Tijolo com tijolo num desenho lógico. Será?

Como vocês podem ver no post anterior, ontem eu arrisquei e me dei mal. Quer dizer, mais ou menos no fim das contas. Pelo menos, eu preciso e gosto de acreditar que aquele golzinho vá fazer realmente alguma diferença no jogo da volta. E não custa acender uma velinha pra São Judas, o Tadeu, porque – a bem da verdade – fomos massacrados e não levamos uma goleada daquelas por sorte. Sorte sim, o Felipe estar num dia inspirado é sinal de muita sorte. Enfim, ainda dá pra torcer e até acreditar na vitória no jogo da volta.

Mas não é da Copa do Brasil que trata esse post. Desde que a nova diretoria assumiu (aliás, quando é que devemos parar de chamar a nova diretoria de nova diretoria?), estávamos cansados de saber que teríamos um ano duríssimo pela frente. Ninguém nunca escondeu nada, a realidade não foi maquiada, e mesmo assim a turba apoiou. Parabéns pra todos.

Por caminhos mais tortos que o necessário, no final das contas, hoje temos um treinador que sabe o que está fazendo, que tem um plano de onde e como quer chegar. Ok, ele também faz suas cagadas como as substituições no jogo do fim de semana e a escalação inicial de ontem. Mas isso faz parte e vale aceitar que por mais planos que se tenha, às vezes eles não dão certo (como acontece com qualquer um de nós). Principalmente quando se depende dos outros.

E esses outros são os jogadores que ele tem à disposição. A realidade é que temos um elenco de médio para fraco que, num dia muito inspirado como no Fla-Flu, pode ter boas jornadas assim como pode ter dias terríveis. No mais das vezes, teremos atuações entre médias e fracas, essa é a nossa realidade. E daí?

Daí que a grande maioria dos 20 clubes que disputam o Brasileirão também tem times e elencos que variam entre o médio e o fraco. Portanto, numa grande conjunção astral, é até possível que o Flamengo conquiste alguma coisa ao final do ano. Mas se tudo seguir dentro da normalidade, não ganharemos a Copa do Brasil e terminaremos ali pela meiúca da série A, sem sofrimento pelo rebaixamento (time grande não cai), sem maiores aspirações.

O que gostaria de saber é como anda a administração da dívida do clube. A auditoria contratada apresentou uma conta de R$ 750 milhões. Desses, foram pagos 40 para conseguir as tais certidões de débito. E o que mais? Como estão fechando as contas mês a mês (salários etc.)? As arrecadações do clube estão sendo realmente potencializadas? Em tese ainda há espaço para um patrocinador na manga; desistiram ou ninguém quis? Quanto se arrecada de verdade com o sócio-torcedor? Onde está, para onde foi o dinheiro do Morro da Viúva? A Adidas lançou o uniforme, mas nada de linha casual; isso não ajudaria na arrecadação? Algo está sendo feito a respeito? E o preço dos ingressos? Será que, em alguns jogos especiais, não dá pra fazer uma promoção? Será que 70 mil pessoas a R$ 10 ou 15 não é melhor do que 10 ou 12 mil a R$ 40 (valor médio)? Que tal fazer um teste sobre isso na partida contra o Cruzeiro, na próxima quarta?

Por fim, a pergunta mais importante: quais as perspectivas reais para 2014? A massa comprou o barulho, entendeu a situação, aceitou que seria um ano de paciência. Mas tudo na vida tem limite e se no horizonte não houver alguma luz… O ano é de reconstrução, mas isso não pode virar obra de igreja.

Obra

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100% incoerente

Anúncio Itaipava Arena Fonte Nova / Criação: Y&RSinceramente, não acredito que a proibição de cerveja nos estádios faça diferença, mesmo, na violência que hoje permeia o futebol. As grandes brigas, inclusive com mortes, têm relação com a rivalidade entre gangues travestidas de torcida. E isso já está mais do que provado.

