se você – como eu – também ficou indignado com toda essa história, é bom conformar-se. Porque o MEC não vai recolher quase meio milhão de livros muito mais panfletários que didáticos. Daqui a pouco, passa o frenesi e nos deparamos com outros escândalos e outros e outros e outros, maiores e menores. E nada vai se resolver. Pelo contrário, estamos caminhando a passos largos para o ‘nós vai, nós vem’. É nóis na fita!!!

Para amenizar um pouquinho, um texto de 2008 que recebi por e-mail e tive que dar uma volta longa para descobrir que o autor é o Lucas, do K-Blog (que já está incluído em Na boa, aí na barra lateral). Boa leitura.

A despedida do Trema¨

Estou indo embora. Não há mais lugar para mim.

Eu sou o trema.

Você pode nunca ter reparado em mim, mas eu estava sempre ali na Anhangüera, nos aqüíferos, nas lingüiças e seus trocadilhos por mais de quatrocentos e cinqüenta anos. Mas os tempos mudaram. Inventaram uma tal de reforma ortográfica e eu simplesmente tô fora. Fui expulso pra sempre do dicionário. Seus ingratos!

Isso é uma delinqüência de lingüistas grandiloqüentes!

O resto dos pontos e o alfabeto não me deram o menor apoio… A letra U se disse aliviada porque vou finalmente sair de cima dela. O dois-pontos disse que eu sou um preguiçoso que trabalha deitado enquanto ele ficaem pé. Atéo Cedilha foi a favor da minha expulsão, aquele C cagão que fica se passando por S e nunca tem coragem de iniciar uma palavra. E também aquele obeso do O e o anoréxico do I. Desesperado, tentei chamar o ponto final pra trabalharmos juntos fazendo um bico de reticências, mas ele negou, sempre encerrando logo todas as discussões. Será que se deixar um topete moicano posso me passar por aspas?

A verdade é que estou fora de moda. Quem está na moda são os estrangeiros, é o K, o W. “Kkk” pra cá, “www” pra lá. Até o jogo da velha, que ninguém nunca ligou, virou celebridade nesse tal de Twitter, que, aliás, deveria se chamar TÜITER.

Chega de argüição, mas estejam certos seus moderninhos: haverá conseqüências! Chega de piadinhas dizendo que estou “tremendo” de medo.

Tudo bem, vou-me embora da língua portuguesa. Foi bom enquanto durou. Vou para o Alemão, lá eles adoram os tremas.

E um dia vocês sentirão saudades. E não vão agüentar.

Nos vemos nos livros antigos. Saio da língua para entrar na história.

Adeus..

Trema¨

Nós vai tudo se f… (2)

A coisa está ficando pior que a encomenda. E volto a falar do livro Por uma vida melhor, distribuído pelo MEC a 485 mil alunos da rede pública no Brasil.

A ONG Ação Educativa, responsável pedagógica pelo tal livro, publicou uma nota sobre a obra. Destaco um trecho.

O trecho que gerou tantas polêmicas faz parte do capítulo “Escrever é diferente de falar”. No tópico denominado “concordância entre palavras”, os autores discutem a existência de variedades do português falado que admitem que substantivo e adjetivo não sejam flexionados para concordar com um artigo no plural. Na mesma página, os autores completam a explanação: “na norma culta, o verbo concorda, ao mesmo tempo, em número (singular – plural) e em pessoa (1ª –2ª – 3ª) com o ser envolvido na ação que ele indica”. Afirmam também: “a norma culta existe tanto na linguagem escrita como na oral, ou seja, quando escrevemos um bilhete a um amigo, podemos ser informais, porém, quando escrevemos um requerimento, por exemplo, devemos ser formais, utilizando a norma culta”.

Alguns absurdos até um tanto óbvios estão nesse parágrafo. O primeiro, quando dizem que variedades do português falado admitem que substantivo e adjetivo não sejam flexionados para a devida concordância. Como assim? Sinto muito por todos os mestres e doutores que concordam com isso, mas a oralidade não permite o erro, a coloquialidade (existe essa palavra?) não permite o erro. E se os erros existem e são repetidos a granel, são pela falta de educação endêmica do brasileiro ou por vício de linguagem. Vícios que todos temos, mesmo quando conhecemos as normas, mas que não chancelam ou justificam os erros.

O segundo absurdo, naturalmente, concorda com o primeiro. Dizem, os autores, que quando escrevemos um bilhete – por exemplo – podemos ser informais. É verdade. O que quero saber é: desde quando a informalidade permite ou justifica o erro?

