Até quando você vai levando? (Porrada! Porrada!!)

Protesto em São Paulo / Foto: Agência BrasilAndei observando boa parte dos protestos que tomaram as ruas de boa parte de nossas capitais nos últimos dias, em função do aumento de tarifas no transporte público. E acabei lembrando de outros protestos e confusões anteriores, nos últimos dois anos, de invasões a faculdades às greves mais diferentes. E comecei a pensar no que todos eles tinham em comum.

Minha preocupação se dá por conta da quantidade e da violência dos conflitos, especialmente nos últimos protestos, com a culpa pelo embate sempre caindo nos ombros da polícia.

A primeira coisa que chama a atenção é que em todas essas bagunças estão as bandeiras de alguns partidos políticos e grupos sociais bem peculiares. Todos democratas na sua essência, claro. Estranhamente, se tornou raro encontrar a do partido da presidenta. Não, não acredito em acaso.

A outra coisa vemos em todos esses novos movimentos e protestos é algo que me assusta muito: pessoas escondendo os rostos, com lenços, camisas ou afins. Como aqueles bandidos do velho oeste, reparem só (capuzes e balaclavas também não são raros). E é aí que está o negócio.

Ninguém vai conseguir me convencer que um sujeito (ou sujeita) que diz presente a uma manifestação vendida como pacífica, escondendo o rosto, portando tinta spray ou coquetéis molotov, quer realmente ficar em paz e apenas defender uma posição. Ninguém vai me convencer que essas figuras não estão predispostas à confusão.

A dinâmica

Sim, eu já vi essa turma trabalhar de perto. E a coisa é bem profissional. Em uma manifestação com algumas centenas de pessoas nas ruas, basta que um manifestante mais exaltado ou um policial um tantinho mais aloprado para começar uma grande confusão. Como?

Um exemplo desses dias: a manifestação foi agendada e tudo combinado, com todas as autoridades avisadas e preparadas. A turma, em uma grande avenida, sabe que só deve ocupar uma faixa, ou a cidade para. Alguns começam a se espalhar, a segunda faixa acaba ocupada, a polícia chega junto para controlar e devolver as coisas ao seu lugar, um manifestante reclama, um policial mal preparado e mal orientado empurra… pronto. Forma um grupo e a confusão está armada.

Nesse momento, aqueles profissionais usam a confusão e começam sua grande cena. Fogo, barricadas, pixações, paus, pedras… Só não há estrelas cadentes. E aí, quando vem o choque e/ou cavalaria, posam de vítimas.

Cana

Desculpem meus amigos à sinistra (com trocadilho), mas pra dizer o que penso, para marcar posição, para defender o que acredito, eu não tenho o direito de destruir o que não é meu. Também não tenho direito de atacar o que é público, porque ao contrário do que muita gente pensa, o que é público não é de ninguém, é de todo mundo.

Então, se o sujeito bota fogo em ônibus, destrói bancas de jornais, picha prédios e veículos, quebra vidraças etc etc etc, a reação só pode ser uma: cana. Se resistir, cacete, pimenta, borracha. E, ao invés de reclamar, que arquem com as conseqüências. É assim que funciona no mundo civilizado.

Muito estranho

Estamos vivendo tempos muito estranhos por essas plagas. Grupos organizados, que já dominam as pautas, começam a se sentir no direito de ocupar espaços na marra, não importando o que a maior parte da sociedade ao seu redor realmente quer. À guisa de um discurso bom (bom pra quem, cara pálida?), não se pode mais discordar de nada, que se dane a democracia. Na verdade, confessam sua vocação. E aí, você está aí pensando que estou misturando alhos com bugalhos.

Cenário, contexto, horizonte. Preciso mesmo explicar?

P.S.: sim, eu assumo quem eu sou quando digo o que penso. Não, eu não uso máscaras.

A perseguição

Se não fosse um filme de animação, mataria de inveja os produtores e diretores do clássico The Blues Brothers (Os irmãos cara de pau, 1980).