Mesmo assim, os çábios de Brasília, um dia, resolveram proibir o consumo de qualquer bebida alcoólica nos estádios brasileiros. Em alguns lugares, por normas locais, a proibição também vale nos entornos com variações de raio.

No entanto, descobri hoje – no blog do Juca Kfouri – que a Arena Fonte Nova será (ou já é, não sei) a Itaipava Arena Fonte Nova.

É claro que a venda do direito de nomear os estádios, ou naming rights em português moderno, é uma das formas de arrecadação e recuperação dos investimentos feitos por proprietários ou concessionários. Mas eu não entendi a lógica da Fonte Nova.

Vale lembrar que, mesmo sob concessão, o estádio é de propriedade do estado. Assim, o ente federativo deveria ter o poder (dever, na verdade) de participar dessas negociações e impor alguns limites. Pombas, se o consumo de cerveja no estádio é proibido, não posso permitir que uma bebida dê nome ao estádio e incentive o seu consumo.

Depois, comecei a pensar na cervejaria. Pagam uma pequena fortuna para dar nome ao estádio mas se não rolar uns capilés a mais, rádios e TVs não vão citar a marca ao se referir ao estádio (o que acho um absurdo, se a marca faz parte do nome; mas isso é outra discussão pra outro dia). No caso da Fonte Nova, que já tem seu nome consagrado, nem o público vai aderir à nova nomenclatura. Além disso, seu principal produto não pode ser consumido no espaço a que ela dá nome.

Outro detalhe diz respeito aos maiores eventos que o estádio receberá. Segundo a lei geral da Copa, durantes as copas das Confederações e do Mundo, haverá venda de cerveja, como já é mais que sabido e sempre foi esperado, pois um dos maiores patrocinadores da FIFA é a Budweiser. Ou seja, na hora de brilhar, a marca Itaipava não poderá ser usada pois vai contra os ‘donos’ do estádio durante as competições.

Desculpem, sei que existem inúmeros conceitos e argumentos que justificam a ação, mas sou meio burro pra algumas (muitas) coisas. Alguém pode me explicar, didaticamente, a lógica da ação e a relação custo benefício do negócio?

P.S. 1: como disse, sou contra a proibição. Mas já que é proibido, a legislação deveria ser completa, por coerência, e proibir também qualquer tipo de publicidade nos estádios, dos naming rights às placas de campo.

P.S. 2: acredito que toda e qualquer escolha é, por definição, individual. Para o bem e para o mal, independente de grupos de pressão. Então, acho ridículo a proibição de qualquer tipo de publicidade em qualquer lugar ou horário, cigarros e remédios incluídos.

Cala a boca, Galvão

Ah, aquele capacete amarelo no carro preto e dourado… Se você gosta de F1 e só consegue assistir às corridas pela emissora oficial, prepare-se para ouvir frases parecidas muitas e muitas vezes até, pelo menos, o fim deste ano. Um oferecimento de Galvão Bueno, claro.

O problema é que Bruno Senna nem é tão bom quanto foi seu tio nem ruim como tentam fazer parecer seus detratores. O lado bom é que o próprio piloto sabe e – dentro do possível – consegue esquivar-se dessas tolas comparações. E se você é daqueles que só sentido em acompanhar as corridas porque há brasileiros por quem se pode vibrar, torça muito por ele, pois é – sem dúvidas – nossa maior chance nos próximos anos.

Bruno fez uma corrida corretíssima ontem. Teve a sorte de não ser acertado pelo quiprocó da largada, foi consistente e marcou seus primeiros pontos na categoria. E por enquanto é só. Porque, vale lembrar, ficou seis meses parado e seu  ano de estréia, a bordo da Hispania, não foi bem ao volante de um F1.

Sobre a Renault, para 2012, paira a sombra de um possível retorno de Kubica. E mesmo que o polonês não volte, Bruno teria que garantir uma boa grana com seus patrocinadores (Gillete, Embratel e OGX – leia-se Eike Batista) para fazer a temporada completa.