Sigamos adiante. Ao final da nota há um link para o capítulo 1 do livro, Escrever é diferente de falar, de onde foi reproduzida a página que aparece como imagem no post abaixo. Dei-me o trabalho de ler o tal capítulo e, para o meu horror, o texto é muito mais próximo de um panfleto político do que um livro didático, insuflando o leitor à ultrapassadíssima luta de classes. De quebra, deixa implícito que o uso correto da língua – que eles chamam de norma culta, misturando alhos com bugalhos – deve ser aprendido apenas para seu uso em algumas circunstâncias. Leiam o trecho abaixo.

A classe dominante utiliza a norma culta principalmente por ter maior acesso à escolaridade e por seu uso ser um sinal de prestígio. Nesse sentido, é comum que se atribua um preconceito social em relação à variante popular, usada pela maioria dos brasileiros. Esse preconceito não é de razão linguística, mas social. Por isso, um falante deve dominar as diversas variantes porque cada uma tem seu lugar na comunicação cotidiana.

Como a linguagem possibilita acesso a muitas situações sociais, a escola deve se preocupar em apresentar a norma culta aos estudantes, para que eles tenham mais uma variedade à sua disposição, a fim de empregá-la quando for necessário.

Por fim, em entrevistas a sites e rádios por aí, autores e responsáveis pela obra estão utilizando o argumento de que o livro não será usado na educação infantil, mas com jovens e adultos. Assim, a tal abordagem faria o aluno se interessar pelo tema pois o aproxima de sua realidade. Hã? Quer dizer, então, que jovens e adultos que tentam recuperar o tempo de estudo perdido podem aprender errado? Desculpem, mas não fez sentido para mim. Porque o está escrito no livro é o seguinte:

Você pode estar se perguntando: “Mas eu posso falar ‘os livro?’.”

Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico.

Desculpem, mas não acho que qualquer pessoa possa falar ‘os livro’. Infelizmente, há muita gente que fala assim porque vivemos em um país que não se preocupa verdadeiramente com a educação. Então, o papel da escola e de qualquer pessoa que conviva com situações assim é ensinar, orientar, educar.

Infelizmente, os autores tentam justificar o injustificável. Claro, afinal foram capazes de confundir conceitos tão díspares quanto formal/informal e certo/errado. E enquanto toda essa confusão é discutida por aí, o nosso querido ministro da educação diz apenas que a discussão é papel das universidades e que não se mete na escolha dos livros para que não haja desconfiança sobre censura. Bonito? Ele só esquece, ao dizer isso e tentar fugir da responsabilidade, que é o MEC quem chancela e distribui os livros.

Nós vai tudo se f…

Estou um tanto pasmo, ainda. A notícia não é nova, já tinha visto por aí, já tinha recebido o link há alguns dias, mas acabei deixando passar. Quando fui colocar a leitura em dia…

Não vou me arriscar a escrever muito sobre o tema, ainda estou de boca aberta. Basicamente, a imagem abaixo é a página de um livro didático de língua portuguesa recomendado pelo MEC. Se não conseguirem ler, cliquem aqui para a imagem ampliada.

Não bastou fazer uma reforma ortográfica que não representa a língua falada, com a exclusão de acentos e outros sinais gráficos? Ainda ficou difícil demais? Então vamos ensinar errado mesmo…

Agora, algo com o que concordo em gênero, número e grau (algo que as autoras do livro parecem não ligar):

Uma coisa é explicar por que uma mensagem fora do padrão formal da língua funciona; outra, diferente, é atestar a sua validade como uma variante da língua. Não dá! Português não é inglês, por exemplo. Na nossa língua, os adjetivos têm flexão de gênero e número, e os verbos, de número. Quem dominar com mais eficiência esse instrumental terá vantagens competitivas vida afora. O que esses mestres estão fazendo, sob o pretexto de respeitar o universo do “educando”, como eles dizem, é contribuir para mantê-lo na ignorância.

Este é um trecho do texto escrito pelo Reinaldo Azevedo. Clique aqui para ler a íntegra. Eu ainda estou muito tonto para falar sobre o tema.

2ª edição

Na verdade, se pensarmos só um pouquinho no país em que vivemos, qualquer surpresa sobre esse livro que foi distribuído para 485 mil alunos pode ser encarada como ingenuidade. Durante oito anos, tivemos um presidente que se orgulhava de sua ignorância, seu pouco estudo etc. Hoje, nossa presidenta (sic) não é capaz de concluir raciocínios lógicos ou mesmo frases simples, se apresentando com discursos que são apenas emaranhados de idéias soltas e perdidas. Por fim, o ministro da Educação desde 2005 é Fernando Haddad, competentíssimo em mostrar como é incompetente. Todos três, partidários do populismo mais raso.