The chase é bem animado e a qualidade de produção é digna dos melhores games. No final, relativamente surpreendente, descobrimos que – como disse Phillippe Gamer, produtor, autor e diretor do filme – do tudo não passa de uma pequena história sobre a arte de envelhecer.

Construindo heróis

O jogo ainda não tinha acabado, mas Abel dava um piti à beira do campo, foi expulso e se recusou a sair apesar da presença da polícia para escoltá-lo aos vestiários. Nisso, minha querida esposa que é tricolor, soltou a pergunta-pérola: “esse cara trabalhou no Botafogo?”, referência óbvia ao péssimo hábito do chororô, traço cultural pelos lados de General Severiano.

Então, antes de falar do jogo propriamente dito, vamos aos lances que – teoricamente – justificariam o ataque de pelancas tardio (pois que enquanto vencia tudo ia bem) do treineiro das laranjeiras.

1. No último lance do primeiro tempo, Renato Abreu acertou uma cotovelada que provocou um corte no lábio da She-Ha. Bom, todo mundo sabe que o meia metido a sherife não é mesmo flor que se cheire, mas ele não fez nada diferente de quase todos os jogadores tupiniquins, levantando braços em qualquer disputa de bola. Às vezes pega, às vezes não, às vezes o juiz vê, outras não.

2. O tal pênalti não marcado foi tão falta quanto qualquer agarra-agarra nas áreas de nossos campos do Oiapoque ao Chuí. Jael tanto empurrou quanto foi puxado. E aí, se juiz bom não tem peito de marcar pênaltis assim em clássicos como o de ontem, o que dizer dos ruins?

3. A falta que originou o segundo gol do Flamengo foi clara.

4. A expulsão de Souza foi justíssima, em que pese as circunstâncias. O sujeito simplesmente esqueceu a bola e levantou Botinelli, o maior craque surgido nas imediações do Rio da Prata. Nem foi tão violento, é verdade, mas quem disse que é preciso decaptar o adversário para receber o vermelho? Ok, talvez o amarelo fosse suficiente. Mas ficou claro que o juizinho resolveu sacanear o técnico chorão que se recusou a sair quando foi expulso. Sou capaz de apostar nisso. E a prova é que preferiu empurrar Rafael Moura a expulsá-lo como deveria.

A vitória

O jogo, propriamente dito, foi uma bomba. O Flamengo jogou mal do início ao fim e perdeu a chance de golear o adversário no primeiro tempo. Os 45 minutos iniciais foram tão fáceis que nosso bravo arqueiro reserva saiu para o intervalo com seu uniforme branco imaculado.

Mas acho que já não dá pra negar a forte vocação para o drama e a tragédia nas hostes rubro-negras. Não precisava sufoco, não precisava susto. Era só jogar de verdade que a vitória seria tranqüila. Mas como construir mitos e heróis sem um bom bocado de sofrimento, superação e surpresa?

Botinelli bateu uma falta que, normalmente, não bateria. E, se desde 95 somos obrigados a aturar a história do gol de barriga, agora temos o gol de bunda para revidar. Para completar, um chute de três dedos como há muito tempo não via. Sensacional.

Só faltam dez jogos para o hepta e, como já disse antes, não estou preocupado com os confrontos contra os times ‘grandes’. Já os jogos contra os cearás da vida, estes me dão calafrios.

Pique-esconde animal

(…) para os moradores dos arredores está pior. Os assaltos continuam acontecendo. Na Rua Engenheiro Adel foram roubados dois carros e um terceiro teve seu vidro quebrado, em uma semana. (…) Na Rua Barão de Itapagipe, duas pessoas foram assaltadas, uma ficou sem celular e outra sem a bolsa (fatos ocorridos em junho). Na mesma rua, esquina com Rua Aguiar (…) continua funcionando uma boca de fumo – até durante o dia é possível ver as pessoas usando drogas na calçada, em frente a uma mecânica.