No mais, é andar bem para mostrar que é sim excelente piloto. Na comparação Petrov, seu companheiro de equipe, ele tem boa vantagem. Sempre o bateu nas categorias em que se encontraram e, nesse ano e apesar do tempo parado, já está prestes a colocar o russo no bolso. Voltamos, então, à questão financeira.

Monza

Há duas semanas, dei loas a quem teve a brilhante idéia de voltar das fériasem Spa. Poisa despedida da Europa também é uma bela idéia. Monza é pista daquelas de verdade. E se não há curvas desafiadoras, se não tem um traçado seletivo como o autódromo belga, é pura história a toda velocidade.

E se a corrida em si não foi muito movimentada, além da excelente briga de várias voltas entre Schumacher e Hamilton, não ache que foi por acaso que os cinco primeiros lugares tenham sido conquistados pelos cinco campeões mundiaisem atividade. Porquetambém não foi por acaso que isso aconteceu pela primeira vez na história.

Bicampeão

Estamos, então, contando os dias para ver a farra oficialmente decidida, o que deve acontecer no Japão. Pode acabar em Cingapura, próxima prova? Até pode, mas é muito pouco provável. Pista de rua comum, não deve causar maiores problemas a ninguém. Então, mesmo que Vettel vença de novo, não deve abrir os tais 125 pontos de vantagem que precisa. Faltam 12.

A vitória de ontem mostrou, mais uma vez, que o alemão não é mais aquele garoto que se perde por bobagens que chegaram até a colocar em risco o título do ano passado. Perdeu a posição na largada, mas reconquistou a liderança sem sustos logo depois que o safety car saiu da frente. E não deu chances a ninguém, confirmando – também – que a Red Bull é o melhor carro em qualquer condição.

Button

Fodástico. Precisa dizer mais alguma coisa?

O que falta

Cingapura, Japão, Coréia do Sul, Índia, Abu Dhabi e Brasil. Fora Susuka e Interlagos, só corridinhas insossas. Vai ser duro acompanhar o final da temporada…

Desce mais uma gelada

A sociedade brasileira lutou durante anos para institucionalizar essa regra e, após um longo período de conscientização e adaptação, a população em geral e os freqüentadores dos estádios em particular entenderam que é uma medida benéfica. Ao abrir essa exceção, vamos retroceder décadas em 30 dias. Além disso, vamos abrir um precedente para que a CBF e outras federações nacionais exijam o livre comércio em jogos da sua competência. (…) Essa droga lícita amplifica rivalidades e facilita a expressão da agressividade. Em jogos de futebol isso pode ser ainda mais evidenciado, já que há grupos de torcedores em oposição. (…) É preciso resguardar os interesses da população no que diz respeito à saúde pública e à segurança nos estádios, independentemente dos interesses e intervenções de alguns grupos.

O que você vê acima são declarações do psiquiatra Carlos Salgado, presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead). Salgado se manifestou por conta do anúncio de que a Lei Geral da Copa pode permitir a venda de cerveja nos estádios durante a competição em 2014.

É claro que essa liberação vai acontecer, a Budweiser é uma das patrocinadoras da FIFA. Eu mesmo já tinha falado nisso durante o mundial de 2010, nesse post.

Sobre esse assunto, há duas questões. A primeira, que é a proibição de venda de bebidas nos estádios e, em muitos estados e/ou cidades, no seu entorno. Sou absolutamente contra isso. Durante boa parte de minha vida, freqüentei estádios. No maior deles, não foram raros os jogos com mais de 100 mil pessoas.

Nesses casos, e fazendo uma conta burra e modesta, vá lá que apenas 30% das pessoas bebesse. Chegaríamos à marca de 30 mil bebedores. Desses, quando havia brigas e outros problemas, os contentores talvez chegassem a 100 ou 200 (nos grandes tulmutos). Nem 1%!!!! Mesmo assim, a massa pagou o preço numa clara ação do estado babá. Basicamente, as pessoas não tem mais o direito de escolher o que fazer de certo ou errado e arcar com suas conseqüências.

Salgado, ao gritar contra a cerveja e dizer que ela seria uma das causas da violência entre torcidas, não lembra que as brigas entre organizadas continuam acontecendo dentro e fora de estádios. Muitas vezes, marcadas com auxílio das redes sociais. Ou seja, seguindo sua lógica, deveríamos proibir o uso da internet.

Salgado diz ainda que é preciso olhar os interesses da população. Que interesses de qual população? Porque não conheço ninguém nos meus círculos de amizade que seja a favor da proibição. E não conheço ninguém que, enquanto era permitido, tenha bebido em um estádio e colocado o mundo ou mesmo o síndico de seu próprio prédio em perigo.

No meu quintal, mando eu

O outro ponto desse problema diz respeito à soberania nacional. Mesmo discordando da lei, ela existe e deve ser cumprida. Ou seja, a abertura de uma exceção por exigência dos organizadores de um evento – qualquer que seja – não deveria existir. Pois além de afronta clara ao Estado, abre precedentes para que qualquer organizador de qualquer evento possa solicitar e esperar que receba o mesmo tratamento. Daí pra virar zona, falta um pulo.

Nesse caso, cabe a pergunta: “quem manda na minha casa?”. Se a lei é vagabunda e deve cair, é problema nosso, discussão que nós temos que fazer. Se a Copa será um pretexto para tratar do tema, ótimo. Mas no dia do ponta-pé inicial, a coisa tem que estar decidida da seguinte forma: ou a lei é mantida e vale inclusive para o mundial, ou ela não presta e a cerveja está liberada, tanto para a Copa quando para os jogos da quarta divisão do campeonato roraimense.

Nesse sentido, a tal Lei Geral da Copa ainda vai mexer em mais vespeiros, como a não existência de meia-entrada durante o torneio. Basicamente, vem mais confusão por aí. Ou será que a UNE, só para dar um exemplo, patrocinada pelo governo que bate palmas para a Copa, vai colocar o rabo entre as pernas e aceitar essa imposição?

Mosca sem asas

Vamos bem né? Seis meses e 20 dias depois da posse, Dilma já enfrentou dois escândalos. Daí nada, não é mesmo? Ou você acredita que alguém será investigado de verdade, indiciado, processado, julgado e punido. Alou, você está no Brasil, meu amigo.

Brasil é aquele país que até depôs um presidente por corrupção, vocês lembram? Pois hoje o cara é senador e aliado do governo que é comandado pelo partido que foi um dos líderes dos movimentos que ajudaram a derrubá-lo.

Então, o cara que assumiu em 2003 deu muito mais motivos para ser deposto, com provas e mais provas, e nem aí… Claro, como é que os caras que receberam mesada vão brigar com quem deu a mesada? Ou vocês não lembram do mensalão?

E aí, chegamos à moça que ocupa a cadeira mais importante do país. Como disse lá em cima, seis meses e 20 dias. E um dos caras que havia sido defenestrado do governo anterior ocupa a segunda cadeira mais importante do governo. E cai graças ao tráfico de influência que praticou largamente a título de consultoria. E depois, um outro ministério cheio de verbas e moedas de troca é inteiro desfeito, do ministro ao sub do sub, por corrupção, e ninguém a coloca contra a parede.

Porque no ponto que já chegou, em tão pouco tempo, é claro que é tão corrupta quanto os que estão caindo (e os outros que ainda estão por lá) ou é inapta para o cargo ou – como acredito – as duas coisas.

Há alguns dias, o corresponde do El País no Brasil, escreveu um artigo tentando entender a razão dos brasileiros estarem tão apáticos, por que ninguém se movimenta, onde estão os indignados. Segue um trecho:

El hecho de que en solo seis meses de gobierno la presidenta Dilma Rousseff haya visto dimitir a dos de sus principales ministros, heredados del gobierno de su antecesor, Lula da Silva (el dela Casa Civilo Presidencia, Antonio Palocci, una especie de primer ministro, y el de Transportes, Alfredo Nascimento) caídos bajo los escombros de la corrupción política, ha hecho preguntarse a los sociólogos por qué en este país, donde la impunidad a los políticos corruptos ha llegado a hacer extensiva la idea de que “todos son unos ladrones” y que “nadie va a la cárcel”, no exista el fenómeno, hoy en voga en todo el mundo, del movimiento de los indignados.