Digo que está pior, pois a sensação de insegurança é maior. Todos acreditamos que com a UPP os principais problemas seriam resolvidos. Utopia! Realmente, em um primeiro momento, os bailes acabaram, os fogos não existiam, os assaltos quase zeraram… Porém, aos poucos vejo que o “funcionamento” da comunidade volta ao normal. Conversando com alguns moradores da favela, me disseram que eles também estão receosos, que traficantes que fugiram estão voltando e que a polícia já está virando piada.

Bom, meus amigos, moro na Tijuca. E ouvi muito tiro durante o último final de semana. Todos eles em favelas pacificadas. No Catumbi, também pacificado, uma granada foi jogada sobre policiais (um deles perdeu a perna e está em estado gravíssimo no hospital), houve troca de tiros mas ninguém foi preso e segue tudo bem.

O primeiro texto, com referências ao Turano e seus arredores, é trecho de um e-mail que recebi. Quem enviou foi a Claudia, do Grupo Grande Tijuca. Talvez vocês não lembrem, mas no dia 1º de abril contei sobre o rapaz de bicicleta que fazia assaltos ali pelo Largo da Segunda-Feira, que todos conheciam, “já foi até preso”. O segundo, é trecho de um post de um mês atrás, sobre o final de semana de instalação da UPP da Mangueira. Também já conversei com algumas pessoas que moram em outras áreas próximas a favelas ‘pacificadas’, Alemão inclusive – que é vendido pelo estado e pela mídia como grande vitória da sociedade. O diagnóstico de todos é o mesmo. O pau está comendo solto, nas barbas de todo mundo. A semana passada em Santa Tereza, por exemplo, foi quentíssima.

E todo mundo, estado e mídia, fazem questão de fingir que está tudo bem. Tudo é lindo, tudo é maravilhoso.

Estamos cansados de saber que nosso governador não está muito preocupado com isso, visto que está enrolado com seus problemas pessoais, além da montanha de dinheiro em contratos muito mal explicados com empresas de seus amigos e quase familiares. E onde está nosso secretário de segurança, Sr. Beltrame? Calado, escondido como uma tartaruga que se faz passar por pedra, um tatu que se faz passar por bola ou simplesmente com a cabeça enfiada na terra, como um avestruz, esperando que ninguém repare no resto do corpo?

Pequenas observações sobre quase tudo ou quase nada (2)

É impressionante como coisas simples, muitas vezes, deixam você de cabeça pra baixo. No meu caso, uma febre quase constante de 39º que apareceu sem motivo aparente e que, constante, nos fez ficar de vigília entre antitérmicos, banhos e compressas durante quase dois dias, até descobrir a garganta inflamada e começar o tratamento que, aos poucos, foi devolvendo a boa disposição e o sorriso – além do sono tranqüilo. E se eu fiquei meio fora de órbita, e até Adriça e Joana deram seus plantões ao redor do berço, certamente vocês conseguem imaginar como ficou a mãe da moça. O pior é que até hoje (2011!) ainda há gênios que as acreditam como sexo frágil. Ahã…

Mas mesmo depois de quatro dias sem praticamente abrir o computador, ler jornal ou prestar muita atenção à TV, metido que sou, resolvi dar aqui alguns pitacos sobre algumas notícias relevantes dos últimos dias.

 

Mínimo

Tenho achado muito curioso todo o noticiário que vem de Brasília nos últimos tempos. Como todos sabem, será bastante discutido e provavelmente votado o reajuste do salário mínimo nesta semana. E vejam como o termo ‘curioso’ realmente cabe aqui. Sem entrar na discussão sobre se é certa ou errada, o fato é que foi criada e aprovada uma regra (que deveria valer até 2023) para os reajustes anuais do vale coxinha nacional. Então, se está havendo discussões, pressões etc., é porque neguinho está rasgando a regra. Será que estou enganado?