¿Es que los brasileños no saben reaccionar frente a la hipocresía y falta de ética de muchos de los que les gobiernan? ¿Es que no les importa que los políticos que les representan, en el Gobierno, en el Congreso, en los estados o en los municipios, sean descarados saboteadores del dinero público? Se preguntan no pocos analistas y blogueros políticos.

Ni siquiera los jóvenes, trabajadores o estudiantes han presentado hasta ahora la más mínima reacción ante la corrupción de los que les gobiernan.

Por que ninguém faz nada? Porque não existem movimentos sociais sem a mobilização de instituições ou organizações, não existe a hipóteses de eu ligar para um amigo e chamá-lo para uma passeata (se estou errado, realizem um flash mob e provem o contrário). E quem deveria fazer isso está vendida ao governo. Só um exemplo: a UNE, que deveria ser o ponto de convergência e mobilização de estudantes, é patrocinada pelo governo federal (direta ou indiretamente), assim como sua diretoria é completamente ligada ao PC do B, país da base do governo. Acho que não precisa desenhar, né.

Infelizmente, parece que Samuel Rosa e Chico Amaral acertaram quando escreveram que e “a nossa indignação é uma mosca sem asas, não atravessa a janela da nossa casa”.

Vídeos do VodPod não estão mais disponíveis.

Indignado, posted with vodpod

Hora de voltar pra casa

Ainda falando de esportes, agora só de futebol. Desde a confirmação de Ronaldinho Gaúcho no Flamengo venho pensando a respeito da volta de jogadores que foram para a Europa, não importando se para o Barcelona ou o CSKA.

A verdade é que estamos vivendo um período, que se estenderá até 2014, de interesse pelo Brasil. E estou falando de grana. Por conta da realização da Copa, todo mundo que puder tirar uma casquinha, vai tentar. Isso quer dizer que se os clubes forem relativamente inteligentes saberão maximizar suas parcerias com empresas, patrocinadoras. Em valores e quantidade.

Afinal, será muito interessante, do ponto de vista publicitário, ter contrato com jogadores que vestirão habitualmente a camisa amarela ao longo dos próximos anos. Mesmo que, no final das contas, o cara não jogue a Copa. Afinal, só cabem 23.

O que estou tentando dizer (e sinceramente não sei se estou sendo claro) é que o negócio futebol tende a crescer muito nos próximos anos e trouxas serão aqueles que não souberem aproveitar as oportunidades. É hora de abrir o caixa para segurar quem ainda não cruzou o Atlântico ou trazer de volta quem foi dar umas bandas por lá.

Mudando de assunto sem sair do tema, sempre foi discutido por aqui se realmente valia a pena o cara largar um Flamengo, um Grêmio, um Corinthians para jogar por clubes menores do velho continente. Porque se o sujeito vai jogar no Sevilla, ele sabe que nunca vai ganhar nada, título nenhum. Se vai para um CSKA, não aparece nem na TV. Ou seja, a carreira do sujeito dá adeus a inúmeras chances que estão diretamente relacionadas a estar em evidência em um grande clube.

Pois o Rica Perrone publicou belo texto sobre o tema.

Aqui se ganha, hoje, perto do que se ganha lá. O cara não sai mais para ganhar 500 ao invés dos 100 aqui. Ele vai ganhar 450 ao invés dos 300 aqui. O que na minha opinião já se torna discutivel, pois certas coisas não tem preço.

Vai jogar no Real? Porra, sensacional! Milan? Manchester? Ótimo.

Agora… tu vai trocar um Inter, um Santos, um Flamengo pelo Besiktas, pelo Shalke 04 e vem chamar isso de realização profissional?