Noves fora, a discussão ficou tão acalorada que o próprio presidente da câmara, Marco Maia (do mesmo PT de Dilma), disse que haverá um amplo debate na casa. Como o governo tem ampla maioria e deve conseguir a aprovação da milionária quantia de R$ 545, não se sabe o quanto há de farofa (afinal, a população precisa acreditar que os caras estão lá para defender seus interesses) e o quanto há de pressão por outros interesses. O que se sabe é que as nomeações para o segundo escalão estão paradas, à espera do resultado da votação.

Então, não é mesmo curioso? Porque é claro que fisiologismo não passa nem perto disso e eu devo mesmo estar meio doido.

 

Senna

É, eu também caí na esparrela de que haveria um duelo entre Bruno Senna e Nick Heidfeld pela vaga de substituto de Kubica na Lotus Renault (a preta). Diga-se de passagem, a postura do brasileiro durante a semana foi sensacional. Além de entender e concordar com a busca por alguém mais experiente para o desenvolvimento do carro, aproveitou a chance de andar com um F1 de verdade. Depois de quase 70 voltas no circuito de Jerez, na Espanha, foi consistente, fez bons tempos e passou boas informações para o time. Ganhou quilometragem e se mostrou pronto para assumir o posto de piloto no caso de eventualidades. Enquanto isso, o alemão deverá mesmo ser o escolhido para a vaga e o anúncio deve sair nesta semana, antes dos próximos testes, que acontecerão em Barcelona.

Enquanto isso, a Globo não perdeu a chance de fazer uma matéria bem ‘mela cueca’ sobre o nome Senna e o carro preto e dourado chamado de Lotus. Aquele velho papo de Brasil-il-il que não leva ninguém a lugar nenhum.

 

Frenesi faraônico

E Mubarak caiu e assumiu uma junta militar. Com uma promessa: governar pelos próximos seis meses ou até que seja possível convocar eleições gerais. De quebra, o parlamento desfeito e a constituição rasgada (oficialmente, uma comissão fará sua revisão com consultas à população). Não sei vocês, mas ando encafifado com essas promessas do novo governo, tenho a impressão que já li algo parecido com alguns livros de História por aqui. Mas deve ser só uma cisma boba minha né. Afinal, todas as grandes nações apoiaram (mesmo que a contragosto velado) a mudança no país.

É claro que não sou louco, sou contra qualquer tipo de ditadura. Mas há que se observar com cuidado o que vai acontecer no Egito daqui pra frente. Não sei porquê, mas tenho a impressão de que haverá problemas graves no futuro, algo como uma nova ditadura de fundo religioso, devidamente disfarçada por eleições. Tomara que eu esteja errado.

Outra coisa a se observar com atenção é que a confusão na terra dos faros não foi a primeira a começar, mas a primeira a ter resultado concreto. E que uma espécie de efeito cascata já pode ser visto em outros países do Oriente Médio e da Ásia. Será um ano bem barulhento ao redor do mundo, podem esperar.

 

Farelo

Um pouco mais de F1, vou arriscar falar de pneus. Existem algumas maneiras óbvias de se utilizar a participação no automobilismo como publicidade de pneus. A maior delas é mostrar que seu produto é extremamente confiável: durável (econômico) e seguro. Foi o que a Bridgestone fez desde que é fornecedora F1, entre outras categorias).

Pois a nova fornecedora, a Pirelli, resolveu assumir outro caminho. Em parceria com os anseios da FIA e da FOM por corridas mais emocionantes, seus pneus praticamente se esfarelam na pista, obrigando pilotos a serem mais delicados ao volante e – ao mesmo tempo – obrigando equipes a pensar em estratégias diferentes das até hoje habituais. Mesmo que isso não seja apresentado claramente em sua publicidade, isso mostrará como os pneus (e a maneira como você os usa) pode mudar o comportamento de um carro, tornando-o mais ou menos seguro.

Sobre o resto da Fórmula 1, só faltam mais duas baterias de testes antes do início da temporada. E é a partir da próxima, em Barcelona, que será possível começar a entender a relações de força do campeonato que vem aí. A pista espanhola é fundamental por vários aspectos e muitos dos trunfos que foram escondidos até agora pelas equipes serão, finalmente, apresentados. Ainda será possível ver brilharecos deste ou daquele time em busca de patrocinadores, mas ao final da semana já saberemos – com raros desvios – quem vai brigar pelo quê durante o ano.

 

Paz insuportável

Então tá, desde sexta-feira a polícia federal faz operação no Rio, com mandados de prisão contra trocentos policiais civis e militares que revendiam a traficantes, parte do material apreendido (drogas, armas e munição) em operações nas favelas, inclusive naquela que virou propaganda de governo, no Alemão e na Vila Cruzeiro.

E aí, já ouvimos e continuaremos ouvindo expressões como ‘cortar a própria carne’(ou vocês acreditam que o nome “operação guilhotina” é por acaso?), ‘depurar a instituição’ e coisas do gênero.

Preciso admitir que estou positivamente surpreso, pois a coisa apareceu de maneira rápida para os nossos padrões. O problema é que é justamente por coisas assim que não perco a desconfiança de que todo o esforço feito até agora não passa de uma espécie de maquiagem para que o cenário esteja a contento para a copa de 2014 e os jogos de 2016. Mas vocês não tem noção de como eu quero estar completamente errado sobre isso.

 

Passou da hora

E o Flamengo goleou o Resende por 1 a 0 hoje e terminou a fase de classificação da Taça Guanabara com 100% de aproveitamento. Lindo! Só que, a despeito dos números, não vi o time jogar bem de verdade durante um jogo inteiro até agora. E, sinceramente, já passou da hora do profexô dar um padrão de jogo para o time. Porque a verdade é que, até agora, foi só baba. Tanto que o ex-Bacaxá passou para as semifinais em segundo no grupo.

Mas não há como negar que somos favoritos. Afinal, nosso próximo adversário conseguiu empatar com Bangu e Macaé. E o Fluminense perdeu para ele… O que me incomoda nessa história (é, sou mesmo fatalista e pessimista) são os tais 100%. Porque todo mundo sabe que ninguém é imbatível, e quanto mais tempo passamos invictos, mais perto estamos da primeira derrota. Tomara que não seja agora.

Noves fora, antes do jogo com o Botafogo, teremos a estréia na Copa do Brasil contra o Murici de Alagoas. Bom momento para o time encaixar, como gostam os boleiros, e começar a jogar bem. Porque a Copa do Brasil vale muito e 2 a 0 lá garante ao time uma semana livre de compromissos para treinar em paz.

 

Aposentadoria

Cá entre nós, já tinha passado muito da hora do gordo pendurar as chuteiras, já faz anos que luta de modo absurdo contra as contusões e o tamanho da barriga.

Talvez eu seja apedrejado agora, mas sempre (há testemunhas) disse que Ronaldo era um atacante excelente e só. É claro que sua história de voltas por cima, inclusive com seu desempenho na copa de 2002, são sensacionais. Ou fenomenais, vá lá. Foi um grande artilheiro que tinha problemas em cabecear, dava grandes arrancadas mas seus dribles nunca foram  fluentes (na maioria das vezes, passava pelos zagueiros aos trancos), nunca foi um bom passador, nunca chegou perto de ser um jogador completo.

Foi eleito três vezes o melhor do mundo, acredito que muito mais por ter brilhado em uma época de poucos craques (1996 e 97) e por seu desempenho em uma competição que dura apenas um mês (2002).Só falando em R, acho que fez menos do que Rivaldo, muito menos do que Ronaldinho Gaúcho e Romario foi só umas dez vezes melhor que ele. Nada disso tira seus méritos, de modo algum, mas não o coloca no Olimpo.

De qualquer maneira, não fez pouco, não conquistou pouco. Então, muito boa sorte, saúde e felicidade.