Nem no bolso, meu camarada. Porque daqui 6 meses só sua mãe lembra de você. E isso é DESVALORIZAÇAO, não crescimento profissional.

Clique aqui para ler o texto inteiro. Concordei em gênero, número e grau. E acrescento: para jogar em time médio da Europa, faça o mesmo por aqui. Porque a grana está disponível e não será entregue apenas aos 12 grandes. Ou seja, todos os outros clubes da Série A e vários da Série B têm potencial para receber bons investimentos.

De quebra, bons marqueteiros saberiam fazer render belamente os contratos mais longos por aqui para criar identificação entre jogadores, clubes e torcidas, usando o antiquado amor à camisa como argumento.

2ª Edição

O Marcelo Barreto é um cara que admiro. Não o conheço, na verdade, estou falando de pontos de vista, de textos, do jornalista. E ao dizer que não sabe se é diferente, ele mostra o quanto é diferente. Vale clicar aqui para ler sua análise sobre o mesmo texto do Rica Perrone que citei aí em cima.

O dono do carro, o vendedor e o garoto mimado

Por tudo que acompanhei até o momento e também por algumas conversas, parece claro que o Flamengo procurou o dono do carro e depois foi atrás do motorista, ao contrário de seus rivais na disputa que só conversaram, praticamente, com o motorista. Quando o dono do carro entrou em cena, o caldo entornou. Que fique a lição para nossos clubes: transferências têm que ser negociadas com os clubes detentores dos direitos federativos dos atletas, primeiro. Ou, no máximo, simultaneamente.
Emerson Gonçalves (Olhar Crônico Esportivo)

São 16h de segunda-feira, 10 de janeiro, e Ronaldinho ainda não é jogador do Flamengo. E eu já tinha falado antes na postura da diretoria rubro-negra durante toda a negociação com Assis, irmão e empresário do craque que não parece ter vontade própria.

Enfim, tomando como fato que o dentuço será o novo 10 da Gávea (será anunciado hoje à noite, no Jornal Nacional, segundo o twitter do Fábio Azevedo, é a notícia que acaba de chegar), há pelo menos mais três pontos neste negócio que merecem alguma atenção  e, até, reflexão. O primeiro, mais óbvio, é quanto será para bom para o Flamengo tê-lo em suas fileiras. Pois já faz alguns anos que seu futebol deu uma bela caída. O que era rotina no Paris Saint Germain e Barcelona, entre 2001 e 2005 (ou 2006, tá bom), virou lampejo digno do mais serelepe vagalume.

Mesmo assim, a torcida rosso-nera fez faixa de despedida para Ronaldo, lhe agradecendo e desejando boa sorte. Porque se na temporada atual as coisas não vão bem, na última ele foi um dos principais jogadores do Milan. Ainda que vivesse de momentos. Como, em terra de cego quem tem olho é rei, é bem possível que por essas nossas plagas ele tenha um bom desempenho. Afinal, até o xará gordo conseguiu jogar.

De qualquer maneira, a discussão sobre o futebol de Ronaldinho vive recaindo no dilema ‘ele pode’ e ‘ele quer?’. Porque já está todo mundo cansado de saber que ele pode. E se ele quer, a aposta pelo Flamengo pode ser um bom sinal, para estar próximo da Seleção Brasileira e lutar pela possibilidade de se despedir da amarelinha sendo campeão do mundo em casa. Nesse caso, ele se dedicaria como louco nos próximos anos. E, a partir daí, a discussão seria entre o ‘ele quer’ e o ‘ele consegue?’. Sei lá…

As contas

Outro aspecto da contratação de Ronaldinho é a grana. Dirigentes, empresários e marqueteiros insistem que o negócio, apesar dos cerca de R$ 60 milhões investidos pelo clube, é superavitário. Será mesmo? É provável que sim, basta um bom planejamento. O exemplo gritado pelos quatro cantos do país é a contratação de Ronaldo pelo Corinthians. Teoricamente, já mais do que se pagou. Mas você viu os números? Nem eu. Então, é natural que desconfiemos ao menos um pouquinho disso. Além disso, o contrato assinado pode até gerar um boom de bons e novos negócios, mas que só serão mantidos ao longo do tempo caso seu desempenho seja compatível com a expectativa da torcida.