 

Indigna

A garota tramou o assassinato dos pais só para meter a mão na grana, confessou os crimes e, só depois de muitos anos, foi declarada oficialmente ‘Indigna’. Curioso, também, o juridiquês.

 

Passo de cágado

Não, o blog não entrou de férias apesar do post de feliz natal aí embaixo. Mas vamos combinar que não há muito o que falar nos últimos dias né não. Se tem dúvida, pare pra pensar nas poucas coisas relevantes que passaram na TV ou foram estampadas nos jornais de folhas desde o último sábado.

Ontem a moça anunciou mais sete nomes que irão compor seu time de governo. E se não bastassem a volta de Lobão e Palocci, a ressurreição de Moreira Franco e a manutenção Orlando Silva Jr., ainda faltam outros sete nomes. Pombas, 37 ministros ou secretários com status de ministro! 37!!! Precisa falar mais alguma coisa ou arrancar nossas calças pela cabeça por causa disso?

Pois é, e enquanto isso o moço vai produzindo alguns rega-bofes Brasil afora para se despedir, afinal o mito vai se retirar. E a pior parte disso é que, de alguma forma, ainda serei obrigado a dar o braço a torcer e direi que ‘sinto falta do Lula’. Deus nos guarde…

No Rio, como previsto, depois da fanfarra no complexo do Alemão, seguimos vivendo naquela paz de mentirinha enquanto um amigo policial que teve o carro metralhado segue no hospital e a polícia civil tenta fazer prisões e desmontar uma milícia. Claro que nada disso acontece na Zona Sul. Afinal, é verão, bom sinal, e do Leme ao Pontal, tudo é lindo e maravilhoso. Como as meninas (ou não) famélicas (ou não) que desfilam com estampas variando entre onças e leopardos e unhas com esmaltes quase fosforescentes, um belo regalo aos nossos olhos, uma ode ao bom gosto.

E como eu resolvi não me aporrinhar, não me desgastar com o Flamengo do profexô que renova com Fernando e contrata Felipe, pelo menos até começar a pré-temporada oficial, e como na F1 nada de novo acontece além do que já foi previsto e avisado por aqui mesmo em outros dias, está justificado o estado de semi-abandono desse canto nos últimos dias. Uma espécie de passo de cágado à espera de algo que valha realmente a pena destacar.

E aí, alguém com um bom espírito que passar por aqui e ler esse texto vai perguntar se não dá pra ser menos ranzinza, ter um pouco de bons sentimentos, afinal é véspera de Natal, vamos começar um novo ano etc etc etc. E eu respondo: e tem como?

Dúvidas sobre uma tragédia

Parei para reparar um pouco na cobertura do acidente que há uma semana matou Rafael Mascarenhas, filho da atriz e apresentadora Cissa Guimarães.

A impressão que tive, desde domingo à noite, é que tudo passou a se resumir à propina pedida e paga aos policiais que ajudariam a esconder o carro que provocou o acidente. E aí alguma coisa me cheira mal.

Não sou advogado nem tenho qualquer conhecimento profundo de Direito, mas tenho algumas impressões que gostaria de dividir com a meia dúzia de três ou quatro leitores que passam por aqui: o rapaz dirigia seu carro por uma via interditada, disputando um pega – ou racha ou seja lá que nome tem – quando atropelou e matou (homicídio culposo) o jovem. Só parou seu carro fora do túnel onde ocorreu o acidente (omissão de socorro) e, com base na tal propina (corrupção ativa) que está sendo investigada, tentou esconder o carro (ocultação de provas).

Por que é que, apesar disso tudo aí, tenho a impressão de que os únicos presos serão os policiais?

Também não ouço falar nada sobre as possíveis penalidades que seriam aplicadas com base no Código Nacional de Trânsito. O rapaz vai perder a carteira e o direito de dirigir?

E uma última pergunta, aquela óbvia que não quer calar: se o rapaz atropelado e morto fosse o Zezinho, filho da desconhecida D. Maria, moradora de Colégio, o caso teria a mesma cobertura por parte da mídia?