O Flamengo não vai ter gastos com Ronaldinho. Ele é que vai trazer recursos. Já surgiram várias oportunidades de negócio. Quem paga o jogador é a torcida
Luiz Augusto Veloso, diretor de futebol do Flamengo, em entrevista à Rádio Globo.

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A volta do dentuço ao Brasil virou um circo e quem armou a lona foi Assis. Com isso, todo mundo concorda. E não faltam críticas e afirmações duras, de vários envolvidos ou não no caso, de que o irmão empresário está fazendo mal à imagem de Ronaldo. Eu inclusive, se não falei isso, pensei. Mas há que se pensar fora da curva (ou do quadrado, como gostam os moderninhos corporativos). E gosto muito de quem faz isso.

Assis é genial. Conseguiu fazer que o Ronaldinho, sem jogar bola, conseguisse a mesma mídia que ele tinha quando campeão do mundo.
Rica Perrone (Blog do Rica Perrone)

Não sei quanto de ironia o Rica colocou nessa frase, mas a verdade é que Assis conseguiu provar por A mais B, mesmo com um monte de cagadas, que Ronaldinho ainda tem um imenso valor comercial, que é capaz de fazer muito dinheiro. Vale dizer que havia mais de uma centena de profissionais de imprensa e quetais na tal coletiva do Copacabana Palace na semana passada. E que essa novela já está no ar há muito tempo. E não há site ou jornal ou rádio ou TV no Brasil que, ao menos uma vez, não fale do dentuço diariamente. Mesmo que todo mundo saiba que já há muito tempo que ele não faz em campo metade do que já fez.

Mas mesmo saindo como o grande escroto de toda essa história, o mesmo Rica lembra que Assis é, além de irmão, apenas o empresário de Ronaldo e não o seu dono. E que se as coisas chegaram a tal ponto, não se pode colocar toda a culpa apenas nas costas do irmão mais velho.

Cabe ao Assis negociar, ouvir, arrumar grana. Se ele por acaso faltar com a palavra, cabe ao RONALDINHO trocar de empresário, ou, consertar a bobagem. (…) Mas quando você paga pra alguém te representar e esta pessoa faz aquilo que você não concorda, você está sendo representado? Se não está, porque mantém e diz amem? Assis é apenas um revólver sem bala. Quem dá munição pra ele atirar é o Ronaldinho, real responsável por tudo que está acontecendo. Não se posiciona, não sabe o que quer, não participa das reuniões, deixa tudo nas mãos de um cara que cuida da parte COMERCIAL dele e, portanto, só enxerga o lado comercial. Culpem o Assis do que quiserem. Só não esqueçam de quem ele REPRESENTA.
Rica Perrone (Blog do Rica Perrone)

A verdade é que Ronaldinho foi mimado e cercado desde muito jovem, virou uma estrela mas nunca chegou a ser um homem, pois sempre teve tudo e todos ao seu redor para fazer suas escolhas, lhe apontar o que seria melhor, lhe dizer o que fazer e tomar suas decisões. O problema é que isso vem acontecendo já há algum tempo com boa parte dos jogadores de futebol que tem, em sua grande maioria, origem pobre e sem formação, e com suas famílias praticamente vendendo suas almas aos empresários engravatados e de boa estampa que assediam as divisões de base de TODOS os clubes do Brasil, pois “eles sabem o que fazem”.

Só se esquecem que nem 2% dos jogadores de futebol alcançam o sucesso, mesmo em território brasileiro. E um dia terão que parar com a bola e levar uma vida de gente comum, precisando tomar decisões, fazer escolhas e sem ninguém para lhes apontar o rumo.